‘’O Consciente pensa e o Subconsciente escreve’’
disse Vicente Chieregatti, um dos maiores grafotécnicos do Instituto de Criminalística de São Paulo.
Existe uma teoria psicológica em relação a Grafoscopia, na qual há 2 planos em nosso cérebro: a mente consciente (ou racional) e a mente subconsciente (ou irracional). No plano consciente, tomamos conhecimento do ambiente em que estamos através dos 5 sentidos. Essa mente consciente aprende por observação, pela experiência e pela educação. Sua maior função é o raciocínio lógico.
O plano inconsciente é a sede das emoções e o depósito da memória. Seu aprendizado se dá pela intuição. Este plano está ativo mesmo quando os sentidos conscientes estão adormecidos.
Quando nos referimos a grafoscopia, falamos sobre a ESCRITA. A escrita é um gesto humano aprendido a partir dos 4 ou 5 anos de idade. A mente consciente aprende todo e qualquer movimento necessário para realizar determinadas formas gráficas. Esses movimentos são transferidos para o subconsciente, que é o depósito de memória destas experiências.
Um dos elementos da escrita é a GÊNESE GRÁFICA. A Gênese é uma sucessão de movimentos involuntários determinados pelos impulsos cerebrais que dão origem à forma. É dinâmico e privativo de cada punho. É inclusive, específico da escrita porque depende das condições PSICOSSOMÁTICAS de cada indivíduo.
PSICO = origem cerebral (sistema nervoso da escrita)
SOMÁTICO = refere-se à musculatura do braço + mão.
A grafoscopia tem como objetivo detectar a autenticidade e o verdadeiro autor de uma escrita, seja num texto completo ou em uma simples rubrica. Normalmente, as assinaturas representam diversas diferenças e semelhanças, sendo assim, existe muita importância para a grafoscopia no fato da escrita ser produto do subconsciente. Pois, a perícia grafotécnica é realizada por meio de CONFRONTAÇÃO entre a peça questionada (assinatura duvidosa) e os padrões de confronto (assinatura autêntica), evidenciando disfarces e falsificações.
Através dos exames de confrontação são descritos os elementos OBJETIVOS E SUBJETIVOS da escrita.
Os elementos objetivos podem ser demonstrados pelo perito e até certo ponto são fáceis de serem reproduzidos pelo indivíduo. Os elementos objetivos são divididos em 2 grupos: Genéricos e Genéticos. São frutos da mente consciente.
Os elementos subjetivos não podem ser demonstrados, embora podem ser sentidos pelo perito, e consequentemente são os mais importantes na identificação. São frutos da mente subconsciente, pois são quase impossíveis de serem reproduzidos pelo falsário. Eles consistem em grau de habilidade e dinamismo de punho, ritmo da escrita e velocidade gráfica. Servem de reforço para a conclusão da comparação.
Portanto, entre as duas mentes, a do consciente sempre é superada pelo subconsciente, no qual o falsário deixa seu próprio grafismo nas imitações. Pois não existem duas pessoas com movimentos iguais, logo não existem grafismos idênticos.













