Entre o ódio e o medo - do passado; do presente; e do futuro, no Brasil.
Esse texto contém relatos cronológicos de sentimentos que persistem e tecem a trama da/o brasileira/o a aproximadamente 525 anos.
Medo: ''PSICOL: Estado psíquico (mental) provocado pela consciência do perigo, real, imaginário ou por ameaça.'' Ódio: ''1- Aversão ou repugnância que se sente por alguém ou por alguma coisa; antipatia, desprezo, enzona, odiosidade. 2- Rancor profundo e duradoura que se sente por alguém/algo.'' - Fonte: Dicionário Michaelis online. (michaelis.uol.com.br)
Não faço ideia de como vou continuar a escrever esse texto, afinal são tantas coisas para ter medo e ódio ao mesmo tempo. Desde o momento que idealizei escrever sobre esse tema, tudo piorou em uma escala tão absurda que não sei se sou capaz de formular palavras capazes de expressar toda minha angústia.A cada dia que passa vejo que a luz, a esperança, a força (sei lá como você chama) está cada vez mais distante de todos nós. Uma injustiça segue a outra e todas seguem a hipocrisia e o desamor. E parece que a alva nunca romperá. Quando intitulo esse texto como ''Entre o medo e o ódio'', é porque exatamente entre eles que me encontro e me perco vivendo a história presente, passada e futura nesse ensolarado e injusto país chamado Brasil. A história que foi construída até então, e a que vivemos hoje, enquanto estamos construindo a historia do futuro; todo esse caminho me assusta, e me provoca reflexões e sentimentos que sempre estiveram presentes, mas que não haviam sido encarados, até agora.
Você já deve ter se assustado com a avalanche de palavras tão assustadoras logo nas primeiras linhas desse texto. Mas meu bem, se você olhar para dentro do seu peito agora, é essas palavras que você vai unicamente encontrar. Hoje vivemos um dos piores momentos no país e no mundo; seja pelo vírus, pela intolerância, ou por toda desgraça que estamos causando ao planeta em proporções incomparáveis. Mas vejo tamanhos infortúnios como um caminho bifurcado, onde um lado do caminho leva a manter tudo como está e deixar tudo ainda pior; enquanto o outro lado nos dá a oportunidade de mudar, reconhecer e consertar tudo o que há de errado. Então é lógico que alimentada por tantos acontecimentos, eu escolho o segundo caminho, e me sinto na obrigação de abordar um tema que diz respeito a todos nós como sociedade; que é a nossa história. História essa que aprendemos na escola e com a mídia, mas que nunca paramos para refletir sobre todo o caminho de injúrias e injustiças que crescemos caminhando, sem ao menos nos perguntar o porquê de tantas pedras e sangue sobre ele.
Vejo que traçar um paralelo histórico que nos faça refletir sobre onde é que a gente chegou, e onde será que a gente vai parar com esse ritmo tão destrutivo; é uma maneira de invocar a mudança e a justiça. Encarar o medo de frente, e reconhecer todos os erros é evoluir e crescer. Também não deixo de dizer que o ódio não surge ''do nada'', mas tem uma origem e no contexto atual é ''A origem''. Sabemos que o ódio e o medo é histórico, revoltante, e nos ameaça com sua falta de fim. A história do Brasil já começou errada, e os frutos dessa semeadura infernal colhemos até hoje. As feridas nunca se fecham, mas muito pelo contrário, só há mais e mais dedos imundos para cutucar. E baseado nisso tudo, escrevo esse texto com o objetivo de levantar questionamentos, provocar reflexões, revoltas, medo, ódio e por fim mudanças, sobre nossa própria história; seja do passado, presente e futuro.
A começar redundantemente pelo começo a mais de 500 anos atrás, Pindorama estava na maior paz, até ser invadida pela galera da varíola. Sim! Os invasores europeus, que usam o pseudônimo de colonos, para justificar a violência e selvageria, contra toda vida que já habitava no território ''descoberto". E assim, damos início ao primeiro capítulo da desgraça nacional.
Antes de começar, gostaria de pedir licença a todos os povos originários de Norte à Sul do país, para poder falar sobre a história de vocês. Não sou indígena, pois infelizmente ainda não conheço minhas origens, mas sei e reconheço que a terra que me abriga hoje pertence unicamente aos povos originários, assim como o sangue que corre em minhas veias. Espero ter a capacidade de falar com respeito o pouco que sei sobre a história, vista com meus olhos estrangeiros que buscam mais do que nunca conhecer a verdade e a justiça. Então você que é indígena, por favor não hesite em me falar o que achou. Vou adorar te conhecer, ouvir sua história e sua opinião. Então fica aqui minha solidariedade e respeito a todos os povos originários do Brasil, ou seja, aos verdadeiros Brasileiros(as).
Infelizmente o etnocídio indígena encontrou moradia fixa e persiste a partir do momento que em que o homem branco europeu desceu de sua imunda caravela, sem o mínimo de respeito e educação. Os povos indígenas foram (e infelizmente ainda são) perseguidos e mortos por covardes bastardos que não se contentam com o que tem. A terra e toda vida que ela abriga foi banhada com sangue inocente de seus guardiões; atravessando séculos a medida que o invasor se embrenhava no território ancestral, privando a liberdade de quem já era livre e ocultando toda a história que já estava aqui. E tudo isso para quê? Por ganância, apenas. Nunca vou entender o que justifica o homem branco europeu se julgar superior aos povos indígenas? Ou a história e a vida de um lugar que não conhecia? É injustificável! E sim! É imperdoável.
O que mais me revolta, é a maldita história branca que aprendemos na escola, que valoriza e exalta como heróis a vida desse seres deploráveis, que se intitulam como ''descobridores do Brasil''. Não concordo que a história não reconheça as atrocidades cometidas por eles, criaturas que não tiveram a decência de saber quem eram os donos dessa terra, ou de se interessar sobre o que faziam e qual era a verdadeira história do lugar que invadiam. Mas não! Muito pelo contrário, o "colono'' chegou com toda sua lábia, mentiras, doenças e violência, para destruir aquilo que nunca foi (e nunca será) seu. Tratando os povos originários como fossem os parasitas invasores, e escrevendo a mentirosa história como se fossem heróis puros e inquestionáveis. Apenas lamentável!
E foi nesse lar intrépido que o Brasil se formou. Fizeram tamanha barbáries com a desculpa imbecil de que os povos originárias eram ''selvagens'', mas é mais do que evidente que os selvagens eram e são os brancos europeus, responsáveis por toda desgraça na história do mundo. Vamos ser honest@s?! Falar sobre a perseguição e genocídio contra os povos indígenas do Brasil (e do mundo) é um assunto longo e injustiçado. Onde é visível que a Europa tem um débito ético imensurável a quitar com a história, e com a vida de milhares de povos que resistem e aguardam que a justiça milenar seja feita, onde as marcas desse passado violento persistem até hoje em seus corpos.
Nossa terra abriga mais de 300 etnias indígenas de Norte a Sul do país, onde cada uma apresenta sua individualidade de cultura, costumes e história. Infelizmente (como sempre) aprendemos com a sociedade a generalizar os povos indígenas, como se fossem apenas um só, com características e hábitos estereotipados. E aí está o maior erro que cometemos contra os povos originários. As etnias indígenas são ricas e plurais, ao ponto de não se poder comprar os Guaranis com os Tikuna, por exemplo. Que vem de extremos diferentes do país, e logo apresentam uma cultura totalmente divergente da outra. Para o seu melhor entendimento, é o mesmo que comparar Brasileiros e Coreanos, não têm absolutamente nada a ver. Mas isso nós não aprendemos na escola não é mesmo? Então como iríamos saber? Realmente não há como saber enquanto estivermos imersos nessa imunda história, moldada e contada por brancos e para brancos. A história que aprendemos na escola é uma farsa, uma mentira bem contada que atravessa séculos, e que continuará atravessando rumo ao futuro se nada for feito agora. Agora pensa aqui comigo, se o Brasil pertence aos povos originários, por que não sabemos mais sobre a história deles? E a resposta a essa pergunta pode ser explicada pelo grande plano maligno de embranquecer a terra, com mentiras. Onde o homem branco além de invadir e destruir o território que não lhe pertencia, esse também subverteu a história ao ponto de somente a sua mentira ser considerada verdade; enquanto toda a verdade é ocultada e, por que não dizer, queimada. Está dando para acompanhar? Hoje não aprendemos sobre a verdadeira história indígena, porque os brancos não querem dar espaço aos povos originários para contarem a verdade. E quando acontece, logo dão um jeito de calar a voz da verdade, como o caso da professora de Rondônia que foi expulsa da escola que lecionava por "insistir na temática indígena", é mole? Não querem dar visibilidade para que se retire da escuridão a verdadeira face da história. A hipócrita sociedade embranquecida atual (e passada), sempre teve medo da verdade e de assumir seus erros mostrando o sangue nas suas mãos. E o pior disso é que na tentativa de se ''redimir'' acabam contando uma história mentirosa e carregada de estereótipos que têm sido exaltada anualmente em todo 19 de Abril, e que de indígena não há nada.
Infelizmente toda pessoa, que não esteja em contato com a verdade contada pelos povos originários, terá o primeiro contato com a cultura indígena e as raízes do país, através da escola. Onde nos é contado uma história branca, carregada de estereótipos e mentiras, nos fazendo acreditar desde muito cedo que o ''colono'' é o grande herói que nos salvou da ''selvageria'' ancestral. É péssimo, ver que em toda nossa jornada escolar a verdadeira história dos povos originários não ser abordada em nenhuma vez. Vemos que toda produção indígena sempre foi menosprezada pela sociedade, nunca pesquisada ou tida como alvo de estudo e valorização. Mas o que vemos, é uma ocultação e marginalização dos donos dessa terra, que são apagados da história geral.
No lugar da fala dos povos originários, vemos mais e mais histórias narradas por segundos. Até hoje o homem branco vê a cultura e a vida de indígenas, como objeto de experimentação acadêmica e admiração fotográfica em uma exposição em Paris. Onde através de imagens de objetivo duvidoso, continuam a reforçar estereótipos e a visão de que os povos originários continuam presos no tempo e parados em 1500. Isso é absurdo de maneiras imensuráveis, pois o homem branco acha que faz a sua parte, mostrando mais daquilo que o imaginário coletivo já têm em mente. Penso que se o homem branco quisesse interferir ainda mais na vida dos povos indígenas, que fosse para dar voz a eles, ou usar sua influência para convencer e denunciar as atrocidades que ele mesmo faz. Mas isso ninguém quer fazer, né?
Justo mesmo seria deixar os povos originários contarem sua própria história, sem a interferência de segundos. Ter um espaço igual na sociedade midiática, sem serem narrados pelo homem branco como se fossem pessoas incapazes de levantar sua própria voz. Dar oportunidade e iluminar as produções deles, seria a melhor forma de ''contribuir'', e o mínimo que se possa fazer após séculos de destruição e mentiras. E não me venha dizer que ''não há'' produções indígenas, pois há sim e sempre houve. O que nunca houve foi o reconhecimento, e a valorização de tudo aquilo que está relacionado aos donos dessa terra, e que seja contrária a história branca e mentirosa plantada nesse solo. Infelizmente esse direito e tantos outros tem privado a força dos povos originários desde 1500. Onde se você tiver o mínimo de bom senso vai saber que não tenha um dia em que uma pessoa indígena não tenha que lutar por reconhecimento, espaço, sua terra e todos os direitos que básicos que um ser humano deve ter.
Ver todas essas injustiças continuarem a acontecer aos povos originários, é o resultado da invasão que crescemos conhecendo como ''colonização'' nos livros de história. Marginalizamos os donos dessa terra e calamos a todos os instantes suas vozes, que carregam a verdade. Não sabemos nada sobre os povos originários, e continuamos a alimentar o imaginário coletivo com a imagem indígena, reforçando estereótipos de geração em geração. E me pergunto até quando isso? Até quando teremos esse débito impagável? Até quando vamos continuar a caminhar em cima de tantas mentiras históricas?
É horrível ver que em pleno século 21 ainda tentem moldar os povos originários dentro da destrutiva cultura europeia, onde as raízes são apagadas por não serem aceitas na ''civilização''. Nunca vou me esquecer da letra de ''Território Ancestral'' da Kaê Guajajara, onde ela diz ser ''(...) Kaê na mata, Aline na urbanização''. Com essa palinha já deu para entender do que se trata essa problemática que estamos mergulhados. Os povos indígenas até o ano de 1988 eram proibidos de usarem seus etnomes (nomes dados em suas etnias), e se apresentarem com eles na sociedade. Sim! A sociedade branca também implica com o nome de uma pessoa indígena. O nome! Pense, o nome que você recebe dos seus ancestrais, que carrega luta, vida, e resistência, não é aceito na sociedade por não ser considerado correto, ou integrado. É muito revoltante pensar nisso, pois com essa ocultação dos nomes dos povos originários, que carregam a pluralidades das etnias nele, foi que nossas raízes se perderam. Se perderam no sentido de que inúmeras pessoas indígenas foram ''renomeadas'' pela europeização, ou seja, por trás de todo Silva ou Santos, se esconde uma etnia que foi ocultada pela nossa terrível história. E esse é apenas um pequenino exemplo, das milhões de injustiças que os povos originários vêm sofrido todos os dias desde o infeliz contato com o invasor luso europeu.
Outro ponto que gostaria de abordar aqui é sobre o imaginário coletivo que a sociedade mantém sobre os povos indígenas. Imaginário coletivo, que se alia em tudo ao racismo estrutural. No qual hoje ao falarmos sobre pautas que lutem contra o racismo no país, acabamos olhando apenas para o racismo sofrido por pessoas pretas e a sociedade afro-brasileira. Mas o que pouco pensamos, ou paramos para observar é que o racismo também atinge as pessoas indígenas, em igual e destrutiva escala. Para primeiro exemplo, crescemos com o pejorativo termo ''índio'' que usamos para se referir a uma pessoa indígena. O problema é que essa palavra vem carregada de conotações e ideias racistas, e estereotipadas. Onde quando se falamos de ''índio'' vem a mente, graças ao imaginário coletivo, a imagem de uma pessoa que não usa roupas, que fala ''mim ser'', que é canibal e corre solta pela mata. O que é uma imagem absurda, racista e mentirosa. O termo índio, que aprendemos a usar desde cedo na sociedade, e que têm um dia para ''homenagear'', faz com que a pluralidade étnica dos povos originários seja reduzida e generalizada. Faz com que estereótipos e mentiras sejam reforçados, e que o conhecimento sobre a verdade identidade dos povos indígenas se torne cada vez mais distante de ser conhecida.
Por conta desse imaginário coletivo sobre a imagem do ''índio'', ainda hoje vemos que muitos consideram os povos originários como ''não integrados'' na sociedade, como ''atrasados'' e "arcaicos" em tudo o que fazem; vistos como se estivessem parados no tempo. Essa imagem racista está tão presente na nossa sociedade, que se ignora totalmente o fato de que os povos originários se integraram na sociedade europeia ocidental a partir do momento que teve contato com o piolhento homem branco em 1500. E que conforme a sociedade avançou em tecnologias, as mesmas também se integram na vida e cultura dos povos indígenas, assim como de toda pessoa não indígena. Não houve diferença. Mas um raciocínio tão básico ainda não chegou na mente atrasada da sociedade racista que vivemos, pois, para eles o lugar de ''índio'' é na mata, caçando e andando nu, como a imagem que mantém em suas mentes arcaicas e infradotadas.
Me revolta muito ver que a sociedade acaba medindo, validando a origem e ''autenticidade'', de um indígena com base nesse imaginário coletivo. Tanto que um indígena é questionado por sua autenticidade se ele tem um celular, se assiste à novela das 21h, se passa as férias em Ubatuba, usa Rolex ou se cria conteúdo no Tik Tok. Coisas que qualquer pessoa branca faz e que não é questionada em hipótese alguma. Nossa sociedade insiste em pensar que um indígena só é indígena, se ele estiver de acordo com aquilo que ela considera como ''coisa de índio''. Isso é muito injusto e absurdo, e acontece com mais naturalidade do que a Amazônia é incendiada. Pesado? É, eu sei. Dá muito ódio ver que os povos originários são desrespeitados à séculos, e que ninguém realmente se importe com a causa, e que ninguém dê espaço e visibilidade aos donos e donas dessa terra. A luta indígena por direitos básicos é real, existente e se arrasta à mais de 500 anos sem uma resolução. Até quando vamos ter que viver assim? A realidade é que os povos indígenas hoje, continuam lutando contra opressão da sociedade pós colonial, para manter as suas raízes, sua história, e mostrar ao mundo que suas vidas importam, que sempre importaram. A batalha contra as injustiças é interminável para todo povo originário; e o seu preconceito, falta de conhecimento e respeito, só contribuem para que tudo isso piore.
Falar dos povos originários, é também falar sobre a natureza, sobre a terra e a vida que nela existe. Vida essa que assim como os corpos de seus guardiões, não deixa de ser desrespeitada e degrada pela ignorância e desamor do homem branco há séculos. Hoje infelizmente, e graças ao (des)governo genocida que têm liderando o país, o Brasil enfrenta uma das maiores chacinas aos povos originários e a natureza. Onde motivados pela ganância e expansão da cultura da destruição ambiental, o atual governo visa "flexibilizar a lei" a favor dos malfeitores, dando livre arbítrio para violências contra povos indígenas de norte à sul do país. O garimpo ilegal e o agronegócio pop são os principais motivos dessa luta interminável. Fazendeiros e garimpeiros são munidos pelo governo para agirem com violência contra aldeias, povos isolados, e todo indivíduo que se opõe e deseja saber da justiça. E a cada semana surge um novo PL (projeto de lei) para assegurar que tamanhas barbáries sejam oficiais. Isso é um assunto de extrema urgência no país, mas parece que ninguém se importa. Que ódio!
Os povos originários e a natureza gritam por socorro agora. Por apoio de alguma liderança que se importe de verdade, e que não seja apenas mais uma com o objetivo de calar a voz da resistência. Nos últimos meses o país e o mundo pode presenciar mais de 6 mil indígenas de diferentes povos, presentes no acampamento Luta Pela Vida, em frente a sede do governo federal em Brasília. Sendo a maior marcha dos povos originários desde 1988, homens e mulheres de todas as idades, se reuniram em um ato de arrepiar com tamanha energia e resiliência, para protestar contra o Marco Temporal, que entrou em julgamento no Supremo. Esse consiste em um PL que reconhece apenas os territórios indígenas demarcados a partir do ano de 1988, ignorando completamente o fato de que a história dos povos originários tenha começado muito antes de 88 e muito, mas muito antes de 22 de abril de 1500. Isso é um absurdo tão grande, pois viabiliza o caminho para a violência legalizada de grileiros, fazendeiros e garimpeiros assegurados pelo governo etno-genocida atual. Isso abre as portas para a destruição de vidas indígenas, para exploração e destruição da natureza. E porque não dizer: abre o caminho para nossa própria extinção. Hoje a floresta Amazônica chega a terrível marca de ter 95% de seu território comprometido, seja pelo desmatamento ou por queimadas criminosas, que têm como objetivo avançar a agricultura e pecuária (como se já não tivesse o bastante). Hoje infelizmente o bioma produz mais gás carbônico do que absorve, ou seja, o pulmão do planeta terra se encontra como o pulmão de uma pessoa fumante em seu estágio terminal de funcionamento. A floresta pede socorro, a vida no Brasil implora por justiça. Mas tudo o que vemos são mais e mais injustiças e atrocidades, com o passar dos dias. E todos sabemos que a Amazônia é apenas o maior exemplo, e há outros biomas brasileiros igualmente, se não totalmente extintos.
E agora vem a parte revoltante: todas essas atrocidades acontecem, e ninguém faz nada. E assim, se constata que das contáveis vezes que uma voz se levantou para lutar a favor e reivindicar a justiça para toda essa história, essa voz foi infelizmente calada através do fogo de uma munição. Não é incomum vermos na mídia, (das poucas vezes que informação vaza, ou não é manipulada) que ativistas, indígenas ou não, são mortos por confrontar os invasores. Enquanto o estado não faz nada, e finge que está tudo na plena paz. Também é mais comum do que se pode pensar, ver aldeias inteiras incendiadas, ou desapropriadas, por serem uma ''ameaça'' ao poderio destrutivo do homem branco. Por isso que eu digo, a natureza e os povos indígenas estão em uma constante guerra contra a violência do ''colono'' à séculos. E não! Isso não é apenas uma lenda ou fakenews, mas sim, mais uma história de terror que compõe o Brasil, mas que ninguém quer saber o porquê. Já que não os atinge diretamente, entende?
O Brasil têm um longo e violento histórico que envolve a terra e a vida que ela abriga, e hoje, por conta de tanta intolerância e desgoverno, tudo se maximizou. Mas assim como tudo que o sol tropical toca sobre Pindorama, a verdade é ocultada com as brancas e aniquiladoras mentiras. Mentiras já se parecem tanto com a verdade, ao ponto de que ninguém querer realmente mudar. As mentiras sobre as reais injustiças do país foram tão bem contadas ao longo dos séculos, que o conforto de quem não sofre na pele é mais importante do que um questionamento sobre a veracidade da história, ou seja, ninguém se importa com um indígena a menos, um ativista a menos, um quilômetro de mata a menos, uma verdade a menos. Quem irá contar? Sendo que os responsáveis estão bem em suas casas luxuosas, pagas com o sangue de milhares, de invisíveis inocentes ao longo da história.
É muito triste pensar que os proprietários dessa terra tiveram que sofrer inúmeras injustiças, e desgraças por conta da ganância e selvageria do homem branco. É revoltante pensar que essa história tenha se repetido desenfreadamente em todo mundo, e até hoje não tenha um julgamento para punir os responsáveis. Muito pelo contrário, hoje ainda vemos as mazelas na descendência e a continuidade da série de injustiças acontecendo na luz do dia; com os juízes da sociedade de braços cruzados e com os olhos tapados pela hipocrisia. Eu falo de todo tipo de violência que povos indígenas estão sofrendo hoje, seja pela ameaça constante de suas terras como o caso do povo Yanomami no norte do país, e tantos outros povos que correm diariamente o risco de perderem suas casas para a violência do homem branco, apenas por resistirem. Passando pela violência física, psicológica e sexual que inúmeras mulheres indígenas sofrem até hoje. Fato que precisa ser tratado com urgência e seriedade pela sociedade.
Infelizmente o Brasil nasceu do corpo violentado de uma mulher originária, e isso continua acontecendo de forma absurdamente natural, sem que nenhuma autoridade se importe com a segurança, saúde e vida das mulheres indígenas. Outra grande injustiça, é que vemos muito a circulação de um feminismo branco que não ilumina a pauta indígena, que é emergencial. Falar sobre feminismo indígena, e darmos visibilidade para a realidade das mulheres originárias, é necessário. Se ser uma mulher não indígena no Brasil é uma verdadeira guerra, imagina como deve ser a vida de uma mulher indígena? Que cresceu tendo sua história e seus corpos subvertidos pelos olhos do homem branco? A violência é real e constante sobre os povos originários, e principalmente sobre as mulheres. Por isso digo, que é preciso levantarmos um debate efetivo para punir os responsáveis por essa onda gigantesca de violência contra as donas e donos dessa terra, e isso precisa acontecer agora! Já chega de tanta injustiça! O homem branco mata, destrói, incendeia, sequestra, ameaça, e saí impune? Em que século estamos?? A onde vamos parar com isso??
Atualmente, com tanta violência acontecendo contra os povos indígenas, as promessas cada vez mais destrutivas do governo, com o desprezo mundial pela vida e direitos básicos aos povos originários, não deixo de me desesperar e de ter medo do futuro. Temo um futuro em que a história continue a manipular a verdade, e as mentes das futuras gerações. De um futuro que a justiça continue a se atrasar, e que o homem branco continue a matar, roubar, sequestrar, incendiar e destruir, saindo impune de todos os seus crimes. Odeio o fato de que a história indígena teve que se cruzar com a vida desprezível do homem branco, e que tanto sofrimento tenha sido escrito com o passar das décadas. Isso me revolta muito! Os povos originários têm tanta vida e história para nos contar, temos tanto a aprender com os únicos proprietários dessa terra. Mas isso nunca será possível enquanto nossa sociedade continuar a desrespeitar, marginalizar e oprimir suas vidas e histórias. Vidas indígenas importam, sempre importaram, e sempre importarão! Já chega de tanta injustiça!!
É triste pensar que não foi somente no sangue dos povos originários, que o Brasil se levantou e construiu o que conhecemos por ''história''. Continuando na linha temporal de destruição que se alastra por séculos, encontramos a escravidão dos povos africanos, que contribui com mais um capítulo de ódio e injustiça plantados nessa terra que nos abriga hoje. Assim como a perseguição e chacina contra os povos indígenas, a perseguição e violência contra pessoas pretas se constrói desde os primórdios do Brasil. A história é conhecida, dolorosa e imperdoável, mas assim como tudo no país, a mesma parece que nunca existiu, que é apenas um conto fantasioso da história. Vejo que a negligência da justiça para pessoas não brancas, é um fato que se repete e ninguém se importa em consertar. A sociedade faz vista grossa por séculos, e alimenta a boca de hipócrita e mentirosos, que conhecemos com o título de ''heróis da pátria''.
Mesmo que eu não seja uma mulher preta, eu sei que a história afro brasileira compõe a minha própria história, pois sou fruto da união de muitos povos. Mesmo sendo miscigenada, assim como a grande maioria das pessoas no Brasil, eu reconheço e tenho orgulho de dizer que meu sangue também é preto. Minha avó paterna foi uma mulher preta, que deu à luz a um homem preto, que hoje eu chamo de pai. Então falar sobre a história afro brasileira, e suas inúmeras injustiças é também falar da minha própria história e da minha família.
Sabendo que assim como a história dos povos originários, os povos africanos também tiveram a infeliz sina de cruzar suas histórias com a lamentável vida do homem branco. Os séculos se passaram e milhares de vidas pretas inocentes foram tiradas pela violência, daqueles seres que se julgavam superiores por terem menos melanina em suas peles. O racismo estrutural no nosso país encontra dois caminhos em nossa história, seja contra pessoas indígenas ou pessoas pretas; onde ambas sofrem a gerações com as injustiças e mentiras do homem branco e sua desprezível história.
Ao falarmos sobre racismo, infelizmente já nos vêm à mente os incontáveis episódios históricos e cotidianos que mulheres e homens pretos passaram e passam até hoje, na hipócrita e violenta sociedade ''branca''. A descriminação de pessoas pretas está tão enraizada na história, ao ponto de hoje cometermos atos racistas sem perceber. Seja com gestos, expressões ou ideias, a história se nutriu a toxicidade escravocrata para se consolidar e anexar costumes extremamente discriminatórios.
São inúmeros exemplos que se perpetuaram ao longo dos anos, e fazem alusão a um passado de morte, injustiça e violação dos direitos e da vida de pessoas pretas. Fato que infelizmente consiste em acontecer, pois, a sociedade está vendada pela hipocrisia, e afundada em estereótipos e preconceitos. Citando um exemplo bem básico, ao se referir a pessoas pretas, a sociedade nos ensinou o termo negro e negra. O que configura uma ideia muito errada sobre a sociedade afro brasileira, onde a palavra negro é carregada de significados negativos e é a mesma usada para se referir a pessoas pretas. Sendo que se para falar sobre a cor da pele, o branco sempre foi branco, mas o preto é negro. E isso é apenas um pequeno exemplo.
Se pensarmos um pouco mais, vemos outro exemplo na forma que aprendemos popularmente a definir a textura do cabelo crespo, sendo com a conotação de ''ruim'' ou "duro". Isso é absurdo de uma forma inexplicável. Não existe cabelo bom ou ruim caramba!! Cabelo é cabelo, sem distinções. Mas isso a sociedade racista não se preocupou em consertar, tendo uma propagação altamente destrutiva, acabando com a autoestima, identificação e aceitação de muitas mulheres e homens pretos. E seguindo o mesmo caminho, a sociedade também bordou em nossas mentes a imagem de que "marginal" é um homem preto; e que a euforia carnavalesca também é associada a pessoas pretas. Bom, são coisas pequenas e quase não perceptíveis no dia-a-dia de quem não faz parte da sociedade afro brasileira, mas que carregam morte e destruição a cada vez que são ditas. E continuam a deixar um rastro de destruição irreparável na vida de quem sofre na pele, e é diariamente ocultado ou estereotipado.
Vejo que mesmo após a abolição da escravatura, que assegurava o direito legal a toda violência contra pessoas pretas, a sociedade nunca deixou de escravizar a imagem de inúmeros homens e mulheres. E de cometer as mais perversas injustiças com naturalidade, e normatização da sociedade. E mesmo hoje 133 anos após a abolição da escravatura, as marcas deixava na sociedade afro brasileira são irreparáveis. Vemos que a sociedade cresceu e continuou a desamparar, menosprezar é agir com violência contra pessoas pretas, de todos os gêneros. Não há um brasileiro, e uma brasileira preta que não tenha sofrido em sua vida um episódio de descriminação racial.
Desde muito pequenos, a vida dessas pessoas se desenvolve em meio a repressão de uma sociedade, que não suporta a igualdade. Que não se contém em criticar e menosprezar uma pessoa, por conta de sua cor, estilo, cultura e vida. Se observarmos a desigualdade social existentes entre pessoas pretas e pessoas brancas, vemos que aqueles remotos e quase esquecidos tempos de escravidão não estão nada longe da realidade que temos hoje. A sociedade escravocrata, racista e hipócrita não evoluiu, essa continua fedendo a enxofre como a 200 anos atrás. A marginalização dos "ex escravos", tem seu peso presente até hoje, onde a sociedade se mantém em negar direito a básicos da vida, a pessoas pretas. Colocando na ponta do lápis e citando alguns exemplos, hoje vemos que a violência policial (indivíduos que deveriam assegurar o bem-estar de todo cidadão sem distinção) é presente contra jovens pretos, sejam eles homens ou mulheres. É sempre noticiado, com uma frequência assustadora, casos em que policiais assassinam jovens pretos na madrugada, ou entram nas favelas para fazer a famosa e terrível "limpa". A desculpa que usam é sempre a mesma: "uma ação pacífica para controlar o tráfico e a violência nas favelas". Mas o que mais me espanta, é que no meio desses "pacíficos" atos, a vida de crianças e adolescentes também serem alvo da bala. Assim como a vida de uma mulher grávida que ao visitar sua família em uma comum terça-feira, acabou sendo mais um número na estatística, e mais um rosto esquecido na violenta sociedade branca. Outro exemplo é o fato existente, mas ocultando pelo estado, que decreta voz prisão a jovens pretos por "confundidos" com criminosos. Sim, esse absurdo é real. Não faz nem duas semanas que vi uma matéria no jornal, falando exatamente sobre isso. O fato que há um número considerável de jovens que têm sua prisão decretada, devido a polícia "confundir" seu rosto com o rosto de um procurado. O reforça estereótipos de forma legal e as claras, de que todo preto e toda preta é um possível criminoso nos olhos dos "defensores" cívis. Isso não é um absurdo? E com base nessa "confusão" ideológica, essas pessoas inocentes são fichadas e detidas injustamente até provarem o contrário. Tudo porque o estado curiosamente de "confunde" apenas com a imagem jovens pretos e periféricos.
Infelizmente a sociedade hipócrita criou um imaginário coletivo que associa a imagem de pessoas preta à malandragem, ao crime e todas as conotações não morais, o que é imperdoável. Isso acontece mesmo que a realidade desminta tudo, onde podemos ver sem muito esforço que os verdadeiros ladrões, malandros, vagabundos e assassinos, são brancos e ocupam os maiores cargos políticos e os melhores lugares na sociedade. Então, né? A hipocrisia! Outro exemplo de injustiças sempre cometidas as pessoas pretas, é o fato de que com mais de 50% da população se identificando com a cor preta, não vemos a representação do mesmo em grandes eventos desportivos (sem ser esportes específicos), campanhas publicitárias de todos os portes, e trabalhos televisivos. Por quê? Infelizmente tudo o que vemos é nada mais nada menos, do que pessoas brancas e de preferência loiras e quase escandinavas, representando as pessoas pretas e miscigenadas do Brasil. E é esse o Brasil que crescemos considerando "normal", com imagem da pessoa preta sempre submetida a manipulação branca, assim como a imagem indígena. Não é de revoltar?
É triste demais cair na real e perceber que fomos criados reforçando estereótipos e uma cadeia de violência contra a vida, e os corpos afros brasileiros. A sociedade branca elitista sempre foi resistente em proporcionar qualidade de vida a população preta. Seja dando espaço político, defendendo suas vidas com justiça ou valorizando suas produções. Isso é gritante nos quatro cantos do país, e do mundo também. Vou dar um outro exemplo basicão agora: hoje vemos que o Brasil é reconhecido internacionalmente por conta de uma produção artística da sociedade afro brasileira, que é o Samba, certo? Mas penso que para que hoje o ritmo tivesse toda essa aclamação e reconhecimento, esse teve que enfrentar a torrencial represália da sociedade branca; como vemos hoje com o funk, que também é uma produção 100% preta e pobre. A sociedade é muito baixa, ao ponto de criminalizar toda produção artística da preferia, mas, ao mesmo tempo, adorar ver a galera descer até o chão em toda formatura e festa de casamento. Vemos que uma produção preta e pobre, só têm "valor" quando é contada por um branco, assim como foi com a popularização do Samba, chegando a alçar voos internacionais. Vejo que o movimento do funk é a mais pura expressão artística da preferia e da sociedade preta da atualidade. É o modo que os pobres encontraram renda, lazer e crescimento artístico, e isso é lindo! Porém, a sociedade branca, continua a marginalizar, criminalizar e censurar todo o movimento. E como sempre, a agir com violência contra todos os corpos pretos e periféricos que compõem o mesmo. Isso porque quando a "escoria" social têm voz, isso incomoda demais. A sociedade branca, elitista e hipócrita não aceita que pretos e pobres façam sucesso, e ocupem espaços que apenas os brancos ocupam. Isso é tão injusto!
A história das injustiças que pessoas pretas sofrem em meio a sociedade é extensa e rende muito debate, pois é o que mais vemos acontecer sem o menor filtro. A violência de todos os graus, contra corpos pretos se apoia sobre a sólida base do racismo estrutural que o Brasil se consolidou. Basta ligar a TV para a baixa representatividade de pessoas pretas nos cargos de destaque, seja desde o jornalismo até a novela das 21h, onde sempre retrata as empregadas domésticas de uma família branca, como uma mulher preta e de fala simples. Você entra na internet e vê inúmeros casos de violência policial e abuso de autoridade conta pessoas pretas, assim como incontáveis casos de racismo que acontecem na luz do dia sem ter a justiça sendo feita. Fato que me lembra, que não poderia deixar de citar o caso do rapaz que foi acusado injustamente de furtar uma bicicleta que nem era parecida com a sua, de um casal branco no Rio de Janeiro. E que no final das contas havia sido furtada por um ladrão BRANCO, apelidado de ALEMÃO (se não me engano), irônico não? Mas esse infeliz acontecimento iluminou a injustiça e insegurança diária que uma pessoa preta vive no Brasil. Onde todos os seus movimentos podem ser motivo de suspeita para os olhares brancos, fazendo com que ela ou ele seja obrigado a andar com a nota fiscal ou um comprovante de tudo o que honestamente possui, para o caso de ser vítima de uma injusta acusação, que se baseia na cor de sua pele. Sério! Que país é esse? Que sociedade imunda é essa que vivemos, galera?
Basta sair de casa que infelizmente vemos a preferia ocupada por pretas e pretos, e os centros ocupados pela minoria branca. Onde vemos que pretos só frequentam para participar dos bastidores. Tem sido assim a nossa vida inteira não é mesmo? Toda essa gritante desigualdade normalizada, e jogada para escanteio como se fosse nada. A vida de pessoas pretas e brancas é muito diferente, por mais que vivam no mesmo metrô quadrado. A sociedade sempre foi, e é muito cruel com todos aqueles que não fazem parte do seu mundo branco e elitista. Vemos que milhões hoje sofrem com a falta de oportunidades, porque a sociedade não suporta ver uma mulher preta ou um homem preto dizendo a realidade. A sociedade não suporta ver a vida de pessoas pretas nos estandartes da sociedade, recebendo os mesmos holofotes que os brancos. E quando isso acontece, infelizmente já sabemos o desfecho. Essa vida é retirada com covardia, e jamais em hipótese alguma se levantará uma investigação sobre as raízes da ação, como foi o que aconteceu com a Marielle Franco, e o ex presidente do STF Joaquim Barbosa. Compreende a raiz do problema que enfrentamos?
Falar sobre a sociedade afro brasileira é dar voz para que todas as merdas que a sociedade branca fez e ainda faz seja jogada no ventilador, assim como também acontece quando falamos sobre os povos indígenas. A hipócrita sociedade não assume sua culpa, e continua a distorcer toda a realidade. E nisso acaba privando, criminalizando e marginalizando ainda mais todo movimento de resistência. Quanto mais apontamos os erros na sociedade em que vivemos mais ela se torna intolerante e agressiva. É revoltante demais ver que jovens pretos não tem segurança nas ruas, e que seus corpos são alvo de toda violência social seja física ou psicológica. É triste ver a enorme defasagem de oportunidades entre pessoas preta e pessoas brancas. A baixa representatividade midiática e publicitária, assim como a intolerância quanto a toda manifestação política, religiosa e cultural que dê voz as raízes e a verdade dessas pessoas. Sonho com um Brasil, em que meu próprio pai possa sair com tranquilidade no inverno usando uma touca sem ser parado pela polícia, como já aconteceu com ele. Ou que mulheres como minha avó materna não sejam confundidas com empregadas e babás, por serem casadas com homens brancos. Assim como, um futuro que apresente mais Marielles Franco, para denunciar festa dos ratos brancos na política e dar voz a mulher da preta e pobre. Queria viver em um Brasil em que episódios como Jacarezinho e Carandiru, não fossem exemplos do plano de extermínio que a sociedade branca arquiteta contra os corpos pretos há séculos. É doloroso demais ver que nossa história tenha sido escrita, e ainda seja, em cima de tanta morte, desigualdade e destruição. Vejo que a sociedade branca é uma grande covarde, e quanto mais acuada mais violenta e intolerante se torna. O que exemplifica muito bem a nossa contemporânea no país, desde 2018.
Por que você acha que o investimento na saúde e educação pública é sempre descartado? Porque a minoria rica e branca não quer ver um pobre, um preto ou um indígena com qualidade de vida. Seja com a saúde de qualidade, ou com o conhecimento. (Onde saúde, não deixa de ser um conhecimento.) E é aí que temos um grande ponto da nossa história, que é a disseminação de conhecimento igualmente para todos. O Brasil não tem a toa um dos maiores níveis de analfabetismo, e desigualdade escolar. Pois, pensa aqui comigo, a galera que ocupa os grandes cargos hoje e dita as regras do jogo, é minoria no país; já que a maioria é pobre e com um pequeno nível de instrução. Logo, limitando o nível de conhecimentos dessa grande maioria, é também limitar as oportunidades destes alcançarem a elite e tomarem o controle. Então por que investir em educação que é a base do conhecimento? Sendo que se pode ter para sempre o controle sobre vida de uma pessoa com uma perspectiva mínima, que manja mesmo de abaixar a cabeça e trabalhar. Eles não querem que os pobres, que a escória da sociedade, seja inteligente e tenha conhecimento. Pensa se não é um baita de plano maligno bem arquitetado! A base do país são pobres sem conhecimento, então se essa maioria tivesse acesso ao mesmo e seus olhos fossem abertos, a vida da minoria elitista seria bem diferente do que é hoje. Com o povo inteligente, não há como mentir, esconder e dizer aos Deltas e Epsilons que flores e livros são ruins e vão acabar com suas vidas, não é mesmo? (Referência de Huxley por que não há outra mais correta).
Com o conhecimento livre para todos, através da educação (e suas áreas coligadas), não haveria limites para a massa. Pois, com o conhecimento ninguém te engana, ninguém te manipula, ninguém te limita!! Dar a chave do conhecimento ao povo é dar a oportunidade de emancipar suas decisões, de mostrar caminhos, a verdade e dar em suas mãos as rédeas de suas próprias vidas. Mas que sistema capitalista patriarcal, vai querer isso não é mesmo? Que elite vai querer que o povo acorde da Matrix, e comece a questionar o porquê de tudo? Pois é! Nenhuma. E é isso o que acontece com tamanha força no Brasil. (E em todos os países da galáxia do 3° mundo.) Nenhuma potestade governamental quer ver a maioria manipulável, pensando fora da caixinha. Isso seria um problema irreparável, e eles sabem muito bem disso! E quando isso acontece, bom, mais que de pressa eles vão conter as chamas com mais um dos seus truques sujos. Como foi o que aconteceu aqui em 2014, com o golpe contra a primeira presidenta mulher do país, a inesquecível Dilma Rousseff.
Se você acha que a Dilma saiu da presidência, apenas pelas "pedaladas fiscais"? Errou. Dilminha foi vítima de um golpe misógino, que a acusou sem provas concretas, e que abriu um impeachment baseado em manifestações centro direitas, que largavam o "não é só por R$ 0,40" e "vem pra rua, vem!" na Paulista. Tudo porque o pobre estava sonhando demais para eles. Com mais de 10 anos com a esquerda no poder, dando esperança de um futuro melhor para massa quase completamente desperta. Pensa que absurdo para elite, foi ver o país deixando o mapa da fome, ver estudantes pobres na faculdade e no exterior, pau à pau com os riquinhos dos Jardins? E ainda investimento em fontes de energia renováveis? Isso foi demais pro coração podre da elite branca tradicional brasileira. Então, por que não criminalizar uma mulher? Ninguém vai achar injusto, pois ela é uma mulher. Por que não armar um golpe, e tomar cada gota de esperança do pobre? Pois bem, foi isso o que aconteceu. Dilminha foi mais uma vez vítima do patriarcado, e da misoginia que a sociedade Brasileira se construiu considerando como certo e irrevogável. E foi aí também que os pobres deixaram de alçar voos tão altos.
É muito absurdo pensar que em 5 anos o Brasil virou de cabeça para baixo, por conta do machismo! E ainda têm gente que me fala que feminismo, não leva a nada. Com o golpe de 2014 mergulhamos e afundamos no capítulo mais aterrorizante da história, que por infeliz destino ainda está sendo escrito. Com a direita elitista e radical no poder o Brasil maximizou toda violência e intolerância histórica em uma escala monumental. Hoje mais de 90 milhões passam fome, a violência policial triplicou nas favelas e ruas, assim como toda intolerância a tudo considerado "errado", desde a comunidade lgbtq+, às mulheres e pobres. Tudo hoje está ferrado, e é muito doloroso falar sobre isso, na moral Não tem um dia em que a gente não acorde literalmente com vontade de chorar. Se já era difícil suportar a história até aqui, essa conseguiu se superar na íntegra. Ser pobre, mulher, de esquerda e com mínimo de empatia é um desafio no Brasil atual, onde a cada segundo vemos mais e mais atrocidades de um palhaço energúmeno e toda sua quadrilha, ferrando com a vida de milhões. E o pior disso é pensar como aquele homem desprezível foi para lá.
Fruto do golpe, o inepto (des)governante se ergueu nas costas do ódio que o povo estava da direção elitista do Palpatine (o que veio depois da Dilma, e assumiu temporariamente a cara do golpe). Ou seja, alimentado pelo sentimento de abandono que os pobres tiveram, e motivado por um espírito conservador de base religiosa, o canalha infelizmente conseguiu preencher a lacuna da classe C, que come mortadela e quer arrotar peito de peru; dizendo aquilo que eles queriam ouvir no momento. Discursos que prometiam uma "qualidade de vida" sem a corrupção dos "bons costumes", é o que motivou a galera que assiste Datena e condena toda manifestação periférica que acontece na porta de casa, gritando o nome de Jesus; a eleger o desgraçado. Ele só está lá, porque as pessoas que não têm acesso ao conhecimento verdadeiro, que têm uma cultura mais tradicional baseada no patriarcado religioso, estava se sentindo "traída" pelo PT que contaram na TV. Ou seja, ele conseguiu ganhar a mente de quem não tinha muita coisa plantada lá. De quem não se esforça em escolher um caminho próprio Ele ganhou a mente de quem só quer trabalhar, e ir para igreja, e ver que os pecadores ardam no inferno, sem que ele pratique o verdadeiro evangelho, que é o amor ao próximo.
Ele só está lá, porque a turma de 1964 nunca deixou de existir, e, porque 1985 deixou muitos descontentes, e com um desejo de "revanche" incessante. E é com base nisso que hoje escrevemos a pior história de nossas vidas. Uma história que se ergue na intolerância, no desamor, nas mentiras e na manipulação. É repugnante analisar tudo o que tem acontecido até agora, e ver que a sociedade está divida entre sensatos e alienados, ou em quem pensa e quem se deixa levar ao abrir a porteira. De todas as desgraças incessantes que vem acontecendo desde o golpe, quem se deu mal na história e continua se dando, são os pobres. Se antes a classe C estava com uma leve esperança de dias melhores viriam, hoje essa esperança não existe. Está cada dia mais difícil ser pobre no Brasil, e isso eu falo com grande propriedade. Infelizmente a vida de todo Delta e Epsilon é baseada em coisas muito básicas que são: trabalhar para comer e pagar as contas. E criar os filhos com dignidade, e ver eles crescendo na vida através da educação. E quem sabe, em um futuro remoto: ter uma casa própria. É isso! Sim. Só isso. Questões tão básicas como emprego, alimentação (saúde) e educação, é tudo o que mais de 80% da massa brasileira sempre precisou. Tivemos um período em que podíamos literalmente sonhar e ver os sonhos se concretizando aos poucos; mas hoje a situação está tão difícil que parece que esse tempo nunca existiu.
Hoje, ainda mais por conta da pandemia, o país verde e amarelo têm mais de 19 milhões de famintos. Sendo que aproximadamente 14 milhões estão em situação de extrema pobreza. Ou seja, o povo brasileiro não tem o que comer, e sem comida não há vida. Hoje se você não morrer por covid-19 no Brasil, você provavelmente vai morrer de fome. E tudo isso por quê? Porque o desgoverno quer mais que o pobre se foda por completo, e de que preferência: morra. Já que um pobre a menos significa menos uma voz buzinando no ouvido dos desgovernantes, e menos uma vida insignificante para "governar" e atrapalhar o assalto dos colarinhos brancos. Infelizmente o básico do básico está difícil pra caramba hoje. Com o pouco que se ganha, você vai ao supermercado para pagar sua crise de ansiedade, vendo itens tão básicos como arroz e feijão, custando mais de 10 reais. Itens que antes estourando, custavam 5 ou 3 reais. É extremamente surreal ver que custo de vida, tão básico, aumentou absurdamente no país líder em exportação e seleiro alimentício do mundo. Que país é esse? Que deixa o povo passar fome, enquanto a minoria abriga seus milhões em paraísos fiscais? O Brasil é o país da desigualdade, e da hipocrisia dos que (des)governam por meio das mentiras.
E nesse mesmo ritmo é só querer enxergar que você verá os resultados de toda essa onda imensa de extinção aos pobres, onde a alta dos preços obriga a massa a tomar decisões extremas para sobreviver. Como, por exemplo, umas semanas atrás uma mulher foi presa por furtar 2 pacotes de miojo, 2 coca colas e 1 pacotinho de suco, porque estava passando fome com seus filhos ainda pequenos. Daí eu pergunto: que país é esse que prende e nega a liberdade de uma mãe de família que passa fome, mas absolve homens ricos e brancos que roubam bilhões dos cofres públicos, e cometem atrocidades sem fim?? Que país é esse em que para não morrer, somos obrigados a furtar comida? Comida!! O item básico da sobrevivência.
E não o bastante, esses dias uma mulher morreu por ter 90% do seu corpo queimado por estar cozinhando com álcool, já que o preço do gás de cozinha custa mais de R$ 100,00 nos quatro cantos do país. Isso é vida, galera? Pessoas estão morrendo por tentar "dar um jeito" em algo que é direito básico. Pessoas estão morrendo no Brasil porque NINGUÉM SE IMPORTA COM OS POBRES. É triste ver que notícias como essas estão se tornando cada vez mais comuns, e menos solucionadas. Todas essas histórias infelizmente se cruzam com minha própria história, onde a um tempo atrás eu e minha familiar jantamos apenas pão de forma e ficamos umas 3 semanas usando o micro-ondas por não ter gás. Bom, meus exemplos não são nada comparados ao que milhões de brasileiros e brasileiras passam agora, mas quero dizer que eu entendo e sei qual é a dor de você pedir ajuda a alguém e receber um grande não, ou de ser tratado com desdém. Quando as pessoas falam que estão passando fome, elas não brincam! A dor de um estômago vazio, e o sentimento de impotência são terríveis, e creio que ninguém queira sequer experimentar na vida por "brincadeira". Então, porque os detentores da razão, fazem corpo mole em liberar um auxílio emergencial digno para todos? Por que ele brinca com a dor dessas vidas, como se fossem marionetes? Eles são repugnantes, e merecem colher toda desgraça que plantam hoje no país.
O que me revolta e traz um sentimento de ódio tremendo ao meu peito, é o fato de que o presidente ser um babaca que conta mentiras na ONU, enquanto acha que faz muito liberando 200 reais a contáveis famílias, que devem escolher se compraram um botijão de gás ou se comprar pão, ou se pagam a conta de água e luz; com essa bolada de R$ 200,00 golpes. Ele ignora a situação da massa, instaurando o caos e cometendo diversos crimes contra a humanidade, ele ignora a própria e escancarada realidade! É revoltante demais pensar que um ser humano tão baixo, com apoiadores piores ainda, esteja na direção da vida de mais de 213 milhões de pessoas, que em sua grande maioria são pobres e inocentes. Ele não se importa com ninguém que não seja alienado como ele. Como pode, ele estar lá? (Perguntinha retórica, porque todo mundo sabe o porquê. Começa com G e termina com E, para quem não sabe.) Então, com base nisso tudo eu apenas temo os próximos dias, os próximos meses e o restante de tempo que se siga no Brasil até ter uma nova chave de mudar nosso destino, através da URNA ELETRÔNICA.
Se hoje a vida das brasileiras e brasileiros está difícil para coisas simples, como comida, que é a fonte da sobrevivência; imagina para coisas maiores? Como liberdade e voz. Vemos no cenário atual uma onda abominável de desigualdade, seja a social, ou de gênero. O conservadorismo da direita avança e se irradia com rapidez, gerando uma impunidade cada vez maior. Se você é uma mulher no Brasil, você sabe bem do que eu estou falando. Hoje infelizmente a história vive um regresso monumental, onde vemos a justiça agir com folga sobre estupradores e assassinos, enquanto age com repressão contra a vida e os direitos das mulheres. Seja das sessões da CPI que limitam os argumentos das integrantes do sexo feminismo, ao veto sobre a distribuição gratuita de absorvente a mulheres de baixa renda e em situação de vulnerabilidade. Passando por diversos PLs que visão controlar nossos corpos e calar nossas vozes o mais rápido possível. Como mulher, digo com clareza: está cada dia mais difícil ser mulher no Brasil, e eu tenho medo.
Tenho medo dos caminhos que esse patriarcado tóxico possa traçar em nossos futuros. Tenho medo do que milhões de meninas e mulheres estão enfrentando agora, nas mãos de homens violentos que se escondem atrás de um fanatismo religioso assegurado por essa merda de "tradicionalismo" governamental. Faz pouco tempo desde que conseguimos ter mais voz e visibilidade na mídia, e podermos falar abertamente sobre feminismo, iluminando a realidade de muitas mulheres no país, e levando informação e vida para todas. Mas a cada segundo, é possível sentir a opressão que há sobre a voz das mulheres brasileiras, e o plano sempre foi esse desde que tudo decaiu para o que é hoje. Um exemplo? Dilma. Outro exemplo? Marielle. Vê como a desgraça do país tem bases no patriarcado e machismo? Elas são apenas alguns exemplos da misoginia recorrente que temos no país, e que busca com todas as forças calar e dominar a vida de inúmeras Marias, Luisas, Vanias, Elenas, Vanessas, eu e você. Digo com propriedade, que o país está e sempre esteve na pior, porque homens brancos estão no topo! Assim, como no mundo todo. A liberdade feminina no país tem sido caçada e isso não é novidade. Sonho com um país em que as mulheres não sejam vistas como fáceis de enganar ou golpear, e que não sejam vistas como somente um corpo para desejar ou manipular. Sonho com um país em que minhas decisões sejam vistas como as de um ser humano, e não como as decisões "daquela mulher". Sonho com um país que todas tenhamos direito a saúde e a vida. Com um país em que a cultura do estupro não seja normalizada, ao ponto de eu me questionar sobre ser seguro sair de casa usando determinada roupa, ou me perguntando se fiz alguma coisa de errada toda vez que exponho minha opinião ou vontade. Assim como, por me sentir desconfortável em um ambiente repleto de homens, sejam eles familiares ou não. Sonho com tudo isso, mas infelizmente também tenho medo do que acontece hoje e o que possa acontecer amanhã.
A hipocrisia instalada aqui e agora, é um retrato do regresso e da desordem. O que contrasta muito bem com as palavras que estão escritas na flâmula que o exército de alienados carrega nas costas no 7 de setembro. Bom, e por falar em liberdade não posso dizer que mais do que nunca essa corre perigo no Brasil, e os últimos episódios são os que mais assustam. Depois de um show de horrores em pleno 7 de setembro, dia em que comemorarmos a "liberdade" e "independência" nacional, vejo que nunca estivemos mais dependentes de violência, da hipocrisia, da desinformação e todas as maldições que a colônia nos deixou.
Ao mesmo tempo que revolta, também assusta ver que a democracia corre perigo com um número considerável de pessoas loucas que gritam e fazem referência a toda desgraça que aconteceu aqui a partir de 1964. É sei lá, insano ver as pessoas pedindo para serem torturadas, perseguidas e privadas de toda sua liberdade de expressão novamente. Depois que inúmeras vidas se perderam em nome da violência, e "moral" da família tradicional brasileira a menos de 40 anos; e que até hoje não tiveram a chance de serem vistas pela justiça. Falar sobre a ditadura e toda a história tóxica envolvida, ainda é um assunto pouco iluminado no país, e o pouco que se fala é logo calado, como se fosse algo proibido. Sabemos que tudo aconteceu porque nos anos 60 o povo estava começando a se unir e acordar da Matrix, se questionando o porquê que tudo tinha que ser daquele jeito. E o resultado, foi que calaram da forma mais desumana a voz de todos que questionaram. Logo, um período de longos 21 anos repletos de sangue inocente, contradições e violência se escreveu na história do Brasil, e persiste em nos assombrar na atualidade.
E agora eu me pergunto com uma quantidade maior do que gostaria de receio, será quê todo o terror deixou de existir em 1985, ou apenas saiu dos holofotes, para manipular algo ainda pior nos bastidores? E que por um acaso mostra as garras hoje. Eu honestamente não sei a resposta para essa pergunta. Mas isso explicaria o porquê de tanta intolerância, repressão e extremismo, que usa o fantoche do Sonaro como estrela principal e rosto de algo muito mais podre que ele. As marcas da ditadura são tão fortes e presentes que hoje é fácil encontrar monumentos, ruas e avenidas que homenageiam o nome de torturadores e assassinos de pessoas, e da liberdade. E eu me pergunto: onde é que estamos mergulhados? Com toda essa exaltação a uma época que merece nada mais nada menos, do que ser julgada por Haia. E tendo agora uma trupe de palhaços nostálgicos, que incitam o ódio e o medo novamente. Gente, o que é isso? Peço ao universo diariamente para que esses tempos jamais voltem "oficialmente", com nome e sobrenome. Mas não posso deixar de dizer que algo já não esteja acontecendo por debaixo dos panos. O que me assusta. Falo isso, citando como exemplo o caso do ato sobre a estátua fedida do mais podre ainda Borba Gato, aqui em São Paulo à poucos meses atrás.
Nunca pensei que ver fogo sobre uma estátua, fosse causar tanta revolta dos conservadores hipócritas. E aí vemos a problemática histórica que todos cresceram considerado como certa e unânime. O ato teve como objetivo levantar um único questionamento, que foi: por que nós valorizamos a figura de genocidas, e homens com reputação questionável em nome da história e do progresso??. Pois, é galera, um único questionamento resultou na prisão de um dos ativistas, e uma cadeia de hipocrisia e injustiças. Onde tudo me lembrou apenas uma coisa: censura.
Censuraram um ato pacífico, em que ninguém ficou ferido (exceto o telhado e vidro dos poderosos), alegando ser vandalismo. Absurdo? Eu sei! Agora no Brasil é vandalismo se questionar sobre a história e os "valores" que ela contém, e que continuamos a disseminar nas próximas gerações. Tudo isso carrega uma hipocrisia tão grande, mas o pior é que vai ficar por isso mesmo. Quem sofreu foi o Galo na prisão injustamente, e o questionamento continua sem ser questionado. O que é péssimo! Gente, vocês têm noção disso? Hoje a sociedade cala quem se pergunta sobre os caminhos que tomamos serem realmente justos, enquanto passa pano para galera mal educada e violenta, que defende o kit covid, e a volta de repressão. Que país é esse?? Se isso não é um remake mais "livre para todos os públicos" de 1964 eu não sei o que é.
Nossa história e valores são podres e deturpados, e o pior é que todos aqueles que são contrários ao bando, são cruelmente silenciados. Isso não acontece de hoje ou ontem, mas SEMPRE foi assim! O Brasil vive, e sempre viveu na desgraça da exploração do menor, para alimentar o maior. E fato: o menor é a maioria, enquanto o maior não passa de meio dúzia. E finalmente eu me pergunto: até quando?? Até quando tudo tem que ser assim? Até quando indígenas, pretos e pobres vão sofrer? Até quando tanto sangue inocente vai ser derramado nas páginas da história? Até quando nossas produções vão ser marginalizadas? Até quando vamos ter que viver entre o ódio e o medo? Até quando?
Quem vai responder a todas essas perguntas são eu e você, todos os dias. Cabe a nós reescrever a história da forma correta e justa para todos. E não! Não é tarde demais. A gente pode mudar tudo isso e deixar de uma vez por todas de abaixar a cabeça para que a minoria branca e burguesa dite nossas ações. É hora de assumirmos esse B.O histórico e consertar tudo isso; seja dando voz, iluminando a escuridão, questionando ou reconhecendo a história que conhecemos é uma grande farsa manipulada. Galera está pesado pra caramba, e difícil para todos nós, mas acredito que o pior seja ficar calado e inerte em meio a tudo isso. Não dá mais para permitir que a história seja subvertida e favoreça apenas alguns. Chega!
É tempo de lutarmos em conjunto, e quando digo isso, quero dizer que a luta indígena não é somente para quem é indígena, mas é para todos nós, por exemplo. Todos podemos lutar com os povos originários, e batalhar por um futuro que seja totalmente diferente de tudo o que se escreve desde 1500; assim como tantas outras lutas sociais que clamam por justiça no Brasil. Eu não preciso ser uma pessoa lgbtq+, indígena ou preta para lutar a favor da igualdade, da justiça e da vida plena para todos os filhos e filhas desse solo! O que vivemos hoje é um momento de extremo desamor e egoísmo, então cabe a mim e a você nadar contra essa maré de extrema desgraça. Não existe uma luta só minha ou só sua, mas existe apenas a nossa luta. Claro que, você tem mais propriedade para dizer sobre sua realidade mais do que eu ou qualquer outra pessoa, mas isso não significa que eu não possa estar do seu lado, levando a minha realidade para aprender com a sua, e vice-versa. Se querermos por um ponto final em toda essa barbárie histórica, e escrevermos a nossa história indígena, preta, miscigenada e pobre, a hora é agora!! Temos que abrir mão do "eu" e pensar no "nós", naquilo que somamos. E somente assim poderemos vencer tantas injustiças sobre o passado e presente, e evitar as do futuro. A justiça só depende de nós! Nós podemos mudar nossas vidas e reescrever nossa história. Somente com todos unidos, lutando por um único ideal de igualdade e vida, poderemos superar toda essa triste história que chamamos de nossa, e nos afastamos para sempre de todo o ódio e medo, que hoje se abrigam em nossas veias.
Bom, e é isso! Obrigada por ter chegado até aqui. Escrever esse texto me levou um tempo absurdo de revolta e um ódio extremo traçando todo o paralelo que meu conhecimento conseguiu reunir, sobre nossa triste e injustiçada história. Confesso que ainda falta muita informação, muito sobre o que questionar e trazer as claras, sabe? Mas acredito que com o tempo, espero que breve, a gente possa estar debatendo todas essas questões com mais frequência e honestidade. De verdade eu estou cansada de tanta injustiça, mas nunca me senti mais disposta para lutar e correr atrás da justiça. Em resumo, espero que você esteja bem e imunisad@, e que tenha refletido com esse texto escrito com tanto fervor por essa mulher ariana que vos escreve. Enfim, vou amar receber sua opinião em qualquer lugar. Continue bem, seguindo seu próprio ritmo e acima de tudo resistindo. Obrigada novamente, e até a próxima. (Mais breve eu espero kk)
Com carinho, revolta e sede de justiça histórica,
E como de costume preparei algumas musiquinhas para nossa playlist. Dessa vez separei 3 que são:
1- Mãos vermelhas - Kaê Guajajara. Conheci o trabalho da Kaê faz pouco tempo e me pergunto diariamente por que ela não está na rádio, na TV e em todas as galáxias existentes? Essa mulher é maravilhosa! E mãos vermelhas é um tapa na cara da história tão lindo, mais tão lindo. Você vai entender quando ouvir...
2- Rap da felicidade - Cidinho e Doca, e Dj Marlboro. Um clássico do funk, e a minha vida e de todos os brasileiros, cantada e mixada.
3- Que país é esse - Legião Urbana. Acho que essa foi escrita em tempos similares aos de hoje, então penso que esse questionamento nunca se fez tão atual.
Aproveite com saúde e sagacidade!
Link da playlist: https://open.spotify.com/playlist/731AnWHu34d4WMF6SmzLbr?si=24a93e624c754b18&nd=1