“Perderíamos todo o drama!” Argumentou em um tom zombeteiro e que se Lucius pensasse bem não combinava com seu temperamento anterior já que ele não apreciara nenhum pouco a suposta fuga de Aster, no fim, todas aquelas artimanhas era para não assumir seu pensamento pomposo, ela certamente iria rir de sua cara se o admitisse ou no pior das hipóteses poderia ser ressentir, entre a dúvida cruel, optou por se ajustar a condição mais agradável. Por Deus, ela sabia exatamente o que dizer e melhor, como dizer, varrendo assim qualquer frustração que já existira no coração do vulnerável príncipe, deixando um rastro encantador de alívio e paixão. Ele então sorrira, de orelha a orelha, sua derme aquecendo em expectativa e seu coração palpitando alegremente. “E eu sou seu, sabe disso, não é?” Disse com uma entoação emotiva e intrusa, pois o homem não planejava se doar tanto quanto o fez. Soube, de repente, que correria atrás dela se fosse o necessário e seu orgulho bobo de outrora seria apenas uma lembrança distante e desconexa. Não era muito bonito admitir que seguiria o encalço da senhorita Parkinson como um cão adestrado e carinhoso, porém se aproximava muito da verdade. “Ora, essa, acha que sou esse tipo de homem?” Resmungou, ligeiramente ofendido com a questão. Ele sempre interpretou esse comportamento como desrespeitoso, se as mulheres deveriam se guardar, por que não os homens? Apesar de descobrir recentemente as indicações médicas, Lucius se viu pouco inclinado a segui-las, especialmente porque só desejava estar com uma mulher em particular, uma que fazia seu coração tamborilar e seu corpo se erguer num piscar de olhos. Nenhuma meretriz poderia lhe causar tamanha reação. Seu maxilar trincou com a sentença cantarolada, uma tensão primitiva assolando seus músculos e despertando pensamentos nada amigáveis, costumava ser fácil distribuir conselhos, mas é o que dizem, se eles fossem tão bons não seriam dados e sim cobrados. No entanto, sabia que a provocação de Aster não era tão nociva assim, o que quase o deixou envergonhado quando retornou ao normal, ela queria vê-lo livre, pois acreditava nisso, nessa liberdade desapegada. Então um suspiro serviu de resposta, ele estava tentando ser diferente, porém havia uma dificuldade paralisante em se livrar de todas as amarras. Uma de cada vez, era o ideal, era o que fazia dia após dia. “Eu amo você.” Sussurrou de volta, energizado com o efeito daquelas sílabas, com o sentimento que antes parecia transbordar e tivera sido reconfortado, ajustado a um ponto onde se tornava suportável até que tivesse que falar novamente que a amava, Strelitz supôs que esse intervalo seria o suficiente para que ele não se declarasse o tempo todo; a cada misero minuto e segundo. Ele sorriu como o bobo que era quando o assunto se revelou ser a mulher que se balançava em seus braços, devaneando sobre uma história que o príncipe não detinha nenhum interesse, exceto se fosse ela que o falasse. Tudo nos lábios de Aster parecia tão digno de sua atenção e interesse. “Compreendo.” Murmurou, entendendo que ambas opções a agradavam – ufa! “Este seria um motivo grave.” Se defendeu, franzindo as sobrancelhas ao declarar supostamente o óbvio. “Gravíssimo. Não foi a senhorita que me sugeriu abraçar a insanidade? Pois cá estou, lhe dizendo do que seria capaz nesses termos.” Explicou, sentindo que poderia fazer algo do gênero, o pensamento não o assombrou, apenas lhe serviu um gosto amargo a boca, resolveu não dar margens para seus devaneios, do contrário estes poderiam consumi-lo. Estava apenas pensando em excesso, em coisas que não deveria, para ser mais exato. Ele riu antes de ficar sério. “Não sou um bom ator, meu amor.” Deu de ombros, desdenhando aquele assunto, pois decidira não se aprofundar em sua linha mais insana, porém não se preocupou em esclarecer as ambiguidades que ali haviam. Lucius se inclinou para pousar um beijo sobre os lábios de Aster no intuito de cessar sua tagarelice ou de faze-la se esquecer o que dizia, nem se deu ao trabalho de responde-la também, apenas ficou ali pressionando sua boca contra a dela, inclusive fechara os olhos muito disposto a vence-la com o gesto. Quando se afastou, se arrependeu de tê-lo feito, a conversa tomara um rumo desconfortável, Lucius não queria conversar sobre sua mãe e as coisas ruins que havia dentro de si, queria desfrutar daquele sentimento leve e agradável que Aster lhe proporcionava. Embora soubesse que a comunicação entre eles fosse primordial, o príncipe quase se esquivara. “Porque… Eu… Preciso agradar, é uma forma de me sentir validado, não acho que a senhorita entenderia, mas… Em resumo, acredito ser isso. Desde que me conheço, sou assim.” Hesitou em pronunciar seu parecer, uma vergonha iminente assombrando-o, apesar dos pesares, não sentiu que Aster o julgaria. Porém suas bochechas queimavam e seus olhos claros procuraram outro ponto para se fixarem. “Eu não sei. Não faço ideia de onde encontra-la, ou como encontra-la. Eu… Só não sei.” Exclamou, jogando os ombros para cima e depois descendo-os bruscamente. Aquelas perguntas estavam exercendo uma pressão sufocante no monarca. “Não sei se a felicidade existe, quer dizer, eu a sinto quando estou com você.” Segredou, as palavras finais não sendo mais do que um sussurro fragilizado. E lá estava ele, acreditando que encontraria as coisas facilmente. Balançou a cabeça negativamente, reorganizando seus pensamentos, não queria que a dama se sentisse responsável ou denotasse alguma dependência. “E quando faço algumas coisas, mas de modo geral, não me sinto feliz o tempo todo, acho que isso não é possível.” Uma agitação o fez solta-la, não que Strelitz não a quisesse perto, ele só precisava andar na esperança que isso o fizesse pensar melhor, então o fez, zanzou de um lado para o outro, seus pés só se acalmaram quando ele a ouviu e enxergou a vulnerabilidade de Aster. Como alguém poderia deixar de ama-la? Ele a olhou confuso, não sabia se Amélia o amava, isso nunca fora propriamente uma questão, mas agora que a pauta surgira… Não, ele não queria pensar em si, queria compreender sua amada, ele se reaproximou, envolvendo-a com seus braços como se eles pudessem oferecer algum conforto. “Oh, meu bem.” Exclamou, sentindo uma emoção estranha e igualmente familiar. Seria empatia? Achou que sim. Gostaria de lhe dizer algumas palavras, mas decidiu não interromper sua narrativa, pareceu deveras inapropriado, então a escutou, memorizando as palavras e a expressão da jovem, na tentativa de decifrar suas emoções. Se existisse a opção de livra-la dessas sensações negativas, Lucius o faria, sem hesitar. “Esse plano, é a sua cara.” Se viu dizendo, um sorriso de canto surgindo em seus lábios, até que ele se lembrou das outras partes, que eram mais importantes. “Ela só está decepcionada por você não alcançar as expectativas dela, ser alguém diferente do que ela está acostumada a ser e ver por aí. Mas duvido que ela não a ame, não há a possibilidade de isso acontecer, Aster. Só de ouvi-la eu a amo mais do que antes e acima disso tudo, a admiro, você é corajosa e inspiradora.” Disse, pousando suas mãos no rosto feminino e assegurando que seus olhares estavam devidamente nivelados. “Isso deve assustar sua mãe e as pessoas se portam de maneira estranha quando estão assustadas. Deve temer por você, por ser supostamente diferente, seria mais fácil se aceitasse toda essa baboseira, só que o seu propósito é outro, e eu acredito que seus anseios serão saciados. Acredito em você.” Não sabia se sua opinião era tão grandiosa ao ponto de conforta-la, gostaria que sim, no entanto, sabia que mães poderiam ser um assunto complicado e que demandava tempo para elabora-lo, contudo, sentiu que deveria dizer tais coisas. “Mas a senhorita é meu par, então devo atribuir algum protagonismo a ti.” Sussurrou, ciente de onde ela gostaria de chegar, sabia que tinha que tomar partido de sua vida e segui-la como gostaria, entretanto, isso não o impedia de gracejar. “Não fizemos nada de errado. Quer dizer, nada que nos comprometesse, bom, que comprometesse sua virgindade.” Explicou com o devido cuidado, em tom baixo, repetindo o gesto feminino em olhar para os lados, certificando-se que ninguém além deles pudesse ouvi-los. “Se lembra de quando a toquei lá? No ponto em que…” Franziu o cenho esperando que ela pegasse a referência sem que ele precisasse pronuncia-la. “A senhorita gostou, então. Eu vou me encaixar ali quando… Nos casarmos, como só nos… Esfregamos, tá tudo bem.” Disse rapidamente, afinal, a vergonha lhe apertava a garganta. Deixaria com que o médico falasse com Aster se fosse possível, seria mais fácil e ele não se sentiria tão constrangido. “Eu quero ter tudo com a senhorita.” Respondeu de imediato, estreitando os olhos logo em seguida. “Não quer ter filhos comigo?” Repetiu a indagação, um pouco apreensivo com a resposta que viria. Os ombros de Lucius se encolheram com a questão, ele não saberia responder aquilo. “Eu não sei, quer que eu pergunte a alguma… Mulher?” Sussurrou, pensando em falar com alguma meretriz, porém achou que Aster não gostaria muito desse encontro. “Ok, não vamos nos preocupar antes da hora.” Concordou, assentindo por um tempo. Ele rolou os olhos com a provocação. “E a senhorita é temperamental.” A acusação surgiu como defesa, entretanto, Lucius não enxergava aquilo como um problema digno de reclamação, fora apenas um retorquir igualmente petulante. O movimento seguinte despertou uma sensação familiar e aprazível, ele apreciava aquelas transições de humor, entre uma provocação e um toque abrupto, o príncipe se inclinou de modo que seus lábios pudessem se tocar. Lucius amava a tagarelice alheia, especialmente naquele tom hesitante e baixo, potencializava sua excitação. Queria que ela soubesse o efeito que causava em si, por isso se pressionou contra o corpo dela, procurando algum nível de fricção. “Pois a senhorita tem minha autorização caso queira me deixar descomposto também.” Sussurrou. Uma exclamação surgiu e morreu em seus lábios com o ato de Aster, ele riu maliciosamente quando a sentiu e fechou os olhos involuntariamente, só os abrindo quando decidiu deslizar o restante do vestido para baixo. “Também tens um gosto muito bom. Seus lábios, sua pele, seu ponto…” Seria estranho dizer que sentiu água na boca só de pensar em toca-la incisivamente? Um novo riso surgiu, tão breve e malicioso quanto o último. “Eu poderia ajuda-la, uh? Se a senhorita me pedir direitinho, faço qualquer coisa.”
aster franziu ligeiramente o cenho com a resposta alheia, soltando uma risada sem qualquer humor. "não achei que membros da realeza fizessem o estilo de quem gostava de drama, lucius." resmungou, quase revirando suas orbes. escândalos? oh, não, sequer existia essa possibilidade, não era essa a história? aster pelo menos achava que sim. "às vezes... às vezes eu sei, lucius... olhe para o jornal." a fala feminina veio carregada com dor, afinal, por mais que soubesse que ele era seu, uma mísera parte de seu coração ainda se encontrava dolorida com a possibilidade de estar enganada, não deveria esquecer que era por causa daquilo que ela estava furiosa, talvez até decepcionada consigo, por nunca se deixar confiar totalmente em qualquer outro além de si, mas essa vinha a partir da expectativa que a própria tivera criado, e também não seria naquele momento que a própria entraria naquele dilema. aster mais uma vez quase revirou os olhos com o comentário masculino, não era como se seu julgamento valesse de algo naquele momento, não era? "oras, lucius, você é um homem, portanto pode ter sido fisgado por uma meretriz." ela comentou como se fosse algo óbvio diante daquele resmungo. no entanto, ninguém deveria ser bobo, aster nunca pensaria que ele fosse o tal tipo de homem, apenas falara pelo calor do momento, até porque sabia do que lucius tivera feito em momentos... íntimos. aster estava feliz por ele ser diferente da maioria, seus irmãos incluídos no grande grupo, odiaria escutar do único homem que já esteve interessada e que já fizera... coisas, comparações femininas entre as diversas parceiras, mesmo que tais comparações fossem mentalmente. o coração de aster batia em evidência, nada ao seu redor pareceu audível, quiçá visualizava algo em sua periferia, lucius era tudo o que ela conseguia ver, ele também era tudo com que seu sorriso sentia vontade em se alargar até que suas bochechas doessem, sua pele estava tão aquecida quanto seu coração, seus olhos marejaram tamanha emoção, afinal, ela era amada por alguém, ou melhor, por ele. o jornal pareceu um assunto tão pequeno e desconexo, quase se sentiu envergonhada por ter ficado tão furiosa por tamanha bobagem, ele a amava. aster fungou suavemente, rindo por qualquer intenção que a fizesse chorar, apenas eram muitas emoções conflitantes, primeiro o nome de outra garota fora dito, em seguida ele tivera falado que a amava, felizmente se caso viesse a derramar alguma lágrima, agora seriam de felicidade. "eu poderia ouvir vossa alteza dizendo isso muitas vezes." ela sussurrou borbulhando em sua própria felicidade, baixando os olhos para as próprias mãos, já estava se apresentando como uma tola apaixonada, não poderia ter sua desgraça concluída com tanto sucesso, ainda deveria existir aquela aster sem sentimentos em seu interior. no entanto, aster retornou sua atenção para o príncipe, recordando-se sobre uma determinada frase enquanto estavam na carruagem. "disse que me amava na carruagem... você realmente me amava ali?" aster hoje tinha certeza que o amava há muito tempo, nenhuma conexão como aquela poderia ser de agora, mas nessa vida, já o fazia desde o baile, e no dia da carruagem, apenas preferiu se manter calada, pois sabia como as pessoas poderiam se afetar diante de situações de desejo e poderiam falar coisas com insensatez. entretanto, voltando ainda ao primeiro dia, ela após ter sido julgada muitas vezes em uma única noite festiva, nunca esperou quando o desconhecido mascarado e com intensos olhos azuis apenas a tratou com normalidade, quase com uma curiosidade reclusa após sua confissão... estranha, e ali estavam agora. um sorriso sorrateiro se formou no rosto da morena com a compreensão alheia. "mas confesso que estava me acostumando ao meu bebê." deu de ombros, era a verdade, por mais que ela também o amasse com pelos, sem eles, lucius aparentava maior jovialidade, até mesmo seria mais fácil se libertar assim e bem, ela gostara da experiência sem pelos, quiçá tivera o beijado como agora aparentava. ela franziu o cenho com a confissão do príncipe, o quê? "não foi esse tipo de insanidade que sugeri." ela pontuou, um tanto atônita. "não esperava uma insanidade bárbara, apenas uma que o faça... feliz, um insanidade socialmente aceitável." aster levou apenas dois segundo para voltar atrás com suas palavras. "bem, espero que não fique feliz com sangue ou pescoços quebrados." sinalizou, agora com o nariz completamente contraído, lucius precisava mesmo arrumar outros interesses, sabia que ele dizia a verdade, apenas não precisava arrumar um motivo gravíssimo. "o que seria mesmo um motivo gravíssimo?" perguntou com certa dúvida, antes de mudar drasticamente o assunto. antes que a moça começasse a voltar a falar sobre lucius ser ou não um bom ator, ou sequer voltar ao assunto da possível chacina, sentiu os lábios alheios contra os seus, na verdade, sentiu apenas a boca contra a sua, como um ato para lhe calar? ela poderia ter ficado furiosa por ter sido calada, mas um sorriso se formou mediante ao beijo, tivera sido uma boa tática. com uma das mãos, estendeu-a para que tocasse o rosto alheio com a ponta dos dedos, tateando a sensação da nova barba contra seus dígitos. não era ruim. antes que o mesmo se afastasse, aster mordiscou o lábio masculino com seus dentes, divertindo-se por ter gostado da textura contra seus dedos. "acho que gostei dos... pelos." murmurou, precisando pigarrar para que retornasse com seus pensamentos prudentes. os olhos de aster se tornaram suaves ao ver as microexpressões no rosto do príncipe, automaticamente, seus braços foram para o lado do próprio corpo, quase se arrependeu, pois sentiu o ar fresco e perfumado da noite no labirinto dos lightwood florescendo, ocasionalmente enviando uma brisa para seu corpo desprotegido, mas não ousaria se mexer e atrapalhar as palavras masculinas. gostaria que lucius apenas falasse tudo que estava sentindo, já que o pior que poderia acontecer seria o mesmo se afogar com os próprios pensamentos e mesmo que tivesse exercido certa pressão para o fazer conversar sobre aquele assunto, não se arrependia. primeiramente por sequer compreender do que estava se tratando, precisava o entender, afinal, ele não era como ela naquele aspecto e teoricamente, uma parte de estar com alguém envolvia conhecer os limites do outro, então ela o levaria ao limite de sua compreensão. segundo, se não tivesse lhe pressionado, não achava que lucius falaria tal coisa para ela, assuntos difíceis também precisavam ser conversados ou você absorveria tudo e depois, quem sabe, explodiria. aster então apenas escutou, tentou não expressar qualquer emoção em suas próprias expressões, mas seu maior desejo era o abraçar e dizer-lhe que lucius não precisava agradar ninguém além de si mesmo, não tivera vindo ao mundo para isso, que realizasse o que sentisse vontade, sem insistir e nem mesmo se abstrair por algo assim. "você gosta de ser assim?" ela perguntou em um sopro de voz, segurando o próprio pulso com a mão oposta, para conter o ato de o tocar. aster nunca o julgaria se gostasse, como mais uma vez já tivera dito, apenas gostaria de o compreender. umedeceu os lábios antes de completar, um tanto temerosa com a aceitação alheia ao seu próprio comentário. "mesmo se gostar, somente saiba que você é válido, lucius... para sua mãe, para seu reino e principalmente para mim." uma vez aster pensara o quão errado não sentir falta de lucius, agora ela confirmara que mesmo se não o conhecesse, ainda sentiria sua falta. mais uma vez, ali também estava seu príncipe perdido, ele não sabia o que o deixava feliz, já tivera ele alguma vez sentido a felicidade? lucius apenas parecia desnorteado. "você sempre não soube onde ela esteve?" perguntou, dessa vez, seu tom não era severo como da primeira vez, normalmente crianças e adolescentes possuíam grandes ilusões para sua felicidade, desde então tiveram sugado tal ideação? maldita monarquia, se a resposta fosse afirmativa. os pensamentos femininos estavam longe, mas instintivamente retornaram ao ouvir as seguintes palavras, todos os músculos de aster apenas caíram com a vulnerabilidade ouvida na voz masculina. em um movimento rápido, quase necessitado, aster abraçou com força a cintura masculina, encostando sua bochecha no peito alheio, como se pudesse o reerguer, ou quem sabe passar qualquer força que um dia ela teve para ele. "oh, meu amor! eu gostaria de ser ainda mais egoísta com você e dizer-lhe que era tudo que gostaria de ouvir..." murmurou tão baixo que sequer achou que ele tivera ouvido. "mas não posso fazer isso, mesmo que eu tenha gostado, você precisa ter algo além de mim..." continuou, ainda não conseguindo retirar seu ouvido do tórax masculino e parar de escutar as batidas do coração do infante. "todavia, eu estarei sempre com você." o corpo de aster ansiava pelo de lucius, por mais que tudo em que pensasse o envolvesse, tudo girava em torno dele, no entanto, não poderia fazer com que ele se sentisse da mesma maneira, talvez fosse hipocrisia da sua parte, mas ela poderia lidar com a dor em seu peito caso algo acontecesse que os separasse, mas não desejava que o mesmo sofresse ainda mais caso o mesmo acaso acontecesse. aster queria os bons momentos de lucius, os maus também, talvez quisesse tudo, com excessão de ser o motivo do sofrimento alheio, aster nunca tivera sido importante para ninguém para que sofressem por sua conta. o vazio em seu peito havia sido preenchido pelo príncipe, não negaria e caso retornasse ao mesmo vácuo um dia, ela apenas levaria sua vida vazia para outro lugar, quem sabe um dia se reerguesse minimamente, quem sabe nem isso. "eu apenas não suportaria o decepcionar, lucius." ela sussurrou sua confidência, erguendo seus olhos, provavelmente esses estavam doloridos, a garota parkinson tinha a falha de sempre decepcionar todos ao seu redor, uma hora ou outra, poderia acontecer algo que o fizesse parar de se sentir feliz ao seu lado, mesmo que ela desejasse, almejasse, sonhasse, que algo assim nunca acontecesse. aster deixou seus braços afrouxarem seu aperto e caírem ao perceber a agitação alheia, logo fora afastada, seus olhos seguiram o zigue-zague masculino com certa curiosidade, ele queria algum tipo de espaço? no entanto, após começar sua história, um pequeno soluço escapou por seus lábios ao sentir mais uma vez os braços masculinos ao seu redor, dessa vez, aster tentou se manter firme, sem deixar escapar qualquer lágrima. “antes disso, pare de fugir de mim.” resmungou comicamente para evitar que seus olhos marejados soltassem algo, piscou algumas vezes, antes que retomasse. um riso estrangulado escapou de aster ao ouvir o comentário masculino, não conseguiu desenvolver qualquer resposta para aquilo, então apenas sorriu. uma lágrima solitária escapou ao ouvir o seguimento seguinte do príncipe, ela levantou seus dígitos para enxugar a gota. ele acreditava nela. não era como se ela só tivesse pego a última frase, mas tinha retido todas as outras em sua memória. "oh, deus, por que de novo isso?" resmungou, olhando para o céu, piscando algumas vezes e mais outras lágrimas derramando, tentava enxugar com veemência, antes que molhassem a mão do outro, voltando sua atenção para o homem. "é claro que é possível, lucius! eu também sou detestável... mas você não a conhece, ela nunca iria fazer algo assim... infernos, eu não sei mais sobre o que estou falando... mas por favor, por favor, mesmo se um dia me odiar, também tente me amar novamente." as súplicas finais, aster nunca pensou em deixar que escapasse em voz alta, seus olhos estavam chorosos e sua voz embargada, precisou fungar em uma risada. sua mãe talvez fizesse algo como o sugerido por lucius, não a achava tão ruim antes... talvez alguma parte do coração da mais velha ainda pertenceria à aster. "sinto muito por isso." desculpou-se pelas emoções em ebulição, baixando os olhos para que não o fitasse, aquela era a primeira vez que se encontrava envergonhada, mesmo que ainda tivesse seu rosto seguro pelas mãos grandes masculinas, não o afastaria. poderiam existir outros culpados também, talvez estivesse perto de suas regras, até mesmo a lua cheia poderia ser culpada. "lucius... todas as suas palavras que me disse pareceram aceitáveis para mim? mas eu as direciono para você... vossa alteza combina com tudo que me foi direcionado... e não as aceitarei até que também faça o mesmo, afinal, eu também acredito em você, ou melhor, eu amo acreditar em você!" ela proferiu, felizmente recomposta, repetindo o ato de tomar o rosto alheio com suas mãos, dessa vez, puxou-o para frente para que lhe roubasse beijos, um selar casto. "deixe-me o encontrar meu príncipe perdido." ela sussurrou, afastando-se apenas para que ele visse sinceridade em seus olhos e em suas futuras palavras. mais uma vez, aster selou seus lábios nos de lucius. "não precisa agradar ninguém, pois já o faz espontaneamente... não se cobre tanto, meu príncipe." ela sussurrou, com um sorriso entristecido, lucius não precisava agradar ninguém, gostaria de o ver livre, seu coração apenas seria acalentado caso conseguisse. um beijo, dessa vez mais demorado. "você é mais forte do que imagina, lucius." seu sorriso agora era encorajador, quase uma súplica para que o mesmo compreendesse. outro beijo e uma risada. "também foi de longe a melhor situação que já apareceu em minha vida." a lua cheia convidou para que aster aproximasse seus lábios o suficiente para que tocassem os do outro. "eu amo tanto você." sussurrou, antes de aprofundar um beijo, entreabrindo os próprios lábios e experimentando mais uma vez o sabor viciante de seu príncipe. aster deixou que seus lábios se curvassem para cima. "eu não preciso de protagonismo, somente ser seu par." sussurrou de volta, contente por aquela escolha de palavras, não importava seu papel, ela ainda seria seu par. assentiu com cuidado a nova informação 'não fizeram nada que comprometesse sua virgindade' aquilo era bom, acreditava. oh meu deus, aster estava vermelha com a menção do tal ponto, mas apenas conseguiu fazer um murmúrio misturado com um gemido qualquer com aquela alusão. "você quer dizer me empalar quando nos casarmos?" o que fazer quando seu parceiro estava envergonhado e você também? sem dúvidas uma piada de péssimo gosto. provavelmente seria bom, maravilhoso, mas também iria doer, não era para doer? o coração dela se tranquilizou com a rapidez da resposta, talvez lucius fosse um louco mesmo. aster bufou, revirando os olhos castanhos, como ela não poderia querer filhos dele se estava pensando o quão agradável poderia ser aquela ideia. "eu nunca tivera pensado por tempo suficiente em ter ou não filhos, sequer achei que um dia encontraria um homem que me perguntaria isso..." ela comentou, um tanto contrariada, afinal, estava desdizendo as próprias palavras mais uma vez... mas dessa vez, ela adorou sua mudança, refletindo no sorriso lento que ornamentou o canto de seus lábios rosados. "mas segundos atrás, pensei no quão bom seria ter seus filhos... isto é, conquanto vossa alteza me permita os chamar de bebês." seu sorriso afiado tivera crescido como em um passe de mágica, aster imaginara que se caso tivesse crianças, seriam crianças. não uma, não duas, mas muitas delas, como tivera crescido, a ideia da solidão para seus filhos não parecia convidativa, a própria, apesar de ter irmãos, crescera sozinha, lucius também parecia ser "já que acredito que eles serão sua miniatura." emendou rapidamente, afetuosamente, por mais repentino que pudesse parecer. o olhar de aster fora estreitado com a possibilidade do outro perguntando aquele tipo de coisa para qualquer mulher. "não se atreva a perguntar isso à qualquer mulher." subitamente seu humor estava azedo, piorou quando um pensamento lhe cruzou a memória. "não era donna aquela que conversava?" uma sobrancelha arqueada denunciou o quão insatisfeita estava com aquela possível circunstância. "esqueça qualquer pergunta, tire minha virgindade e saberemos." concluiu com veemência, como se toda a sua situação estivesse resolvida após o casamento e a consumação. aster sorriu com o mais novo adjetivo proferido. "confesso que preferia o imprudente..." ela fingiu pensar por um breve segundo, relembrando todas as palavras já trocadas e dos adjetivos ganhos. "insolente também era muito bom, curiosa era outro." o sorriso petulante já estava bem posto em seu rosto, temperamental era uma novidade, tomaria nota daquele mais recente. aster estava queimando, de dentro para fora, seu rosto estava em chamas, ou melhor, seu corpo inteiro estava em chamas. não esperou qualquer palavra a mais para que começasse a tentar desabotoar a roupa majestosa do príncipe, seus dedos tremiam por sobre a quantidade de botões, aster fez uma carranca por somente ter conseguido três deles. que porcaria de roupa. em um ato desajuizado e impaciente, apenas puxou com força as duas partes que tivera conseguido retirar das casas e como seu vestido, a roupa masculina expulsara os botões para o chão pela brutalidade. a respiração de aster estancara por certos milésimos de segundos, congelada olhando para o que tivera feito, nem mesmo conseguia enxergar os botões que saltaram da roupa no labirinto... mas pelo menos ele estava descomposto. "eu deveria dizer que sinto muito por isso?" perguntou em forma de murmúrio, um tanto duvidosa, enquanto elevava seus olhos para que nivelasse ao azuis do monarca, no entanto, ela sequer sentia muito. aster precisou engolir em seco com as referências de seu gosto. oh, deus. aster tivera amado ter sentido lucius a provando em todos aqueles lugares, suas bochechas provavelmente estavam enrubescidas em recordação, ajustou sua mão com os cabelos castanhos e fez com que o rosto do mais alto estivesse ainda mais próximo do seu. suas coxas contraíram por lembrar daquele dia e de que realizaram... certas coisas. "como deveria pedir direitinho, lucius?" ela murmurou sua pergunta, despretensiosamente, aproximando-se para que tocasse seus lábios nos dele enquanto falava. "surpreenda-me, querido e eu implorarei para que continue." sussurrou, deixando que seu sorriso se estendesse em cima dos lábios alheios, puxando com seus dentes mais uma vez o lábio masculino, lenta e dolorosamente, enquanto retirava sua mão do cachos alheios e enganchava seus dedos no cós da calça masculina.