Zane 21 Kat
“O que você quer?”
 Conto #1 - Zane Zatara e Kat WayneÂ
Era uma tarde para inicio de noite na Base de Operações da Justice Reborn, naquele horário nĂŁo havia muitas pessoas naquele lugar e as que estavam sabiam que aquele era o horário em que certo mago gostava de ter sĂł para si.Â
Na verdade, quando Zane ficava muito tempo na base de operações em seu tempo livre tudo o que mais presava era por seus momentos de repouso em que poderia aproveitar e fazer o que quer que queira sem ser interrompido.Â
PorĂ©m, algo tinha mudado naqueles Ăşltimos dias e o rosto de Zane se tornara mais frequente do que antes.O mago estava naquele lugar já há uma semana sendo que atĂ© entĂŁo nĂŁo haviam vindo tocar no assunto.Â
Ninguém falara a respeito disso ou viera lhe perguntar o que estava acontecendo. Uma parte de Zane acreditava que muitos só pensassem que ele era o primeiro a chegar quando as reuniões eram marcadas. Isso era respeito, ou será que só não se importavam com ele? Quem pode culpá-los, afinal foi Zane Zatara que havia criado essa barreira que costumava afastar as pessoas de si mesmo.
Zane estava devidamente sentado na sua poltrona localizada em sua sala de descanso. Na verdade as salas eram quase dormitórios, afinal dispunham de camas para aqueles que quisessem dormir entre uma missão e outra. Tinha uns tempos que Zane vinha dormindo ali, talvez ele fosse a pessoa que ficava hospedado nas instalações do quartel general por mais vezes do que o restante da equipe.
Ele suspirou enquanto desviava a leitura de seu livro e fitava o vazio com uma expressão contemplativa. Fazia meia hora em que estava parado na mesma página, sem conseguir avançar. Esses problemas triviais lhe incomodavam demais. É claro, que já deveria ter previsto aquela crise financeira.
Desde que tinha saĂdo de casa, Zane nĂŁo costumava ficar muito tempo no mesmo lugar por precaução. Porque nĂŁo se sentia seguro devido aos inimigos que havia feito durante o seu tempo como um integrante da Darkness Justice e anterior a essa Ă©poca quando ainda era apenas um aprendiz que seguia os ensinamentos de John Constantine.
Quartos de hotéis e apartamentos baratos, essas eram geralmente a escolha perfeita para alguém que queria sempre estar em movimento. Mas como faria isso agora que estava ficando sem grana? Suas economias estavam acabando e ele certamente não queria voltar para a casa de sua mãe.
Foi entĂŁo que ouviu trĂŞs batidas seguidas em sua porta e isto fez com que despertasse de seu devaneio. Zane fechara o livro, o deixando de lado em seu criado mudo e se ergueu despretensiosamente de sua poltrona. Ele guardou rapidamente seus Ăłculos de leitura na gaveta do mesmo mĂłvel, aos seus ouvidos ainda soava o ruĂdo das batidas que tornaram a se repetir.
Aquelas batidas nĂŁo soavam como uma urgĂŞncia apesar de insistentes, apenas alguĂ©m que claramente queria demonstrar que nĂŁo pararia atĂ© ser atendida. Ele desbloqueou a porta no leitor biomĂ©trico, entĂŁo viu o momento em que automaticamente ela abriu-se para dar a visĂŁo de quem era o seu visitante inesperado.Â
No caso, a visita tratava-se de Katherine Wayne. A garota vestia trajes civis e trazia em mĂŁos uma bandeja com o que parecia ser algumas xĂcaras e uma garrafa tĂ©rmica.
- O que você quer? – soou Zane secamente.
- Eu acho que você o que está querendo dizer é: “Olá, Katherine. Que surpresa... Como você está? – Falou Kat. - “O que você deseja?” Ela soou sarcástica enquanto corrigia o mago em uma péssima imitação de sotaque britânico – “Por favor, entre”.
- Está bem, eu só quis ser direto. Sem tantas formalidades. – respondeu Zane enquanto dava caminho para que a garota entrasse – O que a traz até aqui? E não sei se você viu o horário, está meio tarde para tomar café.
- Eu na verdade, trouxe-lhe chá. – respondeu Kat enquanto colocava a bandeja sobre a cama – Você sabe, achei que você fosse gostar de uma bebida quente enquanto lia. – Ela então sentou-se na cama e pegou o livro que o rapaz estava lendo – Hum... O Retrato de Dorian Gray. Você tem bom gosto, nunca li... – Ela então o encarou - Mas eu adoro a adaptação que fizeram para filme.
- Você não veio até aqui para falar sobre meus gostos de leitura nem para me oferecer chá – disse Zane sentando-se novamente em sua poltrona – iuqa orvil. – E o livro que encontrava-se na mão da garota simplesmente voou na direção da mão erguida do mago. – Você precisa de minha ajuda para algo?
- Você não consegue ser gentil mesmo, não? – respondeu Kat dando um meio sorriso – São comportamentos assim que fazem a nossa convivência nem um pouco fácil. Mas de qualquer forma, como mencionou... – Ela suspirou enquanto servia-se de uma xicara de chá - Eu estou apenas sendo formal. A verdade é que... Eu não lhe vim pedir nada dessa vez.
- Aà temos algo inesperado – respondeu Zane dando um meio sorriso – As pessoas geralmente me procuram quando precisam de algo de mim. Surpreendemente que não seja esse o caso.
- CĂnico – riu Katherine. Enquanto oferecia ao colega de equipe uma xicara de chá – Espero que goste, fui eu mesma quem fez. – E Zane aceitou ainda com um olhar inquietante na direção da garota.
- EntĂŁo, sem mais formalidades... – insistiu Zane enquanto tomava um curto gole da bebida. – Chá Verde... – Ele observou dando um novo gole – Nada mal para uma americana. – EntĂŁo deixou a xĂcara de lado enquanto cruzava as pernas para encará-la. – Vou perguntar novamente: O que vocĂŞ quer? Â
- Você está com algum problema? – disse Kat, não em um tom como se estivesse com raiva ou mesmo irritada. Era uma voz neutra e claramente preocupada. – Você sabe, sei que não me vê como uma amiga sua... – Ela fez uma pausa então também deixando sua xicara de lado e enquanto ajeitava-se na cama para poder encarar Zane melhor. – Mas eu não preciso ser sua amiga para saber que há algo de errado com você.
- NĂŁo há nada para se preocupar – respondeu Zane. Talvez, ele sĂł nĂŁo tenha sido bom o bastante para esconder a sua surpresa frente aquelas palavras vindas lĂder de sua equipe. – NĂŁo sei o que te fez pensar que havia algo de errado comigo.
- Mesmo? Sabe... Você já foi um mentiroso melhor, Zatara. – respondeu Kat enquanto levantava-se da cama e se aproximava para encará-lo de perto – Você menospreza meus talentos de detetive, se acha que eu não sou capaz de perceber sinais tão claros quanto os que você tem demonstrado nos últimos dias. Diga-me, de quem você está se escondendo?
- De ninguém. – respondeu Zane – Essa foi sua melhor dedução? – debochou o mago enquanto erguia-se de sua poltrona e começava a manter distancia dela - Que havia alguém atrás de mim? Sério, você já foi uma detetive melhor. – Soou sarcasticamente enquanto voltava as costas para ela. – Agora, se você não tem mais nada para me dizer...
- Então, não é um problema referente a sua segurança – disse Kat – Bem, nesse caso resta-me a opção mais convencional que é de que talvez toda essa vida de jovem adulto independente tenha pagado o seu preço. Está sem nenhum trocado no bolso, não é?
- Como é? – questionou Zane tentando parecer confuso com aquele questionamento. – Você não sabe o que diz.
- VocĂŞ tem ficado mais tempo na base do que estamos acostumados, tenho certeza que vejo mais coisas em nossa geladeira do que de costume... – respondeu Kat enquanto impedia que Zane saĂsse do quarto - E a maioria delas pertence a vocĂŞ. E mais do que isso, eu tenho registros filmados bem como os registros de entrada e saĂda. E adivinha sĂł? Os seus sĂŁo bem variantes. Em especial nessa Ăşltima semana. Â
- Maldita tecnologia – respondeu Zane. Ele não era o maior fã ou o mais atualizado quando tratava-se de entender equipamentos tecnológicos, grande parte disso devia ao fato de que sua magia por vezes se tornava instável perto deles. – Então, é isso? Está me pondo contra a parede?
- Você admite que estou certa? – respondeu Kat cruzando os braços com um ar de vitoriosa – Então, estou. Posso ver no seu olhar isso... Enfim, saiba que eu sou a única quem sabe disso... – Ele olhou-a desconfiado - Não conversei com mais ninguém a respeito.
- Grayson? – questionou Zane – Por favor, nĂŁo tome credito inteiro por algo sendo que provavelmente o seu namorado teve parte disso. – E o mago deu um meio sorriso cĂnico – Oh, sim. Eu conheço vocĂŞs o suficiente para saber que trabalham juntos. E tambĂ©m se vocĂŞ citou os registros de acesso, certamente foi porque o ruivo te mostrou.
- Certo, o James teve parte nisso sim. – respondeu Kat – Mas ele também prometeu que não ia contar a ninguém porque eu lhe fiz dar sua palavra. E eu sei que ele vai cumprir. Aliás, o palpite de que você poderia estar se escondendo de alguém era dele.
- Idiota – disse Zane – Se eu estivesse me escondendo de alguém, acha que já não teria dado um jeito nisso fosse sozinho ou com a ajuda de vocês? – Ele tornou a virar-se e sentou-se novamente em seu lugar. – Bem, você venceu. Descobriu sobre a minha crise financeira. Parabéns, você quer uma medalha ou algo assim?
- Zane... Por que você não nos procurou e conversou conosco sobre isso? – respondeu Kat – Sei que confia em nós para lutarmos ao lado um do outro... E eu confio em você. Porém... Mesmo que isso não seja algo que esteja relacionado com a sua vida de herói. Ainda assim, eu quero que você saiba que somos uma equipe. E se tem alguma coisa acontecendo então se sinta a vontade para me procurar para desabafar ou mesmo pedir ajuda. Mesmo em questões que talvez, você seja orgulhoso demais para pedir ajuda.
- Eu não quero a sua ajuda – disse Zane – Olha, ninguém falou que essa vida seria fácil. Todos têm as suas despesas e as minhas acabaram acarretando nisso. Mas eu não quero a sua caridade, Wayne.
- Eu nĂŁo ia te oferecer caridade – disse Kat – Eu ia te oferecer apoio. VocĂŞ está passando por um mal momento, nĂŁo? PorĂ©m, nĂŁo precisa passar por isso sozinho. NĂŁo seja orgulhoso ao ponto de achar que pode resolver tudo por si mesmo. NĂŁo Ă© como se eu estivesse feliz em saber que vocĂŞ está nesse momento difĂcil... NĂŁo estou. Eu quero te ajudar.
- Como? – disse Zane.
- Lhe dando a chance de ganhar o seu próprio dinheiro – disse Kat enquanto puxava um cheque – É um empréstimo, você pode investi-lo da maneira que achar melhor. Abra um negócio. Algo que você goste de fazer... – ela deu de ombros - Não sei.
- Caridade – disse Zane enquanto observava o cheque – Não, obrigado. Ogof. – E o pedaço de papel pegou fogo diante dos olhos da herdeira bilionária que não parecia nem um pouco surpresa.
- Certo, eu não queria ter que fazer isso. – falou Katherine suspirando irritada enquanto começava a digitar alguns números em seu celular – Depois não diga que eu não te dei uma chance de fazer o certo. – Então a outra pessoa atendeu a chamada.
- Para quem está ligando? – questionou Zane.
- Alô, Zatanna? – disse a garota enquanto se afastava e ia saindo do quarto – Aqui é a Katherine Wayne. – O rapaz ficou em choque por alguns minutos - Então, acho que precisamos falar sobre o Zane.
- Você está jogando sujo comigo, Wayne. – disse Zane indo atrás da garota enquanto ela desaparecia no corredor.












