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Les traigo la segunda parte de este post mio
Feli navida 🎉
Otra vez caigo en el trance intuitivo como una mujer común. Una vieja pesadilla quiere hablarme. Tiene sobre mí pretensiones monárquicas. Aprovecha cada oportunidad para amplificar el sonido de mi desposesión. Pero esta vez cuido mi casa con uñas y dientes, me entrego a un nuevo ángulo sobre la misma ciudad con la fe de las alimañas. No soy la única.
¿Quién es ese que osa venir a nuestros aposentos a decirnos que no fuimos suficientes? ¿O que fuimos demasiado? Nadie nuevo. Pero la ventaja es que también nosotras dejamos de ser la novedad sobre la tierra. Al menos yo, que ya no soy joven o no quiero serlo. No quiero que haya ya dádivas que negarme. Puedo dormir sin un abrazo. Tengo sobre la piel una colección de tela que me ciñe pero me protege. Y una vieja amiga para las horas de vigilia total.
Me toco para no decir que estos no son mis pensamientos. Me toco para que no me toques vos. Una damsel en pleno decay, yo que era damaged goods porque de chica me explicaron que traicionarme era demasiado irresistible. Me toco igual. Y si un dron me mira desde el techo, que sea innegable que sigo teniendo lo mío.
He decidido clasificar mi dolor para que crezca un ritmo nuevo, más bailable que su primer impacto. Si desde arriba se nos quiere imponer una cartografía que borra el rastro de nuestro territorio intuitivo ancestral, bailaremos alrededor de los detectores de metales.
Las mujeres de mi pueblo saben arar territorios en otra dirección. Hablan sin permiso. Hacen artesanías para confesar los secretos. Son locutoras sin título, carroceras contra los agrotóxicos por pura vivencia, socorristas de amistad y compasión, bailarinas de samba. Gordas, faroleras o noctámbulas. Tocan los tambores en batucadas disidentes. Crían perros intrépidos. Son campeonas de tenis.
Bailemos fuera de la lógica mortal kombat de la psicología de feed. Narcisista. BPD. Síndrome de buena hija. Tipos de apego. Déficit de atención. Hokusai y lo demás. Bailemos en todas las direcciones. No te dejes simplificar. En lo sistemático no hay personalidad. Y antes de preguntarle a Reddit qué pasa sí, you tell me. Bailá. Y que pase lo que quieras que pase.
Nos quieren nombrar para vernos venir, ¿a quién le sirve que pensemos que el territorio es un rastro? ¿Que el mapa es tan solo la simulación inevitable de la tos? Le digo a mi gato que sabe perfectamente que son las siete, que se calle, que a veces es importante cerrar un poco el orto. Que no es necesario que sea todas las veces, y esto se lo aclaro para que no venga con contra argumentos sobre mi despotismo. Por suerte me comprende y maúlla de nuevo a las ocho. Es una noche fría y en nuestra casa pequeña tenemos las mejores intenciones. Queremos ser un sueño suave y salvaje. Como el velorio del indio.
La misa ricotera, el presentimiento en el aire de recuperación de un trayecto. El sonido de un órgano perdido, un tránsito de la mirada que vuelve a llenarte los ojos y que puede hacerte de nuevo. Esto no lo dije yo, lo dijo un ricotero. "El indio me cambió la vida, me hizo todo de nuevo". Y yo, que dije que no podría, que la espalda sería esta vez memoriosa por demás, me vuelvo a sentir tiernamente esperanzada.
Não Temos Ordem, Nem Progresso. por Julio Vicari, 2025
Se a bandeira do Brasil fosse honesta, teria que ser reimpressa com o fundo cinza de concreto mal feito, e no lugar da frase “Ordem e Progresso”, algo mais sincero, talvez “Caos e Remendo”.
Porque a ordem aqui, só existe na fila do banco, isso se não houver algum conhecido que entra na frente disfarçando amizade e pede serviço ou quando o sistema cai e todos esperam por nada. O resto é desordem oficializada. No trânsito que mais parece guerra civil sobre rodas, leis que se aplicam como senha de wi-fi, só serve para quem tem a chave criptografada.
E progresso? Esse virou um holograma! Vem em PowerPoint de campanha política, maquete em 3D, inauguração de obra inacabada com fita de papel crepom desbotada. Enquanto isso, a realidade vai fedendo a esgoto aberto; ônibus que parecem latas de sardinha vencidas; buracos que fazem aniversário esperando o remendo mal feito. O futuro chega, mas só para meia dúzia. O resto vive de reciclar esperança como quem lava copo descartável.
O país é uma grande gambiarra elétrica, com caixas penduradas em postes, sem tampa, com seus fios pendurados por todos os lados, faiscando, prontos para explodir. E o povo, aquele que deveria ser prioridade, continua com sua resistência quase sobre-humana, aprendendo a viver no improviso, transformando apagão em piada e enchente nas ruas em piscinas naturais, cheias de restos de esgoto.
Aqui, cada escândalo político é uma série de TV, com enredo absurdo, que estão completamente fora das leis, personagens caricatos, vilões que se reelegem como quem muda de figurino. O que seria aberração em qualquer lugar do mundo, por aqui é rotina, apenas mais um dia no escritório tropical, com café fraco e promessas vencidas.
Não temos ordem, nem progresso. Temos o cínico bom humor, temos resiliência deformada, temos carnaval para esconder ruínas. O Brasil é como aquele prédio torto que não cai só porque já se acostumou com o próprio desequilíbrio.
E seguimos, entre tapas e memes, nesse balé de contradições. Uma pátria onde o lema da bandeira virou piada interna, só que ninguém mais ri de verdade.
Anjo
Quando eu lhe conheci eu estava quase desistindo de tudo, mas, naquele dia, quando lhe vi sorrindo eu soube, naquele momento, que você seria especial para mim. Tudo começou quando preferi escutar as clássicas músicas românticas, quando passei a ler, ver, assistir por você, por que você gostava. Eu demorei tanto para entender que eu estava completamente apaixonado por você.
Eu soube que me apaixonei por você porque toda vez que estou junto a ti eu tenho a esperança de que isso dure pra sempre, por que contar todas as tatuagens que envolvem teu corpo se tornou meu maior passatempo, por que eu sempre sonhei em ter alguém como você: você é como um sol após um dia chuvoso, por que você me trouxe de volta a vida, por que você me fez amar cada pequeno detalhe seu, por quê todas os dias que eu esperei por você valeram a pena, por que você é o meu anjo.

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Se eu fosse eu
Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
“Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.
(Clarice Lispector em “A Descoberta do Mundo”)
você mal consegue olhar pra si mesmo
no vidro espelhado de uma loja de variedades
porque não saberia explicar
o que
aconteceu de tão errado
em tão pouco tempo
que te tornou
nessa coisa repulsiva
porque
quando você consegue segurar
a vontade de chorar até estar dentro de casa,
com todos dormindo
de madrugada,
é quando pode considerar aquele dia,
um dia dos bons.
o sol está se pondo de novo
amanhã será pior que hoje
você ainda não tem amigos,
ninguém consegue amar isso,
você não revelou qualquer habilidade útil
seu rosto continua nojento
os óculos ainda são enormes
seu corpo é desprezível,
ninguém consegue amar isso.
suas piadas são tudo o que você tem
e não são nada,
você ainda não encontrou um lugar de encaixe
e ninguém entende o porque da sua
existência,
ninguém pensa sobre isso
porque, sejamos honestos,
você é a prova que a teoria da seleção natural
falhou miseravelmente,
seus pais se decepcionam com
o que você fez de
si mesmo,
talvez você não consiga segurar o choro até chegar em casa hoje
e o que mais machuca
é aquele mesmo sentimento
adolescente
de saber que nada em você
é o suficiente
pra ser amado
de verdade,
ninguém consegue amar isso.
então chora,
menininho assustado,
essa é a única coisa
que você faz
direito.