i was looking for a breath of life
esses dias eu vi um post de alguém que dizia estar cansado de ser uma pessoa. não de ser quem é, mas de existir como pessoa.
é engraçado, porque, quando estou em processos de ansiedade - e tudo parece demais, meus pensamentos tropeçam uns nos outros e tudo é confuso demais e eu sinto de tudo -, a vida parece que tem um rumo, mesmo que doa. mesmo que, lá no fundo, exista um aperto na alma que pede socorro.
mas, quando estou do outro lado, em crises depressivas, existir parece pesado, inútil, ridículo demais. é quando eu fico cansada também de existir como pessoa. é quando não sobra nada para sentir, é quando estou morrendo, que o peso de ser uma pessoa é excessivo.
eu nunca consegui entender a ansiedade e a depressão que carrego, mas, a certa altura da minha vida, me convenci de que era uma pessoa triste - eu apenas estava em ciclos de depressão constantes. foi na vida adulta que consegui perceber o padrão.
a ansiedade mora comigo por algumas semanas (momentos em que eu estou disposta a tudo, acordada para dar conta de qualquer coisa, com energia suficiente para lembrar de como é bom viver) para, tempos depois, se transformar em crises depressivas (em que tudo é difícil demais - levantar da cama, escovar os dentes, lavar o cabelo, comer, carregar o peso da existência).
entendi que minha ansiedade e minhas crises depressivas não têm permanência. eu vivo em ciclos. bom, ruim, muito ruim, bom, muito ruim, bom, ruim, bom, muito ruim... e continua. continua para sempre. eu acabei me acostumando, mesmo que isso me afete muito.
me sinto culpada por não viver a vida que vejo todos vivendo: os que acordam às 6h, vão para a academia, socializam, trabalham 8h de segunda a sexta, conseguem dar conta da casa, amam viajar todos os fins de semana... eu sei que é minha culpa. porque eles veem a minha preguiça, a minha falta de vontade, a minha lerdeza, a minha falta de comprometimento, a minha frieza. o que não veem é o quanto eu me esforço para alcançar o que eles têm - e mesmo assim não chego nem perto. porque estou de mãos dadas com vários demônios emocionais que acabam comigo antes mesmo que eu consiga colocar o pé para fora da cama, de manhã.
então, sim, eu estou cansada de existir.
breath of life, florence + the machine (2013)
como na música, em dias muito ruins, eu procuro por um sopro de vida (não de uma mera existência), mas os coros da minha cabeça cantam não. porque esses dias são pesados, impossíveis - a vontade é de desaparecer.
sei que, para muitos, é tão fácil. é simplesmente sair da cama, sorrir, se alegrar por estar aqui. mas, nesses dias, eu penso: não seria ruim se eu não estivesse aqui.
na verdade, penso nisso há alguns dias: em 2015, eu implorei para morrer durante uma crise de enxaqueca e, quando tomei o meu remédio de crise, pensei: "ele podia me matar no meio do sono, né? eu ficaria feliz." é claro que não matou. porque continuo aqui. naquela tarde, quando acordei após ter tomado o medicamento, eu me odiei por continuar viva. e, muitas vezes, esse sentimento volta.
às vezes, eu não quero sopro de vida nenhum. quero apenas ser como todos que têm vidas normais: que não se sentem exaustos o tempo inteiro, especialmente. frequentemente, eu me sinto um peso - e isso aumenta em dias assim. não é apenas o peso da vida em si, é apenas o peso da minha inutilidade.
eu não estou de lado nenhum, talvez. nem mesmo do meu.