Me rompiste tan cabron... que me diste la oportunidad de construir una nueva versión desde cero, gracias por eso.
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Me rompiste tan cabron... que me diste la oportunidad de construir una nueva versión desde cero, gracias por eso.

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Escolho ficar.
Eu tenho quase certeza de que a vida me usa de entretenimento às vezes. Tipo um reality show mal produzido onde eu sou o participante que tropeça entrando na cena mas, por algum motivo, ainda continua no jogo.
E eu tropeço mesmo.
Não é metáfora bonita, não. É literal. Já quase caí sozinho na rua olhando pro nada, já me engasguei bebendo água, já perdi o raciocínio no meio de uma frase importante… e, ainda assim, mantenho essa cara de quem tem tudo sob controle.
É um talento, vai.
Porque por dentro, tem dia que é só cansaço e dúvida brigando por espaço. Aquele tipo de silêncio que faz a gente encarar o teto e pensar se tá indo na direção certa ou só andando bonito pra lugar nenhum.
Mas eu vou. Sempre fui de ir.
Mesmo meio torto, meio cansado, meio desacreditado às vezes… eu continuo. E no meio dessas quedas e recomeços, tem uma coisa que eu aprendi do jeito mais honesto possível: na hora que aperta de verdade… quase todo mundo vai embora.
Fica vazio rápido. Silêncio demais. Desculpas bem ensaiadas.
Mas quem fica… ah, quem fica muda tudo.
Porque não fica pelo espetáculo, nem pela versão bonita da história. Fica quando eu tô no meu pior roteiro, quando nem eu tô me suportando direito.
E é aí que você entra.
Sem plateia, sem anúncio, sem fazer muito barulho, mas ficando. E eu, que tenho esse costume irritante de rir de tudo, até das próprias falhas, começo a perder um pouco dessa pose perto de você.
Perigoso isso.
Porque você começa a ver coisas que ninguém vê. O cara que parece seguro demais, mas que às vezes só queria desligar o mundo por umas horas. O cara que provoca, que chega perto devagar, que sabe exatamente como te olhar, mas que também cansa de ser o forte o tempo inteiro.
E ainda assim… eu continuo provocando.
Porque é mais forte que eu.
Eu gosto do jeito que o ar muda quando eu chego perto de você. Gosto de como você tenta manter o controle e falha só um pouco quando eu chego mais perto do que deveria. Gosto desse jogo silencioso, dessa tensão que não precisa de muita explicação.
E você sabe.
Sabe que quando eu encosto, mesmo que de leve, não é distração. Sabe que quando meu olhar demora, não é por acaso.
Eu posso ser atrapalhado com tudo… menos com intenção.
E talvez seja isso que me entrega.
No meio do caos, do cansaço, das dúvidas que eu escondo com sarcasmo… eu escolho.
Escolho ficar. Escolho me aproximar. Escolho você.
Porque no fim, entre todos os tropeços e incertezas… é curioso como eu, que vivo me perdendo por aí, sei exatamente onde eu quero parar. E sempre é em você. -Thato
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Minha casa tem o meu jeito, o que, dependendo do ponto de vista, pode ser charme ou um leve sinal de alerta.
Pouca coisa. Poucos móveis. Nada ali sobra, nada ali é por acaso.
Tem gente que entra e pergunta se ainda tô “terminando de montar”. Eu digo que sim, só pra evitar explicar que eu gosto exatamente assim: espaço suficiente pra respirar, silêncio suficiente pra pensar e zero excesso pra distrair.
A sala tem uma TV, claro. Funciona. Perfeitamente. Só não é muito usada.
Filmes, às vezes. Uma série em dias mais longos. Mas, na maior parte do tempo, eu prefiro o som seco de uma agulha encontrando um disco.
Vinil tem esse defeito bonito: não te deixa ignorar o momento. Ou você escuta ou não faz sentido.
E eu escuto.
Tenho meus discos alinhados como se fossem versões minhas espalhadas ali. Fases, humores, noites específicas que eu não comento com qualquer um. A vitrola fica ali, quase como um convite silencioso ou um aviso.
Minhas gatas já entenderam o ritual. Elas se espalham pelo ambiente como se fossem donas de tudo, o que, honestamente, não tá muito longe da verdade. Às vezes uma se enrola no sofá, a outra me observa como se estivesse julgando minhas escolhas e eu ali, com um copo de whisky sem gelo na mão.
Sem gelo. Sempre. Não tenho paciência pra diluir o que já tá na medida certa.
E é curioso como tudo ali acaba sendo um reflexo meio descarado de quem eu sou.
Direto, sem enfeite, mas cheio de intenção.
Nada grita atenção, mas tudo ali prende se você olhar direito. O tipo de lugar que parece tranquilo, até você perceber que tem alguma coisa por baixo.
Eu gosto disso.
Do silêncio que não é vazio. Da pausa entre uma música e outra. Do jeito que o ambiente muda quando alguém entra, principalmente quando alguém entra e entende.
Porque nem todo mundo entende.
Tem gente que se incomoda com o silêncio. Que precisa preencher tudo com barulho, com excesso, com movimento, com qualquer coisa que evite ficar sozinho com os próprios pensamentos.
Eu não.
Eu fico.
E quando tem companhia... Bom, aí o silêncio muda de função.
Fica mais denso. Mais interessante.
A música continua, baixa o suficiente pra não atrapalhar. O copo ainda tá na mão, mas já não é mais o foco, e o espaço, que antes era só meu, começa a se ajustar à presença de outra pessoa.
Devagar.
Sem pressa.
Porque tudo ali funciona melhor assim.
E talvez seja isso que define de verdade aquele lugar. Não é o que tem, é o que acontece ali dentro.
Sem excesso. Sem distração. Só o essencial.
E o suficiente pra deixar qualquer um que fique tempo demais, curioso pra descobrir até onde aquilo pode ir.
-Thato