Torcidas brasileiras de clubes estrangeiros
Os principais craques do futebol atuam na Europa, e esse é um dos motivos para que cada vez mais torcedores brasileiros passem a torcer por um time estrangeiro.
Uma pesquisa feita em 2018 pelo ‘DNA Torcedor’, do Ibope-Repucom, aponta que no Brasil há uma parcela crescente na opção como “2º time”.
Ranking de torcida brasileira sobre clubes estrangeiros:
1º) Barcelona – 12,6 milhões (8%)
2º) Real Madrid – 6,7 milhões (4%)
4º) Bayern de Munique – 345 mil (0,2%)
5º) Chelsea – 320 mil (0,2%)
6º) Manchester United – 240 mil (0,1%)
Segundo Rafael Alberico, integrante do Grupo de Pesquisa e Estudos em Comunicação e Marketing no Esporte (Gepecom), é maior a oferta de jogos europeus na TV fechada do que partidas brasileiras, por exemplo: são transmitidos, por fim de semana, de 10 a 15 jogos dos campeonatos da Europa na TV paga, contra cerca de dois do Brasil.
A cada dia mais, principalmente os jovens, estão criando o hábito de torcer para times estrangeiros.
Talvez não exista somente uma explicação para esse tipo de coisa. Além da influência do videogame, diversos elementos podem colaborar para que cada vez mais o brasileiro torça para times europeus. Primeiramente, a qualidade do espetáculo não se pode negar que é o melhor futebol do mundo atualmente. Em segundo lugar, os torneios são atrativos demais. O terceiro ponto é com relação as transmissões. Hoje é mais barato acompanhar um jogo do Bayern pela televisão do que um jogo do Cruzeiro ou do Internacional.
Os grandes europeus possuem um setor específico onde é feita a produção de conteúdos para cada país. Um exemplo disso foi o PSG, quando eles criaram um perfil no Twitter para publicações em português logo assim que o jogador Neymar assinou o contrato.
O Uol Esportes fez uma pergunta para diversos times europeus. A pergunta foi a seguinte: "Sou brasileiro e procuro um time europeu para torcer. Porque deveria escolher você?"
Arsenal: Apresentou formas de assistir partidas pela internet e comprar produtos oficiais. Em uma apresentação detalhada, focou na história do clube: "O Arsenal nasceu quando um grupo de trabalhadores da fábrica de armamentos Dial Square em Woolwich decidiu formar um time de futebol para quebrar a monotonia da vida na fábrica."
Chelsea: Após citar seus principais títulos, o Chelsea mencionou uma fundação que faz caridade mundo afora. "A Fundação Chelsea tem uma das mais extensas iniciativas comunitárias no esporte, atuando em 30 países e ajudando a melhorar a vida de mais de 900 mil crianças e jovens todo ano.’’ Também anexou uma cópia de sua política de fãs clubes com orientação para fundar um grupo local.
Southampton: "Obrigado por seu amável e-mail. Sabemos de um grupo de torcedores brasileiros no Facebook, talvez você queira dar uma olhada. Se você passar seu endereço, nós enviamos uma grande bandeira do Southampton, assim você pode mostrar sua torcida no Brasil!" (Após poucos dias, mandaram mesmo).
"Colhem o que plantaram lá atrás", diz Marcio Flores, diretor do grupo Manga.
O futebol lá fora entendeu que o cara sentado ali é um consumidor da marca e ele pode consumir de tudo. Eles criaram um padrão e isso criou uma aspiração tão gigante que qualquer pessoa quer consumir as mesmas coisas que os caras consomem. Aqui se pensa de maneira muito cartesiana. Os gestores pensam em fazer o máximo que podem no tempo de mandato e ninguém faz a gestão de marca. Na Europa, eles estão colhendo de braçada o que plantaram lá atrás. Os clubes brasileiros ou se mexem ou vão quebra.
Segundo José Colagrossi, diretor do Ibope/Repucom: "Só a paixão salvará o futebol brasileiro".
Existe um abismo de diferença entre futebol europeu e brasileiro no que se refere ao marketing. A cultura de licenciamento do futebol brasileiro é: “Quanto eu vou ganhar na assinatura de contrato?” Não tem parceria com a marca, não tem canais de distribuição. O que vai salvar o futebol brasileiro, apesar de anos de ineficiência, é a paixão. Quem se diz torcedor de time europeu na verdade é muito mais simpatizante. Paixão verdadeira não existe ainda, não existe rivalidade. É muito difícil exercitar uma paixão quando não se tem uma presença local.