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O que acha de desaparecer comigo? Ai podemos aparecer no meu quarto
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Saxa era cética quanto ao sobrenatural, ainda que fosse curiosa o suficiente para perguntar as suas amigas que tinham visões e até acreditar nelas, porém, estava ali como uma forma de experimentar uma das atrações, tinha tanto interesse na barraca das previsões quanto no karaoke, nos barcos ou no tapete mágico. “Hey, Sel.” Cumprimentou a gatinha se sentando na cadeira a frente da menina. “Não é o contrário? Você que deveria me dizer coisas, não é?”
------ Na-na-ni-na-não! Aqui é diferente, não é leitura de bola de cristal mixuruca. Você me conta seus sonhos primeiro e eu interpreto o que o Narrador tá tentando dizer nas entrelinhas, sacou? ------ O que não era exatamente uma mentira. Selina sabia charadês, um dialeto do País das Maravilhas de interpretação altamente subjetiva... Aquilo que estava prestes a fazer não podia ser assim tão diferente. ------ Vamos, não demore tanto assim ou vai esquecê-los!
Durante a pausa para o banheiro, supunha, de um dos membros do clube de interpretação de sonhos, Selina não perdeu a oportunidade: transportou-se magicamente para o assento da barraquinha, disposta a um pouquinho de diversão. O ar neblinoso e a luz baixa, necessários para criar aquele clima esotérico, faziam o favor de dar credibilidade a qualquer um que sentasse atrás da mesa, fosse ou não parte do clube. Quando seu primeiro “cliente” chegou, ocupando a cadeira à frente, ela abriu um sorriso cheio de dentes e começou: ------ Seja bem vinde, bem vinde! Fique à vontade! O que sonhou ontem, hm? Ande, me conte rapidinho. Sonhos longos são mais caros! ------ Eles cobravam? Não sabia. De qualquer modo, não poderia demorar muito ali ou correria o risco de ser pega no flagra.
✧ * º • ☾✩ Poção do amor. Havia dito que o nome era uma propaganda enganosa quando fora mencionado no clube de culinária, mas agora após o hidromel lilás entrar em contato com o gin já presente no organismo do atleta, não havia espaço para dúvidas, sentia-se prestes a deixar suas amarras sociais no bolso e passar uma noite falando o que sentia vontade. Chegara as margens do lago nas próprias pernas. algum tempo atrás causara algum impacto ao chegar ao evento acompanhado de duas mulheres dentre as mais deslumbrantes daquela noite e como havia trocado a companhia delas por um puff isolado em uma área basicamente reservada para casais permanecia um mistério, aqueles a própria mente cuida de produzir. A bebida magicamente colorida por ele mesmo mais cedo no clube em uma mão e na outra um cigarro pela metade. Capturara a imagem da pessoa antes de ouvir o som que ela produzia, algo estava errado, criado na floresta saberia quando alguém se aproximava, Saxa não havia dito que surdez era um dos efeitos colaterais. —— Pode parar de me julgar… Encontrei o meu amor verdadeiro. Referenciou o copo de cristal com o liquido cintilando em seu interior. —— Estou usando óculos escuros de noite e esse é só meu copo número sei lá. Não era como se estivesse contando, o tom empregado denunciava ironia nas palavras ou seria apenas o teor alcoólico?
------ Só vou te julgar se tiver esquecido. ------ Mentiu, fazendo exatamente o que disse que não faria, só que silenciosamente. Desmond parecia muito fora da caixinha; Selina desejava ficar igualzinha. ------ Óculos maneiro. ------ Comentou, sentando no conjunto do puff em que ele estava. Será que Candy daria falta se o objeto sumisse até o fim da festa? Esperava que não, pois pretendia pegar emprestado. De um jeitinho bem clube de ladrões. ------ Trouxe meu biscoitinho? ------ mão estendida, sorriso de canto esperançoso.

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Margaery nunca havia se sentido tão… Pequena. Os pés descansavam em uma sapatilha vermelha e não em suas costumeiras botas. A culpa era, com toda certeza, de seu oponente no clube da luta que a impossibilitou de vestir sapatos realmente dignos para a ocasião. Compensava a falta de finesa com o vestido vermelho e dourado. A peça parecia ter saído diretamente do guarda roupa de Guinevere para o corpo da filha mais nova. Os fios de ouro reluziam sempre que eram banhados por alguma luz. Estava impecável, porém nem mesmo as joias mais caras e o vestido mais belo eram capazes de fazer com que ela alcançasse o topo da arvore. Jurava que havia avistado uma plantinha perfeita para fazer uma poção, porém era incapaz de apanha-la. Claro que podia se levitar até o lugar, mas não estava interessada em sujar seu vestido no processo. – Ei, você ai, brutamontes, será que pode me ajudar? – chamou a princesa. – Eu não consigo pegar. É aquela plantinha roxa ali, ta vendo? As pontinhas são azuis. Se for o que eu to pesando, ela pode curar muita coisa! Sempre bom ter já que nesse castelo a gente ta sempre enfrentando um perigo né? E ai, será que pode pegar pra mim?
------ Quem você tá chamando de brutamontes sua... sua... ------ na busca de uma resposta a altura, o rosto de Selina estava fechado, enraivecido. Já não bastavam os olhares esquisitos que Margaery sempre lhe dirigia, agora teria que aturar ofensas? Era a gota d’água. ------ sua baixinha! ------ exclamou, chateada demais para pensar em algo mais criativo. Se a bruxa soubesse o quanto suas atitudes magoavam a autoestima da gatinha... ------ Pra isso eu sirvo, não é? humpf! Pois fique sabendo que até o Tweedle-dee é mais alto que você, e ele é TRÊS CENTÍMETROS mais baixo que o Tweedle-dum! ------ indicador, médio e anelar foram erguidos no ar, enfatizando a frase. Selina empinou o nariz. Em seguida, cruzou os braços. ------ Quer sua plantinha? Pega você mesma. Não é porque você é filha do diretor que eu virei sua empregada não.
“ ––– Realmente, razona conmigo*.” Iniciou, voltando os olhos castanhos para x outrx quando direcionou com a destra para o local onde um casal estava entretido com o karaoke. “ ––– Em quantos desses contos a galera realmente para a história pra fazer número musical? Digo, com direito a coreografia, cenário, músicas originais e sem ensaiar…? É que não faz muito sentido.” E não fazia mesmo. Claro que Mateo ainda era um amante da música, mas a noção tinha certos níveis, e aquela ainda era uma questão para o moreno. “ ––– Tá aí, el Cuentacuentos** também faz música e a gente não sabia.”
----- Cuentacu-quê? ----- As sobrancelhas estavam juntas em confusão. Até que, no instante seguinte, não estavam mais. ----- Espera, entendi tudinho, isso é Charadês! Me dá só um segundo que eu tô meio enferrujada. ---- o indicador se ergueu no ar, pedindo paciência. Selina então pigarreou, começando as associações do dialeto wonderlandiano. ------ Cuentacuentos, cuentacuentos, cuenta.... Quanta? Contra? Não, não... é conta... Conta-coentros? ------ arriscou ------ É alguém que tem horta? Bom, se eu passasse o dia contando coentros, bem que ia querer uma musiquinha pra fazer o tempo correr mais rápido. Você não? ----- deu de ombros. Que papo estranho aquele do rapaz. ------ Por falar em horta, acredita que minha muda de Erva de Gato desapareceu? Assim, da noite pro dia. Puf! ------ gesticulou. ------ Um engraçadinho me disse que ela sumiu que nem o tal do menino Bee, sabe? Que foi, hm, esquecida. ----- a palavra saiu sussurrada, arrepio percorrendo a espinha e finalizando no rabo púrpura. ----- Mas não caio nessa, uh-uh. Pra mim, ela foi é roubada.
Depois da performance musical com o colega de quarto, trocou a roupa enorme e acolchoada de coração por um terno vermelho cravejado com alguns pequenos cristais. Sentindo-se mais confortável, e rindo à toa por ter se divertido com Lux, caminhava pelo evento cumprimentando as pessoas e sendo o mesmo Neevan sociável que sempre foi antes da maldição. Cornelius em seu ombro, o ukulele guardado junto aos instrumentos da banda para caso necessitasse depois. Era quase como se aquilo tudo não tivesse existido, não fosse pela cicatriz em forma de serpente que carregava no dorso da mão e que guardava as sombras por ali. às vezes doía e incomodava, mas até o presente momento, tudo estava indo bem. Interrompeu os passos quando encontrou uma pessoa conhecida, e com um sorriso largo, animado e simpático nos lábios, cumprimentou. “ Eu sei, andei meio estranho nas últimas semanas… ” Estranho era o mínimo; agressivo e briguento com certeza definiriam melhor, e atormentado e possuído também. Foram quatro longas semanas. “ Mas ‘tô de volta, viu? O mesmo Neevan de sempre. Sou eu de verdade agora. Fala pra elx, Cornelius. ” Brincou, olhando para o sapinho, sabendo que apenas ele entenderia o anfíbio. “ Então, veja só, para provar que eu ‘tô bem e de muito bom humor, vou te oferecer minha companhia para qualquer coisa que quiser. É sério, a gente pode ir na pista de dança, ou no karaokê, no lago, na floresta, no tapete mágico… você decide. ‘Bora lá, o que você quer fazer? ”
------ Hm... ------ Selina pôs a mão no queixo, olhos semicerrados. O analisava devagar, atenta e imóvel, como se esperando por um surto psicótico a qualquer instante. Dez longos segundos depois, os quais também usou para pensar na proposta, seus lábios curvaram num sorriso grande, os caninos de pontas afiadas brilhando de tão branquinhos. ------ Oookay! Decidi acreditar no senhor, senhor sapinho. ------ uma piscadela na direção de Cornelius, de brincadeira ------ Eu também vim pra essa festa regenerada, sabe? Uma nova gatinha. E sei exatamente onde pode me acompanhar. ------ Ela desapareceu. Tão logo, estava ao lado de Neevan, cotovelo encostado no ombro dele, ignorando completamente qualquer regra de espaço pessoal. ----- Acredita que não querem mais me deixar brincar no Karaokê? Eu só cantei sete musiquinhas, poxa, e eles nem tinham a do papai! É isso que dá ser personagem secundário. ------ A cabeça balançou em negativa, chateada. ------ Maaaaaaaas, tenho certeza que não vão implicar se fizer um dueto comigo. Até deixo você escolher a canção.
Depois de uma intensa sequência de acontecimentos conturbados, a herdeira finalmente se permitiu descansar. Como membro do comitê estudantil de eventos, participou de maneira ativa da construção daquele cenário deslumbrante: depois noites inteiras fazendo fichários e mais fichários com ideias novas para o espaço e se virando como podia para colocá-las em prática, estava orgulhosa pelo esforço investido ali. Apolina não tinha muita certeza se merecia encontrar o que era celebrado na data, no entanto, o Dia do Amor Verdadeiro era bonito demais para deixar as inseguranças falarem mais alto. As esplendorosas flores do jardim suspenso eram realmente um colírio para os olhos, tal como o corpete que abraçava seu corpo como uma segunda e pesada pele — uma armadura composta por tecido e joias cuidadosamente escolhidas por Araminta. Quando se mexia, pequenas estrelas dançavam consigo, o resultado reflexo das pedras representativas do próprio reino. Porém, o mais bonito em Iraklidis não era a dança de brilhos e, sim, a esperança que reluzia em seus olhos. —— Você acha que representa bem tudo o que isso significa? —— Perguntou a princesa para x aprendiz ao seu lado, enquanto observava o desenrolar da festa. —— Essa festa, de certa forma, é uma homenagem à magia mais pura de Mítica. O comitê estudantil de eventos deu duro para fazer tudo virar realidade, tal como o clube de música, o de culinária e o de desenho e pintura. Muita gente dedicou tempo e amor nisso. —— Talvez estivesse sendo ingênua, contudo, não podia negar que era fruto de amor verdadeiro. Mesmo depois de anos casados, o carinho entre seus pais não havia se desgastado nem um porcento. Cinderela havia recebido o conto de fadas que merecia. —— Então, por favor, aproveite. Vai que você encontra o seu amor verdadeiro ao badalar da meia noite?
------ Eu tô bem só com amigos. Mas se tivesse um gatinho dando sopa por aí, sabe, e que não fosse meu irmão ------ a parte difícil, pensou ----- eu não ia reclamar de ensinar o passo maluco pra ele lá na pista de dança. O Chapeleiro é quem faz melhor, eu sei, eu sei, mas aprendi direitinho numa das festas do chá. ------- Sorrisinho orgulhoso escapou enquanto divagava, olhando para a decoração da festa como Callie fazia. ------- Ah, mas eu vou aproveitar sim, senhora! Tava precisando mesmo de um pouquinho de diversão... ------ A imagem do canteiro vazio na estufa pipocou na mente, mas Selina balançou a cabeça, tentando expulsá-la. Estava decidida a deixar o tópico de lado, ao menos por ora. ------ Minha meta é ficar trilouca antes da meia noite.
❝—— Olha, parece que este aqui é para você! ❞ Anunciou a aderense, conforme estendia o papel em formato de coração para a outra pessoa. Ainda possuía muitos recados para serem entregues, mesmo que tivesse dividido eles com Lux e Maeve, e a cada rosto que ela lembrava-se de ter lido o nome nos papéis, a garota fazia questão de interromper o percurso alheio, para que pudesse lhe entregar o bilhete. ❝—— Temos um admiradorx secretx entre nós… ❞
Tópico delicado, tópico delicado, tópico delicado... Alerta! Alerta! Para aqueles versados em ‘rabo-de-gatês’, era isso o que poderia ser lido na forma arrebitada que tomou a pelagem púrpura da cauda de Selina ante a fala de Amora. Olhou para o coração, depois para a menina, depois para o coração mais uma vez. ----- É mesmo? Uau. Mas que coisa, não? hehe. ---- A risadinha era sem graça, o tempo todo pensando, pedindo, que o admirador não fosse aquele que beijara no passado. Aquele que Amora havia visto primeiro; mas que Selina, por puro tédio, conquistara antes. Tomou o objeto nas mãos, o escondendo contra o peito. ----- Obrigadinha.

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𝐓𝐑𝐔𝐄 𝐋𝐎𝐕𝐄'𝐒 𝐃𝐀𝐘 --- Selina Cheshire.
mais uma vez, hawke saía praticamente enxotado da enfermaria, pois sua mania infernal de voltar lá todo quebrado com uma constância ridícula já estava enchendo a paciência dos enfermeiros, que, por sua vez, não faziam a mínima ideia de como o rapaz tinha tanto talento para se machucar. não bastasse ter passado pouco mais de uma semana inteira preso à uma das camas da ala de enfermagem, graças à sua, diga-se de passagem, estúpida decisão de embrenhar-se na floresta assombrada, estava retornando ao local dia sim dia não, as vezes com ferimentos mais leves, outras vezes com ferimentos um pouco mais preocupantes. todavia, pelo menos, nada tão sério quanto o que sofrera na floresta. apesar de os empregados da ala hospitalar não quererem admitir, a resposta para aquela questão era muito simples e clara: ou o rapaz era muito desastrado ou estava se metendo em briga de propósito. e, verdade seja dita, com o andado galante do rapaz sempre em evidência, a segunda opção era a mais provável.
os mais atentos e envolvidos com os assuntos da escola saberiam que aqueles ferimentos recentes eram provenientes do famigerado clube da luta, fundado recentemente, e em segredo, entre os alunos. felizmente, os enfermeiros e grande maioria dos funcionários não faziam ideia da existência do grupo, e o rapaz pretendia que ficasse assim. - ah, gente, ‘pra quê essa reclamação toda? foi só um arranhãozi… - ao ser expulso da enfermaria, o rapaz, que ainda olhava para os enfermeiros com um sorriso torto e amarelo, acabou esbarrando em alguém, interrompendo-se no meio da frase. - opa, foi mal! - falou, virando-se para a pessoa em questão, que o encarava com uma expressão difícil de decifrar. - que foi? - questionou, erguendo uma sobrancelha enquanto encaixava no rosto um óculos escuro para esconder o olho roxo. - nunca foi expulso da enfermaria não?
------ Não costumo entrar muito nela, na verdade. Ou será que devo dizer ‘não costumava’? ------ O rabo lilás e listrado da gata curvou-se numa interrogação, expressando a dúvida que agora perpassava-lhe os pensamentos. Selina analisou o aprendiz dos pés à cabeça, semicerrando os olhos no processo. Aqueles cortes não tinham sido causados pelo encontrão de segundos atrás, definitivamente, mesmo que suas unhas fossem tão afiadas quanto garras. ----- Eu sei que nem todo mundo cai no chão de pé como eu, ------ sorriso curto marcou os lábios ------ mas vocês andam se machucando até demais por aqui, huh? Já perdi a conta da quantidade de gente que vim visitar. ------ É verdade que nem todos eram amigos. O transmissor de Selina estava repleto de fotos para a posterioridade, capturas em momentos constrangedores. E mesmo que soubesse a respeito das fugidinhas para o lado mais proibido da floresta (havia presenciado várias delas), suspeitava haver algo a mais. Se uma coisa conseguia sacar com facilidade, era quando tentavam esconder algo de si. Ela cruzou os braços. ------ O que tá rolando?
“ ––– Tá, vamos esclarecer uma coisa: eu ando com uma garrafa de tequila por Aether inteira se eu quiser e ninguém vai me impedir.” Nem Merlin, pois no momento, Allie realmente havia aderido a filosofia do ‘não sou obrigada a nada’. Estavam sentados próximo a um vaso contendo uma planta de porte pequeno, e após despejar o líquido transparente no fino tronco, Yamileth acendeu o isqueiro e aproximou-o da região encharcada. E quando a planta já havia sendo consumida pelas chamas, voltou os olhos castanhos novamente para x outrx. “ ––– Você tava falando o que mesmo?”
Selina não havia entendido a finalidade dos atos de Allie enquanto os executava, imaginando que pretendia apenas se livrar do conteúdo alcoólico. Quando as chamas passaram a consumir o verde, entretanto, os olhos arregalaram, estatelada demais para tomar atitude até que já fosse tarde. Seu coração doeu em angústia. ------ Por... POR QUÊ??? ------ Não que fosse daqueles aprendizes engajados pela manutenção da fauna e da flora; normalmente, o tópico ‘preservação ambiental’ jazia no fim da lista de preocupações. Cheshire, todavia, tinha perdido (ou melhor, sido furtada!) a própria plantinha de estimação havia poucos dias. O assunto ainda era sensível aos olhos e ouvidos. ------ Você tá queimando a mata de Aether há quanto tempo, menina?? Ora! Onde já se viu?! Eu juro pelo Narrador: Se tu encostou um dedo na Erva de Gato da estufa, eu não respondo por mim!
Seu senso de liderança o fazia se sentir levemente culpado pelo ataque que sofreram, mesmo que impossível fosse prever o ocorrido — caso contrário, Merlin sequer teria ido para sua viagenzinha de férias, ou havia feito isso, justamente para livrar a própria pele? Fato é que para onde quer que fosse escutava reclamações, ora sobre o ataque, ora sobre as drásticas medidas adotadas pelo feiticeiro. E ele pensava que, tal como um rei, o velho era incapaz de agradar à gregos e troianos, mas deveria ser totalmente irritante ver coisas acontecendo bem abaixo de seu nariz. Os comentários depreciativos o deixavam incomodado, mas sentado à mesa de xadrez, ele exibia um semblante calmo e então um sorriso ao dar o xeque mate, levantando-se para fechar o paletó antes de pender a cabeça na direção à qual pensara ter vindo uma das reclamações. ❝—— Os governantes às vezes precisam tomar decisões difíceis, e elas não precisam agradar seu povo, desde que os proteja. Pense que, se Merlin não houvesse colocado uma barreira entre nós e aquela coisa, você poderia ser o próximo nome na lista de desaparecidos. ❞
Ao perceber que o rapaz ameaçava seu rei, um xeque-mate inquestionável, Selina subiu na poltrona e bateu algumas palmas, extremamente animada. Havia sorriso largo em seu rosto. “ ------ Encurralamos o rei vermelho! Veja só, ganhamos!” Anunciou, ignorando completamente que xadrez não era jogo em dupla, mas individual. De qualquer maneira, depois de um governo realmente rígido e controverso da Rainha Vermelha no país das maravilhas, não importava se as peças de seu lado fossem as rubras e as do lado dele as brancas --- derrubar aquela monarquia sempre seria a verdadeira vitória. “ ------ Esse é um jogo realmente divertido.” comentou, acomodando-se no braço da cadeira e apoiando o cotovelo acima do encosto. Quando o esverdeado se levantou, Cheshire o acompanhou com os olhos. Seu discurso foi bem capturado pelos ouvidos felinos; cuja mente dispersa, mais vezes do que não, acabava absorvendo e devolvendo com pensamentos inesperados. Ali, não foi diferente. “ ------ Ou talvez tenha nos prendido com ela.” Soltou, dando de ombros como se não fosse nada importante. Então voltou a mexer nas peças do tabuleiro. “ ------ Quer jogar de novo?”

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a ideia da barreira que prendia a todos na ilha andava rondando os pensamentos da loira durante toda a manhã. ela olhou para o céu, aproveitando o sol no gramado e então, levando uma garrafa a boca, ela simplesmente suspirou. “e toda vez que eu acho que não dá pra piorar… simplesmente fica.”
“ ------ Se algo aprendi no país das maravilhas, é que sempre dá pra ficar mais estranho.” Comentou numa risada, catando pedacinhos de grama grudados no pelo de seu rabo listrado. “ ------ Tweedledee e Tweedledum contam as histórias mais bizarras, você precisaria ouvir pra entender. Alunos presos numa redoma mágica? Pff, isso é fichinha.” Selina levou a atenção até Saxa, maneando a cabeça na direção da garrafa. “ ------ O que tem aí? Leite?” Perguntou, sobrancelhas erguidas.
“ ––– Isso aqui? Ora, não é nada.” Na verdade, era sim. Não era nenhuma novidade que a russa não pensava antes de agir, e no ataque dos ogros, achou uma excelente ideia pular nas costas de um e tacar uma panela em outro ––– e aquilo concedera a Sonya um braço quebrado e pontos na testa, que haviam acabado de ser costurados. Graças as poções concedidas por um Merlin que ela pensaria mais de uma vez antes de impeachmar, logo estaria boa, mas também nunca fora uma garota paciente. “ ––– Vem, me ajuda a levantar aqui.”
“ ------ Ora...” Cheshire começou, imitando o tom de voz usado. “ ------ Se não é nada, então é alguma coisa!” sobrancelhas erguidas lhe desafiavam a questionar a inquestionável obviedade de sua afirmação. Ela continuou a divagar sobre aquilo que fazia total sentido na mente Wonderlandiana, o rabo listrado balançando devagar: “ ------ E o que é nada, senão a falta de alguma coisa? E se havia alguma coisa, mas essa coisa está faltando, então nada é alguma coisa... Só está faltando.” Oh, como as pessoas ali eram confusas em suas construções frasais! Mesmo depois de anos em Aether, Selina ainda se pegava perdida naquele emaranhado de palavras. “ ------ É ou não é nada? Em todo caso, você machucou um braço, não as pernas. Quase certeza que consegue se levantar sozinha.”