Sob a chuva neon me banho
Construído feitio de ponto turístico
Vistado por vagalumes e ninfas industriais
Tombado como patrimônio privado de algum santo
Volto ao quarto de antes
Manchado de quereres e agouros
Roseirais lavagens cerebrais
O amor leve diluído no tíner
Quais das peles eu visto?
Pranto ameno furor erva cidreira?
Festival bélico de bailarino?
Uma mistura dos melhores tempos de ambos?
Revestiria-me com zelo
Da mesma forma da qual
Cultivas cortejos alheios
Às meninas dos olhos de metrônomos?
Maldizer em manifestos
O amante amorfo e mal amado
Não costura-te em meus dedos os teus anéis
Descarado corpo, formidável fórmula
Ponta por ponta
Desfio os fios do caminho que trilhei
Roubando e corroborando com a cândida
Um dedo para amaciar borboletas, o restante para a barganha
Instintivo e instável beijo
O teu querido amor esteve no forno
Absolva-o, se a carne estive mal passada
Afinal, teus dentes já estão acostumados com a dissecação...
Bailei sob o almoço dos teus irmãos
Abaixo da sobra do pão teria meus dentes cravados em fome
A garganta presa em feitiçaria de horário do relógio
Meu bom salvador, vide a mim em veias com teu céu de estanho