São em momentos assim que você pensa no que poderia ter feito diferente. Quando você percebe que pode morrer a qualquer minuto é que você repensa todos os seus atos. São em momentos assim que você percebe o quanto é importante se sentir vivo.
Meu coração parecia que iria sair de meu peito; sentia que poderia fazer o volante em pedacinhos, tamanha era força com que eu o segurava. Eu precisava sair vivo dessa situação. Eu precisava manter a garota que estava no carro comigo viva.
O som do helicóptero acima de nós me aterrorizava, e alguns minutos depois surgiram carros conversíveis pretos. Não havia para onde fugir. Tudo o que eu poderia fazer no momento era dirigir o mais rápido possível enquanto pensava em alguma rota de fuga.
America estava estática, sua respiração acelerada, seus olhos vidrados na estrada.
- Por favor, não tenha uma de suas panes agora, Meri. Preciso de você lúcida – ela riu e então me encarou.
- Nunca estive tão lúcida em toda minha vida. Nós vamos morrer – ela suspirou.
- Não vamos morrer, Meri. Vamos sair apenas um pouco arranhados, mas não mortos.
Ela ficou em silêncio, o que só aumentava meu nervosismo. Continuei dirigindo pelo centro de Atlanta em alta velocidade e em um momento quase capotei o carro, o que fez com que Meri desse um grito assustado.
Depois de quase termos morrido continuei dirigindo para fora da cidade. O helicóptero havia sumido de vista, mas os carros pretos costuravam pela estrada tentando nos alcançar. Em uma manobra para fugir dos carros e entrar na rodovia que levava para fora de Atlanta tive uma ideia para escaparmos.
- Você confia em mim, America?
- Com a minha vida – ela sussurrou.
- Pule para o banco de trás e fique no assento atrás do meu – ela fez o que pedi e não disse mais nenhuma palavra. Ela estava esperando por novas ordens. – Em alguns metros existe uma curva bem fechada nessa rodovia e mais a frente dela existe um penhasco. Vou entrar na curva em alta velocidade, e quando eu falar “pula” você abre a porta do carro e se joga com tudo em direção à mata. Vou pular junto com você. – acelerei o máximo que pude e em menos de um minuto consegui ver o início da curva. Virei a direção para a direita em alta velocidade e então vi o momento perfeito – Pula! – gritei e no mesmo segundo abri a porta do carro e me joguei com tudo para dentro da mata que havia na lateral da rodovia. Pelo reflexo vi o corpo de America voando na mesma direção que o meu. Caímos no chão úmido da mata com muita força e logo começamos a rolar mata adentro até que nossos corpos se chocaram com um tronco de árvore caído.
- Justin? – ela disse com a respiração ofegante.
- Aqui, Meri. – rastejei até ficar perto dela – Você se machucou?
- Não – mas era mentira. Eu conseguia sentir os arranhões profundos em meu rosto. Levantei e ajudei America a fazer o mesmo. Estava tão escuro que eu não conseguia ver seu rosto direito.
- O que vamos fazer agora, Justin? – ela se jogou em meus braços e a apertei forte contra mim.
- Sobreviver, Meri – e então senti sua respiração ir de encontro ao meu rosto. Eu sentia seus lábios próximos dos meus. Meu coração voltou a acelerar.
- Me desculpe, Justin. Por tudo – ela sussurrou. Sentia seus lábios tão próximos, pedindo para que eu os beijasse, e foi o que fiz. No momento tudo o que eu precisava era tê-la pra mim, em meus braços e com seus lábios colados nos meus. Não sabia mais quanto tempo iríamos permanecer vivos e eu não poderia morrer sem sentir seus lábios nos meus uma última vez.
Pensei que ela fosse ficar assustada, mas não. Ela correspondeu ao beijo no mesmo segundo. Não era um selinho como na primeira vez. Era um beijo calmo, doce, e tão real. Ela estava totalmente entregue. A apertei ainda mais contra mim. Era como se nossos corpos estivessem se tornando um só. Ela passou seus braços ao redor do meu pescoço e me puxou mais para si.
Eu não queria nunca que aquele momento terminasse, mas uma hora o ar nos faltou e tivemos que separar nossos lábios.
- Tudo vale a pena, Meri. Por você.
Eu não queria parar. Não queria me separar dele.
Seus lábios eram macios, seu hálito tinha cheiro de hortelã como se ele estivesse com uma balinha na boca. Eu me sentia parte dele. Eu era dele.
- Tudo vale a pena, Meri. Por você – ele disse com sua voz rouca e senti todo o meu corpo se arrepiar, e não era devido ao frio. Me agarrei mais ao seu corpo e deitei minha cabeça em seu ombro.
Eu não fazia ideia de que horas eram, nem exatamente onde estávamos. A mata estava escura e silenciosa. Tudo o que conseguia escutar eram nossas respirações aceleradas.
- O que vamos fazer agora? – perguntei enquanto tentava me aquecer no corpo dele.
- Vamos procurar um lugar para que possamos descansar sem correr perigo algum – ele acariciava meu cabelo.
Depois disso começamos a caminhar pela mata procurando algum abrigo. Eu estava congelando. Parecia que meu casaco não estava cumprindo sua função. Percebendo isso, Justin me abraçou na tentativa de me aquecer.
Eu já estava quase caindo de fome e sono, e depois do que pareceu serem séculos encontramos o outro lado da rodovia. Ficamos à margem da mesma observando se não passava nenhum carro ou se não havia helicópteros no céu. Ao perceber que não estávamos correndo perigo imediato saímos da mata e caminhamos pela rodovia até encontrarmos um hotel de beira de estrada.
Tudo o que precisávamos agora era de um banho e uma cama bem quente. Quando entramos no pequeno quarto fui direto para o banheiro, já tirando minhas roupas e entrando em baixo da água quente que caía do chuveiro. Os cortes em meu rosto ardiam quando a água quente os tocava, mas não me importava.
- Justin, consegue uma toalha pra mim? – pedi assim que percebi que não havia toalha alguma no banheiro. Eu estava tão acostumada a ter tudo esperando por mim, como era na casa de Justin, que nem me preocupei com a toalha, ou até mesmo as roupas jogadas no chão do banheiro – Justin? – ele não me respondia. Será que havia acontecido alguma coisa? Preocupada, puxei a cortina que servia como “box”, me enrolei nela e saí correndo do banheiro. Justin não estava no pequeno quarto de mobilha velha. O desespero me consumiu e não pensei duas vezes antes de ir correndo abrir a porta do quarto para procurar por Justin, dando de cara com o mesmo se preparando para abrir a porta. Ele estava todo sujo de terra, com o rosto todo arranhando. O sangue seco nos cortes, seu casaco um pouco rasgado, sua expressão cansada.
Ele entrou rápido no quarto e fechou a porta. Eu estava parada, enrolada na cortina branca e quase transparente do banheiro.
- O que você estava fazendo? – ele perguntou, totalmente confuso.
- Você não me respondeu quando te chamei, aí vi que não estava no quarto – falei, indo de costas para o banheiro, passos lentos.
- Você ia me procurar assim? E nesse frio?
- Não pensei muito no frio... – e eu realmente não tinha pensando. Eu só queria encontra-lo.
- America – ele falou baixo, com sua voz rouca. Senti um calafrio percorrer meu corpo. Ele largou a sacola que segurava em uma das mãos e caminhou rápido na minha direção. Quando ficou cara-a-cara comigo, nossos narizes encostando um no outro, nossas respirações entrecortadas, me pegou no colo me levando para dentro do banheiro, me prendendo contra a parede, entrelaçando nossos dedos, colando nossos lábios em um ato desesperado.
Eu não sabia como resistir, e nem queria fazer isso. Seus lábios nos meus, sua mão presa na minha, nossos corpos separados apenas por algumas camadas de roupas. Eu queria que ele tirasse aquelas roupas. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, porque eu tinha aqueles pensamentos perversos em minha mente, e o porquê de meu corpo reagir daquela forma tão intensa. Eu estava em chamas.
A cortina escorregava de meu corpo úmido, e eu estava ficando toda suja novamente, devido ao barro que estava nas roupas de Justin. Meu cabelo molhado grudava em meu rosto enquanto Justin me beijava de um jeito feroz, mas ao mesmo tempo doce. Separei minha mão da sua e como que por instinto comecei a abrir os botões de seu casaco.
Como quem acaba de despertar de um transe, Justin para de me beijar e me desgruda da parede, fazendo com que eu toque o chão novamente. Eu não queria que ele parasse.
(PLAY)
- Me desculpa, Meri. Eu me deixei levar – ele estava nervoso, e visivelmente preocupado. Ele estava preocupado que eu fosse me assustar e nunca mais querer olhar pra ele. Eu conseguia ver em seus olhos.
- Justin – aproximei minha boca de seu ouvido, e falei com a voz baixa, tentando soar sexy mesmo sem saber direito como fazer qualquer coisa que comece com “sex” -, eu sou sua.
Eu realmente pertencia a ele. Cada célula clonada em meu corpo era dele desde o momento em que ele me encontrou naquele beco. Eu sei que é pouco tempo para se entregar assim para uma pessoa, mas eu não queria morrer sem conhecer o amor em todos os aspectos possíveis. Eu queria ser dele de todas as formas possíveis no universo. Eu queria que ele me fizesse sua a cada segundo que passávamos juntos.
Minhas mãos ágeis deslizaram o casaco por seus braços fortes enquanto ele parecia processar o que eu havia acabado de falar e fazer, e logo depois ele mesmo tirou a blusa de manga comprida cinza que estava usando, revelando os músculos cobertos por desenhos negros. Seu peitoral definido parecia como o céu para mim. Ele não parecia real, mas no momento em que senti seu corpo me prensar novamente contra a parede percebi que aquilo era verdade, que ele me queria da mesma forma que eu o queria.
Meu corpo cheio de barro estava completamente descoberto, a cortina no chão junto com as roupas de Justin. Enrolei minhas pernas em sua cintura no momento em que ele me pegou no colo e me sentou na pia do banheiro. Suas mãos percorreram cada milímetro do meu corpo, deixando um rastro de arrepios onde passava. Ele deixou meus lábios e foi descendo os beijos fazendo com que eu jogasse minha cabeça para trás. Senti ele beijando a pequena cicatriz com a numeração do Projeto marcada a laser no local do meu coração e no mesmo instante o empurrei, fazendo com que ele chocasse suas costas na parede. Pulei da pia e fui em sua direção, nunca desviando meus olhos dos dele. Eu estava possuída por alguma coisa, mas não me importava. Deslizei minha unha por seu peitoral até chegar ao botão da sua calça jeans, em seguida o desabotoando. Um sorriso sacana surgiu em seus lábios, me fazendo sorrir da mesma forma.
Justin ergueu meu corpo nu e me levou até o pequeno quarto, me deitando na cama de casal, ficando com seu corpo por cima do meu.
- America – ele falou com a voz entrecortada devido nossas respirações ofegantes.
- Shh – e o puxei novamente para mim, selando nossos lábios mais uma vez. Durante o beijo usei meus pés para tirar a calça dele. Agora havia apenas uma camada de roupa, mas logo não restava mais nada e éramos apenas Justin e eu, e então viramos um. Ele me penetrou devagar como se tentasse não me machucar, mas mesmo assim a dor foi lancinante. Ele percebeu minha expressão de dor e então parou, me encarando preocupado. O encorajei a continuar e ele voltou a fazer movimentos lentos e aos poucos fui relaxando, a dor dando lugar ao prazer.
Ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Nossos corpos suados e sujos estavam como se fossem apenas um devido nossa proximidade. Ela havia me dito que era minha.
No momento em que a penetrei foi como se eu finalmente me sentisse completo. Todo o tempo que andei perdido, sem direção parecia que não havia existido. Ela era minha. Minha America.
Quando senti que ela estava mais relaxada intensifiquei um pouco os movimentos, fazendo com que ela gemesse baixo, e me fazendo soltar um gemido rouco. Ela enrolou suas pernas em minha cintura e se impulsionou em minha direção. Fiquei sentado na cama e ela sentou em meu membro, entrelaçando suas pernas em minha cintura novamente. Ela rebolava em meu colo enquanto eu beijava seu pescoço. Deus, eu estava enlouquecendo. Queria mais dela, e como se ela lesse meus pensamentos intensificou seus movimentos. Ela gemeu meu nome em meu ouvido e nesse momento perdi totalmente o controle sobre meus atos. A deitei novamente na cama e fiquei por cima dela, a penetrando mais forte. Eu estava quase gozando quando ela usou suas pernas para me prender contra si, me fazendo parar. Ela sorriu e então se virou, ficando por cima de mim e começou a distribuir beijos em meu pescoço e o mordeu de leve, me fazendo arrepiar. Como ela sabia tudo isso? Ela riu e então foi minha vez de rolar e ficar por cima dela, mas acabamos caindo no chão e quando fui sair de cima dela para ver se estava tudo bem ela novamente usou suas pernas para me prender, me impedindo de sair de dentro dela. Ela não queria parar. Minhas costas ardiam a cada arranhão que ela dava, mas não me importava com a dor. Me importava com seus lábios. Me importava em tê-la pra mim como nunca foi de ninguém. Me importava com o fato de ela me querer. Me importava com ela.
Ela estava completamente suada, com o cabelo desgrenhado e grudando em seu rosto. Seu corpo sujo com o barro de minha roupa. Eu estava me segurando para não parecer um animal em cima dela, mas parecia que ela queria isso. Suas unhas arranhavam minhas costas, meus braços, se prendiam em meu pescoço.
Consegui sentir ela se contrair em meu membro e meu ápice chegando junto com o dela e assim que nós dois gememos juntos, ela puxou meu rosto para si, me encarando bem no fundo de meus olhos.