se isso realmente for ela eu queria pedir desculpas por todas as vezes que imaginei essa mulher como um personagem e não como alguém real 😭
kkkk
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se isso realmente for ela eu queria pedir desculpas por todas as vezes que imaginei essa mulher como um personagem e não como alguém real 😭
kkkk

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FINALMENTE ESSA MULHER DEU AS CARAS E VOCÊ RESPONDE COM UMA PERGUNTA EU NÃO AGUENTO MAIS ESSA LORE. URANO SE ISSO FOR MESMO A BEATRIZ, EU QUERO INDENIZAÇÃO POR DANOS EMOCIONAIS
"lore"
então você me apagou...
foi essa a impressão que ficou?
nada contempla o ego do outro à saudade daquilo que não volta mais, nem você, nem eu. pensei que isto que escrevo por tantos anos e tantos meses perdeu-se o sentido. pensei, então, que parecia até você, nenhuma sílaba, só o silêncio e minhas palavras. e, pouco a pouco, desapareceu de mim a única coisa que eu sentia: tua presença. tão pouco escrevo, contudo, para o fantasma que eu mesmo criei. que faço-me assombrar, que não sai o nome, que não sei mais nada além de tudo o que essas palavras criaram. quando lanço isso tudo ao mundo, de que todos que leem sentem, menos você. não você. eu não te chamo mais, nem nisso, nem do outro lado. agora sim percebo, tão claro quanto os dias, que recriei as manhãs para te ver voltar, que, se não existes mais, e que tudo morreu, então talvez a morte seja o batismo daquilo que eu não conseguia sentenciar. enfim, o teu fim de tudo o que nunca quis dar adeus.

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não há cárcere mais cruel do que permanecer vivo para assistir ao desaparecimento de si mesmo.
escrevo porque o silêncio começou a apodrecer dentro de mim. dores que, se não encontram papel, encontram o corpo. grunho. pego o pedaço de vidro e sinto-o rasgar-me a pele. cuspo tudo nas palavras, e cuspo também o sangue depois de o guardar anos a fio. se alguém lhes chama poesia, aceito o equívoco. eu continuo a chamar-lhes sobrevivência. quero expulsar o caco da garganta. algumas carnes atrofiadas saem mortas. outras regressam para ferir-me outra vez. poucas sobrevivem. são essas que deixo aos outros, na esperança de que alguém as reconheça e pense, por um instante apenas, que a solidão também sabe escrever.
O problema é que você começou afirmando que conhecia a pessoa por trás da história dela. Então me explica: afinal, quem é a Beatriz? A do blog? A das dedicatórias? A que inspirou tudo? O Urano? Ou a mulher que existia na cabeça do urano aqui? Porque talvez nem você saiba responder isso.
galera não precisa brigar em anônimo é só vocês irem um no blog do outro e conversarem. mas, respondendo o questionamento quem ela é importa menos do que o que ela se tornou nas palavras. e algumas respostas perdem o sentido quando são dadas.
Ah, então porque você leu o blog virou testemunha oficial da história? Engraçado como quem acompanha alguém há anos acha que conhece tudo. Você leu o que ele publicou, não o que viveu. A gente nunca sabe o que aconteceu entre um texto e outro, entre uma dedicatória apagada e um silêncio. Dizer que conhece essa história porque salvou alguns textos é a mesma coisa que achar que conhece um livro porque decorou alguns capítulos. Talvez você saiba mais que quem chegou agora, mas ainda assim só conhece a versão que ele decidiu deixar vocês lerem
vocês estão discutindo em anônimo kkk, um quebra-cabeça em que nenhuma das peças foi entregue por completo.
Tem gente tentando interpretar uma história lendo pela metade. Eu acompanho você há anos. Li o blog, li os textos que foram apagados, acompanhei as dedicatórias e vi quando tudo começou a desaparecer aos poucos. Então me desculpem, mas vocês não estão descobrindo uma personagem. Vocês só chegaram tarde demais para conhecer a pessoa que inspirou tudo isso.
obrigada(o) por me acompanhar durante esses anos fico feliz com isso. contudo cada um interpreta o que consegue alcançar

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Pq justamente agora? depois de tantos anos, o que fez vc entender que era hora de deixar aqueles textos irem embora? eu tenho a impressão de que quem escreveu aquelas dedicatórias morreu junto com elas. Vc sente isso também ou ainda consegue reconhecer quando relê o que ficou?
eu reconheço quem escreveu aqueles textos. o que eu já não reconheço é a esperança que fazia continuar escrevendo.
Vim aqui te ler como de costume. Percebi que você apagou quase todas as dedicatórias pra Beatriz. Um anônimo até perguntou esses dias se ela era real mas te acompanhando há tantos anos eu sei que era. ela sempre aparecia entre um texto e outro, e agora quase não consigo encontrar mais nada. aconteceu alguma coisa?
antes de te responder, posso te perguntar uma coisa? por que você acha que ela era real? bom, os textos cumpriram o papel deles. e talvez eu também tenha cumprido o meu...
Boa noite queria fazer uma pergunta o “eu lírico” do último texto parece ser uma pessoa em conflito com a própria identidade. Ele sente o corpo (sinto os pés, bato em meu rosto, atento-me a minha própria expressão), mas ao mesmo tempo parece um estranho para si mesmo. Ele está observando a própria vida? Qual é a imagem toda?
olá, a angústia vem do encontro com o eu. essa é a mensagem ou a imagem que você está perguntando. o diabo não está em nenhum lugar externo, está no reflexo do espelho. no fim, a busca por algo além de si termina no confronto com aquilo que sempre esteve ali
descalço. sinto os pés. meus dedos grunhiam sob o chão. sinto queimar o peito, mas pressuponho se estou morto e ainda vivo. posso também me considerar uma divindade. isso amacia o ego humano. não compreendo nem a mim, nem minha espécie. nem o teu canto de olho me acha. meus dentes rangem depois de um grande sorriso. durmo depois das três. bato em meu rosto e atento-me à minha própria expressão. quero falar com o diabo, esgueiro sob esta companhia que oprime-me. alcanço o espelho; vejo por fim; o diabo me encarando com mais angústia que eu.
um dia hei de escrever sobre o amor, não esse amor que a literatura tantas vezes recolhe do chão depois da queda, cheio de feridas e saudades e cartas nunca enviadas, mas um amor simples, se é que existe simplicidade em matéria tão complicada, porque tudo o que toca o coração humano acaba por ganhar uma sombra, ainda que pequena, e contudo gostaria de tentar, gostaria de falar daquele instante em que alguém nos faz sorrir e nós, que passamos a vida inteira à espera de grandes revelações, descobrimos que a felicidade talvez não seja mais do que isto, breve acordo entre nós e o mundo e uma suspensão momentânea das inquietações, nada de extraordinário, dirão alguns, e talvez tenham razão, mas também não é extraordinário o nascer do sol e nem por isso deixamos de o contemplar. acontece apenas que nunca aprendi a escrever sobre a felicidade, a tristeza deixa marcas profundas e a alegria passa de mansinho, quase pedindo desculpa por existir, porém sei que a conheci, por segundos apenas, por milésimos. vejo uma ave cruzar o céu e não consigo guardar-lhe a forma exacta, sabendo apenas que esteve ali.

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dsdsds.
a solidão tem dentes finos não grita, não pede ela morde devagar.
Within the Painting.