Mausoléu antropofágico
Mais uma vez, abriu-se o chão Mausoléu antropofágico Minha voz já não é mais minha Meu corpo não é mais antigo
Como sempre fora feito, A transfiguração absoluta Interrogando o pavor Ouvindo a réplica do silêncio
A espiral arruína o corpo de xícara Aqui a beira cais no peito O esforço é o anti canto Sem trapaça, só indisciplina
Meus dias são de vândalos Minhas noites são nos teus braços Mudando o perfume da pele Para o cheiro do teu próprio tempo
Seu gestual, me esconde O sabor irredutível da palavra Cruzo os dedos, sustento um século Do meu empenho em corroer suas entranhas
Os nomes especulados, contém Corredores tensionando A pronúncia insolúvel Junto a essa boca de papel
Vislumbrei todo aquele objeto temporário Dele, fiz meus ciganos e centavos A ele prestei condolências Por ele matei toda a rigidez ainda no músculo
A espera interminável Corpo mortal em chamas No meio dos satélites A leveza de meia tonelada...













