"Exigir um salário para o trabalho doméstico destruirá, por si só, as expectativas que a sociedade tem de nós, uma vez que essas expectativas - a essência de nossa socialização são todas funcionais à nossa condição de não assalariada dentro de casa. Nesse sentido, é um absurdo comparar a luta das mulheres por salário doméstico com a luta dos trabalhadores do sexo masculino das fábricas por aumento salarial. Ao lutar por maiores salários, o trabalhador assalariado desafia seu papel social, mas permanece dentro dele. Quando lutamos por salários para o trabalho doméstico, nós lutamos inequívoca e diretamente contra nosso papel social. Da mesma forma, há uma diferença qualitativa entre a luta dos trabalhadores assalariados e a luta dos escravizados por um salário e contra a escravidão. Deve ficar claro, no entanto, que, quando lutamos por um salário, não lutamos para entrar na lógica das relações capitalistas, porque nós nunca estivemos fora delas. Nós lutamos para destruir o papel que o capitalismo outorgou às mulheres, que é um momento essencial da divisão do traballho e do poder social dentro da classe trabalhadora, por meio do qual o capital tem sido capaz de manter sua hegemonia." FEDERICI, Silvia. O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista. 1°ed. São Paulo: @editoraelefante, 2019, p. 47. Arte: "Os panteras negras" (Emory Douglas, 1970) #materialismo #dialetica #materialismodialetico #trabalhodomestico #salario #classetrabalhadora #feminismo #silviafederici https://www.instagram.com/p/COp_DpELPIj/?igshid=g0zxothztiho

















