Justin with America - Chronos Project
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Justin with America - Chronos Project

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09 Hurt
- O nome Kristen lhe parece familiar? – ele sorriu e meu corpo inteiro congelou. Dei um passo para trás e olhei em volta, procurando alguma saída alternativa ou algo para que eu pudesse machuca-los, mas não havia nada.
- Você parece assustada, Melanie – a garota se aproximou.
- Não me chame assim! – grunhi e a garota riu, acompanhada pelo Gasparzinho.
- Ué, por quê? Eu te chamo como eu quiser, e faço o que eu quiser com você, Melanie. Você vai nos ajudar, e se não nos ajudar logo, logo irá se juntar a nós.
- Só espero que no dia em que eu morrer não fique tão feia como você – dei um sorriso irônico e ela veio com tudo para cima de mim. Aproveitei que ela estava cega pelo ódio e fui mais rápida que ela. Prendi minhas mãos em seus cabelos e empurrei sua cabeça contra a parede. Bati sua cabeça tantas vezes que se fosse possível ela estaria sangrando. Ela pareceu ficar tonta e então seu amigo veio pra cima de mim, me pegando de surpresa. Ele jogou meu corpo com força e bati minhas costas na pia, não conseguindo conter meu grito de dor. Parecia que eu havia sido quebrada ao meio.
- Você vai fazer tudo o que eu mandar, Melanie. – ele sussurrou assim que se aproximou de mim – Se eu mandar você correr em direção à morte, você vai.
Tentava manter meu corpo dolorido em pé, minhas mãos agarrando a pia e sustentando todo o meu peso. Jade nos encarava, um pouco distante. Soltei um suspiro e me soltei da pia. O “Gasparzinho”, fantasminha nada camarada, me encarava com uma expressão desafiadora. Em um impulso prendi minhas mãos em seus ombros e proferi um chute forte nas genitais dele, mas ele apenas se contorceu de leve, mais pelo susto do que pela dor. Óbvio que ele não sentiria nada, ele estava morto, da mesma forma que Justin não era capaz de sentir meus toques, de sentir qualquer coisa. Gasparzinho aproveitou minha breve distração e agarrou meus braços com força, logo me tirando do chão e me jogando contra a parede. Gemi de dor com impacto de meu corpo e logo caí de bunda no chão. Eu não era páreo para lutar com eles, mas também não poderia simplesmente aceitar ajuda-los, sendo que quem os instruiu a me procurar fora Kristen, aquela ingrata!
- Hey, Brad! – aquela voz que eu ansiava tanto por ouvir ecoou pelo banheiro – O que ‘cê tá fazendo, cara? Jade, o que aconteceu com a sua cara?
- A vadizinha aí não sabe se controlar – ela falou, audivelmente irritada pelo comentário de Justin.
Justin se aproximou e então estendi meus braços para que ele pudesse me ajudar a levantar mas, ao contrário do que eu esperava, ele pareceu me ignorar voltando sua atenção inteiramente para o Gasparzinho, digo, Brad.
- É assim que você quer que ela tope nos ajudar? – ele sussurrou para Brad.
- Pelo o que percebi você já conhece a garota tem mais tempo e ainda não conseguiu nada.
- Eu estava sendo esperto, ao contrário de você. Ela obviamente ajudaria um amigo, não alguém que a espanca no banheiro feminino – e meu coração se fez em pedaços. Então Justin estava apenas me usando durante esse tempo? Eu era apenas um objeto, uma arma necessária? Tomada pela raiva do momento consegui levantar do chão, chamando a atenção do Gasparzinho e da Wendy tatuada. Respirei fundo, o que me rendeu uma enorme dor nas costas, mas tentei não deixar transparecer. Encarei os dois com um olhar vazio, de indiferença.
- Amigo ou não, Justin – o encarei friamente – eu nunca te ajudaria, porque pra mim você está morto e enterrado, literalmente.
Dei às costas para ele e manquei até a saída, passando por Jade, que nem se importou em me impedir. Peguei as drogas de minhas roupas no chão e deixei para trás os fantasmas daquela droga de acampamento.
Já estava escuro e não havia estrelas no céu, apenas a lua. Enquanto cambaleava pelo gramado, em direção à minha cabana, esbarrei com Math que paralisou no mesmo segundo em que me viu. Eu deveria estar péssima.
- O que aconteceu com você, Mel? – ele se aproximou, me examinando atentamente. Procurei por uma mentira convincente em meu cérebro. Soltei um suspiro.
- Escorreguei no box enquanto tomava banho. – suspirei – Mas não foi nada.
- Como não foi nada? Você ‘tá toda torta, Mel.
- E desde quando você se preocupa? – desafiei e ele bufou, me pegando no colo em seguida e fazendo com que eu gemesse de dor.
- Pare de ser idiota, Mel – ele me carregou até minha cabana, abriu a porta da mesma e em seguida me deitou na cama, voltando para fechar a porta.
Fiquei o observando em cada movimento, até quando ele se sentou ao meu lado na cama me observando também. Mathew vestia uma camiseta azul marinho e uma bermuda jeans escuro. Seu cabelo estava molhado, o que me fez deduzir que ele havia acabado de sair do banho. Soltei um suspiro pesado, porque mesmo sabendo que ele era um total idiota eu precisava agradecê-lo por ter me ajudado.
- Obrigada, Math – suspirei e ele sorriu fraco.
- Não precisa, Mel. Mesmo você sendo uma vadia, eu gosto de você. – quando ele percebeu minha expressão se fechar, quando eu estava abrindo a boca para começar uma discussão ele riu alto – Ei, eu ‘tô brincando! Você não é uma vadia.
- Eu sei, ok? – mostrei a língua e ele balançou a cabeça negativamente, ainda rindo. Resolvi me ajeitar melhor na cama, mas me arrependi no mesmo segundo. Meu corpo inteiro ardeu, inclusive minha cabeça. Odiava sentir dor.
- Deve ter sido uma queda feia – ele sussurrou e eu assenti.
- Você poderia fazer um favor pra mim, Math? – ele assentiu – Avise pras meninas que não vou ir jantar, mas não conte que estou machucada... Sabe o jeito da Suzan – ele riu e falou que já voltava.
Fiquei ali deitada olhando para o teto, tentando ao máximo evitar pensar no que Justin havia dito para o Gasparzinho. O meu corpo doía, mas não era apenas isso. Eu sentia como se meu coração estivesse ferido também. Eu me sentia traída.
Passados alguns minutos escutei um barulho no quarto.
- Foi rápido, Math. – me virei na cama para poder vê-lo mas me deparei com aquele homem vestido numa camiseta preta, de braços tatuados e um olhar triste – Ah, é você...
Justin se aproximou e se ajoelhou no chão, ao lado da cama. Meu peito doía apenas por tê-lo assim tão perto, e sua expressão triste não ajudava muito, mas eu precisava ser durona e mostrar que pra mim não faria diferença se ele estivesse ou não em minha vida. Eu iria trazer a antiga Melanie de volta.
- Você está bem? – ele perguntou e eu apenas assenti e murmurei um “aham” – Melanie, não me trate assim, por favor!
- Estou te tratando normal, Justin. – respirei fundo – É que eu estou cansada e com um pouco de dor no corpo.
- Então você não está brava comigo?
- Não teria porque eu estar brava, Justin – sorri fraco, tentando ignorar as pontadas em meu coração.
- Mas o que eu disse para o Brad...
- Pra mim tanto faz, Justin Não faz diferença nenhuma pra mim você ser meu amigo ou não, e... – fui interrompida com Mathew abrindo a porta rapidamente, sem nem bater. Nas mãos ele trazia uma bandeja, e nela havia um prato, talheres e um copo de suco.
- Suzan estranhou, Julie se preocupou, e eu trouxe isso aqui pra você – ele empurrou a porta com o pé, fazendo a mesma se fechar, e caminhou até mim enquanto me esforcei para sentar na cama. Justin havia se levantado e observava a tudo.
- Obrigada! – abri um sorriso sincero para Math. Eu estava morrendo de fome e aquela lasanha estava com uma cara ótima.
- Pra relembrar os velhos tempos – ele deu de ombros e eu ri.
- Quando você ainda era um cara legal – ele riu fraco. Ainda podia notar Justin parado ao lado da cama, mas não olhei para ele nenhuma vez.
- Eu ainda posso ser um cara legal, Mel – ele se aproximou ainda mais de mim.
Eu sabia o rumo que aquela conversa iria tomar, e não pensava em muda-lo. Eu não iria trazer a antiga Melanie de volta? Então, esse seria um ótimo começo.
- Como, Math? – tentei soar o mais ingênua possível, e acho que consegui um bom resultado.
- Assim – ele colocou sua mão em minha nuca e me puxou de leve para perto de si, colando nossos lábios. Não foi um beijo quente, mas também não foi sem graça. Depois de alguns segundos separamos nossos lábios e sorrimos.
Olhei discretamente pelo quarto e Justin não estava mais lá.
19 Worries
Os lábios de America colado nos meus. Nosso beijo apaixonado, mas ao mesmo tempo cheio de desejo. Ambos gostávamos de sentir o fogo que nos consumia cada vez que nossos corpos nus se chocavam. Tudo o que sentíamos era o amor, desejo, calor e o ar nos faltando e sorríamos como amantes prestes a ser pegos no flagra. Dois apaixonados completamente loucos um pelo outro, não importando o mundo à nossa volta. Senti-la tão entregue a mim, suspirando meu nome em meio aos gemidos que ela tentava conter, arranhando minhas costas, suas pernas enlaçadas em meu corpo suado eram as únicas coisas que me importavam no momento.
Desde a primeira vez que a vi ela já me teve. Pertenço a ela de todas as formas humanas e inumanas possíveis, assim como ela é minha de corpo e alma. Já nos pertencíamos antes mesmo de nos encontrarmos. Ela foi feita para mim, desde o início e não há como negar. Tudo o que passamos serviu para tornar ainda mais forte a certeza desse sentimento.
Estávamos deitados em nossa cama tentando regular nossa respiração, antes quase inexistente, e ter seus braços em volta de minha cintura era tudo o que eu precisava. Suas mãos acariciando meu peito nu me causando arrepios era a melhor sensação.
- Justin – ela fazia traços abstratos em meu peitoral enquanto eu acariciava seu ombro desnudo -, como será que Mary está?
Havia se passado um ano desde que finalmente conseguimos acabar com o Chronos Project e Mary era a “irmã gêmea” de America. Ela assumiu a culpa pelas vidas que ela e eu tiramos, mas não foi presa. Na verdade, muita coisa aconteceu.
Naquele fim de tarde e durante algumas semanas foi tudo uma confusão. Depois que a impressa e uma equipe de policiais apareceram no local onde se localizava a Base fomos interrogados durante horas. Eles não conseguiam entender como o Chronos fora mantido por tanto tempo sem que fosse descoberto, e infelizmente nem eu, mas contamos tudo o que sabíamos e havia acontecido naqueles dias – modificando algumas coisas, como o fato de eu ter matado Andrew e Jeremy.
O corpo de meu “pai” não foi encontrado, já que depois de alguns minutos o fogo havia tomado conta de toda a parte mecânica da Base e quase chegando ao Grande Salão, e então Jeremy foi dado como fugitivo. Eu tentava ao máximo pensar da mesma forma, assim seria uma morte a menos para carregar comigo.
America, no caso, Mary, foi uma das mais interrogadas, contando tudo o que sabia, como funcionava a vida dentro da Base e no fim foi considerada “inocente” das acusações, pois não teve a mesma educação e conhecimento da sociedade como nós, humanos “normais”, conhecíamos. Mesmo achando esse papo de “humanos normais” uma bobagem, fiquei feliz por ela ter a chance de viver sua vida, exceto pela parte que muitos cientistas queriam usar, não apenas ela, como muitos dos outros clones para “testes”, mas isso não aconteceu. Agora Mary vivia em uma pequena cidade em Georgia e tentava construir uma vida – mas sendo vigiada 24 horas por dia por guardas do governo. Todos os clones eram protegidos e estudados à distância pelo governo americano, inclusive Meri. Muitas vezes podia perceber que ela ficava um pouco incomodada com isso, mas era necessário. Durante algum tempo nossos rostos ficavam passando em vários noticiários e curiosos não faltavam.
Os “donos” dos clones não foram reembolsados por “perderem seu seguro de vida” e Julie foi presa, já que ela colaborou para o Chronos sabendo exatamente do que se tratava e como funcionava. O velho Joseph apodreceria na cadeia.
Tudo estava tomando um bom rumo na vida de todos. Meri e eu nos mudamos para Los Angeles e agora moramos em uma casa branca de dois andares, com janelas azuis e um jardim enorme já que nossa cachorra, Lola, uma labradora cheia de energia, precisava de espaço. Eu trabalhava com Ryan – que também estava morando em LA – e America estava estudando publicidade – depois de ter feito inúmeras provas atestando aptidão para o nível superior, já que ela nunca havia estudado antes.
- Amanhã ligamos pra ela, amor – falei baixo, com a voz rouca já que eu estava caindo de sono.
- Eu te amo, Justin – ela beijou meu peitoral.
- Eu te amo, Meri – e então deixei o sono me levar.
***
Era sábado e Meri e eu caminhávamos pelo bairro numa tentativa de diminuir a ansiedade. Há algumas semanas ela vem se sentindo enjoada, muitas vezes tontura e cansaço. Não podíamos correr porque logo ela ficava ofegante. Durante a última semana fomos em um médico e hoje iríamos pegar o resultado dos exames. Eu achava que um filho estava a caminho e não conseguia conter minha felicidade.
Um pouco antes da hora do almoço fomos ao médico para saber o resultado dos exames e ambos tínhamos nossas mão suadas enquanto esperávamos que chamasse o nome de America.
- America Andrews? – um senhor com o cabelo um pouco grisalho, bem baixinho e um pouco gordo apareceu à porta, chamando por ela. Balancei a cabeça negativamente ao ouvir o sobrenome que ela havia escolhido, ao invés de Bieber. Ela havia alegado que queria ter a oportunidade de trocar o sobrenome depois do casamento, como uma mulher normal. Sim, nós iríamos nos casar, mas isso ainda iria demorar um pouco.
Entramos na sala do doutor e sentamos nas cadeiras em frente sua mesa. Ele segurava alguns papéis em suas mãos e estava sério.
- E então, Doutor? – ela perguntou, a ansiedade transbordando por sua voz.
- Com todos os sintomas que você me contou que sentia acreditei profundamente que fosse uma gravidez – ele suspirou -, mas não é. Você não está grávida.
Soltei um suspiro pesado e me afundei à cadeira. America segurava suas mãos e também soltou um suspiro. Ela estava triste.
- Eu gostaria que você fizesse mais alguns exames para poder entender melhor o que você tem, senhorita Andrews – ele escrevia algo em uma folha de papel e logo entregou para America. Ela leu o conteúdo do papel e me entregou o mesmo em seguida. Ele havia escrito todos os exames que deveríamos marcar, e achei muitos. Eram raio-x, ecocardiograma, mais um exame de sangue, um de urina ressonância magnética.
- Por que tantos exames, Doutor? – perguntei, um pouco assustado.
- Para não restarem dúvidas – ele sorriu fraco.
Depois que deixamos a sala do doutor fomo em direção ao balcão da clínica e marcamos todos os exames pedidos. No carro, quando voltávamos pra casa, o silêncio predominou. Eu estava preocupado com America.
- Vamos pedir algo? – ela largou sua bolsa no sofá e pegou o telefone. Assenti fraco e voltei para o jardim em frente nossa casa, chamando Lola que veio correndo na minha direção. Meus pensamentos estavam à mil e Lola era uma boa distração. Ela ainda era filhotinha de no máximo uns seis meses, mas ela crescia rápido. Fiquei brincando com Lola até que senti Meri me abraçando por trás.
- Me desculpe – ela sussurrou, beijando meu pescoço em seguida.
- Pelo que? – me virei para que pudesse encara-la.
- Você sabe – ela baixou os olhos.
Sim, eu estava triste por ela não estar grávida, mas não era o fim do mundo. Ainda era cedo para termos um filho, de qualquer forma. Eu queria me consolidar no trabalho e que Meri se formasse e assim iríamos estruturando nossa vida e nossa família aos poucos. O que me deixava abalado não era ela não estar grávida, e sim o que ela poderia ter. O médico não iria pedir todos aqueles exames se não estivesse preocupado.
- Para de falar besteira, Meri. – a abracei forte contra mim – Estou apenas preocupado com todos esses exames.
- Não vai ser nada de mais, você vai ver.
18 Open sky
Dois tiros foram disparados, e um deles saiu da arma que estava em minhas mãos. Olhei para os dois corpos caídos no chão, o sangue começando a cobrir a superfície. Todos naquele salão estavam paralisados, mas minha maior preocupação era a ruiva que estava bem na minha frente, poucos metros distante de mim.
- Justin? – escutei aquela voz tão conhecida por mim me chamar, mas achei estranho já que America estava bem na minha frente e não tinha aberto a boca em nenhum segundo. Olhei para o outro lado do grande salão e lá estava uma garota loira, com os cabelos longos e uma roupa toda branca. Seus olhos estavam vermelhos e sua expressão se transformou em segundos de confusão para dor. Ela correu em minha direção, mas parou antes de chegar em mim, se agachando ao lado de um dos corpos, sem se importar com todo o sangue sujando suas roupas e suas mãos. Queria eu não me importar com o sangue que tinha nas minhas.
Antes de estar no grande salão eu estava lutando contra meu pai, que queria me ver morto não importasse o que seria necessário fazer para conseguir êxito. Brigávamos como selvagens, com sangue no punho, cortes por todo o rosto, chutes e socos não faltaram. Em um golpe forte, pegando Jeremy de surpresa, consegui derrubá-lo e assim que ele estava no chão chutei seu rosto com força e ele logo desmaiou. Agachei ao lado de seu corpo e procurei por uma arma, mas uma arma de verdade, e a encontrei presa na parte de trás de seu sinto. Olhei para seu corpo no chão e então todas as memórias que tinha dele se passaram em minha mente. Toda a dor, toda a decepção, todo o medo que ele me fez sentir, a dor que ele causou em minha mãe, seu egoísmo e sede pelo poder. Todas essas memórias me fizeram levantar e mirar a arma em sua cabeça. Sangue espalhado, um corpo sem vida no chão e uma morte em minhas mãos. Mais uma.
A garota loira estava agarrada ao meu corpo vazio no chão, ou melhor, no corpo dele. Ela chorava e soluçava tão alto, cada grito de dor entrando por minha pele e me fazendo sentir seu desespero e agonia.
- Fica comigo, Justin – ela falava em seu ouvido -, não me deixa! Lembra que estávamos planejando o que fazer quando fosse seguro para nós lá fora? Quero cumprir todos os planos que fizemos, Justin, e você está neles! – seu corpo tremia por conta do choro.
Ao lado do corpo dele estava Andrew, jogado no chão no meio daquela enorme poça de sangue. Ele estava morto, isso era óbvio, mas não consegui me sentir feliz ou aliviado. Me sentia culpado, sentia o peso da sua alma na minha, sentia-me como o anjo da morte.
Desviei meu olhar para America, que estava estática, sem reação alguma, seus olhos vazios e droga! Eu precisava dela consciente, ciente do que falar e fazer, mas naquele momento ela estava como na noite em que a encontrei, completamente perdida, como uma criança.
Olhei por todo o grande salão e as muitas pessoas estavam igualmente estáticas, mas no lugar do olhar vazios, seus olhos expressavam medo e confusão. O número de pessoas apenas aumentava e então a confusão se fez presente através das vozes que ecoavam pelo grande espaço, todos se perguntavam o que realmente estava acontecendo e eu iria contar.
- Preciso que me escutem! – falei alto, chamando a atenção de todos, que me olharam atentos. Larguei a arma que ainda segurava em minha mão no chão e suspirei. Eu não sabia como explicar toda a situação de uma forma clara. Tudo o que saísse da minha boca seria confuso, e tinha medo de que, ao saber o que realmente eram, pudessem se revoltar e então estaríamos perdidos. – Vocês devem estar se perguntando o que está acontecendo, quem eu sou, quem ela é – apontei para America, que no mesmo instante deu alguns passos em minha direção, se colocando ao meu lado, passando seus braços por mim cintura. Foi impossível não sorrir com aquilo, mas naquele momento o importante era contar a verdade para todas as pessoas que nos encaravam. – Meu nome é Justin Drew Bieber e o dela é America x2...
- E o meu é America x3 – olhei para o meu lado direto, oposto no qual eu tinha minha America em meus braços, e a loira estava ali, encarando todos e então virou seu rosto para mim por apenas alguns segundos, logo voltando sua atenção para a centena de pessoas que nos observava. – E o que eu sou? O que America é? Somos humanas, certo? Mas como é possível sermos tão iguais? Por que a única coisa que nos diferencia realmente é um número? Por que todos nós que moramos nessa base somos numerados?
- Por que vocês foram presos aqui? – perguntei, e então um cara alto e moreno deu um passo à frente.
- Um gás tóxico tomou conta do país e do mundo. Todos que estão aqui foram resgatados, e enquanto não for seguro lá fora permaneceremos aqui – sua voz estava cheia de convicção, certo de cada palavra que saía da sua boca.
- E quem te contou isso? – sorri de canto.
- Minhas memórias! Lembro de como tudo aconteceu, até eu inalar o gás.
- Qual é seu nome?
- Beta 25 – ele respondeu.
- Seu verdadeiro nome, não sua numeração.
- Anthony – ele falou com a voz baixa.
- Muito bem, Anthony. Você estava na sua casa, em um subúrbio de Atlanta, sentado na varanda quando uma imensa nuvem amarela tomou conta da cidade. Você tentou correr para chamar seu pai, que conversava com o vizinho, quando começou a sentir seu corpo arder, ficar fraco e então desmaiou, certo? – ele assentiu, um pouco assustado por eu saber exatamente como ele achava que tinha acontecido – Quem mais tem a mesma lembrança? – várias pessoas levantaram as mãos e então se entreolharam surpresos – Quem passou a infância em uma pequena fazenda correndo com um pequeno cachorro? Alguns se chamavam Tobby, outros Holly ou Bob – e então todos levantaram as mãos, cada vez mais assustados.
As America’s continuavam paradas, apenas observando tudo caladas. Minha America continuava assustada e a outra apenas absorvia todas as informações e percebi que ela já começava a juntar as peças do quebra-cabeça.
- Agora repito a pergunta que America fez para vocês: como as duas podem ser iguais? – apontei para a ruiva agarrada em meu corpo e para a loira que encarava todos atentamente – Vocês não são únicos! Existe mais um de cada um de vocês no mundo lá fora, vivendo suas vidas. Vocês são como um espelho. Entendem o que quero dizer?
- Você quer dizer que temos irmãos gêmeos? – uma morena perguntou.
- Estou querendo dizer que vocês foram criados e programados – suspirei. Não conseguia encontrar outra forma de contar aquilo – Vocês são clones. Duplicatas de um ser humano que teve dinheiro o suficiente para pagar alguém que criasse vocês.
- Justin? – Meri sussurrou.
- Meri? Você ‘tá bem? – a olhei nos olhos e percebi que eles estavam mais vivos. Suspirei de alívio.
- Não foi você que levou o tiro? – ela ficou na ponta dos pés e tocou meu rosto, lágrimas surgindo em seus olhos. Sorri fraco enquanto ela acariciava minha pele.
- Foi o meu Justin – a loira falou, sua voz rouca. America virou seu rosto para encarar a garota e então seus olhos foram para além dela, para os dois corpos sem vida no chão. Ela soltou meu corpo e caminhou na direção deles.
- Jeremy não tem limites – ela falou, a voz chorosa.
- Nós ainda queremos uma explicação – Anthony praticamente gritou, chamando a atenção de America, que até aquele momento parecia não ter percebido todas aquelas pessoas nos encarando.
- Que explicação você quer? – sua voz estava embargada. Ela levantou e encarou Anthony – Eu sou um rato de laboratório, ela – apontou para a outra America – é um rato de laboratório, você é um rato de laboratório, todos nós somos! Em algum momento vocês iriam parar em uma maca e teriam seus órgãos arrancados para que seus donos não corressem o risco de morrer. Nós morreríamos por eles! – ela gritou – É tudo uma mentira! Esse mundo no qual vocês acreditam não existe!
Todos começaram a falar ao mesmo tempo, visivelmente aturdidos com tudo o que lhes foi contado. Muitos gritavam contestando todas as palavras proferidas por America e eu, e pude perceber o caos se instalando. Duas portas foram abertas em um rompante e cerca de cinco homens vestidos completamente de preto surgiram segurando armas em suas mãos. Eles eram os seguranças da Base. Vi alguém se movimentar ao meu lado e então vi a loira segurando a arma que eu havia largado no chão.
BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!
Seis tiros, cinco mortos e uma gritaria total. Corri rápido na direção de America, me abaixei ao lado do corpo de Andrew e tateei à procura do seu cartão de identificação. Depois que o encontrei peguei no braço de America e a puxei comigo, correndo pelo caminho que eu havia feito para chegar até aquele salão.
- Sem pânico, pessoal! – escutei a loira gritar para todas aquelas pessoas, mas os deixei para trás. Precisava terminar o que eu havia começado.
AMERICA’S POV
Justin apertava minha mão com força, me puxando por inúmeros corredores. Descemos várias escadas, passando por lugares cheios de máquinas. Depois de descer mais uma escada que estava colada na parede, Justin desceu logo atrás de mim e foi rápido em direção à uma grande máquina azul, protegida por um vidro. Olhei por todo o lugar e então dei um grito agudo. No chão, cheio de sangue, completamente branco, quase roxo, estava Jeremy.
- O que foi isso, America? – Justin parou ao meu lado e então olhou para o corpo sem vida no chão – Ah! Tinha me esquecido que ele estava aí – ele falou, e pude perceber apenas pela sua voz que ele segurava o choro, mas não queria demonstrar fraqueza, e tentou se fazer de indiferente. Ele saiu de perto de mim e o encarei, vendo-o passar um pequeno cartão no painel que havia no vidro. Uma porta se abriu e então ele se aproximou daquela grande máquina.
- O que você está fazendo? – me aproximei o vi apertando alguns botões e então arrancando diversos fios. Faíscas começaram a sair e Justin se afastou, pegando minha mão.
- O que vim fazer aqui antes de toda essa confusão. – ele me puxou – Precisamos subir antes de tudo pegar fogo – olhei para trás e a máquina já estava sendo consumida por chamas.
Depois de subirmos todos aqueles andares paramos em um grande corredor e segurei Justin, fazendo com que parasse de correr. Apoiei minhas mãos nos joelhos enquanto tentava recuperar o folego.
Eu ainda não estava me sentindo tão bem. Depois de pensar que Justin havia sido morto, de gritar com aquelas pessoas, de ver alguém idêntica a mim atirar em cinco homens, correr por uma distância enorme, ver três pessoas mortas – sendo que uma delas tinha o mesmo rosto do homem que eu amo -, não posso dizer que estou ótima, pronta para tudo o que vier. Eu havia entrando em estado de choque no momento que escutei aqueles tiros sendo disparados, achando que Justin estava morto. Por longos minutos eu era uma criança assistindo uma grande peça de teatro, tentando entender a cena que se desenrolava em minha frente, e aos poucos, escutando as palavras que saíam da boca de Justin, fui voltando à consciência. Era muita coisa pra processar e em pouco tempo.
- America? – ele parou em minha frente, se abaixando para poder me olhar nos olhos.
- O que vai acontecer agora, já que você destruiu aquela máquina?
- Grande parte de nossos problemas estarão resolvidos. Os computadores irão parar, todo o sistema que ilude as pessoas que vivem aqui irá cair, o teto irá se abrir e o que nos resta será esperar por Ryan – ele sorriu.
- Ryan?
JUSTIN’S POV UMA HORA ANTES
Tateava pelos bolsos da roupa que o corpo sem vida no chão usava. Com lágrimas escorrendo por meu rosto finalmente encontrei seu celular. Disquei o número que eu sabia decor, da única pessoa que sempre me ajudou, não importando a situação.
- Eu já falei que não sei nada sobre ele, Jeremy – sua voz impaciente falou do outro lado da linha.
- Ryan, sou eu!
- Justin? – segundos em silêncio – Puta que pariu, viado! Você ‘tá bem? ‘Tô te procurando como cachorro procurando cadela no cio! – ele gritou, e um riso escapou de meus lábios.
- Preciso da sua ajuda, e rápido!
- Pode falar!
Contei a história resumida para ele, já que não poderia perder tempo, explicando que eu precisava que ele avisa-se todas as autoridades sobre o Chronos. Avisa-se jornais, emissoras e eu sabia que isso seria um escândalo. Eu queria que o mundo inteiro descobrisse o Chronos, e que se duvidassem era só irem ao endereço da base que eu havia lhe passado, que eles veriam com os próprios olhos.
- Mas e se não acreditarem? – ele parecia apreensivo.
- Eles vão acreditar, Ryan! Eles têm quem acreditar ou vou estar perdido!
ATUALMENTE
Chegamos novamente no grande salão e nos deparamos com o céu nublado de Atlanta. Um sorriso surgiu em meus lábios.
Eu sabia que aquilo iria acontecer. Com a pane na máquina de alimentação da base o teto se moveria, como uma saída de emergência, e das paredes surgiam escadas brancas. Como a base era subterrânea, no fim das escadas o que nos esperava era o solo daquela área deserta. Muitos já subiam as escadas e eu só queria que a polícia chegasse logo.
Caminhamos por aquele salão e encontramos a loira que olhava para tudo um pouco surpresa.
- Você está bem? – ela me olhou e arregalou os olhos, mas logo suavizou a expressão.
- Me desculpe! Ainda não me acostumei a ter alguém igual a mim e igual ao homem que sempre esteve ao meu lado – ela sorriu, mas a tristeza em seus olhos era evidente.
- Me desculpe por isso – falei, e eu realmente sentia muito. Nunca quis que pessoas inocentes morressem. Ela sorriu e então se aproximou ainda mais de mim.
- Não sinta! Eu quem disparei o tiro que matou o cara de azul, e ele disparou o tiro que matou o meu Justin.
- Mas foi eu quem – ela não me deixou terminar.
- Você apenas fez o que deveria ser feito, e não matou ninguém, ok? Você apenas nos contou a verdade e nos salvou.
- Obrigada – America a abraçou, e foi impossível não estranhar as duas se abraçando e se olhando com lágrimas nos olhos.
- Só tem lugar para uma America nesse mundo – a loira falou -, e ela é você.
- Você vai ficar bem? – Meri sussurrou.
- Apenas uma prisão diferente – e aquelas palavras arderam em meu peito. Ela não merecia aquilo, mas eu tinha que ser egoísta. Se eu admitisse a culpa que tinha, eu seria preso e então perderia America para sempre, e depois de tanto lutar para não a perder, não iria entregar os pontos tão fácil.
E então o som de helicópteros e sirenes começou a invadir o local. Nós três subimos as escadas junto com todos os outros e então encaramos o deserto que se estendia à nossa frente, agora cheio de pessoas com suas roupas brancas encarando o mundo que as esperava, e pessoas descendo de suas viaturas enquanto outras seguravam câmeras, filmando tudo o que acontecia.
Eu observava tudo de longe, com o corpo de America grudado ao meu. Eu nunca mais a largaria. Nunca mais a perderia de vista nesse mundo imenso.
- Acha que agora vamos ter paz? – ela sussurrou, observando tudo, assim como eu.
- Você nunca vai me deixar em paz – ela me olhou e um sorriso lindo surgiu em seus lábios.
Toda a dor sempre valeria a pena, no final.
17 Justin?
Eu poderia jurar que estava me olhando em um espelho, não fossem as roupas totalmente diferentes e o cabelo loiro e longo que ela tinha. Nossas feições eram idênticas, a incredulidade nos dois rostos que agora se encaravam.
- Quem é você? – ela falou em um sussurro.
- Me chamo America – sorri de canto -, e você?
Ela me analisou dos pés à cabeça e deu um passo para trás. Fiquei a observando e tive que admitir: loiro não lhe favorecia muito.
- America x3 – ela falou.
- Temos um pequeno problema aqui, não é? – dei um passo na sua direção, minha voz num tom um pouco debochado.
- Como isso é possível? – na sua voz tudo o que senti foi medo. Ela falava como eu logo que Justin me encontrou.
- Pelo visto não contam muitas coisas pra vocês, não é? Você sabe onde está a America x1?
- America x1? – a confusão ficou ainda mais evidente em seu olhar.
- Bom, você é a America x3 e eu sou a America x2... A x1 deve estar em algum lugar, certo?
- Isso não é real – ela sussurrou e então fechou os olhos bem forte. No mesmo segundo fui rápido em sua direção, lhe acertando um soco do lado direito e então a joguei contra a parede, fazendo com que ela desmaiasse. Eu não queria ter que machucar alguém como eu, mas ela não poderia ficar andando por aí enquanto eu tentava encontrar Justin. Só uma America poderia encontra-lo.
ANDREW’S POV
Ainda não conseguia acreditar na atitude que America tinha tomado. Ela nunca foi assim, violenta dessa forma. Ela sempre foi doce, calma, um pouco assustada às vezes. Inteligente eu sempre soube que ela era, não era à toa que queriam mata-la, mas nunca a imaginei lutando daquela forma, com os olhos verdes tão cheios de ódio e dor. Ela não sabia o que estava fazendo de verdade, ela apenas agia por instinto, e seu instinto era o mesmo que o de Julie Baker, a dona do rosto que America levava consigo.
Julie, cerca de três anos atrás, era minha namorada – quase noiva – e estávamos muito felizes juntos, até que de uma hora para outra ela começou a agir de forma diferente comigo. Seu temperamento sempre fora um pouco explosivo, e sua personalidade um pouco egoísta, mas do nada tudo isso se intensificou e então descobri que ela estava tendo um caso com Matt. Lembra do Matt, meu irmão o qual America matou para conseguir fugir? Ele mesmo! Nada mais irônico não é? Ser morto pelo rosto que estaria te esperando em casa.
Fora Matt que insistira para Julie ser a primeira pessoa a ter uma duplicata, garantindo que ela ganharia uma boa quantia e se algum dia ela ficasse doente ou qualquer coisa muito grave, ela não iria morrer, pois teria alguém para doar órgãos 100% compatíveis, e logo depois me envolvi no Chronos, ainda sem saber que se tratava de um abate humano.
Eu já tinha saído da sala em que America havia me deixado atirado no chão, e agora procurava por ela e Justin em todos os lugares possíveis e impossíveis da Base. Não deveria ser tão difícil encontra-los já que eu conhecia o lugar melhor que eles.
- Senhor, você está bem? – um dos guardas apareceu de súbito em minha frente, provavelmente assustado com as marcas em meu rosto.
- Estou ótimo – sorri fraco e continuei meu caminho, procurando por aqueles dois.
AMERICA’S POV
Eu já havia procurado por todos os cantos daquele lugar. Eu já estava cansada e desesperada. Encostei-me na parede e deixei meu corpo deslizar pela mesma até que eu sentasse no chão. Respirei fundo diversas vezes tentando me acalmar e então senti lágrimas escorrerem por minha face. O que eu estava fazendo, afinal?
Cerca de duas semanas atrás Justin e eu éramos apenas duas pessoas em seu apartamento, comendo pizza e conversando, nos protegendo, e agora cada um estava em um canto diferente lutando por sua vida, lutando um pelo outro. Lutando com o nosso maior inimigo, prontos para derrota-lo e então sermos capazes de seguir nossas vidas.
Até agora, desde o momento em que cheguei na Base, a única coisa que fiz foi agir como uma pessoa louca, apenas querendo sobreviver. Eu era uma pessoa forte e com coragem, mas não a selvagem que fui.
O que Justin pensaria se me visse lutando como lutei com Andrew, jogando contra parede alguém tão semelhante a mim? Agora que eu estava mais calma a realidade me invadia tão rapidamente, me fazendo desmoronar.
Eu não poderia me deixar abater, me deixar levar pelo nervosismo como fiz quando fugi da Clark. Eu precisava me levantar e continuar procurando por Justin, e foi o que fiz. Levantei e fiz todo o caminho de volta por aqueles imensos corredores. Próximo do quarto no qual eu havia trancado minha irmã – se é que eu posso chama-la desse jeito, ou qualquer outro – eu podia escutar seus gritos e os murros que ela dava na porta. Continuei caminhando, olhando fixamente para o fim do corredor desejando que ela me perdoasse depois que estivesse livre para viver sua vida no mundo lá fora.
Desci as escadas que levavam novamente para aquele salão enorme e cheio de clones. Assim como da primeira vez que passei por ali todos me encaravam curiosos. Parei bem no centro do grande salão e então olhei em volta, dessa vez analisando todos os cantos possíveis com cuidado e atenção. Algo me dizia que era minha última chance.
- Que cabelo é esse, America? E essa roupa – olhei para o lado e uma jovem, de aparentemente uns 20 anos, loira e de cabelos bem curtinhos, estava parada me olhando de uma forma preocupada.
- Eu preciso da sua ajuda – sussurrei. – Preciso encontrar uma pessoa, e é urgente.
- America? – a voz que eu queria tanto ouvir finalmente chamou por mim. Olhei para trás e ele estava lá, vestido todo de branco assim como os outros. Havia uma faixa de suor escorrendo por seu rosto. Ele estava aparentemente cansado. Seu cabelo bagunçado, a roupa desajeitada o deixavam mais lindo. Ele me olhava confuso e preocupado, e então um vulto azul surgiu por trás dele, agarrando seu pescoço e apontando uma arma para sua cabeça.
- Vejo que encontrou seu amado – Andrew falou e então sorriu. Seu olho estava roxo ao extremo.
- Andrew, guarde essa arma! Não estamos só nós três aqui! – gritei, pois ele aparentemente havia esquecido dos clones espalhados pelo grande salão, todos paralisados e com os olhos arregalados.
- Logo eles irão esquecer tudo o que aconteceu no dia de hoje, America, mas aposto que você não e bom, seu Justin não vai ter como lembrar de nada.
- O que você quer dizer? – minha voz estava trêmula, meu corpo fraco.
Por que Justin não reagia enquanto Andrew conversava comigo? Por que ele ficava parado com o medo estampado em seus olhos?
- Você matou meu irmão, America. Estou apenas lhe devolvendo o favor – e então ele movimentou seu dedo no gatilho da arma e no segundo seguinte pude escutar dois tiros, um atrás do outro.

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16 Almost there
AMERICA’S POV
Andrew estava deitado, os olhos fechados, sua respiração pesada, apenas esperando o tiro que iria direto na sua cabeça. A arma em minha mão já estava destravada, apenas esperando que eu apertasse o gatilho, e então aquela sala branca logo estaria manchada em vermelho. Suspirei.
- Você não vale tudo isso, Andrew. Não vou destruir mais um pouco de mim por alguém como você – ele abriu os olhos e me encarou. Eu ainda tinha a arma apontada na sua direção. – Eu estou tão irritada agora. Tão magoada! – senti meus olhos arderem e lágrimas teimosas caírem por minha face – Confiei em você, Andrew. Justin confiou em você! – gritei – E olha só a situação em que estamos, Ands. Você vai morrer, Justin vai morrer e eu irei também. Todos nós estamos ferrados!
Andrew apenas me olhava com uma expressão assustada. Ele não tinha mais ideia do que eu faria com ele. Meu coração ainda doía com a hipótese de perder Justin.
- America – ele suspirou -, me dê mais uma chance! Eu posso ajudar Justin a sair vivo dessa, e você também!
- Agora não depende nem de você, e muito menos de mim, Ands. – baixei a arma – Não existe mais plano algum. Está tudo na mão do destino! – coloquei a arma no cós de minha calça preta – Mas uma coisa você pode ter certeza, Ands. O destino vai te fazer pagar, e caro!
JUSTIN’S POV
Já havia destruído muitas máquinas de tantas peças que arranquei das mesmas para tentar quebrar aquele vidro idiota. O medo estava presente em cada centímetro de meu corpo, em cada gota de suor que escorria por minha face. Mas eu não estava com medo por mim. Quero dizer, é obvio que eu estava com medo de morrer, mas o que mais me apavorava era America. O que estaria acontecendo com ela, como ela ficaria ao descobrir minha morte.
Passos me despertaram do transe e então olhei na direção da escada pela qual eu havia descido.
- O que faz aqui, meu filho? – sua voz grave ecoou pelo lugar e senti minhas mãos se fecharem em punho. O que ele estaria fazendo ali? Eu imaginei que seguranças fossem chegar a qualquer momento, armados e prontos para me trucidar, mas não que Jeremy chegaria todos sorrisos e com uma preocupação falsa em sua voz. Pela falsidade eu sempre esperaria, mas não pelo sorriso doente em seu rosto. Sua fisionomia estava completamente transformada. Ele estava com a fisionomia de um louco, um psicopata.
- Faço a mesma pergunta pro senhor, papai – ironizei, e apertei forte a barra de ferro que estava em minhas mão. A última parte de uma das máquinas.
- Vim ver o tamanho do estrago que você tinha feito, mas pelo visto nem para isso você é útil, não é? – ele riu e o ódio tomou conta de mim. Minha vontade era voar para cima dele e enfiar aquela barra de ferro no seu pescoço, arrancando sua cabeça, mas me controlei. Levaria essa situação de calma pelo máximo de tempo possível. Um de nós dois iria morrer, restava saber qual.
- Andrew esqueceu de me dar o cartão para abrir essa aqui – sorri de lado -, mas me ajudou a chegar muito longe. Quando você me falou desse lugar não imaginei quão bem construído e elaborado fosse.
- Falando em Andrew, o deixei sozinho na sala de observação com a sua protegida – o sorriso de meu pai se alargou ainda mais, e meu coração pareceu que iria se despedaçar.
- America? – minha voz falhou e senti a força deixar meu corpo.
- Pode ficar calmo, filho. Tenho certeza que Andrew está cuidando muito bem dela – Jeremy piscou um olho.
No momento eu não conseguia reagir, não conseguia me mover. Tudo o que se passava na minha cabeça era America e quando me dei conta de que se eu não agisse rápido ela poderia morrer ergui meu braço direto, o que eu tinha a barra de ferro em minhas mãos, e o levei direto para o rosto de Jeremy. Ele claramente não esperava por meu golpe e cambaleou para trás, visivelmente tonto pela pancada no rosto que havia levado. Sua bochecha sangrava, assim como seus lábios. Jeremy retomou o equilíbrio e então sorriu.
- Você sabe que se Andrew não a matar, serei eu a fazê-lo, não sabe?
- Você não vai viver o suficiente para conseguir sair daqui, Jeremy – falei de forma dura, como uma ameaça, minha voz alta e firme, mostrando uma coragem que eu ainda não tinha. Não me importava a coragem, eu iria matar meu pai se isso fosse preciso. Não importa a dor que irei sentir, não só na consciência, mas porque apesar de tudo ele ainda era meu pai.
- E quem irá me impedir? Você? – ele gargalhou, e então tirou uma espécie de arma da manga. Não era uma arma comum e isso havia me intrigado.
- Você sempre me subestimou, Jeremy. Nunca viu o que eu era capaz. Esse sempre foi seu maior erro! – me aproximei ainda mais dele e pude perceber que ele colocou seu dedo indicador no gatilho da pequena arma – Não seja covarde, pai! Vamos resolver isso como pai e filho, como homens. Uma luta justa – soltei a barra de ferro no chão e Jeremy me fitava completamente indeciso sobre o que fazer.
- Não sou um homem justo, filho – ele sussurrou e eu sorri.
- Disso eu sempre soube – e no mesmo segundo ergui meu punho, dando um soco de direita, muito próximo de sua fonte. – Você não é justo, e muito menos homem!
Ele caiu no chão, mas eu não o acertaria enquanto ele estivesse caído. Eu queria lutar com ele. Lutar até o ponto em que um de nós estivesse caído no chão, mas sem chances de levantar. Lutar até o momento em que um de nós não conseguisse mais respirar.
Durante anos vivi com meu pai me dizendo o que eu deveria fazer, como deveria ser e com quem deveria me relacionar. Durante anos vi meu pai traindo minha mãe enquanto ela lutava contra um câncer que aos poucos roubava o brilho de seus olhos. Durante anos fui vítima de seus preconceitos e julgamentos. Durante anos eu nunca tive um pai. Estava cansado de olhar para ele e sentir repulsa, raiva. Esses não eram sentimentos que um filho deveria nutrir por seu pai, e muito menos pena e desapontamento, que era o que sempre via nos olhos de Jeremy quando o mesmo olhava para mim. Tinha certeza que me sentiria culpado depois e que não aguentaria seu sangue em minhas mãos, mas eu iria sobreviver, custasse o que custasse.
Jeremy levantou-se de forma lenta, provavelmente ainda tonto por culpa do soco. Sua boca sangrava.
- Pegue esse pedaço de ferro inútil, Justin. Vamos ver quem morre primeiro! – ele gritou, e mesmo que eu odeie admitir aquelas palavras me machucaram. Ele realmente seria capaz de matar, e por dinheiro, ganância, egoísmo, poder.
- A primeira coisa que irá morrer vai ser o Chronos, papai – ironizei a forma como o chamei. Ele gargalhou.
- O Chronos nunca morrerá, Justin – ele continuava parado, a arma em sua mão, assim como eu.
- E o que o velho Joseph irá falar para as autoridades sobre esses seres humanos que vivem aqui?
- Nenhuma autoridade irá descobrir, Justin. Todo esse pequeno caos está acontecendo aqui dentro. Ninguém nunca descobrirá.
- Isso é o que você acha – sorri de lado, e então dei o primeiro golpe em seu braço esquerdo.
AMERICA’S POV
Abri a porta da sala de observatório e havia dois seguranças de costas para a mesma. Puxei o gatilho da arma que estava em minhas mãos, mas ao invés do tiro o que saiu da mesma foram duas mini-flechas, que atravessaram os dois seguranças de uma vez. Eles caíram no chão, e pelo fio quase transparente que prendia as flechas à arma era possível ver pequenas correntes elétricas passando por ele. Eles estavam sendo eletrocutados, e logo desmaiaram. Apertei um outro botão que havia na arma e os fios se soltaram da mesma. Desci alguns degraus e logo já estava no meio de todas aquelas pessoas assustadas por culpa do alarme que tocava e algumas luzes vermelhas piscando. Comecei a caminhar rápido por aquele lugar, procurando alguma saída e correr para encontrar Justin, mesmo não sabendo onde ele estava.
Várias pessoas começaram a me encarar de uma forma estranha, talvez por culpa de minhas roupas, já que eu estava vestida toda de preto, enquanto todos naquele lugar eram vestidos de branco dos pés à cabeça.
Depois de atravessar aquele salão enorme subi mais um pequeno lance de escadas e entrei na primeira porta que vi, entrando direto em um longo corredor cheio de portas. Caminhei por ele e logo abri outra porta e me deparei com uma espécie de quarto. Nele tinha apenas uma cama de casal e cômoda ao lado da mesma. De frente para a cama uma grande tela que ocupava toda a parede, mostrando as horas, o dia e o que seria servido no lanche da tarde. Fechei a porta e voltei a caminhar pelo imenso corredor branco e iluminado por luzes muito fortes. Abria todas as portas procurando por alguma coisa que pudesse me ajudar, mas ali era como se fosse a ala dos dormitórios.
- Hey – uma voz familiar chamou -, o que você está fazendo? – virei meu corpo na direção da voz e então travei. Eu não acreditava no que eu estava vendo.
15 Betrayal
AMERICA'S POV
Alguma coisa estava errada. O caminho não era aquele! Eles estavam me levando na direção errada! Droga! Eu deveria estar voltando para aquela prisão do setor cinco na Clark, mas não, eles estavam me levando para longe do centro, longe do lugar que eu deveria estar. O plano não iria funcionar nunca. Eu me debatia nos braços daqueles homens, tentando fugir mais uma vez, mas perdi as esperanças no momento em que me colocaram em uma grande van toda preta, meus pulsos algemados.
- Aonde estão me levando? – gritei.
- Para seu novo lar, America – Jeremy estava no banco da frente, e assim que reconheci sua voz um frio me subiu a espinha, o medo tomando conta de mim.
JUSTIN’S POV
Eu havia mentindo para America. Uma mentira que poderia custar minha vida se alguma coisa qualquer não ocorresse como planejado.
Eu não iria para a Clark e tentaria destruir o computador geral, assim causando a pane em toda indústria, e nem teria como avisar nenhuma autoridade. Eu estava indo para a base subterrânea da Clark, que ficava em uma parte deserta de Atlanta, em uma área completamente inabitada, rodeada de areia e nada mais. Quem iria ajudar America era Andrew. Ele já deveria estar na Clark esperando o momento de se juntar com a minha garota e assim acabar com meu pai.
Eu estava sozinho e era quase certo que eu não iria conseguir ver o sorriso da minha garota ao perceber que ela finalmente poderia viver. Eu não iria poder viver com ela.
Eu estava quase chegando à base e repassava em minha mente todas as instruções que Andrew tinha me dado. Se pelo menos isso ele tivesse feito para me ajudar eu não iria morrer antes de conseguir entrar.
Estacionei a moto em um lugar bem afastado da entrada do local e segui meu caminho inteiro andando. Quando cheguei à entrada não havia segurança algum, o que achei estranho. Digitei o código que Andrew tinha me dado e assim a porta se abriu. Segui pelo imenso corredor com passos lentos, tentando não chamar muito a atenção caso alguém pudesse aparecer. Incrivelmente a sorte estava do meu lado hoje. Entrei em uma pequena sala e na mesma haviam inúmera prateleiras lotadas de roupas brancas, todas idênticas. Peguei a blusa e a calça branca e logo troquei minha roupa. Aquele deveria ser o uniforme que todos os clones usavam naquele local.
Saindo da sala segui por muitos corredores, todos iguais, e no fim de um deles vi a porta que Andrew me falou para entrar. Atrás dela estava um enorme salão todo branco, o teto alto, centenas de pessoas vestidas de forma igual circulando. Eu estava no meio do caminho e ainda não tinha sido morto. Isso era ótimo!
AMERICA’S POV
- Que lugar é esse? – eu estava parada atrás de uma grande parede de vidro observando um grande salão cheio de pessoas.
- Já falei, querida. Seu novo lar, enquanto você seguir viva – Jeremy falou com calma, um sorriso doentio em seus lábios.
- Você é um monstro! – gritei e logo seus seguranças me seguraram com força – Covarde! Não acredito que você tem medo de um ratinho de laboratório! – eu gritava – Medo do que você mesmo criou!
- Fale comigo desse jeito mais uma vez e eu acabo com você agora! – ele se aproximou e os seguranças me soltaram, e então Jeremy me tocou contra a grande parede de vidro. Caí no chão no mesmo segundo, minha cabeça latejava. Levantei de vagar, a mão na cabeça, meus olhos querendo se fechar. Eu me sentia mole – Você não é nada, America! Não sei como Justin teve a capacidade de se envolver com algo como você. Mas ele também vai pagar, e de uma forma muito pior – e no mesmo momento senti meu sangue ferver de raiva e medo.
- O que você vai fazer com ele? – perguntei firme. Jeremy passou a mão de forma teatral sobre seu pescoço, como se o cortasse – Você não seria capaz de fazer isso com o próprio filho...
- Falando em Justin... Por que ele não estava com você?
- Nos perdemos na multidão... Eu procurava por ele quando você me encontrou – eu havia ensaiado aquela frase milhões de vezes, e eu teria acreditado se eu não soubesse da verdade. Justin já deveria estar dando um jeito em todos os sistemas da Clark e logo tudo estaria um caos. Andrew teria que cumprir sua parte do plano sem mim.
- Uma pena que o casal não vai poder se despedir – Jeremy fingia tristeza -, mas vou fazer questão de colocar vocês dois na mesma cova – e o sorriso estava em seu rosto mais uma vez. Ele me dava nojo e medo.
- Você vai se arrepender de tudo o que fez – falei de um jeito calmo, minha cabeça já não doía como antes.
JUSTIN’S POV
Eu já estava naquela droga havia uma hora e ainda não tinha encontrado a sala que eu queria. Eu estava em uma área que só era permitida para quem trabalhava naquele lugar. Eram corredores com pouca iluminação, com o ar muito “pesado”, quente e abafado. Muitas máquinas se estendiam pelos corredores. Minha roupa já não estava tão branca e o suor escorria por meu rosto e minha respiração estava ofegante. Olhei para frente e vi mais uma daquelas escadas que ficam acopladas na parede, levando para um andar inferior. Depois que a desci encontrei o que eu procurava: o coração daquela base subterrânea. Ele estava protegido por portas de vidro que com toda a certeza não poderia ser quebrado facilmente. O objeto era enorme e tinha no mínimo uns dois metros. Seu interior era refletido por uma luz azul. Se eu conseguisse ultrapassar as portas de vidro e chegar ao centro da máquina que alimentava a base, todo o lugar entraria em pane. Portas seriam abertas, toda a ilusão criada para aquelas pessoas acabaria, as máquinas não iriam funcionar, talvez alguém que estivesse pronto para ter ser coração arrancado de seu corpo seria poupado dessa morte. Eles iriam ver o mundo lá fora e o mundo iria conhecer o que se passava por trás de todo aquele projeto, inclusive o governo. O governo iria saber que o Projeto Chronos não era apenas incubação de células clonadas, mas sim um matadouro humano.
Tentei abrir a porta, mas não consegui nada além do disparo do alarme ecoando por aquele lugar. Olhei em volta e eu estava rodeado por diversas máquinas e então fiz o que passou primeiro em minha cabeça. Usei toda minha força e arranquei uma parte grande de uma das máquinas. Era pesado, e então o toquei contra o vidro. Mais uma vez não obtive resultado. O alarme não parava de tocar por um segundo e eu podia sentir que meu fim seria ali.
ANDREW’S POV
America não havia aparecido. Tudo estava fora de controle agora. Ela estava na Base com Jeremy, e ele iria mata-la. Eu precisava fazer algo.
Saí rápido da Clark e dirigi em alta velocidade até o deserto onde se localizada a Base. Eu iria propor uma troca, e esperava que Jeremy a aceitasse. Na verdade, eu duvidava que ele não aceitasse. O que ele mais sentia agora era raiva de Justin. Jeremy o queria morto e eu daria isso a ele com o maior prazer.
Talvez eu estivesse me tornando tão doente quando Jeremy, mas eu precisava ter America para mim, e eu faria de tudo para isso. E afinal, ela matou meu irmão! Por que eu não poderia matar seu namoradinho? Eu estava apenas devolvendo o que ela me deu.
Digitei o código de acesso no painel eletrônico de entrada da Base e atravessei aqueles enormes corredores. Fiz um caminho diferente do qual eu havia instruído Justin e então cheguei no observatório central, uma sala com todas as paredes de vidro. Ao entrar encontrei America encolhida em um canto, com uma das mãos na cabeça. Jeremy a encarava com um olhar assassino.
- Jeremy! – gritei seu nome e ele me encarou, obviamente surpreso com minha chegada – O que está acontecendo aqui?
- Você sabe muito bem o que está acontecendo – e então o alarme começou a ecoar por todos os cantos. Um dos seguranças avisou que era na máquina de alimentação central da Base. Provavelmente Justin estava tentando abrir as portas. Oh! Eu tinha me esquecido de avisar para ele que ela só poderia ser aberta com um cartão passe, como um que eu tenho.
- É seu filho que está causando esse tumulto. – falei calmamente e Jeremy me encarou agora assustado – Justin está tentando destruir o Chronos.
- E como você sabe disso? – Jeremy se aproximou sério.
- Ele me pediu ajuda, e eu disse o que ele deveria fazer para conseguir entrar aqui.
- Como assim Justin está aqui? – America gritou e então se aproximou rápido de mim. Eu conseguia sentir seu cheiro doce de morango. Os seguranças foram segurá-la, mas Jeremy fez sinal para que não o fizessem – Eu esperava qualquer coisa de você, Andrew, menos algo tão baixo como o que você está fazendo – ela me encarava com uma expressão de nojo.
- Nenhum segurança desce comigo! – Jeremy ordenou, me olhando de canto – Você fica com essa coisa, Andrew. Faça o que quiser. Preciso cuidar de meu filho – e então ele saiu da sala.
- Vocês podem sair também – falei para os seguranças que estavam na sala, e eles me obedeceram.
Jeremy não iria deixar por menos minha “traição”, mas ele estava ansioso para acabar com seu filho. Jeremy era quase um psicopata, louco por vingança. Ele não aceitava nada fora dos padrões que ele queria. Sempre foi assim!
- COMO VOCÊ FOI CAPAZ, ANDREW? – America me deu um tapa muito forte no rosto, meu corpo cambaleando devido a surpresa que senti ao ser atacado por ela – EU CONFIEI EM VOCÊ! CONFIEI QUE IRIA NOS AJUDAR! - seus olhos estava cheios de lágrimas, mas não eram de tristeza. Eu sentia sua raiva por toda a sala.
- Eu estou fazendo isso por você, America! – me aproximei dela mais uma vez – Lembra das nossas conversas? Lembra do quanto te ajudei antes de você fugir?
- Andrew – ela limpou as lágrimas. Sua voz estava divertida -, você foi um grande amigo. Obrigada por ter me ajudado na minha infância – ela sorriu -, e obrigada por me dar um lugar para dormir. E obrigada por ter entregado Justin.
- Sabia que você iria me agradecer – eu sorria, feliz por sua atitude.
- Agora finalmente eu vou poder bater em alguém de verdade! – e então fui atingido por um soco no lado esquerdo de meu rosto, e outro no direito. Ela havia praticamente voado para cima de mim, me pegando de surpresa. – Não sabe como a dor e a raiva me deixam forte, Andrew! Se soubesse não teria feito o que fez! – eu cambaleava, tonto por culpa dos golpes que me pegaram de surpresa.
- Pare com isso, America – sussurrei.
- Vamos, Andrew! Reaja! – ela me deu outro soco – Você tem cara o suficiente para ser um mentiroso cruel e sem escrúpulos, mas pra lutar com uma clonesinha de merda você não tem? Qual é! Esperava muito mais de você!
- Você não é assim, America – suas palavras pareciam ser pronunciadas por outra pessoa. Por uma pessoa que eu há muito tempo tentava esquecer. Ela parecia com Julie.
- Sempre soube que você não me conhecia o suficiente, Ands! E pelo visto eu também não sei quase nada sobre você. – ela sorriu – Por exemplo: eu não sabia que você era um covarde! Um bosta! Mais bosta do que seu irmão que nem pra sobreviver me encarou!
AMERICA’S POV
Eu estava com raiva. Eu estava caindo aos pedaços. Eu estava fora de mim.
Meu peito explodia de raiva. Explodia de dor. Eu nunca iria me perdoar se alguma coisa acontecesse com Justin. E eu não deixaria Andrew vivo para me pedir perdão. Talvez fosse algum problema genético no meu cérebro, a parte racional dele, mas quando eu ficava com raiva ou sentia necessidade de sobreviver eu apenas fazia o que deveria ser feito, e naquele momento Andrew deveria pagar pelo que fez, e ele iria pagar.
Minhas palavras sobre seu irmão causaram o efeito que eu queria e vi Andrew vindo rápido na minha direção, me atingindo com um soco certeiro no nariz. Ótimo! Meu rosto virou para o lado, o sangue caindo de meu nariz e sujando o chão branco da sala. Encarei Andrew e então sorri, sentindo o sangue escorrendo por meus lábios. Tinha certeza que a imagem que ele tinha de mim agora era apavorante para ele.
- É disso que estou falando. Finalmente você está começando a atender minhas expectativas, Ands! Agora vamos fazer um pop quiz, okay?
- O quê? – ele me olhou confuso. Seu olho já estava ficando roxo.
- Tenho apenas uma pergunta para te fazer, Ands – dei um soco em seu estômago e ele se contorceu. – Quem conquistou a America? – ele me olhou com uma expressão de dor e confusão, mas pareceu pensar na resposta. Fiquei esperando e não lhe proferi golpe algum nesse meio tempo.
- Foram os espanhóis que conquistaram a maioria da America – e eu sorri com sua resposta, e logo dei uma rasteira nele, e assim que seu corpo caiu no chão peguei a arma que estava em sua calça.
- Errado! – apontei a arma para sua cabeça – É um nome, Ands. Apenas um nome – ele suspirou e então fechou os olhos.
- Justin – ele sussurrou.
14 It's time!
Chronos underground – Base subterrânea da Clark – 2016
Jeremy Bieber POV
Eu olhava para todos os cantos, maravilhado com o que via. Eu vestia uma roupa completamente branca com detalhes azuis na lateral, como se eu fizesse parte da sociedade que vivia ali, afinal todos usavam uniforme e identificações.
A população ainda era pequena já que o projeto estava em desenvolvimento e não eram muitas as pessoas que sabiam do mesmo, até porque analisando a lei de todos os ângulos o Projeto Chronos era ilegal. Tudo deveria ser feito com a maior descrição possível.
Pessoas caminhavam calmamente, conversando entre si e sorrindo. O grande salão era todo branco e com detalhes cromados, o teto alto e muitos lugares para sentar. Todos os que estavam ali não sabiam o que realmente eram e pensavam que o mundo havia sido atingido por uma tempestade tóxica e eles eram os sobreviventes que foram resgatados pelo governo.
- Me desculpe! – alguém falou logo depois de ter dado um pequeno encontrão em meu corpo – Eu estava distraído.
Olhei para ele atentamente e pude sentir o orgulho em meu peito. Era como se meu filho estivesse parado bem na minha frente ele realmente estava, ou melhor, seu clone estava e no mesmo instante senti repulsa ao lembrar que Justin era o traidor que estava ajudando aquela maldita x2 a fugir durante essas duas semanas.
- Oh, tudo bem. – sorri e ele sorriu fraco – Qual o seu nome?
- Bieber – ele estendeu a mão -, e o seu?
- Clark – sorri e então ele soltou minha mão e apontou a cabeça de leve para um canto do grande salão.
- Preciso ir, e me desculpe mais uma vez pelo encontrão – e ele virou as costas e foi na direção do refeitório.
Ele poderia se passar facilmente por meu filho se seus braços não estivessem tão brancos sem os vestígios daquele projeto de gibi que Justin fez depois da morte de sua mãe.
Justin’s POV
Depois de uma semana eu já estava cansado de ficar dentro daquele apartamento, ainda mais com Andrew devorando America com os olhos.
O plano ainda não havia sido posto em prática porque a Clark estava atenta a qualquer movimento que acontecia na cidade. Estava vigiando qualquer vulto ruivo que andava pelas ruas de Atlanta, qualquer casal que parecia desconfiado e amedrontado. Não podíamos fazer nada por enquanto, a não ser esperar a oportunidade, mas por um lado isso era bom já que America parecia feliz com a calma que estávamos tendo depois que fugimos.
Eu amava ver a forma despreocupada que ela estava agindo, o sorriso calmo e verdadeiro que ela me dava sempre, os momentos tranquilos como o que estávamos.
- O que você está pensando, Justin? – ela estava deitada com a cabeça em meu peito, e eu fazia um cafuné nela.
- Como é bom estar assim. Nós dois juntos sem fazer nada – ela suspirou.
- Eu queria que fosse assim pra sempre – sorri -, pena que em alguns dias vamos entrar em uma tempestade.
- Mas logo tudo vai acabar e vamos ser nós dois e mais nada, Meri.
- Sem Chronos, sem Clark, sem Andrew. – ela levantou um pouco a cabeça para poder me olhar e sorriu – Apenas America e Justin.
- Sem Andrew? – a encarei um pouco confuso, afinal ela parecia tão feliz ao lado do cara que ela considerava seu amigo.
- Não sou tão boba como pareço, Drew – e então lembrei da primeira noite em que fugimos e estávamos naquele hotel de beira de estrada e certo, ela realmente não era tão boba quanto parecia -, sei que ele não é confiável quando se trata de você.
- Mas é quando se trata de você, e no momento é isso o que importa – suspirei.
- Pra mim nada importa se você não está do meu lado, Justin – a abracei forte no mesmo segundo.
Não importa o que fosse acontecer comigo, eu faria de tudo para salvar essa garota, a minha garota. Ela poderia ficar sem sentir meu cheiro, sem olhar em meus olhos e sem sentir minha mão na sua como um vício, no final ela iria apenas lembrar como um momento bom e seguiria sua vida, mas eu não iria aguentar perde-la de forma alguma. Eu já estava perdido, morto por dentro quando a encontrei e foi ela que me fez querer viver de novo, ela me deu um motivo pra querer sorrir todos os dias. Se eu a perdesse estaria morto de qualquer forma.
- Eu te amo, Meri – puxei seu rosto para perto do meu e selei nossos lábios.
- Não fale como se essa fosse a última vez – ela me deu um selinho.
- Essa é a primeira vez que falo isso. – soltei um riso leve – Você foi a primeira a falar.
- Mas não fui a primeira a me declarar e óbvio que eu tive que tomar a iniciativa. Você é muito lerdo!
- Você vai ver o lerdo – fui pra cima dela e comecei a distribuir beijos por todo o seu corpo, deixando um rastro de arrepios por onde minha boca passava. No momento em que ela soltou um suspiro profundo comecei a fazer cócegas nela, arrancando uma gargalhada deliciosa da minha garota que se contorcia tentando fugir de minhas mãos.
Andrew’s POV
Eu estava do lado de fora do quarto em que Justin e America estavam e tudo o que se ouvia dali era silêncio. Quando já estava desistindo escutei America gemer o nome de Justin e então uma corrente elétrica passou por todo meu corpo e no segundo seguinte escutei sua risada invadir o ambiente. Ela gargalhava tão alto que seria possível ouvir do fim do corredor.
- Para, para, pa-ra, Justin! – ela gritou em meio aos risos – Idiota!
Justin falou alguma coisa, mas não consegui entender já que ele não estava tão histérico.
- Eu não vou falar isso! – ela ria muito alto – Minha barriga ‘tá doendo, amor! Para!
E então as risadas acabaram e o silêncio se instalou novamente. Meu coração se contorceu ao escutar ela chamar ele de “amor”. Eu queria entrar no quarto e soca-lo até a morte, e então dar a chance de eu ser o amor dela.
Durante essa semana peguei o telefone várias vezes pronto pra ligar pro Jeremy e falar que o filho que havia traído sua confiança estava em Atlanta e completamente desligado, mas então percebia que ficaria muito na cara para America que teria sido eu o xis nove que entregou o seu “amor”, e por isso resolvi deixar o plano correr como o combinado e no fim deixar Justin para a morte cruel nas mãos de seu pai, que pelo o que falava quando nos encontrávamos na Clark não teria remorso algum em matar o filho.
- Bom dia! – falei ao ver os dois se aproximarem para tomar café na manhã seguinte.
- Bom dia, Ands – America sorriu e se sentou, Justin sentando ao seu lado.
- Tenho uma notícia! – os dois me olharam atentamente – Bom, a Clark e Jeremy acalmaram um pouco os nervos já que não há nenhuma pista sobre a localização de vocês, e vejo isso como um sinal para colocar o nosso plano em prática. O que acham?
Os dois se olharam por alguns segundos e pude perceber que Justin queria saber se America se sentia preparada para o que tinha que fazer. Ela assentiu para ele com um sorriso.
- Estamos prontos – ele falou de forma séria.
America’s POV
Estava na hora de colocar nosso plano para destruir o Chronos em prática, e mesmo não querendo mostrar nada para Justin, eu estava com medo. Muito medo de tudo dar errado, Justin se machucar e Jeremy colocar suas mãos podres em mim, me fazendo pagar da pior forma possível por ter fugido e prejudicado seu projeto que valia milhões de dólares.
Outra coisa que me preocupava muito era o interesse de Andrew em nos ajudar. Ele não queria ajudar Justin e isso me atormentava, porque isso fazia com que Justin estivesse praticamente sozinho e se algo desse errado eu não poderia fazer nada para ajudar, já que eu estaria no lado oposto da Clark fazendo a minha parte do plano.
- Pronta? – Justin me encarava enquanto eu colocava o pequeno canivete na cintura da minha calça. Segundo eles eu tinha uma grande habilidade pra acertar pessoas com objetos pequenos, mas de forma certeira. O irmão de Andrew soube disso na prática.
- Sim – falei firme, o olhando fundo nos olhos. Justin me puxou para perto de si de um jeito delicado, logo me abraçando forte. Me senti em casa. Justin era meu lar, tudo o que tinha. Ele é meu porto-seguro.
- Por favor, America, tome cuidado! – ele sussurrou e então segurei seu rosto em minhas mãos, fazendo com que o mesmo me encarasse.
- Se cuide também, Justin. Se não for por você, faça por mim. Não posso te perder.
- Tudo o que eu faço é por você, Meri.
Caminhava rápido pelo centro de Atlanta. Sempre olhando para os lados de forma nervosa, como se eu estivesse perdida. Obviamente eu estaria chamando a atenção de quem quer que estivesse observando, e essa era a intenção.
As ruas estavam cheias, pessoas caminhando de um lado para o outro apressadas e então no meio da multidão avistei vários homens de preto vindo em minha direção. Olhei para o outro lado e também havia vários homens lá. Eu estava encurralada.
13 Andrew
Estávamos correndo pela cidade de Atlanta como loucos, tentando chegar logo ao nosso destino.
Depois de muito pensar resolvemos voltar para Atlanta, já que agora teríamos um aliado: Andrew Miller, lembram dele? O cara que estava sempre ao lado do velho Joseph... O irmão de Matt, o homem que America matou para conseguir fugir. No primeiro momento achei que ele não fosse querer nos ajudar pelo fato de ela ter matado seu irmão, mas depois de tudo o que ela me contou percebi que ele a ajudaria de qualquer jeito, afinal, estava apaixonado por ela assim como eu.
America estava vestida de preto dos pés à cabeça, assim como eu. Na noite passada, antes de encontrar America enrolada em uma toalha transparente tremendo de frio, antes de a ter como parte de mim, arrombei um dos quartos do pequeno hotel e roubei algumas peças de roupa.
- Tem certeza que esse é o endereço, Justin? – ela perguntou, entrelaçando seus dedos nos meus.
- Andrew Miller, por favor? – pedi para o porteiro e ele interfonou.
- Quem gostaria? – o velho perguntou.
- Diga que é a loirinha – America sorriu, parecendo se lembrar de algo e meu coração se contorceu de ciúmes.
- Podem subir. Décimo primeiro andar.
- Eu sou o filho do chefe, mas ele é quem mora na cobertura? – falei irônico e America riu da minha cara.
- Mas você tem a garota – ela piscou e foi minha vez de rir.
Quando o elevador abriu demos de cara com Andrew escorado na parede branca do corredor, e assim que ele viu America um sorriso enorme surgiu em seu rosto. Ela soltou minha mão e foi correndo na direção dele, pulando em seus braços em um abraço apertado. Eu queria socar a cara daquele imbecil.
- America – era impossível não notar a alegria contida em sua voz -, você não é mais minha loirinha.
- Agora sou a ruiva do Justin – ela falou completamente inocente e o riso escapou de meus lábios, e então finalmente Andrew pareceu me notar naquele corredor. Sua expressão mudou em fração de segundos.
- Justin Drew Bieber – ele suspirou.
- Drew? – America me encarou sorridente – Ok! Agora tenho um apelido pra você.
Me aproximei dos dois e peguei sua mão novamente, a trazendo para perto de mim. Andrew observou isso com ódio nos olhos.
Ele já imaginava o motivo de o termos procurado e disse que ajudaria America em tudo o que ela precisasse, estando ou não ao seu alcance. Ênfase em “ajudar America”. Justin não estava incluído na lista de pessoas a serem ajudadas.
- O bom é que se precisar, America sabe lutar – ele disse animado.
- Lutar? Hey, ninguém vai bater nela!
- Exato! – ele revirou os olhos – Ela vai bater em muita gente.
- Faz tempo que não luto, And – ela sorriu como quem se desculpa.
- Não seja por isso! Tenho um campo de treinamento no andar de cima – e foi pra lá que nós três fomos. Eu sabia que Meri tinha treinamento de luta enquanto estava na Clark, mas não que ela era tipo um kickass das artes marciais.
Entramos em uma grande sala com paredes de vidro, e no centro dela havia uma espécie de ring de luta redondo e branco. Meri e Andrew se dirigiram a lados opostos, cada um se posicionando em um círculo individual e então dois hologramas surgiram no centro do ring. Ambos sorriram ao verem seus corpos computadorizados na área da luta e então começou a pancadaria.
- Temos um plano, certo? – Andrew nos encarava sério.
- Temos um plano – Meri e eu falamos juntos e então sorrimos.
Depois da luta que vi me senti seguro em envolver America no plano, mesmo a função dela não sendo tão arriscada. Já era noite e iríamos dormir no apartamento de Andrew que gentil e apaixonadamente estava nos ajudando.
Andrew’s pov
Ela estava mais linda que nunca com aquele cabelo cor de fogo. Ela parecia inatingível, forte e segura. A ver sentada ao lado dele, segurando sua mão como um vício, o olhando com um brilho no olhar e perceber que o motivo de ela ter mudado tanto e estar tão feliz era ele me matava. Deveria ser eu o cara que a faria a mulher mais feliz do mundo, e isso não era possível por culpa dele. Se ele não a tivesse encontrado no beco antes de mim ela poderia estar do meu lado, sem precisar fugir dessa forma, porque claro que eu iria dar um jeito na situação dela, e poderíamos viver felizes juntos, mas não. Ela estava feliz com ele.
Eu aceitei ajudá-la, mas ele não estava em meus planos. Se algo desse errado na parte dele de toda a armação eu não moveria uma palha para ajudá-lo, mas com toda a certeza eu iria fazer de tudo para salvar America.
- Andrew. – ela sussurrou no momento em que entrou na cozinha, se escorando na geladeira – Finalmente sei o nome do meu melhor amigo – ela sorriu.
- Fico feliz em ver que você está bem, America – sorri para ela.
- Se não fosse por Justin não sei o que teria acontecido comigo. O que seria de mim.
- Você estaria comigo, porque eu fui te procurar aquela noite – ela sorriu.
- Mas não seria a mesma coisa.
- O que você sente por ele? – deixei escapar um pouco de frustração – O que você vê nele.
- Eu sinto como se ele fosse a única coisa capaz de me manter respirando, And. Quando estou com ele parece que meu coração vai saltar de meu peito, que as borboletas em meu estômago estão em uma rebelião, que o mundo finalmente está no lugar certo. Cada célula nesse meu corpo falso pertence a ele. Eu o amo.
- Mas vocês se conhecem tem pouco tempo – e seu sorriso aumentou.
- Não importa o tempo quando se tem uma vida como a minha, And. O tempo se aplica de uma forma diferente para mim.
Ela não conseguia conter a felicidade ao falar dele. Aquilo me dava ódio daquele projeto de marginal com aspiração a super-herói.
- America? – escutei sua voz desagradável se aproximar da cozinha.
- Aqui na cozinha, Justin – ele sorriu e se virou indo em direção à porta. Ela já não estava mais com a roupa preta que usava quando chegou. Estava com um moletom num tom de vermelho e uma calça que Justin havia roubado no meio do caminho. Seu cabelo estava preso em um coque bem bagunçado e ela parecia não se importar. Quando Justin apareceu na porta da cozinha ela entrelaçou sua mão na dele e lhe deu um selinho fazendo com que o mesmo abrisse um sorriso de orelha a orelha. Os dois me davam ânsia de vômito.
- Vamos dormir, Meri? – ele não tirava os olhos dela. Era como se eu não estivesse no mesmo lugar que eles. Era como se eu não existisse.
- Boa noite, And – ela se virou e sorriu, logo saindo da cozinha.
- Obrigado por ajuda-la, Andrew – Justin falou de forma sincera e se retirou.
Ainda bem que ele sabia que eu estava ajudando apenas America e não poderia contar com muita ajuda minha.
Amanhã seria o dia em que colocaríamos o plano em prática, salvando a vida de America e destruindo a Indústria Clark.
12 Gorilla
Justin’s pov
São em momentos assim que você pensa no que poderia ter feito diferente. Quando você percebe que pode morrer a qualquer minuto é que você repensa todos os seus atos. São em momentos assim que você percebe o quanto é importante se sentir vivo.
Meu coração parecia que iria sair de meu peito; sentia que poderia fazer o volante em pedacinhos, tamanha era força com que eu o segurava. Eu precisava sair vivo dessa situação. Eu precisava manter a garota que estava no carro comigo viva.
O som do helicóptero acima de nós me aterrorizava, e alguns minutos depois surgiram carros conversíveis pretos. Não havia para onde fugir. Tudo o que eu poderia fazer no momento era dirigir o mais rápido possível enquanto pensava em alguma rota de fuga.
America estava estática, sua respiração acelerada, seus olhos vidrados na estrada.
- Por favor, não tenha uma de suas panes agora, Meri. Preciso de você lúcida – ela riu e então me encarou.
- Nunca estive tão lúcida em toda minha vida. Nós vamos morrer – ela suspirou.
- Não vamos morrer, Meri. Vamos sair apenas um pouco arranhados, mas não mortos.
Ela ficou em silêncio, o que só aumentava meu nervosismo. Continuei dirigindo pelo centro de Atlanta em alta velocidade e em um momento quase capotei o carro, o que fez com que Meri desse um grito assustado.
Depois de quase termos morrido continuei dirigindo para fora da cidade. O helicóptero havia sumido de vista, mas os carros pretos costuravam pela estrada tentando nos alcançar. Em uma manobra para fugir dos carros e entrar na rodovia que levava para fora de Atlanta tive uma ideia para escaparmos.
- Você confia em mim, America?
- Com a minha vida – ela sussurrou.
- Pule para o banco de trás e fique no assento atrás do meu – ela fez o que pedi e não disse mais nenhuma palavra. Ela estava esperando por novas ordens. – Em alguns metros existe uma curva bem fechada nessa rodovia e mais a frente dela existe um penhasco. Vou entrar na curva em alta velocidade, e quando eu falar “pula” você abre a porta do carro e se joga com tudo em direção à mata. Vou pular junto com você. – acelerei o máximo que pude e em menos de um minuto consegui ver o início da curva. Virei a direção para a direita em alta velocidade e então vi o momento perfeito – Pula! – gritei e no mesmo segundo abri a porta do carro e me joguei com tudo para dentro da mata que havia na lateral da rodovia. Pelo reflexo vi o corpo de America voando na mesma direção que o meu. Caímos no chão úmido da mata com muita força e logo começamos a rolar mata adentro até que nossos corpos se chocaram com um tronco de árvore caído.
- Justin? – ela disse com a respiração ofegante.
- Aqui, Meri. – rastejei até ficar perto dela – Você se machucou?
- Não, e você?
- Não – mas era mentira. Eu conseguia sentir os arranhões profundos em meu rosto. Levantei e ajudei America a fazer o mesmo. Estava tão escuro que eu não conseguia ver seu rosto direito.
- O que vamos fazer agora, Justin? – ela se jogou em meus braços e a apertei forte contra mim.
- Sobreviver, Meri – e então senti sua respiração ir de encontro ao meu rosto. Eu sentia seus lábios próximos dos meus. Meu coração voltou a acelerar.
- Me desculpe, Justin. Por tudo – ela sussurrou. Sentia seus lábios tão próximos, pedindo para que eu os beijasse, e foi o que fiz. No momento tudo o que eu precisava era tê-la pra mim, em meus braços e com seus lábios colados nos meus. Não sabia mais quanto tempo iríamos permanecer vivos e eu não poderia morrer sem sentir seus lábios nos meus uma última vez.
Pensei que ela fosse ficar assustada, mas não. Ela correspondeu ao beijo no mesmo segundo. Não era um selinho como na primeira vez. Era um beijo calmo, doce, e tão real. Ela estava totalmente entregue. A apertei ainda mais contra mim. Era como se nossos corpos estivessem se tornando um só. Ela passou seus braços ao redor do meu pescoço e me puxou mais para si.
Eu não queria nunca que aquele momento terminasse, mas uma hora o ar nos faltou e tivemos que separar nossos lábios.
- Tudo vale a pena, Meri. Por você.
America’s pov
Eu não queria parar. Não queria me separar dele.
Seus lábios eram macios, seu hálito tinha cheiro de hortelã como se ele estivesse com uma balinha na boca. Eu me sentia parte dele. Eu era dele.
- Tudo vale a pena, Meri. Por você – ele disse com sua voz rouca e senti todo o meu corpo se arrepiar, e não era devido ao frio. Me agarrei mais ao seu corpo e deitei minha cabeça em seu ombro.
Eu não fazia ideia de que horas eram, nem exatamente onde estávamos. A mata estava escura e silenciosa. Tudo o que conseguia escutar eram nossas respirações aceleradas.
- O que vamos fazer agora? – perguntei enquanto tentava me aquecer no corpo dele.
- Vamos procurar um lugar para que possamos descansar sem correr perigo algum – ele acariciava meu cabelo.
Depois disso começamos a caminhar pela mata procurando algum abrigo. Eu estava congelando. Parecia que meu casaco não estava cumprindo sua função. Percebendo isso, Justin me abraçou na tentativa de me aquecer.
Eu já estava quase caindo de fome e sono, e depois do que pareceu serem séculos encontramos o outro lado da rodovia. Ficamos à margem da mesma observando se não passava nenhum carro ou se não havia helicópteros no céu. Ao perceber que não estávamos correndo perigo imediato saímos da mata e caminhamos pela rodovia até encontrarmos um hotel de beira de estrada.
Tudo o que precisávamos agora era de um banho e uma cama bem quente. Quando entramos no pequeno quarto fui direto para o banheiro, já tirando minhas roupas e entrando em baixo da água quente que caía do chuveiro. Os cortes em meu rosto ardiam quando a água quente os tocava, mas não me importava.
- Justin, consegue uma toalha pra mim? – pedi assim que percebi que não havia toalha alguma no banheiro. Eu estava tão acostumada a ter tudo esperando por mim, como era na casa de Justin, que nem me preocupei com a toalha, ou até mesmo as roupas jogadas no chão do banheiro – Justin? – ele não me respondia. Será que havia acontecido alguma coisa? Preocupada, puxei a cortina que servia como “box”, me enrolei nela e saí correndo do banheiro. Justin não estava no pequeno quarto de mobilha velha. O desespero me consumiu e não pensei duas vezes antes de ir correndo abrir a porta do quarto para procurar por Justin, dando de cara com o mesmo se preparando para abrir a porta. Ele estava todo sujo de terra, com o rosto todo arranhando. O sangue seco nos cortes, seu casaco um pouco rasgado, sua expressão cansada.
Ele entrou rápido no quarto e fechou a porta. Eu estava parada, enrolada na cortina branca e quase transparente do banheiro.
- O que você estava fazendo? – ele perguntou, totalmente confuso.
- Você não me respondeu quando te chamei, aí vi que não estava no quarto – falei, indo de costas para o banheiro, passos lentos.
- Você ia me procurar assim? E nesse frio?
- Não pensei muito no frio... – e eu realmente não tinha pensando. Eu só queria encontra-lo.
- America – ele falou baixo, com sua voz rouca. Senti um calafrio percorrer meu corpo. Ele largou a sacola que segurava em uma das mãos e caminhou rápido na minha direção. Quando ficou cara-a-cara comigo, nossos narizes encostando um no outro, nossas respirações entrecortadas, me pegou no colo me levando para dentro do banheiro, me prendendo contra a parede, entrelaçando nossos dedos, colando nossos lábios em um ato desesperado.
Eu não sabia como resistir, e nem queria fazer isso. Seus lábios nos meus, sua mão presa na minha, nossos corpos separados apenas por algumas camadas de roupas. Eu queria que ele tirasse aquelas roupas. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, porque eu tinha aqueles pensamentos perversos em minha mente, e o porquê de meu corpo reagir daquela forma tão intensa. Eu estava em chamas.
A cortina escorregava de meu corpo úmido, e eu estava ficando toda suja novamente, devido ao barro que estava nas roupas de Justin. Meu cabelo molhado grudava em meu rosto enquanto Justin me beijava de um jeito feroz, mas ao mesmo tempo doce. Separei minha mão da sua e como que por instinto comecei a abrir os botões de seu casaco.
Como quem acaba de despertar de um transe, Justin para de me beijar e me desgruda da parede, fazendo com que eu toque o chão novamente. Eu não queria que ele parasse.
(PLAY) - Me desculpa, Meri. Eu me deixei levar – ele estava nervoso, e visivelmente preocupado. Ele estava preocupado que eu fosse me assustar e nunca mais querer olhar pra ele. Eu conseguia ver em seus olhos.
- Justin – aproximei minha boca de seu ouvido, e falei com a voz baixa, tentando soar sexy mesmo sem saber direito como fazer qualquer coisa que comece com “sex” -, eu sou sua.
Eu realmente pertencia a ele. Cada célula clonada em meu corpo era dele desde o momento em que ele me encontrou naquele beco. Eu sei que é pouco tempo para se entregar assim para uma pessoa, mas eu não queria morrer sem conhecer o amor em todos os aspectos possíveis. Eu queria ser dele de todas as formas possíveis no universo. Eu queria que ele me fizesse sua a cada segundo que passávamos juntos.
Minhas mãos ágeis deslizaram o casaco por seus braços fortes enquanto ele parecia processar o que eu havia acabado de falar e fazer, e logo depois ele mesmo tirou a blusa de manga comprida cinza que estava usando, revelando os músculos cobertos por desenhos negros. Seu peitoral definido parecia como o céu para mim. Ele não parecia real, mas no momento em que senti seu corpo me prensar novamente contra a parede percebi que aquilo era verdade, que ele me queria da mesma forma que eu o queria.
Meu corpo cheio de barro estava completamente descoberto, a cortina no chão junto com as roupas de Justin. Enrolei minhas pernas em sua cintura no momento em que ele me pegou no colo e me sentou na pia do banheiro. Suas mãos percorreram cada milímetro do meu corpo, deixando um rastro de arrepios onde passava. Ele deixou meus lábios e foi descendo os beijos fazendo com que eu jogasse minha cabeça para trás. Senti ele beijando a pequena cicatriz com a numeração do Projeto marcada a laser no local do meu coração e no mesmo instante o empurrei, fazendo com que ele chocasse suas costas na parede. Pulei da pia e fui em sua direção, nunca desviando meus olhos dos dele. Eu estava possuída por alguma coisa, mas não me importava. Deslizei minha unha por seu peitoral até chegar ao botão da sua calça jeans, em seguida o desabotoando. Um sorriso sacana surgiu em seus lábios, me fazendo sorrir da mesma forma.
Justin ergueu meu corpo nu e me levou até o pequeno quarto, me deitando na cama de casal, ficando com seu corpo por cima do meu.
- America – ele falou com a voz entrecortada devido nossas respirações ofegantes.
- Shh – e o puxei novamente para mim, selando nossos lábios mais uma vez. Durante o beijo usei meus pés para tirar a calça dele. Agora havia apenas uma camada de roupa, mas logo não restava mais nada e éramos apenas Justin e eu, e então viramos um. Ele me penetrou devagar como se tentasse não me machucar, mas mesmo assim a dor foi lancinante. Ele percebeu minha expressão de dor e então parou, me encarando preocupado. O encorajei a continuar e ele voltou a fazer movimentos lentos e aos poucos fui relaxando, a dor dando lugar ao prazer.
Justin’s pov
Ainda não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Nossos corpos suados e sujos estavam como se fossem apenas um devido nossa proximidade. Ela havia me dito que era minha.
No momento em que a penetrei foi como se eu finalmente me sentisse completo. Todo o tempo que andei perdido, sem direção parecia que não havia existido. Ela era minha. Minha America.
Quando senti que ela estava mais relaxada intensifiquei um pouco os movimentos, fazendo com que ela gemesse baixo, e me fazendo soltar um gemido rouco. Ela enrolou suas pernas em minha cintura e se impulsionou em minha direção. Fiquei sentado na cama e ela sentou em meu membro, entrelaçando suas pernas em minha cintura novamente. Ela rebolava em meu colo enquanto eu beijava seu pescoço. Deus, eu estava enlouquecendo. Queria mais dela, e como se ela lesse meus pensamentos intensificou seus movimentos. Ela gemeu meu nome em meu ouvido e nesse momento perdi totalmente o controle sobre meus atos. A deitei novamente na cama e fiquei por cima dela, a penetrando mais forte. Eu estava quase gozando quando ela usou suas pernas para me prender contra si, me fazendo parar. Ela sorriu e então se virou, ficando por cima de mim e começou a distribuir beijos em meu pescoço e o mordeu de leve, me fazendo arrepiar. Como ela sabia tudo isso? Ela riu e então foi minha vez de rolar e ficar por cima dela, mas acabamos caindo no chão e quando fui sair de cima dela para ver se estava tudo bem ela novamente usou suas pernas para me prender, me impedindo de sair de dentro dela. Ela não queria parar. Minhas costas ardiam a cada arranhão que ela dava, mas não me importava com a dor. Me importava com seus lábios. Me importava em tê-la pra mim como nunca foi de ninguém. Me importava com o fato de ela me querer. Me importava com ela.
Ela estava completamente suada, com o cabelo desgrenhado e grudando em seu rosto. Seu corpo sujo com o barro de minha roupa. Eu estava me segurando para não parecer um animal em cima dela, mas parecia que ela queria isso. Suas unhas arranhavam minhas costas, meus braços, se prendiam em meu pescoço.
Consegui sentir ela se contrair em meu membro e meu ápice chegando junto com o dela e assim que nós dois gememos juntos, ela puxou meu rosto para si, me encarando bem no fundo de meus olhos.
- Eu te amo.

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11 No exit
Atlanta – Uma semana antes da fuga
Eu já estava cansada de agir como uma mosca morta, mas era preciso. Depois que saíram os resultados dos meus novos exames alguma coisa havia mudado e “meu amigo” – sim, só “meu amigo” porque ele nunca havia dito seu nome para mim – havia me contado que estavam todos apavorados e querendo me exterminar. Minha primeira reação, claro, foi querer bolar um plano de fuga, mas digamos que “Bob”, o meu amigo, fez de tudo para me acalmar e disse que ele já estava dando um jeito de me salvar.
“Bob” e eu somos amigos desde meu primeiro ano de vida – agora tenho dois – e ele sempre me ajudou de uma forma clandestina. Sempre me ensinando coisas sobre os corredores da Clark e me contando sobre algumas coisas do Projeto, mas nada muito esclarecedor. Ele também me contava um pouco de sua vida e o porquê de estar trabalhando em algo que ele não concorda.
- No início aceitei entrar no Chronos porque Jeremy havia me contado sobre ajudar a humanidade, curar doenças e essas coisas positivas, e tudo parecia ser exatamente assim até o dia em que visitei o setor cinco e vi aqueles corpos alimentados por tubos e com o tecido muscular em desenvolvimento. Foi ali que percebi do que realmente se tratava, e bom – ele sorriu -, depois eu te conheci. Você é a razão de eu continuar aqui, America – ele me olhava nos olhos, e havia algo diferente na imensidão verde que eram os olhos dele. Ele sempre me olhava daquele jeito e eu nunca havia entendido.
- E se eu não conseguir fugir? – minhas esperanças eram poucas, e eu não estava muito animada.
- Vai dar tudo certo. Você vai fugir, se esconder no beco escuro há cinco quadras daqui e vai me esperar lá. Você tem que ficar invisível, no canto mais escuro e sem fazer nenhum barulho, ok? – assenti e então suspirei.
- Promete que vai me buscar? Não sei o que fazer lá fora.
- Prometo – e então foi minha vez de sorrir.
Atlanta – now day’s
- Preciso urgente falar com o Justin, Ryan! – entrei em seu quarto e o acordei, sacudindo seu corpo mole na cama.
- Cala a boca, por favor. - ele murmurou e se virou para o outro lado.
- Ele não atende o telefone, Ryan! E agora?
- Olha a hora e você vai saber por que ele não atende essa droga – fui para a sala e liguei a TV. No relógio marcava cinco e meia da manhã. Era realmente muito cedo, e pelo o que havia notado durante nossa breve ligação ele estava bêbado. Não iria acordar tão cedo, droga. Eu precisava muito contar sobre meu sonho, mas como eu não poderia fazer nada naquele momento, resolvi tentar dormir de novo, e por milagre consegui.
10:00 am
Acordei com alguém me sacudindo. Abri os olhos e encontrei Ryan me encarando.
- Acorda, Bela Adormecida. – ele sorria – Fiz panquecas pra você.
- Que dedicado. – murmurei e então me levantei devagar – Vou só tomar uma chuveirada, ok? – ele assentiu e saiu do quarto.
Durante o banho fiquei pensando em “Bob”, o único amigo que tive antes de Justin. O que será que havia acontecido com ele? O que ele pensou quando não me encontrou naquele beco? Será que ele poderia ajudar de alguma forma? Se ao menos eu soubesse seu verdadeiro nome.
- Morreu no chuveiro, folgada? – Ryan bateu na porta, o que me assustou.
- Já estou saindo – gritei, me enrolando na toalha.
O jeito de Ryan era tão estranho pra mim. Ele me tratava quase como um amigo. Sim, amigo, no masculino. Nesse pouco tempo em que nos conhecemos ele nunca pareceu me ver como uma garota frágil e que precisa de proteção. Ele me olha da mesma maneira que olha Justin, e eu gostava disso. Me fazia quase sentir normal.
- Que mesa espetacular é essa? – perguntei ao ver a mesa com um grande prato cheio das tais panquecas, jarra com suco de laranja, outra jarra com leite, uma bandejinha com pães e no centro da mesa um vaso simples apenas com uma flor branca.
- Resolvi dar uma de Justin. – ele deu de ombros – Na verdade só quero que você fale bem de mim pra ele depois.
- Claro que vou falar – sorri, e quando fui me servir Ryan me impediu pegando o prato de minha mão e me servindo. – Que gentleman!
As horas pareciam não passar nunca. Já eram quatro da tarde e Ryan e eu estávamos jogando Jogo da Vida – tentando jogar, na verdade, porque não me dava muito bem com o dinheiro e muito menos o cartão. Ryan estava sendo paciente e me tratando de uma forma exageradamente gentil, o que eu estava estranhando. Ele até havia pedido folga no trabalho.
- Quais são suas intenções? – me deixei vencer pela curiosidade e perguntei, assim que eu havia perdido o jogo pela terceira vez.
- Só quero uma coisa de você, America. Conte tudo sobre o dia de hoje quando Justin te ligar – ele sorria brincalhão -, exagere nos detalhes e depois você vai entender. Conte que assistimos Um amor para recordar e que fui muito carinhoso no momento em que você chorou de emoção. Que te abracei forte e te dei chocolate.
- Você quer que eu minta?
- Exatamente. Se você quer ver Justin o mais rápido possível faça exatamente o que eu te falei agora – ele piscou.
8:15 pm
Eu estava conversando com Ryan sobre seu trabalho como fotógrafo e diretor de filmes independentes quando o telefone tocou, o visor mostrando que era Justin. Atendi no terceiro toque ainda rindo sobre uma história que Ryan havia me contado.
- America? – ele parecia confuso – Do que você ‘tá rindo?
- Boa noite pra você também, Justin. Ryan estava me contando uma história muito engraçada. – a risada já estava cessando e respirei fundo.
- Hum. Como foi seu dia? – ele perguntou e um sorriso involuntário surgiu em meu rosto. Forcei um suspiro e comecei a contar toda a história que Ryan e eu tínhamos combinado.
Narrador pov
Jeremy estava dentro de seu confortável carro parado na esquina do prédio em que seu filho morava. Justin estava agindo de forma estranha ultimamente, na opinião do pai. Sempre voltando rápido para a casa e cada vez mais interessado no Chronos. Não que Jeremy não apreciasse o interesse do filho, mas ele desconfiava de que esse interesse tenha surgido de um dia para o outro e então estava seguindo o filho desde que o mesmo deixara a Clark. Ele queria ter respostas.
Justin estava falando com America por telefone e no momento estava furioso. Ryan estava dando em cima de sua garota na cara dura e ela parecia estar gostando disso. Desligou o telefone, pegou a chave do carro e foi o mais rápido que pôde em direção à casa de Ryan.
Jeremy viu o carro do filho saindo da garagem do prédio e começou a segui-lo em uma distância segura para não levantar nenhuma suspeita. Justin era muito esperto e não poderia desconfiar de nada.
O garoto dirigia rápido pelas ruas de Atlanta. Queria logo tirar sua garota do apartamento de seu melhor amigo. Não queria que algo mais pudesse acontecer entre aqueles dois. Chegando lá foi recebido por Ryan. Entrou rápido no apartamento e viu America na cozinha, tentando de uma forma atrapalhada colocar uma pizza para assar no forno. O display parecia confuso para ela.
America olhou para trás e viu seu anjo a encarando com um sorriso escondido nos lábios. A felicidade tomou conta de todas as suas células.
- Justin! – ela largou a forma da pizza de qualquer jeito e correu para abraça-lo – Que saudade, anjo!
- America – ele suspirou, agora se sentindo completo ao ter sua garota nos braços, a abraçando forte como se a pudesse perder a qualquer instante. Seu cheiro ainda era o mesmo. Seu cabelo estava ondulado e com cheiro de rosas. Justin se sentia no paraíso. Não sabia que estava com tanta saudade.
- Você veio me buscar, não é? – ela sorria, seus olhos verdes hipnotizados pela beleza de seu anjo que também sorria para ela. Justin havia esquecido seu ciúme no momento em que viu a garota.
- Claro. – ele acariciou de leve o rosto de America – Você não trouxe nada para cá, então vamos agora mesmo.
Ryan apenas observava tudo com um sorriso nos lábios. Seu plano estava dando certo e a garota iria sair de seu apartamento. Não que ele não gostasse de America, mas ele sabia que o amigo a amava e que a garota sentia o mesmo por Justin, só não compreendia o sentimento. Ele queria ajudar os dois.
- Obrigado por ter cuidado dela, cara – Justin se despedia de Ryan.
- Foi um prazer – Ryan deu um sorriso sacana, tirando sarro da cara do amigo que caiu direitinho e ficou irritado, mas tentou disfarçar.
- Obrigada, Ryan – America o abraçou e sussurrou em seu ouvido -, por ter trazido ele de volta.
Justin viu que America sussurrava algo e seu ciúme só aumentou. Ela nunca havia sussurrado para ele. Ryan apenas assentiu e então seus dois amigos deixaram o apartamento.
Justin segurava a mão de America quando saíram do prédio e Jeremy os olhou confuso. Ele não fazia ideia de quem a garota ruiva era. Seu filho e a garota pararam ao lado do carro e começaram a conversar. A garota riu e então olhou para o lado, o que fez com que Jeremy congelasse. Seu filho era quem estava ajudando a x2 a fugir e se esconder durante essa uma semana em que a garota havia fugido. Ele não conseguia acreditar. Então ela era o motivo por ele estar tão interessado no Projeto Chronos.
Enquanto os dois entravam no carro Jeremy telefonava para a equipe responsável por capturar a x2, dando todas as informações necessárias para que ela fosse capturada rapidamente.
America estava feliz por estar ao lado de Justin novamente depois de quase dois dias longe dele. Enquanto ele dirigia, ela o observava atentamente. Cada detalhe nele era mais um indicio de sua perfeição. Percebendo que ela o encarava ele sorriu, mantendo sua atenção no transito. Agora que ele sabia que tudo o que ele pensava de Ryan era na verdade uma brincadeira dos dois para que America visse ele antes do dia marcado, ele não pôde deixar de ficar feliz ao saber que ela também o queria sempre por perto.
- Justin – America falou -, quero te contar uma coisa muito importante.
E então Justin notou algo diferente ao olhar pelo retrovisor. O carro de seu pai estava um carro atrás do dele. Ele só conseguiu pensar que Jeremy havia descoberto sobre America.
- Sei de alguém que trabalha no Chronos e pode te ajudar a acabar com tudo – America continou falando, alheia ao que iria acontecer nos próximos minutos.
- Não sei se vou conseguir falar com ele, Meri – Justin sussurrou.
- Como assim? – e nesse momento o som dos helicópteros se fez presente, deixando os dois jovens dentro do carro nervosos e sem conseguir enxergar uma saída.
10 Phone call
Justin's apartment - 6:30 am
Eu estava sentado em minha cama esperando do despertador o meu celular tocar e pensando na noite que passou. Pensando no jeito que America havia me tratado e nas suas atitudes. Eu estava decepcionado por ela ter me deixado ir tão fácil - sei que estou sendo repetitivo, mas eu me sentia tão mal. Imagine você no meu lugar ajudando uma pessoa completamente desconhecida e se apaixonar por ela só ao ver seu sorriso e então fazer coisas que nunca faria apenas para vê-la bem, e então essa pessoa te deixa ir tão rápido do mesmo jeito que entrou na sua vida. Todos os seus esforços parecem que foram em vão mas não importa que essa pessoa tenha quebrado um pedacinho do seu coração, quando ela precisar você vai estar lá por ela arriscando sua vida. Consegue entender como me sinto?
Meu despertador tocou mas eu ja estava pronto, então só me restou mais tempo pra ficar pensando. Cansado de pensar de forma direta em America resolvi em pensar no Chronos. A próxima coisa que eu precisava descibrir era como os corpos eram mantidos sem que seus órgãos e membros atrofiassem, e sabia que isso seria bem mais difícil de descobrir então eu precisaria me empenhar ao máximo, e iria aproveitar que America estava no apartamento de Ryan e não precisaria me preocupar em chegar cedo em casa.
***
Estava na minha sala observando os relatórios dos últimos exames cerebrais realizados em toda geração beta, que fora a última leva de clones criados. Meu pai queria que eu observasse cada mínimo detalhe dos exames em busca de alguma falha, pois não poderia haver outro defeito como o de America x2. Quando terminei de verificar todos os beta - o que já era quase na hora do almoço - perguntei pro Jeremy se ele não queria que eu olhasse a geração alfa e ele disse que eu não deveria me envolver com nada relacionado à Alfa e me concentrar na Beta.
A movimentação dentro da Clark era grande devido ao fato de quase terem capturado America.
- Ela tem alguém ajudando a se esconder. - Jeremy vociferou na sala de reuniões, sentado em sua confortável cadeira da mesma forma que o velho Joseph e seu assistente totalmente ativo desde início no Chronos, Andrew, e que acabei descobrindo ser o irmão do homem quem America havia matado - Quem seria louco de ajudar uma criatura como x2? Ela é uma máquina de manipulação e morte! - eu apenas observava a conversa deles enquanto procuravam novas formas de atrair America para a Clark e matá-la.
Próximo da uma hora da tarde Jeremy me convidou para almoçar com ele, e vendo aquilo como uma oportunidade acabei aceitando.
America’s point of view
Acordei na hora que costumava acordar quando estava com Justin, mas ao contrário dele Ryan ainda parecia estar dormindo, então fiquei na cama até escutar algum barulho na casa. Uma hora depois, enquanto ficava repassando em minha mente meus momentos com Justin, foi que que escutei barulho de pratos e logo fui em direção à cozinha. Ryan estava vestido com uma calça jeans escura e um casaco preto muito bonito. Ele acabava de colocar nosso café da manhã na mesa.
- Bom dia, ruivinha! - ele se sentou e então esperou que eu fizesse o mesmo - Dormiu bem?
- Na medida do possível. - sorri fraco e então dei uma abocanhada no omelete que estava em meu prato - Você só sabe fazer omelete?
- Basicamente. - ele sorriu - Não se importa de passar o dia sozinha, não é?
- Claro que não. Desde que eu possa assistir TV - ele riu mais uma vez e tomou o último gole do seu café.
- Costumo chegar um pouco mais tarde do que Justin, então se sentir fome pode pegar qualquer coisa, ok? Sabe usar o microondas?
- Mas então quando você chegar Justin e eu já teremos ido para casa, certo? - eu estava um pouco confusa.
- Justin me ligou faz algum tempo. - ele remexia no guardanapo que estava na mesa - Ele virá sexta-feira, America.
- E que dia é hoje, Ryan? - eu estava ficando nervosa.
- Quarta-feira. - ele pareceu ter notado minha expressão nervosa - Mas não se preocupe, ok? Esses dois dias vão passar voando!
***
Passei a tarde inteira na sala assistindo TV e com um pacote escrito Doritos na mão. Estava passando um filme bem engraçado então consegui rir um pouco, mas não esquecer Justin. A saudade que eu estava sentindo dele era indescritível. Senti tanta falta de seus olhos quando abri os meus pela manhã. Sabia que ele estava triste comigo pela forma que o tratei na casa de Julie, mas não pensei que fosse me deixar tão fácil como fiz com ele. Eu me arrependia tanto das minhas palavras.
Quando estava escurecendo e eu já estava assistindo o segundo filme do dia escutei um som estridente ecoar pelo apartamento. Olhei para os lados e encontrei um aparelho totalmente transparente piscando uma luz vermelha. Me aproximei dele e apertei um botão que estava verde. No visor do aparelho estava escrito “Justin”.
- Justin? - falei um pouco confusa, e então escutei um som fraco vindo do aparelho e o coloquei na orelha.
- Coloca o telefone na orelha, Meri. Colocou?
- Coloquei. - falei de um jeito confuso - Como que estamos conversando?
- Pensei que você soubesse o que era um telefone. - ele riu e senti uma sensação estranha na barriga - Como você está?
- Estou bem. Ryan foi trabalhar e fiquei assistindo filme e comendo Doritos - sorri ao lembrar do sabor daquilo. Era realmente muito gostoso.
- Bom. Só liguei pra saber como estavam as coisas. - ele suspirou - Sexta-feira nos vemos, Meri. Tenho que desligar.
- Desligar?
- Isso. Amanhã ligo de novo, certo? - não queria que ele parasse de falar comigo. Se não podia vê-lo pelo menos queria escutar sua voz.
- Estou com saudade, Justin - sussurrei e então o aparelho ficou mudo. Fiquei olhando para o objeto em minhas mãos e pensando que eu também poderia ligar para ele, da mesma forma que ele me ligou. Eu queria tanto escutar sua voz, mas o barulho da porta se abrindo me distraiu e então olhei para trás e vi Ryan entrando todo molhado.
- Tá caindo o mundo lá fora. - ele riu e começou a tirar o casaco, indo em direção ao seu quarto - Prefiro a neve!
Eu ainda estava com o telefone na mão e então o coloquei no lugar em que estava antes de tocar e me sentei no sofá que tinha alguns vestígios do Doritos. Peguei uma almofada e comecei a bater com ela no sofá, na intensão de colocar os farelos no chão. Depois de um trabalho quase perfeito, me sentei e fiquei assistindo o resto do filme.
- Wall-E? - Ryan perguntou, se sentando ao meu lado - Espera… Você está chorando? Eles são robôs - ele riu e eu dei uma fungada. Robôs ou não, era uma história tão bonita que não consegui evitar o choro. Eu estava percebendo que filmes parecem ser meu ponto fraco para as lágrimas. O filme já estava nos créditos e então Ryan pegou o controle da TV e digitou algo no mesmo e então um novo filme começou a passar na grande tela.
- Que filme é esse? - perguntei e ele sorriu.
- É um dos filmes favoritos de Justin. Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
- Esse é o nome do filme ou o roteiro? - ri um pouco, e logo voltei minha atenção para o filme. Queria ver o que tanto Justin gostava nele.
Justin’s point of view
11:00 pm
Eu estava sentado na bancada da cozinha e ao meu lado estava ela, minha eterna companheira: a vodka.
Sei que não é o momento para beber, mas depois do que meu pai me contou no almoço e o que vi durante toda a tarde me atormentaram de uma forma que, sem America aqui, só a vodka iria me distrair. O que mais me assustava era que agora eu tinha certeza que eu não iria conseguir destruir o Chronos. America teria que viver para sempre como uma fugitiva, se escondendo do mundo e eu não poderia ajuda-la.
Duas horas depois eu estava deitado no sofá - o máximo que consegui caminhar - com meu celular na mão. Já não comandava meus atos e eu precisava tanto ter um pouco dela pra mim.
- Oi? - ela atendeu no primeiro toque, o que me impediu de desligar - Justin?
- ‘Tô com saudaed, Merixa - falei com a voz torpe, a lingua enrolada. Ela riu e então suspirou. - Me conta alguam coisa. Quero ouvir sua voz.
- Hoje assisti seu filme favorito, Justin. O nome é The hangover! - ela riu baixinho, tirando sarro do meu estado. - Bom, realmente assisti um filme que Ryan me disse ser seu favorito e gostei muito. Até chorei, uma coisa normal pra mim já que qualquer filme que assisto eu sempre choro. Assisti Wall-E também.
- Você goast de filems. - afirmei e ela concordou - Já assistiu algum pornô?
- Não… - ela ficou confusa e eu ri - É bom?
- Ô se é! Mas então, me conte se Ryan está sendo legal com você - eu tentava falar de forma mais coerente e prestar o máximo de atenção em sua voz.
- Ele está sim. Ele é legal, uma coisa que me surpreendeu. - eu ri - Está sendo fácil viver com ele.
- Então não preciso mais te buscar?
- Claro que precisa! - ela se exaltou - Se não vier na sexta-feira te juro que vou fugir daqui e vou te encontrar de qualquer jeito.
- America? - escutei a voz de Ryan ao fundo - Vem dormir, ruivinha.
- Passa o telefone pro Ryan, Meri - ela concordou e então a voz de Ryan ecoou mais alta em meus ouvidos.
- Isso é hora de ligar pros outros, viado? - ele estava um pouco sonolento.
- Para de intimiad com a America, escutou? - falei sério e ele riu alto - To falando sério, Ryan.
- A bebida tá te afetando cada vez mais. Melhor parar, cara.
- Te avisei. Me passa a America.
- Justin?
- Vamos dormir, Meri. Me desculpe ligar essa hora - falei já fechando meus olhos.
- Durma bem, Justin. E obrigada por ser meu anjo - e então ela desligou e dormi com aquelas palavras ecoando em minha mente.
***
11:00 am
Que som mais irritante. De onde vinha aquele barulho? Tateei e encontrei meu celular vibrando em meu peito.
- Alô?
- O que aconteceu com você, Justin? - meu pai estava gritando do outro lado da linha - São onze horas e você nem deu as caras!
- Não grita! Posso aparecer depois do almoço? Fui um pouco inconsequente noite passada, me desculpe.
- Você vai se desculpar mas é de outra forma! Uma hora em ponto te quero na minha sala! - e desligou, me deixando com uma puta dor de cabeça.
America’s point of view
- Você entendeu o que tem que fazer? - ele me perguntou com a voz baixa - No primeiro sinal de distração, na primeira oportunidade você pega isso aqui - ele me mostrou um objeto brilhante e pontudo - e coloca ou no pescoço ou peito dele, entendeu? - assenti e ele sorriu - Depois que você fugir vou dar um jeito de acabar com tudo aqui e finalmente você vai ser livre. Lembra dos treinamentos de luta? Se precisar, lute melhor. Jeremy disse que você seria o futuro, mas você merece mais, America. Você merece ter um futuro. - meus olhos estavam marejados e ele me abraçou tão forte que quase perdi o ar. Quando o soltei sua feição era de dor. Ele estava chorando e ao seu lado estava Matt, e ao olhar minhas mãos percebi que elas estavam cheias de sangue e então senti alguém me puxando para longe. Olhei para trás e vi Justin.
09 Escape
America e eu estávamos na sala de Julie Baker, a mulher que cedeu seu DNA para que o Projeto Chronos tivesse início, e esse era apenas um dos motivos para que eu não confiasse nela. Tinha quase certeza que ela sabia exatamente de tudo o que contamos e concordava com tudo. Ela sabia que os clones não ficavam em tubos sua vida inteira. O que mais me deu certeza disso foi sua expressão quando disse que iria ao banheiro.
- Vamos pra casa, America. – sussurrei – Estou com um péssimo pressentimento.
- Ela vai nos ajudar, Justin.
- Ela vai é nos ferrar! Se você não quer ir comigo, vou sozinho – eu estava blefando. Óbvio que não iria deixa-la.
- Então vá! Pensei que confiasse em mim, Justin.
- Eu não confio nela! – e então Julie apareceu no corredor e logo tratei de manter minha postura calma.
- Acho que já vamos indo, Julie. Obrigado por nos escutar e vamos sempre te manter informada – sua expressão logo mudou e percebi que ela havia ficado inquieta.
- Não! Fiquem mais um pouco! Quero conhecer vocês um pouquinho mais – ela sorria de forma nervosa. A ignorei e me levantei do sofá, esperando por America que não movia um músculo.
- America? – a chamei, e ela me ignorou. Eu já estava ficando irritado. Tudo bem ela não me amar, mas esperava um pouco de consideração por tudo o que fiz e estou fazendo por ela, mas na primeira oportunidade ela deixa que eu vá, parecendo não se importar – Quer ficar?
- Sim, Justin. Eu quero ficar – ela falou sem nem ao menos olhar pra mim.
- Você sabe meu número e meu endereço – e então fui em direção à porta, sem me importar em dar “tchau” para qualquer uma das duas. Eu estava ferido. Magoado. Em míseros dias em que estou com ela na minha vida já consegui me apaixonar, gastar o dobro no mercado, me envolver em um Projeto repugnante, falar com o idiota do meu pai e agora ser feito de idiota pela causadora de tudo.
Em meio a pensamentos percebi dois carros vindo em alta velocidade pela rua da casa de Julie e um som estranho vindo do céu. Olhei para cima e vi um helicóptero com o logo da Clark e sem pensar dei meia volta e acelerei o máximo que conseguia em direção à casa de Julie. Por sorte a porta não havia sido trancada depois que saí, e entrei pela mesma como um jato. America estava sozinha na sala.
- America – a peguei pelo braço e comecei a puxa-la -, você tem que sair daqui agora! Por favor!
- Me larga, Justin. Por que está fazendo isso? – ela se debatia enquanto eu procurava uma saída pelos fundos da casa.
- Meu Deus, como você pode ser tão inteligente e tão burra? – falei de um jeito rude, o que a fez se debater mais – Me escuta! Em alguns segundos os carros da Clark vão estar nessa casa. Eles vão pegar você, America!
- Como eles sabem que estamos aqui? – agora ela havia parado de se debater e me encarava desconfiada.
- Julie. Eu te disse que ela não era confiável! – e percebi que ela ainda não acreditava em mim, mas o som do helicóptero acima de nós a fez mudar de ideia e a buscar uma saída. Encontramos uma porta que dava para o jardim da churrasqueira. Saímos correndo pelo gramado e então a cerca do terreno nos parou - Pula, America! Rápido! - e então me agachei e coloquei minhas duas mãos juntas e logo ela colocou seu pé nelas e no mesmo instante a impulsionei para cima. Pulei logo depois dela. Enquanto corríamos mandei que ela colocasse o capuz do casaco que usava, e fiz a mesma coisa. Ninguém poderia nos reconhecer. O som dos carros e do helicóptero se aproximava cada vez mais e não importava a velocidade em que corríamos, eles iriam nos alcançar em questão de minutos.
- Justin! - America gritou e no mesmo instante virou à esquerda, entrando em um grande prédio. Óbvio que fui atrás dela. O hall do prédio estava deserto e só o que eu podia escutar era a respiração de America tão ofegante quanto a minha - Nós não vamos conseguir fugir deles.
- Que novidade. - falei com um sopro de voz - Precisamos encontrar um lugar para nos esconder. Eles irão procurar em cada canto de Atlanta, America.
- Vamos entrar em algum apartamento e pensar em algo. Não é seguro ficarmos aqui, Justin - e depois de alguns segundos começamos a subir as escadas. No terceiro andar paramos em frente a porta de um apartamento que parecia não ter ninguém.
- Veja se em baixo do tapete não tem nenhuma chave - pedi para America, e ela não encontrou nada. Olhei no vazo de flor que havia ao lado da porta e nada também. Encontrei uma pequena chave no extintor de incêndio no fim do corredor. Abri a porta e então estávamos dentro do apartamento. Claramente alguém morava ali, mas pra nossa sorte, não tinha ninguém em casa. Fui rápido para o quarto e comecei a procurar roupas para que America e eu pudéssemos usar para despistar. Encontrei um hoodie preto para America e outro para mim. Voltei para a sala e lhe entreguei o hoodie para ela e enquanto ela o vestia fiquei olhando pela janela para ver a movimentação do lado de fora. O helicóptero continuava sobrevoando a região, mas nem sinal dos carros.
- Pronta? - virei para trás e encarei America, que apenas assentiu e então já fui rápido em direção à porta - Vou te deixar na casa do Ryan, ok? Vamos sair daqui de forma calma, sem chamar a atenção, caminhamos até o centro que não é longe e então pegamos um táxi.
- Por que não liga para um táxi nos buscar aqui? - ela perguntou enquanto descíamos as escadas.
- Qualquer ligação feita pode ser rastreada. Não quero arriscar mais do que já arrisquei te trazendo aqui hoje. - ela apenas assentiu fraco e colocou o capuz - Não use o capuz agora.
Quando chegamos no hall, pude ver do lado de fora alguns homens rondando a área e percebi o nervosismo de America ao meu lado.
- Fique aqui. Vou sair e depois de um minuto você sai também - falei e percebi que ela estava cada vez mais insegura.
Saí do prédio tentando parecer o mais normal possível e fui caminhando na direção que me levaria ao centro da cidade. Nenhum dos guardas pareceu se importar comigo porque, afinal, eles procuravam um casal desesperado, e não um cara tranquilo caminhando pelo bairro. O que me preocupava era America. Quando ela fica nervosa sempre coloca os pés pelas mãos.
America’s point of view
Eu me sentia como lixo. Eu havia preferido confiar em uma estranha e deixar Justin ir do que confiar nele, mas só tive aquela atitude porque não pensei que ele fosse realmente fazer o que eu estava pedindo. Quando ele saiu pela porta da casa de Julie parecia que ele estava levando uma parte de mim - a melhor parte - e minha vontade foi de correr até ele, segurar sua mão e então voltarmos juntos pra casa, mas resolvi deixar meu orgulho - o que descobri ser um péssimo sentimento e que não leva a lugar nenhum - e a falsa esperança tomarem conta de mim, me dizendo pra ficar naquela droga de sofá. Um minuto depois que ele me deixou, eu já estava quase desabando em lágrimas, o vejo entrando como um furacão e nem tive tempo de pensar em algo e já estava sendo arrastada pela casa. Mais uma vez aquele idiota do orgulho tomou conta de mim fazendo com que eu me debatesse em seus braços, e então ele me contou que a Clark estava atrás de mim. Minha primeira reação foi desconfiar, mas logo escutei o som do helicóptero e desde aquele momento só o que fizemos foi correr, até encontrarmos um apartamento e recuperarmos o fôlego.
Depois que trocamos os casacos, Justin saiu na frente na tentativa de despistar os guardas que rondavam a área do bairro de Julie. Um minuto depois fora minha vez de sair. Tentei parecer normal, como se fosse uma simples moradora completamente alheia ao que estava acontecendo, o que deu certo. Dobrei na primeira à direita e depois segunda à esquerda e continuei caminhando numa distância segura de Justin, que caminhava tranquilo uns metros à minha frente. Chegando na área mais movimentada ele diminuiu o passo e logo o alcancei, entrelaçando minha mão na dele e então ficamos parados esperando um táxi aparecer. Logo atrás de nós havia um McDonald’s e não pude evitar o som que meu estômago fez. Justin apenas riu fraco e o silêncio permaneceu durante alguns minutos, até que um táxi apareceu. Justin deu o endereço para o taxista e logo pegou seu celular e ligou para Ryan avisando que iria aparecer por lá.
***
- Que confusão vocês se meteram? - Ryan perguntou assim que abriu a porta. Ele estava com uma calça larga e camiseta preta, como se não estivesse um frio horroroso na rua.
Depois que Justin contou toda a história - omitindo nossa pequena discussão - tudo o que Ryan fez foi soprar produzindo um som estranho pelos lábios e dizer “vocês realmente estão fodidos”. Aquela frase ficou tão sem sentido pra mim por simplesmente não entender o significado de fodido e a aplicação na frase, mas fingi entender depois que Justin havia concordado. Realmente estávamos “fodidos”.
- Justin - chamei sua atenção depois que Ryan havia nos deixado sozinho enquanto ia arrumar um lugar para eu dormir.
- Sim? - ele me encarou. Meu coração se contorceu.
- Eu sei que você está brabo comigo, e também sei que só pedir “desculpa” não vai adiantar, mas quero que saiba que eu realmente sinto mui - não consegui terminar porque no mesmo segundo Justin me interrompeu.
- Não estou brabo com você, America. - o encarei confusa, e ele sorriu sem vida - Só estou triste e muito, muito decepcionado - e então meu coração caiu no chão, minha garganta se fechou e meus olhos arderam me avisando que as lágrimas iriam escorrer pela minha face, mas elas forma impedidas de cumprir seu destino assim que Ryan apareceu na sala avisando que estava tudo pronto. Não demorados dois minutos Justin já estava saindo, me deixando para trás.
08 I don't trust her
Acordei com o som do despertador tocando alto no criado-mudo ao lado de minha cama, e o desliguei o mais rápido possível para que America não acordasse.
- Odeio quando essa música toca – ela sussurrou com a voz falha pela falta de uso, e então olhei pra trás vendo Meri se espreguiçar e abrir um sorriso ao olhar em meus olhos. Aquele sorriso seria capaz de pôr fim a guerras e curar o câncer.
- É horrível acordar cedo, eu sei – coloquei uma mexa de seu cabelo atrás da sua orelha.
- Não é esse o motivo – ela suspirou.
- E qual mais seria?
- Quando ela toca é sinal que você logo vai sair – e não pude evitar sorrir.
- Mas sempre volto.
**
Eu já estava com acesso a alguns arquivos do Projeto Chronos para que pudesse me atualizar sobre tudo que o envolvia e ajudar nas pesquisas de desenvolvimento.
O Chronos era basicamente divido em três etapas - escaneamento do colaborador/desenvolvimento do DNA e celular/implantação de memórias - e tenho que admitir que me impressionei com a fase do desenvolvimento ósseo e muscular, porque a "pele" das pessoas era completamente transparente e eu conseguia ver todos os músculos e veias se formando em um corpo humano. Era algo incrível, mas para fins tão cruéis. Esses seres em desenvolvimento ficavam eu bolhas gigantes envolvidos por algum tipo de substância gelatinosa enquanto seus órgãos eram desenvolvidos. O processo todo durava cerca de dois meses. Perguntei pro meu pai se não acontecia de alguns órgãos atrofiarem por causa do tempo que os clones ficavam “hibernando” e ele disse que já havia desenvolvido um sistema para que isso não acontecesse, mas que me contaria mais sobre isso apenas quando eu estivesse 100% no Projeto.
Durante a tarde fiquei estudando tudo o que pude sobre o Projeto e busquei também pela ficha de Meri. Sua ficha era enorme devido aos inúmeros testes que foram realizados com ela, e um deles me chamou muito a atenção.
“Teste 189 – Janeiro de 2016
X2 apresenta alto nível de capacidade de armazenamento cerebral e memórias não implantadas, o que gera conhecimento impróprio para seu estado como Projeto. Sua capacidade de luta é muito forte e instintos de sobrevivência também. Sugerido reiniciar ou descartar Chronos America x2.
Jeremy Bieber – 10:00 pm”
O teste fora realizado, talvez, dias antes de America fugir e ele apontava que ela tinha memórias não implantadas, ou seja, ela não é apenas um ser criado em laboratório a partir do nada. Ela tem um patrocinador e ela tem memórias do mesmo. O resto da tarde minha mente ficou ocupada com possibilidades de encontrar a patrocinadora da America e de alguma forma sabotar o Projeto. Só parei de pensar nessas coisas quando um dos cientistas envolvidos me chamou.
- Queremos que você vá até a fase quatro e faça relatórios do desenvolvimento, ok? – assenti e então fui em direção ao setor cinco. Assim que entrei segui por um longo corredor de paredes brancas e entrei em uma porta e tive que pegar um elevador. Dois andares abaixo parei em um corredor pouco iluminado e depois de mais uns minutos caminhando entrei na área da fase quatro. De cima, parado em uma plataforma pude ver inúmeras capsulas em forma de bolha abrigando os corpos em desenvolvimento, e mais uma vez fiquei impressionado com o corpo humano.
Peguei um outro elevador – não sei porque tantos elevadores - e desci até o local em que as capsulas estavam e então comecei a fazer anotações sobre cada um dos corpos, e então me assustei ao ver escrito em uma das capsulas o nome do presidente dos EUA. O ponto em que o egoísmo do ser humano pode levar. Tudo bem que todo esse Projeto tem seu lado, mas ele não é usado. Se toda a tecnologia nele investida fosse utilizada para coisas maiores, como sei lá, desenvolver uma super cura para o câncer, e não só trata-lo como é feito até hoje, mas ao invés disso os seres humanos só pensam em viver para sempre. Óbvio que eu gostaria de viver por muito tempo, mas não seria capaz de matar outra pessoa para ela me dar seu rim, seu fígado, seus olhos, seu coração.
Passei quase toda a tarde fazendo anotações sobre a fase quatro e então quando terminei voltei para minha nova sala. Ela era alta e bem ampla, com as paredes brancas, os móveis em prata e com detalhes azuis. Tudo que envolvia o Chronos tinha azul, nem que fosse um pontinho na parede. Novamente busquei informações sobre America e quando estava quase na minha hora de ir pra casa encontrei o que procurava.
America’s point of view
Não gostava nada quando Justin tinha que ir trabalhar. Primeiro porque isso significava que teria que ficar o dia todo longe dele, e segundo porque ele estava cada vez mais envolvido no Chronos e isso, mesmo que sem querer, me causava certa repulsa, mesmo sabendo que ele estava nisso por mim.
Umas duas horas depois que Justin saiu escutei o barulho da porta do apartamento abrindo e fui correndo na esperança de ver Justin sorrindo para mim, mas encontrei aquele seu amigo. Como era mesmo o nome dele? Justin tinha me falado...
- Oi, ruiva! - ele fechou a porta e colocou algumas coisas na bancada da cozinha – Tudo tranquilo?
- Aham. Você vai ficar aqui a tarde inteira? – ele assentiu, tão animado quanto eu.
Passamos quase a manhã inteira nos comunicando através de conversas monossilábicas. No almoço ele fez uma pizza, só que ela não era tão gostosa quanto a que comi com Justin porque era congelada. Durante a tarde jogamos Jogo da Vida e depois ficamos assistindo a programas aleatórios. Ryan me contou um pouco sobre Justin. Sobre a morte de sua mãe e como ele lidou com tudo isso. Me contou também o porque de Justin odiar seu pai, e me contou também das ex-namoradas de Justin, o que fez com que eu sentisse algo estranho.
- Então, você e o Justin – ele começou.
- O que? – falei enquanto zapeava alguns canais na grande televisão.
- Você gosta dele? – o encarei e ele estava com uma expressão misteriosa. Não conseguia decifrar o que ele queria exatamente.
- Claro que sim. – sorri e passei a mão em meus cabelos – Ele tem feito tanto por mim.
- Não é nesse sentido que eu estou falando, America. – ele me cutucou, agora risonho – Se você gosta dele tipo, dar uns beijos, uns amassos, essas coisas.
- Você quer saber se eu gosto dele como aquele casal do filme?
- Não sei de que filme você está falando, mas sim. Dessa forma.
- Não sei, Ryan. Não fui feita para sentir.
- Mas você não faz nada do que foi feita para fazer. Se fizesse, não teria fugido do laboratório.
Ele tinha razão. Eu sou completamente errada se for olhar pelo ponto de vista científico e sim, eu sinto algo por Justin. Algo que não sei explicar. Não sei explicar muitas coisas, mas o mais confuso pra mim são os sentimentos. Eles são tão fortes, confusos e muitas vezes dolorosos, mas ao mesmo tempo tão bons. Bons como Justin. O sorriso dele fazia com que meu estômago se revirasse. Seu abraço me fazia sentir como se nada mais importasse, porque ele estava me segurando, me protegendo. Seu cheiro me dava a sensação de “lar”. Justin era meu lar.
- E então, você gosta dele? – Ryan insistiu.
- Eu não sou capaz de amar, Ryan. – e então a porta se abriu, revelando um Justin com a expressão um pouco abatida. Ele lançou um sorriso fraco em minha direção e então foi para o seu quarto. No mesmo instante levantei e fui atrás dele, o encontrando sem camisa.
- Está tudo bem? – perguntei já me aproximando dele. Eu queria sentir sua pele.
- Sim – ele respondeu com a voz um pouco fraca.
- Não minta pra mim – coloquei minha mão em seu braço e senti sua pele. Ele se arrepiou com meu toque.
- Eu descobri uma coisa hoje. – ele se sentou na cama e me sentei ao seu lado.
- E o que foi?
- Julie Baker – ele olhou no fundo dos meus olhos.
- E quem é ela?
- A primeira pessoa a ter uma apólice de seguro Chronos.
**
O amigo de Justin logo havia deixado o apartamento e então Justin e eu ficamos conversando sobre minha “dona”. Eu ainda não conseguia compreender que eu poderia encontrar a mulher que me deu origem. Eu precisava vê-la e quem sabe a mostrar a verdade sobre o Chronos. Talvez ela não soubesse que nós éramos cobaias vivas e não vegetais em cubos apenas esperando a hora de nossos órgãos serem retirados de nosso corpo.
Justin havia encontrado seu endereço e então consegui o convencer em me levar até ela. Ele ainda não gostava muito da ideia, alegando ser muito perigoso e que a Clark havia colocado uma equipe de busca após minha fuga.
Narrador point of view
Justin e America estavam parados em frente a uma típica casa americana, toda branca e com um enorme gramado. Apertaram a campainha e aguardaram.
America estava ansiosa, nervosa e esperançosa. Ela acreditava que Julie Baker seria capaz de ajudar a parar o Chronos, enquanto Justin estava com um sentimento de desconfiança e medo. Ele sentia que aquilo só iria prejudica-los, mas como negar o pedido da garota que ele daria a vida para proteger, quando ela estava com os olhos verdes brilhando de esperança. Ele estava triste por ter escutado a conversa da jovem com seu amigo. De saber que ela não seria capaz de retribuir o sentimento que ele nutria por ela, por mais insano que fosse. Ele e não estava triste com ela, mas sim por ele. Por saber que ele faria de tudo para ver seu sorriso e o brilho em seus olhos, mesmo que ela não o amasse. Ele se sentia idiota.
A porta se abriu revelando uma America loira e sorridente, mas logo sua expressão ficou confusa. Julie logo compreendeu o que estava acontecendo, mas se fez de ignorante.
- O que? – sua voz saiu confusa e America sabia que ela se sentiria assim. Justin deu uma breve explicação sobre a situação e então Julie pediu para que os dois entrassem e terminassem de contar a história. America estava cada vez mais confiante.
Depois de contarem a história Julie se mostrou apavorada e disse que faria de tudo para ajuda-los.
- Eu te falei que ela iria nos ajudar – America sussurrou para Justin enquanto Julie estava no banheiro.
- Ainda não confio nela – Justin sussurrou. E ele estava certo. No andar de cima Julie ligava para a Indústria Clark, furiosa.
- Olá. Julie Baker falando – o homem do outro lado da linha a cumprimentou cordialmente e perguntou no que poderia ser útil, e Julie riu de forma sarcástica. – Você poderia ser útil em tirar a minha apólice de seguro teste e seu namorado do meu sofá.
07 I care
Justin Bierber's point of view
No caminho para casa só fiquei pensando que America matou um homem. Planejava chegar no apartamento e a questionar sobre isso, mas já no corredor do meu apartamento conseguia escutar a voz de Beyonce ecoando e assim que abri a porta vi America cantando alto e dançando como se fosse a própria Beyonce. Ela jogava seu cabelo ruivo de um lado para o outro e imitava quase com perfeição a coreografia do clipe que passava na grande tela em minha parede, e então minha raiva e confusão deram espaço para a felicidade e um sentimento que fez meu coração se contorcer. Meu coração fazia isso muitas vezes desde que a conheci.
09:02 pm
Eu estava esperando a lasanha ficar pronta enquanto colocava os pratos e outras coisas na bancada tentando encontrar uma forma de perguntar para America como ela tinha matado um homem e porque não havia me contado.
- Por que tão sério? – America tinha os dois braços apoiados na bancada e me encarava curiosa.
- Você já matou alguém, America? – fui direto e perguntei de uma forma rude, então vi o sangue fugir de sua face e seus olhos encherem de lágrimas.
- Sim – ela respondeu de uma forma dura e em suas palavras eu pude sentir pavor e dor. – Quando fugi do laboratório matei um homem chamado Matt. Ele havia sido encarregado por seu pai para me matar e então quando tive a oportunidade peguei a primeira coisa que vi enfiei no lugar mais viável. – ela estava chorando e tinha uma mão como se estivesse segurando seu coração – Eu não sabia que aquilo iria machuca-lo tanto! Eu só queria que ele se distraísse me dando a chance de fugir, mas então quando eu vi minhas mãos já estavam cheias de sangue e ele caído no chão – minha vontade era de contornar a bancada e abraçar, mas me contive.
- Como era esse objeto e em parte do corpo você o colocou, America?
- Ele era prateado, fino e parecia ser um pouco afiado – ela me encarou com os olhos cheios de dor. – Eu furei o pescoço dele, Justin. – ela se levantou e contornou a bancada, logo pegando uma de minhas mãos e a apertando. Seus olhos vidrados nos meus – Me perdoa! Eu não queria matar ninguém! Eu não sou ruim e, Justin, não te contei por medo. Medo de você me abandonar por eu ser uma assassina – eu não conseguia pronunciar uma palavra. Tudo o que fazia era repetir mil vezes a imagem de America esfaqueando alguém no pescoço e então ver o sangue em seu corpo. De repente senti seus braços me puxando para si e me envolvendo em um abraço desesperado, seu cheiro doce invadindo minha mente, afastando aquela imagem horrível. – Não faça isso comigo. Fala comigo, Justin – ela chorava em meu pescoço e eu podia sentir sua respiração quente indo de encontro à minha pele.
- Teria sido melhor se você tivesse me contado antes, Meri – quando dei por mim já estava afagando seu cabelo e a apertando mais contra mim. Eu não conseguia ver maldade nela.
- Eu tinha tanto medo, e eu não gosto de pensar nisso – ela falava com a voz falha por culpa do choro.
- Foi com isso que você sonhou ontem à noite? – ela assentiu fraco. – Hey, olha pra mim – e ela fez o que eu pedi, me encarando com seus olhos verdes e tristes. – Droga! Eu me importo tanto que não consigo me entender, meu Deus. Mesmo que você tivesse matado 100 homens eu não iria te abandonar, America. Eu só quero te proteger e não consigo entender isso. Você acaba de confessar que matou um homem e só o que eu quero agora é que essas lágrimas desapareçam e te ver dançando como quando cheguei e... – não consegui terminar de falar porque nesse instante senti os lábios macios e quentes de America tocando nos meus lábios, os pressionando rápido e nesses segundos foi como se meu coração tivesse dado um triplo mortal e feito contorcionismo.
- Me desculpe – ela se afastou e manteve a cabeça baixa. – Foi um impulso... eu não entendo porque eu fiz isso. Hoje à tarde assisti o diário de uma paixão e eles se beijaram e eu não entendi e não entendo porque acabei de fazer isso – e então eu estava sorrindo como um bobo. Toda a conversa de morte e lágrimas já não ocupavam nem 5% dos meus pensamentos. De repente eu estava feliz e tudo o que fiz foi sentar no banco alto e pedir para que America fizesse o mesmo. Ela parecia confusa com a minha atitude.
- A lasanha vai ficar fria logo se não comermos – expliquei enquanto pegava os talheres e dava uma abocanhada na lasanha.
- Você não está brabo nem nada? – ela parecia cada vez mais confusa.
- Por que eu estaria? – a olhei divertido.
- Por eu ter beijado você... – ela havia corado e logo tentou esconder o rosto com o cabelo.
- Pode fazer isso sempre que quiser – e pude ver um sorriso surgir em seus lábios.

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06 Have you killed someone?
Acordei com os gritos apavorados de America vindo do meu quarto e corri em disparada, a encontrando sentada na cama com o cabelo desgrenhado e encolhida com a cabeça entre os joelhos.
- Meri? – sussurrei quando fiquei ao seu lado na cama. Em um átimo de segundo ela passou seus braços em volta do meu pescoço e me puxou para perto de si em um abraço esmagador. Ela estava chorando e no mesmo instante envolvi sua cintura com meus braços. – O que aconteceu? Foi um pesadelo?
- Justin – ela soluçou em meu pescoço -, foi horrível! Me ajuda, por favor!
- Shh – tentei acalma-la. – Foi só um sonho ruim. Nada de ruim vai acontecer, Meri. Sempre vou estar do seu lado.
- Eu não sabia que aquilo machucava tanto, Justin – ela me encarou. – Eu juro. – afaguei seu cabelo e a apertei mais contra mim, e então ela foi relaxando aos poucos até parar de chorar. - Nunca vou te agradecer o suficiente por tudo o que tem feito por mim.
- Não precisa – sorri e ficamos em silêncio. Alguns minutos depois pude escutar sua respiração pesada. Me movi devagar para tentar me levantar sem acorda-la e então ela abraçou minha cintura
- Não – ela sussurrou. – Fica comigo essa noite.
07:30 am
Acordei com o despertador tocando na mesinha ao lado da cama e eu o teria desligado no mesmo segundo se não tivesse acordado com America deitada em meus braços. Ela dormia como um anjo.
- Esse... som – ela murmurou e então me lembrei que aquele barulho estranho era do despertador e logo o desliguei.
- Me desculpe – sussurrei próximo ao seu ouvido. Eu deveria levantar e me arrumar para o trabalho, mas minha vontade era o mesmo que nada. Por mim ficaria o dia todo com ela daquele jeito, mas eu deveria ir e ser o filho que meu pai queria que eu fosse. Me movi de forma lenta e levantei, ajeitando um travesseiro abaixo da cabeça da minha garota.
08:21 am
- Justin Bieber, solicitada sua presença na sala de reuniões do setor cinco – uma voz feminina anunciou.
O setor cinco era onde se localizava aquela grande estrutura cheia de clones em desenvolvimento e se eu estava sendo chamado para uma reunião daquele setor era sinal que meus planos estavam dando certo. Bloqueei o computador e me dirigi à sala de reuniões que ficava uns andares abaixo. Aquela indústria de laboratórios era enorme. Quando me aproximei dois seguranças estavam à porta do setor e pediram minha identificação, logo abrindo as portas com seus cartões. A sala de reuniões era toda com paredes de vidro, o teto era alto e claro, havia luzes azuis refletidas em alguns pontos da sala e a mesa e as cadeiras eram todas metalizadas. Meu pai estava sentado na cadeira ao lado da de um senhor de idade, cabelos levemente grisalhos e ele tinha um semblante muito sério. Eles pararam de conversar assim que me viram ir em direção à porta da sala.
- Bom dia – falei assim que abri a porta. – Queriam falar comigo?
- Sente-se, Justin – meu pai falou com um tom profissional e então se ajeitou na cadeira. – Este é Joseph, um dos donos da Indústrias Clark. – o velho Joseph estendeu sua mão para um cumprimento e a apertei firme. Logo ele apontou em direção a uma cadeira e me sentei na mesma, tentando manter uma postura séria e relaxada. Eles não poderiam saber o quão nervoso eu estava por estar ali, naquele setor.
- Chamamos você aqui, Justin, pois gostaríamos de saber seu interesse e intenções ao fazer parte do Projeto Chronos – Joseph falou, com a voz firme. – Uma vez que tudo esteja esclarecido você poderá ser parte oficial da equipe do Projeto.
Eles estavam me testando naquele momento. Meu pai me encarava com certa ansiedade e preocupação, e Joseph possuía uma feição indecifrável. Eu deveria dar uma resposta inteligente e mostrar segurança em minhas palavras. Dei um sorriso fraco e então comecei minha fala.
- Como os senhores sabem sempre trabalhei para as Indústrias Clark e sempre estive envolvido em estudos direcionados para a área científica, e mesmo que por algum tempo eu não tenha dado meu máximo devido a problemas pessoais graves, decidi que vou voltar a me dedicar e a buscar meu espaço, e para minha seria uma grande honra fazer parte do Projeto Chronos. É um grande projeto, que envolve milhões e que poderá garantir o nome da Indústrias Clark na história, e farei tudo para o mesmo dar certo, pois quero meu nome na história também – olhei de canto para meu pai que sorria abertamente depois do que eu havia falado.
- O Projeto Chronos desenvolve clones como uma apólice de seguros – Joseph começou a falar depois de alguns segundos me observando – para pessoas que possuam condições de pagar, claro. Cada um de nossos clones é um seguro de vida, jovem Justin. Quando algum dos patrocinadores precisar, digamos, de um fígado, nós iremos retirá-lo do seu clone. É sobre isso que se trata o Chronos.
- E qual a média de clones desenvolvidos atualmente no Projeto? – perguntei, tentando mostrar que o fato de eles criarem seres humanos para depois usarem seus órgãos como se eles fossem algo insignificante não me afetava, não me dá nojo.
- Como o valor da apólice é bem elevado temos somente 500 duplicatas em desenvolvimento, e mais duas já em forma humana e as usamos como testes. Eram três, mas uma conseguiu, de alguma forma fugir e ainda matou um de nossos cientistas, mas já colocamos uma equipe preparada atrás da fugitiva – meu pai quem havia respondido dessa vez, mas no momento meu cérebro havia travado. A fugitiva, no caso Meri, havia matado um homem. Eu não conseguia associar a garota que talvez ainda estivesse dormindo em minha cama com uma assassina, mas meus pensamentos foram interrompidos com a voz de Joseph ecoando pela sala.
- Então, você quer mesmo fazer parte do Chronos? – ele me encarava.
- Claro – respondi de forma simples e com um sorriso nos lábios.
America’s point of view
Depois que aquela musiquinha tocou logo cedo Justin levantou e foi tomar um banho, e eu continuei fingindo que estava dormindo. Ele se arrumou e pude ouvir o barulho vindo da cozinha e deduzi que ele estava comendo algo. Depois de alguns minutos ele voltou para o quarto e sentou ao lado da cama. Eu queria tanto abrir os olhos e ver seus olhos olhando nos meus, mas me contive assim que senti sua mão acariciando meu rosto de forma leve. Não consegui conter um suspiro.
- Eu tenho que ir para o laboratório – ele falou baixinho e sua voz era triste. – Você sabe que preciso ir e descobrir tudo o que eu puder e então destruir tudo. Por mim eu ficaria o dia inteiro aqui com você, Meri – não pude ignorar o pensamento de eu queria que ele desistisse de ir e ficasse comigo o dia inteiro mesmo. Minha vontade era de deixar todo o Chronos para trás e viver, pela primeira vez, mas eu não poderia esquecer que eu não era a única vítima e que eu deveria ajudar a salvar aquelas pessoas, mesmo que elas não soubessem o que eram e o sofrimento que poderiam ter. Depois de alguns minutos Justin se levantou e saiu do quarto, deixando seu cheiro para trás. Seu cheiro era maravilhoso. Fiquei mais algum tempo deitada olhando para o nada e absorvendo seu cheiro do travesseiro quando decidi levantar e tomar um banho. Deixei a água quente cair sobre minha pele e relaxei. Quando olhei no relógio já marcava 01:05 pm. Depois de comer uma coisa que encontrei na geladeira resolvi olhar as coisas de Justin. Na estante da sala peguei uma coisa redonda que estava em cima de algum aparelho e coloquei dentro do mesmo. No mesmo instante a grande televisão ligou e começaram a passar imagens. Sentei no sofá e fiquei assistindo ao que mostrou o nome na tela como “Diário e uma paixão”.
04:00 pm
Eu não gostava do gosto salgado que as lágrimas deixavam em meus lábios. Aquele Diário de uma paixão era devastador. Por que meus olhos não paravam de transbordar? Eles haviam morrido juntos depois de velhos porque o amor deles poderia fazer qualquer coisa. Era por isso que eu estava chorando. Eu nunca teria um amor assim. Eu nunca teria um amor, de qualquer forma.
Tirei a coisa redonda de dentro do aparelho e peguei uma outra e li em voz alta o que estava escrito.
- Chris Brown – e no mesmo instante a grande tv começou a aparecer “buscando... Encontrado” e um som começou a tocar, me assustando, e imagens começaram a aparecer.
“Now everybody put your hands in the air and let and say Yeah, yeah, yeah”
Fiquei olhando aquelas pessoas pulando de uma forma estranha até que acabasse e outras imagens começaram a aparecer com “Don’t Wake me up” escrito no canto esquerdo da tela. Eu realmente estava gostando daquilo. Sem notar eu já estava me balançando no ritmo da música e quando acabou apertei em “Relacionados” no canto direito da tela e então começaram a passar vários sons e imagens diferentes e fiquei fazendo isso a tarde inteira.
Come take my hand (baby) I won't let you go (let you go) I'll be your friend I will love you so deeply I will be the one To kiss you at night (kiss you at night) I will love you Until the end of time
Eu cantava e dançava essa música pela terceira vez de uma forma insana, porque de algum jeito aquela batida tomava conta de cada célula do meu corpo e era impossível eu não me movimentar como a mulher do vídeo. Eu estava tão animada que nem vi as horas passarem.
- America? – escutei a voz de Justin chamar e o vi parado na porta com uma expressão engraçada e então eu comecei a rir.
- Justin – me sentei com a respiração ofegante -, me desculpe! Acabei me empolgando com a música. Ele sentou ao meu lado e sorriu.
- Você está linda – eu não consegui evitar o sorriso que surgiu em meus lábios.
07:00 pm
Depois de Justin ter tomado um banho fui logo em seguida. Conversei com ele sobre o que fiz durante a tarde e agora ele estava me servindo uma lasanha.
- Por que tão sério? – perguntei escorada na bancada da cozinha, observando sua expressão séria e fechada. Ele suspirou e então me encarou.
- Você já matou alguém, America?
05 Nightmare
Aquilo tinha uma proporção muito maior do que eu poderia imaginar. Existia tecnologia o suficiente para algo como aquilo? Eu não sabia, mas pelo visto meu pai sim e ele sabia muito bem como a utilizar.
- Este é um dos estágios finais da criação dos clones, depois daqui eles serão inseridos em uma espécie de comunidade isolada, onde irão socializar-se entre si, com memórias implantadas por nós.
- Me explique do começo, pai – forcei um pouco a voz. – O que exatamente eles são? – tentei deixar a confusão evidente na minha fala, pois se eu não soubesse da existência da ruiva que agora dormia em minha cama eu ficaria se não mais confuso do que tentei parecer.
- São clones, Justin – ele admirava os corpos abaixo de nós. – Mas você vai saber mais conforme for se envolvendo com o projeto. Sempre foi um sonho trabalhar nele com você, filho. – ele sorria. O nojo e raiva que eu sentia naquele momento era tanto que se ficasse lá mais um segundo iria partir para cima dele com um soco. Respirei fundo duas vezes tentando me acalmar e então olhei para ele.
- Me desculpe por isso, pai. Sabe que desde a morte da mamãe eu ando um pouco atordoado.
- É bom saber que agora você resolveu tomar um rumo em sua vida, filho. Mas venha – ele me puxou para fora daquele lugar horrível. – Quero te mostrar nossos prodígios! – então ele entrou em uma sala ao lado e lá estavam em macas simples, duas garotas exatamente iguais a America. – Estas são America x1 e America x3 – ele começou a mexer em seu computador enquanto eu olhava paralisado para as duas mulheres dormindo, exatamente da mesma forma em que America estava em minha cama.
- E a America x2? – meu pai me olhou com um olhar nervoso.
- Ninguém sabe. Ela fugiu algumas noites atrás – minha expressão deveria ser de preocupação. – Mas não se preocupe, ela já deve estar morta. São como crianças. – ele sorriu e então olhando para os corpos nas macas fiz uma pergunta que no momento era muito importante.
- Como você faz para acorda-las? – e então meu celular começou a tocar. Atendi no segundo toque. Era Ryan avisando que minha garota havia acordado. Me despedi de meu pai da forma mais educada que consegui e fui em direção ao meu apartamento. Chegando lá me deparei com a sala quase destruída e no chão estava Ryan com America em cima dele.
- Me dê a chave agora ou eu te mato! – ela gritava com ele de forma ameaçadora.
- America! – falei, não me importando com a situação de Ryan mas sim aliviado por ver ela acordada – Finalmente você acordou! Não sabe como me preocupei, Meri – fui rápido em sua direção e a levantei envolvendo meus braços em sua cintura. Ela estava com um cheiro diferente.
- Justin – ela murmurou -, me solta agora! – fiz o que ela pediu e na mesma hora recebi um tapa na cara – Como você foi capaz? Me tirou da rua pra depois me entregar de bandeja pro seu amado pai? – ela estava com muita raiva, e o pior, havia decepção em sua voz.
- Eu nunca faria isso! Meu Deus, America – passei a mão em meu cabelo -, eu não fazia ideia de que meu pai, aquele velho idiota, estava metido nisso! Você acha mesmo que eu seria capaz de fazer parte de uma coisa dessas? – Ryan, que estava sentado no banco e com um braço apoiado na bancada se meteu na conversa.
- Você deveria saber que Justin odeia o pai dele, ruivinha...
- Ruivinha, Ryan? Sério? – olhei pra ele com a descrença evidente em minha voz – ele apenas deu de ombros e riu. – Ok! O foco é que, America, desde o dia em que te encontrei tudo o que faço é pensando em te ajudar. Eu realmente me importo com você e quero o seu bem, mas você precisa confiar em mim. – seus olhos verdes me fitavam e era possível ver a indecisão neles. Eu compreendia sua desconfiança – Por favor.
- Me desculpe pelo tapa – ela sussurrou. – Foi por... Qual é a palavra? – ela me encarou pedindo a resposta. Eu sorri.
- Impulso? – e agora foi a vez dela sorrir timidamente, assentindo fraco.
- Bom, agora que os loucos estão em paz novamente posso ir pra casa, certo? – Ryan veio em minha direção e me deu um abraço – Acho que seria uma boa providenciar uma camisa de força pra ruiva. – ele olhou para America – Sem ofensa, claro.
Depois que Ryan saiu contei tudo o que havia acontecido no dia de hoje para America, desde a visita do médico ontem à noite até minha ida ao laboratório. Ela parecia apavorada.
- É muito maior do que qualquer um de nós dois imaginávamos, Meri. Vamos ter que trabalhar duro pra acabar com tudo isso.
- Por que você fica me chamando de “Meri”? – ela parecia distraída naquele momento, olhando para uma mecha de seu cabelo. Linda.
- A-meri-ca – eu disse pausadamente e sorri triste. – Não gosta?
- Eu adoro – ela olhou pra mim e sorriu, e naquele exato segundo meu coração deu um salto e se contorceu. Droga, eu estava tão fodido. – Gosto da forma como você me trata e cuida de mim, Justin.
America’s point of view
Quando despertei encontrei um homem sentado no sofá de Justin e em questão de segundos fui correndo para cima dele por impulso. Todos faziam parte do Projeto que me criara. O homem parecia surpreso logo que pulei em cima dele e depois usou toda sua força para me colocar no chão.
- Quem é você? – gritei – O que você quer?
- Sou amigo do Justin. Ele me pediu pra cuidar de você, sua louca! – ele me respondeu aos gritos também e minha cabeça doeu um pouco, o que me distraiu e deu oportunidade para ficar por cima de mim e no mesmo instante pegou seu celular – Justin, ela acordou. Vem logo pra cá! – dei um chute no meio de suas pernas e ele se contorceu de dor, e mais uma vez fui pra cima dele.
- Vocês realmente acham que vão me enganar enquanto preparam tudo para me levar novamente ao laboratório? Só porque não sou normal acham que sou burra?
- Justin me disse que você era toda frágil e que eu deveria ter cuidado, mas parece mais uma lutadora de UFC – ele tentava se soltar. – Caramba, garota! Não quero te machucar, me larga – ele se debatia e então resolvi o soltar, apenas para ver o que ele iria fazer. Ele logo se levantou e ajeitou a roupa. – Você quer comer alguma coisa?
- Quero – respondi de forma rude. Quando ele estivesse distraído o suficiente eu encontraria a chave do apartamento e iria fugir. Eu precisava ficar em algum lugar seguro, e no momento em que pensei nisso a imagem de uma casa branca com um enorme gramado surgiu em minha mente. 1240. Despertei de meus devaneios com o som do prato sendo colocado na bancada da cozinha. – O que é isso? – no prato havia uma coisa amarela e estranha.
- Omelete – ele me deu um copo com suco. – Com queijo – e piscou. Deu uma mordida e nossa, era muito gostoso. Por mais raiva e desconfiança que eu estivesse sentindo, aquele era o momento certo de saborear um alimento novo. Depois de comer continuei sentada no banco e prestando atenção em todos os movimentos do amigo de Justin. Ele parecia bem à vontade no apartamento. Quando ele se virou para ir em direção ao quarto resolvi ser a hora de dar o bote e logo pulei em cima dele novamente.
- Me dê a chave agora ou eu te mato – gritei de forma ameaçadora e então escutei alguém chamar por meu nome, e quando olhei na direção da porta Justin estava parado olhando aquilo um pouco confuso, mas havia algo mais em seu olhar. Ele veio correndo em minha direção e me agarrou pela cintura, me tirando do chão.
- Finalmente você acordou! Não sabe como me preocupei, Meri! – ele disse enquanto me apertava forte em seus braços. Deus, como ele cheirava bem, mas eu não poderia esquecer o traidor que ele havia sido, e isso de certa forma causava uma dor estranha em meu peito.
- Justin, me solta agora! – ele me soltou e quando vi minha mão já estava indo de encontro com seu rosto, que depois do tapa ficou vermelho – Como você foi capaz? Me tirou da rua pra depois me entregar de bandeja pro seu amado pai? – eu estava tão decepcionada e aquilo me deixava com muita raiva. Eu não deveria ter criado expectativas tão altas em pouco tempo com uma pessoa que há um dia atrás eu nem sabia seu nome.
- Eu nunca faria isso! Meu Deus, America – ele passou a mão em seu cabelo, o deixando completamente bagunçado -, eu não fazia ideia de que meu pai, aquele velho idiota, estava metido nisso! Você acha mesmo que eu seria capaz de fazer parte de uma coisa dessas? – o amigo de Justin, que estava sentado no banco e com um braço apoiado na bancada se meteu na conversa.
- Você deveria saber que Justin odeia o pai dele, ruivinha...
- Ruivinha, Ryan? Sério? – Justin o encarou com uma expressão de quem não acredita no que ouviu e eu simplesmente o ignorei. – Ok! O foco é que, America, desde o dia em que te encontrei tudo o que faço é pensando em te ajudar. Eu realmente me importo com você e quero o teu bem, mas você precisa confiar em mim. Por favor. – eu não sabia se deveria acreditar nele, mas eu queria tanto. Eu sentia que eu podia confiar nele, que eu estava segura enquanto ele estivesse em minha vida e suas palavras soavam tão sinceras.
Depois que Justin me contou o que havia feito durante a tarde eu sabia que não seria fácil acabar com o Projeto, mas eu iria fazer tudo o que pudesse, mas resolvi não focar meus pensamentos nisso por muito tempo. Como eu disse, eu não sabia quase nada sobre Justin e queria usar um pouco de meu tempo para conhecê-lo. Quando já estava anoitecendo Justin sugeriu que comêssemos pizza e eu aceitei, mesmo não sabendo o que seria uma pizza. Uma hora depois estávamos sentados no sofá com uma coisa redonda e cheia de queijo – isso eu sabia o que era graças ao amigo de Justin – estava sobre a mesa de centro.
- Isso é realmente muito saboroso – falei enquanto dava uma enorme mordida em um pedaço da pizza.
- Você tem katchup na boca, Meri – Justin começou a rir e então pegou o que ele chamou de guardanapo e me entregou para que eu limpasse a sujeira. – Você sempre se suja quando come - ignorei seu comentário desnecessário e continuei comendo tranquilamente aquele pedaço do céu. Quando restavam dois pedaços resolvi começar meu questionário.
- Qual sua história, Justin?
- Minha história começou na noite em que te encontrei, Meri.
Já era tarde quando fomos dormir. Como sempre Justin for dormir na sala e eu fiquei com sua grande e confortável cama. O que a deixava mais confortável era o cheiro que nela havia. Demorei um pouco para pegar no sono mas quando o fiz foi um grande erro.
- Ela é muito desenvolvida. Age como se fosse um ser humano normal – um dos homens que me mantinham presa falou.
- E o que você sugere, Jeremy? – um cara mais novo perguntou.
Eu estava deitada na maca de sempre, fingindo que dormia. Eles não haviam conectado os tubos de forma correta e então eu estava bem alerta. Sem os tubos eu não pegava no sono na hora em que eles queriam.
- Vamos extermina-la, Matt – Jeremy disse de uma forma tão casual que meu nojo só aumentou. Não era muito comum eu ter sentimentos, mas nos últimos tempos coisas incomuns aconteciam comigo a cada segundo.
Depois de alguns minutos a sala ficou silenciosa e abri um dos meus olhos bem devagar e pude ver Matt próximo a minha maca, mas de costas. Essa seria minha oportunidade. Levantei o mais devagar e silenciosa possível e peguei um instrumento prateado e brilhante e logo pulei em cima de Matt, fincando o instrumento em seu pescoço. No mesmo momento ele deu um grito agudo e começou a sangrar. Era muito sangue, o que me assustou. Matt foi ficando mole e então caiu no chão. Quando ele tentou agarrar minha perna com o pouco de força que lhe restava dei mais uma fincada em seu pescoço e então seus olhos se fecharam. Peguei o quadrado metálico que ele sempre usava para abrir as portas e saí correndo, mas seu corpo jogado no chão me assombraria para sempre.