[⠀⠀⠀𝐂 𝐎 𝐒 𝐌 𝐈 𝐂⠀⠀⠀] . . .⠀⠀⠀lee jun young? até que parece, mas não é. aquele é BAEK SEUNGHAN, classificado como ALFA. ele tem vinte e cinco anos e é natural de jeju, coreia do sul, mas atualmente está residindo aqui perto em WOLNARI. atualmente, trabalha como ESPECIALISTA EM FENG SHUI E PRÁTICAS ESOTÉRICAS. dizem que é muito intuitivo e criativo. e também pode ser dramático e mercenário, acredita? mas quando passa, deixa para trás aquela essência de AMYRIS COM NOTA DE CRAVO que é difícil ignorar.
Seunghan é um espírito livre, incapaz de se prender a qualquer trabalho sério por muito tempo. Filho de arquitetos bem-sucedidos, cresceu em Jeju, rebelde, sempre à procura de aventuras. Embora tenha estudado arquitetura em Seul para agradar aos pais, descobriu que sua verdadeira paixão era o design de interiores — e, mais tarde, passar a perna em turista burro. Astuto e carismático, transformou seu talento para a enganação em fonte de renda: oferece consultorias de Feng Shui por preços elevados, promete transformar energias negativas e até engana turistas vendendo leituras de sorte e amuletos. Apesar de ter talento, Seunghan é, acima de tudo, alguém que prefere a liberdade de inventar a estabilidade de uma vida regrada.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀(⠀⠀⠀🔮⠀⠀⠀)
𝖆 𝖘𝖙𝖚𝖉𝖞 𝖎𝖓 : crystals, winking at strangers, the smell of rain in the air, dogeared pages, hearing whispers in the wind that no one else seems to notice, unanswered texts, candles, man with vision, houseplants scattered all over the house, warm tea, blinking neon signs, he’s such an actor, cute animals, ethically questionable, laughter like sodapop, stars and smile stickers, making a “fuck you” gesture at authorities, blasting music while driving around the city at 3am .
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⠀⠀⠀(⠀🔮⠀⠀· ⠀⠀PLAYLIST⠀⠀)⠀⠀⠀𑇛⠀⠀⠀“ i would grow flowers in my lungs if you told me you liked daisies . . .
Seunghan acordou no silêncio, na perfeita escuridão. Era o terceiro dia e ele ainda não tinha a menor pretensão de sair do quarto. Antes mesmo de entreabrir os olhos, sabia que ainda era madrugada. Conhecia aquele silêncio. A ausência de barulho humano era reconfortante como uma velha amiga. Ainda assim, abriu um pouco a cortina. A lua não estava tão grande, mas oferecia uma certa claridade. Ele podia ver a forma de todas as coisas no quarto; da cama, da mesinha e dos vasinhos de planta que ele negligenciou nos últimos dois dias.
As horas passaram em completa quietude. Ele permanecia levemente sentado, o olhar tão perdido quanto se sentia. Queria que fosse de outro jeito, mas ele sabia que nada de bom vinha de querer que as coisas fossem diferentes. Ainda que lutasse contra a maré, ela sempre o vencia. Portanto, estava ali, em sua cama, sem mexer um músculo, ouvindo apenas o canto dos pássaros e o clamor do vento lá fora, até que os passos da avó pela casa o tiraram do seu torpor.
Ele alcançou os fones de ouvido. Já conseguia ouvir o barulho das panelas na cozinha, a halmeoni preparando o café da manhã. Não queria o som do mundo real batendo contra seus ouvidos. Pela primeira vez no dia, pegou o celular. A tela acendeu, e ele ignorou os números das notificações, como sempre fazia. Abriu o aplicativo de música, a salvação. Han nunca foi de fazer playlists, mas tinha umas cinco ali, cuidadosamente selecionadas. Seus olhos cravaram no título de uma delas. Quando eu disse e você entendeu.
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀when she loved me,⠀⠀lyn lapid
Enquanto o instrumental tocava, Seunghan deslizou pela cama como se quisesse desaparecer nela. Enterrou o corpo no colchão e puxou a coberta até o pescoço, criando um casulo em torno de si. Então, os primeiros versos começaram— e era justo que a playlist começasse assim, com uma canção do maior filme sobre amizade que existia. Toy Story sempre o fazia chorar. Não importava quantas vezes assistisse, havia algo ali que atravessava sua pele.
Às vezes, quando se permitia pensar, sentia que era um brinquedo do Sid: desmontado, partes espalhadas, tentativas fracassadas de reconstrução. Suas peças eram rígidas demais, quebravam fácil, não se encaixavam nos lugares certos. Tentavam colá-lo, soldá-lo, mas ele continuava ali, torto, uma aberração, preso entre o que poderia ter sido, o que queria ser e o que ( infelizmente ) era.
Outras vezes, ele era o Woody. Tinha um nome escrito na sola do sapato, prova de que um dia pertenceu a alguém. Ou então a Jessie, que pertencia a alguém que tinha crescido e esquecido que era ele quem enxugava suas lágrimas e fazia companhia.
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀lejos de ti,⠀⠀the marías
Quando a música começou a tocar, algo dentro dele cedeu. Não de um jeito barulhento, era uma madeira velha rangendo sob o peso da memória. Lembrou da amiga que o apresentou àquela banda, uma garota estrangeira que apareceu no último ano da faculdade. Era para ser temporário, e talvez por isso tenham se tornado tão próximos. Não havia promessas de para sempre, e, paradoxalmente, a data de validade daquela amizade era um alívio. Em pouco tempo, sabiam mais um do outro do que os colegas que ele carregava desde o primeiro semestre.
Ela também sentia saudade de alguém da infância. Também se afogava em filmes tristes e álbuns melancólicos, como se estivessem tentando entender, através da dor dos outros, a deles mesmos. Choravam como bezerros desmamados, como se fossem a metade de uma pessoa destinada a nunca estar com seu complemento.
Às vezes, ainda trocavam mensagens pelas redes sociais, mas Han evitava ver as fotos. Era melhor não saber demais. Porque, diferente dele, ela havia conseguido. Ela havia voltado e reencontrado a pessoa por quem ele a ouviu chorar tantas noites. Já Han… bem, ele continuava ali, deitado, fones enfiados até o fundo dos ouvidos, a música doendo mais do que curando. Continuava a poucos passos de onde queria estar, mas se sentindo a quilômetros. Perguntava-se por que ainda estava tão longe, mesmo estando, objetivamente, a menos de dez casas de distância.
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀it's not the same anymore,⠀⠀rex orange county
Se perguntar o porquê era patético da parte dele, não era? Ele mesmo se castigava por isso — por ainda pensar tanto, por ainda sentir tanto. Seunghan sabia que só estavam longe por sua culpa. Porque ele era um combo de fatores negativos. Porque sua mente e seu corpo viviam em guerra, e, mesmo nos raros momentos de trégua, sua atitude o traía. Dizia o que não queria, fazia o que não achava certo. Sempre soube que isso não queria dizer que seu coração estava no lugar errado. Na verdade, seu coração estava exatamente onde sempre esteve — preso num tempo que não voltava. E era isso que o assustava.
Porque nada era mais como vinte anos atrás. As vozes mudaram, os cheiros mudaram, até o céu parecia diferente. Mas ele continuava querendo. Querer era a ruína. Era o que queimava dentro dele, corroendo suas entranhas em silêncio. Ele escutava a última estrofe da música com os olhos tão perdidos quanto ele se sentia. It never got any better, pensou. E ele não acreditava mais que aquele dia fosse chegar. Mas ainda assim, ainda assim... ele queria. E querer, para Seunghan, era o maior castigo de todos.
୨ৎ⠀⠀pause . . .⠀⠀
Halmeoni estava começando a ficar preocupada. Era o terceiro dia que o neto não saía de casa, e embora ele às vezes se esforçasse para sentar à mesa com ela, era como se seu corpo estivesse presente, mas o espírito vagasse em outro lugar. Naquela manhã, preparou um gyeran-guk, pensando que algo leve, quente e feito com calma poderia ajudar a puxá-lo de volta. Chamou uma, duas vezes. Na terceira, não esperou resposta.
❝ Seunghan… ❞ chamou, a voz carregando uma doçura que não tinha há dois dias, quando o repreendeu por ter chegado em casa cheirando álcool.
❝ Hmm? ❞ ele pausou a música, tirando um dos fones.
❝ Vem comer ❞
❝ Okay ❞
Levantou devagar, ajeitou o moletom, e se arrastou até a mesa. Comeu em silêncio, os ombros curvados, sentindo o olhar pesado da avó. Quando ela falou de Seyeon, ele demorou um segundo para reagir.
❝ Você tem certeza que quer que eles me vejam assim? ❞
❝ Se você não quer ser visto assim, trate de melhorar ❞
❝ A senhora tá ficando mais cruel com o passar do tempo ❞ Resmungou, fazendo beicinho.
❝ Han… ❞
❝ Tudo bem, halmeoni, eu prometo estar apresentável hoje à noite ❞
Levantou antes de terminar, deixando um resto no prato. Contornou a mesa e a abraçou. Sentiu o corpo dela rígido de surpresa, depois relaxando aos poucos.
❝ Vai ficar tudo bem, halmeoni, não se preocupa ❞
❝ Alguém tem que se preocupar ❞
A resposta ficou no ar, como um peso entre os dois.
❝ Que bom que eu tenho uma avó pra se preocupar comigo ❞ Afagou os cabelos dela, macios e ainda escuros, e fez menção de voltar ao quarto.
❝ Nada de deitar, Baek Seunghan. Vá passear com a Bulgie antes que ela morda alguém ❞
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀dear friend⠀,⠀dayglow
Embora Han gostasse da liberdade de fazer o que queria, quando queria, ele sabia que sem uma rotina, tudo desmoronava. Por isso, na maioria dos dias, ele corria ao amanhecer, tomava café com a avó, levava a poodle para passear duas vezes, cuidava da horta no quintal e tentava dormir no mesmo horário. Eram esses pequenos rituais que mantinham sua mente funcionando.
Quando halmeoni mandou que levasse a cachorra para passear, ele não discutiu. Apenas se levantou, automático. Pegou os fones no quarto e a coleira pendurada na porta. A cachorra rosnou quando ele prendeu a guia, como se dissesse, com toda razão, que ele tinha sido negligente nos últimos dias e que seria melhor compensá-la pelo estresse.
Saiu com o capuz cobrindo a cabeça, os olhos baixos, torcendo para que ninguém tentasse puxar conversa. Não queria sorrisos forçados, nem perguntas sobre como andava a vida. Precisava guardar toda sua energia para mais tarde. O jantar. Aquele jantar. No relógio, durava duas horas; na cabeça de Seunghan, uma eternidade. Ele passava o tempo todo atento, evitando fazer ou dizer qualquer coisa que pudesse incomodar alguém. Claro que nem sempre era possível.
Às vezes, se pegava encarando Seyeon do outro lado da mesa, tentando adivinhar o que se passava na mente do noivo— uma mente que agora parecia tão distante, tão misteriosa quanto a de um estranho. E a frustração de não conseguir decifrá-lo crescia dentro dele como uma febre. Era nesses momentos que sua avó, sem desviar os olhos do prato, desferia uma cotovelada certeira por baixo da mesa. Um lembrete: contenha-se, Han.
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀about you⠀,⠀the 1975
Mas não era exatamente isso que ele vinha fazendo desde que voltara para Jeju? Se contivera em cada gesto, em cada palavra. Esperando o momento certo, sentindo o mínimo possível, sem pedir nada — nem presença, nem carinho, nem perdão. Ele era a própria Elsa em relação a Seyeon. Tudo para não comprometer o arranjo entre as famílias. Toda essa performance, esse silêncio, essa perfeição calculada... tudo para que, um dia, ele pudesse dizer “sim” no altar sem tremer a voz, realizar aquele desejo antigo de criança: ficar com seu melhor amigo para sempre.
Melhor amigo? Humpf… Eles não eram mais melhores amigos.
Que merda! Não era patético, da sua parte, ter obedecido os pais pela primeira vez (quando decidiram que deveria esconder todos seus problemas físicos e mentais) e isso ter desencadeado tudo? Ter virado essa bola de neve que agora o soterrava lentamente, a ponto de ele não conseguir mais ver o que era desejo próprio e o que era expectativa alheia? Ele tinha se dobrado uma única vez. Só uma. E, nessa de se manter firme, Seyeon estava do outro lado, com os olhos fixos em qualquer coisa. Qualquer coisa. Menos nele.
Será que Seyeon tinha esquecido? Será que, em algum momento entre a infância e agora, ele simplesmente apagou as promessas feitas com as mãos entrelaçadas e os joelhos sujos de terra? Será que ele achava que Han havia esquecido também? Que tudo aquilo era só coisa de criança que se desfaz com o tempo?
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀if it is you⠀,⠀jung seung hwan
Han não sabia o que doía mais: a possibilidade de Seyeon ter simplesmente esquecido deles ou a ideia, ainda mais cruel, de que ele lembrava de tudo... e odiava. Odiava a ideia de casar com Han. Odiava esse futuro arranjado, esse laço que agora os prendia de forma tão diferente do que um dia desejaram.
Se ele tivesse apenas esquecido, Han poderia lembrá-lo… não poderia? Havia esperança. Se fosse só esquecimento, dava pra reacender. Mostrar as memórias, refazer os passos, voltar a ser o que foram um dia. Havia uma chance de, independentemente de casamento, voltarem a ser amigos. Melhores amigos.
Porque, no fim das contas, era isso que Han mais sentia falta— não do romance idealizado, nem do altar que os adultos já tinham desenhado. Ele sentia falta da amizade. Da segurança de ter alguém que o entendia antes mesmo dele falar. De ter alguém que era sua pessoa, aquele tipo raro de vínculo. E se houvesse ao menos uma fagulha disso…
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀i hate it too⠀,⠀mitchy
Mas… e se ele o odiasse? O que mais Han poderia fazer além do que já estava fazendo? Ele já mantinha uma distância segura, não falava do casamento com aquele brilho nos olhos que as pessoas esperavam. Pelo contrário, fazia questão de mostrar que não estava certo daquilo e que, se Seyeon quisesse sair correndo, ele deixaria a porta aberta.
Era tudo uma tentativa desesperada de aliviar o peso, porque o que Han mais temia não era perder Seyeon; era tê-lo por perto, mas preso. Forçado. Um noivo infeliz ao lado de alguém que ele não amava. Han preferia mil vezes viver com a ausência (que ele estava acostumado com a dor) do que com a obrigação. Ele ainda lembrava do menino que prometeu segurar sua mão para sempre e Han queria que, se Seyeon decidisse segurá-la de novo, fosse por vontade própria. Nunca por dever.
E então a pergunta surgia, inevitável e amarga: por que isso não era suficiente? Por que todo esse esforço silencioso não bastava? Seunghan se esvaziava um pouco mais a cada dia, se dobrava, se moldava. E ainda assim, quando olhava para Seyeon, sentia que estava perdendo. E talvez já tivesse perdido, mas ninguém o avisou.
୨ৎ⠀⠀playing . . .⠀⠀love me like you used to⠀,⠀lord huron
Han estava tão absorto nos próprios pensamentos que só voltou ao presente quando ouviu Bulg latindo como se o mundo estivesse prestes a acabar. Primeiro olhou para o chão, meio confuso, depois seguiu a linha da atenção da cachorra e ali estava ele, estirado preguiçosamente na frente da casa. Gumi os encarava com aquele olhar entediado e superior, como se dissesse que a histeria de Bulggie era, no mínimo, vergonhosa. Han sorriu, gostava do gato. Tinha inveja da tranquilidade dele, entre outras coisas.
Foi então que se deu conta, de verdade, de onde estava. Do outro lado da cerca, a senhora acenou com um sorriso discreto. ❝ Nos vemos mais tarde, querido❞
Han sentiu o rosto esquentar. ❝ Até! ❞ Acenou de volta, tímido, quase tropeçando no próprio pé. Pegou Bulgae antes que ela decidisse escalar o portão e caminhou rápido de volta para casa, segurando a cadela contra o peito.
Kwangsik não se importava com o fato de Seunghan não o querer, uma vez que não precisava de sua aprovação para saber que valia alguma coisa para muitos outros que o queriam. Eles só estavam naquela situação porque o outro ousou citar sua família. Sabia que não era o mais querido de Wolnari, sobretudo pelo fato de ter nascido de duas mães alfas e de realizar trabalhos que não estavam no que os demais consideravam como adequados para um ômega, mas isso nunca foi motivo de vergonha.
E em meio a tanta raiva que borbulhava em suas artérias, sequer percebeu que seu supressor natural já vinha perdendo efeito. Só se deu conta quando já era tarde demais e antes que pudesse esboçar qualquer reação, seu corpo estava no chão novamente, naquele baque dolorido que fez a dor subir pelo mesmo ombro que tinha batido mais cedo. Sua primeira atitude foi tentar se desvencilhar de Seunghan, mas ele já estava lhe prendendo no lugar como se não fosse nada, como se fosse fácil lidar com ele. Suspirou irritado, puxando os punhos, apenas para ser presenteado por uma pontada aguda perto da clavícula, como um sinal de que ele deveria ficar quieto onde estava.
Sem alternativas, os olhos se fixaram no rosto do alfa. ━ Ah. ━ Virou a cabeça para o lado, expondo mais da pele desnuda do pescoço, uma vez que Kwangsik estava sem a parte de cima da roupa. Fez o movimento de propósito, para que o próprio cheiro preenchesse aquele pouco espaço que havia entre os dois. ━ É assim que você gosta, então? ━ Sorriu de canto. ━ Se espera que eu seja submisso a você, Hannie, vai ter que me forçar. ━ Riu bem baixinho, enquanto erguia o pescoço da melhor maneira que conseguia, aproximando mais seu rosto do dele, a ponto de poder roçar sua boca na do alfa. ━ E eu prometo fazer o possível para não obedecer.
Embora tivesse um olfato aguçado, Seunghan nunca fora do tipo que sofria com os próprios hormônios ou com o cheiro dos outros. Seu rut era discreto, administrável, até calmo se comparado a algumas histórias de terror que conhecia. Ainda assim, fazia meses que ele usava supressores. Uma escolha necessária desde que a convivência com Seyeon se tornara uma constante por influência das famílias. Han só queria evitar que sua presença causasse incômodo ao noivo. O problema é que ele nunca consultou um médico. Só pesquisou por conta própria, experimentou doses, métodos, marcas, e agora seu corpo cobrava por isso.
Neste último semanas, tudo parecia ou intensificado demais ou anestesiado. Naquele momento específico, o cheiro de Kwangsik ( o cheiro de um ômega ) atingiu-o como uma onda quente e descontrolada. Seu corpo reagiu antes da mente. Apertou os pulsos do outro, por raiva e pela tensão que o atravessava como um fio de alta voltagem. O homem abaixo dele era o verdadeiro demônio, pensou, provocando-o daquele jeito. E então, cedeu. Seus lábios colaram aos de Kwangsik com uma necessidade que parecia não vir dele, mas de algo interno, mais fundo, como uma falha. Era um beijo ríspido, tenso, tão bagunçado quanto o que havia entre eles. Uma mão prendia os braços do outro, a outra descia por sua pele, sentindo... até que algumas sinapses de lucidez começaram a se chocar. Ele disse forçar? Que tipo de merda ele estava fazendo agora?
Ele congelou. Não queria aquilo. Não gostava daquilo, não daquele jeito. Definitivamente, não com Kwangsik. Seu corpo ficou rígido, como se toda energia tivesse sumido, e então ele se afastou. ❝ O que a gente tá fazendo? ❞ murmurou, mais pra si do que pro outro, antes de se jogar pro lado, deixando o corpo do ômega livre do peso que era tê-lo por cima. Sua pele ardia, seu rosto queimava. Olhou para os pulsos do guarda. Ele era uma vergonha. Não havia nada que pudesse justificar aquilo. Seu estômago revirava em nojo de si mesmo. Sentia vontade de desaparecer, de nunca ter estado ali para começo de conversa. ❝ Kwangsik... ❞ sua voz saiu fraca, mais do que ele planejara, quase infantil. Ele sentia sua carne tremer dentro da pele. Estava tudo errado. ❝ Se você quiser sair por aí falando que eu sou menos alfa por causa disso… ❞ Sussurrou, atenção fixa no lago, evitando olhar nos olhos do outro. ❝ Não tem problema… Mas eu não… Isso não… ❞ Queria sumir na própria roupa, na própria carne. Ainda assim, se forçou a levantar. Deu um passo. Depois outro. Seus lábios tentaram formar a palavra. Não saiu. Tentou de novo. Finalmente, sua voz ( estranha, distante ) cortou o ar alto o suficiente apenas para Kwangsik ouvir. ❝ Desculpa ❞
Uma das maiores alegrias foi ter Seunghan de volta. Chunhwa mal conseguia se conter de felicidade toda vez que tinha a chance de encontrar o amigo, após tanto tempo longe; era quase um privilégio. Desde o colégio nutriam aquela amizade saudável, que não era influenciada pelos seus "eus secundários". Era como se não fizesse diferença e Chunhwa gostaria que tudo se mantivesse assim, pois uma das coisas que mais gostava naquela relação, eram suas saídas juntos para comerem em alguma barraca pela cidade.
Era o momento em que podiam conversar sobre amenidades da vida, rir e esquecer todos os problemas. Ela ria de uma das histórias dele quando percebeu a mudança no comportamento de Seunghan. Chunhwa já estava com alguns sojus na cabeça e primeiramente pensou que ele talvez estivesse resolvendo uma questão familiar ao telefone. Mas seu cérebro fez mais algumas sinapses e a fez ficar de pé. E se ele precisasse de ajuda com isso?
Saiu atrás do amigo, preocupada. ━ Hani-ya! ━ Chamou pelo apelido carinhoso, dando uma corridinha pela rua até passar por um beco e parar. Viu um vulto e precisava conferir se não era quem procurava. ━ Hani? Hani! ━ Estendeu as mãos na direção dele, toda preocupada. ━ O que houve? Foi tão ruim assim a ligação? Olha, não se preocupa! Eu conheço muita gente, vamos te ajudar. Não precisa vomitar de nervoso, tá?
Seunghan escondia sua condição de todos desde que era adolescente. Seus pais haviam sido claros: ninguém podia saber. Doença era fraqueza, e fraqueza não era uma opção. Aprendeu a sorrir mesmo quando doía, a ser educado e eficiente mesmo quando parecia que havia levado um soco na barriga. Nos últimos meses, no entanto, as coisas estavam piorando. Mas se preocuparia com isso depois, agora, precisava melhorar. Pelo menos o suficiente para caminhar até Chuni e dizer que precisava voltar para casa. Só que o pensamento mal se formou antes de seu estômago protestar de novo. A dor o fez curvar-se para frente. Uma mão instintivamente apertou o joelho, enquanto a outra buscava apoio na parede mais próxima. O gosto de bile subiu. Então, ele ouviu a voz da amiga. Merda. Merda. Merda.
Imediatamente tentou se endireitar, ignorando o protesto do próprio corpo. Usou a parte interna da camiseta para limpar os lábios, rápido, quase com raiva, como se pudesse apagar a vergonha junto com o gosto amargo que ainda queimava sua garganta. Não queria que Chunhwa o visse assim— já bastava ela ter o azar de encontrá-lo naquele estado, mas ouvi-la falar, com aquela preocupação genuína, foi o golpe final. A vergonha virou culpa, e a culpa virou dor. Ele não deveria ter mentido. Passava os dias enganando estranhos com promessas, previsões e amuletos, mas odiava mentir para quem amava de verdade. Doía. Não só no estômago, mas no peito. E os olhos, já ardendo desde antes, não seguraram o resto. As lágrimas se formaram, mornas, pesadas, e ele virou o rosto, rápido, tentando esconder. Levou as mãos ao rosto, como se aquilo fosse o suficiente para impedir que ela visse a bagunça. Mas ela estava ali. O que ele podia fazer? ❝ Não… Chuni-ya… ❞
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↘⠀( A TINY ) SYMPHONY OF DESTRUCTION ⠀﹕
para @vivivenivici ,⠀no⠀parque⠀.
Ele estava completamente destraído, aproveitando a brisa fresca do fim de tarde quando Bulgie decidiu transformar o passeio num pequeno inferno. A cachorra começou a rosnar, latindo alto e estridente ao avistar dois cães imensos a poucos. Num segundo, já estava puxando a guia com fúria, como se tivesse triplicado de tamanho ( o que não era o caso ). Ela era feroz como um cão de briga, mas com o porte físico de uma almofada. Han sentiu o estômago gelar. Os dois cachorros eram enormes, daqueles que, se quisessem, poderiam engolir Bulgie como um petisco. E, pior, quem os segurava era uma pessoa pequena. Não que ele quisesse subestimar a mulher ( longe disso! ), mas ele duvidava que ela conseguiria conter os dois se resolvessem reagir. Talvez nem ele conseguisse, dado o tamanho dos pastores. ❝ Pelos deuses, Bulgae, para ❞ ordenou com firmeza. Mas, claro, a poodle ignorou completamente, puxando com mais força. Ele teve que se abaixar rapidamente, tentando pegá-la no colo antes que virasse lanche canino, mas ela estava virada no Jiraya, ameaçando mordê-lo também.
O que machucou de fato não foi o comentário sobre sua altura, mas a insinuação que não poderia se orgulhar do pouco que havia conquistado sozinho. Era vergonhoso que ele não tivesse progredido muito, mas o que poderia fazer quando ambos eram tão diferentes? Sua família não tinha dinheiro de sobra, tampouco um nome que lhe garantisse conexões, então Kwangsik sentia que ao menos poderia se orgulhar de ter conseguido aquela vaga como guarda de fronteira. E também fosse um sentimento que o outro não entenderia, então ficou calado em sua própria humilhação.
As coisas só pioraram quando Han resolveu abrir a boca novamente. Kwangsik não era do tipo pacífico, ele estourava com facilidade, então foi em meio a um xingamento que jogou sua camisa no chão e se virou para se aproximar do alfa a passos largos e raivosos. ━ O que você sabe, seu merda? ━ Agarrou o rosto dele com a mão direita, pressionando os dedos nas bochechas. ━ O que você sabe sobre a minha família além do que a sua fala sobre ela, huh? Seus tradicionalistas de merda. ━ Empurrou o rosto dele para longe, apenas para erguer aquela mesma mão em seguida e descer a palma na direção do rosto do outro. ━ O que você sabe sobre as camas que eu deito? ━ Mais um tapa. ━ Tá com medo de experimentar e gostar também? Ou tá com raiva que eu não quis te adicionar na lista? Tá com ego ferido porque eu não quero sentar no teu pau, Seunghan?
Riu baixinho, agachando-se de frente para ele, as mãos se fechando ao mesmo tempo nos cabelos do alfa, trazendo a cabeça em sua direção até que as testas se encostassem. ━ Eu poderia te foder só pelo prazer de jogar na sua cara depois, Hannie. Porque eu sei que você não aguenta, que não é metade do alfa que finge que é. ━ Deu outra risada debochada e até maldosa, soltando os cabelos dele, penteando-os com os dedos de forma ruidosa. ━ Saiba seu lugar, alfa.
Ne estivesse sóbrio, jamais teria dito aquelas palavras. Se estivesse com a cabeça limpa, saberia que os tapas que recebeu eram mais que justos. No fundo, mesmo cambaleando, com o mundo girando ao seu redor, ele sabia disso. Merecia os tapas, merecia até um soco, se kwnagsik quisesse. Ainda assim, culpa e vergonha não encontravam lugar dentro dele enquanto o corpo inteiro tremia. O rosto estava em brasa, ardendo como se o fogo tivesse se alojado sob a pele. A visão oscilava, borrada, sobretudo depois que seus óculos foram arremessados ao chão durante um dos tapas. Ele ergueu a cabeça. ❝ Ego ferido, o caralho. De todas as pessoas, você é a última que eu quero ❞
Han nunca tinha olhado para Kwangsik daquele jeito antes. Nunca entendera como ele se enredava com tanta gente, como se fosse fácil para ele cativar tantos corações. Não fazia sentido, pensava. Não podia ser que tanta gente tivesse tão pouco gosto. Pensando melhor, talvez o rosto dele tivesse algo de bonito — não muito, só um pouco. O corpo, talvez, carregasse um magnetismo sutil, uma espécie de atração que escapava à razão. Ou talvez fosse só a luz da lua, pregando peças junto com a bebida e a ausência dos óculos, distorcendo tudo. Mas, mais provável ainda, era aquele cheiro que vinha dele ( de vinho, inebriante ) que fazia o resto desaparecer. Aquele aroma de ômega que se grudava na pele, no ar, deixando uma marca invisível que fazia tudo parecer diferente agora que estava tão perto. Droga, seu alfa estúpido.
Ele não deveria estar se perdendo nos contornos do rosto alheio, nem em devaneios sobre a beleza que via ali — ainda que relutante, ainda que envergonhado. Ele deveria estar respondendo à altura, mas a dúvida latejava dentro de si: qualquer coisa que dissesse teria mesmo o poder de ferir Kwangsik? Ele não queria cair na provocação e, ainda assim, ele não conseguia simplesmente recuar. ❝ E você ? ❞ As palavras escaparam entre os dentes cerrados. ❝ Sabe o seu lugar? ❞ Seu corpo se moveu antes que a mente pudesse intervir. A mão agarrou o pulso do ômega com certa violência, interrompendo-o de tocar em seu cabelo. Num único movimento, ele o derrubou ao seu lado. O estalo seco do impacto foi abafado pelo silêncio pesado entre os dois. Pela primeira vez, ele não se importou se havia causado dor. A outra mão prendeu o segundo pulso e, com um ímpeto, ergueu ambos acima da cabeça de Kwangsik, pressionando-o contra o chão com firmeza. Suas pernas estavam posicionadas, uma de cada lado, prendendo-o com experiência. E, estranhamente, ele se sentia mais centrado ali, mais equilibrado do que em qualquer momento anterior, como se a raiva tivesse desanuviado apenas os pensamentos que importavam, relegando o resto às trevas.
❝ Você se coloca num pedestal ❞ ele murmurou, inclinando-se até que seus rostos quase se tocassem ❝ Mas o seu lugar é esse ❞ Houve uma risada. Seca, dura, maldosa. Ele mesmo não soube dizer se era por desprezo ou desespero. Ele odiou o som que reverberou em sua garganta. Devia parar, devia levantar e ir embora, mas parecia impossível atender aos alertas internos. ❝ Submisso ❞
A mão dele na cintura foi firme demais. Quente demais. E o beijo… o beijo tinha gosto de raiva engolida e silêncio doído. Era o tipo de coisa que ela detestava admitir que desejava, mas desejava mesmo assim. E odiava ainda mais o fato de que ele sempre sabia disso. Quando eles se afastaram só o suficiente para respirar, Jiwon não se moveu. Ficou ali, com os olhos fixos nos dele. O peito subia e descia num ritmo contido, mas por dentro, ela fervia, não só de desejo, mas de raiva. Dele, de si mesma, daquela dinâmica suja que os dois tinham construído sem perceber.
❝ Você não resolve nada vindo aqui, sabia? ❞ sussurrou, seca, mas a respiração ainda quente contra a dele. ❝ Você só adia. Só se esconde. ❞ as mãos dela, no entanto, já estavam no colarinho da camisa dele, puxando-o de volta. Então o beijo seguinte foi dela; profundo, amargo, e cheio de tudo que ela nunca diria em voz alta. Porque entre tapas e bocas, entre farpas e lençóis, o que existia entre eles era só físico. Além de que a mais velha tinha aquela obsessão por controle, por isso ela respondia à altura, não porque fosse pega desprevenida, mas porque, por mais que se convencesse do contrário, parte dela também precisava daquilo. Da violência controlada, do toque que era tão familiar quanto irritante.
Mas ela não cedia fácil. Nunca. Com um empurrão seco no peito dele, o afastou, ainda que seu peito subisse e descesse mais rápido do que gostaria de admitir. Os olhos de Jiwon brilharam com desafio e desprezo. Sem falar nada, ela passou por ele. A seda do robe deslizou ainda mais, deixando à mostra a curva do ombro nu, e ela não fez questão de ajustá-lo. Parou no meio da sala, de costas para ele, e então se virou com uma lentidão felina. ❝ Sabe, Seunghan… ❞ ela começou, desobedecendo a ordem anterior. ❝ …se você não fosse tão previsível, talvez eu ainda me desse ao trabalho de fingir surpresa. ❞ e, então, como se nada mais importasse, caminhou em direção ao mini bar, deixando no ar o aroma da sua essência, que se espalhava pelo ambiente.
Ele via sua intensidade refletida nos olhos dela, como uma chama que ardia e consumia tudo ao redor. Entre eles, havia ódio e desejo, misturados em doses iguais, como se um não pudesse existir sem o outro. Deixou que ela o beijasse como quisesse. Jiwon era como o vinho que vendia. Afinal, toda uva parece doce à primeira vista, mas, no fundo, esconde o tanino que repele. Um gosto áspero, que queimava a língua e o coração, se você não for cuidadoso. Han aceitava aquilo. Não precisava de nada além do que já tinham. Por isso, não suportava quando ela começava a falar demais, como se pudesse decidir o que era moral para os dois. ❝ Sim, mas você sempre abre a porta para mim ❞ murmurou, a voz baixa, quase provocadora, quando ela se afastou e virou o rosto. ❝ E parece satisfeita em me manter aqui, nas sombras, longe dos olhos de todos ❞ Han sentia o pulso martelar nas têmporas, o peito subindo e descendo num ritmo frenético. Ele inclinou a cabeça, as palavras escorrendo com o mesmo sabor ácido que ela sempre usava com ele. ❝ Talvez porque você gosta que eu esquente sua cama, para não ficar tão fria e solitária quanto insiste em ser ❞
Ele riu, um som rouco que escapou antes que pudesse segurar. A língua passou pelos próprios lábios, úmida e lenta. ❝ Eu não me importo de não te surpreender ❞ disse, com uma honestidade crua que só Jiwon parecia arrancar dele. Jamais o tipo de conversa sobre o que evitavam, aquelas verdades que ambos empurravam para longe quando estavam juntos. Era uma sinceridade diferente— aquela que nasce quando você pode tirar as máscaras, ainda que por um instante, e mostrar o lado mais feio que esconde do mundo. Porque o que eles tinham não era limpo nem bonito. Era um estado que os aproximava mais de animais do que de gente e Han, geralmente, sentia-se pior depois, pesado e arruinado pela própria pele. Mas, por um breve momento, ali, com Jiwon, havia algo que o fazia sentir-se menos entorpecido, menos quebrado.
O alfa precisava do toque, da certeza da pele contra a pele; era uma fome silenciosa, quase desesperada. Aproximou-se por trás, o corpo quente se encaixando na sombra do dela. Com dedos cuidadosos, afastou o cabelo da ômega para um lado, revelando o pescoço. A essência dela veio mais forte, mais viva agora, invadindo seus sentidos com uma intensidade que não conseguia conter. Não estava usando supressores; seu próprio cheiro devia pairar no ar, denso e invisível; tudo que ele percebia era aquele aroma doce, quase etéreo, de baunilha. Os lábios deslizaram sobre a pele macia, começando no pescoço, traçando uma linha lenta e urgente até o ombro descoberto.
Ele não percebeu que Seunghan estava lá até que fosse tarde demais — até que ouviu a sua risada, alta e despreocupada, sobre as vozes ao seu redor. É claro que ele acharia graça de tudo aquilo. E é claro que ele tiraria uma foto do pior momento de sua noite. Claro que ele iria insinuar algo do tipo — que estava naquela situação por culpa própria.
Seyeon piscou devagar, os olhos firmes no espaço acima de seus ombros, “Não sabia que estaria aqui hoje,” a voz era suave, carente de qualquer provocação. Um sussurro que poderia passar despercebido. Não esperava encontrá-lo ali, a cidade era pequena, mas na maior parte do tempo parecia viverem em hemisférios diferentes. “Você não precisa… enfim”, tentou segurar o bilhete. Não queria ficar ali, mas seus protestos foram entregues ao vento, e seus olhos tiveram que observar sua silhueta caminhando para a área restrita a funcionários.
Quis dar meia-volta quando o perdeu de vista. E o fez, até. Mas não foi muito longe, sentiu sua presença novamente antes mesmo que pudesse dizer qualquer coisa. Era familiar, assim como suas provocações. Precisou fechar as mãos em punhos e respirar profundamente antes que pudesse virar em sua direção. Quando Seunghan lhe devolveu os bilhetes, Seyeon finalmente o encarou. Brevemente. Com cautela. “Tenho sorte de você estar aqui, Han… Seunghan-ssi”, respondeu lentamente, “na próxima vez que os ver, não esqueça de contar como me salvou”. A reverência que lhe ofereceu foi curta, sem alma. As mãos permaneceram coladas ao corpo, os bilhetes seguros com ele. “Obrigado.” A palavra soava estranha em sua boca, mas não era mentira. Parte dele — uma parte bem escondida — ainda se lembrava de quando agradecê-lo era fácil.
Tentou sorrir, mas não sabia se havia conseguido. “Pode ficar com eles,”, a pausa que seguiu não foi dramática. Ele só estava cansado. Tudo aquilo havia sido muito para lidar de uma única vez. “Acho que vai aproveitar muito mais que eu”. Não esperou uma resposta. Colocou as mãos dentro do moletom e deu um passo para trás. “Eu vou indo”.
E então um pequeno aceno. Conclusivo. Algo dentro dele já não estava mais lá, havia desaparecido mesmo enquanto ainda esperava por sua resposta.
Algumas coisas eram simplesmente difíceis de admitir até para si próprio. Aquela pontada no peito que aparecia sempre que Seyeon dava as costas depois de uma conversa tensa ou de um silêncio mais pesado que o normal era um bom exemplo disso. Não era exatamente a dor de saber que ele não era mais seu amigo— Han já conhecia aquela sensação como quem nasceu em Jeju e conhece o cheiro do mar, tão familiar quanto inevitável. O que realmente não queria admitir era o porquê aquilo ainda o incomodar tanto. O sorriso que forçava nos lábios nunca chegava aos olhos, sempre morria no meio do caminho, bloqueado por tudo que guardava dentro de si. Enquanto o mais novo falava, usando aquele tom tão monótono e incapaz de levar Han na brincadeira, o alfa mordia a parte interna da bochecha com tanta força que sentia o gosto metálico do sangue invadindo o paladar. Era quase cômico ( se não fosse trágico ) como tudo entre eles sempre desandava. Não importava o que Han dissesse, não importava o cuidado que tomasse, sempre acabava fazendo algo que causasse desgosto em Seyeon. Mesmo quando não era sua intenção, era como se o destino insistisse em transformá-lo num grande idiota perto do ex-amigo.
Seus lábios tremeram, querendo chamar Yeonie, mas o nome ficou preso, engolido pela vergonha silenciosa. Era estranho usar qualquer honoríficos, e ainda mais estranho soltar os apelidos que um dia fizera para ele. Por isso, Han nunca o chamava pelo nome. Nunca. Apenas falava, e naquela hora nem isso conseguiu. Seus olhos caíram sobre os tickets na mão, a mágoa surgindo como um peso mudo. Não deveria ter feito aquilo. Mas como resolver sem agir? Abaixou a mão, desviando o olhar, o rosto tingido de constrangimento. ❝ Nah, eu não pretendia usar... ❞ Mentiu, claro. Teria encontrado uma desculpa para seguir Seyeon se o destino os levasse a algum brinquedo perigoso, mas fora ingenuidade sua. Lembrou de Jaehwi e de como o amigo acertara, vendo o cansaço que marcava o rosto de Seyeon. Outra vez, a culpa o esmagou. ❝ Eu trabalhei bastante hoje, e a Bulgie deve estar me esperando pra dormir ❞ Isso não era mentira. A pequena poodle sempre ficava esperando-o voltar para casa perto do sofá, apenas para latir irritada com a demora do dono.
❝ Você pode esperar só um segundo, já que vamos na mesma direção? Prometo que será rápido❞ ele fez o sinal de um segundo com o dedo, mas logo encolheu os ombros. Talvez estivesse pedindo demais. ❝ Se você quiser voltar sozinho, não tem problema... Pode ir na frente, prometo não interromper seu caminho ❞ ofereceu um sorriso tímido, pequeno, e se afastou em direção a dois adolescentes na barraquinha da pescaria. Não demorou nada, era uma troca simples, e com certeza os tickets que ele ganhava valiam muito mais do que pedia em troca. ouviu um ( kamsahamnida, hyung-nim ) e guardou o objeto no bolso. Voltou devagar, se sentindo meio patético, mas com uma ponta de esperança que talvez, só talvez, Seyeon ainda estivesse ali.
↘⠀NOTHING LEFT INSIDE⠀﹕
para @rcindrcp ,⠀num⠀beco perto da barraquinha de comida⠀.
( gatilhos: vômito , problemas alimentares e gastrite )
Chunhwa sempre fora uma das poucas pessoas em Jeju que Han considerava uma amiga de verdade. Desde a escola, até agora, anos depois, ela permanecia constante. Toda vez que Han montava sua banquinha de amuletos e quinquilharias perto do mercado, ele fazia questão de chamar Chunhwa para jantar em uma das barraquinhas próximas. Era o pequeno ritual deles, uma forma de manter a amizade viva apesar da correria e das diferenças. Era também uma das raras ocasiões em que ele se permitia comer algo que não fosse a comida da avó— pratos apimentados ou fritos que ele nunca admitiria, mas sempre o faziam sorrir.
Naquela noite, sentaram-se lado a lado em bancos de plástico gastos. O cheiro da comida de rua se misturava ao som abafado das conversas e risadas ao redor. Conversaram sobre o dia e as fofocas do mercado. Han, como sempre, contava histórias de clientes esquisitos e situações absurdas que só ele parecia colecionar. No meio de uma dessas histórias, Han sentiu uma pontada no estômago, afiada como faca, tão repentina que precisou segurar a respiração. Com um gesto rápido, fingiu atender o celular, murmurou algo vago e se levantou. Sumiu por entre as barraquinhas, os passos apressados denunciando o desconforto. Encontrou um beco escuro, o coração disparado. ❝ Caralho, agora não ❞
A dor cresceu, queimando como fogo dentro de Han, latejando até parecer que cada respiração o feria. Os músculos de seu estômago se contraíram de forma involuntária, e ele se curvou, a cabeça baixa. Um tremor frio percorreu-lhe a espinha, misturando suor e calafrios na pele. Não havia muito no estômago, só os restos do almoço mal aproveitado e do cansaço acumulado. Mesmo assim, a náusea venceu. O gosto ácido se espalhou, deixando um rastro ardido. Ao fim, ofegante, ele ergueu o rosto, ainda trêmulo, sentindo a garganta em brasa, e limpou a boca com as costas da mão, o olhar perdido no escuro.
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Afastou as mãos, recolhendo-as para si e continuou rindo da situação ridícula que se desenrolava por causa de um tropeço. — Você não parece um espírito raivoso. Desculpa ter pisado em você, não te vi. — Suspirou pesadamente, virando-se para olhar o lago e tentar recuperar um pouco da sobriedade. Queria ir embora logo, então o quanto antes ficasse melhor, mais rápido o faria.
— Como que você pode saber? Você ficou fora tempo o suficiente para não saber de mais nada. — Falou sério demais, olhando para o alfa com o rabo do olho. No entanto, ele logo sorriu e pendeu a cabeça na direção dele. — Eu sou um dos guardas de fronteira e conheço pontos dessa floresta que muita gente não conhece. Nem mesmo você.
O que era uma verdade. Kwangsik conhecia aquela floresta, sabia de seus perigos e também sabia que aquele lago era de uso comum, mas a provocação que havia feito após dizer que aquele era seu lugar secreto não foi séria o suficiente para gerar aquele tipo de reação. O ômega estava bêbado, suas pernas não lhe ajudaram quando tomou o empurrão repentino e acabou caindo em um baque seco no chão.
Resmungou dolorido enquanto se virava de barriga para cima, respirando fundo e soltando devagar para conter a dor aguda no ombro. — Ah, eu esqueci que você se acha melhor do que todo mundo. — Soltou uma risada soprada e indignada. — Dar pra você? Nem se eu estivesse no cio e muito desesperado. Você nem é tudo isso, e eu não gosto de lixo.
Foi se levantando devagar, apenas para caminhar até o lago. Começou a tirar a roupa, já que sua intenção desde o início era tomar banho para se livrar do cheiro de bebida. A água fria lhe ajudaria a se recompor. — Você fica ainda mais insuportável depois de beber.
A expressão de Han continuava carregada de frustração, mesmo depois de Kwangsik ter murmurado um pedido de desculpas. Um simples aceno de cabeça foi tudo o que ele se dignou a oferecer, como se fosse a última gota de paciência que tinha para gastar. Han não estava ali para conversa fiada— muito menos para escutar as mesmas perguntas e comentários que todo mundo em Wolnari parecia ter decorado sobre sua ausência. Han sentiu a garganta secar e o estômago revirar, a raiva latejando por trás das têmporas. Ele odiava ter ficado longe, sim, mas não pelo motivo que todos pensavam. Mesmo assim, sempre que alguém falava daquilo, era como cutucar uma ferida mal cicatrizada. Ele respirou fundo, a risada teve um gosto amargo. ❝ Você quer se gabar disso? ❞ Ironizou, levantando uma sobrancelha. ❝ Parabéns por ser guarda da fronteira. Um grande passo para um pequeno como você ❞
Han escutou o baque surdo do corpo do ômega atingindo o chão e, por um instante, sentiu um nó de culpa se formar em sua garganta. Ele tinha pelo menos uns doze centímetros a mais e era relativamente bem forte. ❝ Mianh-❞ Kwangsik riu— aquela risada debochada e aquilo fez Han se encher de raiva outra vez. ❝ Não gosta de lixo? ❞ disparou, já sentindo o peito arder de arrependimento enquanto falava. ❝ Todo mundo sabe que você está numa cama diferente todo dia, que você faz questão de envergonhar suas mães a cada oportunidade, tentando agir como alfa quando não passa de um ômega desesperado por atenção ❞ Aquelas palavras não eram verdade. Han sabia, mas parecia incapaz de parar de dizer coisas que poderiam incomodar o outro. ❝ Kwangsik, você é o lixo ❞
Han não conseguia disfarçar o rubor que subia até as orelhas quando ele começou a desabotoar a camisa. O gesto o fez prender a respiração por um segundo. ❝ Meu Deus, o que eu fiz pra merecer isso? ❞ Como se aquilo fosse uma punição divina, levou as mãos ao rosto, cobrindo parcialmente os olhos. ❝ Que uma fênix desça agora e arranque meus olhos ❞
Piscou, surpresa com a resposta vinda do nada e da direção de um completo desconhecido. Virou-se na direção da voz, encontrando o dono do comentário. Ela arqueou uma sobrancelha, sem conter uma risada suave, breve como o sopro de uma brisa. "Wow, você tem toda uma teoria sobre isso, hein?" comentou, cruzando os braços novamente, mas com um brilho de diversão nos olhos. "Agora vou ficar com essa imagem na cabeça cada vez que entrar em uma fila de parque. Obrigada por isso… eu acho?"
❝ Er... não foi muito encorajador, sinto muito ❞ disse ele, encolhendo os ombros como se sentisse de verdade a culpa por ter pintado aquela imagem horrível na cabeça da desconhecida. Han relaxou, a falsa culpa se dissolvido em poucos segundos. Ele balançou a cabeça, abrindo um sorriso. ❝ Olha, não precisa levar tão a sério. Pensamentos têm poder ❞ Não resistia àqueles ditados meia-boca, usando seu tom de mensageiro do caos. ❝ Você não quer atrair a energia ruim pensando que o pior pode acontecer ❞
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para @santigomez ,⠀na⠀biblioteca marítima⠀.
Havia um evento cultural dedicado à cultura xamânica de Jeju — uma celebração cheia de música, danças e incensos perfumando o ar. A Sra. Baek, respeitada na comunidade, foi convidada como especialista, e Han, como bom neto e empreendedor oportunista, a acompanhou. Ele se esgueirava entre os estandes, anotando mentalmente tudo que poderia ser útil para seus negócios. Por acaso, cruzou com o estrangeiro que havia se mudado recentemente para Jeju. Han se lembrava bem dele: havia oferecido seus serviços de consultoria de feng shui para o restaurante que o homem abriu, mas fora recusado. Claro que isso não seria o suficiente para fazê-lo desistir. Com um sorriso astuto e a paciência típica, Han se aproximou e, quase casual, começou a insistir em convencê-lo a marcar uma leitura de sorte xamânica. ❝ Olha, eu não tô dizendo que você será o dono de restaurante mais rico e famoso de Jeju… mas talvez ajude quando seu restaurante deixar de ser uma novidade ❞
↘⠀WITCH HUNT⠀﹕
para @talkintcthemccn ,⠀numa⠀cabine fotográfica⠀.
Era um dia normal de trabalho. Han estava no mercado de Wolnari, vendendo seus amuletos para estrangeiros. Um deles era grande, de ombros largos, parecia burro. Então, ele vendeu um totem com suas promessas megalomaníacas. Só não contava que a sorte viraria tão rápido: o cara encontrou outro vendedor com o mesmo amuleto e ainda por um preço mais baixo. Claro que o gringo ficou furioso e exigiu reembolso. Han, com seu jeitinho de raposa, fingiu não entender nada, soltando um sorriso maroto que só piorou a situação. O homem avançou, rosnando, e Han precisou correr antes de virar picadinho. Correu tanto que mal sentia as pernas. O homem, apesar de pesado, o seguia como um touro cego, atraindo atenção. Virando a esquina, Han viu a salvação: uma cabine de fotos. Ele entrou tão rápido que nem olhou para quem estava lá dentro. Ofegante, começou a tirar a jaqueta e o óculos. ❝ Mianhae, mianhae ❞ pediu, sem olhar nos olhos de quem estava ao lado, tentando se descaracterizar para enganar o estrangeiro, caso eles se encontrassem de novo.
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Kwangsik estava bêbado. Os passos cambaleantes, a voz que cantarolava qualquer música que aparecia em sua mente e as risadas fáceis para o nada, entregavam completamente seu estado. Ele não poderia chegar daquela forma em casa ou entrar na matilha trançando as pernas, então ao invés de tomar o caminho convencional, preferiu o aconchego das árvores que circundavam Wolnari.
Seu destino era um pequeno lago que tinha no meio da densa floresta. O ômega já estava acostumado com o local, então suas pernas o guiaram corretamente, mesmo que os tropeços. Poderia ficar ali até estar sóbrio o suficiente, longe dos olhares julgadores dos outros membros. Empurrou um arbusto, xingando baixinho o fato dele estar lhe atrapalhando e assim que deu outro passo à frente, tropeçou em alguma coisa... Ou alguém.
— Aish! Que merda foi essa- Han? — Forçou os olhos para tentar reconhecer o outro, mas acabou engatinhando até ele, segurando seu rosto com ambas as mãos. — É você mesmo! O que está fazendo aqui, no meu lugar secreto? — Nem mesmo se lembrava que já tinha mostrado aquele local ao outro no passado. — Veio me ver, é?
Teoricamente, Han não deveria beber. E, na maioria das vezes, obedecia aos médicos direitinho. Tinha hábitos saudáveis: yoga de manhã, meditação antes de dormir, evitava fritura, bebia chás naturais e só tomava remédio alopático em último caso. Era o paciente perfeito. ( Ou quase isso ) Ainda assim, tinha um exame marcado pra semana que vem, porque os sintomas estavam cada vez piorres. Seria mentira dizer que não sentia medo. Foi justamente isso e mais uma porção generosa de sentimentos engarrafados dentro do peito que o fizeram comprar aquelas malditas garrafas de soju. Ora, se o médico soltasse a palavra proibida, provavelmente seria a última vez que ele beberia de verdade, não é? Um brinde de despedida.
Claro que não podia ir pra casa. A avó provavelmente quebraria as garrafas na cabeça dele, então pegou o caminho alternativo. Aquele que sempre tomava com o avô quando faziam alguma travessura — geralmente comer algo apimentado demais ou tomar refrigerante, coisa que só acontecia em ocasiões raras. Ele parou na clareira. O lago refletia a lua, e o lugar parecia respirar com ele. Tomou a primeira garrafa, depois a segunda. Estava tentando se distrair, scrollando as redes sociais. Afinal, beber sozinho no meio do mato convidava pensamentos que ele não queria ter. Melhor entupir o cérebro com memes ruins e reels aleatórios. Brainrot total. Terceira, quarta garrafa. As coisas começaram a girar. Ele deixou o corpo relaxar na grama, sentindo o estômago arder. Na verdade, tudo ardia. Cada poro parecia gritar, implorando pra...
❝ Ai, caralho! ❞ exclamou alto, irritado, sentindo uma pontada aguda no ombro. Alguém tinha pisado nele. Não alguém, era o maldito do Kwangsik. ❝ Não, é um espírito raivoso que veio te assombrar! ❞ Han se desvencilhou das mãos do outro. ❝ Claro que sou eu, porra ❞ resmungou, a voz arrastada de tanto álcool. Ele revirou os olhos. Aquele lugar secreto do Kwangsik? Me poupe. ❝ Você é muito ingênuo, meu deus ❞ a voz cheia exasperação. Será que o outro nunca percebeu a trilha marcada que levava até ali? ❝ Estamos em Wolnari, seu tonto, não existe nenhum lugar secreto de verdade aqui ❞ Quando Kwangsik soltou a provocação, Han empurrou ele, se desequilibrando no movimento. ❝ Por que diabos eu ia querer te ver, hein? Tá maluco? Cheirou pó? É isso que você faz nessas baladinhas de merda que vai? ❞ Ele balançou a cabeça. ❝ Ou é seu sonho? Tá deixando transparecer que tá louco pra me dar, que nojo ❞
⠀⠀⠀(⠀🔮⠀⠀· ⠀⠀emoji prompt call⠀⠀)⠀⠀𑇛⠀⠀no read more você encontra prompts, cada um com o contexto. comente com o emoji correspondente se quiser um starter.
( 📖 para @santigomez )⠀⸻⠀Call it fate⠀﹕⠀Você estava só passeando pela Biblioteca Marítima ou talvez tenha ido a um evento sobre a cultura xamânica de Jeju. De qualquer forma, o destino fez com que você cruzasse o caminho de Han, que agora insiste em te convencer a marcar um horário com ele.
( 🕺🏼 )⠀⸻⠀Call it karma⠀﹕⠀Se você frequenta o Estúdio Brisa, já sabe que Han costuma praticar yoga lá, mas é a primeira vez que o vê na área de dança. Agora ele está à procura de um parceiro para dançar. Tem certeza de que quer ficar onde ele pode te ver?
( 🚶🏼 )⠀⸻⠀Insomniacs⠀﹕⠀Han sofre de insônia e costuma tentar aliviar isso com chás, o que raramente funciona. Então, quase sempre, ele sai para caminhar ou correr antes do sol nascer. Mas o que você, de todas as pessoas, está fazendo aqui também? ( n/a: avise se for de Wolnari)
( 📷 para @talkintcthemccn )⠀⸻⠀Witch hunt⠀﹕⠀Você estava tão arrumado que resolveu tirar algumas fotos na cabine fotográfica, mas não contava com alguém entrando correndo e arruinando todas as suas fotos.
( 🥴 para @rcindrcp )⠀⸻⠀Nothing left inside⠀﹕⠀( tw: vômito e problemas gástricos ) Vocês pararam numa barraquinha para comer e beber, mas pouco depois da comiga chegar, Han saiu dizendo que precisava atender uma ligação. Ele demorou tanto que você acabou indo procurá-lo e o encontrou passando mal num beco. O mais estranho é que você não lembra dele ter chegado a comer.