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Janaina Medeiros
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healing happens in circles, not lines. you will return to old places with new eyes.
a cura acontece em círculos, não em linhas. você retornará a lugares antigos com novos olhos.
“O que eu precisava parecia estar ausente em todos os lugares.”
Charles Bukowski
Não sou alguém que você encontra duas vezes.
Se nada der certo até os 30, você se casa comigo?

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Ontem à noite, pensei ter beijado a solidão pelos seus braços. Pensei que aqueles cortes eram um sinal de que eu deveria ir embora, mas depois você se sentou, com todos os dedos e mãos inquietas, e me disse que há um nó nesse corpo que não posso desfazer. E eu nunca sei o que dizer sobre essas coisas nessas horas. Algo como "Está bem, vou vazar." "Volte para a cama." Ou "Por favor, não me faça ir embora novamente." Não sei. Às vezes, você fica fora por horas seguidas e faço tudo o que posso para não ligar para a polícia, registrando a denúncia de uma pessoa desaparecida. E mesmo que você esteja ali, ainda dormindo na cama, seus olhos são como uma casa vazia no inverno: as luzes ficam acesas para espantar os intrusos. Exceto que neste caso eu sou o intruso e você já está trancando a porta com tanta força, que fica difícil entrar sem ser bastante violento. Ontem à noite, pensei em te dar um motivo para não ficar tão triste quando segurei seu corpo, mas nós dois trememos com o esforço. Acho sei melhor agora. Sei sobre essa sensibilidade excessiva. Eu sei o que dizer das coisas que você me admite no escuro, com todos os dedos e mãos inquietas: "Está tudo bem." "Você pode voltar para a cama." “Por favor, me deixe ficar um pouco mais"
Malbec faz você pensar em coisas ousadas. Bordeaux faz você falar sobre elas. Vodca faz você fazê-las.
Eu acordo cedo e coloco uma máscara que altera o meu rosto. Ninguém sabe quem eu realmente sou. Mas agora eu só uso um nome que vi em uma sepultura. Eu finjo que está tudo bem, mas você deveria me ver na cama, tarde da noite. Todos deveriam se reunir em volta de mim para um show: "Veja esse homem desaparecer!". Faça-me um favor e tente ignorar o meu rosto, enquanto você me assiste cair. Porque, quer saber de um segredo? Ninguém sabe que eu, verdadeiramente, ainda estou vivo.
Malbec faz você pensar em coisas ousadas. Bordeaux faz você falar sobre elas. Vodca faz você fazê-las.
Eu te amo tanto. Tanto que nem eu tinha noção disso: Agora tenho. Eu amo o seu jeito quando está realmente sendo sincera. Amo quando a gente se toca, e é um toque que ninguém no mundo terá a oportunidade de entender. Esse toque me lembra que te conheço desde o início, diferente de muitos, e que somos nós dois, contra o mundo, sempre. Nosso gemer de prazer é tão diferente, sentir o seu corpo me faz suar frio.
Eu quero estar contigo, antes durante e após. Mesmo que aos olhos das outras pessoas soe como uma tremenda alucinação, sei que não. Mesmo que você pareça estar sozinha, somos sempre nós dois, eu e você, a mesma carne, o mesmo sangue, o mesmo sistema nervoso, a mesma alma, o mesmo prazer.

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“eu te amaria uma vida inteira, mas não essa.”
Eu teria arruinado você.
Assassino de mim mesmo
Eu celebro a mim mesmo. Tudo o que assumo, você vai assumir, pois cada átomo meu pertence também a você. Ouça aí dentro o som de minhas palavras, brafejadas com minha voz. Palavras que disparo e formam redemoinhos. Minha alma está atenta a todas as ressonâncias, e meu espírito está sempre chegando. Sou um poeta sem corpo, não pertenço a terra nem estou em função dela, mas, sou o colega e companheiro de algumas pessoas, todas tão imortais e inesgotáveis como eu próprio. Mesmo que não saibam, eu sei.
E sei que não tenho morte, sei que minha órbita não pode ser riscada, sei que não hei de passar. Eu fico sempre em volta: Persistente, aquisitivo, incansável. Não posso ser mandado embora! Sei que sou sólido e são. Em toda pessoa eu vejo a mim mesmo. Existo como sou, isso é o bastante: se nenhum outro no mundo toma conhecimento, eu me sinto contente. Mas se cada um e todos tomam conhecimento, eu me sinto contente.
As delícias do céu estão em mim,e os horrores do inferno estão em mim. O primeiro eu enxerto e amplio em meu redor, o segundo eu traduzo em nova língua. Coisas do universo passam escritas para mim, e tenho que entender o que a escrita significa.
Essa é a história de um assassino a sangue frio: o assassino de mim mesmo. O relógio indica a hora - mas o que é que indica a eternidade? Assim tenho esgotado trilhões de verões e invernos. E existem trilhões à frente, e trilhões à frente deles. Já agora neste ponto eu me levanto, com minha alma robusta.
Acho cartas de Deus caídas pela rua, todas assinadas com o nome de Deus. As deixo onde elas estão, pois sei que aonde quer que eu vá, outras hão de chegar, sempre, pontualmente, sempre, e por todo o sempre.
Eu, o garoto perdido.
Bem...Eu admito ... sinto falta de muitas coisas que deixei para trás. E a pior parte é: estou sóbrio, e tudo isso perambula em minha mente. Deve ser por causa desse tempo frio. O frio me lembra o passado, porque eu lembro de todas aquelas noites em que eu me esforcei para me sentir quente de novo. Faz mais de seis anos e ainda estou "vivendo" as memórias do passado. É patético, eu sei, mas elas me mantêm são. Não quero seguir em frente porque tenho medo de, quando finalmente estiver em paz, sentir a sua falta e nunca mais poder voltar. Te ver sendo feliz com outra pessoa, seria muito pior que o inferno. Eu sei que nossos corações nunca estarão sincronizados. Faz tanto tempo que eu deixei você. Eu choro de saudade por tudo que não fomos. Não somos. Não seremos. As lágrimas, elas nunca foram. O meu coração quase bate por você.
Eu me lembro da fila do mercado naquela manhã. E todas as coisas que você me disse enquanto compravamos bebidas alcoólicas e coloridas. Nossas mãos se entrelaçam e soltam sem nexo. O seu cabelo e o sol são tão importantes que... Qual era a cor dos meus olhos?
Não gosto de despedidas. Algo um dia vai me atrair de volta. Mas quando? Onde?
Já se perguntou o que aconteceu quando eu parti? A história não se encerrou mesmo que você tenha colocado um ponto final naquela lápide. Já se perguntou quando meu coração começou a bater de novo? Você vai vir atrás de mim? Enxugue as minhas lágrimas! Eu peço desculpas por ter demorado tanto para voltar. Você não está aqui agora. E não sei quando vai me encontrar ou se um dia voltará ... se voltar, faça isso em breve. Porque um dia será tarde demais.
Canção de mim mesmo
Me elevo da lua .... me elevo da noite,
E percebo nesse lívido lampejo
os raios do sol do meio-dia refletidos,
E desemboco no que é estável
e está no centro do maior ou menor rebento.
Aquela coisa em mim .... não sei o que é ....
só sei que está em mim.
Cansado e suado .... calmo e fresco fica meu corpo;
Durmo ... durmo por muito tempo.
Não sei o que é .... não tem nome .... é uma palavra não dita,
Não figura em nenhum dicionário nem expressão nem símbolo.
Algo que gira acima de algo mais imenso que a Terra aonde giro,
Para ela a criação é o amigo cujo abraço me faz recordar.
Quem sabe diga mais alguma coisa ....
Esquemas! Imploro a meus irmãos e irmãs.
Estão vendo isso Ó meus irmãos e irmãs?
Não é caos nem morte .... é forma e coesão e projeto ....
é vida eterna .... é felicidade.
O passado e o presente definham .... já os enchi e esvaziei,
Passo a encher minha própria dobra do futuro.
Vocês que me escutam aí em cima! Você aí ....
algum segredo para me contar?
Me encare enquanto assopro o discreto poente,
Seja sincero, ninguém está te ouvindo,
só vou ficar mais um minuto.
Me contradigo?
Tudo bem, então .... me contradigo;
Sou vasto .... contenho multidões.
Me concentro nos que estão perto .... espero na porta.
Quem terminou o batente e vai jantar mais cedo?
Quem quer passear comigo?
Você vai falar antes que eu vá embora?
Ou virá quando já for tarde demais?
O falcão pintado dá uma rasante sobre mim e me acusa ....
reclama de minha conversa fiada, minha preguiça.
Também não sou facilmente amestrado ....
também não sou facilmente traduzível,
Solto meu urro bárbaro sobre os telhados do mundo.
A última nuvem do dia se demora por mim.
Lança minha semelhança após o resto,
fiel como todas nos ermos sombrios,
Me incita para o vapor e para o crepúsculo.
Vou-me feito vento .... agito meus cabelos brancos
contra o sol fugitivo,
Esparramo minha carne em redemoinhos
e a deixo flutuar em retalhos rendados.
Me entrego à terra pra crescer da relva que amo,
Se me quiser de novo me procure sob a sola de suas botas.
Vai ser difícil você saber quem sou
ou o que estou querendo dizer,
Mas mesmo assim vou dar saúde,
Vou filtrar e dar fibra a seu sangue.
Não me cruzando na primeira não desista,
Não me vendo num lugar procure em outro,
Em algum lugar eu paro e espero você.

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Não volte
Cara, você não sabe como ela é. Tipo, como ela é de verdade, sem toda essa merda de redes sociais e sem ter que fingir ser a melhor. Você não sabe como ela é quando tá ouvindo uma música das boas e decide explorar um lugar desconhecido da cidade. Você não sabe como ela fica linda deitada de bruços me pedindo pra fazer carinho no cabelo dela. Você não tem noção do quanto esse corpo é bonito visto assim, aqui de dentro, sem mini saia nem moletom, nem touca.
Você não sabe o quanto ela chora por você, e o quão difícil é pra mim não poder chorar também, e sentir aquela culpa por ter fodido com a vida dela desse jeito. Cara, eu só desejo poder dar força para ela todos os dias, pra enfrentar esses monstros imaginários que ela insiste em criar: A maioria deles, tem o seu nome.
Você não sabe como ela escreve bem. Como ela sorri bonito. Como ela se ama e se abraça e se cheira. E como ela ouve a própria voz de mil maneiras diferentes ao longo do dia! Você não sabe o quanto ela quer aproveitar a vida. Viver, viver! E como nosso coração anseia por algo que seja recíproco, que acolha, que compreenda e tenha tempo.
Você sabe o quanto ela é linda louca. Mas não sabe o quanto ela é linda quando está sendo totalmente transparente: Isso só eu sei. Então olhe de novo para ela, ignore essas curvas e essas piadas divertidas, veja as marcas que carrega nos pulsos e não admite, veja seu sonho brilhante de brincar com os filhos ao redor da sala. Se você não pode estar presente lá, se afaste repentinamente. Mas não volte. Não volte nem para se despedir.
O corpo
Hoje é um daqueles dias em que minha garota está se sentindo totalmente inútil. Claro que não gosto de chamá-la como "minha garota" porque na verdade ela não me pertence e eu odeio o fato de ela ser biologicamente uma garota linda. Mas, enfim. É exatamente nesses dias que eu me sinto ainda mais ativo, e temos que ter paciência para lidar com os conflitos.
Não sou só uma voz na cabeça de alguém, sou o fragmento de um corpo que, infelizmente não existe. Ela toma banho mais cedo para disfarçar o tédio. Passa o sabonete em barra pelo corpo todo e depois deixa a água quente cair. Ela se deita também, encolhida no box do banheiro, abraçando os joelhos e sentindo o próprio aroma. Nesse momento, é quando eu, ou ela, ou nós, normalmente tentariámos uma conexão, mas não hoje. Hoje existem preocupações da vida acadêmica, amores corrompidos e ansiedades atrapalhando a luxúria. Então, usamos a toalha como tapete e deitamos no chão, de bruços. Eu percorro o nosso corpo com as mãos, cada curva perfeitamente acinturada, gotículas de água desenhando sua pele cor-de-jambo. Não estou olhando, só estou sentindo.
É um corpo que eu queria que fosse meu. Há tempos, pensava em modificá-lo. Tinha ódio, tinha inveja, mas esses são sentimentos que eu já combati. Hoje, eu só queria que existisse um meio termo, um corpo intersexual que pudesse abrigar a nós dois, sem conflitos. Algo que pudesse saciar o meu maldito complexo de castração. Desde a infância, ela me deixa colocar coisas dentro da calcinha. Me deixa ser um garoto por alguns instantes. Mas não é o suficiente. Porque nunca posso ser eu mesmo quando atingimos a libido. Nunca posso ser eu mesmo no momento em que deveria, e provavelmente por isso, o momento nunca mais vai acontecer. Exceto que alguém seja confiável obstante para me aceitar, e ignorar, e aceitá-la, e por fim, amá-la.
Sem golpes de faca ou viagens interestaduais.