Iniciaram-se hoje os 'briefings' diários do Governo com jornalistas. Depois do surto de "declarações sem perguntas" agora chegam as conversas à lareira combinadas antecipadamente. Na semana passada, a peça da Lusa sobre o assunto incluía este parágrafo:
O gabinete do ministro adjunto prevê que, até às 10h de cada dia, os órgãos de comunicação social sejam informados dos temas que o Governo vai levar ao 'briefing' e pretende que, na meia hora seguinte, sensivelmente, estes "enviem as perguntas" que querem ver esclarecidas, para que seja preparado material sobre esses temas.
Com a adenda de que isso não invalida que "os jornalistas, depois, coloquem perguntas sobre outros temas".
Não assisti ao 'briefing', mas espero ainda ter oportunidade de ver partes deste. No entanto, leio o seguinte sobre a sessão inaugural:
"A bem do país, é nossa obrigação ajudar os nossos cidadãos a perceber e a desmistificar essas duas linhas de discurso. A informação correta e explicada é o caminho certo para evitar a desinformação. O acesso à informação correta, limpa e simples é uma das bases fundamentais da democracia", disse Pedro Lomba, secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional.
"O Governo não edita a informação e os seus temas, essa informação é vossa, mas o Governo deve fornecer a informação necessária, com dados, para uma completa compreensão dos temas, e deve ser exigente com o tratamento dessa informação. Este é o espaço em que isso acontece com toda a transparência", disse.
O secretário de Estado ressalvou, contudo, que "estes dois primeiros momentos dos encontros poderão ser em 'on' ou em 'off', sempre que as circunstâncias o justificarem", e que os 'briefings' poderão ser "com ou sem conferência de imprensa", acentuando que "o formato é flexível e aberto".
"O terceiro momento do encontro será informal. Queremos usar este tempo e este momento para conversar com os senhores jornalistas de forma mais detalhada. Será o espaço para esclarecer algumas dúvidas e para vos dar o enquadramento das questões do dia", completou Pedro Lomba, adiantando que a informação prestada neste terceiro momento “não pode ser citada nem atribuída a nenhuma fonte".
Tenho bem noção de que não serei o único cético face a esta novidade, em particular tendo em conta aquilo que tem sido o passado deste Governo para com a comunicação social. Fiquei, ainda assim, surpreendido pelas entusiásticas boas-vindas dadas por alguns colegas a estes eventos.
Sinceramente, a maior confusão para mim é o objetivo destes 'briefings'. O que é que de lá vai sair? O que é que se espera que os jornalistas aprendam? Um ministro lá a falar vai ser uma 'fonte governamental'? A ver como corre.