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Small things | Lily, Mary & Emme | April 79
Havia sido ideia de James.
A princípio a garota de cabelos avermelhados demonstrou estar relutante com relação a sugestão do namorado. Lily estava acostumada a estar certa, tanto que essa era praticamente uma constante naqueles muitos meses de relacionamento. Admitir que quem estava com a razão era, na verdade, o seu namorado, era algo tremendamente novo para ela, mas não tinha como ser diferente. James Potter parecia conhecê-la melhor do que ela mesma e era apenas natural que ele soubesse exatamente do que ela precisava. E por Merlin, ela precisava de um pouco de normalidade mais do que tudo em sua vida, e James havia enxergado isso antes mesmo da própria Lily.
“Você espera que eu tome chá e saboreie guloseimas enquanto estamos no meio de uma guerra?” Ela perguntou, soando mais cruel do que desejava, mas ao invés de respondê-la num comentário igualmente sarcástico, James massageou seus ombros enquanto lhe convencia de que não havia nada de errado nisso. Se começassem a dormir, comer e respirar uma guerra, logo perderiam a sanidade, e não havia nada de errado em reunir pessoas queridas, afinal. O faziam com extrema frequência no fim das contas, a charmosa casa servindo de segunda morada para Sirius, Remus e Peter, as vezes até como sede de algumas reuniões da Ordem quando decidiam revezar o local dos encontros para que nenhuma suspeita fosse levantada sobre a organização.
Evans concordou com um dar de ombros e um pequeno sorriso, prometendo pensar a respeito. Mandou uma coruja para Mary MacDonald e Emmeline Vance no dia seguinte para fazer o convite e, dois dias depois, esperava do lado de fora da casa, abraçando a si mesma e o cardigã creme que usava para proteger-se daquela tarde nublada de Abril, os olhos verdes muito alertas para qualquer movimentação ao longo da rua trouxa em que moravam. Em outros tempos, talvez não se desse ao trabalho de esperar pelas amigas no meio da rua, como se a qualquer momento pudessem ser surpreendidos por alguma ameaça, mas aqueles eram dias sombrios, dias de guerra, de desaparecimentos. Havia perdido a sua mãe em um ataque há menos de um mês e não poderia arriscar perder aqueles que amava também.
Os dois estampidos soaram na vizinhança e poderiam ser facilmente confundidos com um motor de carro muito antigo, mas Lily sabia exatamente do que se tratava. Quando as duas garotas apareceram próximo ao beco ao final da rua, Lily caminhou na direção das duas amigas com um sorriso aliviado no rosto, abraçando-as rapidamente. “Estou tão feliz que concordaram em vir. Há quanto tempo não fazemos isso? Semanas? Meses?” A ruiva realmente não conseguia se lembrar da última vez que havia se reunido com as amigas para simplesmente conversar e deixar o tempo passar. “Vamos, é melhor irmos entrando ou o chá vai esfriar.” Mentiu. Pouco se importava com o chá, o que queria era que voltassem depressa para a proteção dos feitiços defensivos da casa.
ya lit meme [14/10] female characters
lily evans (harry potter)
“Not only was she a singularly gifted witch, she was also an uncommonly kind woman.“
[Flashback] A night to remember | Remus & Lily | March 78
Conforme a data do seu aniversário se aproximava, Remus percebia detalhes estranhos ao seu redor. O rapaz estava longe de ser o mais extrovertido do seu grupo de amigos, contudo mantinha sempre uma boa convivência com todos. No entanto, percebeu que algumas pessoas estavam evitando conversar por muito tempo com o mesmo. Sua mente sempre viajava para a razão mais pessimista existente, a descoberta do seu segredo, porém Remus tentava focar no que estava à sua frente, não uma realidade alternativa que sua mente buscava sempre reproduzir. O que fez o garotos de cabelos castanhos claros ficar mais intrigado era que seus amigos estavam estranhos, saindo escondido sem o chamar e conversando aos cochichos com algumas certas pessoas, que pelo resto do dia o olhavam de lado. Talvez, pensou, ele tivesse pegado pesado no último sermão com os amigos. Porém não justificaria os cochichos e nem os olhares de lado. Remus, sempre com um livro escondendo suas expressões enquanto observava seus amigos e colegas, concluiu que estavam aprontando uma peça de presente. Faria mais sentido, principalmente por causa da data se aproximando. Ele acreditava nisso, uma peça e talvez uma pequena celebração na torre da Gryffindor com os mais próximos. Remus jamais esperaria que a dimensão da comemoração tomasse três das quatro casas de Hogwarts e tantos esquemas para que todos pudessem frequentar um lugar fora do horário.
Para Lupin era estranho que dezenas de pessoas viessem em sua direção tão sorridentes lhe desejando o melhor, recebesse tapinhas nas costas e agradecendo pela oportunidade de estar na festa. Seu pescoço estava dolorido, de tanto que acenava, e suas bochechas estavam também doloridas do sorriso que tinha que sustentar. Era tão estranho ser o centro da atenção. Ele era um maroto, mas estava acostumado com James e Sirius desviar a atenção para os mesmos. Não fazia diferença para si passar despercebido, Remus era agradecido porque isso o livrava de perceberem as características de seu problema peludo. Lupin, no entanto, estava admirado com o trabalho em equipe, não somente dos outros três marotos como dos amigos mais próximos que estavam bastante envolvidos e dos monitores que se prestaram ao papel de levar os convidados de suas casas até a sala precisa.
Após cumprimentar tantas pessoas, havia até perdido a contagem numérica, se dirigiu a mesa de bebidas. Precisava de algo para molhar sua garganta e deixá-lo mais tranquilo - sua parte monitor estava ali para fazê-lo pensar nas dezenas de alunos fora de suas camas, entrar na sala precisa era fácil, como sairiam dali alterados que era o problema. Era seu aniversário, poderia se deixar no luxo de se divertir e ser totalmente maroto naquela noite. Escutou a voz animada de Lily quando metade do primeiro copo que tomava naquela noite passava por sua garganta. A ruiva visivelmente já havia tomado mais bebidas do que ele, o pensamento o fez rir. “Obrigada, Lils!” Agradeceu retribuindo o abraço caloroso que recebia. “Ué, eu pensei que a fantasia fosse seu único presente da noite.” Constantou alegre para a ruiva sorridente. Sua festa não somente excedia em proporções como também era à fantasia. Por ter sido uma surpresa para o rapaz, não havia como ele planejar esta parte. Graças à Merlim, seus amigos e Lily se lembraram dos longos monólogos que Remus fez sobre a febre trouxa “Star Wars” e haviam lhe comprado uma túnica Jedi. Mais precisamente de Luke. Ele sabia que para tal, Lily deveria ter sido quem mais mexeu os pauzinhos. “Aliás, eu que tenho te agradecer por essa túnica Jedi, quando me falaram sobre vestir uma fantasia, eu pensei em todas possibilidades possíveis de escolha dos outros e acredita todas as opções tinham potencial de arruinar a noite.” Comentou divertido e depois colocou o dedo diante dos lábios olhando na direção onde os três outros marotos alegres pela bebida se divertiam conversando com um grupo de garotas. Terminou seu copo de bebida, entornando outro em seguida.
Não estava bêbada, talvez um pouco alegre, o suficiente para ser capaz de ingerir cervejas amanteigadas e doses de firewhiskey sem fazer qualquer careta ao sentir o álcool arder em sua garganta como fiendfyre. Entretanto, aqueles que a conheciam bem poderia perceber o entusiasmo exagerado, a voz ligeiramente aguda, a energia que parecia não ter fim e os movimentos atrapalhados e nada graciosos. A bebida não havia sido capaz de fazê-la duvidar do chão embaixo de seus pés, mas Lily estava alcoolizada o suficiente para achar graça em como sua espada de mentira ficou presa ao sabre de luz de Remus quando se desfazia de seu abraço. “Ora, não reclame! Não é todo mundo que ganha mais de um presente de aniversário, isso é para poucas pessoas!” Fingiu estar zangada com ele, dando um tapa em seu braço enquanto franzia o cenho antes de começar a rir. “A fantasia nem seria o seu presente de verdade. Na verdade, até poderia ser porque é uma ideia genial, modéstia à parte, mas eu tenho estado generosa demais e resolvi comprar mais um.” Deu de ombros, tomando um gole da garrafa de cerveja amanteigada que segurava em uma das mãos, se gabando um pouco do quão excelente podia ser como amiga.
“Consigo pensar em até um terceiro presente! Porque nós iremos travar uma luta jedi até o fim dessa festa, Remus Lupin, preferencialmente bêbados porque acho que seria ainda mais hilário. Sim, minha espada, seu sabre de luz, acho que todos deveriam sair de perto quando isso acontecer porque será épico. Sei que você está pensando nisso desde que te dei essa fantasia. Apostaria dez sicles que você até tentou iniciar uma batalha com alguém mas não foi muito divertido porque lutar sozinho deve ser bem charo. Pois bem, eu tenho uma espada. Uma espada! This is going to me fun!” A ruiva desembainhou sua réplica da espada de Godric Gryffindor como se segurasse uma preciosidade em mãos, mostrando-a para o amigo com um grande e eufórico sorriso enquanto falava rápido demais, quase se esquecendo que segurava uma arma em mãos e que poderia muito bem espetar alguém por acidente.
“I just simply am not a dater. I think I have been on three official dates in my life. They are like job interviews and I refuse to be romantically employed. I would rather have a half assed version of a relationship with someone who I truly enjoy spending time that might not want to marry me or even “officially call me theirs” than a marriage proposal to someone that just looks good on paper.”

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An endless list of romance ☛ James Potter & Lily Evans
And one day they shared a kiss, but before that they shared many arguments, for he was cocky, and she was sweet, and matters of the heart require time.
[Flashback] Close enough to start a war | James, Lily & Fabian | October 77
– Well, they do say it’s lovely there this time of year. – James retorquiu, com um sorriso displicente nos lábios. – Or isn’t that what they mean when they say that you just “can’t leave” Azkaban? – Acrescentou, franzindo o cenho em uma expressão cômica de dúvida, sua teatralidade evidenciando ainda mais o sarcasmo que já era bem perceptível pelo seu tom de voz. Bufou, ou ao menos o ruído que deixou escapar soou como se bufasse, mas era mais uma mistura de riso e impaciência, quando a ruiva puxou o pulso com força para escapar de aperto. E deixou que ela prosseguisse com suas queixas sem interrompê-la, pressionando o indicador e o polegar sobre as pálpebras por trás da armação escura dos óculos.
Quando voltou a abrir os olhos e sua visão retomou o foco, notou marcas de gordura nas lentes e retirou os óculos para limpá-los na blusa. E então, mesmo com a visão embaçada pôde sentir o olhar de Lily sobre ele, embora não fosse capaz de discernir que tipo de olhar ela lhe dirigia. Mas não precisou especular muito pois logo a colega de monitoria já verbalizava seus pensamentos com uma afirmação não muito lisonjeira, mas provavelmente legítima. – Ouch… thanks. – Gracejou, voltando a esboçar um sorriso. Ele sabia exatamente sobre o que ela estava falando. He felt like shit. There was really no reason why he shouldn’t look like shit. A noite passada claramente tinha deixado suas marcas, mas ainda não eram nada comparadas com o que Remus tinha que passar constantemente. Podia só imaginar o quão exausto o amigo estaria e o cansaço era sempre a menor de suas preocupações. – Nothing wrong, It’s actually more of an aesthetic choice, y’know, like the whole messy hair thing. I just decided to take a step forward from there. – Mas ao notar o zelo no olhar da menina ao pôr os óculos de volta se sentiu um tanto comovido e sua atitude mudou um pouco, o sorriso de deboche rapidamente se transformou em algo mais acolhedor. – I’m fine. Just tired, that’s all. It was a rather busy night.
Alguns meses adiante, Lily Evans olharia para aquela manhã em que passou trancada com James Potter no dormitório masculino do sétimo ano de gryffindor com um sabor agridoce em sua garganta. Ela lembraria do tempo e energia gastos em uma frustrante e boba discussão a respeito dos deveres que tinham como Head Boy e Head Girl mas, mais do que isso, iria chegar a conclusão, depois de muito analisar todos os momentos divididos com o capitão do time de quadribol, que foi exatamente ali que as coisas começaram a mudar. Ela estava muito cega na época para se dar conta por si só, mas se fosse um pouco mais inteligente (poderia ser uma aluna brilhante, mas quando se tratava de assuntos do coração, ela podia ser mais estúpida que um trasgo montanhês adulto) perceberia as sutis mudanças como, por exemplo, a súbita pontada de preocupação que sentiu quando finalmente o olhou com um pouco mais de atenção. James parecia tão absolutamente exausto que a garota de cabelos ruivos se sentiu culpada e insensível por não ter percebido isso antes e, ao invés disso, ter explodido por conta de relatórios inacabados para a reunião com McGonagall, algo que agora parecia tão pequeno e tolo. Outro sinal bastante pertinente foi como pensou consigo mesma, em uma fração de segundo, que ele parecia atraente sem os óculos, encarando-a como se não a enxergasse de verdade enquanto limpava as lentes no tecido da camisa do uniforme. Ela agradeceu pela miopia de James não permitir que ele notasse qualquer coisa que a denunciasse.
Lily ignorou os seus próprios pensamentos e os gracejos dele, não esperando por explicações e avançando na direção do rapaz sem cerimônias ou hesitação para olhá-lo mais de perto, depositando a mão na curva entre seu maxilar e pescoço para sentir sua temperatura, analisando-o cuidadosamente enquanto procurava por algo. “Are you certain there is nothing wrong? You look quite ill.” Concluiu com uma expressão séria e preocupada. “I’ve got energy potions back at my dorm if you’d like some. I would fetch them for you if... well, if that prick hadn’t locked us in here. But I would only give them to you if you promised me to pass by the hospital wing later. You know, just to make sure everything is fine.” Ela não mais o tocava agora, mas ainda carregava preocupação em seu rosto, no cenho franzido e no olhar firme. Lily tinha mania de cuidar daqueles que a cercavam até mesmo quando eles não desejavam isso e ela não se sentiu estranha ao tentar cuidar de James Potter. Ao contrário, lhe pareceu extremamente natural, tão autêntico quanto o fato de as vezes o achava um idiota. “Rather busy night, huh?” Um meio sorriso surgiu em seu rosto quando ouviu James comentar a respeito de sua noite ocupada, e então tudo fez sentido para Lily. “Forget about my potions, then. I’m perfectly sure you can manage to regain your energy by yourself. You’re not sick, you’re just exhausted from shagging all night.” Deixou escapar, dando de ombros e cruzando os braços a medida que o sorriso que carregava se tornava mais divertido, quase malicioso.
[Flashback] A night to remember | Remus & Lily | March 78
Conforme o aniversário de Remus Lupin se aproximava, foi se tornando cada vez mais difícil esconder a festa surpresa que Potter, Black e Pettigrew organizavam. Lily tentou mostrar-se últil aos colegas da melhor forma que podia, seja colaborando para manter Remus totalmente cego para o que acontecia bem embaixo de seu nariz, oferecendo-se para ajudar nos encantamentos dos distintivos dos monitores ou até mesmo candidatando-se como monitora responsável em levar os alunos da casa de Godric Gryffindor até a misteriosa sala do sétimo andar do castelo. Não era uma tarefa muito fácil, veja bem, porque além do número generoso de estudantes para guiar levando em conta apenas a luz que emitia do distintivo que ela levava em uma das mãos, todos eles estavam fantasiados, o que tornava o trajeto mais difícil ainda, especialmente quando paravam para conversar entre si sobre suas fantasias e acabavam se distraindo. Haviam sido muito sortudos por chegar a sala precisa sem sustos e imprevistos e, com o avançar das horas, aquele salão parecia borbulhar de jovens bruxos e bruxas conversando, dançando e aproveitando todo o álcool proporcionado pelos Marauders e os gêmeos Prewett. A contar pela quantidade de estudantes bêbados, aquela festa certamente estava sendo um verdadeiro sucesso.
Lily ajustou a enorme réplica da espada de Godric Gryffindor atada a sua cintura por um cinto de couro enquanto tomava mais alguns goles de sua cerveja amanteigada. Estava bastante orgulhosa de sua fantasia, uma versão feminina do fundador de sua casa cuja ideia que lhe pareceu nada menos do que genial. Vestia calças de camurça cor de chocolate com botas até os joelhos da mesma cor para acompanhar, um confortável espartilho por baixo de uma túnica vermelho escuro com amarrações em tiras de couro em seu colo, mangas bufantes e uma capa de veludo vermelho escuro que ia até os seus joelhos e tinha o leão de Godric bordado no tecido para não restar dúvidas sobre quem estava fantasiada. Seu enorme e ondulado cabelo avermelhado estava meio preso em diversas tranças, finalizando a fantasia bastante elaborada que havia levado semanas para ser montada mas que exprimia nada menos do que orgulho em quem a vestia. Talvez tivesse exagerado um pouquinho em seu house pride, mas isso certamente não era algo do qual se envergonhava.
“Remus!” Exclamou quando avistou o amigo próximo da mesa de bebidas, apressando-se para encontrá-lo já que achar o aniversariante livre em sua própria festa era algo raro. “Happy birthday!” Gritou entusiasmadamente (talvez a quantidade de cervejas amanteigas ingeridas tivesse uma parcela de culpa), esticando-se para abraçá-lo com um enorme sorriso no rosto. “E não se preocupe, o seu presente já foi comprado, encomendado e está muito seguro em meu dormitório até que eu possa entregá-lo para você. Tenho certeza de que vai gostar bastante, não vai ter do que reclamar este ano.” Adiantou, balançando a cabeça positivamente enquanto sorria para o melhor amigo, lembrando-se do pequeno fracasso que havia sido o presente de aniversário que havia lhe dado no ano passado, algo que, felizmente, seria definitivamente esquecido esse ano graças ao que havia escolhido para ele.
Marauders’ party | Lily Evans as female Godric Gryffindor
[Flashback] About trust and troubles | Lily & Peter | November 75
Não era incomum se encontrar naquele tipo de situação. Aliás, era uma cena bem comum.
Era de conhecimento geral - ou ao menos assim parecia - que se você tivesse algo contra os marauders (leia-se provavelmente um slytherin) a melhor forma de se vingar é não atacar o bando, mas o elo mais fraco. E de longe, todos podiam dizer que esse elo era Peter.
Estava acostumado; Mesmo antes de Hogwarts, as crianças do bairro diziam coisas ofensivas e faziam piadas de mal gosto com ele. Não foi surpresa que em Hogwarts também lidasse com isso e logo aprendeu que passear sozinho pelo castelo, podia se tornar bem mais difícil para ele que qualquer um dos seus colegas. No começo, tentava ficar sempre junto com os outros três, mas conforme ia crescendo, via que isso só se tornava mais motivo para que o xingassem. Não queria ser chamado de bebezinho, que não conseguia ir a nenhum lugar sozinho, de dizerem que seguia James como um cachorrinho idiota. Não, não queria. Seria fácil deixar que falassem , mas ainda tinha uma pontinha de orgulho. Podia não conseguir evitar encontros hostis com os slytherins e também podia não conseguir se defender, mas ao menos não daria a satisfação de abaixar tanto a cabaça assim para eles. Mesmo que no final, ninguém notasse ou ligasse para seus “pequenos gestos de bravura” ao menos ele podia se contentar repetindo isso para si mesmo. Não ia se esconder, se era isso que esperavam dele.
Aquela noite não fora diferente. Devia ter pensado nisso, quando pegou a rota que achara ser a mair rápida de chegar até o salão principal, mas também uma das menos usadas. Acabou sendo cercado por um grupinho de slytherins que tentava (ou melhor, conseguiam muito bem) provocar-lhe e ameaçar-lo com ofensas. Mantinha o olhar baixo, a postura meio encolhida, na esperança de que se ficasse submisso, não partiriam para ataques físicos ou magia. Esperava que o grupo só estivesse atrás de um pouco de diversão gratuita e não de realmente atacar alguém.
Se surpreendeu ao ouvir a voz de Lily, vislumbrado brevemente a expressão de irritação no rosto de seus agressores ao também perceberem a presença da monitora. Lançou um sorriso rápido de gratidão para Lily, agradecendo mentalmente que ela tivesse chegado ali no momento certo.
Seus olhos iam de Lily até os slytherins, vendo a reação deles. Dois deles pareciam achar que não valia a pena encarar Lily, mas um deles parecia particularmente ansioso pra se meter em encrencas maiores. Achava admirável as palavras de Lily. Queria ter coragem suficiente para ele próprio se defender assim, mas já que não conseguia. estava mais do que grato a ruiva. Palavras do pai sobre ter que ser “mais forte que mulheres” passou pela sua mente, mas sinceramente, aquilo só se encaixava na lista de motivos pelos quais Peter não gostava do pai; Conhecia mulheres muito fortes, como a própria Lily, e não via problema algum em elas serem mais habilidosas do que muitos rapazes. Só se sentia grato de ter amizade com garotas assim.
Correu para perto dela, assim que percebeu a deixa e o sinal mudo.
- Obrigado. - Sussurrou assim que chegou ao seu lado. Puxou sua varinha também, tentando fazer uma cara mais intimidadora do que realmente se sentia, mas sabia que não ia funcionar, depois de ter deixado que eles pisassem encima dele daquele jeito. Mas pelo menos, Lily saberia que ia ter seu apoio, mesmo que não fosse fazer realmente muita diferença.
Seu pai costumava dizer que ela se importava demais.
O tom de August Evans não era depreciativo ou sequer dava a entender que essa fosse uma característica negativa a respeito de sua filha mais nova. Pelo contrário, era com um pequeno e orgulhoso sorriso que ele repetia aquelas palavras para ela, sempre acompanhadas de um pequeno conselho que nunca realmente pareceu muito claro para seus ouvidos de menina mas que ela ouvia com atenção da mesma forma. “Don’t let the world harden your heart or make you care less and less about people.”
Sendo exatamente como o pai a descrevia mesmo tantos anos depois, era perfeitamente natural que que tornasse excessivamente protetora com seus amigos. Essa era uma característica tão absolutamente essencial a seu respeito quanto seus cabelos avermelhados, o fato de gostar de pintar as unhas com esmaltes coloridos ou de preferir chá ao invés de café. A gryffindor só se sentia perfeitamente bem quando tinha certeza de que todos ao seu redor também se sentiam do mesmo jeito, de forma que seu bom humor acabava sendo ligeiramente afetado quando sabia que algum amigo estava passando por um momento complicado. Não era proposital, mas a sensação de que algo estava errado não a deixava em paz quando percebia que alguém que se importava não estava em seu melhor momento, como se os problemas de seus amigos drenassem não somente as energias deles mas as suas também. E mesmo que não fosse tão próxima de Peter Pettigrew quanto era de, por exemplo, Remus Lupin, Lily sentiu a necessidade de interromper o que quer que estivesse acontecendo naquele corredor e defender o colega de casa.
A ruiva soava confiante, mais do que realmente se sentia. Ela sabia que este era o segredo da intimidação e que sair vencedora de uma situação como aquela dependia muito de mostrar-se segura daquela forma. Apesar de ser uma bruxa talentosa e de sempre ter uma considerável lista de azarações na ponta da língua, não poderia simplesmente fechar os olhos para o fato de que tinha não somente um mas três alunos mais velhos da casa de Salazar a sua frente e que, confiante ou não, ela e Peter estavam em desvantagem.
Mas, milagrosamente, seu teatro parecia ter dado certo porque, no instante em que Peter se afastou deles para aproximar-se da gryffindor com um “obrigado” entre os lábios, os três rapazes direcionaram aos dois um último olhar zangado e uma derradeira ameaça antes de darem as costas e seguirem pelo corredor escuro. E quando eles não estavam mais a vista, foi inevitável respirar aliviada como se estivesse prendendo a respiração desde que havia chegado ali.
“Essa foi por muito, muito pouco! Ufa! Estava começando a pensar que eles realmente iriam duelar conosco!” Exclamou ainda um pouco ofegante, devolvendo a varinha para o bolso interno do sobretudo do uniforme e finalmente olhando para o rosto pálido de Peter sob a luz dos archotes presos nas paredes de pedra do castelo. “Está tudo bem, Peter? Não sei o que eles disseram a você, mas eu diria que você provavelmente não deve dar ouvidos a eles.” Lily gesticulou com uma das mãos como se pedisse para que Pettigrew esquecesse tudo que lhe foi dito naquele corredor, já que provavelmente nada de bom poderia sair da boca de pessoas como aqueles três rapazes, que pareciam estar mais do que dispostos a amedrontar alguém sem qualquer motivo. “Isso provavelmente não sairá barato e eu aposto que aproveitarão uma nova oportunidade para importuná-lo, então acho que você deveria estar melhor preparado da próxima vez.” Havia uma nuance de preocupação em sua voz quando se dirigiu ao garoto a sua frente, seus olhos um pouco mais sérios enquanto apertava os livros contra o corpo. Não era como se duvidasse se Peter era ou não capaz de cuidar de si mesmo, mas aquela era certamente uma prova de que aquela tarefa não parecia ser muito fácil para ele. “Você pode sempre pregar uma pequena peça como vingança, não é mesmo? Show them that you are not someone they should mess with. But if someone asks, that was not my idea!” Lily riu, fazendo menção de continuar seu trajeto pelo corredor, soando agora um pouco mais divertida e bem humorada já que estavam fora de perigo.

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[Flashback] Close enough to start a war | James, Lily & Fabian | October 77
Foi estúpido por não ter previsto aquilo. Mas o cansaço o privava do bom senso que qualquer um teria antes de confiar cegamente em Fabian Prewett. Não fosse pelas pálpebras pesadas e o sono insistente, James provavelmente perceberia o que o colega estava aprontando antes que fosse tarde demais. Mas só se deu conta do que estava acontecendo diante dos protestos de Lily, que vociferava ameaças a plenos pulmões, tão desgostosa com a perspectiva de ficar presa no mesmo aposento que James que o rapaz se perguntou por um momento se deveria ficar ofendido com aquela reação desproporcional. –Prewett, I’m not laughing! – Reforçou o apelo da ruiva e então girou a maçaneta, apoiando o ombro sobre a porta e empurrando-a com o peso de seu corpo para tentar arromba-la, mas foi um esforço vão, estava selada por magia. –Fuck. – Resmungou, se afastando da porta e massageando o próprio braço. –Vai ter volta. – Murmurou, com um misto de humor e irritação. Era o que podiam esperar de Fabian, não deveria estar surpreso e, de fato, reconhecia que acharia graça da situação caso não a estivesse vivenciando no pior momento possível. And Lily… Lily looked even less amused.
James soltou um longo suspiro e a observou enquanto a head girl ainda esmurrava a porta sem piedade, estipulando quanto tempo levaria para que ela se conformasse de que estavam mesmo presos ali. E então lhe ocorreu que ela provavelmente estava descontando na pobre madeira toda a raiva acumulada em seu pequeno bate boca. – Talvez se desenharmos minha cara aí… pode ser que sua determinação surta algum efeito. – Comentou, indicando a porta com um gesto casual, como se desenhasse um par de óculos no ar, e então deu um passo na direção de Lily, segurando seu punho a fim de evitar que ela continuasse. A cada batida a dor na cabeça de James acentuava então de certa forma era como se ela de fato o acertasse. Suas têmporas latejavam incomodamente e se fosse obrigado a esperar pela boa vontade de Fabian enquanto Lily proporcionava a trilha sonora com sua violenta percussão provavelmente enlouqueceria. – A essa altura ele nem tá mais aqui. Já deve ter descido pro Salão Principal. – E se Fabian fosse tão esperto quanto julgava ser provavelmente também teria se certificado de que ninguém pudesse ouvi-los ou ao menos que não viessem socorrê-los. – So just… save your energy, yeah?
“Fuck you Prewett, you fucking fuck!” Ofendê-lo em voz alta enquanto esticava os dedos das mãos próximo ao rosto como se fossem garras na tentativa de controlar a sua vontade de esmagar a cara do colega de casa contra uma parede de pedra até que ele explodisse foi mais gratificante do que ela esperava e lhe proporcionou um estranho alívio. É claro que Fabian Prewett provavelmente não havia ouvido nada do que era dito a respeito dele naquele dormitório, mas nada impedia que ela amaldiçoasse suas futuras gerações a torto e a direito. Então Potter resolveu escolher o pior momento para fazer gracinhas e Lily virou o rosto por cima do ombro para encará-lo com íris verdes semi cerradas, como se estivesse se concentrando o máximo que conseguia para fazê-lo entrar em combustão instantânea através de magia involuntária. Não era ao todo impossível, certo? Tirando o fato de que ela provavelmente também morreria quando todo o dormitório inteiro pegasse fogo, a gryffindor chegou a conclusão de que se sentiria perfeitamente satisfeita com aquela possibilidade, apesar de tudo.
"Maybe you’re right. I should save my energy since I’m probably killing you before lunch and certainly spending the rest of my life in Azkaban.” Ela disse, num misto de irritação e humor, um sorriso em seu rosto que parecia existir somente para que ela risse da própria situação. Lily puxou com força ligeiramente exagerada o próprio pulso que James segurava para impedi-la de bater na porta de carvalho do dormitório, dando as costas para o rapaz e avançando pelo aposento enquanto dava um longo e pesado suspiro e levava as mãos aos cabelos acobreados. “Brilliant. We can’t work together, we can’t stand in the same room without arguing even a little...” Começou, esfregando as têmporas e os olhos com a ponta dos dedos enquanto girava lentamente em seus calcanhares para virar-se na direção dele, olhando-o com um pouco mais de atenção pela primeira vez naquela manhã. "Merlin, you look awful, Potter.” A constatação sincera e imediata foi feita não com o objetivo de ofendê-lo, mas com certa surpresa quando notou os ombros caídos pela postura exausta e os olhos castanhos cansados e um pouco fora de foco de James. “I mean, you look really tired. What’s wrong?” Lily franziu o cenho quando avançou um ou dois passos na direção dele, esquecendo-se completamente da irritação de instantes anteriores ou do que estava falando para olhá-lo com genuína preocupação, os olhos muito verdes examinando-o cuidadosamente.
[Flashback] About trust and troubles | Lily & Peter | November 75
O jantar já havia sido servido há algum tempo e Lily regressava da Biblioteca trazendo nos braços três pesados livros de capa de couro e páginas amareladas, mais velhos do que a própria gryffindor. Desde que Slughorn a convidara para tomar um chá em seus aposentos na semana passada e ambos passaram longos minutos discutindo sobre as possibilidades que uma carreira como Potioneer poderia trazer para ela, Evans vinha demonstrando dedicação especial com a matéria que já tanto gostava. Se antes não era muito difícil que procurasse por livros sobre o assunto na Biblioteca ou comprasse algum título de seu interesse apenas para testar novas Poções, agora havia se tornado algo perfeitamente comum. Ela quase podia ouvir a voz de seu pai ecoando em sua mente, repetindo pela enésima vez sobre como ninguém chegava a lugar algum sem esforço e sacrifícios. E se Lily desejava não encontrar dificuldades para decidir-se em definitivo sobre que carreira profissional seguir, fosse para evitar a indecisão ou por ter notas suficientes para escolher o caminho que quisesse, era bom que começasse desde já. She wanted be great and to get there she had to work hard and practice a lot so she might as well begin right away.
Com passos apressados, a garota de cabelos avermelhados virou em um corredor que pareceu mais escuro do que o normal para os seus olhos. Talvez sua retina estivesse acostumada com as amplas luzes da Biblioteca, mas a iluminação fornecida somente pelos archotes de ferro pendurados nas paredes de pedra foram quase insuficientes para que conseguisse enxergá-los, tanto que foram seus ouvidos que captaram os murmúrios primeiro, baixos e agressivos. Lily cerrou os olhos muito verdes na tentativa de enxergar melhor, distinguindo mais de uma silhueta no final do corredor, próximo de uma grande armadura. Normalmente seguiria o seu caminho em direção a Torre de Gryffindor para deixar os livros antes de descer para o jantar, mas algo a fez encostar na parede para não ser vista e assim ouvir o que era dito sem que notassem a sua presença.
Horas mais tarde, Lily Evans teria se arrependido caso não o tivesse feito.
Era Peter Pettigrew e ele estava cercado por três alunos da casa de Salazar. Pelos poucos instantes que passou escondida na esquina do corredor, a ruiva rapidamente percebeu que aquela não era uma simples conversa entre conhecidos e que na verdade Peter não aparentava estar confortável na presença dos estudantes mais velhos. Não foi difícil deduzir que estavam importunando o colega de casa.
“Oh, hullo, boys! How are you this evening?” Ela disse, os livros apertados contra o corpo e um sorriso desafiador em seu rosto quando surgiu no corredor e caminhou na direção dos garotos. “Estão aproveitando o tempo livre para importunar terceiros antes do jantar? Que hobby patético, rapazes. Jogar snap explosivo não pareceu legal o suficiente?” Sua voz, ao mesmo tempo que carregava um tom decepcionado, também tinha nuances de divertimento. Ao contrário da maioria dos seus colegas de casa, Lily não julgava slytherins tão depressa porque seu melhor amigo was a slytherin himself. Por isso, o benefício da dúvida era quase sempre a postura que escolhia adotar, exceto quando não se deixava levar pelo seu temperamento ou quando não a atacavam em primeiro lugar. Permanecer fiel a decisão de não julgar estudantes de slytherin era muito fácil quando não se tinha a grande maioria deles olhando-a torto sempre que a viam nos corredores e murmurando palavras como “muggleborn imunda” como cordial cumprimento.
“Bem, se vocês querem saber a minha opinião, sugiro que o deixem em paz. Suspeito que a professora McGonagall ficaria bem satisfeita em colocá-los em detenção, mas eu estou com fome e vocês não iriam me fazer andar pelo castelo inteiro a procura dela somente porque vocês foram teimosos e não acataram o meu conselho, não é?” Ela disse, explicando calmamente a situação como se esclarecesse para uma criança pequena que ela não deveria colocar o dedo na tomada se não quisesse tomar um choque. “Além do mais, faz um bom tempo que não azaro alguém, então se eu fosse vocês, não insistiria nisso.” Evans deu de ombros, sacando a própria varinha e assumindo a postura de que não estava nem um pouco preocupada com a possibilidade de estar prestes a enfrentar três alunos da casa de Salazar em um corredor deserto. Como monitora, essa definitivamente não era a melhor forma de encarar a situação, mas não se podia esperar total responsabilidade de alguém que as vezes tinha alguns problemas em pensar antes de agir, veja bem. Lily então olhou rapidamente para Peter como se pedisse para que ele se afastasse deles e se aproximasse dela because, well, worst case scenario, at least she would have someone to have her back.
[Flashback] Breaking the stereotypes | Lily & Remus | October 76
Havia algo em Lily Evans que a fazia ser pré-disposta a ser amável com Remus Lupin. Não teve um dia que se recordasse em que não havia lhe oferecido um sorriso no café da manhã e ter se preocupado com o garotinho quando aparentava estar com a saúde frágil. Até mesmo apertara sua mão quando soube que seu sumiço era por causa dos problemas de saúde familiares, Remus se sentia mal por ela se solidarizar por uma mentira ao mesmo tempo que era agradecido. Eles nunca foram amigos até então. Talvez fosse sua própria reclusão ou suas amizades que tiravam a ruiva do sério, contudo Lily era amável e compreensível com Remus. Ele havia ganho a simpatia da garotinha sem tentar, por pouca coisa. Ele não tinha uma explicação e não buscava por uma razão também. A amizade construída entre ambos era tão natural e pura como veio ser com os marotos. Por anos, evitou que se envolvesse com mais pessoas intimamente, compreendia que os riscos de uma rejeição era alta para alguém como ele e se fosse delatado entre o corpo discente poderia perder sua chance de ter estudos como um bruxo normal. No entanto, ao ganhar o distintivo de monitor no ínicio do seu quinto ano e descobrir que sua parceira seria Lily Evans, compreendeu que não teria um jeito de afastá-la e internamente nem o queria mais. Naturalmente se aproximaram e a amizade predestinada, ele sentia que essa era uma das explicações possíveis pela simpatia natural entre ambos, começou a florescer. Ele certamente sentia-se agradecido pela oportunidade de ter alguém como Lily Evans no seu círculo de amizades.
Levantou os olhos divertidamente para a amiga e balançou a cabeça. Ela era esperta demais e observadora demais. Tinha certeza que suas ações de acobertar seus amigos não tinha passado batidas, mas ele não admitiria enquanto não fosse descoberto. Não porque ele não confiasse em Lily, mas quanto menos ela pudesse saber, seria melhor para os futuros planos continuarem dando certo. Certamente ela não desejaria punir ninguém, mas poderia atrapalhar sem que se desse conta. E seus amigos não gostariam nadinha de saber que ele estaria contando sobre seus segredinhos por aí. “Talvez essa seja uma questão que eu deixarei você divagar sozinha.” Deu uma piscadela. “Certamente depois dessa confissão honrosa eu vou me manter calado. Quem sabe um dia você própria não estará contando para os demais? Tenho certeza que seria um belo meio de deixar tanto James como Sirius completamente sem palavras, um dica.” Cutucou a ruiva na altura da barriga com seu cotovelo e imaginou brevemente o que poderia ocorrer se seus melhores descobrisse sobre a confissão de Lily. Ele não estava errado em dizer que os deixaria sem palavras, porém depois que recuperassem a postura dificilmente deixariam a monitora em paz. “Eu nunca pensei nisso, Lil. Mas vejo você como alguém que tem apreço pelas regras e nós quebramos muitas, inclusive dentro do seu radar. Novamente, estou agradecido e honrado por todos nós quatro. Devo acrescentar que muitas vezes sou eu que trato dos detalhes e do planejamento enquanto os outros são mais na parte prática. Acredito que levo a maior parte do crédito dos seus elogios?” Brincou levantando as sobrancelhas e esperando a reação da garota. Era claro que estava exagerando um pouco, não somente ele tratava do planejamento, mas certamente era quem mais dava cuidado aos detalhes das execuções. “Agora estamos esclarecidos.” Assentiu com a cabeça o ponto dela e tentou não esticar o assunto porque sabia que poderia tocar em algo delicado. “Eu estou imaginando aqui se seria bom fazer sorrir esses dias com nossas invenções geniais. Não poderia dizer porque estou pré-disposto a mais uma prank, mas acho que merece uma dedicatória depois de tantos elogios nessa conversa.”
“Oh, you still have a lot to learn about me, Remus Lupin, because you don’t seem to know me at all.” A garota de cabelos acobreados deu de ombros enquanto os dois continuavam caminhando pelos corredores de pedra, um misterioso sorriso enfeitando o seu rosto quando o mirou pelo canto do olho. Grande parte das pessoas que conviviam com a monitora pareciam ter uma pré concepção a seu respeito que dificilmente seria modificada ao longo dos anos. Um desses fatos que rapidamente deduziam sobre ela é que Lily Evans tinha um grande apreço por regras e não gostava de vê-las sendo quebradas. A ruiva sempre achou isso bastante engraçado, ainda mais porque, quando era criança e frequentava a escola primária de Cokeworth junto com Petunia, Lily quase sempre ganhava advertências de professores e seu pai precisava visitar a escola mensalmente para conversar com a diretora a respeito do comportamento de sua filha mais nova. Sendo dona de um temperamento forte e tendo o costume de falar exatamente o que lhe vinha a cabeça, não era surpresa alguma que a garotinha se metesse em problemas com frequência, grande parte deles sendo causado por sua mania de posicionar-se contra injustiças e defender aqueles que eram intimidados por alunos mais velhos. Os valentões na escola poderiam investir nas expressões mais ameaçadoras que tinham ou até empurrá-la na tentativa de assustá-la mas dificilmente tentavam bater nela, talvez porque sabiam que ela desferia os melhores pontapés do bairro.
Então veio Hogwarts e mesmo que Lily e Emmeline arrastassem Mary com frequência para explorar o castelo depois do horário de recolher ou fugir para Hogsmeade para um sorvete, a garota de olhos muito verdes ainda mantinha a admirável habilidade de fazer com que todos achassem que ela não era capaz de quebrar uma regra sequer, algo que vinha livrando-a de detenções desde o primeiro ano. Ninguém realmente acreditava que ela era capaz disso, ainda mais quando conseguia inventar uma desculpa de forma tão confiante. Lily, contudo, não reclamava. Afinal, estava perfeitamente contente por ter os finais de semana livres ao invés de passá-los cumprindo detenções como Potter e Black, que não podiam sequer estar no lugar errado e na hora errada para que os professores suspeitassem deles até mesmo quando eram inocentes.
“Já está tomando maior crédito pelos elogios? Não vá ficar muito confiante e começar a se gabar por aí, Remus, as pessoas ainda precisam acreditar que você é capaz de colocar juízo nos seus amigos ou então tudo estará perdido.” Lily sorriu, empurrando o ombro do amigo enquanto balançava a cabeça negativamente num teatral gesto de desaprovação. “Uma prank especial em agradecimento? Quanta honra! Desde que eu não seja a vítima, estou totalmente de acordo.” Brincou a ruiva, diminuindo o passo quando notou que estavam de volta a sala dos monitores e que a agradável conversa acabou tornando a ronda noturna mais divertida ao ponto de nem ao menos ter notado que o tempo havia passado tão depressa. “Onze horas, acho que já cumprimos nossas obrigações por aqui, não é?” Olhou rapidamente para o relógio de pulso que ganhou da mãe em seu último aniversário, satisfeita com a sensação de dever cumprido após mais uma ronda pelos corredores do castelo para garantir que todos os estudantes estavam de fato em seus respectivos salões comunais. “Salão Comunal?” Perguntou, já fazendo menção de tomar o caminho em direção a torre da gryffindor e olhando-o como se perguntasse se Remus também pretendia voltar ao salão da casa vermelha para que ela o acompanhasse.
Naquela noite, eles ainda passaram um bom tempo conversando em um sofá de veludo avermelhado próximo a lareira e a Lily que ria e tagarelava ao lado do amigo parecia uma garota completamente diferente daquela que andava muito preocupada com a saúde de seu pai nas últimas semanas. Ela nunca se sentiu tão agradecida por algo quanto por aquelas poucas horas de distração.
moodboard: gryffindor
You might belong in Gryffindor, Where dwell the brave at heart, Their daring, nerve, and chivalry Set Gryffindors apart;

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Lil, a estátua não estava no meio meio do corredor, estava no canto. Você que estava cantarolando e se arrastando pela parede. Sem julgamentos. Além do mais, é uma estátua, não é como se ela fosse te ouvir… Ou me você me dar atenção por isso.
Não temos somente você a solta em Hogwarts, mas Emmeline também? Merlim tem de ter misericórdia. Ainda bem que achei uma das duas. Hey! Eu estou tentando te ajudar. Quando eu e meus amigos estamos fora do Salão Comunal somos discretos e evitamos o mínimo de barulho possível, diferente do comportamento da senhorita que poderia acordar um andar inteiro. Sorte que estamos apenas num andar de salas de aula. No, no, no. I said that I would only dance with you if you come back to common room right now. Afterwards, when you will be sober, we talk about it. Thinking over here, don’t you would like to eat some chocolate or drink hot chocolate? We can stay inside the castle without getting caught or sick.
Ok, você entendeu o que eu quis dizer, não vamos conjurar uma fita métrica para avaliar se ela estava impedindo a passagem ou encostada num canto, está bem? Quem quase levou uma queda não foi você, Remus, então não comece com esses detalhismos. Gostaria de ver se estaria dizendo isso se estivesse no meu lugar. Parece até que o salto do meu sapato está quebrado e olha que ele não é nada alto!
Não, não, não, Emmeline encontrou um amigo durante o caminho! Ela não está a solta no castelo, está bem segura com... o amigo dela. Ela está bem, está muito bem, eu diria. Mas vamos deixar isso de lado, não é? Quem não está nada bem sou eu, na verdade. Tudo o que eu queria era tomar banho de chuva mas você não tá colaborando! Como meu amigo, deveria ligar o botão do ‘fuck it!’ e correr comigo até os jardins, sabia? Você vai precisar ter muitos chocolates aí pra me fazer esquecer esse vacilo, Remus.
I realized few seconds ago that you didn’t see me. You were too busy arguing with the witch statue of one eye, which apparently was blocking you to continue and needed to hear some scolding?, there to listen my voice. But that’s okay. And yes, yes, yes, common room. It has passed curfew and you’re not at your best here, Lil. Yes, I can see but it’s also cold outside and you can get sick. It’s a wonderful ideia, don’t look me with those sad eyes, you can dance in the rain another day and I can go with you if, only if, you come back to common room before someone see us.
Of course I was arguing with that stupid statue! I almost broke my knee because of it! Why would anyone put a huge statue like this in the middle of the corridor and not like... in the corner or something? It get on people’s way! It got on my way! And besides, it is a bloody scary statue, if you want my opinion.
It’s past curfew? I didn’t noticed! Merlin, time flies because a few moments ago I was having a drink with Emmeline after dinner! But hey, who are you to give me lecture about being out of the common room after curfew, Remus Lupin? Did you forgot the donzens of times I got you and your friends doing the same thing? And if you say you can go dance in the rain with me some day, why can’t it be right now? See? I just won, so let’s go, let’s go, let’s go!