Capítulo 25
-Caralho, Francês... A gente ta no porta mala de um avião. – Foi a primeira coisa que eu ouvi quando fecharam a porta. -Pois é. -Tu é um bosta. Olha onde cê mete a gente. -Eu?! – Perguntei indignado. Eu não podia ver o rosto do Sick, mas eu sabia que ele provavelmente tava de olhos fechados. -Lógico. A mina é tua. – Ele falou, quase vi as mãos dele sacodindo no ar. – Ainda bem que eu trouxe uns beck. -Tu vai acender isso aqui?! – Perguntei, ainda indignado. – E ela não é minha mina. Caralho. – Esse negocio tava começando a me irritar. -Não é porque tu é frouxo. – Ele devolveu. – E eu vou acender sim. Tu quer? – Ele provavelmente tinha oferecido o beck. -Quero. – Já que não tinha mais nada pra fazer, né... Os motores rugiram debaixo da gente, apertei a mala que tava do meu lado. Tomara que essa porra desse beck não exploda. Aí caí a gente, caí o avião, morre todo mundo, e os cara ainda vão atrás da nossa família. Puta que pariu. É bom que eu esteja viajando, mas eu to preocupado pra caralho. Vi uma coisa iluminar onde o Sick estava. Ele tava bem na minha frente, só que do outro lado, com a perna enrolada em um dos braços de uma das malas. Tava longe pra caralho. Deu um, dois, três, quatro e me ofereceu. Agora era fácil dizer onde tava o que. Dei um trago. A “vela” que ele acendeu iluminava o lugar inteiro, já que não tinha nem uma porcaria de uma luzinha pra fazer isso. Mais um. Fomos jogados no fundo do poço, como ratos. Mais um. Fui burro de aceitar isso tudo. Passei o beck de volta. -Mas tu também não negou, né? – Perguntei pro Sick enquanto passava pra ele. -Do que tu ta falando? – A gente tinha que gritar, agora, por causa do barulho. -Tu não recusou a ideia da guria. – Ele já tinha dado mais uns 5 tragos. -Logico que não né! – Ele passou pra mim, e soltou a fumaça enquanto falava.- Aprende uma coisa, Francês: quando tu é fugitivo, sair de qualquer lugar, pra qualquer lugar, em qualquer lugar, já é um puta negocio. – Peguei e traguei mais algumas vezes. – De qualquer jeito a gente já ta fodido. Se a gente pelo menos tiver a chance de sair de onde a gente tava, antes, já da pra melhorar a vida. Só concordei, não tinha muito o que dizer. Eu mesmo estava morrendo de medo dos caras que podiam vir atrás da gente, mas os caras não podem ter tanto contato assim, pra descobrir pra onde a gente ta indo. Pelo menos não agora... Da pra dar um perdido. Eu já tava chapado pra caralho quando o beck acabou. Perdi a vergonha inicial e acendi um cigarro. Não sabia por quanto tempo iriamos ficar ali, então melhor ficar relaxado mesmo. Logo estávamos rindo de qualquer sobra feita pela fumaça e pela pequena luz da ponta do cigarro. O clima começou a ficar mais pesado: o som do avião tava alto pra caralho, e jogaram um ar na gente, que parecia que queriam matar a gente de frio. O Sick abriu a mala dele e tirou mais umas roupas e se cobriu inteiro, e eu fiz o mesmo. Não tava afim de congelar. Como tava muito frio e muito barulho pra conversar, logo eu dormi.
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-Aí, Francês, acorda! – Abri os olhos de uma vez e vi a figura magra do rosto do Sick Boy na minha frente e uma voz meio apagada no fundo. “Atenção, em dentro de poucos minutos estaremos pousando em Reykjavik, Islandia. A temperatura é de -3ºC. 22 horas.” Arregalei ainda mais os olhos e me levantei num pulo. O Sick tava muito engraçado, não consegui conter o riso. -Do que tu ta rindo, palhaço? – Ele tava sentado no chão, na minha frente, todo gordo por causa das mil roupas que ele tinha colocado no corpo. -Desse monte de roupa que tu ta vestindo! – Ainda tava rindo, tentando manter a respiração normal. -É que tu é da França, seu babaca, eu sou do Brasil, tá?! – Ele cruzou os braços, mas não conseguiu muito bem, as roupas não deixavam. Ele tava muito emburrado, e eu não conseguia parar de rir. – EU SINTO FRIO, TA? VAI SE FODER!!! – Ele gritou, voltando pra perto da mala dele. -Sick, -3 não é tão frio assim. -Tu não ta ligado que em São Paulo faz 20ºC e eu TREMO de frio. – Ele ainda não tava olhando pra mim. Eu tirei uns dois casacos da minha mala e coloquei, e enfiei tudo de volta na mala, fechando-a, enquanto parava de rir. A mala dele tava vazia. Todas as roupas tavam no corpo. Puta merda. -HAHAHAHAHAAHHAHAHA – Eu ri mais ainda. – Desculpa, eu juro que vou parar. – Eu falei, tapando minha boca. Eu tive que ficar os próximos minutos olhando pro chão e pensando em alguma outra coisa pra conseguir parar de rir, mas toda vez que eu conseguia parar de rir, eu lembrava do Sick parecendo um boneco de posto, sem nem conseguir se mexer direito por causa das roupas, e voltava a rir outra vez. Não nos conversamos até que o jato desceu de uma vez e quase paramos no teto, se não tivesse me segurado nas barras de ferro que tinham ali perto, era bem provável que eu já estaria morto, por causa da velocidade. Isso fez com que eu esquecesse do Sick Boy entulhado em roupas e parasse de rir, me preocupando, agora, em me manter vivo. Depois de muita turbulência parecia que finalmente tínhamos pousado, o jatinho ainda devia estar correndo na pista, mas pelo menos já estávamos em chão firme. Quem diria que as primeiras vezes que eu saísse da França seria como fugitivo, e a primeira vez que eu andasse de avião seria dentro do porta malas. É pra acabar com qualquer trauma que eu pudesse ter, mesmo. Nem achei tão ruim assim. Logo fomos parando, parando, parando e finalmente paramos. Tudo silêncio. O vácuo se fez de novo. Agora podíamos ouvir as pessoas dentro do jatinho se movimentando, e um barulho muito alto ecoou dentro do porta malas. -Acho melhor a gente se camuflar... just in case... – Sick Boy falou, se metendo no meio das malas. Mas ele já tava camuflado o bastante com aquele tanto de roupa. Segurei o riso quando a porta abriu e um cara baixinho de cabelo enrolado e ruivo apareceu, olhando em volta. -I need to get my bag! – Eu conhecia a voz daquele desgraçado. Era o Pete. Senti meu coração parando aos poucos, conforme ele foi se aproximando. -Me desculpe, mas é um procedimento que o aeroporto pede para fazermos. – O ruivo barrou ele na porta. AE RUIVO! -Mas é de extrema importância. – Ele insistiu, tentando passar pelo carinha. -O senhor pode esperar naquela sala... Eu mesmo trarei pra você. – O ruivo explicou, segurando Pete pelo braço. – Ou o senhor pode falar com o nosso departamento de policia. – Pete olhou pra dentro do porta malas, mais precisamente pra mala das armas e bufou. -Faça logo o seu trabalho. – E saiu fora. Nunca respirei tão aliviado. O ruivo ficou na porta esperando Pete se afastar, imaginei. Depois se virou pra dentro. Eu não sabia se era ele o primo da Lua, ou não, então continuamos quietos. -Ei! – Ele chamou. – Eu tô sabendo que a Lua tá trazendo dois amigos? – Ele jogou no ar, pegando algumas das malas do pessoal que viajou da forma convencional. – Não precisam se esconder. – Ele falou isso e Sick Boy pulou do esconderijo dele, quase matando o ruivo de tanto rir. -Tu também? – Ele bufou, se olhando de cima. – Eu to com frio, falou? – Ele se emburrou de novo. O ruivo tava só com uma blusa fina de manga comprida. -Ta tranquilo. – Ele falou, enxugando as lagrimas. – Eu sou o Gregory. – Ele estendeu a mão, o cumprimentando. -Sick Boy. – Ele estendeu a mão de volta, com uma baita dificuldade. – Aquele ali é o Luc. – Ele apontou pra mim, que estava rindo, deitado no chão. -E aí. – Cumprimentei o cara, me levantando e pegando minha mochila nas costas. Depois de rirmos um pouco do Sick Boy, Gregory nos explicou que ele ia levar as malas pro carrinho de bagagens e voltar com que a gente ia ter que ir no meio das malas até o departamento de malas. Saímos escondidos atrás de uns carrinhos grandes e fizemos exatamente o que ele nos disse. Não tinham só as malas dos caras do jato, tinham malas de outras pessoas também. -A gente passa pegando a mala de todos os aviões que chegaram, e aí a gente leva pra esteira. – Gregory explicou. – Por isso que as vezes demora um pouco. Pulamos pra dentro do carro e ficamos sentados enquanto Gregory nos entulhava com mais e mais malas, até que ficamos cobertos por elas. -Pelo menos esse primo da Lua não é um babaca que não fala nada. – Sick Boy comentou, mas eu não conseguia vê-lo. -É... Tomara que não seja tão estranho ficar com ele por um tempo. – Resmunguei tirando uma alça de bolsa que tava na minha frente. -Tu acha que a gente vai ficar quanto tempo com esse pessoal?! – Sick parecia indignado. -Sei lá... Alguns dias pelo menos... Não?! -Tu ta louco?! Eu não sobrevivo nesse frio por tanto tempo! – Ouvi ele se mexendo do meu lado, as malas caíram um pouco e ficou muito mais pesado de segurar, mas eu não consegui segurar o riso. -Sick tu ta louco? Hahahahahahah esse pessoal deve ter aquecedor em casa. Nem eles aguentam sem isso, eu acho. -Mas o cara ta só com UMA blusa! – Ele falou mais alto. -Mas normalmente aqui faz frio do que isso, eu acho. -EU ACHO QUE NÃO MANO! – Ele falou alto pra caralho e eu ouvia os dentes dele baterem. – To falando serio eu vou morrer. -Para com isso, Sick Boy! – Dei um chute na perna dele, porque nossos pés estavam perto. – Daqui a pouco a gente chega na casa do Gregory e tu se esquenta! – ele continuou gemendo. -Ta vendo! Tu até lembra o nome do cara. – Ele tava tremendo de verdade, mas eu nunca sei quando ele ta exagerando. – Eu to vendo a luz, Luc... É agora... Eu to indo... – Os dentes dele continuavam batendo, e eu só encostei minha cabeça. Por que eu só atraio os malucos? – Tá... – Ele respirou fundo e parou de bater os dentes. – Não foi dessa vez, mas eu sei que vai ser já já. -E aí, meninos. Tudo certo? – A voz de Gregory parecia longe, já que ele estava perto da saída das malas e a gente tava no fundo do caminhãozinho. – Vou levar vocês pra dentro agora. – Ouvi a voz dele dar a volta na gente. – E tu não vai morrer, rapaz. -3º não mata nem passarinho. – Ele falou isso e ouvi a porta se fechar com tudo atrás da gente, ele tinha entrado no caminhão, e agora estava dirigindo. -Tu é um exagerado mesmo. – Falei pro Sick Boy, mas ele só me ignorou. -Pelo menos agora esse caminhão esquenta um pouco enquanto a gente anda. Mas logo o caminhão parou. -Porra, só isso? – Ele resmungou do meu lado. – A gente podia vir vindo correndo, ia bem rápido e a gente não precisava lidar com isso. – Ele empurrou as malas pra frente, bem na hora que o Gregory tava tirando as malas. -A gente ta aqui escondido, seu merda. – Falei pra ele, ajudando Gregory a tirar as malas que tão em cima de mim. -E tu pensa que ia enganar quem com esse monte de roupa? – Gregory deu um palpite, já rindo de todos os layers de roupa que estavam sobre o corpo do Sick. -Se já não me bastasse um francês, agora tem um islandês me enchendo o saco. Caralho. – Sick Boy reclamou, mas riu junto com a gente, tirando um dos casacos, o que só fez com que a gente risse mais ainda. -Tudo bem, meninos, entrem no meu carro. – Ele tirou uma chave do bolso, e entregou na minha mão. – Ele ta ali estacionado e apontou pra dentro de um estacionamento de avião, onde tinham alguns carros, também. Fomos até o carro bege redondinho estacionado entre dois vermelhos e entramos, nos sentamos no banco de tras, porque seria mais fácil de se esconder quando passássemos pelo portão do aeroporto. Ou não, eu sei lá. Preferi não arriscar. Não demorou muito para que o ruivo entrasse no carro e desse a partida. -Ainda bem que consegui alguém pra levar aquelas malas, se não vocês dois iam ter que esperar algumas horinhas. – Ele riu, e deslizou pela pista dos aviões. Ele não nos pediu pra abaixar nenhuma hora, então comecei a pensar sozinho como era fácil entrar num país desse jeito. Ninguém tem controle de quem entra e de quem saí pra trabalhar aqui? Bizarro. -Que tu ta com essa cara, moleque? – Gregory era um cara gordinho, e tava usando um suspensório, tinha o cabelo enroladinho e ruivo e algumas sardas no rosto redondo. Ele parecia ator de um comercial de lenhador dos anos 50 que eu via quando era pequeno. O carro dele tinha estofado de pelos cinzas e uns dadinhos pendurados. O cinzeiro cheio de pontas de maconha. -Tu fuma um? – Sick Boy interrompeu minha analise e não me deu tempo de responder. -Fumo de vez em quando... – Ele trocou a marcha e olhou para o cinzeiro. – Ah! Isso é tabaco. Isso sim eu fumo o dia todo se me deixassem. Mas eu sou um cara muito atarefado. -Tu faz o que além de levar as malas? – Sick Boy perguntou, e eu sabia que ele queria adicionar, dirigindo aquela distancia toda vez que tras as malas. -Eu tenho uma loja. – Ele nos olhou pelo retrovisor. – A Lua me disse que vocês precisam de documentos... – Ele deu um sorriso. – Vou precisar dos novos nomes. Ele parou num farol. Era uma cidade pequena, com estradinhas pavimentadas com paralelepipedo, mas poucas. As casas bem espaçadas umas das outras. Virou mais algumas ruas, enquanto pensávamos e estacionou numa casa toda preta, sem portões, mas com as janelas fechadas. -Mas eu não faço ideia de como eu posso me chamar. – Sick Boy falou, enquanto ele saia do carro e deitava o banco para que pudéssemos sair. -Tu tem cara de Arthur. – Gregory falou, apontando na cara dele. – E tu tem cara de Yago. – Ele apontou pra mim. -Que porra de nome é Áhrtûr. – Sick Boy falou, imitando o sotaque do cara, pronunciando o nome certinho. -É tu. – Ele falou, fechando a porta do carro, rindo e nos guiou até a porta da frente. – Não se assustem, ta um pouco desorganizado. Sick Boy entrou na frente, e ficou parado perto da porta analisando o lugar, com a boca aberta, e eu não entendi, até dar um passo pra frente e ver o que ele estava vendo. Demorei um segundo pra entender que o cara morava na loja dele. Mas não era qualquer loja. Tinham prateleiras de lingeries, e outras coisas sexuais, que eu preferia não ter visto, alguns brinquedos, uns cremes comestíveis, umas calcinhas comestíveis, algumas fantasias e... -Caralho, tu mora num Sex Shop! – Sick Boy saiu do transe e saiu fuçando as prateleiras. – Tem uns filme bom aqui! – Ele gritou, sorrindo, parecendo uma criança que acabou de chegar numa loja de brinquedo e os pais iam comprar qualquer coisa que ele queria. – Mentira que tu tem boneca inflável! – Ele tava de costas, olhando pra umas caixas que tavam na prateleira. – Eu posso ficar com uma? – Ele sorriu, se aproximando de Gregory que tava se contorcendo de rir do meu lado. Eu nunca tinha visto nenhuma loja assim. Pierre me falou que umas coisas dessas tavam fazendo sucesso, mas eu nunca imaginei que seriam umas coisas assim. Eu sou muito inocente, mesmo. -Tu pode comprar uma. – Gregory caminhou até ficar de frente com meu amigo, encantado. – Espero que vocês não se importem em ficar por aqui. – Ele sorriu, entrando na loja, seguimos ele. -Ta aqui o dinheiro. – Sick Boy tirou algumas notas do bolso e deu pra ele. – E imagina se iriamos nos importar, né, Luc? – Ele puxou a barra da minha camisa. Aquilo tudo tava ainda mais hilário porque o Sick tava com aquele monte de roupa. Parecia um adolescente virgem que nunca viu mulher na vida. -Ta tranquilo. – Eu respondi, segurando o riso. -Mas tu não faz só isso, né? – Sick ainda tava com o dinheiro na mão, entregando pro Gregory, mas ele já tava dentro da cozinha, tirando um café de um bule e colocando numa xicara. -Vocês aceitam? – Ele perguntou, e assentimos com a cabeça, então ele foi pegar mais duas xícaras. - Isso tudo na verdade é disfarce. O pessoal vem aqui mais em busca de novas identidades, ou alguns moleques vem pedir preu falsificar os documentos pra eles poderem beber. Ganho mais com isso do que com as mulheres e homens que entram pra comprar na loja... – Ele trouxe de volta as xícaras e puxou algumas cadeiras, depois sumiu por alguns minutos e se sentou, trazendo uma caixinha. – Podem se sentar, sintam-se em casa. – ele deu um sorriso simpático e nos juntamos à ele. – Eu vou precisar da digital de vocês. – Ele tirou uma caixinha preta de dentro da outra caixa e abriu na nossa frente. Era uma almofadinha de tinta. Ele pegou nossos dedos e grampeou um por um numa folha em branco, começando pelo Sick. – E depois eu tenho que tirar uma foto de vocês. – Ele continou tirando cópias dos dedos de Sick. -Mas porque tu não ganha tanto na loja? Pensei que todo mundo ia querer experimentar tudo... Ainda mais aqui. – Sick Boy mexeu a outra mão no ar. – Acho que as pessoas não devem ter muito o que fazer além de transar. A sinceridade do Sick me constrange as vezes, mas Gregory riu da afirmação do magrelo. -Eu também achei isso, por isso tenho essa loja. Mas tive o importuno de descobrir que as pessoas nesse fim de mundo são muito conservadoras. -Da onde eu venho não ia ter esse problema. – Sick Boy riu, ficando mais a vontade na companhia de Gregory. Ele acabou de copiar os dedos do Sick e copiou os meus. -Acho que na França isso ia dar muito mais certo. – Ele comentou, quando pressionava meus dedos. -Com certeza. – Dei um sorrisinho. Aquilo fazia cócegas nas minhas mãos. Ele terminou de fazer o que tinha que fazer e ficamos parados um tempo na frente de uma parede branca para que ele pudesse tirar nossas fotos. Foi bem rápido. -Agora é só eu anotar o nome de vocês e levar isso aqui lá pra dentro, amanha eu termino tudo. – Ele sorriu, parecendo satisfeito com o trabalho. – Arthur Bloyde e Yago Hakkua. É melhor vocês dois terem nomes ingleses, assim só conversam com vocês em inglês. – Ele assentia com a cabeça enquanto falava isso. – Vou levar isso aqui lá pra dentro, vocês fiquem a vontade, tem comida na geladeira. Eu vou dormir porque estou morto de sono. Vejo vocês amanhã. – Ele sumiu por entre os corredores. -Até que a Lua não é tão ruim com os contatos dela. -Ele é primo dela, Sick. -Então é de família essa loucura toda. – Ele observou. -Ah! Já ia esquecendo... Separei um quarto pra vocês ali no fim do corredor. São duas camas de solteiro. Fiquem a vontade. – Ele sorriu mais uma vez e voltou a sumir pela casa. -Eu sinto muito, Francês, mas tu vai ter que deixar eu testar minha boneca hoje. -Puta que pariu, Sick Boy. – Virei o resto de café que tinha na minha xícara e balancei minha cabeça. – Não arrasta. -Primeiro de tudo, é Áhrthûr, para o senhor, e segundo... Tu sabe há quanto tempo eu tava querendo uma dessas?!?!?! – Ele arregalou os olhos na minha frente. – MUITO TEMPO. – E virou o café. Me levantei e fui pro quarto, descobri que era uma suíte, então fui até o banheiro e escovei os dentes. -Eu vou dormir com ela, SIM! – Sick Boy apareceu atrás de mim com a boneca cheia e sem todas as blusas, parecia outra pessoa. -Como tu é chato. Faz o que tu quiser, eu vou dormir porque to morto. – Resmunguei, mas saí rindo de dentro do banheiro. -Eu vou testar aqui só pra não te encher muito o saco, mas eu to aqui. – Ele me expulsou do banheiro e trouxe a boneca pra dentro, fechando a porta na minha cara. -Tu é um crianção! – Falei alto do lado de fora, não conseguindo conter o riso e fui até a cama que tava perto da parede. Tirei minha roupa e me enfiei em baixo do lençol, cobrindo a cabeça com o travesseiro pra não ouvir o Sick Boy gemendo dentro do banheiro, parecendo um idiota.













