Fomos enganados
Nós dois fomos vítimas de pessoas desequilibradas as quais nos fizeram aprender o que é amor da maneira mais errada possível. Nos usaram como meios para obterem os seus fins, como instrumentos, como objetos descartáveis, como seres inanimados, desprovidos de vontades próprias, de sonhos próprios, de vida própria.
A nossa inexperiência dos primeiros anos da vida adulta, a falta de ter vivenciado situações similares nos custou caro e tornou-se fator decisivo para que embarcássemos nesse desafio. Achávamos que estando ao lado de quem amávamos, automaticamente assumiríamos o dever realizar os sonhos dessa pessoa, mesmo que para isso tivéssemos que abdicar e sacrificar os nossos próprios sonhos. Afinal de contas, não era esse o conceito de amor que nos foi ensinado?
Com o passar do tempo fomos percebendo que as pessoas as quais acreditávamos nos amar sempre nos cobravam mais uma nova submissão, sempre tinham um novo desejo que devíamos realizar ao final de cada objetivo dela já alcançado. E que isso seria a nossa rotina, o nosso fardo de vida: garantir a satisfação total dos sonhos dessa pessoa.
O problema é que o que não víamos com facilidade lá atrás, no começo, com o tempo se torna evidente, indisfarçável, inegável. Isso é interessante porque o tempo que sara as feridas é o mesmo que também as descobrem e as expõem.
Hoje vemos que tudo isso foi um erro. Um erro que nos custou um preço muito alto: anos de vida não vividos, psicológico em frangalhos, diminuição da autoestima, flertes diários com a depressão, uma sensação de vazio, de não pertencimento que misturado com um sentimento de autoinsuficiência parece que vai nos esmagar, de tão pesado. Há momentos em que parece ser impossível conviver com essa pressão silenciosa que vai nos consumindo aos poucos por dentro.
Logo, o que fica de aprendizado é que sempre temos opções. E devemos estar cientes de que as consequências das nossas decisões, sejam boas ou ruins, nos acompanharão pelo resto das nossas vidas. Então devemos refletir: se o sacrifício que a pessoa amada nos exige e o qual estamos prestes a fazer vai nos roubar a identidade que nos define, a nossa subjetividade, o nosso sorriso, o nosso bem-estar, o nosso livre arbítrio e a nossa leveza de viver...
Sinto muito, mas não vale a pena.
Nenhum amor que lhe diminua, lhe maltrate e sacrifique a sua paz vale a pena.
Porque isso não é amar.
Porque isso não é amor.














