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Livros canĂŽnicos e por que lĂȘ-los
Transcrição editada de um trecho da conversa entre Jordan Peterson e Stephen Blackwood sobre educação superior e cultura.
S.B.: Quais livros devemos ler que podem nos transformar? Podemos, por exemplo, ficar o dia todo olhando para uma parede de tijolos e nĂŁo captar nada daquilo que captamos quando olhamos para a Kingâs Chapel, de onde voltamos hĂĄ alguns minutos. Os nĂveis e padrĂ”es de profundidade e beleza presentes naquele edifĂcio sĂŁo uma espĂ©cie de metĂĄfora para aquilo que os textos mais maravilhosos, mais fecundos de nossa prĂłpria tradição nos oferecem. Eles ficam ali, um do lado do outro, na estante, mas quando os abrimos e os exploramos devidamente, tornam-se como que portais...Â
J.P.: Sim: um livro nĂŁo Ă© sĂł um livro â nĂŁo Ă© sĂł papel. Essa Ă© sĂł a sua memĂłria, a sua percepção do livro, mas ele Ă© um portal.
Bem, a concepção pĂłs-moderna diz que nĂŁo hĂĄ cĂąnone â e que sĂł se fala em cĂąnone para perpetuar a tirania do patriarcado (porque, Ă© claro, a tirania do patriarcado Ă© a explicação para tudo). Eu tento resolver esse problema de uma forma tĂ©cnica: tenho uma pequena equipe que estĂĄ trabalhando para criar um sistema de educação inteiro online e queremos entender o que Ă© que torna um livro canĂŽnico. Vimos que, na verdade, hĂĄ uma resposta bastante tĂ©cnica para isso. Imagine vocĂȘ que os livros existem de tal modo que estabelecem relaçÔes uns com os outros (o que, aliĂĄs, Ă© uma afirmação perfeitamente sensata dos pĂłs-modernos). Alguns livros quase nĂŁo tĂȘm relação com outros; esses sĂŁo os banais. Pode atĂ© ser que sejam obras de gĂȘnios ainda nĂŁo reconhecidas, se foram escritas recentemente â Ă© uma possibilidade; mas isso nĂŁo importa, porque nĂŁo Ă© possĂvel separar de imediato o joio do trigo: Ă© algo difĂcil de se fazer porque hĂĄ joio demais. Mas, se nos voltarmos para o passado, podemos classificar os livros pelo grau em que eles influenciaram outros livros (algo como a quantidade de citaçÔes [ou alusĂ”es]). Assim, os livros que mais influenciaram outros livros sĂŁo os canĂŽnicos â e fica claro que, no Ocidente, o livro mais canĂŽnico Ă© a BĂblia, porque ela influenciou praticamente tudo o que veio depois. VocĂȘ tem que conhecĂȘ-la, portanto, porque ela estĂĄ implĂcita em todo o resto; Ă© por ela que se deve começar, a fim de que se possa dominar o conhecimento que estĂĄ ali, pelo menos atĂ© certo ponto. Ela Ă© o que lhe darĂĄ uma base metafĂłrica, conceitual e mitolĂłgica; vocĂȘ verĂĄ entĂŁo que Shakespeare se lhe abrirĂĄ um pouco mais, Milton se lhe abrirĂĄ um pouco mais, Dante se lhe abrirĂĄ um pouco mais... E entĂŁo vocĂȘ poderĂĄ se perguntar: por que esses escritos se abrem mais para mim? A resposta Ă© que, como dizem os sĂłcio-construtivistas, vocĂȘ Ă© em parte uma criatura histĂłrica, e portanto esses livros sĂŁo sobre vocĂȘ: os padrĂ”es que eles contĂȘm sĂŁo os padrĂ”es da sua percepção e das suas açÔes; se vocĂȘ nĂŁo os entende, entĂŁo fica sem saber quem vocĂȘ Ă© e nĂŁo consegue se orientar direito na vida.
O sujeito chega na universidade e se depara com eruditos e especialistas que lhe dizem: âOlha, isto aqui Ă© canĂŽnico, porque exerceu uma influĂȘncia desproporcional sobre todo o resto. HĂĄ algo aqui que vocĂȘ precisa conhecer, porque Ă© de vocĂȘ que isto falaâ. NĂŁo se trata, de certo modo, do nosso eu que estĂĄ aqui, agora, mas do eu que Ă© capaz de se desdobrar no tempo da melhor maneira possĂvel. Portanto, cada um desses livros Ă© um chamado para uma aventura â assim como todo grande quadro ou todo grande edifĂcio, como a Kingâs Chapel. Se aquilo nĂŁo Ă© um chamado para uma aventura, entĂŁo Ă© o quĂȘ?
FalĂĄvamos hĂĄ pouco sobre essas antigas construçÔes de que a Europa estĂĄ cheia. As pessoas que as ergueram estavam buscando algo que ia muito alĂ©m delas mesmas, alĂ©m atĂ© da duração de suas prĂłprias vidas; todas elas se engajaram na manifestação coletiva dessas grandes obras com o intuito de participar da busca por um objetivo que transcendia a todos â um objetivo divino. Esses homens tiveram tamanha força de vontade que foram capazes de fabricar uma beleza que atravessou os sĂ©culos. AliĂĄs, talvez essa força de vontade capaz de fabricar o belo esteja sempre alinhada com aquilo que Ă© capaz de atravessar os sĂ©culos â talvez essas coisas sejam a mesma. Isso vale tambĂ©m para as pinturas: elas captam um determinado momento e o projetam numa forma permanente que pode ser preservada ao longo dos sĂ©culos. Portanto, de algum modo, o estabelecimento de uma relação com a eternidade Ă© essencial para a construção de algo belo â e isso se torna, em si mesmo, um chamado a que se estabeleça uma relação com a eternidade. Isso Ă© absolutamente necessĂĄrio; as pessoas sentem falta disso.
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O vĂdeo tomado como base para esta postagem encontra-se em https://www.youtube.com/watch?v=nlgG8C1GydA. O trecho em questĂŁo começa em 1:11:45.
O anjo Ă©brio Me trouxera o prazer Em estado sĂłlido Tributo carnal Em dia de carnaval, Indagou-me, Porque nĂŁo provas? Garanto-lhe o sabor! Tens resquĂcios do primeiro amor? Deixa que o colo sob meus lĂĄbios Tens dessabores? NĂŁo te preocupes BeberĂĄs diretamente do que escorre de minha lĂngua Bebo de tua ferida Para transtorna-la em minha Para adora-la como um pecado E carrega-la com um devaneio, diz-me Maresia na aurela do anjo desgarrado Um beijo, testa franzida Dois beijos, o relaxamento Apresento-te a lĂngua sorrisos Prostrar os olhos PrĂ©stimo aviso EmprĂ©stimo de leitos Intestino internacional Evocando algo familiar Entre formalidades e nomes O mesmo sotaque cĂąnone E o mesmo espĂrito nĂŽmade O sagrado da pele Parece o Olimpo Dos mais diversos deuses De gostos agridoces...
A Revolta dos Anjos, Pierrot RuivoÂ
O bispo com os olhos vermelhos Suspirava em outra figuração margarina Seu corpo contrastando listras na pele para o linho O limbo de seus hinos compunha outros retalhos transversais A sugestĂŁo era amar com os bichos Fazer bichectomia para fotografias E o resto de sua carne deixar com revolução de pĂŁo Dando a cada ovelha na celebração de santa ceia Seda as tentaçÔes que tateiam-te o corpo DĂȘ a voz aos anĂ©is de ouros, estique as mĂŁos Espere os beijos de lĂĄgrimas e E o lavar de teus pĂ©s pela carne dos lĂĄbios A guerra na ponta dos cascos Onde mastigavam forasteiros Impacientes, esperavam algo alĂ©m da metĂĄfora Da-me o ouro e aceitarei-lhe a barganha Bendito seja o ministĂ©rio da bĂȘnção Que proteja a imagens de todos os bens AlĂ©m de cavernas Ă luzes meio mastros Fogueiras varal, via tĂŁo solenemente o coração de banqueiro Romaria versus marcha Cruzada em caçadores de almas O internato de pombas brancas Doze vieram e caĂram, vinte mil surgiram e tambĂ©m se foram... O sĂmbolo estĂ©ril da cidade Vagava entre o cĂąnone e a espada O capricho era o beijo servil Todo o alvo de meu escĂĄrnio jĂĄ esteja preparado A comemoração de mais um ano Passa pela valsa com o carrasco O inferno residira em vossas casas Assim transportados pelos mesmos embaixo da lĂngua...
Sacra-Fauna-Fonoaudiologia, Pierrot Ruivo
[GAMES] Fallout 4 (review)
[GAMES] Fallout 4Â (review)
Fallout Ă© uma sĂ©rie jĂĄ antiga, com quase 20 anos desde seu primeiro nĂșmero. Ă importante e muita, muita gente (eu incluĂdo) se divertiu no inĂcio da dĂ©cada de 2000 com os primeiros nĂșmeros. (moreâŠ)
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Legal, mas e a DC?
Legal, mas e a DC?
Sempre falo daquela linda: a Marvel. Ela faz tudo quase certinho hĂĄ anos, enche os olhos de todo mundo, consegue integrar tudo, enfim, geniais. A DC, essa outra linda (mas nem tanto), parece que acendeu o alerta e começou a correr atrĂĄs do prejuĂzo. Smallville foi legal, mas todo mundo sabe que estraga um pouquinho no cĂąnone do herĂłi. O mesmo vale para alguns dos filmes dele, o Lanterna Verde foiâŠ
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