Bem-vinda de volta, semideusa. Há 10 ANOS, você veio ao Acampamento pela primeira vez e se apresentou como VERMONT ‘VEX’ ALESBURY, foi reclamado por ARES e hoje já tem 21 ANOS. Nesse tempo em que ficou fora, desenvolveu melhor seu jeito RESERVADA, mas ainda persiste em ser PREGUIÇOSA em dias ruins. É ótimo te ver de volta, especialmente estando mais a cara de MILLY ALCOCK do que antes.
𝐀𝐑𝐄𝐒: Vex foi amaldiçoada por seu pai com a dor de seus golpes, dessa forma, toda vez que acerta um alvo, sente o golpe tal qual este estivesse sendo infringido nela mesma, apesar de não sofrer com as mesmas consequências, se não a própria dor.
𝐀𝐑𝐌𝐀: sua arma é uma lança de guerra de bronze celestial de duas pontas que servem tanto para rasgar quanto perfurar seus inimigos, contudo, apenas de uma de suas pontas pode eletrificar seu adversário. embora seja comum, a arma não foi dada à Vex por Ares, mas sim ela que a fez com a ajuda de um filho de Hefesto. outra coisa interessante a se tomar por forma é que ela pode se separar em duas armas unidas por uma corrente comprida. quando “escondida”, sua lança se transforma em um par de baquetas pretas que se transformam ao seu comando especial.
𝐇𝐀𝐁𝐈𝐋𝐈𝐃𝐀𝐃𝐄: sua habilidade é a odimcinese, ou seja, a capacidade de manipular sentimentos e emoções que estejam relacionadas a guerra (raiva, ódio, medo, pânico. entretanto, Vex também as sente quando entra em contato, então de frente a alguém sentindo pânico, isso será transferido para si.
𝐆𝐑𝐔𝐏𝐎: Castigados de Caronte.
𝐁𝐈𝐎𝐆𝐑𝐀𝐅𝐈𝐀:
A casa do barulho. É assim que ficou conhecida a casa onde Vermont morava com a mãe e o irmão alguns anos mais velho. Principalmente porque desde cedo demonstrou amor por bater em coisas e criar sons (iniciou com as panelas da casa e só avançou, até que chegasse à sua bateria) e porque as brigas com o seu irmão eram uma constante na vida agitada da família.
Sua mãe, uma mulher simples de cabelos escuros e estatura alta, havia crescido em uma família de poucos recursos e isso não a favoreceu na vida real, de forma que, ao sair de casa, precisava trabalhar muito para manter-se. Especialmente com a chegada dos filhos. Claro, era uma renegada da família. Sempre que recebiam a visita da família materna, o clima era de um velório recém começado ou então, quem sabe, de uma disputa por bens. Os avós de Vex nunca aceitaram que tanto ela quanto seu irmão não possuíam uma paternidade certa e que a mãe, Vera, não era casada. Frequentemente, as brigas entre os adultos aconteciam na frente dos irmãos, sem segredo algum guardado da decepção que sentiam ao olhar para as crianças.
Isso, claramente, afetou-os em seu crescimento, principalmente porque nenhum dos dois eram bons na escola, sempre conseguindo apenas a metade da metade da nota. A dificuldade de aprendizagem levou Vera à algumas reuniões severas, onde criticavam a falta de atenção e os erros ortográficos dos dois, fora, é claro, a energia exagerada que tinham e que os impedia de permanecer sentados. Foi difícil para convencê-la de que havia algo de errado e o diagnóstico custou bastante do dinheiro suado da mulher, mas mesmo assim, lá estavam ele: ambos com TDAH e Dislexia.
Após isso, as coisas na escola melhoraram brevemente, leis prometiam e previam adaptações nas atividades e assim ambos começaram a pelo menos ficar na média escolar. Não impedia, entretanto, de se meterem em seus problemas individuais. Vex, na fala de seus professores, tinha problemas com raiva e surtos de ódio que frequentemente levavam-na a bater em seus colegas, especialmente aqueles que lhe incomodavam e incomodavam seus amigos.
Isso, entretanto, só foi explicado com a ida ao tal acampamento de verão. A ausência paterna não mudou, mas ao menos sabiam de quem eram filhos: Vex era filha de Ares. O que explicava, sinceramente, muita coisa. Lá, porém, viam-se tão em casa quanto quando estavam com sua mãe.
Até que, em uma determinada missão, encontraram problemas. O medo sentido por Vex naquele momento nunca foi tanto, suas mãos tremiam, incapazes de segurar sua arma e ela tampouco sabia onde havia ido parar seus treinamentos diários de combate. O perigo à sua frente era muito maior do que o esperado e, bem, ela não soube o que fazer. Seu poder ganhou forma… A coragem dos semideuses ao seu lado se transformou em medo e medo se transformou em pânico. Pouco a pouco, foram tomados pelo pavor e, despreparados, não foram o suficiente para vencer a situação que enfrentavam. Foram dizimados à medida em que Vermont se escondia, a única sobrevivente.
Além de sua atitude não ser bem vista por seu pai, também não foi bem vista pelos outros deuses que haviam perdido sua prole naquele dia. Não foi à toa que seu pai a amaldiçoou e ela foi colocada a cumprir castigos junto com outros semideuses presentes nos Castigados de Caronte.
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Ben considerava que ser filho de um deus, já era uma bênção por si só. Quando percebia que havia tido mais sorte do que nunca de ter sido descendente de alguém como Zéfiro, então... Sentia-se mais grato do que nunca por apenas observar o sofrimento dos outros legados, não partilhando deles, como parecia ser o caso da loira diante de si. Em partes, o Cavaglieri realmente se comovia em excesso com aquele tipo de cena, mas também sentia que, como no tempo dos próprios divinos, a sorte estava lançada e todos nasciam onde e quando tinham de nascer, sendo uma pena, entretanto, que algumas crianças sofressem o que a filha de Ares sofria agora, por exemplo. Não que gostasse daquela sensação de ter se acomodado ou ser incapaz de lutar por algo muito diferente, mas era o que era; ser um filho da brisa suave tinha lá seus impactos na vida dele, também, a começar pelo comportamento que tinha diante de situações tão difíceis.
Por fim, acabou se ajeitando ao lado dela, respirando fundo, tentando ignorar os outros ruídos que os cercavam. Ouviu com atenção as palavras alheias antes de, efetivamente, levar os dedos da destra até a nuca feminina, tocando com cuidado a região, ao mesmo tempo que buscava pelo contato visual dela, quase se distraindo, por uma fração de segundo, com o brilho azul das irises alheias ou no cheiro muito específico que vinha dos fios loiros. Poderia ter utilizado somente do toque, do olhar ou do sorriso para ajudá-la a se tranquilizar, mas preferiu combinar dois elementos só para garantir. Primeiro porque, tendo obedecido às orientações de Zéfiro desde muito cedo, procurava evitar os filhos da guerra a todo o custo, e segundo, porque, tendo feito isso ao longo de sua vida, não sabia muito bem qual a eficácia da bênção de Afrodite sobre a figura à sua frente.
De qualquer forma, Benaminiano manteve-se naquela postura, aguardando alguns instantes até que tivesse a certeza de que havia conseguido projetar a ajuda necessária, em Vex. Situação que também havia sido um bocado inusitada para ele, que poderia jurar que havia sentido algo como uma leve sensação de choque percorrendo a base de sua espinha e indo de encontro à sua nuca. Parecia ter sido bem mais difícil, e resistente, do que o que já havia feito com qualquer outro semideus, como se, de fato, as sensações ruins dela criassem uma barreira extremamente sólida entre os dois.
"O Acampamento não vai ser o melhor lugar do mundo pra você nos próximos tempos... Mas você também não pode voltar lá pra fora." Constatou, crispando os lábios antes de soltá-la, com tanto cuidado quanto havia tratado de tocá-la. Ben era grande, corpulento, mas tão delicado quanto sua ascendência divina poderia permitir que ele fosse. "Quando isso acontecer de novo, se você precisar de ajuda e não encontrar algum semideus da prole da justiça que faça o mesmo que eu... Pode me procurar." Sorriu de canto, mantendo o tom baixo e agradável enquanto ajeitava a postura. Não sabia se Vex sabia quem ele era como ele sabia sobre ela, então era melhor seguir com o usual. "Chalé de Zéfiro. Meu nome é Ben, a propósito." Encolheu minimamente os ombros. Era tão estranho precisar se reapresentar depois de todos aqueles anos... Mas não era de todo algo ruim. "Se sente melhor?"
☠️ —— Sentada, tinha os as mãos em seu colo, como se para mantê-las próxima de sua visão e, assim, estar sempre ciente do seu próximo momento a enfrentar. Mas os olhos não estavam observando-as, davam pouca importância para os dedos impacientes e para a forma como elas pareciam querer retirar os pelinhos inexistentes da calça jeans que usava. Ela não sabia se a forma como o coração desacelerava no peito era devido a alguma habilidade que ele possuía, mesmo assim, conforme o estudava e deixava-se levar pelos traços do rosto alheio, seu corpo já começava a se desfazer, brevemente, de toda a confusão antes dona de sua mente. Entretanto, foi o toque alheio causador de um pouco mais de agitação, ela percebeu quando através dos dígitos frios em sua nuca, o filho de Zéfiro exigiu contato visual. Vex quis encolher, talvez até o tenha feito, sem perceber, recebendo o encostar como uma corrente elétrica que se guiou através de sua coluna; ela apertou as próprias coxas, incerta do que fazer com suas mãos.
Sua agitação era visível na vibração das íris que até podiam não mais exibir a cor vermelho sangue, digna de Ares, mas expunham o que sentia. Seus olhos tremiam, vibravam rápido dentro das orbes, rápidos o suficiente para serem perceptíveis apenas por aqueles que realmente fossem bons observadores, mas rápidos o suficiente para que incomodasses Vex na hora de firmar algum tipo de atenção. Ela entreabriu os lábios: uma tentativa infantil de conseguir respirar com mais facilidade, como se fosse preciso. Percorria com atenção exagerada o formato de suas sobrancelhas, a pontinha de seu nariz e até o ponto mais alto de suas maçãs do rosto, por segundos breves, quando tornou-se incapaz de retribuir o olhar fixo que ele tinha em si, envergonhada ━━━ suspeitava agora que o quente que sentia em suas bochechas já não era mais devido à sobrecarga.
Talvez devido a sua incapacidade de sustentar o olhar que Vex percebeu a forma como os sentimentos que lhe invadiam lutavam contra a sensação que o rapaz queria lhe transmitir através de seu toque delicado e seu semblante impassivo. De início, foi como uma guerra entre as sensações ruins e as boas que eram fortalecidas através do toque. Então, a filha de Ares suspirou pesadamente, pulmões enchendo-se de uma vez pelo ar que antes parecia não chegar até estes, fora a sensação de alívio que lhe acometeu. Finalmente, parecendo livre daquilo tudo. Pelo menos por alguns instantes. E sorriu, genuíno, sincero, grata pelo que havia lhe sido feito.
Nem mesmo a constatação foi o suficiente para derrubar seu humor, repentinamente, melhor. Na saída, Vex sentiu falta imediata dos dígitos alheios tocando sua nuca, mas tentou não demonstrar, não fosse pelo leve franzir em seu cenho, mas que poderia ser facilmente despercebido. "Acho que vou ter que me virar aqui dentro", concluiu simplista, enganando-se quando, na verdade, já havia pensado algumas vezes em sair dali outra vez. Ainda assim, estava entretida com... "Ben", ela saboreou o nome entre os lábios, sussurrando, se deleitando com os fonemas. Não lhe era incomum, não era novo. Certamente havia ouvido falar dele, o conhecera, nem que fosse à distância, anos antes. "Prazer, Ben, filho de Zéfiro. Vex", apresentou-se sem dar muita importância. Talvez ela também não lembrasse de si com tanta facilidade assim. "Muito melhor", era claro como o dia na expressão limpa; nos olhos azuis, certos; no sorriso que não deixava seus lábios. "Muito obrigada! Com certeza te procuraria, entretanto, não quero incomodá-lo mais uma vez com toda essa situação", explicou-se rapidamente. "Mesmo assim, muito obrigada! De verdade!"
Era impossível de ignorar o sentimento de nostalgia que sentiu estando ali conversando e provocando Vex, lhe remetendo dos velhos tempos do Acampamento. Por alguns instantes Caleb até se esqueceu do caos que estava instaurado no local há alguns dias, pois junto de Vex a sensação era que todos os problemas ao redor desapareciam num estalar de dedos. “Tudo isso faz parte da minha estratégia, minha cara”, aquela era uma mentira deslavada, mas ainda assim não iria dar o gostinho de satisfação ao admitir que estava perdendo para a semideusa. Ballentine escutou atentamente tudo que a filha de Ares tinha a dizer, em nenhum momento ousou interromper o discurso motivacional dela, e não pode deixar de concordar com o ponto de vista dela. Até que fazia sentido a visão apresentada pela campista. Além do mais, era louvável os esforços de Vex em ajudá-lo em não se sentir tão mal consigo mesmo e com sua falta de habilidade. “Ok. Talvez você tenha razão. Na verdade, você está absolutamente correta, Vex”, falou para a amiga, reconhecendo o ponto de vista dela. Durante os anos que havia passado fora do Acampamento, Caleb tinha feito o possível para tentar levar uma vida normal, pelo menos no padrão de um semideus. Os treinos constantes e as missões esporádicas que faziam parte de sua rotina no Acampamento acabaram caindo em desuso, embora os conhecimentos e habilidades aprendidas foram úteis quando foi surpreendido por um ataque de uma fúria. “Continue investindo nisso e daqui a pouco vai estar publicando um livro de coach motivacional sobre treinar e incentivar semideuses, os potenciais heróis. Fique sabendo que eu compraria um livro escrito por você”, Vex era uma de suas melhores amigas e o filho de Hefesto era capaz de fazer qualquer coisa para apoiá-la.
☠️ —— Vex revirou os olhos. Não porque estava incomodada com a brincadeira de gato e rato, mas porque achava graça e não queria rir. Certamente, aquela era uma bela atuação da parte do filho de Hefesto, que minutos antes, mal aguentava-se de pé devido ao cansaço que ela havia dado nele. Mesmo assim sorriu, por mais que não que quisesse dar o ar da graça e abrir-se em risos, ela sorriu. "Estratégia para perder?", questionou duvidosa e finalmente ergueu-se, tirando a cabeça do colo alheio e observando-o com atenção, questionando-o apenas com o olhar de cor azul clara e narizinho arrebitado. Então, batucou o chão com as baquetas, seguindo a música imaginária que passava em sua mente e que mais tarde provavelmente iria se provar real e bem famosa. Provavelmente quando a mente estivesse bem vazia. Ela deu de ombros, como quem diz 'quando não estou?', sem necessariamente verbalizar o pensamento. "Blergh! Coach? Não!", a surpresa repentina, quando discerniu a palavra maldita da resposta alheia. "Olha só, filho de Hefesto, pode até me chamar de conselheira emocional, mas coach?! Isso eu não aceito!", o tom oscilava entre o brincalhão e o sério. Ela realmente odiava a ideia de se tornar coach, mas a indignação exagerada e encenada era apenas parte de sua brincadeira. "Vai sofrer com as consequências agora!", ameaçou e ajoelhou-se ao lado dele, a medida em que largava as baquetas no chão, e colocava-se a desarrumar todo o cabelo de Caleb.
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“eu sei, eu sei… me desculpa mesmo. eu não queria te deixar pior e sei que fiz isso com meus gritos, mas estava preocupada com você e aqueles idiotas na frente me atrapalharam.” apontou para o lado onde acontecia a discussão. se ninguém tomar uma atitude nos próximos minutos não duvidava que a confusão continuaria pelo restante do dia. todos os semideuses pareciam sedentos para colocarem a culpa em alguém, ao mesmo tempo que aproveitavam para desabar suas próprias angústias. estava tudo bem para lara querer extravasar, mas não com mentiras, por isso se defendeu com afinco. “mas agora que esta mesmo se sentindo melhor, vou sentar aí do seu ladinho, posso?” sorriu para a amiga e jogou-se na grama ao lado da mesma. uma vez que teve a certeza de que o aroma que tomava conta do ambiente ao redor delas estava funcionando para acalmar vex, lara também sentia que podia usufruir de sua habilidade e ficar em paz. mais do que evitar confusões para si mesma, não queria ser a responsável por deixar vex se sentindo ainda pior. “mais tarde tenho várias novidades para te contar! tenho certeza que vai amar saber sobre a reação do meu pai quando viu o lançamento da minha marca. a cara dele foi impagável!” riu com a lembrança. não tinha nada a ver com o que estava acontecendo no acampamento, mas imaginou que mudar o assunto ajudaria vez a se distrair. “e estou fazendo sucesso, viu? o problema é que com a vinda para cá tive que deixar nas mãos de outra pessoa e não sei dizer se confio. tem situação que cabe aquele ditado de que se quer uma coisa bem feita, faça você mesma.”
☠️ —— Tudo o que Vex fez foi acenar, num sinal silencioso de que deixasse para lá. Ela tinha plena consciência que não havia sido a intenção de Lara acabar tornando sua situação pior, então não era algo que carregasse com afinco. Apenas deixaria o assunto desviar-se, a medida em que ajeitava-se, indo um tanto mais ao lado, como se fosse preciso guardar espaço no espaço de grama logo abaixo de sua bunda para que Lara pudesse se sentar. Ela sorriu, bem mais tranquila. Sentia o peso de ser ombro ser expulso através do aroma das flores que lhe rodeavam e, sendo sincera, seria capaz de enfiar o nariz logo ali, no pescoço de Lara, apenas para receber a sensação com maior intensidade. Riu, porque se contasse para ela o seu pensamento, com certeza, ela acharia graça. Mas foi distraída pela notícia da marca alheia. "Sério?", disse surpresa, olhos se arregalando. Havia crescido ouvindo-a falar sobre sobre sua própria marca, mas naquela época, parecia um momento muito longínquo, e lá estavam elas agora. "Eu imagino! Ele deve ter ficado horrorizado, tipo...", com a pausa, fez a maior careta que poderia pensar, antes de rir. "É só por algum tempo, não se preocupe. Logo você voltará a ter as rédeas de sua marca e tudo vai sair como o esperado."
𓂅 ⋯ ⠀› Vex. Certo. ❛ Nome fofo. Parece de remédio. ❜ Comentou. Mas considerando de quem ela era filha, Vex provavelmente deveria ser a razão pela qual as pessoas precisavam de remédios em primeiro lugar. Fearghus se apoiou no umbral da porta e observou-a com cautela, tentando captar algum sinal de que poderia ajudá-la mais, mas aos poucos Vex parecia voltar à si. ❛ Oh, agora eu entendo... Sinto muito. Deve ser realmente... Deve ser uma sobrecarga permanecer em um ambiente assim. ❜ Comentou, mas evitou falar sobre não entender a razão de algo assim acontecer. Seria uma maldição? Para Fearghus, parecia. Aquele tipo de empatia... ❛ Não precisa agradecer, eu estava tentando arranjar uma razão para fazer qualquer coisa fora de lá. Mas agora você está presa comigo e eu já aviso que sou um tagarela de primeira linha. ❜ Sorriu. Algum jovem saiu voando porta afora, gritando, jogado por alguém. Ele se levantou e saiu correndo de volta para dentro da Casa Grande antes que Fearghus pudesse cogitar socorrê-lo. ❛ Podemos ir para algum outro lugar, porém. Essa sua... Habilidade... Ela funciona apenas com ódio? ❜
☠️ —— Ela olhou-o, sobrancelhas se erguendo. Nunca havia ouvido alguém dizer que seu nome era i. fofo e ii. parecido com nome de remédio. Mas sempre tem uma primeira vez. "Você é...?", perguntou em pura curiosidade. Porque a figura não lhe era desconhecida, mas também não era extremamente familiar e, principalmente, porque era falta de respeito não saber o nome de quem lhe ajudava. Dito, então, o quão cansativo deveria ser permanecer num ambiente como aquele, Vex riu, lábios se curvando, e um riso fraco e anasalado escapando, antes mesmo que ela conseguisse cobrir a boca. "É uma merda", admitiu, ainda entre o riso, mas sem evitar soar cansada. O único problema é que ela não havia imaginado que isso aconteceria, por mais óbvio que soasse. "Eu 'tô vendo que é tagarela", murmurou, soberba, mas ainda em um tom de brincadeira, porque sentia dele a liberdade de fazer tal brincadeira. "Aqui está bom, longe do centro do furacão, mas perto o suficiente para ver o que vai sair disso. Hm, sentimentos ligados à guerra, foi o que eu percebi", lentamente, a voz diminuiu, como se envergonhada de contar aquilo. Os dedos curiosos e ansiosos se ocuparam em buscar farpinhas na cadeira, querendo arrancá-las. "Ódio, raiva, medo e pânico... Imagine", com um sorriso fraco, gesticulou o lado dentro. Era tudo o que todos sentiam. Tudo o que Vex sentia.
Ben não era exatamente um bom samaritano a ponto de sair por aí recolhendo pessoas que se mostravam indispostas ou incapacitadas. Era algo heroico demais para alguém como ele. Entretanto, como a figura de Vex havia aparecido para si de forma tão abrupta e confusa, por que não perder alguns bons minutos tentando ajudá-la? Ainda que soubesse que corria o risco de testemunhar um rompante de raiva ou qualquer coisa assim, ali estava ele, se preocupando mais em sentá-la em um dos bancos disponíveis e se sentar ao lado dela, tentando segurar, com cuidado, os fios loiros para trás, com o intuito de afastá-los do rosto feminino. Ela estava cada vez mais vermelha e parecia cada vez mais quente, o que fazia Ben pensar com seus botões em como procederia se a menor tivesse uma síncope. Porque, aos poucos, ele estava próximo de uma, cada vez mais e mais ansioso, por mais que tentasse se controlar e, com certo sucesso, demonstrasse aquilo: ser filho de Zéfiro ajudava muito em momentos de tensão como aquele. "Eu posso tentar te ajudar... Só vai ser meio incômodo, porque costuma bater muito direto, mas pelo menos você vai melhorar um pouco e conseguir voltar a respirar direito para podermos ir até a enfermaria." Ofereceu. Ainda não havia liberado a bênção de Afrodite, porque realmente não queria agitar ainda mais os sentidos da loira, mas agora que já haviam deixado o epicentro da confusão, Ben poderia ser um pouco mais útil e efetivamente usar sua bênção nela. "São seus poderes, né? O lance de sentir as coisas que os outros sentem..." Crispou os lábios, tentando se lembrar do que já havia ouvido sobre ela. Parecia, realmente, um fardo terrível de se carregar. "Eu... Eu sinto muito por isso."
☠️ —— Estar longe do centro do furacão, era um alívio que Vex não saberia nomear. Ser filha de Ares tinha seus benefícios, suas vantagens, entretanto, sempre que parava para enumerá-los, em seu caso, era mais fácil encontrar cons do que pros, foi o que pensou em uma epifania de humor. E ali estava mais um de seus malefícios. Talvez estivesse, de fato, febril. Pois os pensamentos continuavam embaralhados e assim que ele retirou, com tamanha delicadeza, os fios curtos que tampavam o olhar, a prole de Ares lhe sorriu, breve e mísero, quase despercebido no momento em que viviam, mas ela saberia e se culparia que o sorriso havia existido sim. Ao menos, sentada, não precisava apoiar-se tanto no outro para conseguir lutar contra a gravidade. Tentando ainda focar no presente, sem se deixar levar para muito além e para lugares que não gostaria de explorar, Vex umedeceu os lábios, mãos se fechando, unhas contra a palma da mão o suficiente para marcar e doer, o suficiente para ela sentir outras coisas. "Eu aceito", ofegou antes que ele terminasse de lhe dizer acerca da ajuda que poderia oferecer, sorrindo mais uma vez, dessa vez envergonhada. "Qualquer coisa... Huh... Menos isso", gesticulou para seu coração, como se fosse o culpado. Mas não morava ali o problema. Pelo menos, a confusão se esvaía e voltava a pensar direito, voltava a entender quem era e onde estava, sem gastar energia o suficiente para dormir por cinco dias. "Desculpa", pediu repentinamente, lembrando-se de como ele havia cedido ao seu momento para ajudar a pobrezinha da Vex. Seu pai certamente não estava orgulhoso, onde é que estivesse agora. "Presentinho de Ares", explicou em um meio sorriso. Esperava que os olhos não estivesse oscilando tanto entre vermelho e azul, mesmo assim, piscava com longos segundos de descanso. "Tudo bem, eu estou acostumada... No geral", ela buscou o ar, esse voltava a si lentamente, mesmo que em si ainda corresse a adrenalina do ódio. "É fácil de lidar... Só não estava nos meus cálculos um lugar onde todo mundo estivesse sentido raiva, ódio, medo e pânico", admitiu. Ingênua.
A volta para o Acampamento não tinha sido da maneira que Caleb havia imaginado, ainda mais levando em conta todo clima tenso que havia se instaurado entre os campistas e as acusações e teorias que não paravam de surgir. Uma das únicas partes boas de estar de volta era poder ficar perto de seus irmãos e de seus amigos, incluindo Vex. Fora do Acampamento, durante os anos que havia passado longe, o afastamento de alguns velhos amigos foi algo inevitável e agora lá estava o filho de Hefesto fazendo sua parte para restabelecer alguns laços antigos. “Eu não admito que perdi porque eu não perdi nada, apenas estou dando um tempo”, rebateu a provocação da amiga em um tom divertido. Não iria dar aquele gostinho de satisfação para a filha de Ares, pelo menos não por ora. “Hipoteticamente eu posso reconhecer que estou fora de forma, mas não podemos negar que eu não sou a pessoa mais talentosa se tratando disso”, falou e em seguida apontou para arena de batalha que estavam usando para treinar há alguns instantes. Ballentine não se sentia péssimo por falar aquilo de si mesmo ou algo do tipo, apenas era realista; ele podia ter diversas qualidades e habilidades, mas certamente estava longe de ser o melhor lutador do Acampamento. “Ouch, Vex. Por acaso já lhe falaram sobre o seu método de incentivar as pessoas?”
☠️ —— Vex gargalhou. O tempo passado longe do Acampamento, longe daqueles com quem havia crescido, havia lhe feito falta, criado um buraco no peito que apenas queimava em dor. Estar assim, de volta, com Caleb, satisfazia uma parte de si que ela tampouco admitir existir: havia aprendido a ignorá-la. Seus olhos brilhavam em uma brincadeira infantil, coisa não vista em si já há algum tempo, enquanto sorria. "Alguém que está ganhando não precisaria de um tempo", debochou e mostrou a língua brevemente. As pontas de seus dedos formigavam, sentia-se criança novamente, antes de tudo dar errado, antes de ver o acampamento fechar e ter de dar às costas ao ambiente em que era feliz. "O ponto é", começou a falar antes mesmo que ele terminasse de tagarelar sobre hipótese e blahblah. "É que você não pode dizer que piorou nas suas habilidades, porque isso sugere que continuou treinando durante esse tempo, o que, obviamente, não aconteceu", explicou da maneira mais sem sentido que conseguia encontrar em sua cabeça. "Então, tudo o que aconteceu, é você ter ficado fora de forma", sua linha de raciocínio não era a melhor, mesmo assim, achava-se no local de razão. "O quê? Sobre eles serem incríveis? Já sim, obrigada!"
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A semana tinha sido difícil, por isso tudo o que Selin queria era abrir seu instagram, escolher seu filtro preferido e então reclamar da vida. Claro, não era possível em sua nova fase no acampamento, mas ela ainda mantinha seu celular, sem chip e desligado, sempre considero, como um amuleto. Ou um pet. As vezes, até sonhava que era capaz de fazer ligações e postar no BeReal. Ali no refeitório, se enchendo de um bolinho de nozes que a deixaria inchada, Selin voltou-se para a pessoa ao seu lado com um suspiro triste. "Você também sente falta do seu celular? E das redes sociais? Olha, está meio difícil viver sem isso. Como vou saber quantos seguidores perdi e ganhei? Pior, a nota do Rotten Tomatoes do novo filme do meu pai?" Quando estava no mundo mortal, tinha seus pequenos truques para hora ou outra conseguir se conectar a internet sem atrair a uma horda de monstros, mas no acampamento era simplesmente impossível. Não se importaria de colocar a todos em perigo por alguns minutos no twitter (ou X?!), ms sabia que depois encheriam sua cabeça e paciência. E Selin não era conhecida pela sua paciência.
☠️ —— Tinha pouca fome, se fosse para ser sincera. A semana havia começado caótica e parecia interminável, todos os dias era capaz de ouvir e sentir brigas novas por conta do mesmo assunto batido e, mesmo assim, não era capaz de não se deixar levar. Todos os dias enfrentava um novo obstáculo que a impedia de aproveitar que, finalmente, após tanto tempo, estava de volta no lugar que amava chamar de casa. "Eu... Huh", Vex murmurou, confusa. Havia sido tirada de seus pensamentos pela pergunta, segurando o garfo no qual um pedaço de mamão se equilibrava no meio do ar. "Quer dizer, eu senti mais falta no começo", admitiu, agora já não mais tanto. Estava ocupada com o caos. "Rotten Tomatoes?", perguntou, perdida. Lembrava-se vagamente do site, mas não sabia ao certo para que servia. "Enfim, eu acredito que vão ser só mais algumas semanas até conseguirmos consertar tudo isso. Vai passar rápido!", tentou soar otimista, mas a máscara não combinava consigo. Ela retornou o mamão ao prato de onde ele havia saído. Realmente estava sem fome.
Em meio ao caos, a figura imponente de Ben também servia para transmitir alguma paz. O semblante do filho de Zéfiro era neutro, enquanto mantinha as mãos nos bolsos e atentava-se aos conflitos, chegando a escutar algumas acusações sobre os deuses da natureza, que, sinceramente, não haviam provocado o Cavaglieri. Era plenamente consciente da inércia e da pouca consideração dos genitores divinos em relação aos filhos, fossem eles adolescentes ou não, o que incluía ele próprio, por mais que ainda tivesse tido uma boa comunicação com o Vento Oeste ao longo de sua vida. Sendo assim, não estava se doendo tanto quanto qualquer outro campista que vagava por ali, chegando a cogitar voltar para seu chalé com o intuito de organizar logo suas coisas, quando sentiu algo vindo de encontro ao seu corpo, chocando-se contra a altura de seu peito. Alguém. Imediatamente a atenção de Ben se voltou para a figura alheia, passando a franzir o cenho ao constatar a situação da menor, após soltá-la da tentativa de contê-la para que não fosse de encontro ao chão devido ao choque entre eles. Não que fosse tão próximo da prole de Ares, mas conhecia Vex por tabela, para além dos boatos sobre ela. "Você tá pálida pra caramba." Constatou, incapaz de ponderar se aquela era mesmo a cor da menor ou, de fato, havia algo de errado, como ele supunha. Com cuidado, ele posicionou uma das mãos sobre o centro das costas dela, ainda não imprimindo sua habilidade calmante sobre a jovem primeiro, porque: este traço costumava se chocar levemente com as personalidades dos filhos da guerra; segundo, porque ele estava mais preocupado em ajudá-la a sair dali antes de qualquer coisa. Ainda assim, sua postura permanecia calma, bem como sua voz, que apenas operava em tom de comando, mas sutilmente. "Vamos até um lugar onde você possa respirar um pouco e se acalmar. Parece que viu um fantasma."
☠️ —— O toque podia não ser capaz de calar sua mente confusa diante do sufocamento sofrido, ainda assim, o contraste da pele mais frio na sua, quente como água fervendo, teve efeito quase parecido, pelo menos por alguns segundos. Chocar-se ao corpo alheio levou-a a fechar os olhos com forças, mãos cobrindo o rosto, principalmente os ouvidos, como se isso fosse impedi-la de sentir. Quis rir, quis respondê-lo, de fato, mas de si só conseguiu resmungar um uhum esguio, quase tão baixo que ele poderia não ter ouvido, devido às vozes que se erguiam mais e mais ao redor deles. Deveria estar pálida, mas sentia as maçãs do rosto esquentando e ela não suspeitava que estas deviam estar vermelhas com um morango. "Vamos", conseguiu concordar após alguns instantes, acostumando-se ao toque alheio em suas costas, acostumando-se ao fato de que não sentir emanar dele nem raiva nem pânico, acostumando-se ao fato de que não o conhecia bem o suficiente para confiar e deixar-se levar, mas mesmo assim era o que estava prestes a acontecer. Vex deixou o peso de seu corpo pesar no filho de Zéfiro, mãos segurando o braço alheio que ainda estava livre como se este fosse a única luz a lhe guiar na escuridão. Os lábios partidos tentavam ser o suficiente para encaminhar ar para seus pulmões, mas essa parecia ser uma tarefa impossível diante das circunstâncias, e Vex ofegava mais e mais enquanto andavam para fora. "Eu só... Não estou me sentindo muito bem", tentou explicar o óbvio, meio a confusão que seus pensamentos enfrentavam. A filha de Ares dividia-se entre evitar um massacre e deixar-se levar, relembrar os momentos cruciais que lhe levaram até onde estava agora, cumprindo as punições que lhe foram colocadas como justas.
" ok, ok, respire pelo nariz e solte pela boca. " orientou, pois não sabia muito bem como reagir a uma pessoa passando mal a sua frente, se fosse um filho de Apolo tudo se resolveria mais fácil e ela estaria curada, mas Martín não o era. " vamos sentar ali. " indicou a superfície mais próxima, mantendo as mãos ao redor do corpo da garota para que ela não encontrasse o chão e então a colocando sentada no local, agachando-se a sua frente para estudar as feições dela. " precisa de alguma coisa? uma água, um remédio, um filho de apolo? "
☠️ —— As orientações ganharam uma gargalhada fraca e desequilibrada de Vex, mas mesmo assim não havia nada que pudesse de fato, a não ser seguir suas orientações. As mãos da filha de Ares usavam o braço alheio como algo para mantê-la em terra firme pelo tempo que precisasse, ainda que a mente vagueasse e fugisse de si. "Água, eu acho", murmurou em resposta, suando frio e corpo trêmulo. "E sair daqui. Principalmente sair daqui", e achava graça como mesmo se sentisse atropelada por um caminhão, ainda era capaz de dar risada do que ouvia.
Presente no local que um dia já havia simbolizado o conforto de um lar, para Caspian ficava claro que não era mais o caso. No momento, o jovem não desejava nada além do que estar em alto mar; antes a imprevisibilidade das ondas do que a falsa sensação de união que estavam desesperados para vender, mesmo diante das incontáveis evidências que apontavam precisamente para o contrário: confiança por ali era um luxo que não mais existia. Irônico que, justamente quando o pensamento percorria sua mente, seu caminho se cruzou com quem bem representava essa flutuação de segurança. Por mais que se sentisse irritado com a comoção repentina da noite e, em um nível mais fino, frustrado com a distância que vinha observando com Vermont nas últimas semanas, não era do feitio de Caspian dar as costas para um amigo, independente das circunstâncias. “Estarei livre de acusações de egoísmo no mínimo por uma década a partir de agora, considerando que estou colocando em risco minha camiseta nova por você,” Murmurou, sua tentativa de humor a mais válida que conseguia no momento. Caspian apoiou uma das mãos no ombro da outra, com intuito de oferecer apoio enquanto a guiava para mais longe da cacofonia que tomava o anfiteatro. Sem sequer pensar muito, seus pés o levavam em direção à praia, o que felizmente parecia apropriado para a quietude que pedia a ocasião. Somente quando o ruído dos ânimos após a reunião se transformou em um eco distante, Caspian tornou a falar. “Acho que não sei mais me equilibrar em terra firme. Já perdi as contas de quantas vezes considerei dar fuga, só nos últimos dias. If this is what ‘safe’ feels like, I’ll take my chances in the real world.” Recolheu a mão que antes apoiava em Vex e cruzou os braços frente ao peito, os olhos fixos na expansão de areia em frente dos dois até dar lugar à linha do oceano que banhava a baía de Long Island. “Como você tem estado? Além, you know, disso tudo.”
☠️ —— Não conseguia rir, nem sequer exibir o mais mísero sorriso. Seus olhos dificilmente conseguiram focar na figura do filho de Poseidon e, quando percebera em quem havia buscando apoio, era tarde demais. Quis fugir, o pensamento de simplesmente cambalear para longe passou a sua mente nos momentos em que permaneceu em silêncio, concentrando-se em respirar e ficar de pé sem que acabasse explodindo e suas habilidades ficassem fora de controle. Quis gritar para que ele ficasse longe, assim como havia se esforçado nas últimas semanas, mas não tinha coragem de fazê-lo, tampouco energia. Todo o seu corpo trabalhava com um único objetivo naquele momento, desde a pele quente como quem está com febre, até os olhos oscilantes entre o vermelho e o azul claro: sua sobrevivência naquele mar sufocante de acusações e conflitos. Jamais imaginou que voltar ao Acampamento Meio-Sangue lhe traria esse tipo de situação: em que fugia de um de seus melhores amigos, assim, tão descaradamente. Foi carregada para fora no silêncio mais alto que alguma vez já a prendeu, mas não tinha nada a dizer que acrescentasse na multidão gritando em seus ouvidos. A medida em que a distância aumentou, as vozes passaram a diminuir e Vex passou a sentir algo muito mais claro do que apenas a confusão dentro do anfiteatro: os sentimentos que rodeavam Cass. E era disso que vinha fugindo nos últimas dias. Mesmo assim, havia sido cercada na praia, entre a única pessoa que jamais pensou em ignorar e o mar lhe gritando para fugir. Sua cabeça rodava e as mãos formigavam quando ela abraçou o próprio corpo, como se isso a impedisse de sentir. "Cass...", foi o que conseguiu dizer de imediato, olhos lacrimejando sem nem mesmo saber o motivo, então limpou-os com as costas de sua mão direita. "Eu acho que, huh, bem... Não sei... E você?", perguntou, mas já sabia da resposta. Da maior parte dela.
O filho de Hefesto não era o lutador mais habilidoso do acampamento, muito pelo contrário. Devido sua fama de ser levemente desajeitado muitas pessoas não ficavam tão animadas quando precisavam treinar com ele ou sair em missões, sem sombra de dúvidas Caleb Ballentine era melhor forjando armas do que usando uma. Sendo assim, quando sua amiga Vex aceitou o convite de treinar com ele por algumas horas, não pode deixar de se sentir grato pela ajuda. O semideus tinha conhecido a filha de Ares há muitos anos quando tinha chegado ao Acampamento pela primeira vez, e o fato de Vex também ser amiga de seu meio-irmão, Matteo, apenas tinha servido para fortificar o laço de amizade entre os dois. “Uma pausa, por favor”, falou arfando levemente, antes de se sentar para recuperar o fôlego. “Não achava que seria possível eu piorar minhas habilidades em combate, mas acho que eu preciso revisar esse meu conceito”.
☠️ —— Apesar de não ser a mais habilidosa lutadora enquanto prole de Ares, Vex sabia que tinha em si a identidade de uma guerreira, de uma lutadora incansável, então era comum que se sentisse mais em casa durante treinamentos do que quando, por exemplo, era designada para tarefas menos... Exigentes, como os Campos de Morango. Ela brandia sua lança, produzida por ninguém menos que o irmão daquele que levava uma surra, quando o viu levantar a bandeira branca de paz. Riu, porque junto de Caleb e Matteo, por exemplo, ela jamais sentia aquele início de guerra que era capaz de trazer sua semana toda ao chão. "Então você admite que perdeu?", perguntou, a risada ainda presa nos lábios, se aproximando e jogando-se ao lado do outro. O cabelo loiro provavelmente estava uma bagunça só, além da testa suada, mas isso não lhe incomodava, quando ela largou sua arma num toque e viu-a voltar ao par de baquetas; sua própria cabeça ia de encontro com as pernas do rapaz, deitando-se ali. "Você só está fora de forma, não pense assim", afirmou um pouco mais séria, não gostava de ouvi-lo duvidar de si com tanta certeza. "Com um pouco de treinamento, vai passar de mim de novo!", e dito isso, deixou uma baquetada na testa alheia.
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Era tão estranho o jeito que Vex parecia pequena ao lado dele naquele momento, realmente devia ser difícil o que quer que ela tivesse passando, mas via que ela estava se esforçando pra deixar isso pra lá então não trouxe o assunto de volta. — Se você ta dizendo, eu acredito 100% que logo logo vou ta na minha vida normal de ser humilhado pelo outros por ser péssimo no meu jogo favorito. — Brincou de novo e dessa vez passou o braço ao redor do ombro dela pra a abraçar rapidamente de uma forma a lhe confortar. Foi rápido porque percebeu o que tinha feito e bateu um pequeno receio de deixar ela desconfortável, então tentou soltar da forma mais despreocupada possível. — Eu sou tão absurdamente ruim, nunca sai do elo mais baixo no competitivo. Acho que sou tão ruim que até na vida real eu devo ser melhor de luta do que no jogo.
☠️ —— Era bom estar de volta, estar de volta com Matteo, um amigo, ciente de que podia confiar nele como quando confiara nele a confecção de sua arma. Então sorriu, dessa vez mais confiante, aproveitando-se do abraço o quanto pode para apoiar no outro, antes de ser solta e o conforto alheio lhe fazer falta. Por isso arrastou-se para mais perto, apenas um pouquinho. "Eu duvido que fosse realmente humilhado... Talvez não tenha achado seu... Huh, personagem?... Certo", sugeriu, sem saber se estava fazendo sentido. Bem, ela não jogava muitos jogos como Valorant, o mais perto disso havia sido Rogue Company, por um período, mas ainda assim. "Quando tudo isso acabar, você me deve uma partida de Valorant e veremos se é tão ruim assim quanto fala. Eu duvido!"
Aquela briga não era dele, era fácil apontar os dedos e criar conflito entre eles quando na verdade, ninguém tinha culpa alguma. A segurança de todos só estava abalada pelas ações dos deuses e a reunião havia começado com o que já era esperado, ninguém os respondia e August já esperava por isso. A presença de Vex o deixou um pouco atordoado, retirando-o de seu momento de silêncio e reflexão enquanto apenas observava toda a cena, segurando-a pelos ombros. "Vamos sair daqui" Disse enquanto guiava a garota para a saída, conseguindo um espaço seguro e com ar suficiente para que ela pudesse fazer o que precisava fazer, se afastando rapidamente e prendendo um cigarro entre os lábios, acendendo a droga em seguida. "O que você está sentindo?"
☠️ —— Não sabia se sentia aliviada ou preocupada ao ser guiada para fora, corpo hesitante em aceitar a tomada de controle, mas sem forças para resistir. Vibrantes, os olhos tentavam acompanhar de tudo, sem, de fato, absorver porra alguma. Conseguia apenas apegar-se ao que sentia, as mãos trêmulas, o corpo quente, a dor de cabeça infernal e a forma como suas pernas não respondiam à comando algo. "Porra...", resmungou em determinado momento, sobrecarregada com tudo aquilo, antes de finalmente sentir os pulmões se encherem com ar puro e não baboseiras e raiva desnecessária. Estava fora. E com August... As maçãs do rosto se avermelharam, não mais pela raiva iminente, mas agora por outra coisa. "Antes? Tudo... Raiva, ódio, medo e pânico...", murmurou, inconscientemente, olhos mais certeiros em suas observações, demorando-se a oscilarem entre o vermelho e o azul claro. Um cigarro. Talvez fosse disso que precisava. "Obrigada por me tirar de lá... Não sei quanto tempo mais aguentaria, eu... Huh", deu de ombros, incerta se deveria continuar falando.