São quase três da tarde e me vejo na fila da clínica, pensando em você e na minha poesia. Penso em fugir e nunca mais voltar. Mas que sentido isso teria, sem você nas minhas mãos tocar?
A fila já andou um pouco, mas meu coração continua inquieto.
Por onde andarás? - pergunta besta -
Eu sei exatamente onde estarás. Atrás de uma porta, sentado frente à um computador. Trabalhando.
A fila anda mais um pouco e me lembro da minha infância. Uma mulher logo ali, me conheceu quando eu era criança.
"Muito arteira e muito trabalho ela deu" - deve pensar -
.... a fila não andou agora.
Ou fui eu que me perdi nessa transição?
De um passo-ao-outro, sem interpretação.
Só a minha mente a divagar, por entre histórias e memórias...
de onde eu vim e para onde fui parar.
Uma ou duas ou três horas seguidas, sem um propósito definido e sem um rumo à ser seguido.
A fila andou novamente. Já era tempo de algo mudar.
Ou só para fazer a minha mente se calar.
Não quero mais... delirar.
Muito menos me machucar. E por isso resolvo acordar.
E a fila? Aonde foi parar?
- Nunca esteve ali realmente - me respondi.
Tô cansada dessa clínica. Tô cansada dos meus delírios.
- São os medicamentos - eu minto pra mim e me conformo que seja o suficiente.
duas, três, quatro ou cinco da tarde. E eu dou voltas nesses ponteiros do relógio na parede do meu quarto. Já estou aqui há tanto tempo. Ninguém vem me visitar.
Ou eles vem enquanto eu durmo, não sei.
Quantas horas já se passaram enquanto estive aqui?
Até lembro de uma vez encontrar flores na beira da minha cama.
Acho que alguém de mim sentiu pena e assim as deixou ali.
"Pobrezinha, ninguém nunca vem visitar ela" - Pois penso que sim. Mas nunca confio o suficiente em mim.
Sabe, quando se vive assim,
dentro da loucura e dos delírios,
é difícil saber se as flores eram mesmo jasmim ou lavanda.
Ou se realmente eram para mim.
Escrevo na parede do quarto, porque me recusam papéis. E até prefiro que assim seja. Porque pelo menos assim, você não se sente tão só.
Há muito tempo eu me fui.
Daqui mesmo de onde você está.
Deite-se no colchão e espere apenas