Prudência
Esse espaço tem a sua idade A evasão transmuta uma recordação Em lacuna convicta para fora Dos caminhos percorridos do novelo
Desagua num sopro o gesto velado Com que intuito despe as palavras Rabiscadas entre palácios e perfumarias Para dissolve-las em zinco?
O dever é um encontro convicto Ante o blefe, o fim de grão em grão Se abisma sob os ombros enquanto Um satélite talhado ao esforço
Regredir a essa redoma Onde o tempo conversava-se A beira da rutilância Tão pacífica quanto utópica
Imóvel coragem, hostil máquina Concluí a repetição do mundo Masca a nossa infância Como se nada fosse eterno
Velaria a luz hipócrita no céu da boca A hora específica onde serpentes Convertem-se em dogmas rubricáveis Para a comoção da década vazia
A coragem é desfeita em um rodopiar Pelos dedos derrubando costuras Quando chegam com um pedaço De carne encarnado em ilusão
Ao caminhar por esse cais, A inocência teme cada Silhueta num mar que refletirá Seus próprios remetentes















