( 𝑠𝑡𝑒𝑝ℎ𝑒𝑛 𝑘𝑎𝑙𝑦𝑛 ) há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por 𝐭𝐡𝐞𝐨𝐧 𝐚𝐥𝐚𝐫𝐢𝐜𝐡 𝐯𝐨𝐧 𝐧𝐞𝐛𝐞𝐥𝐤𝐫𝐚𝐧𝐳. aos 𝐯𝐢𝐧𝐭𝐞 𝐞 𝐨𝐢𝐭𝐨 anos, ele carrega o legado de 𝐜𝐢𝐫𝐜𝐞 ( 𝐚𝐝𝐚𝐦 𝐞 𝐛𝐞𝐥𝐥𝐞 ) em cada aspecto de sua narrativa. ligado a casa 𝐜𝐢𝐜𝐮𝐭𝐚, tornou-se conhecido entre outros alunos por sua reputação de 𝐢𝐧𝐜𝐨𝐧𝐬𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞 e 𝐢𝐧𝐟𝐥𝐮𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚́𝐯𝐞𝐥 — qualidades extremamente valorizadas em mythborne — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza 𝐟𝐚𝐜𝐢𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐢𝐦𝐩𝐫𝐞𝐬𝐬𝐢𝐨𝐧𝐚́𝐯𝐞𝐥 e 𝐜𝐮𝐫𝐢𝐨𝐬𝐚 escondida sob toda essa deturpada perfeição.
wanted. // task 001.
𝖔𝖓𝖈𝖊 𝖚𝖕𝖔𝖓 𝖆 𝖙𝖎𝖒𝖊…
resumo: theon cresceu meio fora de lugar dentro da própria casa, filho de circe mas sempre parecendo uma versão errada do que ela esperava. ele sempre teve mais impulsividade do que controle e tenta compensar isso com truques, invenções e uma inteligência prática que às vezes funciona, às vezes desanda. ele vive entre os corredores do castelo e os espaços escondidos da "sociedade" secreta da mãe, aprendendo mais por observação do que por ensino, enquanto alterna entre admiração, irritação e uma necessidade constante de chamar atenção. após a adoção recente da irmã + um acidente em sua "oficina", ele passou um tempo afastado (rebeldia e caos), até ir perdendo espaço aos poucos e acabar num período mais quieto. reapareceu tem pouco tempo como se nada tivesse mudado (mas claramente algo mudou).
não era uma surpresa que circe não estivesse participando ativamente de seitas secretas ou organizações malignas com os outros vilões. até porque, se pensássemos à fundo, era mesmo uma vilã? o grande pecado de circe, na verdade, sempre foi seu grande ego. colossal, e extremamente proporcional aos seus poderes. era a mais poderosa dentre suas irmãs, lucinda, ruby e martha. e que desperdício, pois poder e ego, quando reunidos em tamanha abundância, costumam produzir grandes conquistadores, profetas, tiranos ou mártires… ou, no caso de circe, apenas uma mulher incapaz de se interessar por qualquer coisa que não a si própria. em constância, faltava-lhe inclinação para sequer abusar dos poderes que corriam em suas veias. suas decisões raramente obedeciam a algum princípio coerente. eram ditadas por humores passageiros, curiosidades momentâneas, irritações que para qualquer outra pessoa desapareceriam após algumas horas e que nela, por razões difíceis de explicar, adquiriam peso imensurável. vendettas infundadas, morais de história punitivas, julgamentos atropelados. circe sempre acreditou possuir uma compreensão excepcional da natureza das pessoas, quando na verdade, passara boa parte da vida confundindo percepção com presunção. observava um gesto, uma resposta atravessada, uma demonstração de egoísmo, e imediatamente julgava conhecer o restante. havia algo de profundamente aristocrático nisso, embora não tivesse relação alguma com títulos ou linhagens. a aristocracia da convicção. a certeza absoluta de que seu julgamento dispensava confirmação. para ela, era um ser mítico, etéreo, uma deusa capaz de tomar todas as decisões e decidir todos os destinos.
foi exatamente isso que aconteceu com adam. tentativa de aprendizado ou crueldade? circe não odiava adam. dificilmente pensou nele o bastante para odiá-lo. tampouco sentiu prazer particular em vê-lo sofrer. ela não era esse tipo de pessoa. havia sido a questão em toda sua vida, não? era muito diferente das irmãs. mas veja, adam não tinha feito nada de absurdo. uma conclusão precipitada. ainda assim, a decisão foi tomada por alguém acostumada a nunca ser contrariada. porta no rosto, e o destino estava selado. naquela noite, circe não pretendia matá-lo. não pretendia sequer condená-lo para sempre. a maldição nunca fora concebida como uma execução; era, ao menos em sua mente, uma correção. uma punição temporária, embora o conceito de temporário se tornasse perigosamente elástico quando aplicado à bruxa centenária. adam deveria sofrer, talvez refletir e compreender. e, tradicionalmente, viria o restante. belle. redenção. encerramento. ela lavaria suas mãos e sentiria que o trabalho ali estava completo. como ela era absurdamente ética e moral, não? poderia se banhar em sua própria perfeição.
bem, as histórias funcionavam daquela maneira. ou sempre haviam funcionado. aí que entrava o ponto. o incômodo constante daquela reescritura. nada de afeto por adam ou por belle. também não era arrependimento, pois exigiria um grau de responsabilidade emocional que nunca reivindicou para si. mas porque, de certa forma, parecia que a moral daquela história não havia sido aplicada perfeitamente como queria. adam morreu antes que chegasse ao fim que lhe pertencia, e o êxtase de sentir-se etérea e acima de todos não foi alcançado. circe, que passara a vida inteira estudando feitiços e maldições, passara a ter a sensação desagradável de um encantamento interrompido. algo nela passava a operar de forma imperfeita.
independente do andar da carruagem, as von nebelkranz, representadas pela sua mãe e irmãs, continuaram exatamente onde sempre estiveram. havia famílias que construíam sua relevância através de guerras, alianças ou fortunas; enquanto von nebelkranz pareciam simplesmente existir. todas suas irmãs pertenciam perfeitamente àquela aristocracia que sobrevivera à reescritura sem sequer precisar se adaptar muito. parecia que tudo aquilo, que costumava ser tão comum, começara a borbulhar no sangue de circe. afinal, viremont estava apodrecendo. ainda que os bailes continuassem lotados, os jardins permanecessem aparados e os vestidos tornassem-se mais caros a cada temporada, tudo estava sendo mantido por hábito. circe observou aquilo durante algum tempo, até perder o interesse. e quando circe perdia o interesse, costumava desaparecer.
e iniciavam-se assim anos atravessando mythborne. suficientes para que rumores substituíssem fatos, conforme visitava reinos distantes, bibliotecas privadas escondidas sob mosteiros, arquivos lacrados por famílias, restos de livros de feitiçaria. tornou-se conhecida em determinados círculos não por seu sobrenome famoso, mas pela coleção crescente de grimórios que passava a reunir. textos originais, versões proibidas, cópias incompletas. tratados parcialmente queimados, trechos codificados. havia feiticeiros que dedicavam a vida inteira à criação de novos conhecimentos. circe preferia os antigos, e desconfiava profundamente da obsessão contemporânea por inovação. mas então, tão abruptamente quanto partira, retornou. com… uma criança consigo.
a corte especulou durante meses. talvez anos. ninguém sabe direito, porque não são todos que ousam fazer perguntas diretas. bastava um olhar de circe para encerrar qualquer investigação antes que ela começasse a parecer produtiva. o menino simplesmente passou a existir. e, eventualmente, como acontece com quase tudo em círculos aristocráticos, o escândalo perdeu espaço para o próximo escândalo.
dessa vez, contudo, circe não retornou para as propriedades tradicionais dos von nebelkranz. estabeleceu-se num antigo castelo afastado da vida cortesã de viremont, um lugar adequado. silencioso o suficiente para seus visitantes. aos poucos, carruagens começaram a chegar transportando caixas. e mais caixas. eram coleções inteiras: livros, manuscritos, códices, grimórios, registros alquímicos, compilações de feitiços, tratados narrativos. e, sem que houvesse anúncio formal ou fundação oficial, algo começou a se formar ao redor daquela biblioteca crescente. não ordem, ou coven, pois circe sempre fora inclinada para organizações mais entrópicas. ainda assim, feiticeiros começaram a aparecer. alguns vinham para consultar um volume específico, ou apenas para trocar conhecimento. poucos saíam decepcionados. com o passar dos anos, o castelo tornou-se uma espécie de ponto de convergência informal para uma parcela muito particular da comunidade arcana de mythborne. enquanto conselhos discutiam política, e vilões discutiam poder, circe permanecia ocupada com aquilo que sempre lhe parecera mais interessante.
𝖆𝖓𝖉 𝖓𝖔𝖙 𝖘𝖔 𝖍𝖆𝖕𝖕𝖎𝖑𝖞 𝖊𝖛𝖊𝖗 𝖆𝖋𝖙𝖊𝖗…
o primeiro desapontamento de circe com o filho nascera muito antes do parto. ali, um pouco antes, no período em que as cartas de tarô e as fumaças densas de artemísia prometiam uma menina, uma herdeira legítima que partilhasse de sua altivez e fosse prolongamento perfeito de seu próprio reflexo. e em vez disso, veio theon. a bruxa aceitou a divergência anatômica com resignação, mas a havia de ruir paciência quando o menino começou a andar… e, pior, a falar. theon era sim o espelho da mãe, mas um espelho trincado pela inconsequência paterna. absolutamente desprovido do rigor intelectual que transformava o egoísmo de circe em autoridade aristocrática. possuía os mesmos caprichos, a mesma indolência e a certeza absoluta de que o mundo lhe devia reverência, mas tudo isso vinha misturado com metade do autocontrole necessário para sustentar tamanha soberba. nunca fora uma tarefa simples crescer sob a avaliação constante de uma mulher que parecia passar os dias decidindo se o filho merecia um olhar ou o completo esquecimento.
mas, ainda pior, crescer no castelo afastado de viremont significava habitar o silêncio. o terror de uma criança hiperativa. o subterrâneo da propriedade abrigava colmeia informal de feiticeiros, ordem entrópica e sem nome que circe fingia ignorar unicamente para não ter de oficializar obrigações ou dar explicações aos conselhos arcanos de mythborne. nos corredores profundos, onde os grimórios raros repousavam em estantes de carvalho que pareciam sumir na penumbra, o garoto aprendeu a povoar a própria solidão com a audácia dos negligenciados. quando o ofício materno e a busca por manuscritos antigos a afastavam por semanas, theon corria pelas galerias de pedra calcária, quebrando a solenidade do lugar com risadas ecoantes ao encontrar iluminuras grotescas e desenhos artesanais feitos por bruxos medievais de estética duvidosa. parecia que alguém ali havia faltado suas aulas de desenho. ele experimentava poções de frascos sem rótulo, roubava pequenas criaturas mágicas mantidas em cativeiro e testava os limites dos feitiços de proteção roubando os livros da própria mãe.
havia, contudo, uma devoção profunda por trás daquela rebeldia infantil. ele era só uma criança! mas, nos raros momentos em que o castelo mergulhava num sossego absoluto, theon sentava-se à distância, escondido pelas sombras das colunas, apenas para observar os gestos precisos da mãe enquanto ela se concentrava. o modo como os dedos compridos dela folheavam o pergaminho e a inclinação exata de seu pescoço eram absorvidos pelo garoto, que mais tarde mimetizava cada trejeito diante do espelho de seu quarto. embora lhe faltasse a agilidade mental para os conceitos mais abstratos da feitiçaria alta e a paciência para os estudos teóricos longos, o esforço silencioso daqueles anos de observação (e de leitura, que ele nunca admitirá) garantiu-lhe um acervo de conhecimentos práticos e uma intuição (imperfeita) que, anos depois, fariam completo sentido em sua alocação para a casa cicuta.
a descoberta da manipulação da matéria viera cedo, lembrete da fascinante história da punição que a mãe aplicara ao castelo de adam e de que a realidade física era maleável. theon podia alterar a forma, textura e densidade dos objetos com um simples toque, mas o dom manifestou-se manco e preguiçoso… ah, a maldita atenção esparsa. para cada transmutação minimamente bem-sucedida, três resultavam em poças de metal malfeitas, deformidades grotescas ou construções que colapsavam minutos depois, ferindo gravemente o orgulho de um jovem que não suportava a ideia de errar. para ocultar essas falhas perante os olhos atentos da mãe e dos visitantes do subterrâneo, ele passou a compensar suas fraquezas dedicando-se ao entendimento de mecanismos ocultos, invenções engenhosas e poções complexas, usando a exatidão da alquimia como um escudo. era só seguir a receita, ainda precisava se provar um ótimo feiticeiro? quando o disfarce não bastava para aplacar sua frustração, restavam as fugas deliberadas para os salões decadentes de viremont, os sumiços que duravam dias e a busca por festas e prazeres hedonistas onde seu sobrenome bastava para garantir imunidade.
a complacência de circe esgotou-se de maneira definitiva na metade da adolescência do filho, no momento exato em que as cartas de tarô voltaram a ocupar a mesa de carvalho e a bruxa se convenceu de que theon jamais preencheria o vazio de suas expectativas. foi nesse cenário de descontentamento que ela decidiu adotar uma de suas aprendizes, menina vinda de reinos distantes que chegara ao castelo sem posses, mas munida de uma compostura impecável e de pressa voraz em aprender tudo o que lhe fosse ensinado. a presença da nova irmã transformou theon, aos olhos da corte e da própria família, em um estorvo musculoso, um herdeiro cujo tamanho físico parecia ridículo quando contrastado com suas atitudes infantis e ego inflado. a primeira reação do rapaz foi a completa rebeldia; fingiu sentir-se liberto dos fardos dinásticos e usou as palavras da própria mãe sobre a profecia falhada da clarividência para justificar seu mergulho definitivo na irresponsabilidade e no deboche, embora o orgulho estivesse sangrando secretamente sob a armadura de indiferença.
o fingimento ruiu quando um acidente grave em sua oficina pessoal, provocado por uma tentativa frustrada de alterar a estrutura molecular de um pilar sustentador, quase sepultou seus aposentos e revelou a instabilidade de seus poderes. o golpe de misericórdia veio logo em seguida, quando circe escolheu a filha adotiva, e não theon, para representá-la no comitê informal dos subterrâneos da propriedade. o herdeiro experimentou pela primeira vez a desolação real, um isolamento que apagou o sorriso fácil de seus lábios e o manteve trancado na ala oeste por meses a fio, longe dos banquetes de viremont e dos olhares de julgamento alheios. recentemente, contudo, as portas de seus aposentos voltaram a se abrir de par em par; theon retornou ao convívio dos alunos da cicuta mantendo a mesma leveza fingida de outrora, os cabelos loiros alinhados e as piadas rápidas prontas para desviar qualquer questionamento sobre seu sumiço. ninguém sabe ao certo quais engrenagens se moveram em sua cabeça durante o período de recolhimento, mas nos frascos de vidro de seu laboratório particular, a matéria bruta agora cede ao seu comando com mais precisão.
𝔴𝖍𝔞𝖙 𝖑𝔦𝖊𝔰 𝔴𝖎𝔱𝖍𝔦𝖓…
manipulação da realidade.
o usuário, em sua capacidade plena de domínio, possui a capacidade de perceber, compreender e alterar a matéria em praticamente qualquer uma de suas formas, exercendo influência direta sobre a estrutura física de objetos, organismos e substâncias. esse domínio se estende desde os níveis macroscópicos, até escalas microscópicas e subatômicas, permitindo a reorganização de átomos, moléculas, compostos químicos e demais estruturas que compõem a realidade material. através desse poder, o usuário pode remodelar livremente a matéria existente, alterando sua forma, densidade, textura, composição, resistência, estado físico e propriedades gerais. um bloco de granito pode ser transformado em metal, uma espada pode se tornar areia, uma parede pode ser convertida em água ou cristal, e estruturas complexas podem ser reconstruídas em questão de horas ou instantes.
apesar de sua versatilidade, a manipulação da matéria não é absoluta e está sujeita a diversas restrições. o usuário não pode criar matéria, princípio básico de lavoisier. toda criação exige energia proporcional à quantidade, complexidade e estabilidade da matéria produzida. quanto maior a massa criada, maior o desgaste físico e mental. a transformação de uma substância em outra exige conhecimento adequado sobre sua composição. materiais desconhecidos, exóticos ou de origem sobrenatural apresentam extrema resistência à alteração ou podem produzir resultados imprevisíveis.
matéria destruída não desaparece verdadeiramente; ela apenas é convertida, dispersa ou reduzida a estados mais simples. novamente, lavoisier. quanto maior a escala da manipulação, maior o tempo necessário para executá-la e maior o consumo de energia. remodelar uma sala pode ser instantâneo, enquanto alterar uma montanha ou um continente pode exigir esforço prolongado. o usuário precisa manter algum grau de percepção ou conexão com a matéria que pretende manipular. substâncias localizadas além de seu alcance sensorial ou escondidas por barreiras especiais podem não ser afetadas. alterações extremamente extensas ou sucessivas podem causar fadiga mental severa, perda de precisão, colapso das construções criadas ou até danos físicos ao próprio usuário, incluindo morte.
no caso de theon, seu conhecimento não é pleno. ele é curioso, mas também é bastante preguiçoso e ligeiramente acomodado em seu egocentrismo. mudanças muito grandes ou detalhadas custam muito de si, e na maior parte das vezes, podem vir acompanhadas de diversos erros. e ele não costuma gostar de errar, o que o desmotiva a tentar algo muito pronunciado. mas, nos últimos vezes, ele vem se dedicando um pouco mais. especialmente para provar à mãe que realmente possui seu sangue correndo em suas veias.
𝖙𝖗𝖎𝖛𝖎𝖆 𝖙𝖎𝖒𝖊!
e sobrou tempo para trivia depois de parir essa bio? vem aí!














