nome completo. moon jisoo. • apelido. sonie/moonie. • etnia. coreana. • data de nascimento. 07.07.1999. • local de nascimento. sacheon-si, coreia do sul. • mbti. esfj. • gênero. homem cis. • pronomes. ele/dele. • sexualidade. homossexual. • idiomas. coreano e está arranhando no inglês e no francês. • altura. 178 cm. • porte físico. magro atlético. • cor dos cabelos. castanho. • cor dos olhos. heterocromático cinza acastanhado. • ocupação. estudante e monitor (jeju national museum). • grau de educação. graduação em belas artes, jeju national university. • atual moradia. namgyeong village (casinha dele). • classificação. beta.
personalidade.
❛ㅤㅤ━━ㅤㅤTem uma personalidade naturalmente calorosa, acolhedora e voltada para os outros — alguém que ilumina qualquer ambiente com sua presença gentil e atenta — valoriza a harmonia e está sempre disposto a ajudar. Sua paixão pela arte transparece na forma como ele enxerga o mundo: com olhos sensíveis aos detalhes, às cores, às texturas e aos sentimentos que uma obra pode transmitir, se encanta pelo poder que a arte tem de comunicar emoções profundas, preservar memórias e inspirar conexões humanas. É do tipo que vai a uma exposição e se emociona de verdade com uma pintura, ou que ouve uma música clássica e sente arrepios. Tem uma estética refinada, e um gosto artístico que tende a ser clássico, elegante, mas com toques pessoais muito expressivos. Organizado e prático, além disso, a sua empatia e senso de responsabilidade fazem com que ele cuide dos outros, provoque reflexões e ofereça conforto.
um pouco da sua história abaixo.
biografia.
❛ㅤㅤ━━ㅤㅤRodeada por colinas suaves e pelo brilho sereno das águas costeiras, Sacheon-si é uma cidade encantadora onde o tempo parece correr de maneira mais tranquila, diferente das metrópoles, como Seoul, é preservado um ritmo interiorano, onde a tradição e a modernidade coexistem de maneira harmoniosa. Em as ruas tranquilas, onde todos se conhecem e sabem ao menos o básico sobre a família vizinha, está a família Moon. Donos de um dos vários restaurantes acolhedores que vendem marisco frescos e fica ao lado da casa de chá que faz os aromas se misturarem bem, já se esperava que os filhos seguiriam os passos dos pais e manteriam os negócios da família, mas isso não aconteceu.
A começar Jisoo nasceu diferente dos outros, o filho mais bonito de todos, com uma aparência quase angelical de tão delicada, não combinava em nada com o ambiente engordurado do restaurante. Os irmãos com aquele ar rústico com a masculinidade mantida de forma tóxica, não gostavam de ver o rapaz cada vez mais delicado, próximo do feminino de tão bonito, não era por não carregar a mesma beleza, mas por medo de que começassem a pensar coisas esquisitas sobre ele ou que fizessem algum mal a ele. Foi assim que a família se tornou o seu pior pesadelo, fazendo-o fugir deles sempre que podia, passando horas na escola e preferindo os livros do que os seus parentes.
Apesar de ser um dos mais populares da escola, Jisoo ainda tinha que aguentar mais garotos amargurados e cheios de violência para incomoda-lo, cada vez mais estava odiando aquela cidade e aquelas pessoas. E a maior alegria da sua vida foi quando conseguiu um curso de desenho por seis meses em Jeju, longe de todos eles e em um ambiente onde ficava mais vontade, mais feliz, fazendo com que se afastasse cada vez mais da família. Jisoo fez parte do último ano da escola em Jeju junto com o curso, aprendeu a viver sozinho em um dos dormitórios de lá e conseguiu um estágio em um museu, quando voltou para a sua casa foi apenas para avisar que não viveria mais lá, que não trabalharia no restaurante e que os visitaria sempre que possível. Estudou muito, batalhou ao máximo para conseguir um bom ranking e, então, chegar a uma posição aceitável para a universidade, e enfim, conseguiu a tão sonhada vaga na universidade nacional de Jeju.
Fazer as malas nunca foi tão bom, se preparar para uma mudança tão drástica nunca foi tão gostoso, se despediu daqueles que só lhe feriram com um prazer enorme, sentindo enfim o gostinho de estar livre. Jisoo chegou em Jeju com dezenove anos e desde então vive a relação familiar de maneira distante, visita algumas vezes para saber se estão vivos, mas logo percebe o porquê de querer ficar tão longe.
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starter fechado com @talkintcthemccn na farmácia haneum . . .
chaeyeon estava distraída modificando alguns dados de clientes , com base nos resultados dos medicamentos passados , quando sentiu que alguém estava lhe encarando fazendo com que virasse o rosto pra verificar se não era só loucura de sua cabeça pelo cansaço . ❛ oh me desculpe , você me chamou ? peço desculpas , não escutei , do que você precisa ? ❜ disse um tanto atrapalhada e sem graça pela gafe mas pronta pra atender o homem com o que quer que fosse .
A ida até a farmácia vinha do resultado da chuva que pegou junto com vários outros pontos... o que estava claro pela forma como o seu rosto estava avermelhado, além da nojeira do nariz congestionado, não conseguindo respirar e nem nada parecido. Obviamente usava máscara, o cestinho foi colocado sobre o balcão e assentiu quando foi notado por ela. "Tudo bem, tá difícil de entender o que eu falo mesmo" Tentou ser gentil, ainda que não tenha soado dessa forma com o desânimo da gripe junto com a voz baixa e rouca da inflamação na região. "De morrer... talvez... acho que a minha garganta tá inflamada... é disso que preciso"
☆ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Aquele era um dos raros dias em que conseguia chegar em casa mais cedo. Devia isso ao aniversário da filha do chefe, que o fizera cancelar os compromissos no fim do dia, liberando todo mundo. Conhecendo o homem tanto quanto conhecia, sabia que pagaria pelas horas livres em algum momento, mas estava disposta a aproveitar por enquanto. Tinha estacionado o carro na rua mesmo porque pretendia sair de novo.
Foi assim que viu o rapaz sentado, querendo alguma coisa entre as tangerinas. Boram franziu o cenho e pensou em passar direto, se não fosse a aparente aflição em sua expressão. E tão, decidiu se aproximar. ━━ O que está fazendo? ━━ Perguntou diretamente, sem a intenção de um cumprimento nem nada do tipo. Então, viu o arbusto se mexer e um latido baixo alcançou seus ouvidos, como se fosse a resposta de sua pergunta. ━━ Ele ficou preso lá? Precisa de ajuda para tirá-lo?
Podia sentir o corpo todo protestando contra a ideia de estar ali com Jisoo, mas não poderia ignorar, caso ele precisasse de ajuda.
Nunca pensou que passaria por isso, uma cena completamente patética como aquela, Jisoo totalmente entregue a derrota e vencido por um cachorro minúsculo. A imagem de Boram fez com que o corpo inteiro de Jisoo esquentasse, quase falou que não precisava de nada e agradecer a atenção, mas o cachorro estava mesmo deixando-o muito preocupado. "Eu acho que sim" Foi o que respondeu, ignorando também o fato de que não houve nenhum cumprimento inicial, na verdade, já foram direto pro assunto como dois estranhos que eram. "Eu tô preocupado" Agora, pra melhorar ainda a situação… ou talvez o contrário, Jisoo se apoiou sobre as mãos espalmadas no chão, ficando em uma pose bastante constrangedora, agora que os joelhos tocavam o chão para servir de apoio. "Kkuma?!" Chamou procurando encontrar o pelo branquinho em meio a galhos e folhas dos arbustos. "Onde você está, filhote? Eu não consigo ver ele… talvez a guia tenha ficado presa em algum lugar? Não sei" E então ergueu o olhar para a mulher, suspirando antes de falar algo que provavelmente se arrependeria depois, ele realmente só precisava recusar a ajuda e tentar se meter naquele mato todo sozinho. "Você conhece esse lugar melhor que eu... eu acho... pode me ajudar?"
( touché ) era boa resposta mas não era exatamente o que dohyeok queria ouvir e era isso que fazia talvez com que não se afastasse do outro . ❛ eu não deveria precisar não deixar , não acha ? ❜ talvez recebesse outra resposta que não gostaria , quem sabe , jisoo era um tanto imprevisível pra si . ❛ tipo dar uma caixa de chocolates pra um homem casado ? ❜ questionou se aquilo havia sido alguma brincadeira também , não estava o acusando , apesar de ter certeza que tinha sido ele a enviar , podia esperar que talvez ele fosse tão cara de pau quanto flertava consigo e admitisse ou só se fizesse de desentendido . ❛ eu só estou curioso , com que tipo de homem acha que eu sou . ❜ a ideia de jisoo talvez cogitar que pudesse trair a esposa o incomodava um pouco porque não queria ser visto daquela forma , como aquele tipo de homem , não achava que alguém assim seria digno de algum tipo de admiração , não achava que jisoo deveria gostar de um cara assim . ❛ ou que tipo de homem você é pra achar que merece ser colocado no posto de amante . ❜ as palavras eram baixas , ditas com certo cuidado para que só jisoo escutasse ( o que fez com que precisasse se aproximar mais ) , a chave para entender o que queria dizer era que a palavra ( merecer ) vinha com um ar inferior como se fosse um posto errado e que não fazia jus a jisoo ocupar . ❛ o que quero dizer é que , não deveria querer ser uma segunda opção ou uma distração ou diversão , acho que merece mais . ❜ as palavras vinham carregadas com certa preocupação e cuidado , tinha pensado muito nos últimos dias em como deveria seguir com aquilo e como o fazer da melhor forma tendo aquela visão de jisoo quase infantil que todas as coisas que ele fazia não era por mal .
o sorriso cansado nos lábios dele o fez se ver um pouco ali e dohyeok refletiu o gesto . ❛ é só uma fase , vai passar mais rápido do que imagina e então vai poder aproveitar de seus esforços e ver que valeu a pena . ❜ disso ele entendia muito bem . a menção da família porém lhe chamou atenção por conta da escolha de palavras ( tudo o que tem de ruim no mundo ) dohyeok podia ter muitos problemas mas nenhum deles inclua sua família e isso sempre acabou sendo sua força motriz , não conseguia deixar de ficar curioso sobre as coisas que jisoo poderia ter passado e como isso o afetou . ❛ ainda assim você tá aqui então acho que foi a melhor escolha não foi ? ❜ podia ver que ele se esforçava . como reflexo de sua preocupação encarou o carinho de comprar do outro como se averiguasse o que ele estava levando , como se tivesse algum direito de se intrometer . ❛ é bom se alimentar bem , ok ? ❜ a volta do assunto para si fez com que engolisse em seco , dizer que as coisas não estavam bem principalmente envolvendo o seu casamento geralmente não parecia uma boa mas com jisoo soava como um desastre eminente por isso apenas assentiu ( era um péssimo mentiroso afinal , mas sabia omitir e guardar as coisas pra si como ninguém )
A partir daquele momento, tudo o que Jisoo deu para o homem foi o silêncio, como se cada palavra conseguisse bloquear a parte de seu cérebro que pertencia a fala, de qualquer maneira, Jisoo não soube exatamente o que sentiu ao ouvir aquela resposta. A pergunta dele ecoava em sua mente, não havia sido uma investida séria, só uma brincadeira, um flerte lançado no ar para testar a temperatura das coisas. Mas o que recebeu como resposta teve peso, trouxe à tona uma série de sentimentos que Jisoo vinha ignorando ou, talvez, tentando maquiar.
E era importante entender o seu lugar, o que realmente importava pra ele. Dohyeok era uma espécie de refúgio silencioso, um lugar onde as coisas pareciam mais leves, mas depois daquela resposta, Jisoo se questionou se era de fato amor… ou algo próximo disso, talvez estivesse confundindo afeto com desejo. Quando Jisoo lançou um olhar ao homem e a forma cuidadosa no qual ele estava tentando dizer o óbvio, ele sentiu aquele turbilhão de coisas que seguiu até a garganta, formando aquele nó e fazendo o rosto do rapaz ganhar uma coloração avermelhada. "Não acho que seja esse tipo de homem, você nunca me deu sinais de nada e é meio óbvio que você é completamente apaixonado por ela" Disse docemente, ainda que a voz soasse esquisita por causa daquele bolo. Ficou em silêncio por mais um tempo, ruminando aquelas palavras enquanto ele parecia preocupado com a sua alimentação e em como Jisoo pode ter tomado a melhor decisão de sair da casa da família.
"E aí você age assim" Riu baixo, negando com a cabeça, definitivamente não era isso, não podia ser. E mais uma vez lançou um olhar para ele, e estava uma parte ali, da sua admiração. Dohyeok olhava pra ele, se importava, fazia com que Jisoo se sentisse notado, e por isso era perigoso. Talvez aquela sacudida fosse necessária, não por ofender, Jisoo não se sentiu ofendido, mas porque colocava um espelho na frente dele e precisou disso para ver o garoto que talvez estivesse querendo apenas ser querido, o que era extremamente constrangedor. Pegou o seu cesto e se virou, ficando de frente pra ele, curvando-se de maneira respeitosa. "Desculpa por qualquer coisa" Disse sem ter coragem de erguer o rosto, apenas se afastou um pouco. "Desculpa…" E era óbvio que ele mentia, aquele assentir parecia tão falso quanto o sorriso que brincou nos lábios de Jisoo e ele entendeu o porquê, não havia segurança em dizer que as coisas não estavam bem na vida dele. E era ruim se sentir tão confortável com ele e não causar isso para o homem, céus, como tinha se afundado tanto? "Eu acho melhor…" E então se virou, seguindo para a saída e largando o cesto na entrada com todos os produtos que tinha separado, depois comprava ou talvez em outro lugar.
Santiago resolveu dar uma volta no trem fantasma por um motivo que muitos achariam inusitado: relaxar. Todo trem fantasma parecia seguir um padrão, não importava em que parte do mundo estivesse. Escuro, com manequins ou atores mal vestidos, cenários improvisados, era sempre mais do mesmo. Mas isso também significava uma pausa: longe das luzes brilhantes, do som estridente das barracas, da música eletrônica misturada com gritos de brinquedos radicais. Por mais breve que fosse, era uma folga.
Seus planos de curtir o trajeto em silêncio, no entanto, foram interrompidos quando Jisoo se acomodou ao seu lado no carrinho. Ao menos, pensou, não era uma criança ou um desconhecido —dava pra aproveitar a companhia. Assim que o carrinho começou a andar, Santiago olhou em volta e confirmou o que já suspeitava: cenário previsível, sustos reciclados.
Sorriu com o comentário do amigo e se inclinou levemente na direção dele, descruzando os braços para apontar ao redor. “Não é? Já vi decoração de Día de los Muertos mais assustadora que isso aqui” respondeu, com a voz carregada de sarcasmo leve. “E olha que a decoração nem tem o intuito de assustar.”
Santiago tinha um carisma admirável e era impossível não olhar pra ele, como mencionado antes, o homem é simplesmente muito bonito, mas havia algo a mais que roubava a atenção de Jisoo, um dos diversos motivos que levava o monitor de arte naquele restaurante, até porque não era muito fã de comida apimentada e mesmo assim, sempre que tinha um dinheiro extra, ia pra lá. "E como é? Eu sempre quis ir pro México nesse período, dizem que é tudo muito bonito por lá, é verdade?" E como falar de um dos dias mais interessantes do México para um artista, ou pseudo artista, já que o próprio Jisoo não se via nesse espaço de forma alguma.
O complementou arrancou uma risada do rapaz que não se interessava mais pelo o que o caminho estava proporcionando para eles, Santiago era muito mais interessante. "Tem um lugar no México... olha, eu sei que vou soar bem do tipo ignorante porque o país é imenso e você pode nunca ter colocado os pés lá..." Da mesma forma que começou a fala, ele trouxe aquele complemento como um tipo de nota para que o homem não se importasse com o detalhe que adicionaria. "Mas eu vi um reality lá e eu fiquei completamente apaixonado, se chama Bacalar" Falou em uma pronuncia engraçada, até porque nunca nem assistiu qualquer aula de espanhol, talvez estivesse falando errado até. "Você conhece?"
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Era um alívio que aquele fosse mesmo o rapaz que tinha conhecido naquela rua escura, pois não estava disposto a passar por tamanha vergonha caso o tivesse deduzido errado. ━ Ainda não consegui aproveitar meu presente. Você também ganhou, então te faço a mesma pergunta? ━ Sorriu ainda que se forma discreta, olhando para a comida na própria mão. ━ Sim. Vim até você para saber se estaria interessado em dividir comigo? Não prestei atenção em uma placa promocional e agora estou com dois crepes e dois sucos de cereja.
Mostrou a sacola também. Hocheol estava longe de querer se passar como uma pessoa que forçava algum tipo de proximidade só por tê-lo visto uma vez, mas o outro parecia uma pessoa com quem não teria problemas e que seria agradável conhecer. ━ Me sinto um pouco idiota por não ter prestado atenção. A placa estava bem na minha frente... Enfim, ainda bem que te encontrei no meio do caminho. Dois estômagos funcionam melhor.
"Aproveitei um pouco sim, eu amo chá de yuzu. Com o verão batendo na porta, já coloquei um pouco pra gelar" A angústia de ver o homem carregando aquela comida sozinho fez com que Jisoo tivesse uma atitude impulsiva, pois enquanto ele falava, aproveitou a deixa dele mostrando a sacola para tira-la de sua mão. "Eu facilmente cairia nessa armadilha que eles plantam, então jamais te julgaria por isso" Sorriu de forma amigável, queria que ele entendesse que estava tudo bem se aproximar.
"Sorte a sua que eu amo cereja" Brincou com uma piscadela e então acenou para que pudessem encontrar um lugar para sentar. "E eu nunca nego comida boa, de graça e ainda com o brinde de uma companhia agradável" O sorriso ainda brincando nos lábios de Jisoo, conseguiu encontrar um bom lugar com uma boa vista para que pudessem se sentar, sendo rápido em deixar a sacola sobre a mesa. "Aqui, acho que é um bom lugar, não acha? É bom que, enquanto comemos, você fala um pouco sobre você, Yuzu-ssi"
Não, ela não tinha ideia. Dasom se considerava muito esperta e, de fato era, na maior parte do tempo. Todavia, seu defeito mortal era ser inconsequente, justamente por acreditar fielmente que era capaz de controlar toda e qualquer situação. O que a tornaria capaz de se livrar de qualquer problema. Então, ver Jisoo aparecer ali tomar as rédeas da situação, de algo que facilmente poderia terminar de um jeito irreversível, fazia seu coração martelar com tanta força, mas também com tanto peso que até mesmo fazia com que a brisa do álcool parecesse passar.
Felizmente, a iluminação era baixa, porque as bochechas assumiram tons rosados que já não tinham muito a ver com a quantidade de álcool ingerida. ━━ Não, eu... ━━ Até pensou em dizer que tinha visto o que ele fizera, mas não tinha visto. E não teve coragem de mentir daquela vez. ━━ Desculpa... Obrigada por... Por isso, eu...
Havia algo que Jisoo entendia bem, quando se tratava de Dasom, sempre pensava um passo à frente. A conhecia bem o suficiente para saber o que vinha antes mesmo que fosse dito, sempre ajustando os planos do dia, como quem dança com o tempo para não deixar o outro tropeçar. É dessa forma que se cuidam, em uma cumplicidade silenciosa que os mantém em sintonia.
E não queria deixa-la desconfortável ou realmente acreditando que a culpa era dela, ainda que tivesse agido anteriormente como se realmente a culpasse por isso. “Vamos sair daqui, huh? A comanda é dele mesmo” Disse suavemente, estendendo a mão para que a amiga pegasse e um sorriso doce brincando nos lábios. “Eu sei de um lugar que tá rolando uma festa um pouco alternativa, diferente disso aqui, onde eu sei que você vai estar cem por cento segura pra beber até esquecer o próprio nome, topa?”
Jinhwan estava fazendo seu caminho de volta para casa. Tinha saído para comprar algumas coisas que estava precisando e até tinha saído do shopping antes da chuva, na intenção de evitá-la. Infelizmente, acabou pego por ela no meio do caminho, o que o fizera pegar também a parte mais forte da chuva enquanto dirigia. Então, estava sendo mais cauteloso e dirigindo em uma velocidade mais baixa, por preocupação. Não tinham muitos outros carros circulando por ali também, justamente pelo volume da chuva, então podia seguir com tranquilidade.
Por esse motivo, conseguiu diferir aquela figura sozinha, tentando se abrigar da chuva sob o toldo de uma loja fechada. Mas a surpresa o tomou ao reconhecer quem era a pessoa ali. Parou o carro em frente a Jisoo e baixou o vidro do passageiro, pronto para convidá-lo a entrar no veículo, quando percebeu que ele não estava só enxarcado, mas também estava chorando. A preocupação o tomou de imediato e, com ela, Jinhwan saltou para fora do carro, levando consigo apenas a jaqueta que estivera no banco no passageiro.
━━ Jisoo... ━━ Chamou alto o bastante só para que a voz sobrepujasse o som da chuva, uma vez que estava debaixo do mesmo toldo que ele. ━━ O que aconteceu? Por que está aqui sozinho? Por que está chorando? ━━ Algumas possibilidades passavam por sua mente, mas todas eram ruins demais para sequer deixasse que os pensamentos avançassem muito. Sem esperar por uma resposta, passou sua jaqueta pelos ombros do outro. ━━ Você está ensopado... Quer que eu te leve para casa?
Ouviu alguém lhe chamar, ergueu o olhar rapidamente e, ao perceber quem era, desviou o olhar e tentou limpar o rosto, procurando a barra da gola para retirar qualquer resquício de lágrimas. “Eu não estou chorando” Mentiu. Claro que estava, era notável que não queria falar sobre o assunto, mas também não conseguia esconder o óbvio: tinha chorado sim, e muito. E estava frio demais, mais do que o normal, ainda mais por estar encharcado. Quando Jinhwan colocou a jaqueta sobre os seus ombros, sentiu um calor gostoso invadir o corpo, o tecido seco aquecendo a pele ainda molhada.
Assentiu de imediato com o convite, não negaria uma carona, independentemente de estar ou não confortável com a situação — o que, naquele momento, não era o caso. Na verdade, Jisoo se sentia confortável até demais ao lado de Jinhwan, só que o coração parecia não entender isso, disparando nervoso só com a proximidade do outro, sentindo como se fosse sair pela garganta.
A verdade é que não conseguia se afastar, e não queria. Precisava sentir estar perto dele, sentir o cheiro dele, mesmo que só por mais um momento. Então, em vez de correr, Jisoo se aproximou. As mãos buscaram a blusa do outro, puxando-o sutilmente enquanto reduzia a distância entre eles, absorvendo não apenas o aroma doce, mas também o calor que o corpo dele exalava. “Eu esqueci o casaco e o guarda-chuva no trabalho” Disse docemente, como se fosse necessário explicar o óbvio.
Depois do almoço, Jungjae costumava sentir vontade de um docinho, um hábito simples que o fazia se sentir bem, mas quando percebeu que o estoque da loja tinha acabado, soltou um suspiro, colocou a plaquinha de volto logo na porta e foi andando até a conveniência mais próxima. Comprou chocolate, algumas balinhas e uma garrafa de refrigerante de melão, aproveitando a caminhada tranquila pela vizinhança que já conhecia de olhos fechados. Voltou com as sacolas, guardou tudo com calma, como fazia com qualquer coisa dentro da loja, exceto por duas balas: uma que já estava acostumado a comer e outra, de sabor novo, que decidiu experimentar. Pensou que, se fosse ruim, bastava jogar fora e pegar a favorita. Estava desenrolando o papel da bala quando ouviu o som familiar do violão acima da porta. Fez um pequeno beicinho e guardou a bala no bolso. ❝ Bem-vindo à Joyulheon. Como posso ajudar? ❞ disse com naturalidade, levantando a cabeça já com um sorriso pronto, o tipo de expressão gentil que oferecia a todos.
Mas logo relaxou ao reconhecer quem estava ali: Jisoo, o estudante de artes que ele já vira algumas vezes e com quem trocara algumas conversas. ❝ Ah, annyeong ❞ cumprimentou, menos formal, já curioso com a visita. Não esperava, no entanto, a proposta inusitada que veio a seguir. ❝ Ficar pelado na sua frente? ❞ repetiu com uma sobrancelha erguida, surpreso, mas longe de ofendido. Ouviu a explicação apressada com um sorrisinho divertido crescendo nos lábios. ❝ Você gosta do meu corpo e quer desenhá-lo como uma de suas garotas francesas, huh? ❞ brincou, inclinando levemente a cabeça como se estivesse realmente ponderando. Não era pudico e não via problema algum com nudez, mas ser abordado daquele jeito pegava de surpresa e fazia rir. ❝ Então é assim que os jovens flertam hoje em dia? Na minha época, a gente chamava para um date antes de tentar tirar a roupa de alguém ❞ provocou, claramente se divertindo mais do que qualquer outra coisa. Achava que Jisoo falava sério, que o pedido vinha apenas de um artista atrás de um muso, mas não conseguia evitar. Pegou a balinha e finalmente colocou na boca. Era boa, mas não tanto quanto a de melancia. ❝ Tudo bem ❞, disse enfim, dando de ombros. ❝ Eu aceito ❞ Fez uma pausa antes de completar, com o sorriso torto que entregava. ❝ Mas o que eu vou ganhar com isso? ❞
A reação do homem não ajudou muito, não que Jisoo fosse tímido ou tivesse dificuldade em fazer aquele tipo de convite, longe disso. A questão era que, uma coisa era chamar alguém que não conhecia, que provavelmente nunca mais veria novamente. Outra, bem diferente, era chamar alguém que já fazia parte do seu círculo, ainda que não tão próximo quanto outras pessoas do bairro. Jungjae tinha sido uma surpresa boa em um momento em que ele precisava de uma boa conversa, e talvez, por isso o convite agora parecesse um pequeno martírio.
“Não como minhas garotas francesas…” Franziu o cenho ao falar sobre isso, entendendo a referência, mas fazendo questão que não era sobre isso. “E não estou flertando com você, não é um date” Sabia que não passava de provocações, mas era importante deixar isso claro. “É um trabalho, apenas isso” Deu ênfase a frase final para que ficasse mais do que claro, mas para a surpresa de Jisoo, o homem aceitou a proposta e demorou alguns segundos para entender que se tratava disso.
“Ah…” Desviou o olhar em busca do que deveria fazer no próximo passo, mordeu o lábio inferior de forma pensativa e então anotou o próprio endereço em seu bloquinho de notas, entregando o papel para ele. “Não sei que horas você sai daqui, mas me encontre nesse endereço depois do expediente, hoje” E só então se deu conta do questionamento levantado por ele, suspirando levemente. “Dentro das regras da universidade, você vai ganhar dinheiro, não é nada demais, é um valor específico pelo tempo que ficou posando… só isso mesmo” Levou a mão até a nuca em uma tentativa de disfarçar o nervosismo e então acenou de leve com a cabeça. "Nos vemos mais tarde?"
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Jisoo não sabia ao certo como acabou sendo colocado naquela missão esquisita, mas ali estava ele, encarregado de fazer um convite um tanto inusitado a uma pessoa que conhecia tão pouco. Na última reunião do grupo de pintura, alguém soltou a ideia de que seria interessante ter um modelo vivo para o próximo exercício, mas não era qualquer modelo, claro. Não que a turma fosse inexperiente em relação a isso, na verdade, eram acostumados àquele tipo de aula, mas não algo que partia deles. O fato de Jisoo estar parado ali, encarando a figura dentro daquela loja de instrumentos vinha do fato de estarem planejando aquilo no café que ficava em frente a loja, todos os amigos estavam encarando o jovem sorteado para o convite repentino. Ficou combinado que, quem conseguisse o modelo é que faria a manifestação artística, o extrovertido e talentoso Jisoo foi o primeiro da fila, claro.
A sua entrada na loja foi anunciada com o sino preso na porta, sentindo o corpo inteiro esquentar ao seguir o caminho até o homem, dentre os que estavam no grupo, Jisoo era quem conhecia Jungjae de alguma maneira, então isso pesou um pouco quando decidiram que ele seria o primeiro e, coincidentemente, o homem passou pela vitrine da loja fazendo com que todos o indicassem para a missão. "Oi, tudo bem, Jungjaessi?!" Cumprimentou de início, esperando ele responder mas sentindo que não conseguiria seguir com o plano se continuasse ali, apenas esperando as formalidades de uma conversa inicial. "Quer ficar pelado na minha frente pra eu poder te desenhar?" Esperava não estar soando como um completo maluco com esse convite, por isso que ele continuou falando, agora desviando o olhar do rosto dele "Desculpa, soou esquisito... eu posso tentar melhorar isso... pera... é que você é bonito, tem carisma e presença, mas é exatamente por causa... do seu corpo... eu gosto dele e acho que ficaria interessante em um desenho" Respirou fundo e sorriu, de uma forma gentil que não desse na cara que estava prestes a explodir.
O que falta para Jisoo conhecer o amor? Coragem. Se tivesse coragem, pegaria o que desenhou no sketchbook, colocaria num envelope e o deixaria na palma da sua mão. Dentro, estaria o que ele não consegue dizer em voz alta: um código desenhado com o cuidado de quem ama em silêncio. Um código que leva a uma playlist feita só para você, onde cada música traduz um pedaço do que ele sente, uma confissão embalada em acordes e letras que falam por ele. Te faria entender tudo o que se passa em sua mente: o quanto é apaixonado pelos seus pequenos detalhes, como a maneira que os seus olhos se curvam quando você sorri ou como consegue ser gentil mesmo sem perceber. Faria você enxergar que tudo o que ele quer é viver em eterna adoração, admirar cada segundo ao seu lado, contemplar suas reações a cada elogio, cada beijo roubado, e cada nova arte que nasce dessa paixão que cresce, silenciosa, dentro dele. Faria você entender que ele só quer ser visto. Notado. Percebido. Porque ele já faz isso todos os dias — à distância, discretamente, perdendo o ar sempre que você está por perto. E nem sabe como o coração ainda pulsa, de tantas batidas que falham quando você se aproxima. Jisoo sabe que talvez nunca vá viver esse amor, mas faria você entender que, se um dia quiser tentar, ele aceitaria. Com tudo o que tem, e por isso, espera. Espera com paciência por uma chance.
little things.
your hand fits in mine like it's made just for me
the crinkles by your eyes when you smile
the sound of your voice on tape
i'm in love with you and all these little things
sweet dreams.
you the only cover that I need when I'm cold
you can have my body, with my heart and my soul
you light up my life, you're like a diamond
dreams gonna be sweet tonight
adore you.
i get so lost inside your eyes, would you believe it?
you don't have to say you love me, you don't have to say nothing
you don't have to say you're mine, honey
i'd walk through fire for you just let me adore you
to you.
you're the only one for my breathless self
oh, even if we're facing each other, i still miss you
you've given me a piece of happiness
you've placed all of the smiles in the world in my hands
if you ever wanna be in love.
i'm always thinking 'bout the two of us
replay on my mind, always playing on my mind
i'll come around, if you ever wanna be in love
i'm not waiting, but i'm willing, if you call me up
Tinha conversado com Jisoo mais cedo. Comentou que estaria de folga do trabalho naquela noite, porque tinha trocado a folga com uma das colegas que queria aproveitar o aniversário longe do trabalho. A ideia inicial era ficar em casa mesmo, mas estava sentindo um tédio enorme. Talvez nem fosse tédio, mas ansiedade. O tempo livre era bom, mas depois de fazer tudo o que precisava em casa e dormir até tarde, ainda sobrava muito tempo ocioso. E mente vazia era oficina do diabo. Então, Dasom se arrumou em saiu de casa. Foi sozinha a um bar que viu indicações na internet. E também comentou isso por mensagens com o amigo.
E foi a última coisa que falou, na verdade. Depois disso, estava ocupada demais dançando e conversando com estranhos. Mas também bebendo com eles. Porque tinha um homem achando que iria conseguir alguma coisa a entupindo de álcool. E claro que tinha deixado que ele acreditasse. Honestamente, um de seus jogos favoritos.
Mas então, quando estava prestes a alcançar seu novo drink, alguém pegou o copo antes dela. ━━ Oh? Jisoo? ━━ A surpresa por vê-lo ali estampada em sua expressão, álcool demais no sangue para conseguir esconder qualquer coisa. ━━ O que está fazendo aqui?
Em Jeju, Jisoo conseguiu acumular amizades que combinavam perfeitamente com ele, e por incrível que pareça, apesar das experiências que a mulher tinha, Jisoo gostava que ambos carregavam a mesma energia caótica em níveis diferentes mas que se complementavam de alguma maneira. Trocava mensagens com ela até simplesmente não receber mais nenhuma, a pergunta era simples: quer que eu vá com você no bar? E a falta de resposta vinha do óbvio, ela já estava por lá.
Com toda paciência do mundo, terminou de se arrumar, trocando o pijama que tinha planejado usar para um visual que combinava mais com o ambiente que iria, só para buscar a mulher. Foi até o bar indicado por ela, pagou o táxi e entrou, chegou a falar com o bartender, mas não chegou a terminar o questionamento, pois logo conseguiu ver a amiga com um homem que tinha a áurea perigosa que conhecia muito bem. Quando se aproximou, viu o novo drink que foi servido e não deixou que a amiga pegasse, pois ele conseguiu ver que o homem tinha jogado algo dentro do copo na primeira distração da mulher. “Você me deixou esperando no telefone, querida” Falou docemente enquanto os olhos estreitos e perigosos foram direcionados a sua companhia, estralando o dedo para o garçom e chamando-o, erguendo o copo que tinha um pontinho branco no fundo que dissolvia lentamente. “Consegue ver? Pois bem, eu sugiro que chame a polícia antes que o bonitão aqui consiga uma vítima de verdade” Disse firmemente, podendo sentir o olhar gélido do homem em sua direção, depois que o garçom pegou a bebida que o Jisoo decidiu pegar a amiga para tirá-la dali, afastando-a do cara. “Você quase caiu na armadilha daquele cara, você tem ideia disso?”
“Isso é muito, não é?”, não era bom com números. Probabilidades, distância, tempo. Nenhuma dessas coisas fazia muito sentido para Seyeon. Ele não era feito de linhas retas e lógica; caminhava no mundo como se estivesse acabado de sair de um pergaminho escrito em letra cursiva. Talvez por isso, pensar sobre o que estava fazendo ali a tantos metros do chão, as cadeiras subindo lentamente, a vista lá do alto — tudo que num primeiro momento fosse o sensato, não parecia a reação lógica para ele. Parecia só… fugir.
De olhos fechados, a única coisa que importava era a tranquilidade.
Longe do tumulto da festa, dos sons estridentes e de tantos sinais diferentes. Aquela era a primeira vez na noite que havia encontrado sossego em um dos brinquedos; a primeira vez em que a presença de um completo desconhecido não lhe deixava ansioso. Até a voz dele era agradável. Seria perfeito se pudesse durar para sempre. “Não sei, não vou arriscar olhar para baixo,”, acompanhava seu tom, um murmúrio. Temia quebrar o encanto daquele momento tão bom. “mas já que gostou tanto, bem que podíamos pedir para ir duas vezes seguidas. Será que deixariam?”. Olhou para ele e sorriu, brando, confortável. “Se estiver tudo bem para você, claro”.
"É o contrário, eu acho. É como se, dentre 10 milhões de pessoas, você foi quem teve a chance de sentar nesse assento" Levaria em média 27 mil anos pra ganhar uma vez. Cada um estava aproveitando a sua maneira, enquanto Jisoo parecia mergulhar no deslumbre da paisagem não muito longe dali, se pudesse, naquele momento, tentaria pintar alguma coisa em seu caderno, mas não estava com esse tempo todo e muito menos com o caderno naquele momento. Quando desviou o olhar para a sua companhia, se deparou com o rapaz de olhos fechados, mas não por estar com medo, não era essa a expressão em seu rosto.
Jisoo pegou o seu celular em silêncio e tirou uma foto, discretamente, ao menos poderia usar de modelo para a ideia que surgiu em sua mente, virando-se para a paisagem e repetindo o gesto. "Tudo bem, pode olhar pra cima também" Brincou, em um tom doce e suave, antes de colocar o aparelho celular em descanso sobre o seu colo. "Eu pensei exatamente nisso" Respondeu, voltando a olha-lo novamente e sorrir igual a ele. "Acho que nós dois combinamos um pouco, não acha? É aí que tá… uma chance em dez milhões" Riu baixo.
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O universo poderia ter oferecido virtualmente qualquer pessoa pra ser a sua dupla de assento na montanha-russa, menos Jisoo. A mortificação de ter que passar às pressas por ele nas áreas comuns da Namgyeong já era horrível o suficiente, desde aquele episódio embaraçoso com o seu rut fora de controle. Chanhyuk ainda estava processando a melhor forma de encará-lo de novo no olho sem querer explodir por combustão espontânea a cada três minutos, mas pelo visto as forças cósmicas da improbabilidade tinham outros planos reservados. Porque foi exatamente Jisoo quem se sentou ao seu lado, em toda a sua glória de roupa reveladora e cabelo bem-feito e maquiagem nos olhos e— Whoa, aquilo era salto alto?!
Só que ele também estava incomumente quieto, nenhum sorriso gentil à mostra. E era tudo culpa de Chanhyuk, não era? Merda. O silêncio foi ensurdecedor, mais do que a tração do carrinho que começava a vagarosa subida até o topo. Mais do que os gritos metade alegres, metade desesperados quando eles finalmente despencaram do alto, caindo em queda livre através de loopings e curvas abruptas. Mais do que a sua própria pulsação, batendo a mil por hora na jugular, pela adrenalina ou por outro sentimento indeterminado.
Num ato patético e involuntário, Chanhyuk se viu quase segurando a mão de Jisoo durante o percurso. Quase. O ímpeto de buscar conforto parecia ter se enraizado, depois que o seu alfa tinha experimentado uma prévia do que poderia ter, se realmente quisesse.
“Você não parece muito bem,” ele notou assim que o brinquedo parou, ao mesmo tempo em que Jisoo confirmou as suas suspeitas, visivelmente impecável se não pela falta preocupante de cor no rosto. A trava subiu com um novo clique e a sua hesitação durou um segundo, só um segundo. Porque, no seguinte, Chanhyuk já estava se inclinando e estendendo um braço, a necessidade em ajudar maior do que a vergonha de uma lembrança passada. “Uh, claro, se segura em mim. Vem.”
A outra mão foi parar nas costas de Jisoo, o direcionando com calma até a fila de saída. O ângulo era meio esquisito, os dois em pé de ombros encostados e Chanhyuk pela primeira vez tendo que erguer o rosto pra observá-lo, mais baixo por causa do salto, mas nada com que ele não pudesse lidar.
“Quer água? Se sentar um pouco? Que eu te leve até a privada mais próxima?”
Ouvir que não parecia muito bem causou uma sensação em dois pontos diferentes, um que lhe atingia a vaidade, porque definitivamente não tinha ficado horas de arrumando para destruir tudo em um único brinquedo, e o outro era a parte da própria saúde, Jisoo não é a pessoa mais saudável do mundo, alimentação ruim, dormia mal e ainda por cima tinha hábitos viciosos que dificultavam a parte de se manter saudável. Ainda que faça exercícios diários, até porque precisava manter o shape, como alguns homens héteros (alfa) dizem por aí. "Estou tão feio assim? Pelo menos a maquiagem se manteve?" Sorriu sem jeito, porque realmente tinha que se colocar nessa situação de vulnerabilidade, né.
Se levantou do assento e claro que se segurou nele porém, com o toque no braço de Chanhyuk, as lembranças vieram como um choque, imediatas e vívidas. Os dedos deslizavam suavemente sobre o tecido da blusa, mas era como se a pele ainda guardasse a memória das curvas perigosamente familiares que, em outro momento, ele havia explorado. Naquele breve contato, Jisoo foi arrastado de volta para o universo que os dois quase criaram juntos, um lugar onde o desejo se misturava com novas descobertas, onde ele, por um momento, ousou reconstruir a figura masculino do alfa em sua mente, mas que no fim, foi apenas uma figura idealizada, diferente do real. Algo que, claro, se provou um erro logo em seguida. E por mais que houvesse aquela lembrança calorosa, havia também a dor da rejeição, com as boas memórias vindo entrelaçadas com as ruins que estavam ligados a forma como foi tratado, o jeito que aquela noite terminou. Um incômodo cresceu no peito de Jisoo que fez com que o toque, que antes provocava desejo, agora deixasse um rastro de desconforto.
"Quero uma água e ir pra um lugar mais calmo" Falou docemente, enquanto saíam do brinquedo e era guiado, de alguma maneira, até o banco mais próximo da praia e mais distante do parque, ao menos era o que parecia. Quando se sentiu seguro o suficiente para poder relaxar enfim, Jisoo cruzou as pernas e encostou as costas no banco, para que pudesse levantar um pouco a cabeça, puxar o ar com calma e suspirar. "Eu não vou mais me meter nisso" E então apertou o braço do outro, impedindo-o de se afastar. "Não precisa da água, eu acho que só precisava me sentir preso no chão de novo"
↘⠀WITCH HUNT⠀﹕
para @talkintcthemccn ,⠀numa⠀cabine fotográfica⠀.
Era um dia normal de trabalho. Han estava no mercado de Wolnari, vendendo seus amuletos para estrangeiros. Um deles era grande, de ombros largos, parecia burro. Então, ele vendeu um totem com suas promessas megalomaníacas. Só não contava que a sorte viraria tão rápido: o cara encontrou outro vendedor com o mesmo amuleto e ainda por um preço mais baixo. Claro que o gringo ficou furioso e exigiu reembolso. Han, com seu jeitinho de raposa, fingiu não entender nada, soltando um sorriso maroto que só piorou a situação. O homem avançou, rosnando, e Han precisou correr antes de virar picadinho. Correu tanto que mal sentia as pernas. O homem, apesar de pesado, o seguia como um touro cego, atraindo atenção. Virando a esquina, Han viu a salvação: uma cabine de fotos. Ele entrou tão rápido que nem olhou para quem estava lá dentro. Ofegante, começou a tirar a jaqueta e o óculos. ❝ Mianhae, mianhae ❞ pediu, sem olhar nos olhos de quem estava ao lado, tentando se descaracterizar para enganar o estrangeiro, caso eles se encontrassem de novo.
Às vezes, Jisoo tentava melhorar o próprio dia, principalmente quando o cansaço do trabalho era demais e a vontade de insistir numa vida social falida era de menos, nesses momentos, ele fingia que estava aproveitando o tempo com os amigos, mesmo sabendo que a maioria também vivia a mesma rotina adulta e exaustiva que a dele. Trocava mensagens no kakao talk enquanto fazia coisas só para que eles pudessem participar também.
Por isso que, naquele dia, achou que seria uma boa ideia ir até a uma cabine de fotos sozinho, só por diversão, mas bastou a primeira fileira de fotos aparecer no visor à sua frente, pedindo para serem enfeitadas com molduras e figurinhas, para perceber o quão péssima a ideia realmente tinha sido.
Observava o vazio estampado no sorriso amarelo em seu rosto que gritava mais alto de que qualquer filtro que pudesse escolher para melhorar a imagem, quando a pessoa invadiu a sua cabine. "O que…?" Falou de primeiro, antes de ouvir os diversos pedidos de desculpa. "Você tá maluco? O que você tá fazendo?" Disse quando o impediu de colocar uma peruca colorida, colocando-a de volta no pequeno baú. E então levou a mão até o rosto dele para fazê-lo lhe encarar, queria mesmo que o invasor visse a sua expressão indignada.