Florescer
Ă engraçado olhar para o agora quando se teve tantos motivos para desviar. Digo, a princĂpio eu nĂŁo tinha qualquer intenção ou interesse em te beijar e, hoje, talvez seja exatamente nisso que eu mais pense desde entĂŁo. Para falar a verdade, eu penso demais e sinto essa vontade me corroer de dentro para fora.
VocĂȘ deve achar que eu sou louca. AtĂ© eu me acharia se estivesse no seu lugar. AlguĂ©m que chegou do nada com uma brincadeira besta de que iria me encher o saco todos os dias e que, mesmo recebendo poucas respostas minhas, escolheu continuar tentando se aproximar. Ora... Ă© uma louca mesmo.
E talvez eu seja. Ou talvez vocĂȘ tenha me moldado um pouco assim. Afinal, o que eu te ofereço hoje nĂŁo Ă© nada alĂ©m daquilo que vocĂȘ mesma cultivou em mim: desejo, vontade, intensidade... Assustador para vocĂȘ? Imagina para mim, que ainda estou tentando abraçar a ideia de que estou a fim de vocĂȘ depois de ter dito, com tanta convicção, que nĂŁo me permitiria sentir isso novamente.
Gostaria de compartilhar que tudo isso aconteceu de forma completamente culposa. Eu nĂŁo tinha intenção de gostar de vocĂȘ ou, quem sabe, me apaixonar nesse processo. As minhas intençÔes iniciais nasceram de uma situação em que senti vontade de fazer vocĂȘ rir, de distrair a sua mente de algo que ficou claro para mim que havia te machucado. E, no gesto mais simples do mundo, pensei: "NĂŁo posso acreditar que esse sorriso vai ficar escondido."
E, no meu ato mais impulsivo, mandei mensagem. Agradeça depois Ă s vĂĄrias latinhas de cerveja que tomei naquela noite. Talvez, sem elas, eu nunca tivesse tido coragem de te chamar e, menos ainda, de acreditar que meia dĂșzia de palavras pudesse se transformar em um convite para conversar no WhatsApp.
Mudando completamente o contexto principal deste texto, gostaria de agradecer por algo que talvez eu nunca tenha dito. VocĂȘ me inspira, conversar com vocĂȘ despertou em mim vontade de seguir em frente. E nem estou falando de amor ou de paixĂŁo. Estou falando daquela sensação de precisar apenas de um pequeno empurrĂŁo para voltar a caminhar.
Foi vendo a forma como vocĂȘ se esforça, corre atrĂĄs do que quer e insiste mesmo quando a vida parece oferecer inĂșmeros motivos para desistir que alguma coisa acendeu dentro de mim. VocĂȘ reacendeu uma luz que eu achei que tivesse queimada. A de que ainda dĂĄ tempo. E que ainda vale a pena correr atrĂĄs das coisas e principalmente, de mim mesma.
Eu nĂŁo sou muito boa em me expressar. Peço desculpas por isso. Mas agradeço, com todo carinho, pelas pequenas sementes que vocĂȘ, sem perceber, deixou cair no meu jardim. Talvez, quando vocĂȘ voltar em dezembro, jĂĄ nĂŁo encontre apenas terra e folhas secas pelo chĂŁo. Quem sabe consiga enxergar uma grama mais viva, algumas folhas novas de uma versĂŁo minha que finalmente resolveu florescer.
Beatriz Cosio.












