a cidade de westbridge dá boas vindas à KOL MIKAELSON, originalmente pertencente ao mundo de THE ORIGINALS! ELE tem TRINTA anos, mora em WESTMERE, e em sua nova vida trabalha como TÉCNICO DE SOM em DAWN RECORDS esperamos que ele esteja se adaptando bem à rotina mundana da terra!
Sobre
Kol Mikaelson é um músico independente conhecido apenas por alguns frequentadores da cidade. Durante o expediente, trabalha ajustando toca-discos, restaurando equipamentos antigos e ajudando clientes a encontrar o disco perfeito. Fora do expediente, passa horas no pequeno estúdio improvisado no quarto extra de sua casa. De vez em quando, vende discretamente suas demos em CDs gravados por ele mesmo. Não faz isso pelo dinheiro, apenas espera que alguém escute o que tem a dizer. No geral ele é um homem simples, de rotina tranquila e poucas ambições além de viver da música um dia.
Era uma criança curiosa e imaginativa. Gostava de desmontar rádios antigos para entender como funcionavam. Mesmo sendo mais reservado, nunca teve dificuldade para fazer amizades, era gentil, prestativo.
Apesar da popularidade na adolescência, manteve os pés no chão. Preferia estar com seus amigos mais próximos e levava a vida de forma simples, sempre educado, respeitoso e discreto.
Personalidade
Introvertido, mas educado.
Extremamente observador.
Paciente e gentil.
Inteligente, com humor seco e alguns comentários inesperados.
Prefere ouvir do que falar.
Demonstra carinho através de pequenas atitudes, não é um homem de gestos grandiosos.
Evita conflitos sempre que possível.
Gostos
Rock alternativo, indie e blues.
Vinis antigos.
Instrumentos musicais.
Cafés pequenos.
Dias chuvosos.
Caminhar pela cidade ouvindo música.
Desgostos
Lugares muito cheios.
Pessoas invasivas.
Barulho desnecessário.
Ser o centro das atenções.
Sonho
Viver da própria música e lançar um álbum completo.
Curiosidades
Tem os dedos calejados devido aos instrumentos de corda que ele toca.
Compõe quase todos os dias.
Consegue identificar um disco apenas pelo chiado da agulha.
Guarda um caderno cheio de letras que nunca mostrou para ninguém.
Costuma colocar bilhetes com frases escritas à mão dentro das capas dos CDs que vende.
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Ele piscou os olhos um pouco surpreso com as falas de Kol. Toda vez que Buck agisse por impulso, mesmo que tivesse boas intenções, ele esperava uma reação negativa. Um sermão, um olhar raivoso, um silêncio… Por isso, ele carregava consigo desde sempre diversos tipos de explicações para deixar claro como se sentia. Talvez, na verdade, ele não tomava as decisões por impulso, e sim de forma consciente. A diferença era que Buck não se importava se isso traria consequências ruins para ele mesmo - o seu foco era ajudar de qualquer forma quem estava em apuros. Era o seu lema desde que aprendeu o significado do peso em ser um bombeiro.
— Eu sei. Mas… Algumas pessoas merecem mais atenção do que eu. E é isso que está acontecendo. Eu não posso pensar em mim o tempo todo quando existe uma possibilidade de dar ruim, mas eu consigo pensar como fazer isso de forma cuidadosa. Porquê o bem-estar deles depende também do meu. — Ele não tinha certeza absoluta se Kol poderia entender as suas motivações por trás de suas palavras, mas estava tentando ser o mais claro possível para o velho amigo. — Sim. Precisamos verificar se existe mais alguém em apuros lá no fundo. Não consegui ver direito… Você me acompanha depois? — Perguntou-o, tendo em mente que Kol não era de fato um bombeiro. Mas ele poderia ser útil e Buck queria também deixar o outro tranquilo. Caminhou para dentro do corpo dos bombeiros e esperou ser seguido pelo restante.
Kol ouviu tudo em silêncio. Não porque concordasse. Mas conhecia Buck o suficiente para saber que aquelas palavras não eram improvisadas, mas eram convicções, daquelas que uma pessoa constrói depois de repetir a mesma escolha tantas vezes que ela deixa de parecer uma escolha. Baixou os olhos por um instante, soltando um suspiro quase imperceptível. "Eu entendo." E entendia mesmo e era justamente isso que o preocupava. Buck sempre encontraria um motivo para colocar outra pessoa na frente de si. Sempre acreditaria que conseguia calcular o risco antes de correr em direção a ele. Talvez, na maioria das vezes, realmente conseguisse. "Só não faz disso um hábito." A frase saiu quase irônica. Observou Buck seguir na direção do quartel, atendendo outro chamado antes mesmo de conseguir descansar por cinco minutos. Sorriu sozinho, balançando a cabeça. Era impossível fazê-lo diminuir o ritmo. Mas isso não significava que deixaria de acompanhá-lo. "Claro que eu vou." A resposta veio sem hesitação. Ajustou a mochila sobre o ombro e caminhou logo atrás dele. "Você entra primeiro." O olhar percorreu rapidamente a rua escurecida além do portão. "Eu fico na sua retaguarda." Não era bombeiro, não tinha o treinamento de Buck, nem a pretensão de agir como se tivesse. Mas podia carregar alguém, iluminar um caminho, abrir passagem, chamar reforço. Às vezes, ajudar também significava garantir que quem sempre corria para o perigo tivesse alguém olhando por ele.
"Ah, tudo bem. Não tem problema." Existia certo desânimo pela resposta negativa e logo voltaria a procurar pelo irmão se não fosse a continuação das ideias alheias. Por alguns segundos, Kiara apenas escutou. Buscava nas palavras do homem alguma possibilidade para encontrar Simba, mas só de ter algumas pistas de onde mais poderia procurar, era nítido que seus ombros e sua expressão relaxaram. "A universidade, você tem razão. Eu ainda não passei por lá. Pensei que procurar pelas ruas fosse mais fácil, já que ele é paramédico e os hospitais estão cheios. Imaginei que ele estaria tentando ser útil por aí." O sorriso voltou a aparecer na expressão, sincero e curto. "Obrigada, de verdade." Tornou a agradecer, um pouco mais do que apenas pela informação. Ele poderia ter dito que não viu Simba e apenas seguido seu caminho, mas o fato de parar para ajudá-la de outra forma a fez se sentir ainda mais grata. "Se você não tiver nada mais urgente para fazer, eu aceito a companhia." Os calcanhares eram girados enquanto a mochila foi ajeitada nas costas, um tanto mais tranquila. "O que você estava fazendo no meio do caos, aliás? Também precisa de alguma ajuda?"
Kol percebeu a mudança sutil na expressão de Kiara. O peso que ela carregava não desapareceu, mas parecia menos sufocante agora que havia outro lugar para procurar. Assentiu. "Se ele é paramédico, faz sentido pensar que tenha escolhido onde fosse mais necessário. Pessoas assim dificilmente consegue ficar parada quando a cidade inteira está precisando de ajuda." Começou a caminhar ao lado dela, acompanhando o fluxo de pessoas que seguia em direção ao centro de Westmere. A movimentação continuava intensa, mas já não tinha o desespero das primeiras horas. Aos poucos, a cidade encontrava um ritmo próprio para lidar com o desastre. Sorriu de canto quando ela agradeceu outra vez. "Espero que a gente encontre seu irmão o quanto antes." A resposta seguinte o fez soltar uma breve risada pelo nariz. "Acho que meu plano para o dia era bem menos ambicioso." Passou a mão pelos cabelos ainda úmidos, lembrando de tudo o que já havia feito desde o amanhecer. "Comecei ajudando a tirar uma árvore que bloqueava uma das ruas. Depois acabei orientando algumas pessoas que chegaram perdidas em Westmere e, de alguma forma, continuo andando de um lado para o outro desde então." Deu de ombros, como se nem ele soubesse exatamente em que momento aquilo tinha virado uma missão. "Sou técnico de som na Dawn Records. Meu trabalho normalmente envolve cabos, amplificadores e gente reclamando que o microfone está baixo." O sorriso aumentou por um instante. "Hoje a cidade decidiu que eu podia improvisar em outras funções." Enquanto caminhavam, seus olhos passaram pelas fachadas ainda marcadas pela tempestade e pelas pessoas carregando caixas de doações..
Com a negativa alheia, Alexander percebeu o próprio erguer de sobrancelhas. Estava pronto para ajudar outra pessoa e, no fim, ele quem receberia ajuda. "Perfeito." O canto dos lábios foi repuxado em um sorriso enquanto passava os olhos rapidamente pelas anotações da prancheta que segurava. "Água e barras energéticas ainda estão chegando com frequência, mas cobertores estão em falta. Principalmente para quem pretende passar a noite aqui. E roupas secas também, as doações que tínhamos não foram suficientes." Parou de folhear os papéis para oferecer a destra em um cumprimento. "Alexander Goth. E sim, bem mais trabalho do que imaginei quando acordei hoje. Se você realmente estiver disposto a ajudar, talvez eu possa pedir um favor." Bateu a caneta na prancheta enquanto apontava para os bilhetes no mural, claramente tão caótico quanto a tempestade do lado de fora. "As pessoas continuam prendendo bilhetes onde encontram espaço, mas isso faz com que alguns recados fiquem escondidos. Eu estava separando por sobrenome e bairro." E pelo mesmo motivo que a organização foi pausada, aquela conversa também foi. Alexander desviou a atenção para um novo abrigado que se aproximava na intenção de lhe dar instruções e anotar as informações mais importantes para o registro. "Você consegue me ajudar com isso? Acredito que isso facilite quando alguém vier procurar um familiar."
Acompanhou a explicação em silêncio, voltando o olhar para o mural. Havia bilhetes presos em qualquer espaço disponível, folhas arrancadas de cadernos, pedaços de papel pardo, recibos, guardanapos. Alguns começavam a descolar por causa da umidade, outros já estavam parcialmente cobertos por recados mais recentes. Por um instante, deixou os olhos percorrerem algumas mensagens. Estamos no ginásio. Passamos por aqui às 10h. Procuro minha mãe. Era curioso como uma cidade inteira podia caber em pedaços de papel. Um reencontro ou uma despedida. Sorriu de canto quando Alexander comentou que havia mais trabalho do que imaginava. "Acho que ninguém acordou esperando fazer hora extra desse jeito." Seguiu o olhar dele até o mural e assentiu. "Faz sentido organizar por bairro. Quem chegar procurando alguém vai bater o olho primeiro no lugar onde mora." Antes que pudesse responder mais alguma coisa, um novo grupo de moradores se aproximou da mesa. Kol percebeu a atenção de Alexander mudar imediatamente para eles e apenas fez um leve gesto com a cabeça, como quem dizia para não se preocupar. "Pode deixar." Caminhou até o mural e começou a retirar alguns bilhetes com cuidado, alisando aqueles que haviam amassado antes de reorganizá-los sobre uma mesa próxima.
Hunter apenas assentiu ao ouvir a resposta, pois era tudo o que precisava. "No três." A voz saiu firme, alta o suficiente para alcançar os demais voluntários espalhados ao redor do tronco. Porém antes de começar a contagem, se direcionou a uma mulher que havia escolhido um galho fino demais para suportar o peso. Ajustá-la era impedir que um acidente acontecesse. "Agora sim, vamos lá." Voltou ao próprio lugar, flexionando os joelhos em vez da coluna por puro hábito — anos de fisioterapia o ensinaram a não terminar o dia com tanta dor. "Um, dois… Três." O esforço veio acompanhado do rangido dos galhos sendo arrastados contra o asfalto encharcado. O tronco não se moveu muito nos primeiros segundos, mas começou a ser deslizado assim que um coro de incentivo das pessoas que observavam se fez presente. "Sem pressa. A árvore já caiu. Não precisa derrubar mais ninguém." Advertiu entre uma respiração e outra, finalmente abrindo espaço para que pelo menos uma via fosse liberada. "É isso." Ergueu o corpo e soltou o ar lentamente, massageando de forma discreta a lateral da cintura depois da pequena pontada na região. "Parece que a carona ainda está de pé." Direcionou-se ao outro, indicando o carro parado não muito longe dali. "Está indo para algum ponto de apoio?"
Kol ajustou a própria posição quando Hunter começou a organizar as pessoas ao redor do tronco. Firmou as mãos na madeira úmida, sentindo a casca áspera escorregar por causa da chuva enquanto buscava um apoio melhor para os pés. O peso da árvore resistiu de imediato. Por alguns segundos, parecia que nada sairia do lugar, o rangido dos galhos contra o asfalto se misturou às respirações pesadas dos voluntários até que, centímetro por centímetro, o tronco começou a deslizar. Quando finalmente liberaram uma das faixas, alguns carros responderam com buzinas curtas. Não de impaciência, mas de agradecimento. Outras pessoas aproveitaram para aplaudir o pequeno grupo. Kol deu um passo para trás, apoiando as mãos nos joelhos por um instante enquanto recuperava o fôlego. Não era a maior conquista do dia. Mas, naquele momento, abrir uma única rua também significava fazer a cidade voltar a respirar um pouco. Ergueu a cabeça justamente a tempo de notar Hunter massageando discretamente a lateral da cintura. Não comentou não, pois não queria ser invasivo. Conhecia bem aquele tipo de gesto. Gente acostumada a ajudar quase sempre fingia que o próprio corpo reclamava menos do que realmente reclamava. Passou a mão pela camiseta úmida, limpando parte da sujeira das mãos antes de responder. "Parece que sim." Um sorriso discreto surgiu. "Eu estava indo para Westmere, estava ajudando na Dawn Records, a loja também foi bastante atingida." Apontou com a cabeça para a árvore que agora ocupava apenas parte da calçada. "Acho que a gente mereceu cinco minutos sem carregar nada." A frase saiu em tom leve, quase como uma tentativa de aliviar o peso daquele dia. "Melhor irmos antes que resolvam aparecer com outro tronco no meio da rua."
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Com o segundo andar devidamente selado, a residência Nedakh abriu as portas para os necessitados. Não por completa benevolência do pai e sem uma dose generosa dos apelos da única filha. Kida assumiu a frente com maestria, guiando-os para as salas remodeladas e dando autorizações para a cozinha. E assim, entre requisições de todos os lados, ela se viu do lado de fora na ponta dos pés. Olhando de um lado para o outro. O peito apertando na culpa que acompanhava todas as suas escolhas mais incisivas. —— Eu? Não. Não estou perdida, muito obrigada. Estou a procura do meu pai. Alto, cabelos e roupas brancas. Expressão séria e irritada. Você o viu passar por aqui? — Quando percebeu o que dizia, os dentes morderam o lábio inferior. Ela balançou a cabeça discretamente, uma respiração profunda suavizando a tensão dos ombros. —— Ele não vai querer ser encontrado, acredito. Desculpe desperdiçar seu tempo. Mas- — Girou sobre os calcanhares para ficar de lado para a casa, o indicador apontando a porta enquanto a mão livre segurava o véu do sari. —— Estamos recebendo também. Tenho dois amigos enfermeiros ajudando quem estiver machucado e... Alguém ofereceu algo para você? Você- Venha comigo, por favor. — As saias erguidas só um pouco, ajudando os passos apressados até a central de comidas e bebidas no hall de entrada.
Kol acompanhou a descrição do homem em silêncio. Alto, roupas brancas, expressão séria... Não era exatamente uma combinação rara para quem circulava entre voluntários e moradores desde o amanhecer. Ainda assim, lançou um rápido olhar pela rua. "Acho que não." Respondeu com sinceridade. A maneira como ela desistiu da própria pergunta quase no mesmo instante fez com que não insistisse no assunto. Havia pessoas que procuravam respostas. Outras apenas precisavam dizer as perguntas em voz alta. Quando ela o convidou para entrar, Kol sorriu de canto. "Então fui oficialmente recrutado." Comentou, acompanhando seus passos até a residência. Assim que cruzou a porta, diminuiu o ritmo. A casa já não parecia uma casa. Colchões ocupavam salas antes impecáveis, bandejas cruzavam corredores em sentidos opostos e o cheiro de comida recém-preparada dividia espaço com o de madeira úmida. Havia vozes por toda parte. Gente chamando por familiares, voluntários organizando doações, crianças correndo de um lado para o outro. Era um caos. Mas era um caos que funcionava. Kol deixou os olhos passearem pelo ambiente por alguns segundos antes de voltar para ela. "Vocês fizeram um milagre com esse lugar." A frase saiu espontânea. Não havia exagero, apenas um reconhecimento pelo trabalho que transformara uma residência em um abrigo em tão pouco tempo. Pegou um copo de água da mesa onde ela o havia conduzido e agradeceu com um aceno de cabeça. "Acho que ainda tem bastante trabalho pela frente, está precisando de mais um par de mãos?"
não demonstrou com mais do que um sorriso discreto, mas ficou genuinamente feliz com a atitude positiva de kol. era claro que percebia que mikaelson ainda não estava completamente confortável com aquele reencontro. ele mantinha distância enquanto caminhavam e katy não conseguiu evitar lembrar de quando vivia com o braço apoiado nos ombros de kol, na época em que ele ainda era um adolescente que ela insistia em tratar como um irmão mais novo. enquanto isso, a mulher mantinha as mãos nos bolsos traseiros da calça jeans enquanto caminhavam, tentando buscar alguma coisa para dizer. felizmente kol era bem melhor que ela nisso. ❝ estou ok, nada demais. ❞ deu de ombros, não por estar tentando agir despreocupada, mas porque não via sentido em responder aquela pergunta com sinceridade. sobreviver tinha se tornado prioridade por muitos anos... ser feliz era outra história. era impossível quando tinha vivenciado traumas difíceis demais de esquecer. ❝ trabalho no the lantern desde que voltei para a cidade. você deveria dar uma passada por lá durante o meu turno. modéstia a parte, meus drinks são os que salvam o lugar. ❞ também retornou o olhar para ele, sorrindo de canto com diversão. ❝ e finalmente você tem idade para beber. dessa vez eu não vou precisar ficar inventando desculpas para negar uma bebida para adolescente rebelde. ❞
Kol caminhava ao lado de Katy em um ritmo tranquilo. Westmere continuava movimentada, ambulâncias cruzavam a avenida em intervalos curtos e grupos de voluntários carregavam caixas de um lado para o outro. Ainda assim, por alguns instantes, todo aquele barulho parecia distante. Seu olhar desviou discretamente para ela quando respondeu que estava bem. Não acreditou. Conhecia Katy tempo suficiente para perceber quando ela escondia alguma coisa atrás de um simples dar de ombros. Anos atrás, teria insistido, teria perguntado outra vez, feito alguma piada ruim até arrancar uma resposta sincera. Agora já não sabia se ainda tinha esse direito ou se faria diferença. Preferiu respeitar o silêncio. Um sorriso de canto apareceu quando ela mencionou o The Lantern. "Então é você a responsável por fazer aquele lugar continuar de pé." A provocação saiu leve, acompanhada de uma pequena risada. "Acho que vou ter que conferir esses drinks pessoalmente, mas só pra descobrir se a propaganda é verdadeira, continuo não sendo o maior fã de aglomeração." A lembrança seguinte o pegou de surpresa. Adolescente rebelde. Kol soltou uma breve risada, balançando a cabeça. "Rebelde? Não culpa de ser o Mikaelson mais divertido." Olhou para ela por um instante. "Você me tratava como se eu tivesse quinze anos até quando eu já podia dirigir." A frase saiu em tom de brincadeira, mas trouxe consigo uma lembrança inesperadamente boa. Ela escondendo as garrafas quando ele aparecia, inventando desculpas para não servi-lo, enquanto ele reclamava como se aquilo fosse a maior injustiça do mundo. Na época, era irritante e agora era só uma memória da qual ele sentia falta. O sorriso de Kol diminuiu aos poucos. "Acho que nunca te agradeci por isso, mas prometo não dar trabalho dessa vez."
@middlemk acaba de receber uma mensagem de Rowan para Kol no plot drop Summer Storm, enviada de Dawn Records.
Rowan não sabia se deveria lidar com o caos que a loja ficou sozinha ou se ligar para seus funcionários era uma opção. Bem, ela pagava por eles, não é? Qualquer coisa poderia dar um bônus ao final do mês pelo trabalho extra. Decidiu então por enviar mensagens no grupo da loja perguntando se alguém ainda era vivo depois da tempestade e se poderiam passar lá para ajudar - leia-se vê-la sofrer e possivelmente ser xingado por isso. Quando Kol chegou, a loirinha tentava decidir entre expulsar a água pela porta da loja com um rodo de borracha ou tentar resgatar alguns pôsteres que haviam caído das paredes e agora estavam encharcados. " Nem me olhe com essa cara ", nem havia visto o rosto dele ainda, mas já se defendia com unhas e dentes, " o estúdio 'tá detonado ", lamentou, largando o rodo de lado e indo até os fundos buscar uma das mesas de som dele. " A situação é essa ", virou o aparelho, fazendo com que água, saída de dentro dela, escorresse pelos botões e entradas.
A mensagem de Rowan tinha sido suficiente para fazer Kol mudar de direção assim que terminou o turno como voluntário. Durante todo o caminho até a Dawn Records, tentou se convencer de que talvez os estragos não fossem tão graves. Afinal, a loja já havia resistido a outras tempestades. Bastou abrir a porta para perceber que estava errado. O cheiro de madeira molhada tomou conta do ambiente antes mesmo que pudesse dizer qualquer coisa. Discos haviam sido retirados das prateleiras e empilhados onde ainda havia espaço seco, caixas estavam espalhadas pelo chão e pequenas poças refletiam a luz acinzentada que entrava pelas janelas. A voz de Rowan o fez desviar a atenção. "Nem pensei em dizer nada." Respondeu com um sorriso discreto, embora fosse evidente que ela o conhecia bem o bastante para saber que a preocupação estava estampada no seu rosto. Se aproximou quando ela voltou carregando a mesa de som. A água escorreu pelos potenciômetros e conexões, Kol permaneceu em silêncio por alguns segundos. Passou a mão pelos próprios cabelos, soltando o ar lentamente. Aquilo doía mais do que gostaria de admitir. Não era apenas um equipamento. Era o mesmo console onde haviam ajustado gravações escondido de Rowan, ouvido demos até tarde da noite e passado horas tentando encontrar o timbre perfeito para uma música junto com Belly. Se agachou diante da mesa, observando com cuidado, sem sequer cogitar ligar o aparelho. "Tá... definitivamente não era isso que eu estava torcendo para encontrar." A voz saiu baixa. Kol passou os dedos calejados pela lateral do equipamento, avaliando os danos. "A gente não pode ligar isso agora. Se ainda tiver umidade na placa, acaba de vez." Ergueu os olhos para Rowan, ela parecia dividir a atenção entre a frustração e a vontade de salvar tudo ao mesmo tempo. Soltou um suspiro antes de abrir um pequeno sorriso de canto. "Vamos por partes, ok?" Ele se levantou, já tirando o casaco e arregaçando as mangas da camisa. "Primeiro a gente tira toda a água que conseguir da loja e depois separa o que ainda tem chance de recuperação do que realmente foi perdido." Olhou outra vez para a mesa de som. "E, se essa guerreira ainda quiser colaborar, eu conheço um técnico que é até bom em consertar coisas." Soltou um risinho baixo claramente fazendo graça para animar a chefe, voltando o olhar para Rowan. "Mas, antes de qualquer coisa eu preciso saber se você está bem."
Brooke não estava preocupada com a sua residência, pois tinha descoberto que o bairro de Westmere estava “tranquilo”. É claro que as ruas estavam lotadas, assim como os principais pontos de encontro. Então, resolveu investir sua energia ajudando esses mesmos locais de abrigo. Alguém tinha lhe entregado, quando esteve no hospital da cidade, uma lista de itens que estavam faltando e precisavam ser pegos de alguma maneira em outro ponto da cidade. A situação só piorou quando ela tentou ler o quê estava escrito e não entendeu nada. Não sabia se a letra era tremida mesmo, ou a pessoa escreveu muito rápido sem ter paciência em deixar claro a informação ou apenas… Enfim. Eram muitas possibilidades. Resolveu focar sua atenção no papel tentando decifrar até que escutou a voz de Kol, olhando para ele com um sorriso que ia de uma orelha a outra. — Kol! Você é meu salvador! Eu estou tranquila. Conheço aqui de olhos fechados… Mas… É isso que eu não estou entendendo! — Aproximou a lista para o rosto do outro. — Você entende alguma coisa aí? —
Ele oltou uma risada baixa quando Brooke praticamente colocou a folha na frente do seu rosto. "Calma... vamos descobrir primeiro se eu mereço esse título de salvador." Pegou o papel com cuidado e estreitou os olhos, inclinando a cabeça como se, por algum milagre, outro ângulo tornasse aquela caligrafia mais legível. "Isso aqui..." Fez uma breve pausa estreitando os olhos. "...foi escrito durante a tempestade ou dentro da ambulância?" O sorriso de canto denunciava que estava brincando. Percorreu algumas linhas com o dedo, tentando juntar as letras em palavras compreensíveis. "Eu sou técnico de som, Brooke. Se você me pedir pra montar um palco ou desembaraçar um emaranhado de cabos, eu dou um jeito. Agora... decifrar isso aqui já é pedir um milagre, não sou farmacêutico". Soltou um riso discreto antes de devolver a folha. "Acho que é água, mas também pode ser luva e eu prefiro não arriscar aparecer no hospital com a coisa errada." Apontou com a cabeça para o prédio de onde ela provavelmente tinha vindo. "Vamos procurar quem escreveu essa lista. Tenho quase certeza de que é mais fácil traduzir a letra com o autor por perto do que ficar tentando adivinhar, mas podemos ir na farmácia."
❝ que bom! eu fico muito feliz, kol. ❞ padmé sorriu para mikaelson da forma genuína de sempre. a turca não sabia se todas as pessoas acreditavam nela, mas era alguém que verdadeiramente se importava com os outros e ter a certeza que seu amigo estava bem era fundamental para ela. ❝ eu também sinto muito por tudo o que aconteceu. espero estar conseguindo ajudar de alguma forma... redirecionei os psicólogos da fundação para atenderem as famílias e nossos assistentes jurídicos já começaram a trabalhar para recuperar os documentos de quem perdeu tudo. ❞ explicou para o amigo, enquanto indicava as salas onde aqueles atendimentos estavam acontecendo. ainda assim, sentia e sabia que nunca seria suficiente. como poderia ser capaz de consolar o coração de alguém que tinha acabado de perder bens tão importantes e, talvez, um pouco da sua esperança por uma westbridge melhor? padmé gostaria de ter um super poder para poder voltar no tempo e evitar que algo assim acontecesse sem que ninguém se preparasse para isso. ❝ eu também estou bem. ❞ respondeu simplesmente. sua casa em westmere também estava ilesa, apesar de padmé não ter voltado para lá nos últimos dias. tomava banho, trocava de roupa e, quando conseguia, dormia algumas horas no próprio escritório da fundação. ao ouvir a pergunta alheia, a turca ergueu os olhos para encarar o amigo de infância. ❝ se eu falar a verdade, você vai tentar me fazer parar? porque, se a resposta for sim, acho que vou optar por mentir. não quero que se preocupe comigo, kol. ❞
Acompanhou o olhar de Padmé até as salas da fundação onde os psicólogos recebiam famílias, voluntários carregavam caixas de doações de um lado para o outro e crianças corriam pelos corredores, alheias, por alguns instantes, ao peso que os adultos carregavam. Era impossível olhar para tudo aquilo e não perceber o quanto ela havia colocado de si naquele lugar. Voltou a fitá-la quando ela respondeu sua pergunta. Um sorriso discreto surgiu ao ouvir a provocação. "Você me conhece há tempo demais." A resposta saiu quase como uma confirmação. Baixou os olhos para a cesta que terminava de montar, acomodando mais alguns alimentos antes de fechá-la e passá-la para o voluntário ao lado. "Então sabe que eu ia tentar." Havia um tom leve na voz, mas a preocupação permanecia ali, silenciosamente. Kol respirou fundo antes de continuar. "Não que eu ache que você esteja fazendo algo errado. Mas porque conheço essa mania que você tem de cuidar de todo mundo... e esquecer que também faz parte desse "todo mundo". Os olhos encontraram os dela novamente. Desde mais novos, Padmé sempre foi assim, era a primeira a estender a mão quando alguém precisava e a última a admitir que precisava descansar e algumas coisas nunca mudavam. "Eu não vou tirar você daqui, e nem poderia." Sabia que seria inútil. Além disso, ela jamais conseguiria ir embora enquanto acreditasse que ainda havia alguém precisando de ajuda. "Só me promete uma coisa. Quando isso tudo acabar... você vai descansar de verdade, mas até lá eu continuo carregando arroz para você."
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( ☆ ) o peso da culpa ainda a atingia enquanto tentava se mostrar útil para aqueles que buscavam algum tipo de acolhimento em westmere. quando a chuva começou, lottie comemorou por achar que era um dia propício para ver filmes, comer doces e conversar com stella como se a cadela fosse entender algo. porém, conforme as mensagens de conhecidos chegavam passou a se preocupar com os outros cantos da cidade. em determinado momento cogitou dirigir até eastline para ajudar — e só não seguiu com o plano pois seu pai literalmente se jogou no capô do carro para impedi-la. quando viu que as pessoas buscavam ajuda em seu bairro levantou as mangas, prendeu os cabelos e calçou o tênis mais confortável possível. se prontificou de pagar lanches para os abrigados no hospital, ofereceu ajuda para guiá-los aos pontos de apoio e quando reparou estava há horas naquele ritmo sem parar. mas quando parou, se sentiu perdida. ainda angustiada pela falta de notícia de alguns conhecidos. a voz a tirou dos devaneios e charlotte encarou o rapaz um pouco sem graça. “ ah, desculpa, kol… to meio perdida, mas definitivamente conheço o bairro. ” forçou uma risada fraca, mas em seu tom havia gratidão. alisou a testa, olhando ao redor procurando um novo ponto de partida. “ que loucura. nunca vi esse lado da cidade tão cheio. nem na minha festa de dezesseis anos tava assim e olha que eu quase fiz meu pai construir um trem que ligava a nossa casa com westbridge inteira. ” suspirou, checando o celular mais uma vez. ela tinha sinal, mas talvez os outros não. a atenção se dividiu entre o aparelho e o rapaz. “ então, tá ajudando também? é algo nobre. meu vizinho, que estava no conforto da casa dele com pantufas discutíveis e um gato com cara de mafioso, me chamou de louca quando soube que eu tava vindo ajudar. ”
Kol reconheceu a expressão antes mesmo de ouvir a resposta e não era a de alguém que estava perdida pelas ruas de Westmere, mas sim a de quem não sabia muito bem o que fazer depois de passar horas tentando resolver os problemas dos outros. Os olhos acompanharam discretamente o movimento dela em direção ao celular, a tela acendia, apagava, voltava a acender. Um hábito quase automático de quem esperava uma mensagem que talvez demorasse a chegar. O comentário sobre a festa de dezesseis anos arrancou dele um sorriso contido. "Então essa movimentação toda ainda perdeu para a sua festa? Uau." A pergunta veio em tom leve, acompanhando a brincadeira. Seu olhar percorreu a avenida, as barracas improvisadas dividiam espaço com moradores. Kol assentiu. "Estou." As mãos permaneceram nos bolsos do casaco enquanto observava um grupo recém-chegado sendo encaminhado para a universidade. "Achei que fazia mais sentido estar aqui do que assistir tudo pela janela de casa." Ao ouvir a história do vizinho, deixou escapar uma breve risada pelo nariz. "O homem das pantufas discutíveis e o gato mafioso? Se eu tivesse um gato eu colocaria o nome dele de mafioso." Ergueu uma sobrancelha, divertindo-se com a imagem que ela havia criado. "Acho que ele perdeu a chance de descobrir que ajudar costuma ser menos cansativo do que carregar a consciência de não ter feito nada." Seu olhar voltou para Charlotte. "E, pelo que vi, você está aqui há tempo suficiente para merecer uma pausa." Fez uma breve inclinação de cabeça em direção ao ponto de distribuição de água. "Já conseguiu beber água hoje?"
❝ hmm, cinco libras para cada? ok! acho que é um bom negócio! ❞ nancy concordou, rindo da brincadeira do amigo e agradecendo mentalmente pelo bom humor de kol estar conseguindo contagiá-la. estava precisando rir um pouco. quando kol insistiu em ajudá-la, acabou cedendo com um sorriso. sinceramente, não estava em posição de continuar trabalhando naquilo sozinha, agindo como se não precisasse de ajuda. poderia dar conta, mas era capaz de muitos livres mofarem naquela demora toda. ❝ isso é verdade! eu estou desde cedo tentando terminar de secar esse chão e não passei da metade. ❞ admitiu, encarando o chão molhado da livraria mais uma vez, enquanto suspirava. ❝ bom, já que você insiste! eu agradeço! vou aproveitar e passar um café fresco, porque um desses anima qualquer um, não acha? ❞ seria ótimo para dar energia antes de continuarem a limpeza. modéstia a parte, nancy acreditava que o seu café era um dos melhores que tinha. poderia não ser muito talentosa na cozinha, mas um café perfeito para acompanhar uma leitura ela sabia preparar como ninguém. ❝ como você prefere? forte, puro, com leite, açúcar, sem açúcar… se gostar do famoso chafé, tudo bem também! prometo que não julgo. ❞ perguntou assim que chegou no espaço da livraria dedicado para o café e colocou a água para aquecer na sua chaleira elétrica.
Um sorriso discreto apareceu no rosto de Kol ao ouvir Nancy aceitar a brincadeira. "Fechado. Cinco libras para cada." Embora soubesse que dificilmente encontrariam qualquer moeda perdida em meio àquela bagunça, mas a leveza da conversa era bem-vinda. A livraria ainda carregava as marcas da enchente - caixas espalhadas, livros empilhados sobre mesas improvisadas e o cheiro persistente de papel úmido - , mas já não parecia tão pesada quanto alguns minutos antes. Kol observou enquanto ela caminhava até o pequeno espaço reservado para o café. O som da chaleira elétrica preenchia o silêncio confortável que se instalou entre eles, familiar. Quando ela perguntou como ele preferia, levou alguns segundos para responder, como se realmente estivesse considerando todas as opções. "Forte e sem açúcar. E antes que você julgue, lembre que eu sou um homem de personalidade forte."
Apoiou alguns livros que havia separado sobre uma bancada, conferindo rapidamente se algum deles ainda apresentava sinais de umidade antes de voltar a olhar para a amiga. "Nunca entendi quem consegue estragar café colocando água demais." A observação saiu em tom leve, quase como uma continuação da brincadeira anterior, ele se aproximou do balcão, apoiando uma das mãos na madeira. "Mas, considerando o quanto você defendeu esse café..." Seus olhos passearam pela pequena chaleira enquanto a água começava a aquecer. "...Acho que minhas expectativas acabaram de aumentar." Por um instante, desviou o olhar para as estantes parcialmente vazias. Era estranho pensar que um dia atrás aquele lugar estava cheio de leitores e que agora depois da tempestade está irreconhecível.
Um franzir de cenho se formou no rosto de Asli, agora ficando mais curiosa por alguém querer ajudar porquê poderia ajudar; o pensamento a fez inclinar ligeiramente a cabeça para o lado, os olhos focando no rapaz com intensidade antes de sorrir. ⠀⠀⠀❝ Faz sentido. ❞ Respondeu na maior simplicidade possível, voltando a atenção para o caos ao redor. Se fosse pela familia, Asli provavelmente só ficaria dentro de casa até tudo se resolver, e ajudar parecia uma forma de passar o tempo melhor do que olhar para as paredes ou pintar quadros. ⠀⠀⠀❝ Achei que fosse bombeiro, porquê tenho um amigo que é, e eu acho que ele deve estar tendo um trabalhão hoje. ❞ A garota prosseguiu distraidamente, pensando pela primeira vez nos amigos, a preocupação agora estampada em seu rosto, tomando o lugar da curiosidade. ⠀⠀⠀❝ Agora que você falou, acho que seria bom procurar os meus amigos, não é? ❞ Questionou, parecendo perdida sobre o que deveria fazer ou não.
Kol acompanhou a linha de pensamento dela como quem assistia a alguém montar um quebra-cabeça. A pergunta sobre os bombeiros havia se transformado em uma lembrança, que logo deu lugar à preocupação com os amigos. Era curioso. Parecia que ela só havia percebido a dimensão da tempestade naquele instante. Seu olhar acompanhou o movimento da rua por alguns segundos. A cidade inteira parecia estar fazendo a mesma coisa, procurando por alguém. Quando voltou a olhar para Asli, respondeu com a calma de sempre. "Acho que sim." Não havia urgência em sua voz, tampouco a intenção de a assustar. "Mesmo que eles estejam bem, imagino que ficariam felizes em saber que você também está." Fez uma breve pausa. "Você consegue falar com eles ou a tempestade deixou vocês sem contato?" A pergunta veio de forma natural, se os telefones ainda funcionassem, talvez aquela preocupação terminasse com uma ligação, caso contrário, haveria outros caminhos. Kol lançou um olhar na direção da universidade. "Se não conseguir falar com ninguém, vale a pena passar por lá. Muita gente está deixando recados e procurando familiares ou amigos, é bem provável que algum deles tenha feito o mesmo."
No segundo que ouviu a voz próxima e entendeu que falava consigo, Kiara interrompeu a busca visual pela multidão. Apesar de ter demorado um segundo a mais para responder, ainda procurando pelo rosto conhecido entre tantas pessoas, virou-se para o desconhecido e sorriu pequeno, agradecida. "Obrigada." Era óbvio que a educação viria primeiro, mas pela forma que a alça da mochila era apertada, ficava visível que ela estava inquieta. "Na verdade, estou procurando o meu irmão. Eu não o vi desde que a tempestade começou e como disseram que muita gente veio pra cá… Talvez ele pudesse estar aqui também." O tom não era muito confiante, porém entendeu que provavelmente não o acharia sozinha. Precisava de ajuda. "O nome dele é Simba. Tem mais ou menos essa altura, cabelo curto e preto, pele escura… Seria eu, versão homem." Encontrou espaço para sorrir pela própria brincadeira, retirando os cachos da frente do rosto. "Você por acaso não viu ele por aí?"
A movimentação em Westmere continuava intensa, as pessoas cruzavam as calçadas carregando malas, caixas e sacolas improvisadas, enquanto voluntários organizavam filas para distribuição de água e encaminhavam recém-chegados aos pontos de apoio. Em meio a tantas vozes e rostos desconhecidos, encontrar alguém específico parecia uma tarefa quase impossível. Ainda assim, Kol ouviu cada detalhe que ela descreveu. O jeito como tentou aliviar a própria ansiedade com uma brincadeira fez surgir um pequeno sorriso no canto de seus lábios. "Acho que isso facilita um pouco." Seu semblante, porém, voltou a adquirir a serenidade de antes. Kol passou os olhos pela avenida uma última vez, como se esperasse reconhecê-lo entre a multidão. Não aconteceu, então voltou a encará-la. "Não... eu ainda não vi ninguém com essa descrição." A resposta veio sincera e sem rodeios. "Mas hoje passou muita gente por aqui. É bem possível que ele tenha sido encaminhado para outro ponto de apoio antes mesmo de chegar a Westmere." Por um instante, lembrou que a universidade foi transformada em centro de informações, desde o primeiro dia, voluntários registravam a chegada de moradores e deixavam recados para familiares que ainda estavam procurando uns pelos outros. Talvez aquela fosse a melhor opção no momento. "Você já passou pela universidade?" Apontou discretamente na direção do campus. "Eles montaram um mural para quem está procurando familiares e também registram quem chega aos abrigos. Se ele deu entrada em algum deles, existe uma boa chance de terem alguma informação." Fez uma breve pausa. "Se estiver indo para lá, eu posso acompanhar você. Pelo menos até encontrarmos alguém que tenha acesso aos registros."
~~~~~~~~~~ music conects people ~~~~~~~
página de conexão de Kol Mikaelson
The Night We Met — Lord Huron
Katherine e Kol tiveram uma amizade no passado que sempre pareceu inabalável, até o dia em que Katy desapareceu sem deixar explicações. O carinho nunca desapareceu completamente, mas agora divide espaço com perguntas que jamais foram respondidas. (@fearlzss)
Home — Edward Sharpe & The Magnetic Zeros
Amigos desde a infância. Padmé é uma das poucas pessoas que conhece o Kol antes mesmo de ele descobrir quem queria ser. Entre conversas, cafés e músicas inéditas, os dois construíram uma amizade que atravessou os anos. (@fearlzss)
Book of Love — Olivia Rodrigo
A amizade nasceu da tranquilidade que ambos encontravam um no outro. O silêncio nunca foi desconfortável entre Kol e Nancy, e talvez seja justamente por isso que sempre acabam procurando a companhia um do outro. (@fearlzss)
You're Gonna Go Far — Noah Kahan
Colegas de trabalho na Dawn Records. Belly foi a primeira pessoa a ouvir as composições de Kol e sempre acreditou que elas mereciam alcançar muito mais gente do que ele próprio acredita. @catsloveb
Stand by Me — Ben E. King
Quando um dia ruim aparece, Buck e Kol se encontram. Seja uma pizza improvisada, uma partida de basquete ou apenas algumas horas em silêncio, a amizade deles nunca precisou de grandes explicações para existir. (@catsloveb)
Yellow — Coldplay
Lucy encontrou em Kol um de seus temas favoritos para fotografar. Entre apresentações discretas e momentos capturados à distância, ela passou a enxergar nele algo que nem mesmo ele parece perceber. Kol ainda desconhece o quanto se tornou inspiração para suas lentes. (@catsloveb)
Count on Me — Bruno Mars
Clover precisava de um lugar para ficar, e o Kol apareceu sem hesitar. Não porque queria algo em troca, mas porque ela podia contar com ele. (@fearlzss)
Take It Easy — Eagles
Muse A é aquele amigx que sempre consegue arrancar Kol da rotina, o convencendo a sair de casa mesmo quando ele prefere ficar sozinho. @homewr4cker e @inthel4kes
Linger — The Cranberries
Existe algo entre o Kol e Muse B que nunca foi completamente resolvido, são sentimentos que insistem em permanecer mesmo quando o tempo passa. (F)
Dreams — Fleetwood Mac
Kol e Muse C tem uma certa ligação, mas parecem estar sempre se desencontrando. Quando um se aproxima, o outro se afasta, e vice-versa. (F)
Tennessee Whiskey — Chris Stapleton
Muse D e Kol tem uma amizade que foi construída, sem pressa, baseada em confiança, maturidade e na sensação de paz que a presença do outro transmite. @inthel4kes
Simple Man — Lynyrd Skynyrd
Muse E é a pessoa que sempre lembra Kol de quem ele é quando tudo ao redor parece complicado. (F/M)
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✱ Mesmo depois de ser liberada para fazer uma breve pausa, Arya não abandonava seu posto como bombeira e mantinha-se atenta a qualquer pessoa que surgisse necessitando de ajuda. Os olhos ainda averiguavam o entorno quando foi abordada pelo rapaz. Reconhecia as boas intenções de Kol, o que não a impediu de sentir uma fisgada de incômodo por considerar que estaria perdida naquela região ou situação. ❛ Eu também conheço. ❜ Respondeu prontamente, arqueando uma das sobrancelhas enquanto se voltava para ele. ❛ Inclusive, estou trabalhando para orientar aqueles que estão vindo até aqui em busca de algum auxílio. ❜ Não era necessariamente ríspida com a resposta, mas suas palavras carregavam seriedade suficiente para que aquele equívoco não fosse cometido novamente. Engolindo o orgulho em seco, decidiu incentivá-lo a continuar com a prestatividade. ❛ Ficou sabendo que estão precisando de voluntários no ponto de distribuição de água? ❜ Mais maleável, sua entonação sugeria uma proposta.
Ele percebeu o engano assim que ela respondeu. Por um breve instante, observou o uniforme que a movimentação constante das ruas e a capa de chuva haviam escondido aos seus olhos quando se aproximou. E até fazia sentido. Em meio à quantidade de moradores circulando por Westmere, bastara um segundo de distração para que ele a confundisse com mais uma pessoa procurando orientação. Um discreto sorriso de constrangimento surgiu. "Nesse caso, fui eu quem precisou de orientação." Baixou levemente a cabeça, em um gesto breve de desculpas. "Perdão. Não tinha reparado que você estava trabalhando." O som de uma sirene ecoou pela avenida, fazendo com que ambos voltassem a atenção para uma ambulância que atravessava o cruzamento. Apesar do movimento intenso, era impressionante como cada voluntário, bombeiro e profissional parecia encontrar uma função naquele caos. Ao ouvir a pergunta, Kol assentiu sem hesitar. "Ainda não, mas posso ir para lá agora." Lançou um rápido olhar na direção indicada por ela, tentando localizar o ponto de distribuição em meio às pessoas. "Obrigado por avisar." Ele estava mesmo disposto a continuar ajudando onde houvesse necessidade, mesmo que tivesse deixar a fobia social de lado.
Havia conseguido passar pelo hospital e buscar o refil da medicação para ansiedade de sua rottweiler, Poppy. A cadela sempre teve muita dificuldade com sons altos e, felizmente, a região da cidade onde moravam não parecia ter sido tão afetada quanto o restante de Westbridge. Depois de algumas paradas pelo caminho, finalmente seguia para casa. Agora a pé, na esperança de chegar a tempo de ajudar Poppy a relaxar um pouco. Não tinha exatamente um plano de como faria isso, mas contava com uns setenta por cento dele... e o GPS. Parando ao lado de um desconhecido, soltou uma pequena risada, um tanto sem graça. ― Eu confesso que estou um pouco perdida. Com toda essa comoção, sinto que já nem sei mais o que é direita e esquerda. Você sabe onde fica aquela casa com o muro de jasmins? Eu moro bem em frente. ― Como alguém conseguia não decorar o próprio endereço depois de quatro anos morando no mesmo lugar, Odette sinceramente não saberia dizer, se lhe perguntassem o endereço do hospital a sua resposta seria outra.
Não conseguiu evitar um sorriso ao ouvir a descrição, em meio ao caos que tomava Westmere desde a madrugada, aquela talvez fosse a forma mais inusitada de pedir uma informação. Em vez de um número, uma rua ou um ponto de referência conhecido, uma casa com um muro coberto de jasmins. Curiosamente, ele sabia exatamente qual era. "Acho que sei qual casa é." Levantou a mão e apontou para uma rua transversal alguns metros adiante. "Se você seguir por ali e virar na segunda esquina à direita, vai chegar em uma rua mais tranquila. A casa dos jasmins fica quase no fim dela." Enquanto explicava o caminho, percebeu a pequena sacola que ela carregava. Pela embalagem da farmácia veterinária e pela forma cuidadosa com que a segurava, imaginou que tivesse saído de alguma consulta ou buscado medicação para um animal. Não perguntou. "Hoje está fácil se perder." Seu olhar percorreu rapidamente a avenida tomada por carros, ambulâncias e moradores caminhando de um lado para o outro. "Acho que a cidade inteira ficou diferente da noite para o dia." Fez uma breve pausa antes de acrescentar, em um tom tranquilo. "Estou indo naquela direção. Se quiser, posso acompanhar você até a esquina. Assim fica mais difícil errar o caminho."