Amei antes de ser amor Fui queda livre ainda quando era vertigem Bebi melancolia quando era paixão Me despedi logo no primeiro olhar Era um nome, hoje um feitiço Era um desejo, hoje um arrependimento Era hoje, ficou para ontem A vistas no museu de mágoas Era servidão ao Adônis Era devoção à Afrodite Era polução diluída em saliva Eram as migalhas do banquete Cheiro de Édipo Quaresma por um afago Nó desatado por uma afronta ao ego Ego retalhado pelo buquê de garfos Cicatriz no idioma de cicuta Na língua bifurcada Que afoga e salva Outras covas O jantar era a carne Envaidecida Frente a pupilas Que sorriam com malícia Antes morte que desatino Antes casos espetaculares Com orgulhos feridos Do que amor aguado Os cílios que se engancham As fomes que se multiplicam As realizações que são entre corpos A alegoria do sol exposto entre as pernas
Antecipação, Pierrot Ruivo









