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Anemi Jazz Festival | Φολέγανδρος 2016 - 28, 29 και 30/7
Anemi Jazz Festival | Φολέγανδρος 2016 – 28, 29 και 30/7
Αυτό το καλοκαίρι η μουσική μας καλεί στην Φολέγανδρο! 28 Ιουλίου | Point 2 | Χρήστος Ραφαηλίδης – Πέτρος Κλαμπάνης (Αnemi Hotel – Είσοδος με προσκλήσεις) 29 Ιουλίου | Δήμητρα Γαλάνη feat. CHRONOS PROJECT (Χώρα Φολεγάνδρου – Ώρα έναρξης: 21.00 | Τιμές εισιτηρίων: 12 ευρώ, είσοδος ελεύθερη για παιδιά έως 6 ετών) 30 Iουλίου | Ομιλία & ανοιχτή συζήτηση με το κοινό για το CHRONOS PROJECT (Σχολείο,…
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“ CHRONOS PROJECT “...
Dimitra Galani, Petros Klampanis, Christos Rafalides, Thomas Konstantinou, Spyros Manesis - “Chronos Project” (2016): Enchanting & timeless…“Chronos Project” is a jazzy pilgrimage to the Greek traditional and popular songbook. Just about the best genre performers in all aspects…Highly recommended...
Justin with America - Chronos Project
19 Worries
Os lábios de America colado nos meus. Nosso beijo apaixonado, mas ao mesmo tempo cheio de desejo. Ambos gostávamos de sentir o fogo que nos consumia cada vez que nossos corpos nus se chocavam. Tudo o que sentíamos era o amor, desejo, calor e o ar nos faltando e sorríamos como amantes prestes a ser pegos no flagra. Dois apaixonados completamente loucos um pelo outro, não importando o mundo à nossa volta. Senti-la tão entregue a mim, suspirando meu nome em meio aos gemidos que ela tentava conter, arranhando minhas costas, suas pernas enlaçadas em meu corpo suado eram as únicas coisas que me importavam no momento.
Desde a primeira vez que a vi ela já me teve. Pertenço a ela de todas as formas humanas e inumanas possíveis, assim como ela é minha de corpo e alma. Já nos pertencíamos antes mesmo de nos encontrarmos. Ela foi feita para mim, desde o início e não há como negar. Tudo o que passamos serviu para tornar ainda mais forte a certeza desse sentimento.
Estávamos deitados em nossa cama tentando regular nossa respiração, antes quase inexistente, e ter seus braços em volta de minha cintura era tudo o que eu precisava. Suas mãos acariciando meu peito nu me causando arrepios era a melhor sensação.
- Justin – ela fazia traços abstratos em meu peitoral enquanto eu acariciava seu ombro desnudo -, como será que Mary está?
Havia se passado um ano desde que finalmente conseguimos acabar com o Chronos Project e Mary era a “irmã gêmea” de America. Ela assumiu a culpa pelas vidas que ela e eu tiramos, mas não foi presa. Na verdade, muita coisa aconteceu.
Naquele fim de tarde e durante algumas semanas foi tudo uma confusão. Depois que a impressa e uma equipe de policiais apareceram no local onde se localizava a Base fomos interrogados durante horas. Eles não conseguiam entender como o Chronos fora mantido por tanto tempo sem que fosse descoberto, e infelizmente nem eu, mas contamos tudo o que sabíamos e havia acontecido naqueles dias – modificando algumas coisas, como o fato de eu ter matado Andrew e Jeremy.
O corpo de meu “pai” não foi encontrado, já que depois de alguns minutos o fogo havia tomado conta de toda a parte mecânica da Base e quase chegando ao Grande Salão, e então Jeremy foi dado como fugitivo. Eu tentava ao máximo pensar da mesma forma, assim seria uma morte a menos para carregar comigo.
America, no caso, Mary, foi uma das mais interrogadas, contando tudo o que sabia, como funcionava a vida dentro da Base e no fim foi considerada “inocente” das acusações, pois não teve a mesma educação e conhecimento da sociedade como nós, humanos “normais”, conhecíamos. Mesmo achando esse papo de “humanos normais” uma bobagem, fiquei feliz por ela ter a chance de viver sua vida, exceto pela parte que muitos cientistas queriam usar, não apenas ela, como muitos dos outros clones para “testes”, mas isso não aconteceu. Agora Mary vivia em uma pequena cidade em Georgia e tentava construir uma vida – mas sendo vigiada 24 horas por dia por guardas do governo. Todos os clones eram protegidos e estudados à distância pelo governo americano, inclusive Meri. Muitas vezes podia perceber que ela ficava um pouco incomodada com isso, mas era necessário. Durante algum tempo nossos rostos ficavam passando em vários noticiários e curiosos não faltavam.
Os “donos” dos clones não foram reembolsados por “perderem seu seguro de vida” e Julie foi presa, já que ela colaborou para o Chronos sabendo exatamente do que se tratava e como funcionava. O velho Joseph apodreceria na cadeia.
Tudo estava tomando um bom rumo na vida de todos. Meri e eu nos mudamos para Los Angeles e agora moramos em uma casa branca de dois andares, com janelas azuis e um jardim enorme já que nossa cachorra, Lola, uma labradora cheia de energia, precisava de espaço. Eu trabalhava com Ryan – que também estava morando em LA – e America estava estudando publicidade – depois de ter feito inúmeras provas atestando aptidão para o nível superior, já que ela nunca havia estudado antes.
- Amanhã ligamos pra ela, amor – falei baixo, com a voz rouca já que eu estava caindo de sono.
- Eu te amo, Justin – ela beijou meu peitoral.
- Eu te amo, Meri – e então deixei o sono me levar.
***
Era sábado e Meri e eu caminhávamos pelo bairro numa tentativa de diminuir a ansiedade. Há algumas semanas ela vem se sentindo enjoada, muitas vezes tontura e cansaço. Não podíamos correr porque logo ela ficava ofegante. Durante a última semana fomos em um médico e hoje iríamos pegar o resultado dos exames. Eu achava que um filho estava a caminho e não conseguia conter minha felicidade.
Um pouco antes da hora do almoço fomos ao médico para saber o resultado dos exames e ambos tínhamos nossas mão suadas enquanto esperávamos que chamasse o nome de America.
- America Andrews? – um senhor com o cabelo um pouco grisalho, bem baixinho e um pouco gordo apareceu à porta, chamando por ela. Balancei a cabeça negativamente ao ouvir o sobrenome que ela havia escolhido, ao invés de Bieber. Ela havia alegado que queria ter a oportunidade de trocar o sobrenome depois do casamento, como uma mulher normal. Sim, nós iríamos nos casar, mas isso ainda iria demorar um pouco.
Entramos na sala do doutor e sentamos nas cadeiras em frente sua mesa. Ele segurava alguns papéis em suas mãos e estava sério.
- E então, Doutor? – ela perguntou, a ansiedade transbordando por sua voz.
- Com todos os sintomas que você me contou que sentia acreditei profundamente que fosse uma gravidez – ele suspirou -, mas não é. Você não está grávida.
Soltei um suspiro pesado e me afundei à cadeira. America segurava suas mãos e também soltou um suspiro. Ela estava triste.
- Eu gostaria que você fizesse mais alguns exames para poder entender melhor o que você tem, senhorita Andrews – ele escrevia algo em uma folha de papel e logo entregou para America. Ela leu o conteúdo do papel e me entregou o mesmo em seguida. Ele havia escrito todos os exames que deveríamos marcar, e achei muitos. Eram raio-x, ecocardiograma, mais um exame de sangue, um de urina ressonância magnética.
- Por que tantos exames, Doutor? – perguntei, um pouco assustado.
- Para não restarem dúvidas – ele sorriu fraco.
Depois que deixamos a sala do doutor fomo em direção ao balcão da clínica e marcamos todos os exames pedidos. No carro, quando voltávamos pra casa, o silêncio predominou. Eu estava preocupado com America.
- Vamos pedir algo? – ela largou sua bolsa no sofá e pegou o telefone. Assenti fraco e voltei para o jardim em frente nossa casa, chamando Lola que veio correndo na minha direção. Meus pensamentos estavam à mil e Lola era uma boa distração. Ela ainda era filhotinha de no máximo uns seis meses, mas ela crescia rápido. Fiquei brincando com Lola até que senti Meri me abraçando por trás.
- Me desculpe – ela sussurrou, beijando meu pescoço em seguida.
- Pelo que? – me virei para que pudesse encara-la.
- Você sabe – ela baixou os olhos.
Sim, eu estava triste por ela não estar grávida, mas não era o fim do mundo. Ainda era cedo para termos um filho, de qualquer forma. Eu queria me consolidar no trabalho e que Meri se formasse e assim iríamos estruturando nossa vida e nossa família aos poucos. O que me deixava abalado não era ela não estar grávida, e sim o que ela poderia ter. O médico não iria pedir todos aqueles exames se não estivesse preocupado.
- Para de falar besteira, Meri. – a abracei forte contra mim – Estou apenas preocupado com todos esses exames.
- Não vai ser nada de mais, você vai ver.

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18 Open sky
Dois tiros foram disparados, e um deles saiu da arma que estava em minhas mãos. Olhei para os dois corpos caídos no chão, o sangue começando a cobrir a superfície. Todos naquele salão estavam paralisados, mas minha maior preocupação era a ruiva que estava bem na minha frente, poucos metros distante de mim.
- Justin? – escutei aquela voz tão conhecida por mim me chamar, mas achei estranho já que America estava bem na minha frente e não tinha aberto a boca em nenhum segundo. Olhei para o outro lado do grande salão e lá estava uma garota loira, com os cabelos longos e uma roupa toda branca. Seus olhos estavam vermelhos e sua expressão se transformou em segundos de confusão para dor. Ela correu em minha direção, mas parou antes de chegar em mim, se agachando ao lado de um dos corpos, sem se importar com todo o sangue sujando suas roupas e suas mãos. Queria eu não me importar com o sangue que tinha nas minhas.
Antes de estar no grande salão eu estava lutando contra meu pai, que queria me ver morto não importasse o que seria necessário fazer para conseguir êxito. Brigávamos como selvagens, com sangue no punho, cortes por todo o rosto, chutes e socos não faltaram. Em um golpe forte, pegando Jeremy de surpresa, consegui derrubá-lo e assim que ele estava no chão chutei seu rosto com força e ele logo desmaiou. Agachei ao lado de seu corpo e procurei por uma arma, mas uma arma de verdade, e a encontrei presa na parte de trás de seu sinto. Olhei para seu corpo no chão e então todas as memórias que tinha dele se passaram em minha mente. Toda a dor, toda a decepção, todo o medo que ele me fez sentir, a dor que ele causou em minha mãe, seu egoísmo e sede pelo poder. Todas essas memórias me fizeram levantar e mirar a arma em sua cabeça. Sangue espalhado, um corpo sem vida no chão e uma morte em minhas mãos. Mais uma.
A garota loira estava agarrada ao meu corpo vazio no chão, ou melhor, no corpo dele. Ela chorava e soluçava tão alto, cada grito de dor entrando por minha pele e me fazendo sentir seu desespero e agonia.
- Fica comigo, Justin – ela falava em seu ouvido -, não me deixa! Lembra que estávamos planejando o que fazer quando fosse seguro para nós lá fora? Quero cumprir todos os planos que fizemos, Justin, e você está neles! – seu corpo tremia por conta do choro.
Ao lado do corpo dele estava Andrew, jogado no chão no meio daquela enorme poça de sangue. Ele estava morto, isso era óbvio, mas não consegui me sentir feliz ou aliviado. Me sentia culpado, sentia o peso da sua alma na minha, sentia-me como o anjo da morte.
Desviei meu olhar para America, que estava estática, sem reação alguma, seus olhos vazios e droga! Eu precisava dela consciente, ciente do que falar e fazer, mas naquele momento ela estava como na noite em que a encontrei, completamente perdida, como uma criança.
Olhei por todo o grande salão e as muitas pessoas estavam igualmente estáticas, mas no lugar do olhar vazios, seus olhos expressavam medo e confusão. O número de pessoas apenas aumentava e então a confusão se fez presente através das vozes que ecoavam pelo grande espaço, todos se perguntavam o que realmente estava acontecendo e eu iria contar.
- Preciso que me escutem! – falei alto, chamando a atenção de todos, que me olharam atentos. Larguei a arma que ainda segurava em minha mão no chão e suspirei. Eu não sabia como explicar toda a situação de uma forma clara. Tudo o que saísse da minha boca seria confuso, e tinha medo de que, ao saber o que realmente eram, pudessem se revoltar e então estaríamos perdidos. – Vocês devem estar se perguntando o que está acontecendo, quem eu sou, quem ela é – apontei para America, que no mesmo instante deu alguns passos em minha direção, se colocando ao meu lado, passando seus braços por mim cintura. Foi impossível não sorrir com aquilo, mas naquele momento o importante era contar a verdade para todas as pessoas que nos encaravam. – Meu nome é Justin Drew Bieber e o dela é America x2...
- E o meu é America x3 – olhei para o meu lado direto, oposto no qual eu tinha minha America em meus braços, e a loira estava ali, encarando todos e então virou seu rosto para mim por apenas alguns segundos, logo voltando sua atenção para a centena de pessoas que nos observava. – E o que eu sou? O que America é? Somos humanas, certo? Mas como é possível sermos tão iguais? Por que a única coisa que nos diferencia realmente é um número? Por que todos nós que moramos nessa base somos numerados?
- Por que vocês foram presos aqui? – perguntei, e então um cara alto e moreno deu um passo à frente.
- Um gás tóxico tomou conta do país e do mundo. Todos que estão aqui foram resgatados, e enquanto não for seguro lá fora permaneceremos aqui – sua voz estava cheia de convicção, certo de cada palavra que saía da sua boca.
- E quem te contou isso? – sorri de canto.
- Minhas memórias! Lembro de como tudo aconteceu, até eu inalar o gás.
- Qual é seu nome?
- Beta 25 – ele respondeu.
- Seu verdadeiro nome, não sua numeração.
- Anthony – ele falou com a voz baixa.
- Muito bem, Anthony. Você estava na sua casa, em um subúrbio de Atlanta, sentado na varanda quando uma imensa nuvem amarela tomou conta da cidade. Você tentou correr para chamar seu pai, que conversava com o vizinho, quando começou a sentir seu corpo arder, ficar fraco e então desmaiou, certo? – ele assentiu, um pouco assustado por eu saber exatamente como ele achava que tinha acontecido – Quem mais tem a mesma lembrança? – várias pessoas levantaram as mãos e então se entreolharam surpresos – Quem passou a infância em uma pequena fazenda correndo com um pequeno cachorro? Alguns se chamavam Tobby, outros Holly ou Bob – e então todos levantaram as mãos, cada vez mais assustados.
As America’s continuavam paradas, apenas observando tudo caladas. Minha America continuava assustada e a outra apenas absorvia todas as informações e percebi que ela já começava a juntar as peças do quebra-cabeça.
- Agora repito a pergunta que America fez para vocês: como as duas podem ser iguais? – apontei para a ruiva agarrada em meu corpo e para a loira que encarava todos atentamente – Vocês não são únicos! Existe mais um de cada um de vocês no mundo lá fora, vivendo suas vidas. Vocês são como um espelho. Entendem o que quero dizer?
- Você quer dizer que temos irmãos gêmeos? – uma morena perguntou.
- Estou querendo dizer que vocês foram criados e programados – suspirei. Não conseguia encontrar outra forma de contar aquilo – Vocês são clones. Duplicatas de um ser humano que teve dinheiro o suficiente para pagar alguém que criasse vocês.
- Justin? – Meri sussurrou.
- Meri? Você ‘tá bem? – a olhei nos olhos e percebi que eles estavam mais vivos. Suspirei de alívio.
- Não foi você que levou o tiro? – ela ficou na ponta dos pés e tocou meu rosto, lágrimas surgindo em seus olhos. Sorri fraco enquanto ela acariciava minha pele.
- Foi o meu Justin – a loira falou, sua voz rouca. America virou seu rosto para encarar a garota e então seus olhos foram para além dela, para os dois corpos sem vida no chão. Ela soltou meu corpo e caminhou na direção deles.
- Jeremy não tem limites – ela falou, a voz chorosa.
- Nós ainda queremos uma explicação – Anthony praticamente gritou, chamando a atenção de America, que até aquele momento parecia não ter percebido todas aquelas pessoas nos encarando.
- Que explicação você quer? – sua voz estava embargada. Ela levantou e encarou Anthony – Eu sou um rato de laboratório, ela – apontou para a outra America – é um rato de laboratório, você é um rato de laboratório, todos nós somos! Em algum momento vocês iriam parar em uma maca e teriam seus órgãos arrancados para que seus donos não corressem o risco de morrer. Nós morreríamos por eles! – ela gritou – É tudo uma mentira! Esse mundo no qual vocês acreditam não existe!
Todos começaram a falar ao mesmo tempo, visivelmente aturdidos com tudo o que lhes foi contado. Muitos gritavam contestando todas as palavras proferidas por America e eu, e pude perceber o caos se instalando. Duas portas foram abertas em um rompante e cerca de cinco homens vestidos completamente de preto surgiram segurando armas em suas mãos. Eles eram os seguranças da Base. Vi alguém se movimentar ao meu lado e então vi a loira segurando a arma que eu havia largado no chão.
BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!
Seis tiros, cinco mortos e uma gritaria total. Corri rápido na direção de America, me abaixei ao lado do corpo de Andrew e tateei à procura do seu cartão de identificação. Depois que o encontrei peguei no braço de America e a puxei comigo, correndo pelo caminho que eu havia feito para chegar até aquele salão.
- Sem pânico, pessoal! – escutei a loira gritar para todas aquelas pessoas, mas os deixei para trás. Precisava terminar o que eu havia começado.
AMERICA’S POV
Justin apertava minha mão com força, me puxando por inúmeros corredores. Descemos várias escadas, passando por lugares cheios de máquinas. Depois de descer mais uma escada que estava colada na parede, Justin desceu logo atrás de mim e foi rápido em direção à uma grande máquina azul, protegida por um vidro. Olhei por todo o lugar e então dei um grito agudo. No chão, cheio de sangue, completamente branco, quase roxo, estava Jeremy.
- O que foi isso, America? – Justin parou ao meu lado e então olhou para o corpo sem vida no chão – Ah! Tinha me esquecido que ele estava aí – ele falou, e pude perceber apenas pela sua voz que ele segurava o choro, mas não queria demonstrar fraqueza, e tentou se fazer de indiferente. Ele saiu de perto de mim e o encarei, vendo-o passar um pequeno cartão no painel que havia no vidro. Uma porta se abriu e então ele se aproximou daquela grande máquina.
- O que você está fazendo? – me aproximei o vi apertando alguns botões e então arrancando diversos fios. Faíscas começaram a sair e Justin se afastou, pegando minha mão.
- O que vim fazer aqui antes de toda essa confusão. – ele me puxou – Precisamos subir antes de tudo pegar fogo – olhei para trás e a máquina já estava sendo consumida por chamas.
Depois de subirmos todos aqueles andares paramos em um grande corredor e segurei Justin, fazendo com que parasse de correr. Apoiei minhas mãos nos joelhos enquanto tentava recuperar o folego.
Eu ainda não estava me sentindo tão bem. Depois de pensar que Justin havia sido morto, de gritar com aquelas pessoas, de ver alguém idêntica a mim atirar em cinco homens, correr por uma distância enorme, ver três pessoas mortas – sendo que uma delas tinha o mesmo rosto do homem que eu amo -, não posso dizer que estou ótima, pronta para tudo o que vier. Eu havia entrando em estado de choque no momento que escutei aqueles tiros sendo disparados, achando que Justin estava morto. Por longos minutos eu era uma criança assistindo uma grande peça de teatro, tentando entender a cena que se desenrolava em minha frente, e aos poucos, escutando as palavras que saíam da boca de Justin, fui voltando à consciência. Era muita coisa pra processar e em pouco tempo.
- America? – ele parou em minha frente, se abaixando para poder me olhar nos olhos.
- O que vai acontecer agora, já que você destruiu aquela máquina?
- Grande parte de nossos problemas estarão resolvidos. Os computadores irão parar, todo o sistema que ilude as pessoas que vivem aqui irá cair, o teto irá se abrir e o que nos resta será esperar por Ryan – ele sorriu.
- Ryan?
JUSTIN’S POV UMA HORA ANTES
Tateava pelos bolsos da roupa que o corpo sem vida no chão usava. Com lágrimas escorrendo por meu rosto finalmente encontrei seu celular. Disquei o número que eu sabia decor, da única pessoa que sempre me ajudou, não importando a situação.
- Eu já falei que não sei nada sobre ele, Jeremy – sua voz impaciente falou do outro lado da linha.
- Ryan, sou eu!
- Justin? – segundos em silêncio – Puta que pariu, viado! Você ‘tá bem? ‘Tô te procurando como cachorro procurando cadela no cio! – ele gritou, e um riso escapou de meus lábios.
- Preciso da sua ajuda, e rápido!
- Pode falar!
Contei a história resumida para ele, já que não poderia perder tempo, explicando que eu precisava que ele avisa-se todas as autoridades sobre o Chronos. Avisa-se jornais, emissoras e eu sabia que isso seria um escândalo. Eu queria que o mundo inteiro descobrisse o Chronos, e que se duvidassem era só irem ao endereço da base que eu havia lhe passado, que eles veriam com os próprios olhos.
- Mas e se não acreditarem? – ele parecia apreensivo.
- Eles vão acreditar, Ryan! Eles têm quem acreditar ou vou estar perdido!
ATUALMENTE
Chegamos novamente no grande salão e nos deparamos com o céu nublado de Atlanta. Um sorriso surgiu em meus lábios.
Eu sabia que aquilo iria acontecer. Com a pane na máquina de alimentação da base o teto se moveria, como uma saída de emergência, e das paredes surgiam escadas brancas. Como a base era subterrânea, no fim das escadas o que nos esperava era o solo daquela área deserta. Muitos já subiam as escadas e eu só queria que a polícia chegasse logo.
Caminhamos por aquele salão e encontramos a loira que olhava para tudo um pouco surpresa.
- Você está bem? – ela me olhou e arregalou os olhos, mas logo suavizou a expressão.
- Me desculpe! Ainda não me acostumei a ter alguém igual a mim e igual ao homem que sempre esteve ao meu lado – ela sorriu, mas a tristeza em seus olhos era evidente.
- Me desculpe por isso – falei, e eu realmente sentia muito. Nunca quis que pessoas inocentes morressem. Ela sorriu e então se aproximou ainda mais de mim.
- Não sinta! Eu quem disparei o tiro que matou o cara de azul, e ele disparou o tiro que matou o meu Justin.
- Mas foi eu quem – ela não me deixou terminar.
- Você apenas fez o que deveria ser feito, e não matou ninguém, ok? Você apenas nos contou a verdade e nos salvou.
- Obrigada – America a abraçou, e foi impossível não estranhar as duas se abraçando e se olhando com lágrimas nos olhos.
- Só tem lugar para uma America nesse mundo – a loira falou -, e ela é você.
- Você vai ficar bem? – Meri sussurrou.
- Apenas uma prisão diferente – e aquelas palavras arderam em meu peito. Ela não merecia aquilo, mas eu tinha que ser egoísta. Se eu admitisse a culpa que tinha, eu seria preso e então perderia America para sempre, e depois de tanto lutar para não a perder, não iria entregar os pontos tão fácil.
E então o som de helicópteros e sirenes começou a invadir o local. Nós três subimos as escadas junto com todos os outros e então encaramos o deserto que se estendia à nossa frente, agora cheio de pessoas com suas roupas brancas encarando o mundo que as esperava, e pessoas descendo de suas viaturas enquanto outras seguravam câmeras, filmando tudo o que acontecia.
Eu observava tudo de longe, com o corpo de America grudado ao meu. Eu nunca mais a largaria. Nunca mais a perderia de vista nesse mundo imenso.
- Acha que agora vamos ter paz? – ela sussurrou, observando tudo, assim como eu.
- Você nunca vai me deixar em paz – ela me olhou e um sorriso lindo surgiu em seus lábios.
Toda a dor sempre valeria a pena, no final.
17 Justin?
Eu poderia jurar que estava me olhando em um espelho, não fossem as roupas totalmente diferentes e o cabelo loiro e longo que ela tinha. Nossas feições eram idênticas, a incredulidade nos dois rostos que agora se encaravam.
- Quem é você? – ela falou em um sussurro.
- Me chamo America – sorri de canto -, e você?
Ela me analisou dos pés à cabeça e deu um passo para trás. Fiquei a observando e tive que admitir: loiro não lhe favorecia muito.
- America x3 – ela falou.
- Temos um pequeno problema aqui, não é? – dei um passo na sua direção, minha voz num tom um pouco debochado.
- Como isso é possível? – na sua voz tudo o que senti foi medo. Ela falava como eu logo que Justin me encontrou.
- Pelo visto não contam muitas coisas pra vocês, não é? Você sabe onde está a America x1?
- America x1? – a confusão ficou ainda mais evidente em seu olhar.
- Bom, você é a America x3 e eu sou a America x2... A x1 deve estar em algum lugar, certo?
- Isso não é real – ela sussurrou e então fechou os olhos bem forte. No mesmo segundo fui rápido em sua direção, lhe acertando um soco do lado direito e então a joguei contra a parede, fazendo com que ela desmaiasse. Eu não queria ter que machucar alguém como eu, mas ela não poderia ficar andando por aí enquanto eu tentava encontrar Justin. Só uma America poderia encontra-lo.
ANDREW’S POV
Ainda não conseguia acreditar na atitude que America tinha tomado. Ela nunca foi assim, violenta dessa forma. Ela sempre foi doce, calma, um pouco assustada às vezes. Inteligente eu sempre soube que ela era, não era à toa que queriam mata-la, mas nunca a imaginei lutando daquela forma, com os olhos verdes tão cheios de ódio e dor. Ela não sabia o que estava fazendo de verdade, ela apenas agia por instinto, e seu instinto era o mesmo que o de Julie Baker, a dona do rosto que America levava consigo.
Julie, cerca de três anos atrás, era minha namorada – quase noiva – e estávamos muito felizes juntos, até que de uma hora para outra ela começou a agir de forma diferente comigo. Seu temperamento sempre fora um pouco explosivo, e sua personalidade um pouco egoísta, mas do nada tudo isso se intensificou e então descobri que ela estava tendo um caso com Matt. Lembra do Matt, meu irmão o qual America matou para conseguir fugir? Ele mesmo! Nada mais irônico não é? Ser morto pelo rosto que estaria te esperando em casa.
Fora Matt que insistira para Julie ser a primeira pessoa a ter uma duplicata, garantindo que ela ganharia uma boa quantia e se algum dia ela ficasse doente ou qualquer coisa muito grave, ela não iria morrer, pois teria alguém para doar órgãos 100% compatíveis, e logo depois me envolvi no Chronos, ainda sem saber que se tratava de um abate humano.
Eu já tinha saído da sala em que America havia me deixado atirado no chão, e agora procurava por ela e Justin em todos os lugares possíveis e impossíveis da Base. Não deveria ser tão difícil encontra-los já que eu conhecia o lugar melhor que eles.
- Senhor, você está bem? – um dos guardas apareceu de súbito em minha frente, provavelmente assustado com as marcas em meu rosto.
- Estou ótimo – sorri fraco e continuei meu caminho, procurando por aqueles dois.
AMERICA’S POV
Eu já havia procurado por todos os cantos daquele lugar. Eu já estava cansada e desesperada. Encostei-me na parede e deixei meu corpo deslizar pela mesma até que eu sentasse no chão. Respirei fundo diversas vezes tentando me acalmar e então senti lágrimas escorrerem por minha face. O que eu estava fazendo, afinal?
Cerca de duas semanas atrás Justin e eu éramos apenas duas pessoas em seu apartamento, comendo pizza e conversando, nos protegendo, e agora cada um estava em um canto diferente lutando por sua vida, lutando um pelo outro. Lutando com o nosso maior inimigo, prontos para derrota-lo e então sermos capazes de seguir nossas vidas.
Até agora, desde o momento em que cheguei na Base, a única coisa que fiz foi agir como uma pessoa louca, apenas querendo sobreviver. Eu era uma pessoa forte e com coragem, mas não a selvagem que fui.
O que Justin pensaria se me visse lutando como lutei com Andrew, jogando contra parede alguém tão semelhante a mim? Agora que eu estava mais calma a realidade me invadia tão rapidamente, me fazendo desmoronar.
Eu não poderia me deixar abater, me deixar levar pelo nervosismo como fiz quando fugi da Clark. Eu precisava me levantar e continuar procurando por Justin, e foi o que fiz. Levantei e fiz todo o caminho de volta por aqueles imensos corredores. Próximo do quarto no qual eu havia trancado minha irmã – se é que eu posso chama-la desse jeito, ou qualquer outro – eu podia escutar seus gritos e os murros que ela dava na porta. Continuei caminhando, olhando fixamente para o fim do corredor desejando que ela me perdoasse depois que estivesse livre para viver sua vida no mundo lá fora.
Desci as escadas que levavam novamente para aquele salão enorme e cheio de clones. Assim como da primeira vez que passei por ali todos me encaravam curiosos. Parei bem no centro do grande salão e então olhei em volta, dessa vez analisando todos os cantos possíveis com cuidado e atenção. Algo me dizia que era minha última chance.
- Que cabelo é esse, America? E essa roupa – olhei para o lado e uma jovem, de aparentemente uns 20 anos, loira e de cabelos bem curtinhos, estava parada me olhando de uma forma preocupada.
- Eu preciso da sua ajuda – sussurrei. – Preciso encontrar uma pessoa, e é urgente.
- America? – a voz que eu queria tanto ouvir finalmente chamou por mim. Olhei para trás e ele estava lá, vestido todo de branco assim como os outros. Havia uma faixa de suor escorrendo por seu rosto. Ele estava aparentemente cansado. Seu cabelo bagunçado, a roupa desajeitada o deixavam mais lindo. Ele me olhava confuso e preocupado, e então um vulto azul surgiu por trás dele, agarrando seu pescoço e apontando uma arma para sua cabeça.
- Vejo que encontrou seu amado – Andrew falou e então sorriu. Seu olho estava roxo ao extremo.
- Andrew, guarde essa arma! Não estamos só nós três aqui! – gritei, pois ele aparentemente havia esquecido dos clones espalhados pelo grande salão, todos paralisados e com os olhos arregalados.
- Logo eles irão esquecer tudo o que aconteceu no dia de hoje, America, mas aposto que você não e bom, seu Justin não vai ter como lembrar de nada.
- O que você quer dizer? – minha voz estava trêmula, meu corpo fraco.
Por que Justin não reagia enquanto Andrew conversava comigo? Por que ele ficava parado com o medo estampado em seus olhos?
- Você matou meu irmão, America. Estou apenas lhe devolvendo o favor – e então ele movimentou seu dedo no gatilho da arma e no segundo seguinte pude escutar dois tiros, um atrás do outro.
16 Almost there
AMERICA’S POV
Andrew estava deitado, os olhos fechados, sua respiração pesada, apenas esperando o tiro que iria direto na sua cabeça. A arma em minha mão já estava destravada, apenas esperando que eu apertasse o gatilho, e então aquela sala branca logo estaria manchada em vermelho. Suspirei.
- Você não vale tudo isso, Andrew. Não vou destruir mais um pouco de mim por alguém como você – ele abriu os olhos e me encarou. Eu ainda tinha a arma apontada na sua direção. – Eu estou tão irritada agora. Tão magoada! – senti meus olhos arderem e lágrimas teimosas caírem por minha face – Confiei em você, Andrew. Justin confiou em você! – gritei – E olha só a situação em que estamos, Ands. Você vai morrer, Justin vai morrer e eu irei também. Todos nós estamos ferrados!
Andrew apenas me olhava com uma expressão assustada. Ele não tinha mais ideia do que eu faria com ele. Meu coração ainda doía com a hipótese de perder Justin.
- America – ele suspirou -, me dê mais uma chance! Eu posso ajudar Justin a sair vivo dessa, e você também!
- Agora não depende nem de você, e muito menos de mim, Ands. – baixei a arma – Não existe mais plano algum. Está tudo na mão do destino! – coloquei a arma no cós de minha calça preta – Mas uma coisa você pode ter certeza, Ands. O destino vai te fazer pagar, e caro!
JUSTIN’S POV
Já havia destruído muitas máquinas de tantas peças que arranquei das mesmas para tentar quebrar aquele vidro idiota. O medo estava presente em cada centímetro de meu corpo, em cada gota de suor que escorria por minha face. Mas eu não estava com medo por mim. Quero dizer, é obvio que eu estava com medo de morrer, mas o que mais me apavorava era America. O que estaria acontecendo com ela, como ela ficaria ao descobrir minha morte.
Passos me despertaram do transe e então olhei na direção da escada pela qual eu havia descido.
- O que faz aqui, meu filho? – sua voz grave ecoou pelo lugar e senti minhas mãos se fecharem em punho. O que ele estaria fazendo ali? Eu imaginei que seguranças fossem chegar a qualquer momento, armados e prontos para me trucidar, mas não que Jeremy chegaria todos sorrisos e com uma preocupação falsa em sua voz. Pela falsidade eu sempre esperaria, mas não pelo sorriso doente em seu rosto. Sua fisionomia estava completamente transformada. Ele estava com a fisionomia de um louco, um psicopata.
- Faço a mesma pergunta pro senhor, papai – ironizei, e apertei forte a barra de ferro que estava em minhas mão. A última parte de uma das máquinas.
- Vim ver o tamanho do estrago que você tinha feito, mas pelo visto nem para isso você é útil, não é? – ele riu e o ódio tomou conta de mim. Minha vontade era voar para cima dele e enfiar aquela barra de ferro no seu pescoço, arrancando sua cabeça, mas me controlei. Levaria essa situação de calma pelo máximo de tempo possível. Um de nós dois iria morrer, restava saber qual.
- Andrew esqueceu de me dar o cartão para abrir essa aqui – sorri de lado -, mas me ajudou a chegar muito longe. Quando você me falou desse lugar não imaginei quão bem construído e elaborado fosse.
- Falando em Andrew, o deixei sozinho na sala de observação com a sua protegida – o sorriso de meu pai se alargou ainda mais, e meu coração pareceu que iria se despedaçar.
- America? – minha voz falhou e senti a força deixar meu corpo.
- Pode ficar calmo, filho. Tenho certeza que Andrew está cuidando muito bem dela – Jeremy piscou um olho.
No momento eu não conseguia reagir, não conseguia me mover. Tudo o que se passava na minha cabeça era America e quando me dei conta de que se eu não agisse rápido ela poderia morrer ergui meu braço direto, o que eu tinha a barra de ferro em minhas mãos, e o levei direto para o rosto de Jeremy. Ele claramente não esperava por meu golpe e cambaleou para trás, visivelmente tonto pela pancada no rosto que havia levado. Sua bochecha sangrava, assim como seus lábios. Jeremy retomou o equilíbrio e então sorriu.
- Você sabe que se Andrew não a matar, serei eu a fazê-lo, não sabe?
- Você não vai viver o suficiente para conseguir sair daqui, Jeremy – falei de forma dura, como uma ameaça, minha voz alta e firme, mostrando uma coragem que eu ainda não tinha. Não me importava a coragem, eu iria matar meu pai se isso fosse preciso. Não importa a dor que irei sentir, não só na consciência, mas porque apesar de tudo ele ainda era meu pai.
- E quem irá me impedir? Você? – ele gargalhou, e então tirou uma espécie de arma da manga. Não era uma arma comum e isso havia me intrigado.
- Você sempre me subestimou, Jeremy. Nunca viu o que eu era capaz. Esse sempre foi seu maior erro! – me aproximei ainda mais dele e pude perceber que ele colocou seu dedo indicador no gatilho da pequena arma – Não seja covarde, pai! Vamos resolver isso como pai e filho, como homens. Uma luta justa – soltei a barra de ferro no chão e Jeremy me fitava completamente indeciso sobre o que fazer.
- Não sou um homem justo, filho – ele sussurrou e eu sorri.
- Disso eu sempre soube – e no mesmo segundo ergui meu punho, dando um soco de direita, muito próximo de sua fonte. – Você não é justo, e muito menos homem!
Ele caiu no chão, mas eu não o acertaria enquanto ele estivesse caído. Eu queria lutar com ele. Lutar até o ponto em que um de nós estivesse caído no chão, mas sem chances de levantar. Lutar até o momento em que um de nós não conseguisse mais respirar.
Durante anos vivi com meu pai me dizendo o que eu deveria fazer, como deveria ser e com quem deveria me relacionar. Durante anos vi meu pai traindo minha mãe enquanto ela lutava contra um câncer que aos poucos roubava o brilho de seus olhos. Durante anos fui vítima de seus preconceitos e julgamentos. Durante anos eu nunca tive um pai. Estava cansado de olhar para ele e sentir repulsa, raiva. Esses não eram sentimentos que um filho deveria nutrir por seu pai, e muito menos pena e desapontamento, que era o que sempre via nos olhos de Jeremy quando o mesmo olhava para mim. Tinha certeza que me sentiria culpado depois e que não aguentaria seu sangue em minhas mãos, mas eu iria sobreviver, custasse o que custasse.
Jeremy levantou-se de forma lenta, provavelmente ainda tonto por culpa do soco. Sua boca sangrava.
- Pegue esse pedaço de ferro inútil, Justin. Vamos ver quem morre primeiro! – ele gritou, e mesmo que eu odeie admitir aquelas palavras me machucaram. Ele realmente seria capaz de matar, e por dinheiro, ganância, egoísmo, poder.
- A primeira coisa que irá morrer vai ser o Chronos, papai – ironizei a forma como o chamei. Ele gargalhou.
- O Chronos nunca morrerá, Justin – ele continuava parado, a arma em sua mão, assim como eu.
- E o que o velho Joseph irá falar para as autoridades sobre esses seres humanos que vivem aqui?
- Nenhuma autoridade irá descobrir, Justin. Todo esse pequeno caos está acontecendo aqui dentro. Ninguém nunca descobrirá.
- Isso é o que você acha – sorri de lado, e então dei o primeiro golpe em seu braço esquerdo.
AMERICA’S POV
Abri a porta da sala de observatório e havia dois seguranças de costas para a mesma. Puxei o gatilho da arma que estava em minhas mãos, mas ao invés do tiro o que saiu da mesma foram duas mini-flechas, que atravessaram os dois seguranças de uma vez. Eles caíram no chão, e pelo fio quase transparente que prendia as flechas à arma era possível ver pequenas correntes elétricas passando por ele. Eles estavam sendo eletrocutados, e logo desmaiaram. Apertei um outro botão que havia na arma e os fios se soltaram da mesma. Desci alguns degraus e logo já estava no meio de todas aquelas pessoas assustadas por culpa do alarme que tocava e algumas luzes vermelhas piscando. Comecei a caminhar rápido por aquele lugar, procurando alguma saída e correr para encontrar Justin, mesmo não sabendo onde ele estava.
Várias pessoas começaram a me encarar de uma forma estranha, talvez por culpa de minhas roupas, já que eu estava vestida toda de preto, enquanto todos naquele lugar eram vestidos de branco dos pés à cabeça.
Depois de atravessar aquele salão enorme subi mais um pequeno lance de escadas e entrei na primeira porta que vi, entrando direto em um longo corredor cheio de portas. Caminhei por ele e logo abri outra porta e me deparei com uma espécie de quarto. Nele tinha apenas uma cama de casal e cômoda ao lado da mesma. De frente para a cama uma grande tela que ocupava toda a parede, mostrando as horas, o dia e o que seria servido no lanche da tarde. Fechei a porta e voltei a caminhar pelo imenso corredor branco e iluminado por luzes muito fortes. Abria todas as portas procurando por alguma coisa que pudesse me ajudar, mas ali era como se fosse a ala dos dormitórios.
- Hey – uma voz familiar chamou -, o que você está fazendo? – virei meu corpo na direção da voz e então travei. Eu não acreditava no que eu estava vendo.