*Cenáculo*
É rubra a luz que te alcança,
Que pinta-lhe o peito e repousa em tua face;
Que do cômodo exuma outras almas letárgicas,
Que o repouso e o alarido em ternura consagre.
Qual círio aceso em sagrado sacrário,
Derrama em torno o fulgor da clemência;
E as paredes, de há muito silenciosas,
Vestem-se, quedas, de muda reverência.
Há em teu vulto um augusto mistério,
Que nem a noite ousaria devassar;
Pois vela o tempo, em seu grave império,
Aquilo que os lábios não podem nomear.
E quedam-se os ventos, suspensos no éter,
Como monges curvados em oração;
Que a rubra flama, de celeste origem,
Lhes unge a fronte e abranda o coração.
Se és carne, és também aparição;
Se és sombra, és lume em peregrinação.
E quem te fita, ainda que por um instante,
Leva contigo a própria contemplação.
Franceline Fogaça












