Interlúdio
Ontem eu era o gestual Caça-caçador, vagando Pela noite até esvaziar-me De uma sentença que costurei
Enterrado nos restos mortais Não ressentirão mais minha ausência Agora o Cócito se encarregará daquele Corpo febril e calcado em luto
Há algo de imaterial se interpondo A pele adulterada, a era da refinaria Faz do aquário utensílio, e da colher A espada-ventríloqua para lhes convencer
A dança não é altruísta É ficta na pista A dança não é hegemônica É o fruto do petróleo
O suspense pesa os lábios Interrompidos e fora do compasso Essas mãos que me fazem olhos E mudam a espera para a vigília
Junto a tua louça Derreto direto dos dentes Algo tão pálido quanto etéreo Capaz de moldar o flúor em álibi
Hoje, é alvo de abandono No meio dos rigores todos A criação feita para ser polida Admirada na boca da vitrine
A proferida víscera alimentando o utópico Horrível destino, nos olhos despidos A urgência é devorada lentamente pelo medo Até que alguém decifre o código, tudo será disfarce













