inordinatio temporum
A crosta que me sequestra cognição Faz do vislumbre jardim suspenso Para afogar em terra todos os medos Situa uma confiança impassível
Ocupa toda a evidência Essa cabeça que me orbita Flanando as fábulas de um Rei auto asfixiado
Transforma a histerografia em teatro Vírgula por vírgula acupuntura Da máquina pesando fragmentos Problema a vista, a autoficção envelheceu
Mover o mar de coisas moídas Apresentar a película do centro Toda a minha presença cínica Em sangrar aos pés de cinéma vérité
Atormentado desses cães Desconjuro cada uma dessas cartas Sem remetentes, metáforas-esconderijos Por onde morre cada vaidade peso de papel
Comovo a presença temporária e ela me aceita Perpassa pela minha idade ampulhetas e cronômetros E como num jogo de azar, conta com o vai-e-vem Para me condicionar a eternidade ou fragilidade
Mastigaria múmias ficcionais Sombras de um banquete Performado para pares singulares Conhecerem mais a minha insignificância
Há uma altura emocional capaz de desvincular Romper o desafio de me atar a algo E deste olimpo esquecer-me nas voltas do Castelo de acontecimentos prometidos










