Universidade de Buenos Aires aprova o uso da linguagem inclusiva com ‘e’
A Faculdade de Ciências Sociais desta universidade na argentina substituirá o "o" e "a" pelo "e" para erradicar a marca gramatical de gênero.
A Faculdade de Ciências Sociais da prestigiada Universidade de Buenos Aires (UBA) reconhecerá o uso da neolinguagem em 'e' - popularmente conhecida como linguagem neutra - nas produções feitas por alunes de graduação e pós-graduação, de acordo com uma resolução aprovada pelo seu Conselho de Administração.
Ao justificar a medida, es gerentes levaram em conta que "a linguagem com a qual nos comunicamos e nos relacionamos comporta sentidos que refletem as desigualdades de gênero, naturalizando a segregação, a discriminação ou a exclusão" .
A linguagem inclusiva de gênero busca erradicar o que é considerado como uso sexista da linguagem e propõe, por exemplo, erradicar a marca gramatical de gênero e o masculino universal, substituindo a letra "o" e o "a" pelo "e".
(Obs da MQ: substituindo por qualquer outra opção ou nem, focando principalmente em rever e desconstruir o uso normativo sexista e binarista da língua comum)
Este modo de falar, que não aprova a Academia Real, é cada vez mais difundido na Argentina , particularmente entre adolescentes e jovens que naturalizam seu uso, ainda sendo resistido por muitos adultos que o atribuem a um capricho.
A resolução assinada pelo decano da Faculdade, Carolina Mera, e o Secretário de Gestão Institucional, Javier Hermo, também confia à Subsecretaria de Políticas de Gênero da escola para implementar ações de treinamento e disseminação "para engajar a comunidade universitária" para se comunicar com um tratamento respeitoso sobre os direitos das mulheres, da diversidade sexual e de gênero " .
É a primeira vez na Argentina que essa linguagem é reconhecida para uso acadêmico. A Faculdade de Ciências Políticas da UBA tem cerca de 25.000 alunes.
A resolução foi assinada em 2 de julho, mas só foi conhecida nas últimas horas após sua publicação oficial no site da instituição.
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Países americanos já reconhecem os direitos das pessoas não-binárias e Intersexo
No total 6 Países já reconhecem a existência e o direito das pessoas não-binárias de gênero e intersexo em algum grau (em colorido)
Desde 2015 temos acompanhado um grande aumento no debate sobre não binariedade de gênero e intersexualidade (intersexuação). E de lá pra cá a América têm dados passos significativos para o reconhecimento legal e pleno da não-binariedade de gênero e demais dissidências. O processo de reconhecimento da identidade de gênero não-binária e dos corpos intersexo também têm levantado diferentes tipos de debates, como um terceiro marcador de gênero e sexo em documentos pessoais.
Se a 20 ou 10 anos atrás, estávamos além da margem da sociedade, muitas das vezes vivendo atrás de máscaras, e quase não se falava sobre a gente, hoje podemos dizer com toda convicção de que somos resistência e nossa existência é válida. Estimando que fecharemos a década de 2010 com o maior número de conquistas para a comunidade LGBTQIAPN+, especialmente para comunidade trans, intersexo e não-binária que nos últimos anos deram saltos quantitativos na história na busca de mais direitos e dignidade.
Na América do Sul e Central a luta ainda é pequena se comparada com o hemisfério norte, onde 2 dos maiores países do mundo e do continente já reconhecem em algum grau a existência das pessoas trans, não-binária e intersexo. Mas ainda há exemplos importantes na América do Sul.
O Uruguai foi o primeiro país da América do Sul a criar uma legislação sobre identidade de gênero. E Ano passado a Câmara de Deputades do Uruguai aprovou, no dia 19 de Outubro, uma lei integral para pessoas trans. Essa Nova legislação estabelece várias medidas em combate a discriminação, a exclusão, e garantia de direitos humanos básicos para a população trans/não-binária, como reparação histórica. Medidas essas que inclui também o reconhecimento de outras identidades, fora as identidades de gênero binária. A nova lei permite que as pessoas alterem seus dados pessoais, como de gênero e sexo por via administrativa, de forma autônoma, incluindo a possibilidade de marcar um outro gênero além dos binário conforme o requerimento da pessoa, sem a necessidade de laudos e comprovação. O mesmo para acesso à saúde, cirurgias e TH. O Uruguai além de tentar reconhecer a existência das pessoas não-binárias de gênero e demais identidades, também proibiu procedimentos médico desnecessários em bebês, crianças e adolescentes intersexo sob a lei da violência com base em gênero e sexo, dando um passo importante na luta pela integridade física e autonomia corporal das crianças.
Foto: Uruguai
No Chile a questão ainda é complicada se pensarmos que em 2015, por um breve momento, o Chile se tornou o SEGUNDO PAÍS NO MUNDO a proteger crianças intersexo de intervenções médicas invasivas e desnecessárias, depois de Malta. No entanto os regulamentos foram todos substituídos no ano seguinte por uma Circular que infelizmente, rescindiu a circular anterior, citando uma declaração clínica de “consenso” de 2006. Em particular, a nova circular permite intervenções cirúrgicas para tornar os genitais infantis mais típicos, apesar da falta de evidências em apoio a tais intervenções, e muitas evidências de danos a longo prazo. A declaração clínica de 2006 permite cirurgias precoces para controlar o “sofrimento dos pais” e alegações de potencial confusão de identidade de gênero. O Chile também não oferece proteção legal à essas pessoas nem reconhece de forma plena um terceiro gênero e sexo. Ainda assim emite certidões de nascimento com marcador de sexo "indefinido" para algumas crianças intersexo. Após cinco anos de debate no Congresso, em 5 de setembro de 2018, o Senado aprovou o projeto de lei que reconhece e protege o direito à identidade de gênero por 26 votos a favor e 14 contra. Em 12 de setembro, a Câmara des Deputades fez o mesmo com 95 a favor e 46 contra. Em 25 de outubro de 2018, o Tribunal Constitucional declara a constitucionalidade da lei aprovada. Em 28 de novembro de 2018, o presidente Sebastián Piñera assina e promulgou a lei. Em 10 de dezembro de 2018, a lei é publicada no Diário Oficial .
"Sem mutilação genital intersexo" Foto: Camilo Godoy Peña que apresentou uma carta à presidente do Chile, Michelle Bachelet, sobre o Dia da Conscientização Intersex em 2015.
Em novembro de 2018, na província de Mendoza, que fica cerca de mil quilômetros de distância da capital Buenos Aires, aconteceu a primeira emissão de certidão de nascimento sem gênero da história da Argentina. Uma pessoa não-binária teve por meio do acesso à Lei de Identidade de Gênero 26.743 (sancionada na Argentina em 2012), a vitória em um processo para o reconhecimento de sua identidade como uma pessoa não-binária. Foi Gerónimo Carolina González Devesa, de 32 anos, médique e agênero que possibilitou esse momento histórico para nós.
Foto de Gero Caro em entrevista a La Nación na sua casa “na encantadora e tranquila cidade de Chacras de Coria”
Gero Caro consultou Eleonora Lamm que é subdiretora de Direitos Humanos da Suprema Corte de Justiça de Mendoza. Lamm deu-lhe a chave para começar com um processo burocrático que estabeleceria um precedente histórico: legalmente, não poderia ser identificado como nem um e nem outro. São três pilares que atravessam a argumentação do reconhecimento da sua identidade de gênero: o livre desenvolvimento da pessoa conforme sua identidade de gênero, o direito de ser tratade de acordo com sua identidade de gênero e, em particular, ser identificade desse modo nos instrumentos que creditam sua identidade. “Primeiro fomos ao registro civil para preencher o formulário. O registro civil põe os nomes que a pessoa elege como primeiro nome e, onde diz sexo, diz que não quer consignar nenhum, como está autorizado pela Lei de Identidade de Gênero, no art. 2”, disse Geronimo ao LATFEM. Lamm, a partir daí, como vice-diretora de Direitos Humanos da Corte de Mendoza, elaborou uma opinião explicando como a Lei de Identidade de Gênero não apoia uma concepção binária de identidade, permitindo a aprovação de um para outro, mas que possibilita a experiência individual interna de gênero de cada pessoa. Isto é, permite tantos gêneros quanto identidades, e identidades como pessoas. “Com essa opinião, todo um processo começou dentro do Código Civil, onde o interrogatório, as reuniões, as negociações começaram e isso foi para o governador, que tomou a decisão”, disse a autoridade ao LATFEM
“Muitas pessoas se perguntam com que idade eu vou me aposentar e esses tipos de coisas. Daqui pra frente teremos que colocar uma única idade de aposentadoria ou repensar a questão das cotas para finalizar essas questões. O binarismo marca uma diferença, que uma coisa é oposta da outra; quando a realidade é que somos todes iguais” diz éle a Los Andes.
Foto: Gerónimo Carolina González Devesa feliz com seu novo documento
Outro marco histórico na Argentina se deu no inicio deste ano. Lara María Bertolini, de 48 anos, também entrou na Justiça pedindo que respeitassem sua verdadeira identidade de gênero em sua certidão de nascimento e sua DNI: feminilidade travesti. A juíza Myriam Cataldi considerou que a Lei de Identidade de Gênero aplicava-se ao caso de Bertolini, citando uma das definições de identidade de gênero. Em uma decisão inédita na cidade de Buenos Aires, a juiza disse que "no campo reservado para o sexo, deve ser consignado 'feminilidade travesti', em vez de 'feminino'". Além disso, o Registro Civil foi ordenado a resolver esses casos por via administrativa, colocando uma multiplicidade de marcadores como opções de gênero.
“Muitos dos conceitos relacionados ao gênero que são usados nas culturas ocidentais são baseados em uma concepção binária do sexo, que considera que existem dois pólos opostos: homem e mulher, masculino e feminino, fêmea e macho. Não há dois gêneros que correspondam a dois sexos, existem tantos gêneros quanto identidades e, portanto, tantas identidades de gênero quanto pessoas ", disse a juíza Myriam Cataldi na decisão
Foto: Lara Bertolini discursando em um protesto. Ela é uma ativista travesti e participa do Coletivo Lohana Berkins
Já o tribunal constitucional da Colômbia. restringiu a capacidade de médiques e parentes permitir cirurgias cosméticas não consensuais em crianças intersexo. Em quatro decisões separadas, os tribunais determinaram que os procedimentos de “normalização” de sexo não podem ocorrer sem o consentimento informado da própria criança. Na Colômbia também , o referido decreto de 2015, 1227, permite mudar o marcador de gênero apenas com uma exigência administrativa e sem requisitos médicos específicos. Este procedimento pode ser feito duas vezes na vida, com 10 anos de diferença. Inclusive menores de idade podem solicitar a ação porém sem muita autonomia.
No Brasil não há nenhum tipo de reconhecimento e só recentemente, e com muita dificuldade ainda, pessoas trans-binárias puderam garantir o direto de retificarem seus documentos sem laudos e outros tipos comprovações abusivas, através de uma decisão histórica do STF (Supremo Tribunal Federal) em Março de 2018. O máximo que se chegou perto foi o projeto de Lei de Identidade de Gênero João W. Nery ( PL 5002/2013 de autoria des Dep. Jean Wyllys e Érika Kokay), e mais recentemente no estado de Minas Gerais um projeto de lei (PL 136/2019 de autoria do Dep. Alencar da Silveira Jr.do PDT) que autoriza os cartórios competentes a emitir certidão de nascimento com a inserção do gênero X, bem como a alterar o gênero na certidão de nascimento a pedido de declarantes, sem a necessidade de laudo médico. Texto Original
Foto: A militante travesti Anny Lima, que alterou seus documentos somente aos 60 anos, segurando a bandeira do orgulho trans.
O Canadá, apesar de sua fama de país progressista pelo mundo a fora - e com razão - ainda não reconhece por todo território a não-binariedade de gênero em documentos oficiais. Mas, a não-binariedade ainda sim é reconhecida no país. Isso porque o sistema político do Canadá funciona de uma forma muito diferente do que costumamos a pensar: as províncias possuem muita autonomia sobre leis. Em resumo, Ontário, Terra Nova e Labrador e os Territórios do Noroeste são uma das principais referências no reconhecimento ou pelo menos discussão do assunto. Em 2016 o governo, de uma das dez províncias do Canadá, Ontário, anunciou mudanças na forma como o sexo e gênero seria exibido nas carteiras de saúde e motorista. E em Junho do mesmo ano, Ontário excluiu qualquer tipo de designação "sexual" das carteiras de saúde. No início de 2017 motoristas de Ontário passaram a ter a opção de marcar um "X" como um identificador de gênero em suas carteiras. Em Julho de 2017 os Territórios do Noroeste passaram a emitir certidões de nascimento com uma opção não-binária no marcador de gênero, o "X" também . Já na província de Newfoundland and Labrador a reviravolta foi o seguinte: Gemma Hickey, que é um ativista e advogade não-binárie de gênero, em junho de 2017 entrou na justiça solicitando uma nova certidão de nascimento pois Hickey se recusou a marcar as caixinhas M e F como definidores de seu gênero. Pegou uma caneta fez um rascunho na identidade e mostrou como queria que fosse feita. Hickey fez isso por meio da Lei Canadense de Direitos Humanos e a Carta Canadense de Direitos e Liberdades. E não é que o governo da província aceitou sem problema nenhum? Sim. A missão de Hickey era desafiar a lei de estatísticas vitais de Newfoundland. Mas como informa a CBC News, a província emendou a Lei de Estatísticas Vitais para adicionar uma opção de gênero adicional ao pedido de certidão de nascimento. A caixa vêm com o popular “X” e uma seção para especificar qual gênero/sexo. E em Dezembro do mesmo ano Hickey se apresentou aos estabelecimentos requeridos e recebeu sua nova certidão de nascimento se tornando a primeira pessoa do Canadá a ter uma certidão de nascimento não-binária na história.
O Canadá em geral também permite o marcador de gênero "X" para passaportes, e recentemente foi noticiado que o país deve incluir um terceiro gênero em censos oficiais que já estão sendo testados. Ainda, infelizmente, peca muito em relação as pessoas intersexo como outros países, mas o país foi o primeiro a registrar uma criança, Searyl Atli Doty, com marcador de gênero/sexo “U” (aparentemente de neutralidade) em sua carteira de saúde, na Colúmbia Britânica. O pai, Kori Doty, que é uma pessoa não-binária, queria dar à criança a oportunidade de descobrir sua própria identidade de gênero . A província recusou-se a emitir uma certidão de nascimento à criança sem especificar feminino ou masculino; Kori entrou com um desafio legal. Kori Doty e outras sete pessoas trans e intersexo entraram com uma ação de direitos humanos contra a província.
Nos Estados Unidos já se somam 11 estados com jurisdições e legislações em pró da população trans, não binária e intersexo. Legislações que vai de carteira de motorista à um reconhecimento legal e amplo de 1 marcador de gênero unificado ou variados para pessoas não-binárias e ademais. Entre esses Estados estão os estados de Arkansas, Califórnia, Colorado, Washington, Maine, Minnesota, Nova York, Ohio, Oregon e Utah. São 11 de 50 estados. E no momento pode parecer muito pouco mas devemos considerar que esses números surgiram muito recentemente, de 2016 pra cá, o que mostra a rapidez com que isso vêm acontecendo e como os números podem crescer mais e mais daqui pra frente, mesmo com uma administração conservadora com a população trans, não-binária e intersexo de Donald Trump. Entre esses Estados vale destacar a Califórnia, que em Setembro de 2017 aprovou uma legislação reconhecendo a não-binariedade de gênero, com um terceiro marcador de gênero nas certidões de nascimento, carteiras de motorista e carteiras de identidade em geral. O projeto de lei, SB 179, também acabou com os requisitos de laudo médico e audiências obrigatórias para o requerimento de mudança de gênero para pessoas trans. Quase como a lei integral do Uruguai.
Foto: Toni Atkins (San Diego) e Scott Wiener (São Francisco) senadorés autores da lei SB 179, que o governador Jerry Brown assinou em outubro. No Escritório do Estado Senador Toni Atkins.
Em agosto de 2018, no estado da Califórnia, o SCR-110 solicitou a criação de uma política clara que incentivasse o atraso dos procedimentos estéticos até que a pessoa intersexo tivesse idade suficiente para tomar uma decisão consensual. o SCR-110, se tratta de uma resolução aprovada pelo estado da Califórnia em agosto de 2018, foi a primeira legislação na história dos EUA a identificar os danos das intervenções médicas não consensuais em pessoas intersexuais. A resolução não vinculante, de autoria do interACT, Equality California , e do Senador do Estado da Califórnia, Scott Wiener , conclama a profissão médica a seguir as diretrizes internacionais de direitos humanos e adiar procedimentos não consensuais que afetariam a função sexual futura de uma pessoa - como vaginoplastias, orquiectomias, e reduções clitoridianas - até que ela possa participar da decisão. Representa um primeiro passo histórico em direção a políticas que centralizam os direitos e vozes dos intersexuais. Outros estados em reconhecimento e proteção legal das pessoas intersexo estão Washington D.C., New York, Ohio, Oregon, Utah, Washington State, New Jersey e Colorado.
O ‘X’ da questão
Muitas dessas aplicações são questionáveis, e muitas nem se quer estão de acordo com nossas identidades e corpos, como o uso do X que indica uma nulidade. Por isso a importância da atenção e o diálogo das autoridades e profissionais com a nossa comunidade. Em 2018 tivemos mais casos do que anos anteriores. Se seguirmos no mesmo ritmo, em 9 ou 8 anos, mais da metade do território estadunidense terão reconhecido legalmente a não-binariedade em algum grau. E na América em geral serão 18 países aproximadamente de 35 países que compõe as Américas. E em 2031? Ou 2050? Será se estaremos olhando para esse passado, como quem olha uma má relíquia?
Pessoas trans em projeto da Nasa: No Brasil me desrespeitam; nos EUA faço satélite
(Imagem: Vivian Miranda é pesquisadora da Universidade do Arizona. Arquivo pessoal)
Em conversa com a Universa UOL, a carioca Vivian Miranda conta um pouco de sua história como a única brasileira trans em um projeto com a Nasa em que desenvolve um foguete avaliado em US$ 3,5 bilhões (R$ 13 bilhões). É também a primeira pessoa trans a fazer pós-doutorado em astrofísica na Universidade do Arizona, onde estuda atualmente.
Vivian passou a transicionar a partir de 2016: gradativamente. Até mudar de nome. Na época, fazia o pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia - sim, ela fez dois pós docs. Um ano depois, foi conversar com o chefe do departamento de física, onde estudava, sobre sua identidade de gênero. "Falei que queria mudar meu nome e usar o banheiro correspondente à quem eu sou. Ele disse que não tinha problema algum e que iria providenciar a sinalização adequada e discretamente conversar com meus colegas de trabalho", conta Vivian.
A astrofísica compara a visão das universidades americanas com o assunto à maneira como se fala do tema da identidade de gênero no Brasil - chamado de "ideologia" e de "doutrinação ideológica" pelo presidente Jair Bolsonaro. "Há o discurso de que a academia brasileira é ideologizada, de que lidar com transexualidade e abrir caminho para pesquisadores e professoras trans é uma patologia brasileira. A maneira como fui tratada nos Estados Unidos mostra que o respeitar pessoas trans é só uma questão de civilização."
Leia um pouco do relato de Vivian à Universa:
"Fiz a graduação e o mestrado em física na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) de 2003 a 2010. Na época, ainda me chamava Vinicius. Não é um problema para mim falar do meu nome de registro. Tenho muito orgulho do que fiz como Vinicius; mas esse tempo passou. Hoje me chamo Vivian, sou pesquisadora do departamento de astrofísica da Universidade do Arizona, e única brasileira em um projeto com a Nasa para construção de um satélite. Ele se chama WFirst, tem previsão de lançamento para 2025 e deve ficar cinco anos no espaço, em um ponto localizado atrás da Lua, capturando imagens. Eu faço estudos que simulam como o satélite pode ter mais potencial de descobertas. Integro um grupo de pesquisa liderado pelo físico Adam Riess, ganhador do Nobel de 2011.
Desde criança eu tinha consciência de que queria mudar de gênero.
Em 2016, comecei minha transição social gradual. Primeiro nos arredores de casa, expandindo pouco a pouco para meu bairro. Eu ia devagar, com roupas neutras e maquiagem leve. Às vezes um batom. Tudo planejado. No trabalho eu chegava com uma maquiagem leve, deixava as pessoas olharem e depois ficava alguns dias sem maquiagem nenhuma. Aí usava um brinco, tudo com delicadeza e cuidado.
Minha abertura para a academia como um todo também ocorreu em dezembro de 2017, numa séria de e-mails para colaboradores e alunos mais próximos. O diretor do departamento de física da Universidade da Pensilvânia, quando soube, colocou cartazes nos banheiros dizendo que cada um usaria o sanitário de acordo com sua autoidentificação.
("Ninguém jamais ousou opinar sobre a velocidade e a intensidade da minha transição", diz Vivian sobre tratamento dos colegas americanes)
Todes me apoiaram, desejaram felicidades na nova caminhada e continuaram a conversar e a trabalhar comigo normalmente. Ninguém jamais ousou opinar sobre a velocidade e a intensidade da minha transição. Esta era uma decisão pessoal e o papel deles era respeitar minha identidade gênero. Em junho de 2018, seis meses após minha abertura para academia, eu já era tratada como Vivian 100% do tempo, sem qualquer erro ou deslize.
"Colegas no Brasil me deixaram desconfortável"
No Brasil, tudo foi mais difícil. Ans pesquisadores com es quais trabalhava ficaram muito surpreses e externaram esse sentimento de um modo que me deixou desconfortável. Hoje em dia todes me apoiam abertamente, mas é importante enfatizar a diferença do tratamento inicial com relação ao que ocorreu nos Estados Unidos... Fiz concursos em universidades brasileiras e meu nome social não foi respeitado nos documentos.
Em fevereiro de 2019 eu participei de um concurso para a Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e o tratamento foi o oposto. Eu fui entrevistada por mais de vinte professores, mas apenas uma única pessoa do RH tinha acesso ao meu nome de registro. Para todos os efeitos, o nome da candidata era Vivian Miranda e ponto final.
Matheusa, estudante da Uerj desaparecida foi assassinada em favela da Zona Norte do Rio
Investigações mostram que Matheusa Passarelli foi assassinada ao entrar no Morro do 18. Polícia investiga se jovem, sumida desde domingo (29), teria sido queimada por traficantes.
A Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) da Polícia Civil do Rio concluiu que a estudante Matheusa Passarelli, que estava desaparecida desde 29 de abril, foi assassinada.
De acordo com as investigações, a aluna da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), de 21 anos, trans não-binária, foi morta por integrantes de uma facção criminosa ao entrar no Morro do 18, em Água Santa, na Zona Norte do Rio. O motivo do crime ainda é investigado.
A policia consideram que há "fortes indícios" de que o corpo do estudante tenha sido queimado.
Neste domingo (6), o irmão dela escreveu um desabafo em uma rede social sobre a morte da estudante de artes visuais. No texto, ele diz que Matheusa, foi "executada".
"A angústia se transformou no trabalho compartilhado de encontrar a pessoa que mais amei e acompanhei durante a vida. Infelizmente as últimas informações que chegaram até nós e até a instituição pública que está desenvolvendo o processo de investigação demonstram diferentes faces da crueldade a qual estamos submetidos", escreveu.
A jovem estava desaparecida desde a madrugada de domingo (29), após deixar uma festa de aniversário na Rua Cruz e Souza, no bairro do Encantado, Zona Norte carioca.
A última informação chegada ao Disque Denúncia dizia que Matheusa havia sido vista por volta das 19h30 daquele domingo, em Piedade, também na Zona Norte do Rio. A jovem vestia, na ocasião, bermuda, camiseta e chinelo.
Após cerca de quatro dias após o desaparecimento, o Portal dos Desaparecidos divulgou um cartaz pedindo informações a respeito da localização da estudante.
Os investigadores dizem que a morte de Matheusa aconteceu por volta das 2h30 de domingo.
Câncer de mama: pessoas trans também precisam se prevenir
Assunto pouco abordado pelas políticas públicas voltadas à população LGBT vira algo de debate na comunidade acadêmica
Câncer de mama é uma doença associada predominantemente à população de mulheres cisgêneras. A ligação não ocorre à toa: são quase 60 mil mulheres cis diagnosticadas anualmente, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Por força do hábito ou desconhecimento, esquecemos que pessoas trans têm glândulas mamárias, produzem testosterona e estrogênio, e também podem ser acometidos pela neoplasia (1% do total desses diagnósticos diz respeito a indivíduos com sistema reprodutor testicular, segundo o Inca).
Pessoas trans, transexuais ou transgêneros precisam ficar atentas à doença. O médico radiologista Luciano Chala explica a necessidade de se analisar separadamente o histórico de vida da pessoa no tocante à prevalência do câncer de mama.
“Mulheres trans passam por terapia hormonal para obtenção da mama com aspecto feminino. O uso de hormônio instiga um questionamento sobre eventual aumento do risco de câncer na região – o regime conduz ao desenvolvimento de um tecido com ductos e ácinos idênticos ao da mama biologicamente feminina”, explica.
Estudo publicado no periódico The Journal of Sexual Medicine acompanhou 2.307 mulheres trans que receberam terapia hormonal. A conclusão aponta: as incidências de carcinoma de mama são comparáveis aos cânceres que acometem em pessoas testiculadas.
Assim, os pesquisadores apontam que o tratamento hormonal em indivíduos trans não estaria associado a um aumento considerável do risco de se desenvolver tumor de mama maligno. “A ocorrência foi de 4,1 a cada 100 mil casos, superior à incidência em homens cisgênero (1,2 diagnósticos para cada 100 mil pessoas) e muito distante da reportada em mulheres (170 registros/100 mil indivíduos)”, analisa Chala.
Já o mastologista Guilherme Novita Garcia, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, fala sobre a necessidade de existir mais estudos a respeito do assunto.
“Nenhuma pesquisa na área médica mostra se é mais fácil ou difícil rastrear câncer de mama em pessoas trans. Ninguém sabe se esses homens e mulheres devem realizar exames de rotina como mulheres cis. Algumas mulheres trans não têm mamas, mas desenvolvem algo parecido. Já os homens trans que optam por não tirar as glândulas precisam fazer acompanhamento normalmente”, explica.
“Temos pesquisas mostrando como a terapia de reposição hormonal durante a menopausa aumenta a incidência de câncer de mama. Ou seja, a mulher trans faz uso de hormônio feminino, e isso também poderia ampliar o risco. Infelizmente, essa população não vem sendo amplamente estudada”, continua Novita.
Dificuldades de diagnóstico
A falta de informação é uma das principais barreiras para detecção da doença. O radiologista Luciano Chala pondera sobre as consequências da falta de suporte que a população trans enfrenta. “Em busca de formas mais baratas, muitas mulheres usam óleos minerais ou parafina para aumentar as mamas. Isso prejudica e até impossibilita o uso da mamografia e da ultrassonografia no rastreamento”, diz.
Já em homens trans, o tórax com aspecto masculino é obtido por meio da mastectomia subcutânea, proporcionando uma redução do risco de câncer de mama – porém não anulando a possibilidade de a doença se desenvolver, uma vez que há pequena quantidade de tecido residual.
Não é necessário realizar rastreamento com métodos de imagem, mas se sugere o autoexame periódico, bem como atenção ao surgimento de nódulos ou secreção sanguinolenta. A avaliação regular é indicada apenas para subgrupos de risco, como pacientes com mutação no gene BRCA 2, síndrome de Klinefelter ou histórico familiar da doença.
Tratamentos e cura
Assim como qualquer paciente com diagnóstico de câncer, pessoas trans precisam buscar imediatamente a melhor forma de se tratar. Para o mastologista, as chances de cura são iguais às das pessoas cis, variando de acordo com o tamanho do tumor e o número de gânglios comprometidos.
“Como a maioria dos trans não sabe sobre a chance de ter câncer de mama, grande parte dos casos é diagnosticada tardiamente. Eles não procuram um especialista quando os primeiros sintomas surgem. Ou seja, ao se identificar o problema, muitas vezes o tumor já está em estágio avançado e com prognóstico comprometido”, diz.
Para pessoas trans optantes por não retirar a mama, a recomendação é igual ao indicado às mulheres cis: mamografia anual a partir dos 40 anos. As que retiraram os seios precisam ficar alertas e, caso um nódulo apareça, procurar um médico. Pessoas trans em terapia hormonal com desenvolvimento de tecido mamário ou que tenham colocado prótese mamária devem buscar orientação profissional.
Tumor x terapia hormonal
“É preciso parar com os hormônios durante o tratamento de tumores. Mulheres cis, por exemplo, interrompem o uso de anticoncepcional. Homens cis não devem de forma alguma usar anabolizantes (mesmo saudáveis). As mesmas orientações se aplicam à população trans”, explica Guilherme Novita Garcia.
No entanto, um acompanhamento psicológico é imprescindível para o paciente entender: saúde em primeiro lugar.
“É complicado para as pessoas trans, pois elas conseguem com muito custo iniciar a terapia hormonal e, justo quando estão em direção a seus objetivos de se reafirmarem perante a sociedade, têm que a interromper. Mas não vale o risco, e a vida é mais importante”, explica o psiquiatra Nicolas Câmara, da Estratégia Saúde da Família e atuante na Resillia – Atendimento em psiquiatria, psicoterapia e consultoria em dependência química, saúde trans e transição de gênero, no Centro do Rio de Janeiro.
O médico acredita na importância das políticas públicas sobre o tema e da capacitação de especialistas em pessoas trans. Por outro lado, muitas pessoas trans só procuram médicos para terapia hormonal e se esquecem dos outros cuidados com o corpo.
“O Ministério da Saúde e as secretarias precisam abordar essas questões nas cartilhas voltadas à população LGBT. Mulher lésbica precisa do exame preventivo de colo do útero, homem trans também; mulher trans precisa realizar o exame de toque aos 50 anos, assim como homem gay”, defende.
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Mulheres indígenas trans encontram refúgio nas fazendas de café na Colômbia
"Eu senti que era diferente quando tinha 12 anos. Eu gostava de usar vestidos e brincar com as meninas", diz Angélica, uma das agricultoras. Aos 15 anos, ela deixou sua aldeia natal para trabalhar nas plantações de café em Risaralda. FOTO DE: LENA MUCHA ( VER GALERIA DE FOTOS )
As plantações proporcionam a elas um espaço para expressarem abertamente suas identidades de gênero, livres do assédio que muitas vezes enfrentam em suas próprias comunidades.
Nas profundezas das montanhas verdejantes de Eje Cafetero, região colombiana ocidental repleta de fazendas de café, um grupo incomum de indivíduos cuida de algumas plantações.
Quando esses trabalhadores indígenas Emberás terminam seus dias, eles voltam para os dormitórios. Lá, colocam maquiagem, jóias e roupas femininas tradicionais para combinar com sua verdadeira identidade.
Por serem transgênero, essas mulheres não são aceitas em suas próprias comunidades. Elas são frequentemente punidas ou forçadas a deixarem suas aldeias, mesmo que tenham família e crianças. Mas nessas fazendas de café, as mulheres dizem que se sentem reconhecidas pelo que são.
Yuliana e suas colegas de trabalho voltam para seus dormitórios depois de trabalhar nos campos de café. FOTO DE LENA MUCHA
Lena Mucha, fotógrafa e antropóloga social de Berlim, foi abordada por um jornal colombiano local com uma ideia para uma reportagem sobre as mulheres.
"Já trabalhei com comunidades indígenas antes, mas nunca soube desse assunto e achei muito interessante", diz Mucha.
Quando pesquisou as mulheres indígenas trans na Colômbia, encontrou muito pouca informação: apenas alguns artigos curtos foram escritos sobre o assunto. Além disso, não havia nenhuma organização sem fins lucrativos defendendo-as.
“Até mesmo para organizações que trabalham com comunidades indígenas, é algo totalmente novo”, diz Mucha.
Ela partiu, então, para encontrar essas mulheres e contar suas histórias, dirigindo pela região em uma motocicleta. Foi difícil no começo, por causa da relativa reclusão dessas mulheres e de sua tendência a ir de fazenda em fazenda em busca de trabalho.
"Eu sei que na Colômbia ser transexual é muito difícil", diz Mucha. “É um país muito conservador. A conscientização LGBTQ é algo que está acontecendo devagar nas grandes cidades, como Bogotá. Quando se trata de aldeias e comunidades indígenas, eles veem isso como uma doença que vem do homem branco. Não há compreensão do por que isso pode acontecer e que é algo normal ”.
As fazendas de café são uma fuga para essas mulheres indígenas trans. Elas trabalham nos campos durante o dia e podem se vestir como gostariam durante o tempo livre, sem punição ou assédio. Mucha diz que os agricultores alegam que gostam de contratar as mulheres porque elas não reclamam. Elas são fortes, trabalhadoras e baratas, a maioria faz cerca de 100 mil pesos colombianos, ou cerca de R$ 125, a cada semana.
A maioria dessas mulheres vem de regiões diretamente ao redor das fazendas ou de locais vizinhos. O trabalho é muitas vezes o único emprego que podem encontrar, e as fazendas fornecem dormitórios e alimentos básicos no local.
"Em suas comunidades, elas não podem viver suas identidades de gênero, por isso estão realmente procurando uma maneira de sair de lá", diz Mucha.
Angélica, uma das mulheres que Mucha conheceu enquanto estava na fazenda, diz que não voltará a sua comunidade.
"Aqui posso finalmente ser quem sou e viver minha identidade", disse Angélica a Mucha.
Elas são reservadas, mantendo distância dos outros trabalhadores indígenas nas fazendas. Muitas não falam espanhol e são socialmente reservadas por causa do preconceito que enfrentaram, então Mucha diz que era difícil conhecê-las.
"Passei alguns dias em uma fazenda", diz . “Era uma das maiores fazendas de café. Eu fui no primeiro dia, tirei algumas fotos, imprimi e trouxe para elas. Isso realmente deu início ao relacionamento que tivemos e as fez confiar em mim.”
Em um sábado, Mucha acompanhou algumas das mulheres a Santuario, um vilarejo próximo onde costumam gastar parte de seu dinheiro em coisas como maquiagem e jóias. Lá, ela viu em primeira mão o assédio que as mulheres enfrentam das pessoas em suas próprias comunidades.
“Houve uma situação em que outros indígenas estavam começando a conversar com elas, provocando-as ou intimidando-as, dizendo: 'O que você está fazendo aqui?'” informa Mucha. "Eu pude ver como elas teriam sido tratadas em suas aldeias."
Durante o tempo livre, quando os trabalhadores rurais passam a aparecer como mulheres, Mucha diz que se transformam totalmente.
"Elas eram mulheres fortes", diz ela. “Eu acho que estavam realmente curtindo suas vidas lá. Para elas, é como a liberdade e elas podem se expressar. Ninguém as está incomodando."
Gol tem primeira comissária de bordo trans do Brasil
A empresa Gol inovou ao trazer uma comissária de bordo transgênero em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, nesta quinta-feira (08), durante o voo número 1020 que fazia o eixo São Paulo-Rio de Janeiro, no qual apresentava uma tripulação totalmente feminina.
De acordo com a Gol, Nicole Cavalcante, de 34 anos, é a primeira mulher trans no Brasil no cargo que exerce há oito anos. Há quatro anos se descobriu trans após passar por uma crise de depressão. Passou por um tratamento durante três anos, período no qual decidiu afastar-se do trabalho, e há seis meses retornou já com a nova imagem.
“Antes de voltar a voar, trabalhei internamente [na área administrativa] porque estava trocando a minha documentação. A empresa ainda estava meio sem saber como fazer porque era o primeiro caso, mas foi tudo feito da melhor forma”, disse ela em entrevista ao UOL.
Além de Nicole, outras duas mulheres trans exercem funções na companhia aérea, porém, não como comissárias. “Quem não sabe da minha história nem percebe. Para quem sabe eu sou super bem aceita”, contou.
Apesar da conquista, Nicole reconhece que o mercado de trabalho não é tão solícito para as pessoas transgêneros. “A gente tem qualificação profissional e capacidade para exercer qualquer profissão. Só que, infelizmente, o preconceito das pessoas acaba deixando a gente de lado”, lamentou.
Universidade Federal do Sul da Bahia terá cota para estudantes trans e travestis
A Universidade Federal do Sul da Bahia anunciou no último mês que terá uma cota para estudantes trans dentre as 280 vagas em graduações. O ingresso é para o segundo semestre letivo de 2018.
A criação das cotas segue o a motivação e o modelo de outras reservas de vagas, como para indígenas e quilombolas, quando não há representatividade entre os selecionados. Cada um dos grupos tem direito a uma vaga em cada colégio universitário.
O processo é para a Área Básica de Ingresso das Licenciaturas Interdisciplinares de 1º ciclo da Rede Anísio Teixeira de Colégios Universitários. Vão desde a área como Licenciatura interdisciplinar em Artes e suas tecnologias; em Cicências Humanas e Sociais e suas Tecnologias; em Matemática e Computação e suas Tecnologias.
Os colégios universitários estão em Ilhéus, Itabuna, Ibicaraí, Coaraci, Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Itamaraju. Para conseguir ingressar no acesso reservado, é preciso ter realizado o Exame Nacional do Ensino Médio de 2017 ou 2016.
As inscrições serão efetuadas exclusivamente no site da UFSB, entre os dias 22 e 26 de março. O início das aulas está previsto para o dia 04 de junho.