note to self: this is a flashback !!
Chanhyuk poderia botar a culpa no projeto deprimente de rut que teve de surpresa algumas semanas atrás, se convencer de que era só um excesso remanescente de hormônio fodido que agora precisava ser expelido de alguma forma. Mas a maneira como ele puxou cortante o ar pelo nariz e agarrou o pulso de Kwangsik sem pensar, numa reação involuntária ao tapa ardido que esquentava gradualmente as costas da sua mão, não veio do seu alfa. Veio de um lugar distante e mesquinho, o que escutava cada fofoca, cada cochicho sobre eles em silêncio e levava tudo pro coração sem nem questionar, porque claro que Kwangsik mantinha a amizade por interesse. E claro que Chanhyuk era burro demais pra perceber.
“Você ‘tá maluco?” A pergunta, baixa, grave e mal controlada, foi retórica. Os níveis de maluquice de Kwangsik eram tão altos que davam pra ser notados do espaço. “Perdeu a noção? Abaixa o tom, tem gente encarando,” ele não precisava olhar em volta pra ter certeza, mas também não era como se pudesse. A sua atenção ficou afunilada num único ponto, no rosto na frente do seu, queimando lentamente. “Do que adianta ter boca se o que sai dela é isso?”
A xícara continuava girando devagar, por inércia, e os gritinhos infantis de alegria ao redor deixavam tudo mais ridículo. Chanhyuk o puxou pelo braço pra interromper o sinal, não forte a ponto de machucar, mas firme, definitivo. Dessa vez, a intenção era arrastar Kwangsik pra perto e mantê-lo ali, parado, quieto e contido, no melhor dos casos. Mas o prospecto não era dos mais animadores, como sempre.
“Senta aí,” o comando saiu no limite entre um, de fato, e algo que soou embaraçosamente como um pedido. Não tinha como competir com ele de outra forma. “A gente vai esperar até essa merda terminar. Sem chilique, sem escândalo,” Chanhyuk quase amoleceu os dedos em torno do pulso de Kwangsik, mas mudou de ideia no último instante. “E principalmente sem me bater,” ele completou, se surpreendendo ao manter o monocórdio da voz. “Se você quer me dar os meus 30% de atenção, vai fazer isso aqui. Feito gente.”
A irritação ainda estava lá, fervendo cada vez mais perto da borda, mas existia um segundo sentimento junto, que provavelmente escaparia com mais liberdade se não fosse o adesivo supressor no braço. Quase como se… Ele quisesse abrandar um ômega em estresse.