não é sobre cuspe.
É da minha memória alterada, ou perdeu-se o brilho sobre cuspir no chão? Alguma vez o teve? Não reclamo da extinção de um hábito desnecessário e nojento, mas passei no outro dia pela rua e vi um homem fazê-lo numa parábola quase perfeita até ao jardim. Apercebi-me que já não era frequente assistir a tão explícita acrobacia de um primata. Curioso como em pequeno me queriam fazer querer que era um pré-requisito para ser homem. Macho. Saber cuspir era um ato de masculinidade. Um critério para cumprir de uma lista público-secreta ditada pela cultura e sociedade. Uma lista que pelos vistos mudou, ou então a minha bolha de universo afastou-se tanto dessa realidade que já a associo aos tempos da descoberta da roda. Ou da internet. Talvez esteja influenciado pela área que decidi estudar, estando o catarro libertado tão associado a doenças ou outros problemas de saúde e maus-hábitos, e a expetoração presa que não sai e que tanto leva as pessoas a procurar por antibióticos ou xaropes da tosse. Ou comprimidos efervescentes. Ou ainda talvez seja de haver menos fumadores. Há? Não fui confirmar. Pelo menos as regras mudaram e os chãos andam mais limpos. Consigo respirar melhor nas lojas. Consigo passear sem ouvir o constante coçar da garganta como se o mundo precisasse do "white noise". Desliguem o carro. O vento e o mar não é suficiente?
Sei que estou consideravelmente mais leve das correntes que me pesaram e moldaram ao crescer, pelas expectativas dos outros, embora o número da balança tenha aumentado, mas pergunto-me que outras coisas espelho agora e que perderão o seu valor?
É um exercício que faço regularmente. Parar de prever um futuro. Não há folha de excel para isso.
05 | 06 | 2026 | espinho















