Não sei se pela inocência ou ingenuidade, se pela vaga e difusa linha que separa de facto a perda dela. Serão compatíveis com a vida adulta ou patologizamos o insulto da falta de maturidade? Sempre esperei por esse passo. De o sentir como um degrau. Um fim de capítulo. Um "não percam o próximo episódio". Mas o passo nunca chegou. Não me tornei adulto quando acabei o secundário e enveredei pela medicina. Não me tornei adulto ao terminar a faculdade formado e pronto para abraçar os caminhos de Portugal, nem a coleção de mais um charuto de papel com um novo título pareceu desbloquear a cut-scene. Parece faltar sempre alguma coisa. Será a casa? Será a paternidade? Não pode. Ser adulto não pode depender de uma quest opcional, mesmo que surja em tempos verbais diferentes entre criaturas. Quando foi a minha? Foi gradual? Foi a independência financeira ou a emocional? Foi sair de casa e cozinhar, ou foi começar a fazer o IRS sozinho? Parece que nunca chegou, e talvez a profissão tenha culpa (se não são já todas inclinadas para a necessidade de atualizar a estudar ad aeternum). Terei já dado o passo e não me apercebi? Onde estão as skills que desbloqueei com a digievolução? Onde estão os meus ataques novos? Posso melhorar o equipamento? Não sei onde está o botão da pausa para rever os stats, e os códigos de batota implicam outros truques genéticos e circunstanciais. Já não é só cima-baixo-esquerda-direita-A-start. E se o fosse, o que veria? Em que nível me transformei? Será contínuo e gradual afinal o crescimento? Parece óbvio, mas a sensação não muda. A necessidade de enraizar algures. De assentar. De, para mim, parecer ser essa a chave que desbloqueia o novo mundo com estrelas para colecionar. É disso que estou à espera?