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Espanha, 30/12/2022

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Sinto a sua falta. E não é algo literal. Não me sufoca, não me fere, não me desalinha. Ainda assim, sinto a sua falta. Carrego o incômodo que ficou com a sua ausência. Não vou mentir, afirmando que sinto apenas falta de saber como você está. Pois, no íntimo (ou nem tão íntimo assim), sei que você está bem e que minha ausência não te pesa. O que sinto é uma falta que, talvez, a sua presença já não fosse capaz de preencher. Acredito que seja a falta do inexplorado, da parte de você a que nunca alcancei e jamais alcançarei. Sinto falta da sensação que me invadia ao imaginar como seria o seu cheiro. Não me permito mais esse direito: o de pensar em você, o de te imaginar. Reprimo os pensamentos que ousam recordar como eram os dias contigo aqui. Não me concedo o luxo de ceder e te procurar. Não consigo pronunciar o seu nome sem que a saudade me alcance. A falta que sinto de ti é de algo que jamais vivemos ou partilhamos. Não nos apaixonamos reciprocamente, mas sinto falta do quase. Você atravessou o meu corpo e revirou a minha alma. Não me aprisionou, mas também não me deixou imune à sua ausência. Não sei descrever o que fomos, mas sei o que já não somos. Não somos um quase. E não fomos, tampouco, tudo o que eu desejei que fôssemos. Sinto a sua falta, e não gosto de sentir.
2024, J.O
Você aguenta mais 10 anos?
O tempo permanece nublado, e minha alma tem caminhado há dias sob a chuva. Já não encontro tantas flores pelo caminho e, das poucas que restam, muitas são vencidas pelas tempestades. Nesse cenário, reflito sobre a escuridão que me alcançou e na qual, pouco a pouco, me perco.
Não importa meu estado de espírito: a música sempre encontra um jeito de me invadir. Sinto minha alma se agitar, inquieta, movendo-se conforme a melodia. Minhas células correm pelo corpo como se cada nota fosse um sopro de vida, enquanto as letras se fixam em meus pensamentos como marcas que não se apagam.
Ser aberta e intensa ao ponto de viver as músicas que escuto me fez experimentar as histórias contadas por elas. Cada letra traz um enredo; cada enredo deixa cicatrizes em mim.
Hoje, vinte e cinco de janeiro de dois mil e vinte e três, Chester Bennington deixou a sua marca em mim. Dezesseis anos após escrever “Leave Out All the Rest” e seis anos depois de partir deste mundo carnal, algo dentro de mim mudou.
Ele cantou e gritou aos quatro cantos o medo de desaparecer sem deixar razões para ser lembrado. Implorou que esquecêssemos seus erros, mágoas e dores — pediu que fosse guardado apenas o que restava de bom. Reconheceu que era “forte na superfície”, mas imperfeito como todos nós, e aceitou sua derrota.
Dez anos depois, tirou a própria vida. Dez anos. Foi o tempo que resistiu.
Eu ainda me lembro dele. Lembro das multidões que arrastava, dos gritos que incendiavam almas, inclusive a minha, cada vez que subia ao palco. Chester marcou uma geração inteira — e, mesmo assim, aceitava sua derrota.
Ninguém é suficientemente forte para apenas suportar a vida e suas dores. Prefiro acreditar que ele conseguiu ser lembrado pelo que havia de luminoso em sua existência, e que o resto foi esquecido com o tempo.
E você? Aguenta mais 10 anos? Consegue suportar a travessia, reescrever sua história, encontrar palavras que hoje não suportaria dizer?
Quero acreditar que sim.
Imagino que meus dias nublados e chuvosos existam para que eu aprenda a suportar até que o sol volte a nascer — e, quando nascer, que eu tenha tempo de contar minha história.
E você? Viveria mais 10 anos para ler?
25/01/2023 J.O
Esse texto não é sobre você. Ou sobre a dor. Também não é só sobre amor. Não é sobre superação, nem mesmo sobre perda. Esse texto é sobre mim. Sim, é sobre mim e sobre como eu passei por você. Sobre como eu me descobri perdida no abismo que encontrei no seu olhar… E me joguei. Esse texto é sobre o tempo. O tempo que não parava um só instante pra eu digerir você. Que não respondeu aos meus gritos de socorro quando eu implorava por qualquer coisa que não fosse o silêncio. Esse mesmo tempo que te levava depressa… Não me dava tempo de te fazer ficar. Enquanto só me restava teu rastro e eu o seguia, te via nos dias nublados e na chuva que tocava as folhas nas árvores. A minha pele sentia o frio que a tua ausência deixava. Mas eu continuava passando por você. Sem parada, sem descanso… Respirava cada mínimo sinal de reciprocidade e doía cada certeza que me preenchia. Tentar ler o teu silêncio foi o meu erro mais inconsequente. E então eu passei por você. Juntei todos os meus cacos. Me dei uma nova chance de perdoar o tempo. O mesmo tempo que me esmagava, me fez passar por você. Esse texto não é sobre um romance que não aconteceu. Porque você aconteceu. Você foi, mesmo não sendo. Você é, mesmo que eu nunca seja. Você sempre vai ser, ainda que não entenda, um dos amores mais lindos da minha vida. Porque não é sobre como você me viu, nem como você me viu passar. Desde o primeiro dia, foi como eu vi nos teus olhos, nesses profundos olhos, o amor que eu não sabia que ainda poderia sentir. Talvez numa outra vida nos esbarremos de novo. Talvez, e só talvez, essa não seja a primeira. Pois foi perdida nesses imensos olhos, que eu me reencontrei.
J. O. 2024

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Tem tanto de você em mim… Que eu nem me dei conta de como você entrou. Abriu levemente a porta, e me invadiu como brisa suave num dia quente. Teoricamente, não faz tanto tempo. E é como se você já se misturasse em mim, e assim trouxesse a sensação de que o que tem tanto de você em mim, em tão pouco tempo, somos nós. O nó que aperta o peito no desejo. O nó que engole palavras não ditas por medo. O nó que sufoca toda a vontade de apenas sermos. O nó do desejo de sentir e não saber sentir pouco. Se desata o peito, te sinto inteira. Se te sinto perto, me tens sem pressa. Não corro para não perder cada instante da descoberta do que sinto. Não tenho pressa em te aprender. Até que venhas, eu aguardo ansiosamente pelo teu abraço. E mesmo que não venhas, guardo para ti meus pensamentos mais puros e sinceros.
J.O 27/10/2024
“Eu acredito nas casualidades, nos encontros, nas passagens. Nas conversas que temos, nas músicas que cantamos. No que somos e nunca deixamos de ser. Eu acredito que podemos ser muito fortes, muito mais. Podemos ser como todos, e o tudo pode ser capaz. Eu quero suas mãos, suas ideias e defeitos, que me ensine o seu jeito, enquanto aprende o meu. Quero que faça sentido, que seja proibido, mas que entre nós todos não exista lei. Quero ser tudo que tem graça, que tem gosto e dá pra sentir. Quero o que mais me dá vontade, e quero vontade pra prosseguir. Quero voar, mergulhar, morrer e matar a vontade de querer.”
Esteban Tavares

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somos obras de arte inacabadas esperando alguém que consiga nos apreciar mesmo assim.
lampeja.
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Tenho me reconstruído aos poucos, em silêncio, diariamente.
Paulo Marcos
Te escrevo com atraso Como quem perde a hora, ou o jeito Em meio ao silêncio A meia verdade, a dor Da minha dor Pouco tu sabe Também pudera Eu nunca quis te falar
Te evitei pra sentir menos Mas queria sentir junto Teria sido bom, como sempre foi Porque eu senti muito Eu sinto muito E continuo a sentir Saudade
você - Tiago Iorc