Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir o planeta e uma época com você.
- Carl Sagan.
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Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir o planeta e uma época com você.
- Carl Sagan.

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Às vezes as pessoas me decepcionam demais e eu preciso dizer que perdoo e seguir em frente; eu preciso aceitar erros alheios e me conformar com o fato de que somos todos seres falhos.
Por quê a vida funciona assim? Seria muito mais fácil se a gente não precisasse conviver com a imperfeição. Eu mesmo não consigo acreditar quando eu erro - é algo tão ridículo, sabe? Tipo, era só ter feito a coisa certa. Mas o pior é quando não existe certo nem errado, e sim diferentes lados e visões subjetivas sobre uma mesma situação.
Eu odeio qualquer tipo de substância que altere o funcionamento das pessoas porque elas ficam idiotas. Eu já fui tão idiota, mas às vezes tenho vontade de ser de novo pra ser eu mesmo sem controle nenhum. Eu odeio ser eu mesmo, mas eu amo ter coragem. Eu sinto que eu posso tudo, e acho que, no final das contas, é por isso que as pessoas bebem: porque elas cansam de acertar. Mas eu continuo vivendo com medo constante de errar, e eu morro de medo toda vez que vejo a Mari mandando mensagens no grupo alucinando ou ouço o Lucas e o Jojo contando as vivências bizarras deles de qualquer noite aleatória pré-aula enquanto estavam completamente passados. Eu tenho medo de conhecer as pessoas... acho que eu prefiro permanecer no conforto de admirar elas de longe sem correr o risco de me machucar. É estranho pensar que a Auri e o Sury são as únicas pessoas sobre as quais eu creio que o meu depósito de altas expectativas não corre o risco de sofrer uma grande frustração.
Eu gostaria que meus girassóis fossem do jeito que eu idealizei.
"Você não tem medo de dar errado?"
- Tenho é costume, se der certo
eu nem sei o que fazer.
learning to enjoy my own company again
Impulsividade seletiva (?)
Eu fui impulsivo semana passada quando eu comprei torta de morango e decidi levar meu celular no concerto. Eu também fui impulsivo quando pintei meu cabelo de azul e roxo e quando fiz o terceiro furo da minha orelha. O que me impede de ser de novo agora? Porque eu tô hesitando tanto em entrar no ligeirão norte-sul e deixar a vida me levar? O máximo que eu vou perder faltando à aula de teatro é alguns muitos gatilhos e uma possível crise de ansiedade. Então por quê? Por quê eu simplesmente não falto?

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Sonhei com você (pela vigésima vez)
Essa manhã eu sonhei com você. Não sei dizer ao certo por quanto tempo, porque quando durmo perco totalmente a noção de realidade - tanto é que poderia ter jurado de pés juntos que era verdade a parte em que você era sincero e dizia que gosta de mim, me pedindo que desse uma chance para nós dois.
Me recordo perfeitamente da parte em que você disse para que eu tomasse cuidado para não te assustar e eu perguntei se dizer que te amo seria demais (você respondeu que estava tudo bem). Então nós dançamos - não de maneira literal, não obstante figurativamente nós dançamos. Dançamos em declarações de amor, em trocas e partilhações das quais em minha memória permanece apenas o gosto adocicado de saber que havia reciprocidade em meus sentimentos. Dançamos num fluxo maravilhoso de perguntas e retóricas, como quando você me questionou qual meu filme favorito do seu diretor de terror cinematográfico predileto e eu percebi que teria que assistir a todos apenas para poder responder à sua pergunta (por mais que tenha desgostado profundamente de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças).
Queria dançar com você. Queria acordar e me deparar com a continuação daquele sonho maravilhoso. Queria dormir eternamente pra poder olhar nos seus olhos sem medo de ser julgado.
Sobre transformações de pequenas grandes coisas
Hoje eu descobri que se eu colocar uma porção de morangos por 2min no micro-ondas e misturar com agave eles viram geleia, e que se eu misturar geleia e cream cheese no pãozinho de padaria que a minha mãe comprou, disse ela pensando em mim, de repente eu tenho em mãos um cheescake.
Eu passei o dia inteiro comendo cheescake. Foi cheescake no café da manhã, no almoço, no café da tarde e na janta.
Eu amo cheescake.
Escrever sobre episódios depressivos é muito difícil
Eu sinto um desgosto muito grande toda vez que leio minhas letras que falam sobre algo que não seja amor porque eu odeio olhar pros meus sentimentos feios e dolorosos.
Eu preciso de um atestado pra descansar, gravar minhas músicas e chorar as tardes inteiras
Se eu te pedir um atestado, você vai me perguntar o motivo e eu não vou saber dizer. Eu não consigo mais validar as minhas próprias dores - eu era muito bom fazendo isso até pouco tempo atrás, mas agora eu rio em meio às minhas lágrimas e espanco tudo à minha volta enquanto murmuro palavras de dúvida. "Por que eu tô fazendo isso?" "Eu tô bem" "Eu me odeio" "Por que ninguém me ama?"
Pois é, Julia. Foi isso que eu murmurei ontem a tarde inteira enquanto manchava o meu travesseiro de lágrimas e tinta de cabelo. Mas eu nunca vou conseguir verbalizar esses fenômenos quando você me perguntar o motivo de eu não conseguir ir pra escola sem imaginar mil e um comentários negativos que as pessoas estão fazendo dentro de suas mentes ao me observarem, sem sentir minha cabeça prestes a explodir toda vez que ouço barulhos altos e sem sentir meus órgãos se repuxarem dentro de mim toda vez que vejo tantos rostos conhecidos.
Eu quero um atestado, mas meu maior medo é me tornar igual à minha ex melhor amiga. Não preciso citar nomes, eu mesmo sei de quem estou falando. Não quero me tornar incapaz de socializar e não quero aderir à última das alternativas, que meus pais não se esquecem um dia sequer de martelar na minha cabeça - mudar de escola. Eu sei que o problema sou eu e não os outros, mas eu não acredito que alguém ainda goste de mim.
Meu ego é maior que os 3 andares da minha casa. Meu ego supera as maiores alturas sobre as quais meus olhos já se depositaram, mas a minha autoestima é absolutamente inexistente - só que, na moral, eu pareço ser um mlk insanamente foda. Eu faço coisas incríveis, reconheço meus talentos. Eu sou um dos melhores fotógrafos que eu conheço, atuo de maneira bem aceitável, faço músicas incríveis, tenho um estilo muito próprio e escrevo textos fantásticos - mas a minha personalidade é um erro do universo. Eu sou um desastre ambulante. Tudo o que as pessoas mais admiram em mim não diz absolutamente nada sobre o meu caráter, é só a capa de um livro cheio de café manchando as páginas. E eu acho que, no final, a moral dessa metáfora é que, quanto mais eu me esforço pra limpar o café das folhas de papel e ler o que ele estava cobrindo, mais eu danifico sua integridade. Mas não fui eu que derrubei o café (por Deus, eu odeio café) - foram todas as pessoas que eu me esforço absurdamente para não depositar aqui os nomes. Foram todos os indivíduos que brincaram com os meus sentimentos e me tornaram apenas uma memória desgostosa de tantos passados.
Eu pintei o cabelo porque achei que conseguiria me amar mais. Eu queimei a minha cabeça e o meu rosto inteiro com água oxigenada e pó descolorante volume 9 tom perolado porque eu achei que isso faria eu me dar o valor que eu espero que os outros atribuam a mim. Mas, no final, eu só me odiei mais ainda, e o Lauris, o Jojo, o Lucas, a Mari, a Suri, o Sury, a Ceci, o Dinho, o Leon, o Otto, a Sofi Frozza e os meus pais vão continuar tendo prioridades que não eu.
"Amor, I love you"
Amor, I don't love you just because I don't know you yet. But you've made my dreams your new home, and I know you don't like your life - so please, let me be your safe word. Let me show you how stupid you are and how much I like you apesar de você fingir que não gostaria de criar uma plantação inteira de girassóis just to see a smile on my face.

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"Meu nome é Noah Ferris e eu tenho transtorno de ansiedade social"
Jamais pensei que me identificaria com o protagonista da série favorita de quem eu fui há 6 anos atrás; mas hoje em dia é muito difícil repirar o mesmo ar que você, porque eu me sinto observado a cada expiração que eu dou. Eu queria muito que você demonstrasse alguma coisa quando me olha ao invés de me fazer imaginar mil e uma possibilidades diferentes. Por mais que eu esteja feliz, eu vou encontrar merda pelo chão que eu piso sempre que estiver sob o seu radar.
Posso parar de me sentir julgado por você? Eu queria que você dissesse
qualquer coisa
.(?)
Você não me deu oi
O que dói não é ser apaixonado por você, e sim perceber que esse é o motivo pelo qual você não consegue mais olhar nos meus olhos ou apertar a minha mão para me desejar um bom dia.
Chá gelado de limão numa tarde azulada de outono
Hoje eu sentei em um café com vista para as folhagens de árvores belíssimas e fiquei pensando em você enquanto aguardava pelo meu chá gelado de limão. Mas dessa vez eu não tive medo de sentir - eu permiti que as minhas pupilas reagissem a cada uma das emoções que as minhas lembranças do seu rosto trouxeram.
Hoje foi o primeiro dia em que o céu esteve azul desde que eu te contei sobre os meus girassóis, mas dentro de mim me sinto outono. Algumas folhas de plátano caem quando penso que você é a mais pura das minhas poesias e que eu pra você não passo de um gatilho para todos os traumas que carrega silenciosamente tentando esconder de mim e do mundo.
(Vou começar a tirar mais fotos das minhas estações)
Tem nevado dentro de mim (e ainda é outono)
Hoje nevou dentro de mim quando eu sentei na poltrona e tomei uma xícara de leite quente (eu sou intolerante à lactose). Ontem nevou dentro de mim quando eu comi pão na chapa assistindo debaixo das cobertas ao novo seriado do Berlin. E acho que, além de neve, existe um vulcão dentro de mim, porque eu sinto ele entrar em erupção toda vez que a minha memória te traz pra mais perto. Ele também entra em erupção quando eu clico no Instagram pra ver se você postou alguma foto, música ou absolutamente qualquer coisa que me dê alguma pista de como você está se sentindo (eu contive as minhas lágrimas quando você compartilhou aquela ode ao suicídio).
Às vezes chove dentro de mim, mas as gotas só caem quando você me deixa triste. De vez em quando também caem folhas, como na estação em que teoricamente nos encontramos. As minhas folhas caem quando eu estou exausto.
Às vezes faz sol dentro de mim, mas esse fenômeno é um pouco mais raro porque é consequência das suas tentativas de me fazer rir. E, de vez em nunca, eu noto o florescer de algumas flores em meio ao barro molhado da neve que congelou a chuva que escondeu o meu sol. Mas essas flores só aparecem quando você diz que também me ama - ou quando eu aprendo que meu amor vale mais do que o seu.
Por que você não escreveu sobre mim?
Você era só um poeta. Não era você. Nem quando não era poeta não era você. Porque você de verdade responderia as minhas cartas. Você de verdade não contaria que está doente quando fosse chamado por mim para jantar pizza e dançar forró. Você de verdade não se faria de superior para eu não perceber que não sou o único que está se apaixonando.
Você de verdade não escolheria fugir ao invés de encarar o fundo dos meus olhos sem a sua bela maquiagem delarte.
Mas eu fugi também. Só que era pra você ter vindo atrás. Pelo amor, você SABE que deveria ter vindo atrás. E você sabe que ainda é tempo de vir. Preciso que venha logo para que eu possa te dizer que não vou te machucar igual os outros machucaram. Eu não sou só mais um, e você também não é só mais um pra mim. Eu sinto que poderia te amar com 100% da minha bateria, da mesma forma que a Édra e a Íris se amaram (sem as brigas e inconstâncias, obviamente. Eu jamais te machucaria.).
Qual foi o problema? Você não gosta de girassóis? Não gostou que poetizei seus cabelos? Ou não soube reagir ao fato de que ambos sentimos?
Seu silêncio diz mais sobre seus medos do que sobre a minha coragem. Não que eu queira me gabar, mas estou cansado de ter sempre que ser a pessoa corajosa. Mas eu sou assim desde criança, porque houve um dia em que eu percebi que, se eu não fizesse, ninguém mais faria. Então eu prefiro me ensurdecer com seu silêncio do que viver sabendo que os 7 meses em que passei tentando descobrir a melhor maneira de te contar que você é o laranja mais forte que eu já senti se mantiveram apenas no mundo das ideias de Platão.

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Meu jardim não precisa de borboletas
Eu preciso aprender a cuidar do meu jardim e a entender que ele não precisa de borboletas pra ser bonito. Existem outras diversas formas de fazer ele irradiar beleza e poesia - agora eu só preciso parar de nutrir o amargor consequente da ausência da minha borboleta porque isso tá matando ele um tico mais a cada minuto que passa.
Mas eu amo a minha borboleta. Ela tem asas amarelas num tom tão claro que chega a ser quase branco. Ela mata o meu jardim porque eu deixo ela comer todas as plantas que tem nele, e eu não sei amar ela de um jeito diferente.
Ela matou os meus girassóis.
Queria ser eu
Eu não lembro mais quem eu sou. Não sei em que ponto meus neurônios decidiram que eu começaria a depositar meus sentimentos mais íntimos em uma rede social. Eu sempre achei isso deprimente, e continuo achando. Talvez o fato de eu estar deprimido porque escrevi uma carta para a pessoa que eu mais admiro no mundo e ter passado a ser ignorado por ela depois disso me dê um passe livre para realizar atividades deprimentes de maneira geral.
Eu já nem quero mais ir no show do Grilo hj à noite, mas meus pais e o Jojo vão ficar mal comigo se eu não for. Eu também vou ficar mal comigo se eu não for, porque o ingresso não foi barato. Mas eu realmente só queria chorar até pegar no sono.
Eu não chorei até agora. Eu sinto a vontade de chorar tomando conta de mim aos poucos, mas o choro nunca vem. E eu não sei por quê.
O Lucas tá cansado de mim e eu não culpo ele. Eu sou um saco, não sei como eu mesmo me aguento. Na real acho que só não aguento, por isso eu tô ficando mais maluco a cada ano que passa. Mas eu realmente queria muito terminar a minha música. Eu queria gravar todas as minhas músicas até não aguentar mais pensar em sons, até um tal loiro oxigenado perceber que eu valho a pena. Até as pessoas me reconhecerem na rua e virem me agradecer por existir, dizer que eu salvei a vida delas com a minha arte e que elas se identificam com cada palavra que eu falo, escrevo, canto, gravo e lanço pro universo. Porque assim eu sentiria que respirar faz sentido, porque assim eu saberia que eu não sou tão insignificante quanto eu me sinto todos os dias.
A Auri e o Lauris disseram que eu deveria ser um adjetivo porque eu sou muito eu, muito leal aos meus sentimentos e isso me torna único o suficiente pra ser adicionado na categoria gramatical de qualidades. Mas eu realmente não faço mais a mínima ideia de quem eu sou. Eu me perdi em meio às bilhares de personalidades que criei nesses meus 17 anos e quase 3 meses de vida, e eu nem sei porque eu tô escrevendo tudo isso no site que, desde que me conheço por gente, sempre julguei como o ponto de maior concentração de pessoas deprimidas do mundo. Mas enfim, cá estou eu no meio do ano mais alguma coisa da minha vida (ainda não cheguei a nenhuma conclusão do que esse ano está sendo).
Eu passei a usar suéters e aderir a diversos tons de verde por causa da pessoa pela qual eu sou apaixonado a 7 meses, e que eu sei que também é apaixonada por mim mas prefere reprimir as próprias emoções e fingir que nunca leu a minha carta sobre girassóis do que me olhar e dizer que também gostaria de ganhar algumas unidades de flores de mim. Eu descobri que amo RPG e Ordem Paranormal por causa de um menino chamado Joaquim que em menos de 3 meses se tornou o meu melhor amigo. Eu encontrei poesia em pedir capuccinos toda vez que se vai em cafés porque conheci o neto do Paulo Leminski e ele se tornou o irmão que eu nunca tive. Eu aprendi a tocar violão porque a Auri e a Ceci me inspiraram da maneira mais linda de todas. Eu escutei BTS e Matuê porque pela Mari e pelo Lucas eu faria qualquer coisa. E sim, esse texto é altamente inspirado no Lauris porque ele me mostrou que existe beleza em sentimentos pra além da felicidade e que as pessoas à nossa volta compõem uma grande parte de quem a gente é. Então se eu for quem eu amo, eu com certeza me orgulho de quem eu sou, mesmo que ainda não tenha me descoberto tanto quanto gostaria.