Na av. 9 com as ruas 7 e 8, Rio Claro.
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COM UNHAS E DENTES
Estar vivo
Ă© abrir uma gaveta
na cozinha,
tirar uma faca de cabo preto,
descascar uma laranja.
Viver Ă© outra coisa:
deixas a gaveta fechada
e arrancas tudo
com unhas e dentes,
o sabor amargo da casca,
de tĂŁo doce,
nĂŁo o esqueces.
LuĂs Filipe Parrado
“(…) e a fodeu até que ela não fosse mais do que um tremor entre seus braços.”
— Roberto Bolaño, 2666. (via oxigenio-dapalavra)
““NĂŁo há motivo algum para nos sentirmos Ă vontade no mundo. Os alienĂgenas somos nĂłs.””
— Ivan Lessa (via vunderliben)

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“Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.”
— Rubem Alves.
Todos macacos
  Era uma vez, numa única terra distante. Um macaco pouco desenvolvido descobre que de pé se coloca à frente de qualquer outro animal. E assim nasce a raça humana, submersa em egocentrismo e autovalorização.

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XXIV
Vista do alto, a Terra talvez pareça,
a um alienĂgena interessado em estudar
a vida indĂgena, uma polpetta recĂ©m-saida
só forno. Colunas de fumo sobem aos céus,
Ă s centenas, exaladas das amenas planĂcies
amazônicas, onde milhares de árvores
agĂ´nicas sĂŁo queimadas a cada dia.
E nessa porfia demolidora, multidões
de animais silvestres que voam pelo ar,
caminham ou rastejam no chĂŁo,
viram carvĂŁo.
Com um par de buldĂ´zeres e uma
corrente, o Capital engole, num repente,
enorme quantidade vegetal. E assim
vai a floresta cedendo lugar ao pasto,
num ritmo tĂŁo nefasto que me falha
o pensamento para descrever o que
me vem ao coração neste momento.
Alguns, tomados de idiotia, exercem
sua tirania sobre a floresta
retirando apenas as árvores nobres
e ateando fogo ao que resta.
Outros incendeiam a mata
sem motivo, por vaidade, bravata, ou para
exercer a propriedade. E assim, nas mĂŁos
de posseiros, madeireiros, garimpeiros,
aventureiros, vai sendo a Amazônia esbagaçada
pela canalha indiferente que nada sente
e não quer nada além de riqueza, pouco
se lhe dando que a Natureza se despenhe no Vazio.
Que importam aves, rios, pássaros, felinos,
Ăndios ou serpentes a essas gentes que sĂł
diferem dos dementes por um estranho
vĂcio: o de tentar transformar o inteiro
Planeta num hospĂcio?
De que maneira classificá-los,
em meio a essa inglĂłria luta:
considerá-los, além de loucos,
filhos da puta? Na verdade poucos
são, no dicionário, os adjetivos
para qualificá-los. Movidos
pela avidez, vĂŁo pelo mundo
pisando fundo e dando vazĂŁo
Ă estupidez. De sangue azul nĂŁo tĂŞm
eles uma sĂł gota, mas Ă maneira
de NapoleĂŁo promovem a prĂłpria
coroação. E nos salões onde vicejam
outros idiotas de pequeno cérebro, como
as marmotas, erguem as taças e se intitulam
rei do gado, rei da soja, rei do milho, rei
do álcool, rei do diabo a quatro, porque
de fato Ă© esse o nĂşmero das patas desses
jumentos, cujos pensamentos, travestidos
de Progresso e semelhantes tretas, estĂŁo
voltaldos, em última instância, para
a qualidade e quantidade de orgasmos
a que terĂŁo acesso com tal prosperidade.
Orgasmos advindos do poder, nĂŁo das tetas,
que a seu ver se tornaram obsoletas.
Trazem-nos divisas, Ă© bem verdade,
fundamentais para a economia,
embora na casa do Povo seja exĂgua
a comida e maior a miséria a cada dia.
Que o digam os sem terra (refiro-me
aos de fato e nĂŁo aos que se apossam
do alheio num ato de pirataria) lançados
às estradas, imensas centopéias desamparadas,
expulsas do sistema pelo falso dilema
da produção, essa via de mão única.
A China quer soja — argumenta aquele
que nos despoja. Pois que se dane
a China e seu mercado agora cogitado
para expandir nossas exportações.
(NĂŁo vai aqui qualquer xenofobia
nem análise simplista, embora
de economia nĂŁo entenda esse poeta e seja
algo parecido a um taoĂsta. )
Grito eu pela floresta, a defender
o quanto resta de verde e vida
e oxigĂŞnio e Ăndio e cĂ©u e chĂŁo.
E o faço grosso modo, de modo grosseiro
Ă© certo, mas em nome dos netos
e bisnetos desses potentados que em sua
progĂŞnie nĂŁo estĂŁo interessados.
Deixam em paz a mata virgem
porque no dia em que, aflito,
constatar o homem que dos bilhões
de árvores não nos resta madeira
para um palito, estarĂŁo os reis
de hoje esquecidos e os demais,
com ou sem coroa, exauridos.
Chega de arenga, de aegumentos
e parangolés e mutretas e milongas
e convencimentos e rapapés.
Tirem a mĂŁo da floresta,
e acabemos com essa zorra,
esta casa da mĂŁe Joana, esta terra
de ninguém, onde os galos cantam
e as galinhas respondem amém!
Chega de ser correto, cordato, bacana.
Abaixo a RepĂşblica da Banana!
Que se danem os conservadores,
os produtos de cuspe a justificar
a sangria, o fumacĂŞ, o arraso,
confirmando o atraso moral das chamadas
elites e vedetes que adoram
ser manchetes de jornal.
Acabamos com esse Carnaval
que nos arrasta ao ventre de Baal para
sermos asfixiados, assados, devorados, defecados.
Necessário não é ter cérebro de gênio
para constatar que a floresta produz oxigĂŞnio.
É o beabá. Cada queimada reduz e emporcalha
o ar que estais a respirar, afeta
a camada de ozĂ´nio, aquece o Planeta
e — razão a não ser desprezada —
enfurece a bicharada.
Já não podemos dizer “o futuro
a Deus pertence”, uma vez que O matamos.
E pelo andar da sinfonia nĂŁo tarda
a chegar o dia em que ao correr
atrás do futuro daremos com a cara no muro.
Um adendo: mencionei somente
os poderosos, mas que se danem também
os choramingões asquerosos
que por nĂŁo quererem mover a bunda
agarram-se Ă floresta e a devastam,
humanos piolhos a sugar as tetas
da mĂŁe Natureza, canalhas todos com certeza.
Dane-se igualmente quem elimina cada
lepidĂłptero amazonense que adeja
e suas asas utiliza como adorno de bandeja.
Danem-se aqueles que com alma de barata
malbaratam a Atlântica mata,
as florestas tropicais e outros
conglomerados vegetais.
Eduardo Alves da Costa, Balada Para os Ăšltimos Dias
Wattpad - Scriv
teu olhar roubou o mundo dos meus olhos.
zack magiezi.

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arte que te abriga arte que te habita
arte que te falta arte que te imita
arte que te modela arte que te medita
arte que te mora arte que te mura
arte que te todo arte que te parte
arte que te torto ARTE QUE TE TURA
Paulo Leminski
“Foi o sem querer mais maravilhoso e assertivo da minha vida.”
— Tati Bernardi. Â