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Capítulo Vinte e Cinco
Eu estava deitada em uma das espreguiçadeiras do nosso grande jardim dos fundos vendo minha família na piscina. Otávio brincava com os gêmeos no ombro, enquanto Giulia ia nas costas da Afrô que também estava na água. Quem diria, não é?! Em pensar que a um mês atrás era pra tudo ter acabado. Soa até meio piegas, mas minha história com ele daria um belo de um livro não?
(vía https://www.youtube.com/watch?v=b69gh1VBW6M)
Capitulo 25
Odiava estar atrasada, qualquer que fosse a situação. Odiava chegar atrasada. Odiava ser a ultima, a saber, a última a sair. Com a equipe que me esperava no escritório era óbvio que eu era a ultima e a única que ainda não sabia o que é que estava acontecendo.
Olhei no fundo dos olhos de cada um naquela sala, a Paloma, o meu avô, a Tereza, o marido da Paloma, o Diego e inclusive Pablo, o capanga. Ninguém começava a falar nada, o que começou a me irritar.
- Vocês estão esperando mais alguém? – perguntei impaciente – acho que já tem gente o suficiente aqui.
Meu avô abriu a boca para falar, mas a Tereza o interrompeu gentilmente com a mão.
- Deixe que a Paloma diga a ela. – ela falava com ele, não comigo.
Dito isso eu virei meu olhar insistente para a Paloma. Ela estava encostada a enorme mesa do escritório, de braços cruzados. Parecia estar pensando pela milésima vez em como falar.
- Bom, quando faltavam algumas semanas para você nascer, eu comecei a ter alguns problemas com a gravidez e fiquei com medo de morrer, então eu pedi para o meu pai, já fazer um testamento e deixar tudo que era meu pra você. Absolutamente tudo. Com a tecnologia avançada, eu coletei o seu sangue... Sabe quando coletam para fazer DNA com a criança ainda dentro da barriga da mãe? – afirmei que sim com a cabeça para que ela continuasse – foi isso que eu fiz. O seu pai, biológico, se chama Eduardo... E bom, ele me convenceu a registrarmos você, logo de cara no cartório, consequentemente para o resto da sua vida você é minha filha, registrada.
- Impossível – protestei – minha mãe me registrou logo depois que mudamos para o interior.
- É só mais uma mentira – Quem falava era o João.
Fiquei confusa.
- Esta dizendo que meus pais mentiram pra mim esse tempo todo? – Perguntei perplexa.
- Não. – o Diego quem respondia – eles também foram enganados. Com dinheiro, a Gabriella e o time dela, compraram o funcionário do cartório. Sua mãe assinou papeis falsos, suas identidades são falsas. A única coisa que não é falsa em você é o nome.
Todos ficaram em silencio. Era muita informação de uma vez só.
- Isso não faz mais diferença. Eu já sou maior de idade.
Ninguém falou nada, a única resposta que eu obtive foi um balanço de cabeça em sinal negativo do meu avo.
Olhei insistente para a Paloma novamente.
- Quando se é uma menina as leis são um pouquinho diferente. As meninas recebem pensão até os vinte e um, se ficam doentes, as mães recebem salários até os vinte e um. Seu tutor, comanda tudo na sua vida até os vinte e um anos.
- Porque eu teria um tutor?
- Por que eu fui burra, fui fraca e enganada. O Eduardo ficou com medo de a minha mãe tomar você dele, caso eu morresse no parto. Então no meu testamento diz que ele é o seu pai e tutor, coordenador e dono de tudo que você tem, até que você passe a ter vinte e um anos.
Levantei, os meus pensamentos rodavam rápidos demais.
- Mas você não morreu, que serventia isso tem para ele?
Ela suspirou.
- É eu não morri, mas morreria se te perdesse outra vez.
Eu gelei.
- Então agora ele quer me matar?
- Não – o Diego voltou a falar – Na verdade ele só quer o dinheiro, e no fundo, ninguém quer a sua vida. A única coisa que a Gabriella quer é te destruir, te humilhar, te fazer pagar pelo que você a fez passar no salão do acampamento meses atrás.
- Como você sabe disso? – Estava ficando desesperada.
- Porque eles me chamaram para fazer parte do time. Eu disse que estava com raiva de você, porque não tinha me perdoado, mas que eu não queria mais me sujar. Eles acharam que eu não era uma ameaça e ficou elas por elas.
Continuei pensando rápido, mas não consegui chegar a lugar algum.
- O que ele quer então? O que ele ta planejando?
A Paloma desencostou da mesa e começou a caminhar de um lado para o outro.
- A Gabriella espalhou quem você é então você é uma personalidade esperada nesse festival. Vão ter pessoas de olho em você por ele, pessoas de olho em você pela mídia, pessoas de olho em você por que simplesmente querem se aproximar de você. Eu preciso que você tome cuidado, durante esse pequeno espaço de tempo. É tudo que eu preciso, vai ser o suficiente...
- Suficiente pra que?
- Já dei entrada nos papeis, ele cometeu crime demais, falsificando seus documentos, sequestro, maltratou uma criança, comprou pessoas de órgãos públicos e é uma ameaça a nossa família. Em alguns dias, quando tudo isso que eu disse ficar provado ele vai ser preso, mas...
- Mas até lá... – completei irritada.
- Ele pode te obrigar a assinar um papel que diz que quem fez tudo isso fui eu, e que você quer que ele pegue tudo que é seu por direito e cuide como bem quiser. Será a sua palavra contra a minha.
Se eu não estivesse tão surpresa eu iria começar a rir.
- Eu jamais faria isso.
Ninguém respondeu.
- Às vezes ele tenha modos de te obrigar. Usando sua família para chegar a você.
- Ótimo, por que meus pais não estão pra cá. Estão bem longe pra ser sincera.
A Tereza se levantou e caminhou até mim, colocou a mão gentilmente nos meus ombros.
- Querida, não envolve apenas dinheiro. Todos do lado de lá tem mil motivos para acabar com o lado de cá, você é só a peça chave. A Stella, a mãe da Paloma, nos odeia por vários motivos que eu tenho certeza que você pode imaginar. O Eduardo não aceitou que a Paloma tenha seguido a vida dela e a Gabriella é um ciúmes incontrolável sobre você, que vem sendo alimentado desde a infância. Eles fizeram coisas horríveis, e não vão medir esforços para continuar fazendo.
- Por favor – eu estava começando a ficar desesperada – isso só acontece em filmes. Não me obriguem a acreditar que isso esta acontecendo comigo. O que vocês querem que eu faça? Que eu não vá ao festival? Que eu me esconda? Eu não quero seu dinheiro, eu não quero nada que venha de vocês, eu quero ser normal.
- Eu poderia te pedir desculpas por você estar envolvida nisso – A Paloma se aproximou de mim – mas não tenho culpa também. Essa é a sua vida, desde pequena, todos os caminhos que você tomou te trouxeram até aqui, e sempre vão trazer. Você pertence a isso tanto quanto nós.
Comecei a andar de um lado para o outro, irritada.
- Ta legal, e ai? A gente espera ele ser preso, e ele paga a fiança e depois tudo continua?
- Ele não vai sair – a voz rouca, firme e decidida do Pablo ecoou pela sala.
Passei a mão pelos meus a cabelos desesperada. Respirei fundo algumas vezes e me apoiei na janela, mirei a vista lá em baixo. Será que esses pequenos pesadelos nunca iram acabar. Respirei fundo.
Parei de andar e coloquei as mãos na cintura decidida.
- Ta ok, eles podem tentar, eu não vou assinar nada. E nem os meus pais, eles estão longe daqui.
O Diego deu alguns passos a frente.
- Não Hanna, - ele parecia impaciente – você não entendeu? Os seus pais não são nada para eles, iriam dar muito trabalho e não iram te acertar do modo como precisa. Só tem uma pessoa que se machucarem, vai machucar você mil vezes mais do que se estivessem ferindo você mesma.
Eu dei uma risada abafada. Minhas pernas cederam e eu caí na poltrona atrás de mim. Sufoquei um grito, um choro. Meu coração gelou e se quebrou em mil pedaços em questão de segundos. Quando falei, minha voz era apenas um fio de linha.
- A Rafaela. – Não era uma pergunta.
Ninguém respondeu, e o silencio era o pior jeito de me provar que eu estava certa.
A Paloma se agachou gentilmente a minha frente e colocou as mãos no meu joelho.
- Você vai ter que deixa-la, se afastar. Por um tempo.
- Tá bom – Eu não tinha como fugir – ela vai entender quando eu contar, e...
- Não – a Paloma me interrompeu – Não, ela não vai saber.
Eu me levantei, irritada, apavorada, chocada. Minha vontade era bater em todo mundo.
- Eu vou ter que fazer com ela... – olhei para o Diego em busca de algum sinal negativo.
- A mesma coisa que eu fiz com você. – Ele completou.
Eu respirei fundo. Tentei controlar cada grama dos meus sentimentos, mas me senti a ponto de surtar. Eu virei as costas para todos e me apoiei na janela novamente.
- Quando? Quanto tempo isso vai durar? – perguntei decidida.
O Pablo deu alguns passos na minha direção antes de responder.
- O suficiente até que a policia vejo nossas provas e de uma mandato de prisão. Você tem que entender que todos eles têm que achar que essa menina se tornou insignificante pra você.
- Mas, a Gabriella sabe que a Rafa nunca vai ser insignificante pra você por um motivo besta – O Diego completou – use sua imaginação.
- Quando eu vou ter que fazer isso?
O Pablo deu uma risada abafada. Se eu não tivesse gostado tanto dele, ia sentir medo a cada segundo que ele expressasse uma reação.
- Eu falei com eles há dois dias – o Diego falava prestativo – eles precisam ter certeza que eu não falei nada, então... Continue agindo normalmente, vá para o festival e faça alguma coisa acontecer lá, os holofotes vão estar em vocês. Uma chuvinha vai se tornar tempestade em segundos.
Assenti com a cabeça.
- Estaremos por perto. É só questão de tempo para isso acabar – O Pablo parecia tentar me acalmar.
Eu achei que a nossa mini reunião já tinha acabado, quando pela primeira vez o João falou:
- O mais importante, não conte para ninguém. Ninguém.
Entendi perfeitamente que esse ninguém queria dizer com todas as letras: Rafaela. Pensar nela, fez com que eu me lembrasse de que tinha um assunto, um tanto quanto mal resolvido entre a gente. Pedi licença e fui para o meu quarto. Comecei a arrumar minhas coisas, eu voltaria para casa naquele mesmo dia. Apesar de todas as coisas estranhas que ainda me rondavam eu não tinha medo do que pudessem fazer com o que é meu, por que eu nunca senti que nada daquilo era meu, também não senti medo de ter que deixar a Rafa por questão de segurança. Ela entenderia. O meu medo era que nós acabássemos o pouco que tinha de verdade, sem mentira nem encenação. Procurei na mente milhares de motivos por ela não ter me contado nada, como não achei nenhum resolvi ir pelo caminho mais obvio. Perguntando. Depois que eu vi que já estava tudo nos conformes. Liguei o computador e disquei uma chamada de vídeo para ela.
Depois do quinto toque a imagem dela se materializou na tela. Notei que ela não estava usando computador como eu, era o celular. Estava com o cabelo preso num rabo de cavalo, deveria estar ensaiando.
- Oi. – Falei baixinho.
- Oi, como está às coisas ai? – Ela perguntou descontraída.
Pensei em responder, mas eu não estavam muito afim de ficar dando voltas.
- Seu pai esta aqui, acertando com a Paloma os últimos detalhes do festival. Evento esse que a minha melhor amiga não me contou.
Ela parecia surpresa, só não sei com o que.
- Eu me esqueci de te dizer, as coisas estão tão corridas entre nós. Você não tem tempo nem pra ficar dez minutos falando comigo, sempre quer ficar editando suas fotos.
- Eu não quero, eu preciso. Agora a culpa é minha o fato de você não ter me contado?
Eu estava zangada por tudo que havia acontecido mais cedo, e ela por sua vez não estava ajudando.
- Eu esqueci ta legal? De te contar, por que eu já mexi meus pauzinhos pra gente ficar no mesmo quarto.
- Nossa, sério, que legal da sua parte. – Ironizei.
Ela suspirou irritada.
- Será que você vai ter tempo pra vir? Ou eu vou ter pedir para o meu pai te contratar para trabalhar no evento? Marcar horário? E mesmo assim será que você ainda vem?
Quem estava sendo irônica dessa vez era ela.
- Você vai me querer por perto? Por que olha, eu não bebo, eu não fumo, não faço nada de interessante. Não vai fazer bem para a sua reputação.
Pensei em desligar, mas olhar para o rosto dela fez minhas defesas caírem. Eu não podia ficar descontando nela as frustrações da minha vida.
- Eu odeio isso. – Ela falou por fim.
- Eu também.
Ela deu uma breve risada.
- Acho que a gente fica insuportável com sintomas de saudade. – Ela sorriu.
Eu amo tanto aquele sorriso. Todo o stress do dia, todas as brigas, confusões se desfizeram.
Eu ia responder quando uma voz do outro lado da tela a chamou. Como sempre acontecia, ela respondeu alguma coisa e depois voltou a olhar para a tela, desapontada. Eu já sabia o que ela iria dizer.
- Tudo bem. Pode ir. – Falei sem vida.
- Eu te aguardo para o festival então – ela falou devagar – Eu te amo, não esquece.
Balancei a cabeça em consentimento. Minha vontade era não responder nada, mas isso só iria piorar as coisas.
- Eu te amo também.
Ela continuou ali por alguns breves segundos até que desligou por fim. Eu desliguei também, peguei as minhas coisas e desci as escadas. Tudo que eu queria era voltar para a casa.
- Já vai? – O Diego sentado em uma das poltronas e me viu descendo as escadas – Você vai ficar bem?
Eu deixei as malas perto da porta e me joguei em um dos sofás incrivelmente confortáveis.
- Eu vou sim, eu sempre fico. E você?
Ele deu um sorriso de canto.
- Enquanto você estiver bem eu também vou estar.
Fiquei sem graça e não respondi nada. Eu sabia que não era de propósito, esse era o jeito espontâneo dele, mas mesmo assim, depois de tudo que aconteceu entre a gente isso me incomodava um pouco.
- Eu espero que a Rafa seja tão legal quanto você para te perdoar igual você me perdoou – Ele disse depois de um tempo.
Mais uma vez eu não respondi. Apenas sorri. Ela seria, quer dizer eu espero que seja. É impossível ficar sem ela, mesmo brigando, eu sentiria falta das brigas.
- Ela vai ser – Falei por fim.
O motorista que me buscara em casa apareceu na porta de entrada e meu deu um aceno com a cabeça. Eu me levantei e peguei minhas coisas, depois me despedi de todos e peguei estrada. Dali duas semanas todos nós nos entraríamos no festival.
O caminho era longo, pensei em ligar para a Rafa, mas fiquei com medo de que começássemos a brigar outra vez. Eu sentia tanto a falta dela que chegava a sentir meu coração doer.
Depois de quatro horas pedi para o meu motorista me deixar em frente à casa do Tio Max. Havia uma pessoa que poderia curar minhas dores mesmo que sem saber de nada.
- Pensei que eu teria de mudar de cidade para você lembrar-se de mim também. – O Renan disse brincalhão atravessando a porta de entrada.
Eu ri. Parece que começamos bem. Sentei-me na escadinha de madeira que levava a varanda e ele me acompanhou.
- Eu não sou a Mariana, tem certeza que notou minha ausência? – Devolvi a brincadeira.
Ele riu de volta e me beijou o rosto.
- Recebi um convite da Rafa pelo correio hoje, sobre o festival.
Senti uma leve pontada de raiva.
- Ela te mandou convite, mas esqueceu de me avisar. – Falei brava.
Ele me observou por alguns segundos.
- Não tá fácil pra gente né? – Ele parecia chateado – Eu não queria ir. A Mariana se tornou do clube “Seguidoras da Rafaela Tavares” – ele fez um gesto de aspas com as mãos – Nada contra a Rafa, mas as meninas estão mudando demais.
- Por isso que você vai ter que ir comigo. Pra me fazer companhia. Vamos mostrar para elas o que realmente importa faz. – Tentei soar brincalhona.
Ele apenas balançou a cabeça concordando.
- Quanto maior a felicidade no fim do túnel... – Ele começou.
- Eu sei, eu sei.
Ele me abraçou de um jeito carinhoso.
- É só um final de semana, vamos sobreviver.
Eu o observei de canto de olho.
- Sabe Renan, você é o meu melhor amigo.
Ele riu. Lançou-me um olhar debochado.
- Eu sei. É por isso que você vai me dar uma carona para chegarmos até lá.
Capítulo 25 - Senhoras e senhores, eu estou gravida
Os dedos grossos estavam tocando minha pele, apertando minha cintura por cima da blusa, puxei seu colarinho branco o jogando no chão. Fui ágil em desabotoar alguns botões de sua batina, eram 33 botões a serem abertos e agora estava no de número 4. Justin tirou minha blusa deixando-me apenas de sutiã.
A pouca iluminação fazia com que ficasse tudo mais interessante, seu rosto estava em meu pescoço, ele não beijava mas deixava seu nariz ali, sua respiração forte deixando meu corpo inteiramente tenso.
- Vamos embora daqui! - Dei um selinho em seus lábios, agora faltavam apenas 23 botões. Justin puxou meus lábios para si, segurando em meu rosto. A sua língua foi até o final da minha boca numa desesperada procura pela minha. Sentia todo o seu tesão naquele beijo, era uma mistura com outros sentimentos. Talvez, culpa!
A luz daquela sala foi acesa, meu corpo inteiro gelou. Seu rosto foi escondido por trás do meu corpo, olhei para Justin que estava vermelho.
- O que está acontecendo aqui? - a voz do padre Simon fez com que todo o meu corpo gelasse. Justin mal conseguia respirar, e eu, bom, eu estava em cima dele.
- O que você faz aqui? – Minha voz saiu irônica o suficiente, virei-me para olhar em sua direção e vi que ele não estava sozinho, Pattie estava com ele. A mulher de baixa estatura estava com os olhos cheios de lágrimas como se estivesse vendo a maior decepção da sua vida.
- Padre Justin, recomponha-se agora! - foi quase uma ordem seca para ele. Sai de cima de Justin sem importância alguma de estar apenas de sutiã. Coloquei minhas mãos na cintura e observei Justin levantar da mesa e ficando sentado na mesma, de cabeça baixa. Ele estava envergonhado.
- Ele não vai fazer o que você quer - falei e ele riu. Pattie fez o drama de que viria pra cima de mim, Simon a segurou.
- Saia daqui, irmã, irei exorcizar esse demônio da carne, da vida do seu filho. - Isso me fez rir alto, ele passava dos limites. A única coisa que me importava agora era tirar Justin daqui.
- Pode vir, você, a velha, toda a sua igreja. - Dei dois passos para frente me aproximando dele. - Pode chamar até o Papa, mas eu nunca vou deixar ele!
Fui ameaçadora demais, o meu chaveiro da moto era um canivete, passar alguns dias na cadeia ou meses na penitenciária pagaria por enfiar a lâmina na jugular desse velho maldito.
O cheiro gorduroso com óleo de azeite vinha dela.
- Padre Justin, tire sua batina.
- O quê? - pela primeira vez Justin estava se pronunciando, sem entender absolutamente nada.
- Eu disse para você tirar sua batina, vamos mostrar a essa jovem profana o que lhe acontece todas às vezes quando pensa nela. - Justin parecia assustado, suas mãos estavam trêmulas como se estivesse com medo de alguma coisa.
- Ele não vai mostrar nada, acha que não sei o que você e essa maluca andou colocando na cabeça dele? - Voltei a ficar perto de Justin, passei minhas mãos nos seis cabelos o abraçando. Fazendo com que seu rosto ficasse encostado em meu colo.
- Vai se negar à Deus? Sabe o que você está fazendo? O mundo é um lugar cheio de pecados, Justin. Essa mulher não se passa de uma profana que procura esconder suas frustrações em homens!
- Cala a sua maldita boca, antes que eu corte a sua língua! - o ameacei. Justin por sua vez afastou-se de mim. Saindo da mesa.
- Meu filho, Deus sempre vai ser o salvador! Uma mulher nunca vai tirar a sua fé, não deixe com que ela o tire do caminho de Deus. Lembre-se, ela o abandonou enquanto todos deram as costas. Essa mulher deixou você para trás e agora está aqui como uma mulher da vida volta para o homem cansado.
Ele estava tentando comprar Justin com essas palavras, e Justin cairia como um patinho na boca de um jacaré. Poderia ver os olhos marejados dele por baixo de toda a sua vergonha.
- Isso é mentira! Eu sai daqui graças a você e aquela beata infeliz!
- Ela chama sua progenitora de infeliz! - me interrompeu. - Está vendo, Justin! Mulheres assim só merecem a sarjeta.
- EU JÁ DISSE PARA VOCÊ CALAR A BOCA!
- Por favor! - Suas mãos estavam no ouvido como se tentasse poupar toda a sua agonia em ouvir a discussão. Agora não precisava mais esconder as lágrimas, ele estava perturbado como se tivesse escutando as piores coisas do mundo.
- Meu filho, vamos para a igreja, a missa começa daqui a vinte minutos. Vamos para onde Deus o colocou, no seu caminho.
- Não seja hipócrita, seu pedófilo filho da puta! Todos aqui sabem que você já molestou um coroinha em 2001 e só não molestou Justin porque Pattie vive dentro dessa igreja 24 horas por dia. - Ri irônica, Simon estava descrédito no que ouvia.
Mas eu sabia muito bem quem era aquele velho, o “pirulito” que tentou me dar uma vez depois da missa. Todas às vezes que ele escolhia um coroinha para ser seu, com a sua resposta de que: ”Deus quer assim, você tem que fazer a vontade de Deus”.
Simon aproximou-se de mim com rapidez, suas rugas não me assustaram quando estava bem na minha frente.
- Justin peca porque está apaixonado por uma mulher. Mas e você? Peca porque já foi apaixonada por um homem, o pior ainda! Uma criança de 12 anos de idade. - Via a sua raiva juntando nos olhos negros. - Imagina quando eu contar para todo mundo o que aconteceu com o pequeno Travis!
Senti o peso da sua mão em meu rosto, estava com ele virado pela pressão do tapa que acabava de receber. Minha maçã do rosto formigou, aquilo me fez rir como se estivesse vendo uma cena patética.
- Pare de inventar coisas onde não existe, nunca conheci nenhum pobre coitado com esse nome. A casa de Deus é pública, mas posso colocá-la para fora daqui a pontapés.
- Tenta. - falei irônica. - Tenta fazer isso e eu conto a todos o porquê os Manson saíram da cidade.
Padre Simon estava sem paciência alguma, o suor pingava da sua testa e descia pelo canto do seu rosto. Abriu um sorriso cínico e deixou os braços na frente do corpo, segurando as mãos.
- Meu filho. Tire sua batina, por favor!
- E-eu não sei.
- Tire sua batina e mostre a Mellany o que acontece quando somos pecadores. Sabe que Deus tem orgulho de você por isso – induziu. Justin por sua vez parecia estar caindo na conversa de Simon.
Seus dedos trêmulos foram em cada botão da batina, abrindo até chegar a sua cintura. Ele virou-se de costas devagar e quase coloquei para fora todas as coisas que havia tentando comer durante o voo.
Grandes feridas dos ombros até o topo da sua bunda, estavam vermelhas, abertas, via elas escorrerem aquela água podre como se estivesse infeccionado. A carne vermelha parecia estar ainda mais irritada, mal conseguia assimilar o porquê de tudo aquilo.
Levei minhas mãos até a boca e me aproximei de Justin, o cheiro não era apenas das feridas expostas, tinha sal! Sal em sua carne, eles estavam machucando meu anjo, torturando-o.
- Você se sente orgulhoso disso, filho?
- Sim! Deus sabe todas as coisas, ele está me perdoando por cada pecado cometido. A dor carnal cura a minha alma, meu ser, a carne é apenas um objeto que podemos controlar.
As palavras saiam da sua boca como se fossem uma avalanche, meus pés mal me mantinham de pé, minha vista embaçava pelas lágrimas.
- Você acha que isso é certo? Você está matando meu anjo, você vai arruinar a vida dele! – foram as únicas coisas que saíram de mim.
- Coloque sua batina, filho. Vá ascender algumas velas na sacristia e reze pela sua alma e a alma dessa pobre moça. Peça a Deus para que o perdoe pelo ocorrido de hoje.
Não me segurei e parti para cima de Simon com toda a minha força, me joguei em cima dele fazendo aquele velho cair no chão. Estava com minhas mãos em seu pescoço apertando, meus dedos afundavam em sua pele enrugada. Bati com sua cabeça inúmeras vezes ao chão, estava cega de raiva queria acabar com a vida dele. Foda-se! Eu iria para o inferno de qualquer maneira.
Soquei Simon várias e várias vezes até escutar o seu nariz sendo quebrado, passar uns anos na cadeia valeriam à pena. Matar esse velho era pouco pelo o que fez com meu anjo. Mãos fortes me seguraram para cima, não era apenas uma pessoa, eram várias. E conhecidas. Tentava a todo custo sair das pessoas que me seguravam enquanto Justin estava ajoelhado ao lado de Simon.
- Você está maluca! – foi a única coisa que ele falou.
- EU VOU MATAR ESSE FILHO DA PUTA! PEDÓFILO DO CARALHO.
- Mellany! Calma! - reconhecia aquela voz, reconhecia quem era. Parei de me mover e vi que as pessoas que estavam ali, era Ryan, Xavier, Camila e Candice.
Ryan segurou meus braços e me empurrou contra a mesa daquela sala fazendo com que meu corpo ficasse entre o dele e o da mesa. Suas mãos foram em meu rosto, seguraram minhas bochechas fazendo com que olhasse seus olhos azuis.
- Shhhhh!!!! Mell, por favor! Fique calma. - Se eu não espancasse aquele filho da puta, iria chorar, iria acabar de uma vez por todas com aquilo.
- O que você fez?
- Ele machucou o Justin, eu não vou deixar ninguém machucar meu anjo.
- Padre Simon não me machucou - Justin disse rude. - Eu mesmo fiz isso. Por sua culpa, Mellany.
- Agora eu arrebento a cara desse padreco. - Camila partiu pra cima do Justin mas foi impedida por Xavier.
Não conseguia mais ficar normal, primeiro o céu e agora estava em um inferno. Minhas lágrimas desciam pelo meu rosto, mas não eram de tristeza, eram de raiva. Raiva em ver Simon ali, se fazendo de vítima enquanto fazia a cabeça de um pobre homem.
Justin estava quase ajudando Simon a levantar, não era para ele estar ali, muito menos com aquela batina. Me senti suja a ponto de acabar com minha vida, ele estava levando Simon para fora.
- Ninguém sai daqui - Xavier falou sério. - Justin, fique - a voz dele saiu séria como nunca em todos esses anos, Justin parou e olhou para trás.
- Eu não tenho mais nada para fazer aqui, a aula de catecismo já acabou. - Ele não tinha coragem de olhar para mim, tentei sair dos braços de Ryan, mas não conseguia.
- Justin, essa vai ser a última vez que você vai ver a Mellany. Se você for agora, nunca mais vai poder conversar com ela - Xavier insistiu.
- Que deus a tenha com amor - padre Simon respondeu tentando fazer Justin prosseguir.
- Estou falando sério. Olha para mim quando eu falar com você - Xavier insistiu, Candice foi até Justin, ajudando a tirar padre Simon dali. Ele soltou Simon e virou-se para Xavier.
- Eu não tenho nada a falar.
- Olhe bem para essa mulher. - Ele ergueu a cabeça e olhou na minha direção. -Ela estava prestes a matar um cara por você, olha o fundo do poço onde ela chegou por você, agora vai dar as costas para Mellany?
- Eu não posso ser o que ela quer, eu não posso ficar nessa vida que vocês levam. Tenho meus compromissos. Deus.
- Justin, por favor… - Ryan colocou a mão na minha boca me impedindo de falar.
- Você não pode amar a Mellany por quê? Porque ela é boa demais para ser uma santa que você ascende suas velinhas? Foda-se! Eu não aguento mais isso, ninguém aguenta mais! Eu perdi minha amiga por um tempo e não vou perde-la de novo.
- Você não vai! Mellany está aqui agora - Justin disse frio, poderia ver suas lágrimas descendo devagar.
- Guarde bem essa imagem na sua cabeça. - Xavier aproximou-se dele, de forma ameaçadora. Ele iria bater em Justin. Tentei sair dos braços do Ryan mais ele não me deixou sair. Xavier puxou Justin pela batina e arrastou ele até minha frente.
- Olhe bem para essa mulher. - Justin se recusava a me olhar. - Se você não abrir os olhos eu vou cortar suas pálpebras com um canivete.
- Xavier, pega leve.
- Não tem como pegar leve vendo essa situação. Solta ela.
- Se eu soltar, ela vai atacar todo mundo.
- Solta a Mellany, agora. - Ryan foi me soltando aos poucos até quando consegui ficar livre dele.
- Para com isso Xavier, ele está chorando, eu não…
- Você não quer que o pobre padre chore? E quando você está chorando por ele? Vamos Justin olhe para ela. - Puxou o canivete do bolso, Xavier fez o barulho com ele onde Justin abriu os olhos.
- Eu estou olhando para ela, o que quer? Eu não posso.
- Essa é a última vez, sua última chance para sair daqui, montar naquela moto e ser feliz com ela. Se você der as costas para Mellany, nunca mais vai vê-la, porque eu faço questão de quebrar as pernas dela para nunca mais vir atrás de você. Não duvide mim, eu faço isso brincando.
- Xavier! Chega!
- Eu furo seus olhos se você der as costas agora e depois for procurar Mellany, eu acabo com a sua maldita vida fodida. Você quer apanhar para se desculpar com Deus? Eu quero surrar a sua cara.
- Xavier, por favor, pare! - pedi, ele soltou Justin e ficou logo atrás.
- A escolha é sua, padre. Quer Mellany ou quer Deus?
- Deus é de todos nós, vocês podem encontrar...
- Eu acho que fui bem claro aqui. Mellany ou sua igreja? - Justin tremia como nunca em toda sua vida, seus olhos estavam fixos em meu rosto.
Nada me torturava mais que aquilo, como ter farpas entrando na minha pele. Ele caiu de joelhos com suas mãos no rosto, o seu choro agora dava som aquela sala. Começaram a gritar do outro lado da porta, vozes conhecidas por todos nós. Camila e Candide vieram para meu lado ficando logo atrás e Xavier guardou seu canivete.
- O QUE DIABOS ESTA ACONTECENDO AQUI? - Pattie parecia que iria estourar suas cordas vocais. A vagabunda velha não estava sozinha, Simon mesmo fodido voltou junto de Emma e meu pai.
- Esses delinquentes estão machucando o padre Bieber. - isso fez com que Ryan desse uma risada.
- Delinquentes?
- CHAMEM A POLÍCIA QUERO TODOS PRESOS. - ela chegava a ser ridícula com seu falso moralismo. Pattie viu Justin no chão e veio correndo até onde estava. Ajoelhou ao seu lado agarrando o filho em estado catatônico.
- Justin! Meu bebê, o que fizeram com você? Filho? - Balançava ele e nada de obter respostas além de soluços. Não demorou segundos para que ela estivesse com as mãos no meu pescoço.
Quase fui atravessada pela parede, Pattie estava em fúria tentando me bater. Eu revidei como nunca tinha revidado em minha vida, a palma da minha mão doeu ao bater no rosto daquela mulher. Ela tentou vir para cima de mim mais uma vez, só que Camila a segurou pela cintura e saiu a levando para o outro lado.
- EU VOU ACABAR COM VOCÊ! EU VOU MATAR VOCÊ SUA PUTA.
- Eu estou esperando isso, Pattie.
- VAI SER PRESA JUNTO DESSES DELINQUENTES E NINGUÉM VAI TE TIRAR DE LÁ, NINGUÉM TE SUPORTA
- Mas seu filho, me suporta! Oh! Se Deus me permite dizer, ele me suporta muito bem em cima dele. - Passei minhas mãos no jeans da calça, ri irônica para ela.
- CHAMEM A POLÍCIA, MEU FILHO NÃO VAI FICAR AQUI COM ESSES… - A tentativa dela de acalmar Justin tinha ido por água abaixo quando o mesmo a empurrou para longe.
- Me solta! - Ele falou pela primeira vez depois de um tempo.
Não me sentia envergonhada por meus pais estarem assistindo aquela cena, mas eu prometo a Luke que não me teria em encrencas. E ele estava lá de braços cruzados assistindo a vizinha chamar a sua filhinha de vagabunda.
- Eu vou ligar para a polícia - Emma disse, isso me arrancou uma risada.
- Você vai ligar para a polícia, mamãe? Vai ligar porque eu dei uns tapinhas no pedófilo? Quem vai ser preso aqui? Eu ou ele?
- Você vai pagar caro por tudo isso. Eu vou destruir sua vida…
- Nossa vida. - coloquei minhas mãos em cima da minha barriga, eu não sabia que merda estava fazendo. Não tinha visto o resultado daquele teste.
- O quê?
- Isso mesmo. Senhoras e senhores, Mellany Pierce está grávida. - Ela precisou ser segurada novamente e dessa vez por quatro pessoas. - Estou esperando um filho seu Justin. E não venham me falar que não é dele, porque o único babaca que gozou dentro de mim foi ele.
Justin levantou o rosto e me olhou sem expressão, ele tinha perdido todas as suas forças. Assim como todos daquela sala, ninguém sabia o que falar ou o que perguntar apenas me olhavam como se um monstro estivesse ali.
- Ele nunca cometeu o pecado da carne… - falou para si mesma tentando enganar e esconder a verdade.
- Justin e eu fodemos! Ou melhor dizer, transamos, fizemos amor. - Sorri abertamente. - Ah! Também fizemos sexo oral na igreja, caso queiram saber sobre outras coisas.
- Mellany, o que está falando é verdade? - meu pai falou pela primeira vez, sua preocupação era visível. É claro que era verdade! Minhas regras não vinham, sentia enjoos todas as manhãs. Não sou nenhuma otária para não saber o que é sintoma de gravidez quando já fiz dois abortos.
- Sim, é verdade.
- E-eu vou ser pai?
- Sim, meu anjo você vai ser pai.
- Mellanys isso é trapaça! - Cams sussurrou perto de mim.
- Estou aberta a questionamentos! - Caminhei até a mesa, me apoiei na mesma e sentei em cima. Cruzei minhas pernas e joguei meus cabelos para o lado. - Pensei que vocês iam ligar para a polícia, faz um bom tempo que não sou algemada.
- Nem Deus pode salvar a alma desse demônio!
- Demônio esse, que vai dar à luz de um neto seu! Deveria ficar feliz.
- Chega! Vamos para casa - Luke disse autoritário. Sai da mesa e passei perto do Justin que puxou a minha mão. Parecia ainda mais no fundo, seus olhos brilhavam como diamantes e naquele momento apenas estava querendo beija-lo.
- E-eu preciso de você.
- Meu anjo, você precisa rezar uma missa agora.
- Eu preciso de você ao meu lado.
- Que bonitinho! O padreco querendo uma delinquente! Pattie, veja isso! - Camila fez toda a questão de chamar atenção de todos naquela sala.
Justin levantou-se do chão, ainda segurando em minha mão.
- Eu não vou para lugar nenhum sem que você esteja comigo – ele murmurou.
- Você é um monstro Mellany Pierce…
- Pattie! Não seja dramática, ele quer ir comigo. - Voltei a andar e agora trazia meu prêmio, meu valioso prêmio. Justin estava comigo, saindo daquela sala, saindo daquela vida miserável que Pattie escolheu para ele.
Estava tudo indo bem demais para ser verdade. Eu o tinha e ninguém mais ia me tirar ele.
Justin subiu e fez algo que eu nunca pensei que fosse fazer. Suas mãos foram ágeis para puxar o colarinho branco da sua batina, jogou no chão e logo em seguida ele puxou a batina para cima. Todos viram suas marcas, dessa vez ele não sentia vergonha. Sem camisa, com a calça social preta e aqueles sapatos.
- Eu não preciso mais disso. – Subiu em cima da minha moto, ri pelo nariz e segurei no acelerador, fazendo barulho. O pneu de trás começou a rodar fazendo poeira na porta da igreja.
Camila e Ryan estavam em outra moto, Candide e Xavier do meu lado esquerdo. Dei partida com quase 80 km/h as mãos grandes dele foram em meu corpo apertando como se pudesse escapar. Justin encostou sua cabeça em minhas costas, eu sabia que ele estava deixando de ser quem era. Sua única personalidade era aquela, ser padre era o que ele sabia ser.
Por um lado me sentia confusa. Eu tinha meu anjo, mas como ele se sentiria? Um nó se formou em minha garganta, eu precisava dele agora. Precisava saber todas as coisas existentes entre nós.
Xavier fez um sinal para que diminuísse a velocidade, assim fiz.
- Chaz está esperando a gente.
- O que ainda estamos fazendo aqui? Eu preciso ver ele. - Acelerei a moto saindo na frente deles, agora estávamos em uma pequena disputa para ver quem chegava primeiro na casa de Chaz.
E pelas mãos esmagando minha cintura, a velocidade estava sendo ultrapassada a ponto de fazê-lo borrar as calças. Isso é excitante. Virei o quarteirão do lado esquerdo reconhecendo aquela rua escura, buzinei duas vezes até passar com a moto por cima da grama e parar ali.
Justin soltou meu corpo aos poucos e desceu da moto, ele estava com frio. Percebia pela sua pele mais pálida e os lábios rosados, passei minha mão esquerda no seu rosto acariciando devagar.
- Eu faria qualquer coisa por você – murmurei. Senti seus dedos tocarem minhas mãos devagar e seus lábios me mostrarem um belo sorriso.
- Eu não ia escolher a igreja, sabe disso.
- Você ia. - Desci da moto. - Eu não sei se estou realmente gravida, não me faça pensar que está aqui por causa da criança.
- Mellany! Eu te amo e você é a razão pela qual estou aqui.
- Estou orgulhosa! Mal saímos da igreja e você já está mentindo tão bem. - Não continuei a falar pois vi Chaz Somers no topo da escada daquela varanda de madeira.
O sorriso traiçoeiro nos lábios, braços cruzados na frente do peito e aquele olhar baixo de como estivesse bêbado por dias. Sai correndo em sua direção e me joguei em seus braços em um encaixe perfeito, estava com minhas pernas agarradas a sua cintura e meus braços em seu pescoço. Comecei a distribuir beijos pelo seu rosto o fazendo rir. Até dar um selinho em seus lábios.
- Eu senti sua falta, minha doce...
- Doce, tão doce, Mell! - completei voltando a beijar seu rosto. - O que seria de mim sem Chaz Somers?
- Uma garotinha frustrada.
- Uma garotinha mal amada. - Pulei do seu colo para baixo e dei um tapinha em seu rosto. - Já pegou Richard por mim?
- Você ainda se incomoda com ele?
- Sim! Ele fez merda e eu não esqueci.
- Padre! Voltou para gangue? - virei e vi Justin acanhado apertando a mão do amigo.
- Ele está com ciúmes! - Xavier passou pelos dois bagunçando os cabelos de Chaz. - Está com ciúmes da Mellzinha, que fofo.
Roxer estava deitado na sala, fui até onde ele estava e me sentei no chão acariciando seu pelo macio. O cachorro pulou no meu colo e começou a lamber minhas mãos
- Charles não está dando bife para você?
- Ele destruiu o pneu da minha moto.
- Ah! Menino levado! - olhei feio para o cachorro e ele latiu. - Eu sei! Seu dono é um desalmado.
- Chaz, está sabendo que a Mellany vai ser mamãe?
- Pelos meus cálculos eu não sou o pai. - Xavier se jogou no sofá.
- Nem olhem pra mim! Da última vez que transei com a Mellany foi a três e eu fui passivo.
- Ridículo! - Camila deu um tapa no ombro dele e tirou suas botas. - Vamos ficar aqui, dar um tempo. Mellany espancou o padre Simon, e a mãe do padre está maluca. Não dou uma hora para ela estar aqui chorando pedindo para ele voltar.
- Não vou voltar - respondeu rude vindo em minha direção. - Eu vou ficar aqui. Eu desejo ficar com a Mellany.
- Uma atitude de homem! Tenho que ligar para o Jeremy e parabenizar ele por isso, o espermatozoide dele cresceu.
- Camila, sem graça por favor! - tirei minhas botas e as joguei em qualquer lugar.
- Mell, vamos ficar aqui? - Justin perguntou baixo enquanto eu estava fazendo um coque em meus cabelos.
- Tem outro lugar melhor?
- Não… É que eu pensei que fôssemos ficar…
- Quer foder comigo? - levantei do chão rápido, ele estava próximo. Dei alguns passos para frente encurralando Justin entre o sofá e eu. Tirei minha blusa olhando nos olhos dele, coloquei as mãos nas costas procurando o fecho do sutiã.
- E-eu...
- Quer tocar neles? - Sua respiração descompassou em segundos, encostei meu corpo no seu sentindo sua pele quente, o cheiro másculo que corria por ela.
- Estamos na frente das pessoas…
- Isso é excitante. – Esfreguei a palma da mão em seu peito até chegar na nuca, agarrei seus cabelos puxando para trás. Me inclinei ficando na ponta dos pés, passei minha língua em seus lábios duas vezes, pelo o silêncio daquele lugar sabia que todos nos observavam, na verdade sem acreditavam no que viam.
Selei meus lábios nos dele, movendo-os lentamente, macio, suave, suculento. Deixei sua língua entrar primeiro na minha boca, até mover-se por cima da minha. Apertei sua nuca com a ponta dos dedos e recebi uma mordida no lábio inferior em troca. Bieber alcançou minha cintura agarrando com força aquela região. Sentia ele descer lentamente as mãos até o topo na minha bunda e parar o beijo.
- Realmente precisamos ficar a sós! - Dei um selinho nele e soltei minhas mãos.
- O padre está excitado! - Candice praticamente gritou fazendo todos saírem do transe que se encontravam.
- Eu estava esperando ele vomitar em cima dela.
- Muito engraçado, Hannah Montana. - Ri sem graça para Ryan que mostrou o dedo do meio.
- O padre no The Hell foi o melhor dia. Eu nunca ri tanto em toda a minha vida.
- Quem no The Hell?
- Vossa santidade, o padre.
- Vocês levaram ele naquele lugar? Que merda vocês tinham na cabeça?
- Relaxa aí, fomos só dar um passeio com ele.
- Você foi?
- Foi legal! - Justin respondeu sem graça.
- Ele vomitou na boca de uma mulher, vomitou no banheiro, vomitou no carro, vomitou na Babi.
- Você conhece a Babi?
- Estava sentanda no colo do papai aqui! - Chaz se gabou batendo no peito, rolei os olhos e segurei na mão de Justin.
- Vou te levar para longe desses imprestáveis, tenho que proteger meu anjo. - Sai levando Justin para a escada enquanto eles riam alto.
A campainha tocou, continuei a subir as escadas com Justin.
- Mellany Pierce, está? - Uma voz masculina me fez gelar a espinha.
- O que você quer?
- Ela está ou não senhor? - insistiu. Olhei para trás e vi que eram dois polícias na porta. Um deles era bem conhecido por mim, já tinha sido presa pela última vez com ele.
- Que merda eu fiz agora? - Soltei a mão do Justin e desci os míseros 6 degraus que tinha subido.
- Você foi acusada de agressão, tem que nos acompanhar até a delegacia.

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Capítulo 25
-Caralho, Francês... A gente ta no porta mala de um avião. – Foi a primeira coisa que eu ouvi quando fecharam a porta. -Pois é. -Tu é um bosta. Olha onde cê mete a gente. -Eu?! – Perguntei indignado. Eu não podia ver o rosto do Sick, mas eu sabia que ele provavelmente tava de olhos fechados. -Lógico. A mina é tua. – Ele falou, quase vi as mãos dele sacodindo no ar. – Ainda bem que eu trouxe uns beck. -Tu vai acender isso aqui?! – Perguntei, ainda indignado. – E ela não é minha mina. Caralho. – Esse negocio tava começando a me irritar. -Não é porque tu é frouxo. – Ele devolveu. – E eu vou acender sim. Tu quer? – Ele provavelmente tinha oferecido o beck. -Quero. – Já que não tinha mais nada pra fazer, né... Os motores rugiram debaixo da gente, apertei a mala que tava do meu lado. Tomara que essa porra desse beck não exploda. Aí caí a gente, caí o avião, morre todo mundo, e os cara ainda vão atrás da nossa família. Puta que pariu. É bom que eu esteja viajando, mas eu to preocupado pra caralho. Vi uma coisa iluminar onde o Sick estava. Ele tava bem na minha frente, só que do outro lado, com a perna enrolada em um dos braços de uma das malas. Tava longe pra caralho. Deu um, dois, três, quatro e me ofereceu. Agora era fácil dizer onde tava o que. Dei um trago. A “vela” que ele acendeu iluminava o lugar inteiro, já que não tinha nem uma porcaria de uma luzinha pra fazer isso. Mais um. Fomos jogados no fundo do poço, como ratos. Mais um. Fui burro de aceitar isso tudo. Passei o beck de volta. -Mas tu também não negou, né? – Perguntei pro Sick enquanto passava pra ele. -Do que tu ta falando? – A gente tinha que gritar, agora, por causa do barulho. -Tu não recusou a ideia da guria. – Ele já tinha dado mais uns 5 tragos. -Logico que não né! – Ele passou pra mim, e soltou a fumaça enquanto falava.- Aprende uma coisa, Francês: quando tu é fugitivo, sair de qualquer lugar, pra qualquer lugar, em qualquer lugar, já é um puta negocio. – Peguei e traguei mais algumas vezes. – De qualquer jeito a gente já ta fodido. Se a gente pelo menos tiver a chance de sair de onde a gente tava, antes, já da pra melhorar a vida. Só concordei, não tinha muito o que dizer. Eu mesmo estava morrendo de medo dos caras que podiam vir atrás da gente, mas os caras não podem ter tanto contato assim, pra descobrir pra onde a gente ta indo. Pelo menos não agora... Da pra dar um perdido. Eu já tava chapado pra caralho quando o beck acabou. Perdi a vergonha inicial e acendi um cigarro. Não sabia por quanto tempo iriamos ficar ali, então melhor ficar relaxado mesmo. Logo estávamos rindo de qualquer sobra feita pela fumaça e pela pequena luz da ponta do cigarro. O clima começou a ficar mais pesado: o som do avião tava alto pra caralho, e jogaram um ar na gente, que parecia que queriam matar a gente de frio. O Sick abriu a mala dele e tirou mais umas roupas e se cobriu inteiro, e eu fiz o mesmo. Não tava afim de congelar. Como tava muito frio e muito barulho pra conversar, logo eu dormi.
~
-Aí, Francês, acorda! – Abri os olhos de uma vez e vi a figura magra do rosto do Sick Boy na minha frente e uma voz meio apagada no fundo. “Atenção, em dentro de poucos minutos estaremos pousando em Reykjavik, Islandia. A temperatura é de -3ºC. 22 horas.” Arregalei ainda mais os olhos e me levantei num pulo. O Sick tava muito engraçado, não consegui conter o riso. -Do que tu ta rindo, palhaço? – Ele tava sentado no chão, na minha frente, todo gordo por causa das mil roupas que ele tinha colocado no corpo. -Desse monte de roupa que tu ta vestindo! – Ainda tava rindo, tentando manter a respiração normal. -É que tu é da França, seu babaca, eu sou do Brasil, tá?! – Ele cruzou os braços, mas não conseguiu muito bem, as roupas não deixavam. Ele tava muito emburrado, e eu não conseguia parar de rir. – EU SINTO FRIO, TA? VAI SE FODER!!! – Ele gritou, voltando pra perto da mala dele. -Sick, -3 não é tão frio assim. -Tu não ta ligado que em São Paulo faz 20ºC e eu TREMO de frio. – Ele ainda não tava olhando pra mim. Eu tirei uns dois casacos da minha mala e coloquei, e enfiei tudo de volta na mala, fechando-a, enquanto parava de rir. A mala dele tava vazia. Todas as roupas tavam no corpo. Puta merda. -HAHAHAHAHAAHHAHAHA – Eu ri mais ainda. – Desculpa, eu juro que vou parar. – Eu falei, tapando minha boca. Eu tive que ficar os próximos minutos olhando pro chão e pensando em alguma outra coisa pra conseguir parar de rir, mas toda vez que eu conseguia parar de rir, eu lembrava do Sick parecendo um boneco de posto, sem nem conseguir se mexer direito por causa das roupas, e voltava a rir outra vez. Não nos conversamos até que o jato desceu de uma vez e quase paramos no teto, se não tivesse me segurado nas barras de ferro que tinham ali perto, era bem provável que eu já estaria morto, por causa da velocidade. Isso fez com que eu esquecesse do Sick Boy entulhado em roupas e parasse de rir, me preocupando, agora, em me manter vivo. Depois de muita turbulência parecia que finalmente tínhamos pousado, o jatinho ainda devia estar correndo na pista, mas pelo menos já estávamos em chão firme. Quem diria que as primeiras vezes que eu saísse da França seria como fugitivo, e a primeira vez que eu andasse de avião seria dentro do porta malas. É pra acabar com qualquer trauma que eu pudesse ter, mesmo. Nem achei tão ruim assim. Logo fomos parando, parando, parando e finalmente paramos. Tudo silêncio. O vácuo se fez de novo. Agora podíamos ouvir as pessoas dentro do jatinho se movimentando, e um barulho muito alto ecoou dentro do porta malas. -Acho melhor a gente se camuflar... just in case... – Sick Boy falou, se metendo no meio das malas. Mas ele já tava camuflado o bastante com aquele tanto de roupa. Segurei o riso quando a porta abriu e um cara baixinho de cabelo enrolado e ruivo apareceu, olhando em volta. -I need to get my bag! – Eu conhecia a voz daquele desgraçado. Era o Pete. Senti meu coração parando aos poucos, conforme ele foi se aproximando. -Me desculpe, mas é um procedimento que o aeroporto pede para fazermos. – O ruivo barrou ele na porta. AE RUIVO! -Mas é de extrema importância. – Ele insistiu, tentando passar pelo carinha. -O senhor pode esperar naquela sala... Eu mesmo trarei pra você. – O ruivo explicou, segurando Pete pelo braço. – Ou o senhor pode falar com o nosso departamento de policia. – Pete olhou pra dentro do porta malas, mais precisamente pra mala das armas e bufou. -Faça logo o seu trabalho. – E saiu fora. Nunca respirei tão aliviado. O ruivo ficou na porta esperando Pete se afastar, imaginei. Depois se virou pra dentro. Eu não sabia se era ele o primo da Lua, ou não, então continuamos quietos. -Ei! – Ele chamou. – Eu tô sabendo que a Lua tá trazendo dois amigos? – Ele jogou no ar, pegando algumas das malas do pessoal que viajou da forma convencional. – Não precisam se esconder. – Ele falou isso e Sick Boy pulou do esconderijo dele, quase matando o ruivo de tanto rir. -Tu também? – Ele bufou, se olhando de cima. – Eu to com frio, falou? – Ele se emburrou de novo. O ruivo tava só com uma blusa fina de manga comprida. -Ta tranquilo. – Ele falou, enxugando as lagrimas. – Eu sou o Gregory. – Ele estendeu a mão, o cumprimentando. -Sick Boy. – Ele estendeu a mão de volta, com uma baita dificuldade. – Aquele ali é o Luc. – Ele apontou pra mim, que estava rindo, deitado no chão. -E aí. – Cumprimentei o cara, me levantando e pegando minha mochila nas costas. Depois de rirmos um pouco do Sick Boy, Gregory nos explicou que ele ia levar as malas pro carrinho de bagagens e voltar com que a gente ia ter que ir no meio das malas até o departamento de malas. Saímos escondidos atrás de uns carrinhos grandes e fizemos exatamente o que ele nos disse. Não tinham só as malas dos caras do jato, tinham malas de outras pessoas também. -A gente passa pegando a mala de todos os aviões que chegaram, e aí a gente leva pra esteira. – Gregory explicou. – Por isso que as vezes demora um pouco. Pulamos pra dentro do carro e ficamos sentados enquanto Gregory nos entulhava com mais e mais malas, até que ficamos cobertos por elas. -Pelo menos esse primo da Lua não é um babaca que não fala nada. – Sick Boy comentou, mas eu não conseguia vê-lo. -É... Tomara que não seja tão estranho ficar com ele por um tempo. – Resmunguei tirando uma alça de bolsa que tava na minha frente. -Tu acha que a gente vai ficar quanto tempo com esse pessoal?! – Sick parecia indignado. -Sei lá... Alguns dias pelo menos... Não?! -Tu ta louco?! Eu não sobrevivo nesse frio por tanto tempo! – Ouvi ele se mexendo do meu lado, as malas caíram um pouco e ficou muito mais pesado de segurar, mas eu não consegui segurar o riso. -Sick tu ta louco? Hahahahahahah esse pessoal deve ter aquecedor em casa. Nem eles aguentam sem isso, eu acho. -Mas o cara ta só com UMA blusa! – Ele falou mais alto. -Mas normalmente aqui faz frio do que isso, eu acho. -EU ACHO QUE NÃO MANO! – Ele falou alto pra caralho e eu ouvia os dentes dele baterem. – To falando serio eu vou morrer. -Para com isso, Sick Boy! – Dei um chute na perna dele, porque nossos pés estavam perto. – Daqui a pouco a gente chega na casa do Gregory e tu se esquenta! – ele continuou gemendo. -Ta vendo! Tu até lembra o nome do cara. – Ele tava tremendo de verdade, mas eu nunca sei quando ele ta exagerando. – Eu to vendo a luz, Luc... É agora... Eu to indo... – Os dentes dele continuavam batendo, e eu só encostei minha cabeça. Por que eu só atraio os malucos? – Tá... – Ele respirou fundo e parou de bater os dentes. – Não foi dessa vez, mas eu sei que vai ser já já. -E aí, meninos. Tudo certo? – A voz de Gregory parecia longe, já que ele estava perto da saída das malas e a gente tava no fundo do caminhãozinho. – Vou levar vocês pra dentro agora. – Ouvi a voz dele dar a volta na gente. – E tu não vai morrer, rapaz. -3º não mata nem passarinho. – Ele falou isso e ouvi a porta se fechar com tudo atrás da gente, ele tinha entrado no caminhão, e agora estava dirigindo. -Tu é um exagerado mesmo. – Falei pro Sick Boy, mas ele só me ignorou. -Pelo menos agora esse caminhão esquenta um pouco enquanto a gente anda. Mas logo o caminhão parou. -Porra, só isso? – Ele resmungou do meu lado. – A gente podia vir vindo correndo, ia bem rápido e a gente não precisava lidar com isso. – Ele empurrou as malas pra frente, bem na hora que o Gregory tava tirando as malas. -A gente ta aqui escondido, seu merda. – Falei pra ele, ajudando Gregory a tirar as malas que tão em cima de mim. -E tu pensa que ia enganar quem com esse monte de roupa? – Gregory deu um palpite, já rindo de todos os layers de roupa que estavam sobre o corpo do Sick. -Se já não me bastasse um francês, agora tem um islandês me enchendo o saco. Caralho. – Sick Boy reclamou, mas riu junto com a gente, tirando um dos casacos, o que só fez com que a gente risse mais ainda. -Tudo bem, meninos, entrem no meu carro. – Ele tirou uma chave do bolso, e entregou na minha mão. – Ele ta ali estacionado e apontou pra dentro de um estacionamento de avião, onde tinham alguns carros, também. Fomos até o carro bege redondinho estacionado entre dois vermelhos e entramos, nos sentamos no banco de tras, porque seria mais fácil de se esconder quando passássemos pelo portão do aeroporto. Ou não, eu sei lá. Preferi não arriscar. Não demorou muito para que o ruivo entrasse no carro e desse a partida. -Ainda bem que consegui alguém pra levar aquelas malas, se não vocês dois iam ter que esperar algumas horinhas. – Ele riu, e deslizou pela pista dos aviões. Ele não nos pediu pra abaixar nenhuma hora, então comecei a pensar sozinho como era fácil entrar num país desse jeito. Ninguém tem controle de quem entra e de quem saí pra trabalhar aqui? Bizarro. -Que tu ta com essa cara, moleque? – Gregory era um cara gordinho, e tava usando um suspensório, tinha o cabelo enroladinho e ruivo e algumas sardas no rosto redondo. Ele parecia ator de um comercial de lenhador dos anos 50 que eu via quando era pequeno. O carro dele tinha estofado de pelos cinzas e uns dadinhos pendurados. O cinzeiro cheio de pontas de maconha. -Tu fuma um? – Sick Boy interrompeu minha analise e não me deu tempo de responder. -Fumo de vez em quando... – Ele trocou a marcha e olhou para o cinzeiro. – Ah! Isso é tabaco. Isso sim eu fumo o dia todo se me deixassem. Mas eu sou um cara muito atarefado. -Tu faz o que além de levar as malas? – Sick Boy perguntou, e eu sabia que ele queria adicionar, dirigindo aquela distancia toda vez que tras as malas. -Eu tenho uma loja. – Ele nos olhou pelo retrovisor. – A Lua me disse que vocês precisam de documentos... – Ele deu um sorriso. – Vou precisar dos novos nomes. Ele parou num farol. Era uma cidade pequena, com estradinhas pavimentadas com paralelepipedo, mas poucas. As casas bem espaçadas umas das outras. Virou mais algumas ruas, enquanto pensávamos e estacionou numa casa toda preta, sem portões, mas com as janelas fechadas. -Mas eu não faço ideia de como eu posso me chamar. – Sick Boy falou, enquanto ele saia do carro e deitava o banco para que pudéssemos sair. -Tu tem cara de Arthur. – Gregory falou, apontando na cara dele. – E tu tem cara de Yago. – Ele apontou pra mim. -Que porra de nome é Áhrtûr. – Sick Boy falou, imitando o sotaque do cara, pronunciando o nome certinho. -É tu. – Ele falou, fechando a porta do carro, rindo e nos guiou até a porta da frente. – Não se assustem, ta um pouco desorganizado. Sick Boy entrou na frente, e ficou parado perto da porta analisando o lugar, com a boca aberta, e eu não entendi, até dar um passo pra frente e ver o que ele estava vendo. Demorei um segundo pra entender que o cara morava na loja dele. Mas não era qualquer loja. Tinham prateleiras de lingeries, e outras coisas sexuais, que eu preferia não ter visto, alguns brinquedos, uns cremes comestíveis, umas calcinhas comestíveis, algumas fantasias e... -Caralho, tu mora num Sex Shop! – Sick Boy saiu do transe e saiu fuçando as prateleiras. – Tem uns filme bom aqui! – Ele gritou, sorrindo, parecendo uma criança que acabou de chegar numa loja de brinquedo e os pais iam comprar qualquer coisa que ele queria. – Mentira que tu tem boneca inflável! – Ele tava de costas, olhando pra umas caixas que tavam na prateleira. – Eu posso ficar com uma? – Ele sorriu, se aproximando de Gregory que tava se contorcendo de rir do meu lado. Eu nunca tinha visto nenhuma loja assim. Pierre me falou que umas coisas dessas tavam fazendo sucesso, mas eu nunca imaginei que seriam umas coisas assim. Eu sou muito inocente, mesmo. -Tu pode comprar uma. – Gregory caminhou até ficar de frente com meu amigo, encantado. – Espero que vocês não se importem em ficar por aqui. – Ele sorriu, entrando na loja, seguimos ele. -Ta aqui o dinheiro. – Sick Boy tirou algumas notas do bolso e deu pra ele. – E imagina se iriamos nos importar, né, Luc? – Ele puxou a barra da minha camisa. Aquilo tudo tava ainda mais hilário porque o Sick tava com aquele monte de roupa. Parecia um adolescente virgem que nunca viu mulher na vida. -Ta tranquilo. – Eu respondi, segurando o riso. -Mas tu não faz só isso, né? – Sick ainda tava com o dinheiro na mão, entregando pro Gregory, mas ele já tava dentro da cozinha, tirando um café de um bule e colocando numa xicara. -Vocês aceitam? – Ele perguntou, e assentimos com a cabeça, então ele foi pegar mais duas xícaras. - Isso tudo na verdade é disfarce. O pessoal vem aqui mais em busca de novas identidades, ou alguns moleques vem pedir preu falsificar os documentos pra eles poderem beber. Ganho mais com isso do que com as mulheres e homens que entram pra comprar na loja... – Ele trouxe de volta as xícaras e puxou algumas cadeiras, depois sumiu por alguns minutos e se sentou, trazendo uma caixinha. – Podem se sentar, sintam-se em casa. – ele deu um sorriso simpático e nos juntamos à ele. – Eu vou precisar da digital de vocês. – Ele tirou uma caixinha preta de dentro da outra caixa e abriu na nossa frente. Era uma almofadinha de tinta. Ele pegou nossos dedos e grampeou um por um numa folha em branco, começando pelo Sick. – E depois eu tenho que tirar uma foto de vocês. – Ele continou tirando cópias dos dedos de Sick. -Mas porque tu não ganha tanto na loja? Pensei que todo mundo ia querer experimentar tudo... Ainda mais aqui. – Sick Boy mexeu a outra mão no ar. – Acho que as pessoas não devem ter muito o que fazer além de transar. A sinceridade do Sick me constrange as vezes, mas Gregory riu da afirmação do magrelo. -Eu também achei isso, por isso tenho essa loja. Mas tive o importuno de descobrir que as pessoas nesse fim de mundo são muito conservadoras. -Da onde eu venho não ia ter esse problema. – Sick Boy riu, ficando mais a vontade na companhia de Gregory. Ele acabou de copiar os dedos do Sick e copiou os meus. -Acho que na França isso ia dar muito mais certo. – Ele comentou, quando pressionava meus dedos. -Com certeza. – Dei um sorrisinho. Aquilo fazia cócegas nas minhas mãos. Ele terminou de fazer o que tinha que fazer e ficamos parados um tempo na frente de uma parede branca para que ele pudesse tirar nossas fotos. Foi bem rápido. -Agora é só eu anotar o nome de vocês e levar isso aqui lá pra dentro, amanha eu termino tudo. – Ele sorriu, parecendo satisfeito com o trabalho. – Arthur Bloyde e Yago Hakkua. É melhor vocês dois terem nomes ingleses, assim só conversam com vocês em inglês. – Ele assentia com a cabeça enquanto falava isso. – Vou levar isso aqui lá pra dentro, vocês fiquem a vontade, tem comida na geladeira. Eu vou dormir porque estou morto de sono. Vejo vocês amanhã. – Ele sumiu por entre os corredores. -Até que a Lua não é tão ruim com os contatos dela. -Ele é primo dela, Sick. -Então é de família essa loucura toda. – Ele observou. -Ah! Já ia esquecendo... Separei um quarto pra vocês ali no fim do corredor. São duas camas de solteiro. Fiquem a vontade. – Ele sorriu mais uma vez e voltou a sumir pela casa. -Eu sinto muito, Francês, mas tu vai ter que deixar eu testar minha boneca hoje. -Puta que pariu, Sick Boy. – Virei o resto de café que tinha na minha xícara e balancei minha cabeça. – Não arrasta. -Primeiro de tudo, é Áhrthûr, para o senhor, e segundo... Tu sabe há quanto tempo eu tava querendo uma dessas?!?!?! – Ele arregalou os olhos na minha frente. – MUITO TEMPO. – E virou o café. Me levantei e fui pro quarto, descobri que era uma suíte, então fui até o banheiro e escovei os dentes. -Eu vou dormir com ela, SIM! – Sick Boy apareceu atrás de mim com a boneca cheia e sem todas as blusas, parecia outra pessoa. -Como tu é chato. Faz o que tu quiser, eu vou dormir porque to morto. – Resmunguei, mas saí rindo de dentro do banheiro. -Eu vou testar aqui só pra não te encher muito o saco, mas eu to aqui. – Ele me expulsou do banheiro e trouxe a boneca pra dentro, fechando a porta na minha cara. -Tu é um crianção! – Falei alto do lado de fora, não conseguindo conter o riso e fui até a cama que tava perto da parede. Tirei minha roupa e me enfiei em baixo do lençol, cobrindo a cabeça com o travesseiro pra não ouvir o Sick Boy gemendo dentro do banheiro, parecendo um idiota.
Meu porto seguro parte 2 – cap 25
Eu só pude vê-lo através de uma janela de vidro. Ele estava mal, muito mal mesmo. Sua aparência estava abatida e seus lábios estavam roxos.
Eu queria entender o porque de estar acontecendo aquilo com ele. Um médico, neurologista, renomado, experiente que cuidou de tantas outras pessoas não pôde cuidar de si mesmo.
Eu fiquei ali segurando minhas lágrimas com uma forte dor no peito. Minha melhor amiga estava seqüestrada e meu pai em coma.
Recebi uma ligação e era do meu pai Paulo.
Paulo: Oi minha filha, como você ta?
Luna: Oi pai. Bem mal, muito mal mesmo. Não sei se vou agüentar esse peso sobre mim – segurei para não chorar e não preocupá-lo no telefone.
Paulo: Minha filha fica calma, vai dar tudo certo, Deus está conosco e ele não vai nos abandonar, tudo acabara bem. Eu estou indo para Londrina, vou ficar com o Carlos no hospital para você poder cuidar da situação da Giulia.
Luna: Não pai, não precisa se preocupar, pode ficar ai.
Paulo: Não Luna, não adianta, eu vou. Eu fico na republica e no hospital com seu pai, não se preocupe. Eu estou indo hoje mesmo, devo chegar aí as 19 horas.
Luna: Tudo bem pai, já que o senhor insiste, eu vou ficar aqui no hospital ate o senhor chegar então.
Paulo: Luna vai pra casa, a policia,o Luan, a família dele precisa de você. Carlos está em boas mãos e em segurança também, fica tranquila, vai pra casa.
Luna: Ok, tudo bem. Obrigado pai, por tudo, te amo.
Paulo: Também amo você.
Dei mais uma passada na UTI e conversei com a doutora Patricia.
Luna: Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo me avise. Mas por favor não ligue, eu não posso deixar o celular ocupado, o seqüestrador pode ligar nele a qualquer momento, me mande uma sms tudo bem?
Patricia: Ok, pode deixar, seu pai vai sair dessa, tenha fé.
Sorri para ela, um sorriso triste, onde não havia esperanças e muito menos fé.
Luna: Eu vou pedir para o delegado mandar um policial aqui pro hospital. Do jeito que aquele cara é louco ele é capaz de fazer qualquer coisa com alguém ligado a mim.
Patricia: Ok, tudo bem.
Me despedi dela e fui para meu apartamento, atordoada, desesperada, completamente acabada.
Cheguei em meu apartamento destruída.
Victor: Como seu pai está?
Luna: Bem mal. Ele esta em coma. Está com um tumor no cérebro – todos na sala se espantaram – delegado será que tem como o senhor mandar um policial para vigiá-lo? Do jeito que esse Gabriel é louco ele é capaz de fazer qualquer loucura – meu tom de voz era baixo, triste. Um tom de voz que mostrava cansaço, desespero e aflição.
Bruno: Claro, mando sim.
Luna: Obrigada. Eu vou tomar um banho. Hospitais me dão calafrios.
Olhei para Luan e em um pequeno olhar pude enxergar as palavras dele de consolo e sorri cabisbaixa.
Até Justin Bieber?
Melanie Sarfati
Ontem quando Simon disse que Justin Bieber queria conhecer a One Direction os meninos ficaram extasiados, Niall então só faltou desmaiar e eu, bem...
Já era nove horas da manhã e os meninos iriam encontrar Justin á uma hora da tarde para almoçar e depois iriam para a casa dos meninos fazer o que mais gostam, comer porcarias e jogar vídeo game. As fãs até agora nãos sabiam de nada, pelo menos ninguém comentava no Twitter sobre isso.
E eu, que não sou boba nem nada, decidi que iria dar um “oi” para eles, afinal conheci o Justin primeiro.
Assim que levantei da cama, mandei uma mensagem para ele:
“Justin, lembra de mim? ><”
Achei que ele iria demorar uma eternidade pra responder, afinal deve estar muito ocupado, mas não. Em menos de cinco minutos ele respondeu:
“E tem como esquecer uma garota tão linda quanto você?!”
Senti minhas bochechas corarem.
“Posso te ligar?”
Enviei a mensagem e em seguida meu celular começou a tocar, rápido de mais esse garoto.
- Melanie?
- Oi Justin! – disse animada – Tudo bem?
- Tudo ótimo gata e você?
- Tudo bem.
Ficamos um minuto em silêncio, estava tímida em falar com ele.
- Bem, o que fez você querer falar comigo?
- Fiquei sabendo que você vai se encontrar com a 1D, procede?
- Como você soube? – ele perguntou espantado – Não acredito que já descobriram.
- Bem, eu sou a maquiadora deles, de uma forma ou de outra eu ficaria sabendo.
- Espera ai! Se você é a maquiadora, então você é a ex do Harry?
- Como você sabe disso? – estava em pânico.
- Harry postou no Twitter, na verdade ele posta tudo no Twitter.
Acho que está na hora de começar a stalkear Harry Styles.
- Então já que está sabendo que sou eu. – disse.
- Droga! Não posso dar em cima de você, ainda deve gostar dele.
- É ai que você se engana. – ou não – Tem tempo para uma história?
- Para você, todo tempo do mundo.
Niall Horan
Não consegui dormir direito e ás sete da manhã já estava de pé fazendo o café, normalmente eu só o como. Mais eu estava ansioso, iria conhecer Justin Bieber, sou fã desse cara desde que o vi no clipe de One Time na televisão.
Eu o admiro por cantar bem, pelas dificuldades que superou, por ter várias garotas aos seus pés, por ter namorado Selena Gomes e por ser foda.
E antes que pergunte, sim, eu assisti ao filme dele na pré-estréia. Sim, eu sou um boylieber e hoje vou conhecer o meu ídolo.
Estava fritando os bacons quando os meninos desceram.
- Olha, Niall fazendo o café. – Louis disse.
- Acho que ele não conseguiu dormir Lou! – Harry também começou a falar.
- É que ele vai se encontrar com o Justin hoje. – Lou falou.
- Não é com o Justin, é com o cara mais foda do mundo! – Liam me imitou.
- Ai, será que eu posso ser a OLLG dessa vez? – Zayn disse descendo as escadas.
Isso me irritava profundamente, odiava quando eles me zoavam.
- Ok, já chega! – disse batendo a frigideira no fogão – Todos aqui têm um ídolo. Não sou eu que me visto igual ao Mike Jagger, Harry. E não fui eu que não parava de pular quando viu Joe Jonas né Liam. – nessa altura do campeonato já devia estar vermelho como sempre.
Os meninos sentaram-se à mesa em silêncio e depois de colocar as coisas na mesa me sentei.
- Será que ele vai dormir aqui? – Louis disse afinando a voz como uma garotinha.
Não adianta, eles vão continuar me zoando mas aposto que assim como eu, eles não vêem a hora dele chegar.
Melanie Sarfati
- E foi isso. – disse terminando de contar a história que já sabia de cor.
- Nossa Melanie, desculpa mais que babaca.
- Não precisa pedir desculpas, pode xingar o quanto quiser. – ri de leve.
- Na verdade, me avise se precisar de alguma ajudinha.
- Bem, já que você falou isso... Tem uma coisinha que você pode fazer por mim.
[...]
Eu e Justin bolamos uma “surpresinha” para Harry, e será bem legal... Pelo menos para mim será.
- Já que está tudo combinado, eu vou indo Mel, já estou atrasado para o almoço.
- Tudo bem Justin, então até já.
- Até coração.
Ui, me chamou de coração, gostei disso. Deixei o celular na sala e fui tomar banho, afinal daqui a pouco irei fazer uma visitinha para uns amigos meus.
Terminei o banho e me troquei [http://www.polyvore.com/cgi/set?id=136599190&.locale=pt-br ], estava bonita até, afinal precisava impressionar Justin e causar inveja em Harry, acho que era o look ideal para isso.
- Richard! – chamei por ele que ainda dormia.
Como não obtive resposta, fui até seu quarto. E repetindo o que ele havia feito comigo eu também abrirá as cortinas e tirei as cobertas dele.
- Vaca!
- Bom dia pra você também! – disse.
- Me dando o troco por causa de ontem é?!
Richard se levantou da cama, ele estava apenas de cueca box branca, seu corpo sempre impecável. Richard não faltava um dia na academia, resultado disso era um corpo de dar inveja em qualquer cara. Seu cabelo bagunçado, sua cara de sono e sua voz rouca só ajudavam no seu charme. Deus é muito injusto, porque um cara assim, lindo, gostoso e fofo, na minha casa, tem que ser gay?
- Na verdade, vim-te dizer que vou dar uma saidinha, provavelmente volto de noite.
- Posse saber aonde vai? – Richard foi até a cozinha pegar um copo d’água.
Para piorar a minha situação, Richard não tinha jeito de gay, nem sua voz era fina o que me fez duvidar, no começo, de que ele só dizia ser gay para dividir o apartamento comigo. Mas a convivência me provou que ele realmente joga no outro time.
- Vou ver Justin Bieber.
- Pera! – ele disse se engasgando com a água que tomava – Os meninos te chamaram?
- Não, vou fazer uma visita surpresa! – deixei escapar uma leve risada.
- Mais você já conhece o JB.
- E vou usar isso ao meu favor, falei com Justin e ele vai me ajudar em uma coisinha contra Harry.
- Melanie, Melanie... Você sabe que eu odeio Harry por ter te machucado mais isso já não está indo longe de mais? – ele me repreendeu.
- Não Richard, estou apenas começando minha vingança particular.
- Ainda bem que sou seu amigo. – ele riu.
- E torça para morrer assim. – o ameacei.
- Porque se não?
- Você estará ferrado!
Zayn Malik
- Esse moleque ta atrasado! – resmunguei.
- Nossa Zayn, quanto ódio no seu coração. – Louis retrucou.
Decidi ignorar Louis, mas eu tinha toda razão, ele estava á uma hora atrasado, estávamos morrendo de fome e não aguentava mais Niall pulando na cadeira.
- Desisto! – disse me levantando – Eu conheço a estrelinha quando forem para casa.
- Não Zayn, você vai ficar! – Liam também se levantou.
- Você não manda em mim Liam.
- Zayn, pense na banda, imagina quantas portas esse encontro pode nos abrir se tudo der certo. Então fica, pela banda.
- Dá pras duas pararem de brigar por causa de homem, ele chegou. – Niall disse empolgado.
Me sentei novamente, um belo carro havia estacionado em frente ao restaurante e ele entrou. Só faltava tocar Eminem ao fundo enquanto Justin andava. Ele sorria enquanto tirava o óculos de sol e eu apenas encarei suas calças que estavam no joelho, como ele conseguia andar?
- Justin! – Liam se levantou e foi cumprimentá-lo.
- Liam, que prazer! Desculpem a demora, tive que resolver um problema pessoal.
- Magina, nem percebemos que estava atrasado. – disse ironicamente.
- Oi Zayn, já me avisaram do seu gênio. – revirei os olhos, moleque abusado.
Justin saiu cumprimentando todos os meninos deixando Niall por último.
- Fiquei sabendo que você é um grande fã meu.
- Eu te admiro muito, confesso. Não pense que eu sou aquele tipo de fã histérico.
- Relaxa, depois gostaria de autografar seus cd’s. – os olhos de Niall brilhavam e ele não parava de sorrir – Posso me sentar ao seu lado?
- Claro. – Niall sorriu mais ainda.
Eu até entendo Niall, deve ser emocionante participar de um almoço e depois levar seu ídolo para conhecer sua casa.
O almoço foi muito gostoso, mas esse moleque só sabia falar nele, nos shows e nas beliebers, o único interessado cem por cento nisso tudo era Niall.
[...]
- Justin, bem vindo a nossa casa! – Niall disse abrindo a porta.
Os olhos de Justin brilhavam assim que ele entrou na sala de estar.
- Que inveja de vocês! – ele disse.
Bem, eu entendo, até eu teria inveja se não morasse aqui, afinal nossa casa era um templo para garotos. Todos os tipos de vídeo games, doces para todos os lados, refrigerante e claro, muita cerveja.
Essa era uma das grandes vantagens de se morar com amigos.
Harry Styles
Justin até que era um cara legal, gostava de tudo o que gostávamos, principalmente dos jogos e de falar merda. No começo ele parecia metido mais se mostrou ser bem parecido com a gente.
- Hei Justin, pega! – disse jogando uma cerveja para ele.
- Valeu Harry.
- Pode me chamar de Hazza! – pisquei.
Olhei para Louis e ele me encarava com a intenção de me fuzilar.
- Acho melhor só te chamar de Harry. – Justin havia percebido a expressão de Louis.
Continuamos jogando vídeo game e falando besteiras quando a campainha tocou.
- Quem será? – Liam disse assustado.
- Será que são as fãs? – Louis disse mais assustado ainda.
- Nunca saberemos se não abrirmos a porta.
Então Zayn, cuidadosamente, girou a maçaneta e destrancou a porta, talvez fosse Simon ou Scooter ou...
- Melanie?
Melanie Sarfati
- Melanie? – os garotos disseram ao mesmo tempo.
- Nossa garotos, porque o espanto? – disse entrando.
- É que n-não esperávamos por vo-você pequena. – Zayn disse meio sem jeito e depositou um beijo na minha testa.
- Deu pra perceber.
- Você está linda Mel. – Niall me abraçou – Vem, quero que conheça alguém.
- Tudo bem. – me fazia de inocente, como se não soubesse que estaria sentado no sofá da sala.
- Justin, quero que conheça a Me...
- Melanie! – Justin abriu um sorriso enorme, ele estava muito mais gato do que quando o “encontrei” no aeroporto.
- Justin! – disse com o mesmo entusiasmo que ele.
Abraçamos-nos, seus lindos braços tatuados me envolveram e seu perfume, uma delicia.
- Você está linda. – ele me girou.
- Olha quem fala. – sorri.
- Espera ai! – Niall disse – Você já se conhecem?
- Sim. – respondi com entusiasmo – Quando estava no Canadá ele foi visitar a família e nos esbarramos por lá.
- Na verdade nos trombamos. – Justin falou me abraçando.
- É, ele tropeçou e caiu por cima de mim, derrubou todo o meu café.
- Ah, não reclame mocinha. – ele apertou meu nariz – Depois eu te levei pro hotel, comprei roupas para você e ainda te levei para jantar.
- Tudo bem, até que valeu a pena.
Parecíamos um recente casal de namorados que contava para as tias como haviam se conhecido. Havíamos combinado o que falar por telefone, e tudo estava dando certo, os meninos estavam acreditando, pelo menos era isso que as expressões deles diziam.
- Ainda bem que se conhecem, isso evita uma longa conversa sobre quem faz o que. – Harry resmungou.
- Bem, já que está aqui Melanie, podia me ajudar na cozinha? – Liam disse.
- Tudo bem.
Segui Liam até a cozinha sorrindo em saber a pontinha de ciúmes ou raiva que deixei em Harry.
Harry Styles
Só faltava essa, além do novo namorado de Melanie tenho que aguentar o best friend forever dela, não sei se queria causar ciúmes em mim ou fazia sem pensar mais isso estava me irritando... E muito.
Justin esperava sua vez no vídeo game conversando com Melanie, eles não paravam de sorrir e olhavam um para o outro como se estivesse apenas os dois ali. Não queria ficar ali vendo aquilo, não era obrigado a vê-la se “esfregando” em outro na minha frente pela segunda vez. Decidi subir para o quarto.
- Harry, onde vai? – Louis perguntou.
- Vou buscar meu celular, já volto.
Dei a desculpa do meu celular e fui para meu quarto, sei que não podia ficar para sempre lá mais gostaria de ficar o suficiente para esfriar a cabeça e conseguir encarar os dois sem lançar fogo dos meus olhos.
Me joguei na cama e fiquei olhando para o teto, ultimamente eu ando fazendo muito isso, pensar na vida é um dos meus maiores hobbies agora. E isso não me orgulhava, afinal minha vida não está sendo algo que eu queira ficar lembrando.
Devo ter ficado quase uma hora deitado apenas pensando, mas precisava descer novamente ou ao contrario os meninos achariam que eu estava sendo anti-social como eu geralmente sou.
Fui até o banheiro, joguei um pouco de água no rosto, respirei fundo e sai do quarto, assim que sai meu celular começou a tocar.
- Alô? – era um numero estranho.
- Harry! – uma voz nojenta soou nos meus ouvidos.
- Ah, oi Catie. – disse sem ânimo nenhum e com uma imensa vontade de desligar na cara dela.
- Queria te ver hoje. – ela disse manhosa.
- Hoje não dá, estamos ocupados. – não queria ver ela hoje, amanhã, nem nunca.
“Para Justin, não gosto de cócegas. Vou chutar sua cara.
- Pode chutar com esse seu mini pé!”
Eles pareciam felizes, riam sem parar e os garotos pareciam estar apoiando isso.
- Catie, sabe de uma coisa...
- Fala Hazza! – o jeito que ela pronunciava o meu apelido me enojava, mas engoli a ânsia e prossegui.
- Pensando bem, você pode vir aqui.
Hoje não quero aguentar felicidades alheias, quero destruir.
Niall Horan
Hoje o dia estava sendo o máximo, meu ídolo passando o dia em casa, quem diria... Fizemos “comida” e decidimos registrar o momento [ http://w9.flogvip.net/zonebieber/img/f20120916110533447.jpg ], assim que postei, choveu likes e garotas frenéticas em êxtase por saber que estávamos juntos.
Confesso que ver Justin com Melanie me deixou um pouco incomodado já que mesmo sendo meu ídolo não o queria ver com a minha garota, mais não fiquei tão incomodado quanto Harry. Dava para ver nos seus olhos o quão aquilo o perturbava o quão aquilo o deixava irritado. Talvez, mas só talvez, tudo isso não passa de um plano de Melanie para atingir Harry, fiz uma nota mentalmente me lembrando de perguntar isso para ela mais tarde.
- E ai Niall. – Justin finalmente havia saído de perto de Melanie e vindo falar comigo.
- E ai. – tinha vontade de grudar no seu pescoço, mas não podia dar uma de histérico.
- Hoje está sendo muito legal. – Justin sorriu.
- Concordo Justin. – sorri de volta – Está sendo um máximo de conhecer.
- Também está sendo um máximo conhecer os meninos e meu fã número 1.
Meus olhos começaram a brilhar quando ele disse “fã número 1”, esse homem não existe, só pode. O foda de você ser famoso é que não pode dar piti na frente do cara que te inspira, caso contrário te achará um louco e falará pros deuses da TV, rádios e revistas o quão patético você é.
- Bem Niall, fiquei sabendo que você tem uma coleção de coisas sobre mim. – ele era gentil.
- Quem disse isso? – minhas bochechas começaram a esquentar.
- Um passarinho parecido com o David Backham me contou. – ele riu.
- Então disse pra esse passarinho que vamos nos entender mais tarde. – fiquei encarando Liam que jogava beijinhos para mim.
- Você não gostaria de me mostrar essa coleção? – ele me encarou.
- Sério? – perguntei desconfiado.
- Sim, quem sabe não autografo algumas coisas. – ele piscou.
Me levantei do sofá no mesmo instante e puxei Justin para que ele também levantasse. Subi a escada como um foguete com Justin rindo atrás de mim.
- Sem gemidos altos crianças. – Louis gritou.
- Vai se fuder! – Justin e eu gritamos ao mesmo tempo.
Wooon!
Somos sincronizados.
Melanie Sarfati
Até agora meu plano estava dando certo, Harry havia ficado incomodado e foi para seu quarto, até agora não havia voltado. Justin estava se saindo muito bem, estava fazendo tudo como combinamos, assim que Harry desapareceu, dei um descanso para Justin, afinal ele estava louco para falar com Niall, e sei que Niall voaria no meu pescoço se continuasse roubando seu homem.
Liam, Zayn e Louis jogavam Just Dance e eu não parava de rir, eram muito duros, sem ritmo nenhum e tirava no máximo uma estrela cada um em suas próprias músicas.
- Definitivamente vocês não nasceram para dançar. – não conseguia parar de rir e me contorcia no sofá com falta de ar.
- Muito engraçado Melanie. – Louis se sentou ao meu lado – Tenta fazer melhor então.
- Com prazer! – pisquei para ele.
Levantei-me e os meninos se acomodaram no sofá.
- Agora observem e aprendam.
Escolhi a música Super Bass da Nicki Minaj, afinal era uma música sexy e eu já havia decorado os passos.
A música começou e estava no último volume, comecei a imitar os passos que apareciam na televisão e usei toda a sensualidade que eu tinha e mais um pouco que viera de algum lugar desconhecido do meu inconsciente.
A música tocava e eu já dançava sem me importar com nada, estava de costas para os meninos mais era como se não estivessem ali, afinal não conseguia ouvir nem suas respirações, nunca os virá tão quietos em casa.
A música acabou e eu havia ficado suada e ofegante devido o meu esforço redobrado para ser sexy.
- E ai, mandei bem? – perguntei para os meninos que me encaravam boquiabertos.
- Olha Melanie, se eu estivesse solteiro... – Louis sorriu.
Andei até o sofá e me sentei no meio de Zayn e Liam.
- Bem, eu estou solteiro. – Liam disse – E gostei muito do que eu vi. – ele sussurrou no meu ouvido e em seguida mordeu o lóbulo da minha orelha. Não teve um só pelinho do meu corpo que não se arrepiou.
Isso me fez lembrar minha noite com Liam, foi tão mágica, ele mandava tão bem. Sorri maliciosamente, aquela noite tinha entrado pras dez melhores noites da minha vida (se eu tivesse uma lista dessas).
A dança havia me deixado cansada e assim que vi a almofada no colo de Zayn eu percebi que era aquilo que eu necessitava.
- Zayn, me empresta essa almofada? – decidi ser educada ao invés de simplesmente puxá-la dali.
- É melhor não Melanie, deixe aqui! – ele pressionou mais a almofada contras eu corpo.
- Ah, não acredito! – eu e os meninos olhamos espantados para ele.
- Não me julguem. – ele estava vermelho – Ela estava rebolando na minha frente, estava tão gostosa e faz tempo que eu não uso meu amiguinho aqui. – ele encarou a almofada.
- Seu pervertido! – dei um tapa em seu ombro.
Começamos a rir, era tão bom estar com eles, esquecer meus problemas e a bagunça que estava a minha vida.
Nossa alegria foi interrompida pelo som da campainha ecoando pela casa.
- Mel, você pode atender? – Liam pediu – Vamos tentar ajudar Zayn com seu probleminha.
- Isso não é engraçado! – Zayn gritou.
Levantei rindo mais do que antes, eles eram tão retardados mais meus retardados. Abri a porta ainda sorrindo, mas meu sorriso desapareceu instantaneamente.
Não acredito!
Zayn Malik
Assim que Melanie abriu a porta, ela ficou vermelha dos pés a cabeça e só quando vi quem havia chegado que entendi o porquê dela ter ficado assim.
O que aquela garota fazia aqui? Essa pergunta também devia estar martelando na cabeça de Melanie.
- Catie? – Harry desceu as escadas sorrindo.
- E ai gato. – sua voz ficava ainda mais irritante quando mascava chiclete.
- Até que você chegou cedo. – ele pegou Catie em seus braços, inclinou o corpo dela e a beijou.
E Mel viu tudo de camarote.
- Ah Mel, - Harry disse interrompendo o beijo – valeu por abrir a porta.
Melanie ficou mais vermelha ainda, só faltou espumar pela boca de raiva. Algo precisava ser feito, e olhando para meus amigos vi que todos estavam sem reação, assim como Melanie, percebi que o único que podia fazer algo por aqui era eu.
- Melanie, me ajuda a lavar a louça? – foi a única coisa que passou pela minha cabeça.
Melanie Sarfati
Minha raiva era tanta que mentalmente, em menos de cinco minutos, já havia morrido de mais de mil formas diferente. E assim que Harry a beijou, tive vontade de colocar todas essas formas em prática.
- Melanie, me ajuda a lavar a louça? – Zayn disse me tirando a atenção do alvo em questão.
- Claro! – disse com a maior calma possível.
Percebi que assim como eu, Liam e Louis também haviam ficado sem reação com a inusitada e desagradável presença de Biscatie.
- Foi bom te ver Melanie! – ela sorriu sinicamente.
- Não posso dizer o mesmo. – devolvi o sorriso com o mesmo cinismo dela.
Segui Zayn até a cozinha e fechamos a porta assim que entramos.
- Pronto Mel, já pode surtar.
- Eu não acredito que ela apareceu aqui, justo hoje! – comecei a andar de um lado para outro da cozinha – Certeza que é coisa do Harry... AAAAAH
- Como tem tanta certeza? – Zayn perguntou.
- Porque ele sumiu to nada e voltou só quando ela chegou dizendo “Até que você chegou cedo”, deve tê-la chamado para vir aqui. – comecei a bufar, parecia um touro em fúria querendo chifrar as nadegas de alguém.
- Então para pra pensar Melanie. – Zayn se aproximou de mim – Porque acha que Harry chamou a Catie?
Pensei um pouco e a resposta surgiu instantaneamente, comecei a sorrir.
- Porque ele se sentiu incomodado comigo e com Justin.
- Exatamente Mel. – agora Zayn também sorria – E ele só chamou Catie para te perturbar.
- E consegui! – disse emburrada.
- Mais não deixe saber disso. – Zayn colocou uma mexa do meu cabelo atrás da orelha – Então vai lá fora sorrindo como se fosse o dia mais feliz da sua vida e se precisar surtar, volte aqui. Nada de fazer isso na frente dele.
- Valeu Zayn. – o abracei mais calma agora.
- Eu não fiz nada de mais pequena, agora vai lá!
Justin Bieber
Niall era um cara muito legal e depois dele ter me mostrado suas coisas, autografado algumas, decidimos descer. E assim que chegamos na sala Niall ficou mais branco que o normal.
- O que houve Niall? – perguntei preocupado.
- Aquela é Catie! – só assim percebi uma presença feminina na sala, ela era bonita mais com cara de mimada.
- E você ficou assim por quê?
- Pra resumir, foi com ela que Harry traiu Melanie.
Quando soube da história achei que a mina era uma deusa, mais olhando agora, Mel da de mil em cima dela. A garota era bem o tipo usurpadora de fama, aquela que tira vantagem das coisas e pessoas a sua volta, a típica patricinha de Beverly Hills. Resumindo, essa garota era um saco e de interessante nela não via nada.
Esse Harry tinha dado a maior mancada da humanidade.Trocado uma garota que o amava de verdade por uma que amava o seu dinheiro de verdade.
Melanie Sarfati
Voltei para sala como se nada tivesse acontecido, como se Catie fosse apenas uma peça da mobília da sala.
Os meninos continuavam jogando Xbox e eu me sentei no sofá para ver a fracassada missão no Call Of Duty de Niall contra Liam. Justin se sentou ao meu lado e encarou a tela da TV por alguns segundos.
- Como me sai? – ele perguntou.
- Melhor do que eu esperava. – sorri
Ele passou o braço pelos meus ombros e se aproximou, senti seu quadril encostar em mim.
- Fiz isso porque Harry está olhando para cá. – sussurrou no meu ouvido – Agora finge que eu te disse uma coisa engraçada.
Então dei uma risada como uma virgem antes de perder o hímen e dei um leve tapinha no ombro de Justin. Pelo canto do olho vi Harry nos encarando enquanto, sem sucesso, Catie tentava chamar sua atenção para ela.
[...]
- Gente, hoje foi maravilhoso, obrigada.
Já era noite e eu precisava voltar para casa e me certificar de que Richard não havia quebrado nada ou levado uns garotos de programa para lá.
- Nós que agradecemos por ter vindo Mel. – Liam sorriu.
Dei um abraço grupal em Liam, Zayn, Louis e Niall então fui me despedir de Justin.
- Tchau Bieber. – dei um tapa na aba de seu boné.
- Tchau gata. – ele me deu um abraço apertado.
- Brigada. – sussurrei em seu ouvido.
- Eu que agradeço, ele retrucou, ficar com você é muito agradável, mantenha contato.
- E você, ídolo teen do momento, vê se não me esquece.
- Impossível, uma garota como você a gente nunca se esquece.
Meus olhos brilharam e minhas bochechas esquentaram, dei mais um abraço nele, que homem meu deus.
- Tchau Harry. – não ousei me aproximar dele.
- Tchau. – ele disse sem olhar na minha direção.
- Não vai me dar tchau querida?
A voz irritante de Catie possuiu meus ouvidos mais não respondi, continuei meu caminho até a porta e sai. Entrei no carro, girei a chave no painel, a noite estava agradável, abaixei o vidro e junto com o vento que balançava meus cabelos vinha um sentimento de vitória mais uma batalha contra Harry vencida.
2x0 pra Melanie.
Harry Styles
Assim que Justin foi embora e nós arrumamos as coisas, decidi dispensar Catie.
- Você não vai embora não? – ela estava no sofá mexendo no celular.
- Achei que passaria a noite aqui! – ela fez biquinho e eu tive vontade de vomitar.
- Achou errado. – fiz ela levantar do sofá e literalmente a arrastei para fora, fechando a porta na sua cara.
Subi para meu quarto e me joguei na cama, achei que trazendo Catie para cá Melanie iria se irritar mais muito pelo contrário, Melanie continuou mais confiante do que nunca.
Não sei se a vinda de Catie a afetou mais se isso ocorreu ela sabe fingir muito bem.
Agora mais do que nunca eu odiava a Melanie, a odiava por ser tão encantadora e a odiava por independente de qualquer coisa, a cada dia que passa me fazer ficar cada vez mais perdidamente apaixonado por ela.
Que droga, eu odeio você Melanie Sarfati.