‘Shadow and Bone’ still with Ben Barnes as General Kirigan (The Darkling) via Entertainment Weekly

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‘Shadow and Bone’ still with Ben Barnes as General Kirigan (The Darkling) via Entertainment Weekly

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❛ não tinha percebido ao certo com quem falava até se virar para encarar o homem, e, rapidamente, ajeitou sua postura e enrijeceu as expressões, tentando permanecer tão régia, e própria, quanto ele. “oh, entendo.” falou, tentando soar educada, mas ainda assim ficando curiosa. que tipo de cavalheiro ia à um baile e não dançava? claro, sem contar os de muito idade para isso. o moreno ao seu lado parecia perfeitamente capaz de conduzir uma dança e a loira teve que morder a língua para não fazer nenhuma pergunta indiscreta demais. sorriu educadamente com a sugestão alheia, meneando a cabeça. “penso que estou melhor, no momento, como observadora. assim como o senhor… perdão, acredito que eu não saiba seu nome.”
apesar de não identificar descontentamento em sua voz, rowland imaginava que seria decepcionante para qualquer dama ter um convite, mesmo que velado, recusado. a inquietude crescendo devagarinho no seu âmago, ele virou-se para a moça. se não queria ser descortês, tinha a impressão que falhava miseravelmente, uma vez que sequer tinha mostrado educação de um cumprimento formal. ❝ capitão rowland reed, ao seu dispor, my lady. ❞ velhos hábitos não são fáceis de largar. mesmo depois de cinco anos, ele ainda apresentava-se como capitão. talvez por nunca ter se importado com títulos que não fossem militares, esquecia de citar que também era um duque. honraria que vinha principalmente de sua mãe; naquela época seu sangue real exigia que casasse com alguém tão importante quanto, portanto o concederam também ao seu pai, um dos principais generais do exército inglês. ❝ como posso chamá-la, senhorita? ❞
Madison não queria ser intrometido, se o homem ali fosse como ele, tinha ido até ao jardim para algum tempo longe da confusão e sozinho, mas não pode ignorar reparar em como ele parecia levemente perturbado com algo. “Está tudo bem?” Perguntou, uma mistura de curiosidade e também preocupação, mesmo não o conhecendo. Não o queria incomodar, mas por vezes alguma companhia, que não aquele salão todo cheio de gente, podia ser bem-vinda, mesmo que ele não parecesse muito convidativo de momento. “Eu posso procurar outro canto do jardim se preferir estar sozinho, embora esse tenha uma vista bastante mais bonita.” Assentiu com um sorriso amigável antes de lhe estender a mão para se apresentar. “Visconde Madison Beaumont, um prazer!”
rowland franziu o cenho para a pergunta. ❝ sim, estou bem ❞ respondeu seco. ele odiava quando seus nervos ficavam perceptíveis na frente das pessoas, ainda mais daquelas que ele não conhecia. infelizmente, 90% dos convidados eram completos estranhos para o homem, e isso apenas o deixava mais desconfortável. ❝ capitão rowland reed. ❞ estendeu a mão para um aperto firme, espelhando seu sorriso de forma educada. era estranho como rowland parecia duas pessoas diferentes quando estava em ambientes militares onde ele podia exercer seu papel de capitão e líder versus um simples baile. pouco entendia o porquê de não conseguir lidar com civis da mesma forma tranquila e segura que fazia com seus homens, mas talvez tivesse algo a ver com como ele se sentia fora do controle ali. ❝ espero que não se ofenda, mas vou deixá-lo por aqui. foi realmente um prazer conhecê-lo. ❞ meneou a cabeça em cumprimento e se direcionou para o lado sul do jardim.
surpreendeu-se com a resposta do outro, como aquela não era exatamente a leitura que notava os outros lendo em seu cotidiano. não que fosse algo ruim, afinal, também apreciava a literatura proveniente de dostoiévski. embora tivesse lido apenas uma obra do mesmo até o momento. “é um ótimo livro, pelo que ouvi falar. não sei muito sobre sua história em si, mas não vejo o motivo para não dar um voto de confiança. crime e castigo é excelente.” comentava com a animação crescendo aos poucos em sua voz, como literatura era justamente o assunto que não falhava em empolgá-la. afinal, era decerto um de seus favoritos. “ainda não consegui ler mais livros russos além deste, mas vou levar o seu como uma recomendação.” acrescentou, se perguntando se não estaria interrompendo a leitura dele - o que seria uma afronta literária como nada poderia -, mas optando por deixar de lado o pensamento pelo assunto em questão. pois já não achava que teria mais chances de conversar sobre durante a noite. “ah, certamente que é algo que eu concordo. aposto que conseguiriam colocar até seus chapéus nos bolsos, se quisessem! não imagina como invejo isso em vocês. não imaginam a sorte que tem.” meg respondeu, sincera, rindo nasalmente ao final. “eu estou lendo o conte de monte cristo. e, se já leu, deve imaginar como não gostaria de ter largado.”
arqueou uma sobrancelha com a reação da moça, mas foram suas palavras que o deixaram, devia admitir, um tanto admirado. crime e castigo não era um livro que muitos tinham interesse ou paciência de ler visto sua extensão em número de páginas. ❝ até agora, dostoiévski ainda me não decepcionou. crime e castigo é de longe o melhor, mas todos os livros tem alguma crítica que nos faz pensar sobre a sociedade ou a humanidade em si. ❞ rowland assentiu com um sorrisinho pairando nos lábios. gostava quando acatavam às recomendações, pois muitas vezes não tinha com quem discutir sobre os livros. na verdade, conhecia pouquíssimas pessoas que conseguissem acompanhar seu ritmo de leitura. ele espelhou a risada dela, imaginando que fosse um incômodo comum entre as mulheres. ❝ que infortúnio, my lady. sinto em informá-la que encontrará muito menos diversão aqui do que com seu livro. o conde de monte cristo é realmente um romance instigante. ❞ o homem avistou a rainha a alguns metros, então se posicionou ainda mais fora de alcance de sua visão. ❝ desculpe minha má educação, senhorita, esqueci de apresentar-me. eu sou capitão rowland reed, como se chamas? ❞
Definitivamente Louis o expulsaria de casa a paulada quando retornasse da festa. Os sapatos lindos, engraxados até conseguir ver o reflexo, cobertos de lama. As listras verdes discretas na casada pesada e elegante. E nem era o pior! O cheiro, antes suave pelo perfume preferido, tinha o aroma planta carregado por todo o canto. Estava em apuros, sim, mas sorria feito criança em véspera de aniversário com as flores colhidas nos braços. Cantarolando baixinho, saltitando de leve, e quase morrendo por notar guardas ao longe. Olhou para ambos os lados - as escadas estavam longe demais - olhei pelo caminho que tinha vindo - sem saída - voltou o olhar à frente. Salvação. Correu feito um condenado, pulando arbustos e parando bruscamente na sacada que dava para os jardins. ❛❛ ei, segura isso pra mim, por favor ❜❜ Levantou as regalias para o cavalheiro solitário, não esperando resposta ativa para atirar tudo em seus braços. Byron não tinha tempo nem de PENSAR se estava fazendo certo quando, rápido e fácil, se içou para cima e pulou a muretinha com habilidade. Batia as mãos na roupa quando o olhar arregalou quando encontrou o outro. ❛❛ o que está fazendo homem? solte isso! ❜❜ Escondeu a tempo de não ser pego pelos guardas, o sorriso forçado combinando com a desconfortável posição de se apoiar na mureta. ❛❛ então, esse baile hein. espetacular. já provou o conhaque? ❜❜
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embora conhecesse o lugar e tivesse uma postura decidida, a verdade é que rowland andava sem destino. ele se sentia perdido. não sabia quanto tempo passou entre os arbustos, focando apenas na sua respiração e o som do vento, mas eventualmente se encontrou outra vez perto de onde o baile acontecia. ele tinha que voltar para dentro. antes que pudesse se afastar da sacada, avistou um homem correndo. merde, pensou assim que o reconheceu. segurou as flores colhidas sem protesto. observou-o pular a mureta sem esboçar reação, mas quando ele tentou tirar as flores de sua mão, arqueou uma sobrancelha. rowland não deixou que byron escondesse as flores. o perfumista podia ser mais alto alguns centímetros, mas ele era mais forte. os guardas passaram com um olhar estranho, mas nenhum se atreveu a aproximar enquanto o capitão apenas os cumprimentou com um aceno da cabeça. ❝ eu não bebo conhaque, por acaso essas flores são para clarisse? ❞ muitas coisas podem se dizer sobre rowland, mas não que ele é dado a rodeios. tinha visto a amiga dançando com vários homens, mas o único que lhe incomodou foi byron. clary, jonathan ou até ele conseguiriam facilmente afastar qualquer pretendente que fosse desapropriado para a mulher. porém, pelo que tinha observado, ela até tinha alguma proximidade com aquele cara e isso o preocupava. byron swami não era adequado para clarisse, estava longe de sê-lo. então, seus lábios desenharam um sorrisinho. ❝ você realmente achou que alguém iria lhe prender por pegar algumas flores, swami? você é rude, mas com certeza não vale o escândalo de levar um barão para cadeia no primeiro baile da temporada. ❞

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por mais que tivesse muito a reclamar sobre a sociedade em que estava inserida, clarissa precisava admitir que, em parte, precisava reconhecer seus privilégios. afinal, poucas pessoas tinham uma rede de apoio como a dela, principalmente quando figuras masculinas a compunham. o pai sempre havia a encorajado a seguir seu próprio caminho, por mais que este divergisse completamente do que era o esperado de si. e rowland também, que estava há tanto tempo em sua vida que ela sequer recordava-se de momentos em que o reed não fosse parte dela, não demonstrava qualquer reprovação quando olhava para a figura de clary. no final, ela tinha sorte. “podemos até fazer algumas apostas! quantos pretendentes eu sou capaz de espantar em uma noite?” sugeriu, com um divertimento um pouco perverso na voz. o olhar sorriu novamente ao que o livro fora estendido a si, apanhando este e folheando algumas páginas, por mais que sua atenção continuasse focada no que o outro lhe dizia. “bem, isso só mostra que nem todas as damas tem bom gosto.” a réplica viera de um arquear rápido de sobrancelhas. no fundo, queria perguntar quem elas pensavam que eram para não darem atenção a rowland, mas parte de si suspeitava que o interesse dele também não fosse dos maiores em tudo aquilo. ele nunca demonstrou ser um grande entusiasta ao que tangia a temporada de casamentos, pelo o que ela se lembrava. outra risadinha fora expelida pela loira. “mais? os sete já não são suficiente?” ironizou, fechando o livro que tinha em mãos para voltar o olhar ao mais alto. “ok, rowie, eu vou te ajudar. me diga, o que você procura em uma dama?” perguntou. o que, em seguida, fez uma ideia surgir em sua mente. “na verdade… não é uma ideia tão ruim, você não acha? eu te ajudar a encontrar pretendentes em potencial, e em troca, você fazer o mesmo pra mim. claro, não é o cenário ideal, mas acho que, considerando que somos reféns disso de qualquer forma, pode ser uma forma perspicaz de tentar fugir de panacas. e eu me refiro aos dois gêneros de panacas aqui.”
enquanto ela folheava o livro, rowland examinou os homens no evento. muitas posturas arrogantes, alguns muito velhos, alguns muito tímidos. a astley teria muito trabalho em achar alguém de valor ali, sem sombra de dúvida espantaria a maioria, e que bem o fizesse. ele sabia que um nobre pedante e soberbo jamais a faria feliz, tampouco alguém que simplesmente não conseguisse lidar com sua inteligência ou aceitar seu jeito intempestuoso que tanto o divertia. clarissa era uma dessas pessoas que não apenas merecia o mundo, mas tinha total capacidade de ganhá-lo se a sociedade permitisse tal feito. ❝ ora, isso depende! nós vamos contar os que estão intimidados o suficiente para sequer pedir a honra de uma dança? ❞ indicou um trio de rapazes que estavam olhando desde o momento que clary havia começado a conversar com ele. ❝ de qualquer forma, há pelo menos uns duzentos homens em busca de uma bela dama para fazer-lhe companhia, então meu número é 25, com margem de erro de 15%. quantos você já aterrorizou até agora?❞
rowland achou ter ouvido um leve tom de indignação na voz dela, mas foram as palavras que o fizeram desviar o olhar. ❝ eu suspeito do contrário, senhorita ❞ nenhuma mulher em sã consciência lhe daria preferência enquanto havia tantos outros que estivessem dispostos a, no mínimo, chamá-las para dançar. se tirassem seus títulos e fortuna, ela era um dos piores partidos. quem desejaria um homem cheio de marcas e pesadelos? rowland ficou feliz quando ouviu a ironia, sem querer continuar no assunto de casamento. ❝ sabe como é, dickens vive atrás do shakespeare, jane e austen não se desgrudam, mary e byron vivem em pé de guerra, mas a agatha não se entrosa muito com nenhum deles. ela precisa de amigos também ❞ balançou a cabeça com um sorrisinho, como se explicação fizesse muito sentido para justificar o aumento populacional de gatos na sua casa ❝ já que você nunca mais foi visitá-la ❞ completou soando quase ofendido.
a pergunta o pegou de surpresa. rowland se limitou a guardar o livro no bolso, levando mais tempo que o necessário para voltar a encará-la. ❝ essa é a grande pergunta, não? o que os homens e mulheres solteiras desejam dos seus futuros companheiros? não me diga que é ajudante da rainha com aqueles formulários infernais ❞ clary era a única com quem seu nervosismo o fazia falar mais do que o normal invés de calar-se. inspira e expira, rowland. esperava que respirar fundo fosse o suficiente para fazer seu coração bater mais divagar e se deus quisesse, evitar que seu rosto ficasse quente. para sua infelicidade era quase impossível, visto o quão fácil sua pele avermelhava-se. ouviu a proposta com uma sobrancelha arqueada. com certeza não era ideal e ela provavelmente não conseguiria achar alguém para ele, mas... bom, não seria ruim poder ajudar a afastar alguns dos homens que não considerava ideais para a amiga. ❝ às vezes, my lady, seu cérebro me assusta, mas tudo bem, eu aceito desde que não envolva ter que dançar com ninguém. você sabe que estou enferrujado. ❞
Ao perceber que o outro nem mesmo estava prestando atenção a sua presença, Henry endireitou seu ombros para trás, sua postura estava desestruturada, sua tutora provavelmente diria que ele estava constrangido… Ela estaria correta, afinal. Não era segredo que o herdeiro detestava lugares com muitas pessoas, no entanto, por mais constrangedora que fosse a possível situação, sentiu-se bem por não precisar propriamente ter que responder algo desgostoso, ele apenas não sabia bem como responder qualquer pergunta. “Tudo bem.” Murmurou, agora observando o outro homem, poderia ser apenas um breve lapso seu, mas imaginava que já o tinha visto em algum período de sua vida. Observou por algum tempo as feições alheias, as vestes escuras e o livro que carregava em mãos - um livro excelente, em sua opinião. - o outro não parecia muito diferente de si, um aristocrata reservado que buscava matrimônio, então. Sabia bem que estavam indo no caminho oposto para qualquer conquista, talvez o outro soubesse também, também não seria Yamaguchi que diria, caso não soubesse. “Bom livro.” Comentou, maneando levemente a cabeça, uma porção mais relaxado ao pousar seus olhos naquele exemplar, afinal, seu deleite na vida talvez fosse apenas manter distância das pessoas e ler livros em silêncio, totalmente mudo, submerso nas emoções que em apenas uma boa obra literária lhe proporcionaria. Agora ele duvidava de suas palavras, talvez o outro fosse estratégico o suficiente com aquele exemplar, afinal, ninguém abordaria ou incomodaria um ávido leitor, mesmo que esse estivesse em um baile.
não fazia sentido prologar uma conversa que não era necessária nem requerida por ambas partes. rowland apenas assentiu antes de concentrar-se outra vez na leitura. caso fosse capaz de ficar tranquilo ao redor de pessoas, talvez não tivesse notado que o outro estava observando-o. ainda assim, preferiu fingir passar despercebido. ele veria apenas a verdade: um rapaz desinteressado nos deveres sociais exigidos em um baile. “estou perdido, estamos ambos irremediavelmente perdidos...” sim, dostoievsky, nisso podemos concordar. o ritmo da leitura foi interrompido pelo comentário, fazendo-o erguer a visão para encarar o homem. balançou a cabeça em concordância e um breve sorriso, ❝ russos ❞ rowland achou que era uma resposta suficiente, já que ele parecia de fato reconhecer o livro. por um segundo, esperou que o desconhecido falasse algo, uma vez que já o tinha interrompido, mas logo abaixou o olhar. poor folk era um romance que trazia sentimentos mistos para rowland. ele próprio nunca foi pobre, mas já tinha visto de perto as vidas de pessoas que não tinham o básico para comer durante a guerra. homens seus que tinham se alistado não por vocação ou dever com a coroa, mas para ajudar a família, que teria alguma ajuda mesmo após suas mortes, homens que achavam a comida do batalhão gostosa, já que em casa nada comiam. era uma realidade tão paralela a sua que a miséria do povo por vezes o chocava e parte de si se acanhava ainda mais de estar no meio de um baile tão suntuoso. aos poucos, era como se suas roupas estivesse pinicando. talvez fosse apenas impressão, já que o lugar estava cheio e quente.
era com muita facilidade que o reed conseguia arrancar risadas genuínas da loira, e como prova disso, mais uma fora liberada seguida das próximas colocações do amigo. “bem, é uma pena que meu marido vá perder a sanidade, então, porque a minha nação precisa de mim.” concluiu, com um semblante teatralmente orgulhoso, embora, no fundo, não fosse mesmo abrir mão de seus trejeitos em prol do casório. era um dos desafios que precisaria enfrentar, inclusive: achar alguém que não lhe desprezasse como mulher por ter prezado pela própria educação antes da vida pessoal e romântica. talvez fosse exigir demais, considerando os duros padrões estabelecidos naquela sociedade, mas clarissa era perseverante em seus princípios. ouvir o som da risada do mais velho fez com que a astley aumentasse alguns centímetros de seu próprio sorriso; só mesmo ele para achar graça de sua pouca classe. “para o pânico dos meus pretendentes, eu sei. mas estou tentando ser comportada hoje, sabe? preciso enganar um pobre coitado que só vai ver a fria em que está se metendo quando já for tarde demais.” dera de ombros, mantendo o tom divertido. este, juntamente com a própria expressão, murcharam um pouco com aquela próxima réplica. sabia que rowland devia estar desconfiado daquilo tudo, considerando o quão bem conhecia os astley, e por mais que quisesse conversar com alguém sobre a decisão de casar-se após uma vida inteira repudiando a tradição, clarissa ainda não estava preparada para abrir-se sobre a promessa que fizera a mãe. “é… ele não faria isso. mas chega de falar de mim! e quanto a você, romeu?” o nome do personagem de um dos maiores romances já escritos escapara em mais uma pequena provocação, ao que o sorriso voltava a habitar os lábios da menor. “alguma bela dama já chamou sua atenção essa noite? é melhor deixá-la avisada que é preciso passar pela minha aprovação, antes de chegar até o altar com você.”
rowland era dez anos mais velho para clarissa, isso significava que tinha a visto crescer e se tornar a mulher que era. no fundo, sentia orgulho e uma pequena porção de inveja dela ter ido para faculdade. clary tinha cursado direito por escolha própria, enfrentado uma sociedade que gritava ser inapropriado fazer tal coisa e com certeza era mais corajosa que muitos homens que ele tinha conhecido. era impossível não admirá-la, mesmo que poucas vezes tecesse elogios a garota. ❝ se eu fosse outro, alertaria os inocentes que vão tentar conquistar sua mão, mas vê-los descobrindo por conta própria será mais engraçado ❞ seu sorriso se tornou uma pequena careta, mordendo a bochecha, com a reação de clary. tinha algo que ela estava escondendo, mas sabia que pressioná-la nunca era a melhor opção. iria esperar o momento que ela quisesse compartilhar qualquer que fosse a questão que tinha mudado seus planos sobre casamento. assim, decidiu apenas revirar os olhos com a provocação. de romeu, rowland não tinha um fio de cabelo, exceto talvez a tragédia. ❝ bem, até agora, eu li metade desse livro ❞ estendeu-o para ela ❝ quanto à damas, não se preocupe, conversei com poucas e elas não ficaram impressionadas com a minha beleza ❞ ironizou. o capitão não se achava bonito, muito pelo contrário, sabia que tinha traços comuns e que suas cicatrizes não eram atraentes. ❝ inclusive, o plano de morrer sozinho está em andamento, a menos que eu ache mais alguns gatos para adotar ❞
thisbcdy:
A essa altura do campeonato, um mero melão com presunto não daria cabo das suas necessidades, mas, infelizmente, nem isso ela podia se dar ao luxo de comer. As linhas de seus vestidos pareciam se esforçar para manter as pregas de seu vestido juntas, o espartilho estava mais amarrado do que uma encomenda no cais e ela sentia a cabeça rodar um pouco, pela falta de oxigênio que chegava a sua cabeça. Parecia ser o tipo de tarefa que apenas uma charlote de morango poderia resolver, mas bem…. Isso também não era uma possibilidade. A loira riu baixinho da reação do homem ao experimentar a fruta com o presunto. — Não é dado a comidas agridoces ou é o melão que não está do seu agrado? — Perguntou curiosa, quando ao baixar os olhos azuis reparou no título do livro que o homem carregava. — A divina comédia? — Perguntou, interessada. — Eu perguntaria se o baile está tão desanimado assim para que o senhor procure diversão nos livros, mas os nove círculos do inferno parecem bastante apropriados pra ocasião. Está gostando da leitura?
rowland ficou um pouco embaraçado com a risada da moça. se sua mãe estivesse viva, com certeza repreenderia seus modos: era falta de educação transparecer que não gostou de uma comida. tarde demais. ❝ honestamente, eu não gosto de presunto ❞ murmurou apenas pra ela ouvir. olhou para capa confuso, mas observando melhor, de fato parecia com divina comédia. ❝ na verdade, poor folk, dostoevsky ❞ corrigiu a jovem. ao menos, ela conhecia alguma literatura. a divina comédia era um ótimo livro. ❝ muitos estão achando o baile animado, senhorita ❞ indicou a pista de dança repleta de casais dançando ❝ não tenho do que reclamar ❞ acrescentou por educação, caso mais alguém estivesse ouvindo ❝ sim, senhorita, é um romance muito bem escrito. ❞
clarwssa·:
o sorriso da mais nova do astley abriu-se mais alguns perceptíveis centímetros ao que olhou para baixo e o olhar identificou ser rowland aquele a sua frente. tirando os membros da própria família, ele era um dos únicos que tinham a total confiança de clarissa - talvez porque, de certa forma, ambas as famílias sempre tiveram uma conexão muito forte. por isso, diante do próximo comentário dele, uma risada baixa escapou dos lábios da loira, por saber que aquele comentário era muito mais bem humorado do que um julgamento real. “nem me fale. será que debutar foi sinônimo de perder completamente a minha originalidade?” as sobrancelhas se arquearam e o cenho se vincou, por mais que a voz carregasse um humor escondido. os olhos da loira praticamente brilharam abaixo daquela proposta, ao que ela assentia vigorosamente. “isso seria perfeito, rowland! e sim, o meu pai está! ele está… ah, deve estar conversando com algum outro panaca que quer chegar até mim.” arregalou levemente os olhos ao notar o próprio linguajar, e preocupou-se em corrigir-se rapidamente: “cavalheiro. algum outro cavalheiro que queira dançar, eu quis dizer.” murmurou, torcendo para que nenhum par de ouvidos curiosos tivesse a escutado falando aquilo. “céus, você não sabe como é torturante ser uma dama.”
❝ para a boa sanidade do seu futuro marido, espero que sim ❞ clarissa era uma das únicas pessoas que ele se permitia brincar. era um alívio ter alguém com quem pudesse ser mais como o rowland antigo, normal e às vezes até engraçadinho. ❝ para o bem da nação, acho que a clarissa original é a melhor opção. quem mais vai defender os pobres e injustiçados? ❞ aquela era uma amizade leve, embora fossem tão diferentes de personalidade. se conheciam tanto que era surpreendente e até estranho vê-la daquela forma, não apenas arrumada como uma dama e sim a procura de um marido. por essa linha de raciocínio, também era bizarro que tivesse na mesma posição, mesmo que no fundo não tivesse pretensão de casar por outro motivo senão amor. talvez tivesse uma visão idealizada da questão, mas qual era a outra opção? claro que eventualmente ela, como todas as mulheres, se casaria, era rowie que não estava acostumado com a ideia. ❝ panaca? ❞ seu sorriso virou uma risada alta (para os padrões dele). assim como ela, deu uma olhada em volta antes de falar no mesmo tom baixo dela ❝ achei que damas como você soubesse xingar melhor ❞ rowland suspirou com o breve desabafo. com certeza ele não era o único nem o que mais sofria com as pressões da sociedade. parte dele até sentia pena pela obrigação do casamento imposta às mulheres, afinal nem todas tinham a sorte de um matrimônio por escolha, por sentimento. ❝ deve ser horrível, clary. mas, hm, você não está sendo obrigada, jonathan não parece ser o tipo de pai que entregaria a filha para qualquer um. ❞

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Depois de várias insistências, não apenas de sua mãe, que tinha insistido em o acompanhar no baile, mas também de várias outras, o visconde já tinha tido uma boa quantidade de danças com várias moças. Não era o melhor dançarino, isso tinha ficado óbvio, e na verdade, apenas tinha aceite as danças para deixar de ouvir os resmungos da mãe lhe dizendo que não se estava esforçando. Com ela distraída em conversas, Madison se esgueirou para o exterior do palácio, acabando num dos jardins do mesmo. Precisava de um pouco de ar, e ali era o local ideal, o som era abafado e o ar fresco acalmava o calor que sentia. Pensava estar sozinho quando avisou o semblante de muse. “Hey, está aqui sozinhx?” Perguntou curioso.
rowland monitorava o ponteiro do seu relógio cada vez com mais frequência, duas horas tinham passado desde que chegou no evento. ❝ sinto muito, senhorita ❞ respondeu baixo, sem olhar nos olhos da moça e desviou seu caminho para a área externa. a guerra causa muitos efeitos colaterais aqueles que a vivem em primeira mão. o capitão não tinha como evitar se sentir extremamente pressionado ao redor de tantas pessoas e suas expectativas. o palácio era um lugar amplo e requintado, porém barulhento e tumultuoso. no jardim, então, notou o livro tremendo em suas mãos. droga, o guardou no bolso com uma careta. passou a costa da mão para enxugar as gotas de suor brilhando na testa. inspira e expira, rowland. o homem escutou a aproximação muito antes de ouvir as palavras alheias. ❝ hm, hey ❞ no momento que virou para o rapaz, sua visão ficou levemente irritada, aparecendo pontos de luz que não existiam. já estava acostumado com isso, só podia agradecer que até agora estava aguentando bem. ❝ not anymore, mate ❞
margwret:
margaret não estava exatamente em posição de realmente reclamar que outros estivessem em um mesmo local que ela, considerando que nem de sua família o local era. portanto, desde que o outro não causasse nenhum tipo de incômodo ou perturbação de sua paz, não poderia fazê-lo ir embora. “está tudo bem, imagino que não seja a única querendo um pouco de paz.” dar-se alguns minutos sem conversas atazanando sua volta provavelmente era uma benção para os que não estavam tão interessados assim na noite. e imaginava que este fosse o caso dele, caso contrário não estaria ali. acabou notando o livro que ele segurava e, por um momento, seu olhar brilhou. “se importa se eu perguntar que livro é esse? não consegui reconhecer a capa.” a howard não era exatamente conhecida por conter sua curiosidade, de toda forma, e estava bem longe de ser a pessoa a fazê-lo quando o assunto envolvia livros. “adoraria estar com um, tive de deixar o meu na carruagem. não seria nada prático carregá-lo por um salão de baile ou dançar com ele.”
rowland assentiu. não imaginava como encontraria paz enquanto estivesse no evento. antes mesmo de chegar no baile, o capitão já estava contando as horas para que pudesse sair à francesa. não tão cedo que pudesse ofender a rainha e definitivamente não mais tarde que o horário estimado. voltou a focar nas palavras, mas leu apenas um pequeno parágrafo antes de ouvir novamente a moça. ❝ poor folk, dostoiévski. não é um livro muito comum, senhorita ❞ continuava com a página aberta, seu dedo levemente indicando onde havia parado, mas não voltou a ler. ❝ foi lançado há pouco tempo, hm, é um romance russo ❞ se fosse sincero, rowland conhecia poucas moças, e menos ainda que compartilhasse o interesse por literatura. por tal motivo, e por ter dado sua palavra que tentaria ser o máximo de simpático que conseguisse, ele abriu um pequeno sorriso. ❝ já ouvi dizer que a melhor vantagem de ser homem é ter bolsos largos o suficiente para guardar coisas, talvez a senhorita concorde com a afirmação ❞
A mesa de quitutes frios estava disposta em um canto arejado do salão. A maioria das pessoas perto das comidas eram os homens, já que a maioria das meninas, como ela, estava amarrada o suficiente em seus espartilhos para que, com sorte, apenas o ar entrasse em seus corpos. Nada mais e nada menos. Ouviu seu nome, ou imaginou que sim, e o corpo todo enrijeceu. — Eu não estava comendo! — A justificativa saltou tudo junto, nada prolixo de sua parte — Juro, eu só estava olhando! Mas o presunto enrolado no melão parece apetitoso. Vai experimentar?
estava quase terminando seu livro quando a fome começou a desviar sua atenção. aproximou-se da mesa de frios, se mantendo longe de um pequeno aglomerado de rapazes de 20 anos falando coisas que não entendia e tampouco desejava descobrir. eram tantos quitutes refinados que rowland quase teve saudade da sopa de rose. não era muito dado a extravagâncias ou combinações que eram no mínimo estranhas, embora não quisesse voltar a época da comida de batalhão. a reação da moça poucos metros a sua frente o deixou alerta. estava tão absorto nos próprios pensamentos que sequer tinha notado sua existência. seus músculos se tencionaram com o sobressalto, levando alguns segundos para que pelo menos seus dedos relaxassem e saíssem do punho cerrado. esperava que a jovem não tivesse percebido seu comportamento, e disfarçou provando o quitute que ela citou. rowland não pode evitar uma leve careta se formar ao mastigar o melão com presunto. ❝ infelizmente não sou refinado o suficiente para apreciar essa... err, iguaria. talvez a senhorita possa experimentar e ter as próprias conclusões. ❞ levou a taça aos lábios para tentar tirar o gosto do petisco com o sabor forte do vinho.
por mais que estivesse fazendo o seu melhor para entrar no clima para aquela noite, clarissa não achava que em algum momento fosse sentir-se realmente à vontade ali. mantinha-se nas laterais, fazendo o possível para passar despercebida, e por mais que embarcasse nas conversas dos cavalheiros que se aproximavam, logo pegava-se distraída. o olhar se guiava para os cantos mais remotos, e naquele momento, enquanto dava passos pequenos pelas extremidades do salão, sua cabeça estava inteiramente pendida para trás ao que sua atenção pregava-se no teto, enquanto ela admirava a estrutura do lugar e tentava imaginar como seriam os outros cômodos do palácio. havia pegado tal costume por conta de seu pai, depois de todos os anos sendo criada por um engenheiro. imersa em sua própria mente, um pensamento lhe escapou em voz alta: “a biblioteca da rainha deve ser incrível…” murmurou, só então notando que não havia apenas pensado naquilo, mas também o proferido em voz alta. despregou o olhar da estrutura do cômodo, para averiguar se a pessoa próxima a si havia lhe escutado. “você não acha?”
entre tantos convidados, se rowland conhecesse vinte pessoas, era muito. dessas vinte, 60% eram militares. o restante, era a família real e dois únicos amigos. portanto, identificar clarissa no meio de tantos desconhecidos era quase um alívio. reed e astley se tornaram famílias próximas pela amizade inquebrável entre jannet e amélia. elas passaram por todos os momentos juntas: o debute, o casamento e o nascimento de seus filhos. jannet tivera apenas um filho, talvez por isso adorasse tanto ser madrinha da primogênita da amiga, além de bastante presente na vida das outras duas também. o homem chegou perto bem no momento que ela divagou sobre a biblioteca, o comentário era tão típico dela. ❝ posso garantir que é, senhorita ❞ um genuíno sorriso apareceu nos lábios dele pela primeira vez aquela noite. ❝ quase não a reconheci tão... hm, parecida com suas irmãs. ❞ rowland conhecia as garotas astley desde que se entendia por gente, e clary de longe era sua favorita. eles eram bastante diferentes, mas o amor pelos livros os uniu desde jovens. ❝ jonathan está aqui? se quiser, posso mostrar a biblioteca para vocês quando a rainha tiver bebido mais algumas taças. ele gostaria da arquitetura do lugar, embora não duvido que ache alguma viga fora de lugar. ❞
❛ os olhos azuis de charlotte observavam a orquestra dar início a uma melodia com certa animação. era seu primeiro baile como uma debutante e, bem, a fim da verdade, ela estava completamente nervosa - o fato de o salão estar lotado também não ajudava em nada. “ah, decidiram começar por uma música animada.” sorriu, falando educadamente para a pessoa que se aproximou e observando os pares, timidamente, fazendo seu caminho até o salão para dançarem. “você dança?”
rowland não se surpreendeu quando a jovem falou. ele ainda estava tentando não parecer rude na frente da rainha, então permanecia com apenas a taça na mão e a neutralidade cravada na face. infelizmente, isso significava uma abertura, mesmo que pequena, para que viessem conversar com ele. observou o olhar da moça com pesar, aquele não era um comentário qualquer. quando a pergunta veio, ele tentou disfarçar uma careta bebericando do vinho. ❝ infelizmente, não. ❞ deixou o olhar divagar pela multidão, sem focar em nada. rowland era um bom dançarino, mas a última vez que tinha dançado, fora com sua mãe, semanas antes de seu falecimento. desde então, nunca precisou ou teve vontade de fazê-lo. ❝ a senhorita pode encontrar pares muito adequados perdidos pelo salão, caso deseje se aventurar. ❞ seus lábios se curvaram em um sorriso educado.

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Não precisava ser um discípulo de Aristóteles para dizer que a frase dita pelo mesmo estava correta, sendo o senhor da própria vontade, obviamente ainda seria o mesmo escravo da própria consciência, Henry poderia se esquivar da culpa de não estar ali por “sua vontade”, afinal eram pelas cartas de sua mãe, não era? Mas ao mesmo tempo, ninguém tivera lhe tomado a mão e lhe carregado para aquele salão enfeitado e abarrotado de pessoas, sua própria mãe estava morta, por sinal. Então, Henry, não fuja das consequências de seus atos, mesmo que estar ali fosse a aventura mais horrível e pavorosa que tivesse experienciado em anos. O rapaz sequer tivera ido a qualquer baile ao longo de sua vida, situações que exigissem esforço em suas cordas vocais ou invasões em seu espaço pessoal nunca tiveram sido sua escolha favorita. Em meio a pensamentos arrependidos, não percebeu a aproximação alheia, fazendo-o se martirizar mais uma vez por descuido de seus sentidos, afinal, antes dali ele ainda era um lutador experiente. “Oh… Perdão?” Mais uma vez ele tivera se perdido em seus pensamentos, mas pelo menos dessa vez seus olhos se ergueram para fitar a pessoa que tivera dito algo. “Estava um pouco disperso, pode repetir, por favor?” Torceu os lábios suavemente, um hábito, segurando a taça com um bebida intocada de qualquer sabor que lhe fora entregue minutos antes.
durante o tempo em que voltou da guerra, rowland tinha desenvolvido a habilidade de desviar das pessoas sem realmente olhar para elas. era assim que se movia, quase graciosamente, pelas bordas do grandioso salão. às vezes, dava uma leve espiada acima do livro que carregava para saber se não iria por ventura acabar no meio de muitas moças juntas, assim parando alguns metros antes para reconsiderar sua rota. por consequência, findou estagnado num canto por alguns minutos. sentiu um homem chegar e permanecer alguns centímetros de distância, mas ignorou na esperança que também fosse deixado de lado. seus olhos percorreram pelo menos cinco páginas antes que o convidado falasse algo. levantou a cabeça para encará-lo e, como esperado, não reconhecê-lo. ❝ hm, eu não falei nada ❞ notou o copo cheio do homem, sua postura e também suas roupas. era nobre e estava tão deslocado quando ele próprio. esse pensamento de certa forma o confortava: não era o único contando os minutos para se ver longe do baile. ao menos ele tinha o refúgio das palavras de um autor russo, para as quais logo voltou sua atenção.
conhecendo-se bem o suficiente para saber que acabaria deixando seu desgosto por algum pretendente particularmente estúpido - o que constava que a maioria era - caso continuasse no salão, seguindo o que seus pais diziam e sendo apresentada a todos que se era possível achar, nem sequer hesitou antes de agarrar a primeira oportunidade que surgiu e sumir para um canto do salão em que acreditava que ficaria disfarçada. afinal, estaria realmente em um tipo de ilusão caso realmente acreditasse que estava escondida. e tal pensamento mostrou-se ainda mais correto quando notou a aproximação de uma pessoa não-identificada. com os pensamentos focados em torcer para não ser seu irmão, quis deixar seu aviso de antemão - só depois iria parar e ver quem era. “se também estiver procurando algum lugar para ficar escondido, já aviso que esse é meu.”
a cada segundo que passava naquele lugar, uma parte diferente de sua alma se sentia sufocada. havia mais pessoas que ele podia contar, provavelmente mais até do que ele tinha conversado nos últimos dois anos, conversando e dançado. o que rowland estava fazendo? procurando um lugar fora da visão da rainha que com certeza o repreenderia por estar lendo durante o evento. quando enfim encontrou um recuo, não pensou duas vezes antes de se direcionar ao local. logo tirou o livro do bolso e abriu na página 34, pensando que teria sorte se conseguisse ler mais dez antes que alguma mama e sua filha o interrompesse. Literature is a sort of picture — sua leitura silenciosa parou no momento que ouviu uma voz feminina. rowland cogitou por um breve momento ignorar, uma vez que ela não parecia interessada em companhia, mas por fim, suspirou e levantou o olhar para a moça. ele não tinha notado sua presença do outro lado do recuo.❝ se for do seu agrado, eu posso procurar outro lugar❞ desencostou da parede e ajeitou a postura na intenção de sair, mas a visão da rainha poucos metros adiante o fez parar. ❝ ou a senhorita pode ignorar minha presença e eu respeitosamente farei o mesmo❞