✦ nome: mateo santiago mendonza gomez. ✦ apelidos: mat, teo, santi.
✦ aniversário: 13.07.77. ✦ zodíaco: ☉ câncer, ☾ virgem, ♀ virgem, ᵃˢᶜ capricórnio.
✦ naturalidade: sul americano. ✦ cidade natal: mérida, méxico. ✦ residência atual: suryun maeul, jeju.
✦ idiomas falados: espanhol nativo, inglês fluente e coreano intermediário.
✦ ocupação: chef, proprietário do restaurante casa frontera.
✦ gênero: homem cis. ✦ pronomes: ele/dele. ✦ sexualidade: demisexual, panromantico. ✦ fisionomia: cabelos e olhos castanhos. ✦ altura: 1,80cm. ✦ físico: atlético.
✦ classificação: 𝛂 alfa. ✦ essência: mogno com notas de baunilha defumada e noz-moscada.
✦ curiosidade: tem dinheiro para se dar ao luxo de viver em um lugar mais caro, mas escolheu suryun maeul pela proximidade do restaurante.
personality:
Santiago é aquele tipo raro de alfa cuja presença impõe respeito, não pelo tom de voz elevado ou por atitudes impulsivas, mas pela firmeza gentil com que conduz a própria vida. Seu modo de liderar é silencioso: ele escuta primeiro, fala depois. Gosta de cuidar; das pessoas, das plantas em sua varanda, da apresentação de cada prato que sai da cozinha. Embora tenha os traços físicos e hormonais típicos de um alfa, não segue o roteiro que o mundo espera dele. Prefere o calor de uma conversa longa ao ruído de uma disputa de egos. Não se intimida facilmente, mas também não impõe sua vontade com brutalidade. Para Santi, força é manter-se calmo no caos, e liderança é oferecer colo, não comando.
psychological archetypes:
✦ MBTI: ISFJ — O Defensor.
Introvertido (I): é reservado e centrado, recarrega energias nos momentos de tranquilidade e não busca os holofotes.
Sensitivo (S): Valoriza o que é concreto e tangível, como boa comida, conforto, tradição e o toque humano.
Sentimento (F): Toma decisões com base em empatia, cuidado e valores pessoais.
Julgmento (J): É organizado, constante e tem forte senso de responsabilidade, tanto pessoal quanto profissional.
ISFJs são protetores gentis, e a combinação com sua maturidade o torna alguém naturalmente acolhedor, sábio e dedicado às pessoas e à comunidade ao redor.
✦ Eneagrama: 2w1 — O Cuidador Idealista.
Tipo 2 – O Ajudante: Move-se pelo desejo de ser útil e necessário, valoriza vínculos afetivos e está sempre pronto para cuidar dos outros.
Asa 1 – O Idealista: Tem um senso moral forte, desejo de fazer o certo e um toque de perfeccionismo silencioso (por isso ele é tão autoexigente).
Santi tenta oferecer o melhor de si, tanto nos pratos que cozinha quanto no afeto que dá, mas também carrega o risco de se anular ou negligenciar suas próprias necessidades.
✦ Alinhamento moral: Neutro Bom
Santiago não segue regras cegamente nem se rebela por rebeldia. Ele age com bondade, mas sempre de forma ponderada. Coloca o bem-estar das pessoas em primeiro lugar, sem se preocupar com dogmas ou sistemas rígidos. Pode quebrar regras se acreditar que isso ajudará alguém —e sempre o fará de coração limpo.
✦ Temperamento clássico: Fleumático
Calmo, confiável, estável.
Observador e paciente, não se apressa para julgar ou decidir.
Tem uma presença tranquilizadora, como a brisa depois da tempestade. Costuma ser o pilar emocional dos que o cercam.
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━ Eu conheço essa expressão! ━ Ela encolheu os ombros ao dar o sorriso, muito orgulhosa de si mesma por entender sobre o que ele estava falando. Chunhwa não era a melhor falante de inglês, mas conseguia se virar com algumas referências. ━ Parece que as coisas não mudam mesmo, apenas trocam de nome. Aliás, Santi-ssi, o senhor não deveria falar coisas como "no meu tempo". Vai ficar parecendo que é muito velho. ━ Comentou a última parte baixinho, como em um segredo.
Ao se afastar, ergueu a mão à testa como se batesse continência para o homem. ━ Muito feliz em servir, senhor! Continue comprando da gente, por favor! ━ Rimou apenas para fazer graça, pois logo toda a pose se desfez em uma risada. ━ Ya, tentaram mesmo fazer a menina de cabelo azul se passar por culpada? Woah... Eu teria proibido essa pessoa de entrar no meu restaurante. Que falta de respeito com os funcionários!
Chunhwa fez bico, tornando a deitar a cabeça no balcão, virando o rosto para o outro lado. ━ Adoro como você usa da psicologia cruel comigo. Não quero que nada piore! ━ Ergueu um pouco a cabeça, fazendo cara feia para Santiago. ━ Vou começar a ser o pior pesadelo das pessoas!
“Eu imaginei que já tivesse ouvido falar! Isso tá em todo canto da internet hoje em dia.” comentou, abanando a mão com leveza enquanto voltava aos afazeres na cozinha. A faca fazia um som ritmado ao cortar os ingredientes sobre a tábua, e o cheiro da comida já preenchia o ar ao redor.
Santi deu um sorriso divertido ao ouvir Chunhwa lhe pedindo para não se chamar de velho, e arqueou uma sobrancelha em direção a ela. “Mas daqui a pouco eu faço cinquenta anos, eu sou velho.” respondeu com bom humor, os olhos ainda cravados nos ingredientes que picava com precisão.
Pausou o que fazia por um momento, limpando as mãos num pano de prato, só para entrar na brincadeira da mais nova. Endireitou os ombros e melhorou a postura, fingindo ser um general, antes de assentir com um ar solene “Pode deixar. Continue com o bom trabalho, soldado!” declarou com a voz impostada, mas a pose se desfez no mesmo instante em que a risada dela escapou. Ele deu de ombros, como quem não se surpreende mais com o quanto as pessoas podiam ser absurdas às vezes.
“Sim! E bom, o gerente não precisou tomar nenhuma medida drástica como essa. A pessoa, pelo menos, teve o senso de entender que passou vergonha e só resolveu não voltar mais, depois que o esquema dela não deu certo.” comentou com naturalidade, voltando a atenção para o que estava preparando.
Quando Chunhwa reagiu com aquele bico dramático, ele riu, o peito subindo levemente com a gargalhada abafada. “Ei, eu estava brincando!” falou, balançando a cabeça de forma negativa, ainda com um sorriso nos lábios. Pegou um punhado de coentro e começou a picá-lo com calma. “Talvez eu que seja um pessimista, mas... Penso que esperar o pior de tudo pode ser até bom. Quando algo ruim acontece, você não se decepciona. Mas quando algo bom acontece, você se surpreende positivamente.” disse com um tom pensativo, enquanto jogava o coentro fresco na panela e ligava o fogo. Santi ergueu o rosto, ainda com aquele sorriso leve. “E olha, eu super apoio você começar a ser o pior pesadelo dos clientes chatos, principalmente se seu cargo te permitir isso.” completou, com um olhar cúmplice, divertido, e uma piscadinha discreta.
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para @santigomez ,⠀na⠀biblioteca marítima⠀.
Havia um evento cultural dedicado à cultura xamânica de Jeju — uma celebração cheia de música, danças e incensos perfumando o ar. A Sra. Baek, respeitada na comunidade, foi convidada como especialista, e Han, como bom neto e empreendedor oportunista, a acompanhou. Ele se esgueirava entre os estandes, anotando mentalmente tudo que poderia ser útil para seus negócios. Por acaso, cruzou com o estrangeiro que havia se mudado recentemente para Jeju. Han se lembrava bem dele: havia oferecido seus serviços de consultoria de feng shui para o restaurante que o homem abriu, mas fora recusado. Claro que isso não seria o suficiente para fazê-lo desistir. Com um sorriso astuto e a paciência típica, Han se aproximou e, quase casual, começou a insistir em convencê-lo a marcar uma leitura de sorte xamânica. ❝ Olha, eu não tô dizendo que você será o dono de restaurante mais rico e famoso de Jeju… mas talvez ajude quando seu restaurante deixar de ser uma novidade ❞
Santiago havia saído para fazer umas compras rápidas no mercado, e decidiu, na volta, dar uma olhada no evento cultural que estava acontecendo ali perto. Apesar de não acreditar muito nessas coisas, tinha uma certa curiosidade —e não via mal algum em aprender um pouco mais. Acabou parando em uma barraca de incensos, pois gostava de manter sua casa sempre perfumada, quando foi abordado por Seunghan.
“Agradeço a preocupação, mas eu não acredito muito nessas coisas de leitura do futuro.” respondeu, desviando sutilmente o corpo para continuar olhando a seleção de incensos. “Digo… o futuro, pra mim, é muito mutável. Vai que você faz uma leitura dizendo que terei muita sorte com o restaurante por muitos anos, mas aí eu tomo uma decisão errada e acabo fechando tudo em dois meses?” encolheu os ombros levemente e pegou uma caixinha de incenso, levando-a até mais perto do rosto para ler o aroma com atenção.
“O contrário também pode acontecer,” continuou, pensativo. “Você pode dizer que o azar está logo ali, pronto pra bater à porta, mas de repente acontece alguma coisa boa, e eu fico anos com as mesas cheias.” devolveu a caixinha para o lugar e apanhou outra. “Não estou te chamando de mentiroso, antes que diga algo!” apontou a nova caixinha de incenso na direção de Seunghan, com um meio sorriso de canto. “Acho muito interessante quando as pessoas usam o tarô como ferramenta pra tentar entender um problema. Eu só… sinto que, agora, não estou com nenhum problema precisando de solução.”
ooc: Essa playlist fiz pensando num headcanon que eu já tinha, do Santi ter tido um primeiro e único relacionamento sério após voltar de sua primeira visita a Jeju. Na minha cabeça o relacionamento durou cerca de 2 anos, porém tiveram os 2 anos anteriores de amizade e onde a relação foi se aprofundando até estabelecerem uma conexão emocional forte o suficiente para o Santiago sentir atração.
play by play, fora do personagem, da playlist:
01. Cry Baby - "I know I'll fall in love with you, baby / And that's not what I wanna do" — No início, quando os sentimentos estão surgindo, tanto de atração quanto os de paixão, o Santi ainda fica meio receoso de se entregar. Principalmente por ter ouvido por tanto tempo que ele era "esquisito" e "quebrado" por não experienciar as coisas como os outros alfas.
02. Crush On You - "You might have an idea / How I feel when I'm with you / But did you know it goes deeper? / 'Cause, oh, it goes deeper" — O título da música e a própria música já são bem auto-explicativas, aqui o Santiago já aceitou os sentimentos e não é apenas só um crush.
03. Wake up with You - "And I've been hanging out with all of my friends / All your friends / But they don't get me like you do" — Aqui estamos numa fase meio "honeymooners" do relacionamento, onde o Santi sente que encontrou alguém que o entende e o aceita como ele é.
04. I Think I Really Love Her - "You make my heart race / Yeah you've got the kind of love that I chase / Every time you're here it's just a better day" — Um complemento da música anterior, aqui nessa fase do relacionamento os sentimentos pela pessoa estão se consolidando.
05. u - "But I've got you / You're the only thing that's steady / When the world just gets too heavy / I got you" — Mais um complemento das músicas anteriores, mas na questão do Santiago sentir que a relação deles é forte emocionalmente.
06. Say It - "Is it that you can't hear me clearly? / I thought that I might matter dearly / So why won't you say it, just say it, say it" — Nesse momento aqui o relacionamento já estava esfriando por parte da outra pessoa, que já estava exigindo mais de Santiago na parte física, pois ela ainda tinha expectativas do Santi agir mais "como um alfa". Deixando nosso querido rapaz confuso e perdido, pois ele achava que a pessoa compreendia sua questão da baixa libido. Porém, aparentemente, não era bem assim e a pessoa já estava começando a dar um gelo em Santi.
07. Made For Love - "Love me as I am or leave / This is all I'll ever be / I’m not enough, not enough / Maybe I wasn’t made for love, made for love / I guess I’m not as tough as I thought I was" — Aqui estamos num pré-término de relacionamento que deixou o Santiago bem abalado e com a certeza de que ele quem era o problema.
08. Never Enough - "And I've been here before / It's never enough / Never enough / (...) / 'Cause I'll always know / I was never enough" — Pós-término de relacionamento, Santi decidiu que não se relacionaria mais com outras pessoas pois tem certeza que ele não será o suficiente para elas, de acordo com essa sua experiência recente e todo seu histórico anterior de não ser afetado pelos feromônios de cio dos ômegas da mesma forma que os alfas "normais".
ooc: E era este meu headcanon sobre o histórico amoroso de Santiago, espero que tenham gostado da sofrência. Quero agradecer a mod por permitir no máximo 8 músicas, que daí deu pra colocar as três músicas finais pra deixar tudo mais completinho kpsdkfspofakdfa
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starter fechado com @santigomez na oficina de slime e pintura facial de baekhwa wonderland . . .
quem ia negar um pedido de uma garotinha fofa com o rosto pintado com uma borboleta colorida ? ninguém não podia jugar santi por ter cedido e deixado chunmi pintar seu rosto com ajuda da profissional da oficina de slime , ela podia ser muito convincente tanto que sua mãe e seus avós também tinha o rosto pintando ( é uma surpresa ) declarou se negando a falar para o homem o que estava fazendo , mas chaeyeon já imagina o que se passava na cabeça de sua filha com a escolha de cores ( vermelho e preto ) isso porque a menor vivia assistindo aquele desenho ( miraculous : as aventuras de ladybug & cat noir ) então ali estava uma ( questionável ) bela mascara vermelha com bolinhas pretas . ❛ ah você não deve conhecer mas é um desenho de uma menina muito legal , uma super heroína , então acho que você deve sentir orgulho de sair por aí com essa referencia na cara . ❜
Quando encontrou Chaeyeon no parque, já imaginava que ela estaria acompanhada da filha, mas não esperava que Chaeyeon e os pais estivessem todos com os rostos pintados, e muito menos que Chunmi o convenceria a fazer parte do grupo. Ainda assim, não se surpreendeu ao se ver, minutos depois, sentado diante de Chunmi e da artista na oficina de pintura facial, esperando pacientemente que elas finalizassem o desenho em seu rosto.
"Oh?" fez ao ouvir o pedido de desculpas da mulher, quando a profissional da oficina lhe ofereceu um espelho para ver o produto final, exagerou a surpresa apenas para o deleite da pequena Chunmi. "Então quer dizer que você me acha tão legal quanto a miraculous ladybug?" perguntou, visivelmente contente, voltando o olhar para a menina. Em seguida, virou-se para Chaeyeon com um sorriso leve. "Conheço sim! Eu sou filho único, mas cresci sendo babá dos meus priminhos, basicamente. Então já assisti um episódio ou outro." comentou, levantando-se do banquinho da estação de pintura facial e voltando para o lado dela.
O som de uma faca cortando coentro fresco, o murmúrio das conversas nas mesas próximas, foi o que Jiwon ouviu quando entrou no Casa Frontera. O aroma de pimenta tostada, milho e calda cítrica lhe atingiu como um convite silencioso, mas ela manteve a expressão serena, os saltos baixos marcando um ritmo tranquilo no piso de madeira rústica.
Vestia-se como de costume: tons escuros, joias discretas, um lenço fino preso ao punho como um detalhe casualmente calculado. Quando um dos atendentes se aproximou, bastou um leve aceno com a cabeça para que ele a conduzisse até a mesa mais reservada do salão, de onde podia observar a cozinha aberta e, claro, ele — Santiago Gómez.
Assim que seus olhares se cruzaram, Jiwon ergueu levemente o canto dos lábios. Não era um sorriso inteiro, nunca era. Apenas o suficiente. ❝ Se eu disser que o aroma deste lugar quase me fez mudar de ideia sobre vinho e comida, você vai usar isso contra mim? ❞ perguntou, com o tom suave que era quase mais eficaz que seus feromônios.
Deixou a bolsa de lado, ajeitou-se na cadeira de madeira polida e repousou os dedos sobre o tampo da mesa. Havia trazido uma pasta com anotações e uma seleção criteriosa de rótulos possíveis para a carta de vinhos do restaurante, mas ainda não os colocou à mostra. ❝ Obrigada por me receber aqui, Santiago. ❞ inclinou levemente a cabeça, formal e sutilmente pessoal. ❝ Antes de começarmos, quero entender... o que você quer que seus clientes sintam quando beberem o primeiro gole de vinho, aqui, neste espaço? ❞
Não era uma pergunta aleatória, nem protocolar. Para Jiwon, a curadoria começava sempre assim: capturando a alma do lugar, para depois escolher a garrafa certa. Enquanto esperava a resposta, o olhar percorreu o ambiente; as plantas, os bordados, a textura do adobe nas paredes. Tudo ali contava uma história, e ela, como sempre, queria ouvir até a última sílaba antes de falar de taninos, acidez ou notas frutadas.
O som do coentro sendo picado pausou por um breve instante. Santiago levantou o rosto, os olhos encontrando os dela do outro lado do salão, e, mesmo antes do meio sorriso que recebeu, ele já sabia que precisava deixar a faca de lado. Passou a responsabilidade momentaneamente para o sous-chef, limpando as mãos no pano que trazia no avental, ajeitou a gola da camisa e caminhou até a mesa com passos largos, mas tranquilos.
“Se você disser isso, Jiwon-ssi,” começou, o tom carregado de uma ironia suave e afetuosa “Eu vou fingir que não ouvi, só pra não ficar me gabando por dias a fio.” e dessa vez, o sorriso veio completo, caloroso e honesto, daqueles que vinham com rugas nos cantos dos olhos.
Ajeitou a cadeira à frente dela, mas não se sentou de imediato. Apoiou uma mão no encosto e observou por um instante o rosto dela, as mãos sobre a mesa, os olhos já analisando cada pedaço do restaurante. “Obrigado você, por vir até aqui.” respondeu com genuína gratidão, inclinando levemente a cabeça.
A pergunta o fez parar. Não por não saber a resposta, mas porque raramente alguém a fazia daquele jeito —com real interesse. Santiago soltou um leve suspiro e só então se sentou. “Quero que sintam conforto.” disse, sem rodeios. “Não o tipo de conforto que adormece, mas aquele que aquece o peito. O gole de vinho deve funcionar como um abraço depois de um dia difícil.” fez uma pausa breve, pensativo por alguns instantes. “Quero que eles sintam que não precisam fingir nada aqui.” sorriu de novo, mas agora de forma mais contida, os olhos pousando brevemente nas paredes de adobe e nos bordados pendurados perto da janela. “O primeiro gole tem que dizer ‘Você chegou, agora pode descansar.’”
Ele então se recostou na cadeira, as mãos entrelaçadas sobre a mesa, deixando espaço para que ela preenchesse o resto do momento com o olhar técnico e a sensibilidade que ele sabia que ela escondia bem. “Mas... Se ele também puder ter um final aveludado com notas de canela, não irei reclamar.” brincou por fim, arqueando brevemente suas sobrancelhas.
A fila do tteokbokki estava grande o suficiente para saber que ficariam ali por algumas horas, e para a deliciosa surpresa de Bruno, o mexicano bonitão estava lá também. Lembrava-se bem do período que ficou no México, em um dos seus longos e exaustivos treinamentos, era o tempero daquele belíssimo espécime latino que fazia os seus dias ficarem melhor, além das beleza que agradava os olhos também. E definitivamente, mesmo usando aquela roupinha de ahjussi, Santiago continuava uma delícia, com todo o respeito do mundo.
“É estranho como o cheiro de parque mexe com a gente né?” Começou a falar quando se colocou logo atrás do homem. “Dá até vontade de ser criança de novo… mas aí aparece um homem interessante em uma fila pra comer tteokbokki… e eu lembro que crescer tem as suas vantagens” Brincou, mais uma vez na esperança de ver como ele reagiria. Até que ouviu aquele comentário, no qual fez Bruno rir em um misto de nostalgia com diversão. “Tem coisa que não muda nunca, não é mesmo?”
Após o comentário, os olhos voltaram-se para as pessoas logo atrás dele, se já estava sendo demorado para o que tinha a frente deles, imagine para quem ainda estava chegando. “A fila tá lenta né? Mas...” Curvou-se um pouco para dizer em voz baixa, próximo o suficiente para que ele pudesse ouvir. “Se for pra continuar olhando pra você desse jeito, nem tô com pressa, sabe?”
Depois de algumas horas aproveitando as atrações do parque, chegou o inevitável momento em que a fome bateu e lá estava Santiago, na fila de uma barraca de comida, pronto para comer tteokbokki. A fila, no entanto, estava longa o suficiente para que ele se arrependesse de não ter vindo antes de ficar realmente com fome.
Ao ouvir uma voz familiar logo atrás de si, Santiago teve que se conter para não grunhir. Em outra situação, talvez achasse engraçado —e a atenção que o outro alfa parecia ter por ele até poderia massagear o ego. Mas a verdade era que aquela insistência começava a deixá-lo levemente desconfortável. Ele tinha idade suficiente pra ser pai do rapaz. E isso por si só já era motivo o bastante para que qualquer investida vinda de Bruno o fizesse querer evaporar da Terra por alguns segundos.
Quando o mais jovem soltou o comentário sobre “crescer ter suas vantagens”, Santiago respondeu com um arquejo leve de sobrancelha e um olhar atravessado por cima do ombro. “Você é bem direto, não é mesmo?” questionou com neutralidade, voltando a atenção para a fila à sua frente assim que Bruno pareceu se distrair olhando ao redor. Não disse mais nada. Sabia bem que, se desse espaço, o outro continuaria.
E não estava errado. O outro motivo que o deixava desconcertado nas interações com o rapaz veio logo em seguida —baixinho, perto demais. A sobrancelha de Santiago espasmou levemente, e ele se virou devagar na direção de Bruno com uma expressão tão doce que parecia ensaiada.
“Uau, Bruno. Você é realmente um poeta com suas palavras.” elogiou, regado de ironia, ao mesmo tempo em que sua mão se movia discretamente até alcançar a orelha do mais novo, que ele torceu com leveza, só o bastante para passar a mensagem. “Você sabe mesmo como fazer alguém se sentir como um mero pedaço de carne.” continuou entre os dentes, o sorriso falso começando a endurecer ao soltar a orelha dele. Arqueou uma sobrancelha, lançando um olhar direto ao rapaz, esperando que dessa vez ele finalmente entendesse a mensagem.
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starter fechado com @santigomez nas barraquinhas de jogos de tiro ao alvo , pescaria e etc de baekhwa wonderland . . .
o rosto não lhe passou despercebido , fazia muito tempo mas dohyeok não tinha esquecido ( como poderia ? ) atingido pelas lembranças com o estrangeiro que estiveram guardadas em sua memória adormecida ( é um pouco engraçado não ? como algumas pessoas marcam ao ponto de se tornarem inesquecíveis ) esperou ele terminar uma das partidas enquanto tomava coragem pra se aproximar da barraquinha onde o outro estava e falar com ele . ❛ mateo ? ❜ chamou e diferente do passado sua pronuncia tinha melhorado bastante com nomes estrangeiros , assim como agora tinha um maior domínio em outros idiomas pelas vezes que trabalhou como guia turístico . ❛ has cambiado mucho . . . ❜ comentou . os traços ainda eram muito similares , apenas tinham acompanhado o envelhecimento , mas o estilo de fato não era nada como se lembrava . dohyeok também tinha um rosto mais maduro agora e o cabelo tinha diminuído , sem mais a franjinha . ❛ ¿ te acuerdas de mí ? ❜ disse incerto se de fato era ele mesmo e não só alguém que se parecia muito com o homem que conheceu a anos atrás .
Poucas pessoas o chamavam de Mateo hoje em dia. De uns tempos pra cá, ele mesmo preferia se apresentar só como Santiago Gomez; mais fácil de lembrar, mais fácil de pronunciar. Seu nome inteiro era um novelo de sílabas enroladas demais pra maioria dos coreanos, e ele não se importava de simplificar as coisas.
Mas havia uma pessoa, uma em particular, que insistia em chamá-lo por Mateo com aquele sotaque de quem tentou, e conseguiu, aprender. Quando ouviu o nome ser dito ali, em meio ao barulho das barraquinhas, seu corpo virou antes mesmo da mente processar. E quando viu o rosto, mesmo mais velho, sem a franjinha lambida e com traços mais firmes —soltou uma gargalhada surpresa.
“No way!” escapou, em inglês, como se o tempo tivesse voltado para trás. E diferente da hesitação que Dohyeok pareceu sentir ao lhe chamar, Santiago não pensou duas vezes: deu dois passos largos à frente, abriu os braços e envolveu o outro num abraço firme, espontâneo e breve.
“Como eu poderia esquecer o cara que salvou minha vida?” brincou, rindo contra o ombro alheio antes de se afastar, mantendo uma das mãos apoiada ali, como se ainda não quisesse largar por completo. “Uau! E você não mudou quase nada!” disse, com o brilho nos olhos. “E você fala espanhol agora? ¡Qué honor!” fez uma pausa rápida e depois apontou para si mesmo com orgulho quase infantil, “And look! Meu coreano melhorou bastante!” disse, com um sorriso largo que subia até as bochechas.
A verdade era que ele lembrava de Dohyeok com nitidez, como se o rapaz tivesse o guiado de volta ao hotel há uma semana atrás e não há tantos anos. Ambos haviam tentado manter contato, sim, mas os tempos eram outros —as condições da época e as situações da vida não ajudaram a breve amizade a se manter; a ponto de chegar um momento onde, quando surgiram métodos mais fáceis de comunicação à distância, Santiago se perguntava se o rapaz sequer se lembrava dele.
Ainda assim, o Santi nunca esqueceu aquele gesto. E agora, diante do reencontro, a alegria era evidente. “How are you? How have you been?? Acho que a gente tem tanto pra conversar!”
Em 1995, aos dezoito anos, Santiago Gómez deixou Mérida e partiu para os Estados Unidos, onde foi aceito no Culinary Institute of America (CIA), em Nova York. A mudança foi abrupta e, de certa forma, simbólica —um novo país, uma nova língua, e uma nova identidade ainda fresca em sua pele: a de alfa. A revelação tardia da sua classificação o pegara de surpresa poucos meses antes da viagem, e, talvez por isso, ele embarcou com a sensação de que precisava começar do zero, mas de um jeito que agradasse aos outros, não a si mesmo.
Durante os três primeiros anos de curso, Santiago tentou se moldar a um ideal que não lhe cabia. Adotou uma personalidade mais agressiva, mudou o tom da voz, controlava cada gesto para parecer mais imponente. Passou a frequentar lugares que não gostava, se envolver com pessoas que não o entendiam, e vestiu uma postura que lhe era estranha. Tudo em nome de se encaixar. Era uma época difícil para latinos nos EUA: a xenofobia era velada, mas presente, e o rótulo de “alfa” parecia funcionar, aos olhos dos outros, como uma armadura respeitável. Mas por dentro, Santiago se sentia exausto, como se cada dia se afastasse mais e mais de si mesmo, até não se reconhecer mais no espelho.
Foi também nesse período que ele percebeu, com mais clareza, que seu corpo e seus instintos não funcionavam como os dos outros alfas.
A primeira vez que sentiu o cheiro de um ômega no cio foi em um corredor abafado de alojamento, ainda nos EUA. O ar estava carregado, denso, e todos ao redor pareciam reagir como se uma sirene invisível tivesse disparado. Mas Santiago não sentiu aquilo que todos descreviam. Sim, ele sentiu algo. Um alerta no fundo do peito. Um incômodo. Um impulso, talvez... De proteger, de tirar o ômega dali, de cobri-lo com uma manta e deixá-lo longe de olhares predadores. Mas o desejo? Aquela ânsia carnal que diziam que vinha como uma onda? Nada. Só um vazio estranho e uma culpa que crescia em silêncio.
No começo, ele achou que havia algo errado consigo. Os outros alfas não escondiam o julgamento: diziam que ele era “quebrado”, que talvez fosse tímido demais, ou que só precisava de uma “boa experiência” pra “acordar de verdade”. E Santiago, inseguro e recém-chegado a um mundo que já o olhava com desconfiança por ser estrangeiro, tentou se convencer de que era isso mesmo. Tentou agir diferente, sentir o que os outros sentiam. Mas a verdade é que não havia nada para despertar ali.
(Com o tempo, entenderia que o que ele sentia tinha nome: demissexualidade. Santiago precisava de laço, de vínculo, de afeto para que o desejo florescesse. Seu corpo até reconhecia os sinais: um cio podia alterar o ambiente, aumentar a vigilância, acionar o instinto de cuidado. Mas isso nunca se traduzia em desejo imediato. E ele aprenderia a não se desculpar por isso.*)
Depois disso, a rebelião não veio de forma explosiva, mas silenciosa. Entre o terceiro e quarto ano, algo nele quebrou —ou talvez tenha se libertado. Ele cortou o cabelo, trocou as roupas engomadas por tecidos mais soltos, cores escuras e acessórios de prata. Era como se, lentamente, Santiago estivesse arrancando a máscara que havia colado no próprio rosto. Sua postura amena e introspectiva voltou a ocupar espaço e, dessa vez, ele não se desculpava por isso.
Formou-se com louvor após cinco anos e permaneceu nos EUA por mais algum tempo. Trabalhou em um restaurante renomado de Chicago por mais cinco anos, onde conquistou respeito pela técnica apurada e pela discrição firme que o distinguia dos chefs explosivos ao seu redor. Ainda assim, o peso de viver num lugar que nunca lhe pareceu lar começou a se tornar incômodo demais para ignorar.
Foi então que ele tomou uma decisão inesperada: pediu demissão, recusou convites para novas cozinhas e partiu. Primeiro para Jeju, na Coreia do Sul, onde passou um tempo de férias, apenas se permitindo desacelerar. Retornou ao México quando tinha apenas o dinheiro para pagar a passagem de volta, porém apaixonado pelo lugar e decidido a retornar no futuro. E após vinte anos, por fim, retornou a Jeju. Não como turista, mas como alguém pronto para plantar raízes.
Foi assim que nasceu o Casa Frontera: não como um projeto de ascensão, mas como um gesto de retorno. Uma tentativa de construir, com as próprias mãos, um espaço onde pudesse ser inteiro. Sem máscaras, sem moldes, e finalmente em paz. Um lugar onde sua sensibilidade, sua calma e seu jeito de sentir tivessem espaço. E onde ninguém mais ousasse dizer que ele era “menos alfa” por simplesmente ser diferente.
* o termo demissexual começou a existir apenas em 2006, antes disso o Santi acharia que: ou ele era assexual (termo que existe desde 1960, mas que se popularizou no início dos anos 2000) ou ele realmente teve um despertar muito tardio (primeiro namoro sério e duradouro após retornar ao México).
A cena que se seguiu até comoveu o coração de pedra do alfa. Era uma verdade que Hocheol, desde que havia se mudado para Jeju, estava se abrindo mais para as pessoas, mas ele ainda tinha um longo caminho a percorrer até se tornar uma pessoa querida como Santiago. Talvez nunca se tornasse, porém devia reconhecer que o outro era um exemplo a ser seguido. Esperou até que os dois decidissem parar de se abraçar e até riu do comentário.
━ Na verdade, eu não tenho jeito com crianças. Pareceu mesmo que era Seungkwan quem estava me levando para passear. ━ Comentou, descendo o olhar para a criança que parecia radiante ao lado do outro homem. ━ Está explicado. Suas sobremesas são mesmo muito boas.
Hocheol soltou um suspirou realmente cansado, mas agradecido pelo entendimento da outra parte. ━ Sobreviver é uma palavra bem adequada. Estou levando Seungkwan até o pai dele, então é melhor você vir junto porque eu não estou querendo lidar com birra por separação do tio favorito dele. ━ Passou pelos dois, indicando assim o caminho que deviam tomar. ━ Isso, claro, se não tiver nada mais importante para fazer.
Santiago soltou uma risada sincera ao ouvir Hocheol comentar que parecia que era o pequeno Seungkwan quem o estava levando para passear. “O Kwannie não tá emburrado nem choramingando, então eu diria que você leva jeito, sim.” brincou, olhando para o garoto com carinho. Assim que a criança estendeu a mãozinha, Santi segurou com firmeza, como se já fosse hábito.
“Ora, muito obrigado,” respondeu, rindo do elogio às sobremesas. “Depois você me diz qual é sua favorita. A próxima vai por conta da casa.” o tom era leve, mas havia um brilho de orgulho no olhar, aquele tipo de alegria que vem quando algo feito com amor é reconhecido.
Quando o outro alfa mencionou a possibilidade de birra por separação, Santi fingiu não notar a implicação de “tio favorito”, mas o sorriso no canto dos lábios o entregava. “Ah, eu não acho que ele vá fazer birra ao se separar de você…” comentou, com um olhar fingidamente inocente. “O Seungkwan é um menino bem comportado, não é mesmo, Kwannie?” Olhou para o garotinho que saltitava ao seu lado com toda a energia do mundo e afagou levemente os cabelos dele com a mão livre.
Seguiu então ao lado de Hocheol, sem pressa, acompanhando o ritmo do pequeno entre eles. O gesto do promotor de passar à frente, indicando o caminho, foi recebido sem palavras —Santi não disse que estava livre, mas também não precisava. Bastava a forma como ele aceitou caminhar ao lado deles.
━━ Tem razão, eu comecei a falar antes mesmo de saber que era você. Mas é que quando eu entrei aqui, um monte de gente de mãe se juntou em cima de mim para perguntar se a Soyeon era minha, se meu alfa tinha ido buscar alguma coisa pra gente comer e mais um monte de coisas, então teve um momento que eu me cansei de explicar e só aceitei o que acharam de mim: que sou um pai solteiro, sem alfa e muito corajoso. ━ Explicou, erguendo o olhar para Santiago e então foi a vez de Soyeon acompanhar o movimento e sorrir para o mais velho. O ômega acabou levantando, já estava mesmo buscando uma desculpa para sair dali. ━━ Muitos alfas estão vivos ainda, Santi. Algum deles pode ser meu um dia, não é? Ou um beta... Não sei. Aqui, segura ela um pouco pra eu juntar as coisas.
Jaehwi não esperou muito, já empurrando a menina pros braços do mais velho e Soyeon, curiosa e dada como era, apenas ia com as pessoas que ela sentia que o primo confiava. Com as mãos livres, Jaehwi conseguiu colocar as bolsas nos ombros e então se preparou para pegar a criança novamente. ━━ Pronto, pode me dar a menina e aproveitar para me contar como você tem passado.
“Ah, entendi.” respondeu com um aceno leve de cabeça, assimilando a explicação do rapaz. “Ainda acho que teria sido mais fácil dizer que você só está de babá pra sua prima, mas entendo. Chega uma hora que cansa ficar repetindo a mesma coisa pra desconhecidos. Principalmente quando já te enquadram em alguma história só por ser um ômega.” revirou os olhos, sem disfarçar a irritação com esse tipo de julgamento automático.
Quando Jaehwi se levantou e passou a criança para os seus braços, Santiago a recebeu sem hesitar, ajeitando-a com naturalidade no colo. Levantou a pequena no ar e a abaixou em seguida, só pelo prazer de arrancar aquelas risadinhas gostosas que toda criança tinha em reserva. “Bem... Você tem um ponto.” respondeu, rindo da resposta que recebeu do ômega.
Depois de alguns instantes, segurou a menina mais próxima do peito, onde ela logo se aninhou com confiança. Santiago arqueou uma sobrancelha, lançando um olhar de canto para Jaehwi quando este pediu a bebê de volta. “Hm... Ela parece mais pesada que todas essas bolsas aí.” provocou, ajustando a criança no colo. “Olha só, ela tá tão confortável aqui.” acrescentou com um sorrisinho. “Vai ter que escolher ou as bolsas, ou sua priminha, garoto.” Ignorou completamente os olhares curiosos dos outros adultos na área kids. Já estava acostumado a ser o centro de observações silenciosas, especialmente quando fazia coisas fora dos estereótipos que esperavam de um alfa.
“Eu tô bem, no geral,” respondeu, mais sério agora, ao ser questionado. “Tenho sido bem recebido pelos vizinhos, apesar dos... interrogatórios.” murmurou essa última parte com uma careta breve, lembrando das senhorinhas e, principalmente, de um certo detetive com cheiro de petricor.
“O restaurante tá indo melhor do que eu esperava. Já tem cliente que voltou mais de uma vez, e olha que faz pouco tempo que abri. Meu único medo é o movimento cair depois que deixar de ser novidade.” resmungou, mas suavizou a expressão ao virar o rosto pra encarar a neném em seu colo. Fazendo uma careta engraçada quando ela tentou pegar seu nariz com as mãozinhas pequenas e babadas. "Mas e você, hm?"
atenção essa interação se trata de um flashback . . .
dohyeok tinha tirado o dia pra ajudar a vó e seus amigos , porque ele era jovem então tinha mais disposição e porque ele não sabia dizer não . entre um suspiro e resmungos de dor enquanto alongava o corpo ( talvez devesse começar a ir em uma academia e ganhar mais alguns músculos e resistência ) pensou entre o caminho até a casa . estava segurando a bicicleta enquanto preferia caminhar e isso por si só já o faria demorar mais pra chegar mas teve outras coisas que o atrasou , queria passar na praia um pouco e teve a interação com o turista .
mateo santiago , ele ainda não sabia o nome mas seria um que ficaria em sua mente porque o homem era alguém meio marcante e foi isso que facilmente atraiu seus olhos para a figura a primeira vez que o viu ( ele era meio esquisito ) destoando de todo o cenário comum de jeju . a expressão emburrada e os olhares estranhos das pessoas que passavam pra ele ( como disse dohyeok era incapaz de dizer não a quem precisava de ajudar e ele claramente gritava que precisava de uma ) não demorou dois segundos pra se aproximar ignorando todos os ensinamentos que usava quando era criança ( não fale com estranhos ) podia garantir sua própria segurança aquela altura da vida .
a senhora ao lado do mesmo pareceu relaxar com sua presença , a maioria ali o conhecia ( o filho mais velho da família shin ) então levou a mão a frente do rosto do mesmo e balançou chamando sua atenção . ❛ annyeong ? jinaesyeosseoyo ? ❜ perguntou incerto se o outro entenderia então tentou falar em seguida com seu inglês de dois centavos . ❛ are you ok ? you need help ? ❜ as palavras saiam devagar tentando ser o máximo claro entre o sotaque carregado , logo decidiu pegar o celular e abriu o google tradutor esperando que pudesse ajudar a melhorar a comunicação entre eles se fosse preciso .
Estava tão perdido em seus próprios pensamentos que levou um leve susto quando uma mão surgiu no campo de visão, balançando diante do rosto dele. Levantou os olhos com um sobressalto, o cenho franzido de costume ainda no lugar. A voz veio em coreano. Ele entendeu só o annyeong. O resto soou como uma tentativa educada de iniciar uma conversa, mas era mais do que seu vocabulário limitado conseguia acompanhar. Ainda assim, não parecia uma bronca, o que já era um alívio.
Mas então veio o inglês, um pouco arrastado, com sotaque forte, mas perfeitamente compreensível. “Yes! Help!” respondeu rápido demais, talvez com mais alívio do que gostaria de admitir. “I think I’m lost. I need to go back to the hotel.” falou devagar, mas sem exagerar, para não parecer que estava zombando da tentativa de comunicação.
Em seguida, arriscou seu coreano hesitante, apontando para o panfleto turístico que segurava com ambas as mãos, “[Voltar pro hotel.]” disse, com aquele sotaque que deixaria qualquer professor de coreano decepcionado. Virou o panfleto turístico em suas mãos para mostrar o nome do hotel, apontando com o indicador. Era o que tinha.
O silêncio que se seguiu pareceu durar mais do que deveria. Santiago tentou interpretar a expressão do outro, mas era difícil saber se estava processando, confuso ou apenas educadamente tentando pensar em algo. O que quer que fosse, ele já estava fazendo mais do que qualquer outra pessoa até aquele momento.
Um riso curto escapou dos lábios do estrangeiro. Ele estendeu o panfleto com mais convicção. “This one. The hotel near the beach.” respirou fundo e coçou a nuca. “Sorry, my Korean is... A disaster. A big disaster.”
Depois disso, esperou. Sem saber o que o outro responderia, sem saber mesmo se aquilo ia dar certo. Mas havia algo no rosto dele —não só pela ajuda, mas pela forma como ele sequer hesitou em se aproximar— que fazia Santiago sentir que, talvez, aquela não fosse uma ilha tão solitária assim.
ooc: as falas ditas em coreano vão estar entre "[colchetes]", pois tenho preguiça de abrir o google tradutor pra pegar as frases em coreano.
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Registrou novos sons — palavras quase sussurradas — mas não reagiu. Não sabia se conseguiria nem se tentasse. Talvez fossem somente sugestões de seu subconsciente, aquela não seria a primeira vez que uma pequena parte de si tentaria se salvar. Um suspiro trêmulo lhe escapou, e ao longe ouviu os trilhos no segundo loop.
Alguém o estava tocando. Guiando-o para a varanda — ele esperava, já que ainda não conseguia abrir os olhos. Sentado, o aperto na pelúcia já não era tão firme. Acariciava o tecido fofinho como se temesse que pudesse desaparecer. Ou desejando que pudesse desaparecer com ele. Os joelhos juntos, a respiração trêmula, os olhos ainda fechados. Mas o som… O som não lhe cortava a pele.
“Con…sigo”, não sabia se queria falar com o desconhecido ou provar a si que ainda podia funcionar direito. Que estava tudo bem. Levou as mãos ao rosto, cílios úmidos tocando a palma. Queria agradecer, mas não sabia por onde começar. Seyeon por fim abriu os olhos, as sombras que os próprios dedos faziam duraram um segundo. Piscou, e foi acostumando com a claridade lentamente. As luzes e os sons já não lhe incomodavam, ainda assim, sentia que a qualquer momento sairia flutuando e ninguém conseguiria lhe segurar. Estava cansado.
Focou nele — a pessoa que tão prontamente o havia ajudado e que ainda não havia perguntado qual era o seu problema. Olhos escuros, expressão serena. Ele parecia uma estátua impassível mesmo sob o peso do tempo. Nunca havia visto seu rosto na cidade, um turista, talvez? Ou novo morador. Não tinha certeza, mas estava quase certo de que ele havia usado coreano consigo. “Desculpe…”, a voz parecia rouca pelo desuso, mas mais firme. “Por isso”. Estendeu a mão para ele. Para lhe ajudar a levantar. Agradecer. Ambos. “Mas obrigado, por não ter ido embora”.
Depois de alguns instantes, que pareceram se esticar como uma eternidade, Santiago soltou a respiração que nem havia percebido estar prendendo. O som da voz trêmula do rapaz finalmente o alcançara e, mesmo que fosse uma palavra curta, entrecortada, ainda assim era resposta.
Quando o viu levar as mãos ao rosto para secar as lágrimas, Santiago não em puxar do bolso o pacotinho de guardanapos que havia recebido junto com a garrafinha de água. Instintivamente, como já vira seus primos fazerem com os filhos pequenos, abriu o pacote e, com uma delicadeza quase ritual, tocou o rosto do outro com o papel macio. Só se deu conta do gesto depois. Seus olhos se arregalaram levemente com a consciência tardia da intimidade involuntária, e então, suavemente, colocou os guardanapos na mão do rapaz para que ele mesmo pudesse usá-los, sem pressa, no próprio ritmo.
“Não precisa se desculpar.” respondeu baixinho, num tom mais afetuoso que racional, quase como se dissesse aquilo também para acalmar o ar ao redor. Sua mão pousou brevemente sobre o joelho do rapaz, num gesto de ancoragem leve, e apertou com a mesma suavidade com que se fala um “tá tudo bem” sem palavras. Quando o outro estendeu a mão em sua direção, Santiago a segurou.
Inclinou levemente o rosto para o lado ao observá-lo com mais atenção. Agora que as luzes já não mudavam frequentemente, Santiago pôde ver melhor o cansaço nos traços alheios, apesar de parecer melhor do que quer que tenha o afetado instantes atrás, o rapaz agora parecia exausto.
“Você parecia precisar de ajuda,” disse, como quem afirma um fato simples, inquestionável. “E eu não conseguiria simplesmente ir embora.” Sentou-se ao lado dele no banco, deixando um espaço entre eles. “Precisa de mais alguma coisa?” perguntou, com a voz ainda baixa, mas mais firme. “Posso te acompanhar até algum táxi, se quiser ir embora… ou só ficar aqui mais um pouco.” Houve uma pausa breve, que ele preencheu com um sorriso gentil, discreto, como se o nome próprio fosse também uma oferta de paz, “Me chamo Santiago, aliás. Me mudei pra cá tem pouco tempo. Sou o dono do restaurante mexicano novo que abriu.” disse, quase com um tom de desculpa por se apresentar tão tarde, os olhos escuros ainda suaves e atentos.