Meu ponto fraco usa vestido
Meu ponto fraco usa vestido, não... não é isso que esta pensando, segura essa mente!
Eu tenho trinta e poucos, uma cara convincente de quem não foge de nada, e uma fobia completamente humilhante: bonecas.
Sim. Bonecas você leu direito.
Pode rir, eu mesmo faço isso, longe delas, claro.
Porque o problema não é estético, nem susto passageiro.
Eu simplesmente não consigo ficar no mesmo ambiente que uma. Não é exagero dramático, é logística básica: apareceu uma boneca, eu saio simples.
Sem discussão. Sem teste de coragem. Sem esse papo otimista de “é só um objeto”.
Eu sei que é só um objeto.
Parabéns pra lógica.
Ela não resolve absolutamente nada.
Porque enquanto minha cabeça tá ali, sensata, adulta, tentando argumentar, o resto de mim já entrou em modo alerta. Ombro tenso, atenção demais, uma sensação irritante de que tem alguma coisa errada no ambiente e, aparentemente, só eu percebi.
Aquele olhar parado demais.
Aquela expressão congelada que parece, não tão congelada assim.
Não, eu não fico pra confirmar.
Eu me retiro com uma elegância (duvidosa).
E o mais curioso é esse contraste bonito e meio ridículo:
Porque é ridículo, eu sei. Um cara do meu tamanho, com esse jeito meio “não mexe comigo”, olhar afiado, postura de quem encara o mundo… travando diante de um pedaço de plástico com vestido
Eu não sou o cara que recua fácil. Eu provoco, encaro, chego perto do que incomoda, gosto da tensão, do limite sendo testado.
Mas uma boneca na prateleira me derrota sem esforço.
Eu não chego perto.
Não encosto.
Não pego.
Não fico “só um pouco pra provar um ponto” (não quero provar NADA!).
Meu corpo simplesmente decide: “a gente não fica aqui.”
E eu, pela primeira vez na vida, concordo sem discutir, claro!
Já tentei entender, juro.
Psicólogo, análise, memória de infância, nada. Nenhuma história interessante pra justificar, nenhum trauma digno de roteiro.
Só esse pavor absurdo… e completamente real.
Então eu faço o que me resta: deboche.
Transformo em piada, encaixo no personagem, finjo que é só mais um detalhe charmoso no pacote.
E, de certa forma, funciona, as vezes.
Aí não tem charme, não tem pose, não tem ironia que segure.
Porque, no fim das contas, eu posso até parecer o tipo de cara que encara qualquer coisa, mas claramente, a gente precisa respeitar os próprios limites né?!
E o meu, por algum motivo cruel e muito específico.
Usa vestido é de plástico e fica parado me encarando.
Deus me defenda!