Sinto a sua falta. E não é algo literal. Não me sufoca, não me fere, não me desalinha. Ainda assim, sinto a sua falta. Carrego o incômodo que ficou com a sua ausência. Não vou mentir, afirmando que sinto apenas falta de saber como você está. Pois, no íntimo (ou nem tão íntimo assim), sei que você está bem e que minha ausência não te pesa. O que sinto é uma falta que, talvez, a sua presença já não fosse capaz de preencher. Acredito que seja a falta do inexplorado, da parte de você a que nunca alcancei e jamais alcançarei. Sinto falta da sensação que me invadia ao imaginar como seria o seu cheiro. Não me permito mais esse direito: o de pensar em você, o de te imaginar. Reprimo os pensamentos que ousam recordar como eram os dias contigo aqui. Não me concedo o luxo de ceder e te procurar. Não consigo pronunciar o seu nome sem que a saudade me alcance. A falta que sinto de ti é de algo que jamais vivemos ou partilhamos. Não nos apaixonamos reciprocamente, mas sinto falta do quase. Você atravessou o meu corpo e revirou a minha alma. Não me aprisionou, mas também não me deixou imune à sua ausência. Não sei descrever o que fomos, mas sei o que já não somos. Não somos um quase. E não fomos, tampouco, tudo o que eu desejei que fôssemos. Sinto a sua falta, e não gosto de sentir.
2024, J.O















