Cortei lirismos e cartas Entreguei metade ao passado Um quarto ao futuro E o resto ofereci à deuses do vento Ainda imerso nas águas do lago Plácidas como um reflexo Frias como as manhãs São dilúvio estáticos de santos casamenteiros Vago pela noite, atravessando como um faca Carnes, ébrios e carnavais Volto-me os olhos aos imundos Caído em júbilo e prazer em quartos escuros As torres sonham em ter os lobos na coleira Mas são os lobos que influenciam sua valsa Passos tortos como a Vênus de Picasso Sorrindo mímicas de socorro e estorvo Sereno à espera de Esfinge Em suas dúvidas e questões, naufragar-me Dentro de minha pele, encontrei você Embebida na minha garganta arranhando teu nome A criatura disforme Viera a mim com desejo Buscar-lhe o que lhe pertence E minhas pupilas dilatadas, já confessavam Fui teu, ontem e hoje Meu sentimento lhe pertence Mas não meu desejo Que enseja outros destemperos Frente ao impulso de tê-la Dei meus sinônimos e espelhos A cantei em arrependimento E fiz romance onde era somente líbido...
Os Infernos Sob a Lua, Pierrot Ruivo













