clubes: armada de dumbledore, clube de artes mágicas, f.a.l.e, sociedade de estudo de criaturas mágicas e jornal da escola.
bio completa ☾ pinterest ☾ extras ☾ conexões desejadas
bio:
☾ luna lovegood nasceu em uma manhã fria de fevereiro na pequena vila de ottery st. catchpole.
☾ a casa dos lovegood sempre foi um lugar um pouco diferente. pilhas de revistas, objetos estranhos trazidos de viagens e artefatos mágicos curiosos ocupavam praticamente todos os cantos.
☾ ela é filha única de xenophilius lovegood, editor da excêntrica revista "o pasquim", e de pandora lovegood, uma bruxa inventiva e curiosa, conhecida por experimentar feitiços pouco convencionais.
☾ quando luna tinha nove anos, um dos experimentos da mãe terminou de maneira trágica. o feitiço deu errado e pandora morreu em um acidente mágico dentro da própria casa. após isso, luna e o pai tornaram-se ainda mais próximos.
☾ em hogwarts, rapidamente ficou claro que ela não se encaixava perfeitamente nas expectativas sociais da escola. o fato de não fazer esforços para se encaixar a deixou em um estado de parcial isolamento nos primeiros anos. contudo, com o tempo, muitos estudantes percebem que conversar com ela pode ser inesperadamente interessante, porque ela observa coisas que outros ignoram, faz perguntas pouco convencionais e costuma oferecer perspectivas completamente novas sobre problemas aparentemente simples.
☾ um ponto de virada foi a participação na armada de dumbledore e o episódio no ministério da magia em seu quarto ano, que a mostrou como é importante o senso de comunidade e grupo. tendo vivido só com o pai por tantos anos e sendo uma garota relativamente independente e livre, costumava levar a vida com solitude. ao perceber aquele mundo mudando, os perigos reais mesmo dentro de hogwarts, ela aprendeu a olhar para o todo e abriu sua mente em relação à importância de outras pessoas e o senso de lealdade e amizade.
extras:
gostos: criaturas mágicas, caminhadas, florestas, herbologia, astronomia, silêncio confortável, jardim de hogwarts, objetos antigos ou misteriosos, conversas profundas e inesperadas, céu noturno, música suave ou etérea, chá de ervas.
desgostos: arrogância intelectual, pessoas que ridicularizam curiosidade ou imaginação, barulho excessivo, hierarquias sociais, pessoas que falam sem escutar, ambientes muito controlados ou burocráticos, magia usada apenas para exibição, espaços pequenos, preconceitos.
hobbies: pintura mágica, estudar criaturas mágicas, escrever, colecionar objetos curiosos que encontra pelo castelo, colecionar penas de diferentes criaturas mágicas, ouvir conversas alheias em lugares públicos só para entender comportamentos humanos, manter um diário de sonhos, jogar e estudar cartas de tarot, estudar mitologias bruxas e trouxas.
patrono: lebre.
bicho-papão: reprodução do dia da morte da mãe (o corpo, os objetos destruídos, os livros queimando, o laboratório destroçado, o cheiro).
astrologia: sol em aquário, ascendente em peixes, lua em gêmeos & vênus em aquário.
quirks: costuma responder perguntas com outra pergunta; fala de observações estranhas como se fossem óbvias; olha para o céu ou para o ambiente enquanto pensa; tem o hábito de desaparecer silenciosamente de conversas; costuma tocar objetos curiosos para “sentir a magia” deles; raramente demonstra pressa; mantém um pequeno caderno onde anota pensamentos aleatórios.
futuro: em 2026, luna volta à hogwarts como professora de trato das criaturas mágicas, antigo cargo de hagrid, o qual ela toma com muito orgulho. ela virou uma magizoologista de grande renome, ao lado do seu marido rolf scamander. ela também é mãe dos gêmeos lorcan e lysander, que também estudam em hogwarts nessa época.
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"Shh! Não diga esse número em voz alta, está começando a soar assustador." Harry disse em um tom de incômodo que não passava de fingimento. Tinha muito orgulho de ter amizades tão boas e duradouras e jamais conseguiria colocar em palavras o quanto aquelas pessoas eram importantes em sua vida. Afinal, algumas situações uniam as pessoas de um jeito difícil de explicar. Ouvi-la falar sobre o filho fez Harry sustentar o sorriso. Era uma interação importante, considerando que adolescentes dificilmente procuravam os pais para falar sobre suas vidas amorosas. Mas então ouviu o nome da própria filha e a xícara parou a meio caminho de seus lábios. Harry não era tão ingênuo quanto gostaria de ser e sabia que Lily também não era. Mas ela ainda era a sua garotinha e o ímpeto de proteção falou mais alto, inevitavelmente. "Hum." Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Terminou o trajeto com a xícara e deu mais um gole no chá, usando o gesto para ganhar tempo e organizar os pensamentos. "Está sugerindo que possa ter alguma coisa aí ou você sabe de alguma coisa?" Perguntou com um sorriso de canto. Não teria nenhuma crise de ciúmes, nem faria cena. Confiava nas decisões de Lily e, além do mais, adorava os filhos de Luna. "Sabe como Lilu é, tem paixonites o tempo todo. Talvez seja só mais uma?"
luna analisou harry milimetricamente com todo o conhecimento que tinha sobre ele. depois de tudo que passou, existiam duas máximas: em primeiro, ele era um ótimo pai; e em segundo, um pai superprotetor. duas verdades que coexistiam, e muito por isso ela tomava muito cuidado com suas próximas palavras. arqueou as sobrancelhas, voltou a bebericar o chá. ❝ — depende de como você vai reagir. talvez eu saiba de algo... mais substancial do que só suposições. isso já faz umas duas semanas, claro, mas não sei.❞ — deixou em aberto, especialmente porque a sua honestidade a pedia tanto. não sabia dos novos desenrolares e precisava se certificar de falar com o filho e a afilhada para saber mais, mas também sabia que não era só uma paixonite, de modo contrário lily ou lysander não falariam com ela sobre isso. ❝ — não fique tão bravo! em certo ponto você precisa deixar ela crescer, e eu... preciso confiar que lysander nunca, jamais brincaria com a possibilidade de estar com ela como se fosse qualquer coisa. preciso confiar, em certo ponto, que criei ele bem.❞ — dividiu seriamente o que pensava. de qualquer forma, como ginny não estava ali — quase suspirou internamente, imaginava o que a amiga diria se soubesse disso, um sorriso interno se formando — era com harry que precisava ter aquela conversa. voltou a beber conteúdo da xícara, como que ganhando tempo para pensar. ❝ — mas talvez você tenha razão, talvez seja coincidência, ou algo passageiro. só achei... curioso.❞ — terminou com cuidado, porque não sabia se era exatamente a palavra que harry usaria para descrever a coisa toda.
Dentro de Hogwarts após quase três décadas longe dali, era deveras nostálgico. Não mais do que isso, mas ter que acompanhar certas ocorrências do dia a dia que traziam consigo boas memórias. Muito boas, por sinal! Joshua teve uma infância e adolescência recheadas de mistério e omissão, mas estar ali de novo com outros olhos era renovador. Tão interessante quanto isso, se permitiu deixar levar até fora do castelo agora que estavam mais libertos para isso, mas ser um auror em um ambiente confinado exigia dele responsabilidade. Então, fazendo sua parte, não estava vigiando Luna ou os alunos, estava apenas fazendo seu trabalho ao protegê-los caso algo acontecesse. No entanto, tudo parecia sob controle, especialmente quando ela curiosamente exibiu um animal que, segundo ela, estava extinto até um tempo atrás. Aquilo fez com que Joshua franzisse os lábios e assentisse sem perceber, maravilhado com a nova informação. As sobrancelhas se uniram quase que de imediato e então viu que estava mais óbvio do que imaginava. "Oh!" Com a questão dela, apenas deu de ombros e relaxou um pouco mais a postura. "Nada eu só... Sabe, fazendo uma ronda qualquer. Ron foi por lá, eu vim por cá..." Explicou com pouca graça, gesticulando. Pouco depois apontou brevemente para o cervo. "Não escutei muito bem se é da nossa época esse... cervo-artrose?" Sabia que estava errado, mas não custava chutar.
luna tinha consciência de que se a triplicação de castelos tivesse acontecido em três de setembro no lugar do dia dois, ou talvez no quatro ou cinco, as coisas seriam muito diferentes. por exemplo, era muito normal que no banquete de abertura hogwarts recebesse visitantes externos, alguns a trabalho, outros nem tanto. era por isso que tinham um contingente de aurores, funcionários do ministério e até pais presentes. podia ser inconveniente, mas a lovegood sentia um certo alívio ao saber que tinham reforços. não que a equipe docente fosse insuficiente, mas em um acontecimento sem precedentes como aquele, o maior número de mentes pensante era o melhor. por isso estava feliz em ter josh e ron por ali. sorriu abertamente para ele, soltando uma pequena risada diante da mal pronúncia do nome do cervo. ❝ — cervos-alvores! artrose é terrível! mas na verdade, josh...❞ — ela disse, o olhar pairando sobre os cervos, só depois voltando para o homem. ❝ — mal chegamos a estudá-los na escola, sabe o motivo? porque estão extintos desde o século doze. algumas pessoas até chegam a esquecer que eles existiram... e isso levanta a questão, por que eles estão aqui? ideias?❞ — perguntou, arqueando as sobrancelhas para ele.
James acompanhou o olhar de Luna até os cervos por alguns instantes, como se tentasse enxergar exatamente o que ela via neles. Quanto mais prestava atenção, mais a observação fazia sentido. "É... isso é meio assustador quando você coloca desse jeito. Eu estava tentando entender como eles vieram parar aqui, mas nem tinha passado pela minha cabeça que talvez eles nunca tenham saído daqui. Ou, pelo menos, da versão da floresta que eles conhecem", e desviou os olhos para as árvores ao redor, percorrendo a mata como se esperasse encontrar alguma diferença gritante que até então passou despercebida. Voltou a encarar a professora quando ela terminou de falar, cruzando os braços de maneira distraída enquanto assimilava a resposta. Tinha algo na forma como Luna encarava o desconhecido que tornava a ausência de respostas estranhamente confortável. "Acho que você tem razão. Talvez seja por isso que você seja a professora e eu só o aluno fazendo perguntas sem parar." Então voltou a olhar para os cervos, o tom recuperando a curiosidade que nunca demorava muito para reaparecer. "Mas confesso que agora fiquei ainda mais interessado. Se esses caras passaram despercebidos até agora, começo a suspeitar que eles não estejam sozinhos."
um sorriso satisfeito surgiu nos lábios de luna quando james chegou sozinho àquela conclusão. james sirius potter era classificado como um aluno "desordeiro", "indisciplinado", mas "muito inteligente". em verdade, era o conjunto de tudo isso que fazia ele um dos preferidos de luna, suas observações eram sempre ousadas, mas assombrosamente relevantes. ❝ — exatamente. as criaturas mágicas simplesmente... continuam vivendo.❞ — respondeu com um tom leve, desviando novamente os olhos para os cervos-alvores, que permaneciam completamente alheios ao fascínio que despertavam. ❝ — e isso é uma das coisas de que eu mais gosto nelas. nós é que passamos séculos escrevendo livros dizendo que elas tinham desaparecido, mas elas nunca assinaram concordando.❞ — acrescentou com uma pequena risada. então voltou a atenção para james, divertida com a observação sobre ele fazer perguntas sem parar. ❝ — espero sinceramente que você nunca pare, james. afinal, não teria um emprego ou formação agora se tivesse me contentado com o que já foi dito. as melhores descobertas quase sempre começam com alguém fazendo perguntas demais e incomodando pessoas muito confiantes de que já sabiam todas as respostas.❞ — disse com sinceridade, antes de acompanhar o olhar dele em direção à floresta. a expressão de luna ganhou um brilho curioso, entusiasmado. ❝ — suspeito que você esteja certo. por isso quero que todos vocês observem mais do que leiam durante as próximas semanas. os livros continuam sendo importantes, mas, pela primeira vez em muitos séculos, a floresta talvez não seja mais mapeável por livros.❞
𝒄𝒍𝒐𝒔𝒆𝒅 𝒔𝒕𝒂𝒓𝒕𝒆𝒓 for luna with joshua. ( @lovegcds )
Se a esperança era a última que morria, Joshua era o primeiro a se atrelar à ela. Com o tempo que passavam cada vez mais desorientados do mundo afora, sem saber exatamente o que se passava e como seria o dia de amanhã, era natural que um inquieto lufano como ele fosse caçar as mesmas opções de outrora na intenção de rever se ainda eram possibilidades viáveis. Muito provavelmente teria uma negativa disso, mas trazia consigo a carta com os escritos 'if you're not an eat-shiter, then reply' carregada com o símbolo de Hogwarts para uma noção de quem se tratava. Subiu com pressa a escada em espiral, quase tropeçando nos próprios pés, mas ao chegar no topo o corujal tinha poucas queridas no recinto e todas a olharam curiosas - daquele jeito engraçado que elas faziam ao inclinar a cabeça de lado. "Quê? Voltem a fazer suas corujices." Abanou com a mão a fim de dispersar a atenção delas, embora não fosse nada útil, e então viu a quantidade de cartas no chão. Curiosamente, Joshua se agachou para ler o remetente. Eram quase todas para o Ministério, mas outras não... Foi abrindo uma aqui, depois outra ali, até que escutou o som de passos subindo a escada. Ele ainda estava agachado enquanto olhava para a porta, denotando a presença loira e azulada de Luna Lovegood. Era uma das amigas de Harry Potter e também uma dos quais Joshua vigiava algumas vezes. Cada passo da Armada ele acompanhava para certificar aos superiores, ainda que muitas vezes eles fossem bem mais espertos. "Hey, blondie." Com um aceno de cabeça breve, manteve-se ainda na mesma posição, mas mostrando-a aquela carta que tinha em mãos além das outras jogadas. "Você sabia disso?" Não era uma reprimenda, pois, em seus lábios repousava um sorriso gentil, porém tinha bastante curiosidade de saber o porquê dela estar ali, supondo o óbvio.
luna lovegood não era uma pessoa fofoqueira, ainda que sua curiosidade pudesse ser confundida com isso. o motivo pelo qual ela continuava indo até o corujal, mesmo com o impedimento de enviar corujas, era que de certa forma — mesmo que parecesse sadismo —, gostava de ver as cartas nunca enviadas. quer dizer, não para rir das pessoas ou saber de seus segredos, mas porque existia algo muito pessoal em uma carta, algo muito humano, e parte dela precisava se agarrar nisso agora. também gostava de ver as corujas, porque sabia que elas podiam estar inquietas sem poder sair... só que desde que a barreira se dissolveu, a sombra de um pensamento perpassou por luna: agora que as corujas podiam voar, será que encontrariam algum remetente? foi com isso em mente que foi ao corujal naquele dia, mas se surpreendeu ao perceber que não era a única a ocupar o recinto. o local tinha sido basicamente desocupado nos últimos vinte dias, o que era um pouco triste e um dos motivos extras pelo qual continuava indo até ali. quando joshua a abordou, parte dela também achava que compartilhavam alguns dos motivos, apesar de não saber ainda quais deles. ❝ — sabia, claro. na verdade, é por isso que estou aqui...❞ — falou, pegando a carta na mão dele, mas mal olhando o seu conteúdo. ela reformulou o que estava pensando, depois disse: ❝ — depois que os outros dois castelos apareceram, as pessoas tentaram mandar cartas, mas as corujas bateram na barreira. sabendo disso, todo mundo parou de vir para cá, apesar da bagunça continuar aqui...❞ — adicionou, olhando ao redor deles para as diversas cartas no chão. ❝ — passou pela minha cabeça que, agora que a barreira se dissolveu, talvez as corujas possam fazer viagens. não sei se encontrariam alguém, mas... talvez valesse a tentativa, não?❞ — perguntou.
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Marcus soltou um suspiro resignado, daqueles de quem já esperava que Luna fosse ignorar completamente a parte mais conveniente da conversa para se prender justamente ao detalhe impossível de rebater. “Tá bom, você venceu na parte jurídica da coisa. Não era um acordo, era mais uma proposta extremamente generosa da minha parte”, se justificou por primeiro e só então respondeu à pergunta de verdade, dando dois leves tapinhas no cabo da vassoura como quem lamentava o próprio destino. “Porque McGonagall resolveu que eu precisava passar duas semanas refletindo sobre as consequências das minhas ações depois do Homecoming, o que quer dizer que minha Firebolt tá presa e eu só posso encostar numa vassoura durante os treinos. Como eu claramente não nasci com vocação pra reflexão, precisei improvisar”, explicou e os olhos dele desceram por um instante até a velha vassoura e voltaram para Luna logo em seguida. Marcus então estreitou ligeiramente os olhos, lembrando da direção de onde ela vinha. “Agora eu podia devolver a pergunta. Você também não costuma sair caminhando pelo castelo às escondidas sem um motivo. Ou melhor, você costuma, mas normalmente parece saber exatamente pra onde está indo. Hoje tá procurando o quê?”
luna franziu o cenho quando ouviu a explicação sobre a firebolt, e um sorriso discreto apareceu em seu rosto. ❝ — o que exatamente você fez, flint? agora fiquei curiosa...❞ — ficou ainda mais interessada na situação. não lhe parecia exatamente um castigo terrível, mas sabia que pessoas como marcus depositavam no esporte a regulação de todo seu humor, justamente por não conseguir lidar com ele de outra forma. então voltou a atenção para marcus quando ele devolveu a pergunta, e, diferente da maioria das pessoas, ela não pareceu cogitar inventar uma desculpa qualquer. ❝ — essa é fácil, eu estava procurando a floresta. venho fazendo isso nos últimos dias, mas parece que sempre tem alguém pra me convencer do contrário ou me impedir.❞ — falou com simplicidade, sabendo que se existia uma vantagem em ainda falar com marcus flint, era que ele não era do tipo racional propriamente dizendo, apesar de cético. e o melhro de tudo, jamais a impediria de fazer algo considerado como imprudente. ❝ — confesso que não esperava encontrar justamente você no caminho, mas talvez das opções disponíveis acho que prefiro assim.❞
Agora que o homecoming havia passado, Hermione sentia que conseguia respirar, em partes ao menos, tinha passado a semana anterior coordenando toda a organização do evento, agindo quase como monitora chefe, afinal, alguém precisava tomar a frente e evitar que tudo fosse delegado somente aos elfos domésticos, que já faziam tanto pelo funcionamento de Hogwarts e ainda continuavam recebendo pouquíssimo reconhecimento por isso. a morena caminha pelos jardins, tentando absorver um pouco de sol, para quem sabe assim se sentisse finalmente mais tranquila e menos sobrecarregada, mas com o fim do baile, agora só restava voltar a se preocupar com o dilema dos três castelos. foi durante sua pequena caminha que viu Luna ao longe, dando passos rápidos em direção a loira. " Luna! " chamou antes de alcança-la. " por favor, não me diga que estava indo passear pela floresta proibida novamente? " perguntou erguendo uma sobrancelha, quase como se já soubesse a resposta para aquela pergunta.
luna voltou o rosto na direção da voz e encontrou hermione se aproximando. ❝ — eu posso responder que não... mas você provavelmente perceberia que eu estaria mentindo, você é boa demias nisso.❞ — admitiu com uma pequena risada, sem o menor esforço para parecer inocente. desviou os olhos por um instante para a linha das árvores ao longe, como se a floresta tivesse ouvido a conversa e aguardasse pacientemente por ela. ❝ — mas talvez seja bom que você tenha me encontrado, mione. quer dizer, sei que minhas teorias podem parecer loucas, então sei que posso confiar em você...❞ — parou por um instante, ainda sem olhar para a amiga, o olhar fixo na floresta. depois de breves instantes, voltou-se para ela, para a realidade. ❝ — desde que os castelos apareceram, ela está diferente. algumas árvores não estavam lá, certos caminhos mudaram, e eu continuo com a impressão de que ainda estamos olhando só para a superfície. eu acho que entender onde estamos, como estamos, talvez até o por que... isso possa passar por ela. não é o solo, as vegetação e a fauna que costumam ajudar as pessoas a se localizarem quando se perderam? acho que podemos fazer o mesmo aqui.❞ — dividiu um pouco da sua teoria. o chamado para ir até a floresta era menos por impulso ou negligência, e mais por um instinto pesquisador forte que a puxava para o local. além do mais, ela tinha certeza que a resposta estava lá.
O fato de Luna não insistir no assunto estranhamente lhe concedeu uma vontade ainda maior de explicar todos os detalhes, especialmente pelo elogio não intencional. Mas não era prudente revelar nada além do que fosse absolutamente necessário. “Concordo plenamente. Quem sabe um dia te conto essa história enquanto tomamos um chá?” sugeriu, embora não tivesse a intenção de contar a história completa. Se tivesse tempo para pensar, conseguiria inventar algo seguro e dar a oportunidade à Lovegood de aprender algo relevante. “Ah, com certeza aumentaram bastante, eu não duvido” deu uma risadinha, negando com a cabeça. As pessoas tendiam a compartilhar rumores com muito mais drama envolvido. “Mas foi realmente memorável. Kettleburn é... excêntrico, para se dizer o mínimo, mas é como você falou, criaturas mágicas são imprevisíveis. Ele tinha uma ótima intenção, nos mostrando uma criatura tão majestosa quanto um occamy.” Se lembrava de ter achado toda a situação muito engraçada, na verdade, porque era a primeira vez que via uma daquelas criaturas de fato, sem que fosse apenas o seu reflexo. Era um bom estudo para saber como se portar se precisasse fingir que era apenas uma criatura e não uma bruxa transformada. “Eu achei fascinante, Trato das Criaturas Mágicas sempre foi uma das minhas matérias favoritas. Tínhamos até um clube... vocês ainda o mantém?” indagou, curiosa. Havia chegado há pouco tempo em Hogwarts, não tinha certeza de quais clubes da sua época ainda existiam. A compreensão dela diante de seu devaneio fez com que se afeiçoasse pela garota ainda mais. No início, não tinha certeza se gostaria tanto assim de lecionar – se na sua época já se irritava com os colegas de turma, imagine estando no papel de professora –, mas se todos os alunos fossem agradáveis como a Lovegood, aquele emprego tinha potencial para dar muito certo, embora ele não fosse seu objetivo principal para estar no castelo. Assentiu em concordância diante de sua reflexão. “Eu acho que seria uma ótima professora, senhorita Lovegood. Você já tem algo muito importante para a profissão, que é a curiosidade inata. E você ficaria surpresa com a quantidade de coisas que os alunos conseguem nos ensinar.” Embora não tivesse muito tempo de experiência, Aaravi já conseguia citar bons exemplos. “Também espero... sou uma fã declarada de livros, de fato, mas certas coisas são impossíveis de serem descritas com a precisão necessária.” declarou com honestidade, já anotando mentalmente para lembrar-se de conversar com os professores da matéria a respeito. Sabia que Hagrid, ao menos, adoraria a ideia. “Enfim, a conversa está ótima, mas não devo tomar mais do seu tempo. Boa sorte com o preparo.” se despediu, preparando-se para caminhar pela sala e observar os outros alunos trabalhando em seus caldeirões.
o sorriso de luna ganhou um ar quase conspiratório quando a professora mencionou contar aquela história durante um chá. ❝ — eu vou cobrar. não exatamente a história... mas o chá. mentira, quem eu quero enganar? aceito os dois.❞ — respondeu com um brilho divertido nos olhos, porque, para ela, as melhores conversas quase sempre aconteciam ao redor de uma xícara quente. o comentário sobre o professor kettleburn fez com que assentisse imediatamente. ❝ — uma aula ruim a gente esquece. uma aula caótica... bom, aparentemente as pessoas continuam contando sobre ela décadas depois. talvez seja esse o segredo.❞ — comentou com uma risadinha baixa, imaginando que provavelmente também teria adorado estudar com alguém tão imprevisível quanto o antigo professor. a pergunta sobre o clube de trato das criaturas mágicas fez luna parecer ainda mais satisfeita. ❝ — mantemos, sim! eu gosto muito dele. acho que é um dos poucos lugares onde ninguém acha estranho passar uma tarde inteira discutindo hábitos migratórios ou tentando descobrir por que determinada criatura prefere uma árvore em vez de outra quase igual.❞ — respondeu com sinceridade, porque realmente acreditava nisso. então baixou brevemente os olhos para o caldeirão enquanto adicionava o primeiro ingrediente na ordem correta, tomando cuidado para não perder o ritmo da preparação, mas a fala seguinte da professora acabou fazendo-a erguer o rosto outra vez. luna sorriu daquele jeito discreto de quando alguma coisa a tocava mais profundamente do que parecia. ❝ — obrigada, professora... isso significa bastante vindo da senhora. eu nunca pensei muito em dar aulas, mas acho que gosto da ideia de ajudar outras pessoas a se encantarem pelas mesmas coisas que eu. acho que seria um desperdício guardar toda essa curiosidade só para mim.❞ — respondeu com simplicidade, porque lhe parecia a razão mais honesta do mundo. depois acompanhou aaravi com o olhar enquanto ela se preparava para seguir entre as bancadas da sala e assentiu levemente com a cabeça. ❝ — boa sorte para a senhora também... embora eu tenha a impressão de que essa aula vai correr muito bem. dá para perceber quando um professor realmente gosta de estar ensinando alguma coisa.❞ — concluiu antes de voltar a atenção ao próprio caldeirão, ainda pensando que existiam pessoas, como era o caso da professora manik, cuja presença despertava tantas perguntas quanto as próprias criaturas mágicas que estudavam.
Lígia ouviu Luna sem interrompê-la, buscando acompanhar sua linha de raciocínio com paciência. Mesmo atravessando um período tão delicado, e ainda precisando lidar com os conflitos característicos da adolescência, eram poucos os estudantes que procuravam espontaneamente sua sala. A maioria não tinha sido ensinada que estava tudo bem pedir ajuda, de forma que Lígia muitas vezes se sentia um fantasma andando pelo castelo, sem tarefa específica.
Luna, por outro lado, não tinha o mesmo acanhamento, e nao era só por isso que Lígia gostava de atendê-la: era um tipo de conversa que exigia menos técnicas prontas e mais disposição para pensar junto. Lígia apreciava a confiança que a garota depositava nela e, em certa medida, lamentava não ter acompanhado sua trajetória em Hogwarts desde o início. Pelos relatos de alguns professores, e também pelas histórias que escapavam dos alunos mais fofoqueiros, mesmo sendo uma aluna excepcional e de personalidade tranquila, o histórico de Luna estava longe de ser simples, tendo passado anos sendo incompreendida por muitos colegas. “É interessante que a sua preocupação maior é se essa experiência seria injusta pra sua mãe.” Falou com um pequeno sorriso no rosto. Poderia falar sobre o luto ou recorrer a teorias, mas nenhuma delas se encaixava naquela situação. Como encarar a possibilidade de conhecer uma versão da sua mãe falecida? Não existia jeito certo. “Acho que não cabe justo ou injusto nessa situação, Luna. Trata-se de um evento sem precedentes. O que seria injusto aqui é você sentir que a responsabilidade de fazer isso ‘funcionar’ é sua.” Fez uma breve pausa. “Lá no castelo dela, sua mãe pode estar pensando a mesma coisa. Em vez de perguntar o que é justo, talvez faça mais sentido se perguntar com qual decisão você conseguiria lidar depois. Você acharia melhor negar a chance inesperada de ver sua mãe?”
luna ficou alguns segundos em silêncio, reação característica de quando alguém lhe oferecia uma pergunta realmente boa. os dedos brincavam distraidamente com a barra da própria manga enquanto seus olhos se perdiam por um momento na janela da sala. ❝ — eu acho que negaria, se acreditasse que isso faria ela sofrer menos. quando eu era pequena, passei muito tempo desejando só mais cinco minutos com ela. depois fui crescendo e percebi que cinco minutos nunca seriam suficientes.... agora... agora que existe a possibilidade de verdade, eu continuo pensando primeiro nela. perder uma mãe é uma coisa, perder uma filha e saber que você vai morrer é outra.❞ — ela sorriu de leve, mas havia melancolia naquele sorriso, não tristeza. era o tipo de saudade que aprendeu a carregar desde que era criança, assim não permitia que a afundasse. ❝ — ao mesmo tempo, eu também fico pensando que talvez eu esteja tratando ela como se fosse feita de vidro. minha mãe era pesquisadora, curiosa, extremamente corajosa... ela passou a vida inteira correndo atrás de coisas que ninguém entendia direito. às vezes eu me pergunto se não estou sendo um pouco arrogante ao presumir que eu deveria protegê-la da verdade, como se ela não tivesse o direito de decidir por conta própria o que gostaria de saber.❞ — aquilo era, talvez, o centro do conflito. luna sempre acreditou muito na liberdade das pessoas, inclusive na liberdade de fazer escolhas difíceis. os olhos voltaram para lígia, mais atentos agora. ❝ — eu consigo imaginar motivos muito bons para encontrá-la e motivos igualmente bons para não fazer isso. nenhum deles parece egoísta, nenhum deles parece completamente altruísta também. talvez seja essa a parte mais difícil de tudo isso. não descobrir o que aconteceu com os castelos... mas descobrir quem eu quero ser diante da possibilidade de rever alguém que eu passei metade da vida aprendendo a sentir falta.❞
Já era normal para ele ter a sala como um local de conforto e depois de um dia de jogos e festa a paz que a arte trazia fazia com que ele se sentisse melhor. Melhor do que pensar em aula de Transfiguração ou algo mais complexo como Poções. Luna ao seu lado era uma figura tão emblemática. Parecia uma de suas irmãs. O coração puro e a maneira de ver o mundo de forma única. Dean se apaixonava fácil e isso era claramente uma piada interna entre ele e os outros meninos, e havia tido uma época que havia tido uma leva queda pela Lovegood, mas hoje entendia que eram melhores como amigos. No entanto, a maneira como ela o descreveu o fez lembrar do porque de gostar dela. "Não sendo verde acho que aceito qualquer cor."
Dean Thomas amava como odiava e a Sonserina e seus alunos sempre o perseguiram. "Enquanto eu preferiria desenhar seu lindo rosto posso tentar pintá-la também de forma monocromática. Você me inspira a pintá-la de amarelo. Algo mais puxado para o sol e menos para o outro. Cores quentes. Poderia por alguns traços cor de rosa também acho que faria jus. Como foi sua noite ontem, Luna? Estão te deixando mais em paz ultimamente?"
luna sorriu imediatamente quando dean descartou o verde com tanta convicção, inclinando levemente a cabeça enquanto tentava imaginá-lo daquela cor só para testar a hipótese. ❝ — eu concordo, verde ficaria errado em você por algum motivo.❞ — comentou de forma distraída, mas então ouviu com atenção a forma como ele a enxergava, e o sorriso que surgiu foi pequeno, mas tocado. ❝ — amarelo... eu gosto. parece luz atravessando uma janela no fim da tarde. e o rosa combina bem com gentileza, eu acho. fico feliz que seja isso que eu pareço para você.❞ — ela então voltou os olhos para a tela em branco por alguns instantes, já imaginando como poderia transformar aquelas sensações em tinta, antes de erguer novamente o olhar para dean quando ele perguntou sobre a noite anterior. a expressão dela permaneceu serena, embora um pequeno traço de humor aparecesse no canto dos lábios. ❝ — foi boa. eu me diverti, mas não foi só isso. acho que foi um momento importante pro castelo como um todo, todos nós estávamos precisando esquecer um pouco as teorias e os mistérios, pelo menos durante algumas horas.❞ — respondeu com sinceridade, porque aquele breve intervalo de normalidade tinha sido valioso até para ela. a última pergunta fez luna desviar os olhos para os próprios pincéis enquanto organizava as cores sobre a paleta. ❝ — ah, sim, um pouco tem a ver com tudo que já vivemos, mas também acho que crescer ajuda. quando eu era mais nova, muita gente olhava para mim esperando encontrar alguém estranha, agora algumas dessas mesmas pessoas parecem interessadas em descobrir por que eu enxergo o mundo de um jeito diferente. eu prefiro a curiosidade ao deboche, mesmo que ela demore alguns anos para chegar.❞ — disse, sem qualquer amargura. então molhou delicadamente o pincel na tinta e voltou a sorrir para o amigo. ❝ — agora me conte sobre o seu homecoming, falar só sobre mim me deixa inquieta.❞
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Já passava do toque de recolher quando Marcus finalmente admitiu para si mesmo que não conseguiria dormir. Ficou quase uma hora encarando o teto do dormitório, virou de um lado para o outro, levantou para beber água, voltou para a cama e continuou exatamente igual. Voar uma vez depois de semanas preso entre aquelas paredes tinha sido suficiente para lembrar ao próprio corpo o que estava faltando, e agora cada músculo parecia exigir mais. O problema era que a Firebolt dele não estava mais no dormitório. Depois de um incidente específico no Homecoming, McGonagall confiscou a sua vassoura por duas semanas e ele só tinha permissão de pegar uma vassoura quando havia treino. Foi assim que ele acabou parado na frente do depósito de equipamentos de Quadribol, iluminado apenas pela luz fraca da própria varinha. A fechadura levou menos tempo para ceder do que esperava, e poucos segundos depois Marcus já saía carregando uma das vassouras de treino da escola apoiada no ombro. Era infinitamente pior do que a dele, pesada, mal balanceada e provavelmente mais velha do que metade dos alunos de Hogwarts, mas continuava sendo uma vassoura. Ele mal tinha conseguido fechar a porta do depósito quando ouviu passos ecoando pelo corredor de pedra. Marcus congelou por um segundo, depois virou a cabeça lentamente na direção do som, ainda segurando a vassoura como se não houvesse absolutamente nada de suspeito naquela cena. “Fala sério, seu timing não podia ser pior...”, falou ele, reposicionando a vassoura no outro ombro. “E não estou roubando nada, só estou pegando emprestado. Eu vou devolver exatamente onde encontrei... provavelmente em menos de uma hora. Além do mais, se alguém perguntar, você não me viu. Acho que é um acordo bastante razoável.”
luna gostava de perambular pelo castelo depois do toque de recolher, não porque era subversiva, apesar de poder-se argumentar que grande parte dos seus atos estavam interligados com pequenas rebeliões, mas simplesmente porque aquele era o momento em que todo o resto silenciava e as verdades verdadeiras ficavam mais fácil de serem ouvidas. muitas vezes não tinha um lugar planejado em mente, só deixava a alma do castelo guiá-la por seus cantos e arestas. aquela noite, contudo, bem como nos últimos dias, tinha só uma coisa na mente de luna: entender exatamente onde estavam. desde que o castelo liberou a saída deles para fora, a lovegood começou a perceber que haviam mudanças essenciais no espaço em que se encontravam. de dia, monitores e professores a impediam de adentrar lugares e, mesmo que a noite também isso fosse verdade, havia menos distrações. estava atrás de ir para fora de uma forma discreta quando encontrou marcus, se surpreendendo pouco pela presença dele, bem como mostrando pouca perturbação diante do comentário e de suas ações. achava engraçado que o flint estava sempre com muita energia e impaciência, como se fosse um corpo errático no meio do caos central do mundo. ❝ — oras, eu nem disse nada. aliás, acho que um acordo pressupõe que existam duas partes. só eu não dizer nada não é exatamente um acordo, é?❞ — questionou, não porque quisesse algo dele, mas pelo bem do argumento. era uma corvina, afinal de contas. ❝ — sua vassoura supostamente é muito melhor do que essa... por que está assaltando o depósito se tem uma firebolt?❞ — questionou, verdadeiramente curiosa com a atitude alheia.
"Por que exatamente temos que falar baixo?" Perguntou em um sussurro arrastado. Obviamente, tinha aceitado o convite de Luna sem fazer muitas perguntas de início, já que Cormac era impulsivo por natureza. Mas agora que estavam ali, a ficha parecia estar caindo. "O que é que viemos encontrar aqui?" Insistiu, acompanhando de perto o olhar distante dela, que apontava diretamente para a entrada escura da Floresta Proibida. Cormac engoliu em seco, sentindo um estalo de preocupação. "Você não está querendo entrar lá, não é?"
luna estava sempre seguindo o rastro de alguma coisa pelo castelo. não era tanto por ser avoada ou sem foco, justamente pelo contrário; encontrava prazer em simplesmente não ter um plano definido e deixar que o dia revelasse alguma descoberta. criaturas mágicas eram intuitivas e profundamente conectadas com a natureza, não tinham pensamentos racionais que atrapalhassem tudo como os seres humanos, de forma que segui-los era sempre atravessar a chance de encontrar alguma coisa, seja lá o que fosse. virou-se para cormac, arqueando as sobrancelhas. ❝ — está com medo, mclaggen?❞ — brincou, não para provocá-lo, mas porque lhe parecia engraçado responder àquilo com a mesma linguagem que ele usaria em outra situação. ❝ — primeiro, precisamos fazer silêncio porque pode... perturbar alguma coisa que não deve ser perturbada. em segundo porque não queremos ser pegos e em terceiro... porque pode nos atrapalhar.❞ — explicou, como se tudo aquilo fosse muito óbvio. depois, virou-se novamente para o local apontado com aquela expressão preocupada. ❝ — não sei se precisamos entrar, mas investigar. minha teoria é que talvez tenhamos sido transportados para outro momento... e se isso for verdade, talvez existam animais que já estão extintos por aqui, ou que seriam muito raros de serem encontrados em 1999. claro que você pode voltar se quiser...❞
James tinha escutado o início da aula com interesse genuíno de quem sempre gostou de Criaturas Mágicas, mas jamais esperava ser surpreendido logo na primeira frase. A ordem para riscar a palavra fez uma sobrancelha dele arquear lentamente antes mesmo de olhar para o cercado. Quando finalmente acompanhou o gesto da professora, precisou piscar duas vezes para ter certeza de que não estava vendo errado. Os cervos-alvores pareciam ainda mais impressionantes ao vivo do que nas ilustrações antigas dos livros, se movendo com uma elegância sobrenatural enquanto exploravam o espaço ao redor. James baixou os olhos para o exemplar que carregava nas mãos, releu rapidamente o trecho onde a espécie era tratada como desaparecida havia séculos e soltou uma pequena risada antes de fechar o livro parcialmente. Esperou os outros alunos começarem a ler outra vez para então se aproximar de Luna. “Professora...”, começou, num tom respeitoso, mas incapaz de esconder a curiosidade estampada no rosto. “Como isso aconteceu? Quer dizer, por que elas estão aqui? Voltamos para o século doze, alguém se enganou ou coisas do passado estão... se infiltrando no nosso presente?”, a sucessão de perguntas surgiu, com a curiosidade de alguém tentando entender as consequências de tudo aquilo do que propriamente com medo. Conhecendo Luna, James tinha a impressão de que ela provavelmente já havia pensado nessa possibilidade muito antes de qualquer um dos alunos.
luna acompanhou a sequência de perguntas de james com um sorriso discreto, era engraçado como via nele um pouco de cada um dos pais. ela voltou os olhos para um dos cervos-alvores, que naquele instante abaixava a cabeça para mordiscar delicadamente alguns brotos próximos à cerca. ❝ — quanto mais eu observo a floresta, mais tenho a impressão de que esse não é exatamente o mesmo terreno que existia aqui há um mês. algumas árvores não existiam antes, certos cursos d'água mudaram de lugar e criaturas que desapareceram há centenas de anos agora se comportam como se nunca tivessem ido embora.❞ — luna voltou a olhar para os cervos por um instante antes de continuar, pensativa. ❝ — repara neles. eles não parecem deslocados, assustados ou confusos. não estão agindo como animais arrancados do próprio tempo. pelo contrário, caminham por essa floresta como se ela fosse exatamente a floresta que conhecem. isso me faz pensar que talvez nós sejamos os visitantes, pelo menos nessa parte do terreno.❞ — sua voz permanecia calma, mas havia um entusiasmo quase infantil escondido entre as palavras. poucas coisas a fascinavam tanto quanto perceber que o mundo ainda era capaz de surpreender até os estudiosos mais experientes. então sorriu novamente para james e balançou levemente a cabeça. ❝ — eu sei que essa resposta provavelmente é frustrante, principalmente porque você gostaria que eu dissesse exatamente o que aconteceu. mas trato das criaturas mágicas ensina uma coisa importante: quando encontramos algo que ninguém jamais observou antes, a pior decisão possível é decidir rápido demais o que ele significa. por enquanto, prefiro fazer perguntas melhores a inventar certezas.❞
Seu trabalho muito diferente do que havia sonhado consistia em inúmeras coisas como responsável por toda a ala hospitalar de Hogwarts. Além de treinar novas enfermeiras e bruxas que gostariam de se dedicar a cuidar dos outros, a patrulha pelo castelo e se manter sempre disponível para o cuidado também fazia parte. Lavender se sentia presa ali. Como se nunca tivesse seguido em frente após o ataque de Fenrir Greyback. Passou alguns anos morando com Jurema sob seus cuidados, mas acabou em Hogwarts, pois era o único local onde estaria protegida de verdade. Sem olhares curiosos, comentários sarcásticos ou até mesmo a reprovação dos pais como se ela tivesse sido estragada. Um produto que eles haviam criado com tanto esforço, e não deu retorno a eles.
As aulas haviam voltado ao normal, e quando notou a Lovegood com seus animais decidiu focar de perto se era seguro. "Você tem certeza que eles estão seguros? Esses animais..." Então olhou para o cervo e seu coração sorriu um pouco com a memória. "Parecia o patrono do Harry. Quando ele nos ensinou na Armada. Acho que nunca vou esquecer de como brilhou pelo salão. Qual era o seu?"
luna desviou a atenção dos cervos-alvores para lavender assim que ouviu a pergunta. bastou um olhar para perceber que ela não estava observando apenas a criatura diante delas; existia alguma lembrança atravessando seus olhos naquele instante. luna acompanhou discretamente o olhar da amiga até o animal, depois voltou a encará-la com um sorriso. ❝ — tenho, sim. pelo menos tão seguros quanto qualquer criatura grande pode ser. eles são muito curiosos, mas não gostam de conflito, então enquanto mantivermos uma distância respeitosa, eles provavelmente vão passar mais tempo nos observando do que fazendo qualquer outra coisa.❞ — respondeu com a serenidade habitual, lançando um olhar rápido para um dos cervos, que permanecia imóvel entre as árvores enquanto as folhas ao redor pareciam quase imitá-lo. a menção ao patrono de harry fez sua expressão suavizar ainda mais. ❝ — parecia mesmo... eu jamais ia poder esquecer aquele dia.❞ — falou simplesmente, com um carinho evidente na forma como falou, porque a armada de dumbledore permanecia sendo uma das lembranças mais importantes da juventude dela. achava que aquela aula de patrono foi uma das primeiras vezes em muito tempo que muita gente ali acreditou que conseguiria enfrentar alguma coisa maior do que si mesma. patronos às vezes lembram as pessoas de que existe luz suficiente dentro delas para ocupar um espaço inteiro. ❝ — uma lebre. sempre achei curioso, porque lebres parecem frágeis quando a gente olha pela primeira vez, mas sobrevivem justamente porque são rápidas, persistentes e prestam atenção em coisas que quase ninguém percebe. eu gosto disso.❞ — comentou enquanto observava uma das pequenas aves pousar brevemente sobre os chifres cobertos de líquens de um cervo-alvor. depois voltou a olhar para lavender. ❝ — e você? eu me lembro de ter visto o seu algumas vezes, mas faz tanto tempo...❞
Farley acompanhou a primeira parte da aula de Luna em silêncio, observando de um ponto mais afastado da floresta enquanto aguardava o momento em que os estudantes se dispersariam. Apesar de não se considerar próxima da bruxa durante a época que dividiram a escola, acreditava que mantinham uma boa relação agora. Gemma, afinal, tornara-se muito mais fácil de lidar depois de mais velha. Provavelmente por ter conseguido se reerguer e sair da sombra de sua família, criando uma carreira fabulosa sozinha. Sentir-se capaz de cuidar de si mesma diminuiu muito seus problemas de confiança. Quando os estudantes se afastaram para fazer a leitura solicitada, Gemma se aproximou da loira. ❝ ⸻ Não foi só criaturas que deixaram de ser extintas. ❞ Farley comentou, indicando que tinha escutado aquela parte da aula. ❝ ⸻ Bom dia, Luna. ❞ Cumprimentou a mulher, antes de fazer um sinal para o pergaminho que tinha em mãos. ❝ ⸻ Depois que comentou sobre as criaturas mágicas na Sala dos Professores, eu fui atrás de fazer alguns testes. Separei uma lista de encantamentos dos séculos doze ao quinze que, por consenso, eram considerados irrecuperáveis, já que deixaram de produzir a magia necessária para sustentá-los e nós os substituímos por versões modernas... Três deles voltaram a funcionar integralmente. ❞ O que era algo muito interessante na visão de uma pessoa tão interessada no trabalho com feitiços raros como era o caso de Farley. ❝ ⸻ Você consegue imaginar a cara dos velhos que passaram os últimos trezentos anos dizendo que isso era impossível? Quase sinto pena deles. Quase. Pois vou me divertir muito quando eu estiver pisando neles. ❞
luna ouviu a voz de gemma e imediatamente desviou a atenção dos cervos-alvores para a antiga sonserina, um sorriso tranquilo surgindo em seu rosto. ❝ — bom dia, gemma.❞ — cumprimentou-a com o mesmo tom sereno de sempre, mas os olhos já demonstravam curiosidade antes mesmo que a outra começasse a explicar o motivo de estar ali. à medida que escutava sobre os encantamentos antigos, seu sorriso foi aumentando devagar. era fascinante a ideia de que não apenas criaturas e pedaços da floresta tinham reaparecido, mas que a própria magia parecia estar se lembrando de formas antigas de existir. por um instante, luna lançou um olhar para além do cercado. ❝ — isso faz muito sentido... quer dizer, a magia também pertence aos lugares. às vezes nós falamos dela como se fosse uma ferramenta, mas ela também é uma espécie de ambiente. talvez alguns desses feitiços nunca tenham deixado de funcionar... talvez só tenham deixado de ter o mundo de que precisavam para continuar existindo.❞ — comentou pensativa, claramente encantada com a possibilidade. aquilo lhe parecia muito menos uma quebra das regras da magia do que uma confirmação de que elas eram maiores do que imaginavam. ela voltou os olhos para um dos cervos, que permanecia imóvel entre as árvores enquanto pequenos fragmentos de luz atravessavam os líquens dos chifres, e então sorriu outra vez. a observação final de gemma arrancou uma risada baixa de luna, que balançou a cabeça em divertida concordância. ❝ — eu confesso que não compartilho do entusiasmo pela parte de pisar neles... mas gostaria muito de assistir à conversa. deve ser uma experiência extraordinária passar trezentos anos defendendo uma certeza absoluta para descobrir, numa única manhã, que o universo simplesmente resolveu discordar de você. acho que é uma das poucas vantagens de conviver tanto tempo com criaturas mágicas porque elas nos obrigam a aceitar, repetidamente, que o mundo sempre sabe guardar mais segredos.❞
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Um dos motivos pelos quais Harry se sentia tão confortável quanto as circunstâncias permitiam era a presença dos amigos. De fato, ajudava muito ter com quem conversar sobre assuntos que jamais abordaria com seus alunos ou qualquer outra pessoa que não o entendesse da mesma maneira. Exibia um sorriso amplo ao dar passagem para a amiga adentrar seu escritório. Indicou o sofá para que se acomodassem e aceitou a xícara. "Como sabia que precisava exatamente disso agora?" Perguntou, fingindo surpresa. Luna tinha um histórico impecável de parecer saber exatamente do que precisava, então não era nenhuma novidade. Deu um gole no chá e suspirou, sentindo o calor do mel e da canela preencher seu peito. "Acho que ficaremos bem se ninguém descobrir que somos dois velhos fofoqueiros." Comentou em tom bem humorado, mas logo estreitou os olhos de leve. "Mas, por que exatamente preciso manter o bom humor? Devo ficar preocupado?"
o sorriso se alargou diante do comentário do amigo. ❝ — ora, desenvolvi a habilidade de uma certa legilimência nesses últimos anos. na verdade, observar tantas criaturas mágicas e, ao mesmo tempo, tantos adolescentes, me deixou um pouco clarividente. isso e o fato de te conhecer há quase trinta anos também pode ter ajudado...❞ — comentou, enquanto o observava bebericar o chá com certa satisfação, fazendo o mesmo com o seu. de qualquer forma, eram britânicos, e mesmo que não existisse motivo visível para tal, tomar um chá era sempre uma boa pedida. depois, diante do questionamento, ela ajeitou a postura. ❝ — sabe, umas semanas atrás tive uma conversa muito interessante com lysander. ele veio até mim me perguntando sobre como me apaixonei, sobre como foi a coisa toda... e depois, olha só que surpresa, a lily também veio até mim com o mesmo papo, me perguntando como foi que você e ginny começaram a sair, quais eram os limites de pessoas que eram amigas há tanto tempo e compartilhavam pessoas em comum. pode ser só coincidência, claro... mas achei curioso.❞ — na verdade, luna sabia um pouco mais que isso, mas ela não ia entregar completamente suas suspeitas e confirmações. ela precisava testar como harry ia reagir àquilo primeiro, e também não queria violar a confidência do filho e da afilhada. de qualquer forma, harry era um de seus melhores amigos há tantos anos que compartilhar aquelas coisas, especialmete se diziam respeito aos seus filhos, lhe parecia simplesmente natural.
O cenho de Rose parecia franzir um pouco mais a cada linha que lia, os olhos alternando, repetidas vezes, entre a ilustração do livro e o animal que estava a poucos metros a frente. Era uma sensação estranha. Extinto significava extinto e, no entanto, ali estava ele. "Professora Lovegood," ela chamou baixo, tomando cuidado para respeitar o silêncio que os cervos pareciam inspirar. "talvez não seja pertinente esse tipo de questionamento visto o objetivo da aula mas... ele pode ter voltado agora graças a convergência?" Rose ergueu os olhos para Luna, havia fascínio neles, era perceptível, mas também preocupação. Um lampejo rápido de uma promessa feita a si mesma alguns dias atrás invadiu sua mente: não pense mais em teorias. Ela pigarreou, balançando a cabeça em negativo minimamente. "Desculpe, não era exatamente isso que gostaria de perguntar," seu olhar desviou para a mata ao redor e depois de volta a página aberta em suas mãos. "o livro diz que os esporos liberados pelos líquens fortalecem a floresta e ajudam na manutenção de plantas mágicas antigas," Rose fez uma pequena pausa, organizando a própria linha de raciocínio. "acha que esses poros talvez possam restaurar espécies de vegetais que também foram extintas?"
luna acompanhou a pergunta de rose com um interesse visível, como sempre fazia quando um aluno demonstrava curiosidade genuína. antes mesmo de responder, voltou o olhar para um dos cervos-alvores, que permanecia imóvel próximo à linha das árvores. por alguns segundos, ele quase desapareceu entre os troncos claros e a vegetação, como se a própria floresta respirasse junto dele. só então ela tornou a olhar para a aluna, sorrindo discretamente. ❝ — eu acho uma hipótese muito bonita, mas ecossistemas raramente dependem de um único ser vivo, funcionam muito mais como uma conversa enorme entre centenas de espécies diferentes.❞ — luna caminhou alguns passos lentamente pelo cercado enquanto falava, sem nunca elevar demais a voz, justamente para não perturbar os animais. ❝ — se os registros antigos estiverem corretos, os líquens que crescem nos chifres dos cervos-alvores carregam esporos que favorecem o desenvolvimento de algumas plantas mágicas muito específicas. isso não significa que uma flor desaparecida vá simplesmente brotar amanhã porque eles voltaram a existir... mas significa que relações ecológicas interrompidas há muitos séculos talvez possam começar a acontecer outra vez. e isso, por si só, já é extraordinário.❞ — havia um entusiasmo sereno em sua voz, aquele tipo de alegria que surgia quando falava sobre criaturas mágicas e esquecia completamente que estava dando uma aula. ela lançou um olhar breve para a floresta atrás do cercado antes de voltar aos alunos. ❝ — acho que é por isso que estudar as criaturas mágicas vai ser importante agora. porque os cervo-alvores podem tanto ter sido transportados para a convergência quanto... quanto nós transportados até eles. então, senhorita weasley, teoricamente eu acredito que exista uma possibilidade muito real de estarmos assistindo ao primeiro capítulo da recuperação de um mundo que todos os nossos livros tinham absoluta certeza de que havia desaparecido para sempre. só não sei como exatamente ainda e, pessoalmente, acho muito gentil da natureza nos lembrar, de vez em quando, que ela costuma guardar alguns segredos melhor do que nós.❞