clubes: armada de dumbledore, clube de artes mágicas, f.a.l.e, sociedade de estudo de criaturas mágicas e jornal da escola.
bio completa ☾ pinterest ☾ extras ☾ conexões desejadas
bio:
☾ luna lovegood nasceu em uma manhã fria de fevereiro na pequena vila de ottery st. catchpole.
☾ a casa dos lovegood sempre foi um lugar um pouco diferente. pilhas de revistas, objetos estranhos trazidos de viagens e artefatos mágicos curiosos ocupavam praticamente todos os cantos.
☾ ela é filha única de xenophilius lovegood, editor da excêntrica revista "o pasquim", e de pandora lovegood, uma bruxa inventiva e curiosa, conhecida por experimentar feitiços pouco convencionais.
☾ quando luna tinha nove anos, um dos experimentos da mãe terminou de maneira trágica. o feitiço deu errado e pandora morreu em um acidente mágico dentro da própria casa. após isso, luna e o pai tornaram-se ainda mais próximos.
☾ em hogwarts, rapidamente ficou claro que ela não se encaixava perfeitamente nas expectativas sociais da escola. o fato de não fazer esforços para se encaixar a deixou em um estado de parcial isolamento nos primeiros anos. contudo, com o tempo, muitos estudantes percebem que conversar com ela pode ser inesperadamente interessante, porque ela observa coisas que outros ignoram, faz perguntas pouco convencionais e costuma oferecer perspectivas completamente novas sobre problemas aparentemente simples.
☾ um ponto de virada foi a participação na armada de dumbledore e o episódio no ministério da magia em seu quarto ano, que a mostrou como é importante o senso de comunidade e grupo. tendo vivido só com o pai por tantos anos e sendo uma garota relativamente independente e livre, costumava levar a vida com solitude. ao perceber aquele mundo mudando, os perigos reais mesmo dentro de hogwarts, ela aprendeu a olhar para o todo e abriu sua mente em relação à importância de outras pessoas e o senso de lealdade e amizade.
extras:
gostos: criaturas mágicas, caminhadas, florestas, herbologia, astronomia, silêncio confortável, jardim de hogwarts, objetos antigos ou misteriosos, conversas profundas e inesperadas, céu noturno, música suave ou etérea, chá de ervas.
desgostos: arrogância intelectual, pessoas que ridicularizam curiosidade ou imaginação, barulho excessivo, hierarquias sociais, pessoas que falam sem escutar, ambientes muito controlados ou burocráticos, magia usada apenas para exibição, espaços pequenos, preconceitos.
hobbies: pintura mágica, estudar criaturas mágicas, escrever, colecionar objetos curiosos que encontra pelo castelo, colecionar penas de diferentes criaturas mágicas, ouvir conversas alheias em lugares públicos só para entender comportamentos humanos, manter um diário de sonhos, jogar e estudar cartas de tarot, estudar mitologias bruxas e trouxas.
patrono: lebre.
bicho-papão: reprodução do dia da morte da mãe (o corpo, os objetos destruídos, os livros queimando, o laboratório destroçado, o cheiro).
astrologia: sol em aquário, ascendente em peixes, lua em gêmeos & vênus em aquário.
quirks: costuma responder perguntas com outra pergunta; fala de observações estranhas como se fossem óbvias; olha para o céu ou para o ambiente enquanto pensa; tem o hábito de desaparecer silenciosamente de conversas; costuma tocar objetos curiosos para “sentir a magia” deles; raramente demonstra pressa; mantém um pequeno caderno onde anota pensamentos aleatórios.
futuro: em 2026, luna volta à hogwarts como professora de trato das criaturas mágicas, antigo cargo de hagrid, o qual ela toma com muito orgulho. ela virou uma magizoologista de grande renome, ao lado do seu marido rolf scamander. ela também é mãe dos gêmeos lorcan e lysander, que também estudam em hogwarts nessa época.
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quem: luna & @pcsterboy
onde: torre de astronomia
quando: 21 de setembro de 2026, noite
as noites de luna não eram mais suas desde que chegou em hogwarts. ela não tinha aquela sensação de esgotamento e de não conseguir pregar o olho de preocupação desde que lysander e lorcan eram bebês. o estresse sobre o que estava acontecendo com aquele gigante castelo era comparável, quiçá pior; mesmo quando ela não precisava ajudar os outros professores e monitores a patrulhar o castelo, luna percebeu que não conseguia dormir direito. e sempre que isso acontecia, ela gostava de ir para lugares silenciosos e, principalmente, olhar as estrelas. quando era estudante, a torre de astronomia era figurinha carimbada, por isso não foi surpresa se pegar fazendo o caminho até lá no meio da noite. de certa forma, estava ansiosa para ver aquele céu estrelado lindo que sempre aparecia por lá, mas seus planos mentais foram interrompidos pela constatação de não ser a única pessoa na torre. logo ali ela identificou sem problemas viktor krum. com um meio sorriso, alcançou-o e pôs-se ao seu lado. ❝ — acabei de ter um déjà-vu...❞ — cumprimentou, o olhar voltando para ele de forma divertida. quantas vezes luna tinha presenciado essa cena? quantas vezes tinha importunado viktor, na sua metafórica torre de silêncio e reserva? incontáveis vezes. ❝ — quão sortudo você precisa ser para vir dar um curso rápido e acabar preso aqui indefinidamente, huh? o bom filho à casa torna, não é isso que dizem? o destino só foi meio sacana com o timing. admita que você não acreditou naquela leitura de folha de chá que fiz pra você aquela vez, que disse que você ia ficar preso em algum lugar... mas olha aí o resultado.❞ — ela apontou de forma abstrata para o espaço, indicando os outros dois castelos ao fundo. claro, não estava falando sério, apenas brincando com a situação para quebrar o gelo. além do mais, ela tinha aquele traço de personalidade peculiar de tratar pessoas com as quais não falava ou via há muito tempo como se tivessem se visto ou falado constantemente nos últimos anos. era o seu espírito naturalmente hospitaleiro, uma bênção ou uma maldição a depender do interlocutor.
Direcionou um sorrisinho culpado na direção de Luna, pedindo desculpas com o olhar. Não tinha errado de propósito, só nunca tinha entendido muito bem o que eles eram, mesmo. “Depois você me explica” concordou, mas só porque realmente tinham um assunto mais urgente no momento. A mente de Parvati era inquieta demais para prestar atenção em uma coisa só de cada vez, e quando se tratava da Lovegood, era consideravelmente mais difícil entender o seu raciocínio se não estivesse completamente voltada para ela. Às vezes tinha a mesma sensação com Padma... talvez fosse coisa de gente inteligente demais. De início, franziu o cenho com a comparação do rio, mas à medida que explicou, Patil assentiu rapidamente. “Isso! Exatamente tipo isso. Só que eu acho que além de terem mudado o curso de um rio, ainda mudaram o curso de outros dois e enfiaram tudo no mesmo lugar” tentou explicar, gesticulando dramaticamente o momento da "colisão" dos três rios. “E aí nenhum tá funcionando mais do jeito que deveria. Do jeito que foi previsto.” Era uma ótima comparação, ela tinha que admitir. A amiga era muito boa naquilo. “Enfim. Estou prestes a tentar umas coisas diferentes. Não dá pra falar muito sobre agora...” sussurrou, referindo-se ao "projeto" que tinha com a professora Trelawney. Confiava em Luna, mas havia levado muito a sério o pedido da docente. “Mas te conto se der certo.”
A resposta dela depois do seu drama fez com que soltasse um risinho de imediato, mas não sem dar uma cotovelada leve em retaliação. “Ha, ha.” imitou uma risada, o que não era tão efetivo depois que havia rido de verdade. “Eu espero que não, sinceramente. Já tem doido demais nessa escola.” Sabia que por mais que comentassem aquele tipo de coisa sobre Luna pela escola, ela saberia que Parvati não se referia a ela. Ao menos não agora, que já eram consideravelmente próximas. “Vem cá, você não acha que Harry devia voltar com a Armada esse ano, não?” perguntou baixinho, mudando consideravelmente o curso do assunto. “Sei lá, a gente deveria se preparar melhor, sabe. Pra o que quer que possa vir aí.”
luna observou a encenação dramática dos três rios colidindo como se parvati estivesse demonstrando uma teoria avançada de aritmancia em vez de gesticular descontroladamente no meio da aula. ❝ — eu acho que essa é uma descrição melhor do que a minha. um rio ainda pressupõe uma direção, mas três rios tentando ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo parece muito mais próximo do que está acontecendo.❞ — assentiu luna em concordância. inclusive, aquilo explicava a sensação estranha que vinha acompanhando todas as leituras desde o início do ano. não parecia que o futuro havia desaparecido, parecia apenas que existiam futuros demais tentando existir simultaneamente. os olhos dela se estreitaram quando parvati mencionou que estava tentando coisas diferentes, a curiosidade surgiu imediatamente, mas luna sabia perceber quando alguém estava guardando uma informação porque precisava guardá-la. ❝ — tudo bem, eu vou fingir que não estou curiosa, mas se der certo, quero estar entre as primeiras pessoas a saber. considere isso um investimento da minha parte.❞ — respondeu divertida e piscando para a amiga. então recebeu a cotovelada com uma risadinha baixa, sem sequer tentar se defender da acusação. a pergunta seguinte fez o semblante de luna ficar mais sério enquanto considerava a possibildiade. ❝ — eu acho sim, inclusive já disse tanto para a ginny quanto para a hermione que essa seria uma boa ideia.❞ — admitiu, mas ainda não tinha concluído a sua linha de raciocínio. os dedos giraram distraidamente a xícara entre as mãos, depois adicionou: ❝ — quando criamos a armada, existia um inimigo com cara e nome. agora não temos nem certeza do que, quando e nem o motivo... e é muito difícil lutar contra ideias abstratas. mas eu entendo o que você quer dizer. talvez seja bom só sobre lembrar as pessoas de que elas não estão sozinhas nisso tudo.❞ — eu adoraria lembrar disso, completou a frase mentalmente, um sorriso doce surgindo nos lábios. luna então lançou um olhar rápido para a professora trelawney à frente da sala antes de voltar a atenção para a amiga. ❝ — além disso, se alguma coisa muito terrível resolver acontecer, eu prefiro estar do mesmo lado que harry potter. as estatísticas dele continuam sendo estranhamente impressionantes.❞
Uma risada baixa escapou dele antes mesmo que pudesse evitar. “ protagonista trágico de expedições perigosas é uma acusação surpreendentemente. ” comentou enquanto olhava rapidamente para a pena dourada ainda presa na manga do uniforme. O toque rápido dela ao afastar a pena do seu cabelo pareceu pegá-lo desprevenido por um instante. Não o suficiente para transformar aquilo em um momento estranho, apenas o bastante para interromper a linha de raciocínio que tinha antes. Os olhos acompanharam a pena escapar novamente para o ar antes dele voltar a atenção para Luna. “ embora eu admita que o universo esteja fazendo um esforço considerável, primeiro a tinta, depois as penas, nesse ritmo eu vou acabar parecendo uma instalação artística ambulante até o final da semana. ” A menção à caixa arrancou outro sorriso dele. “ eu continuo sustentando que ela tinha intenções hostis desde o início. ” então abaixou-se para recolher uma das penas que havia pousado perto dos frascos espalhados pelo chão, girando-a distraidamente entre os dedos. A pena dourada foi colocada cuidadosamente de volta dentro de uma das caixas sobreviventes antes dele se levantar novamente. O olhar passou pelo corredor ainda coberto de tinta, penas flutuando e materiais espalhados, avaliando o cenário como se estivesse diante das consequências de uma pequena catástrofe. “ embora eu ache que agora temos um problema maior, porque se algum monitor aparecer antes da gente terminar de limpar isso, existe uma chance real de acreditarem que tentamos reinventar arte moderna em Hogwarts. ” O humor voltou ao tom da voz enquanto inclinava levemente a cabeça na direção dela. “ e, não tenho certeza se conseguiríamos nos defender dessa acusação. ”
luna levou uma das mãos ao peito numa expressão de ofensa teatral ao ouvir a palavra acusação. ❝ — eu não estava acusando você, estava observando um fenômeno. são coisas completamente diferentes! além disso, se você acha que não tem cara de protagonista de expedição perigosa, então claramente nunca se viu através dos olhos de outra pessoa. o que eu entendo, passamos tanto tempo dentro de nós mesmos e esquecemos que as pessoas têm outras visões de nós.❞ — o sorriso continuava presente enquanto ela recolhia mais alguns pergaminhos espalhados pelo chão. a verdade era que ela nem tinha pensado muito antes de dizer aquilo, simplesmente parecia uma observação certa a ser feita em relação à ele, da mesma forma que algumas pessoas pareciam nascer com cara de jogadores de quadribol, professores ou exploradores. a ideia de rolf se transformando progressivamente numa instalação artística ambulante, entretanto, arrancou dela outra risada. ❝ — talvez devêssemos deixar o processo terminar antes de julgar, mas... o conceito ainda precisa de refinamento. neste momento está mais para acidente do que para movimento artístico. e tudo bem, eu acho, algumas obras de artes incríveis nasceram de um acidente puro. tem até um movimento inteiro baseado nisso, sabia?❞ — seu hábito era tagarelar enquanto a outra pessoa lhe desse corda, e rolf não parecia tão próximo de interrompê-la. então acompanhou o olhar dele para o estado geral do corredor e finalmente pareceu considerar a possibilidade de que aquilo realmente fosse um problema. só um pouco. ❝ — hm, você tem razão. mas se formos interrogados, eu estou perfeitamente disposta a testemunhar que você foi um cidadão exemplar durante todo o incidente. na verdade, você provavelmente deveria testemunhar contra mim. suas chances de absolvição seriam maiores.❞
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Os passos diminuíram automaticamente quando percebeu o que Luna estava fazendo. O olhar passou pelas folhas espalhadas na grama, pelas manchas de tinta nos dedos dela e, finalmente, pelo caderno. Rolf permaneceu em silêncio por alguns segundos enquanto analisava o desenho, não com a expressão de quem tentava decidir se estava bonito, mas com a de quem genuinamente tentava entender o que ela tinha conseguido captar ali. “ Relevante e levemente enlouquecedor não são opções mutuamente exclusivas. ” respondeu por fim enquanto se aproximava o suficiente para conseguir observar melhor as páginas. Então apontou discretamente para uma das linhas do desenho. “ Mas isso aqui, eu acho que você conseguiu reproduzir exatamente a parte estranha. ” Os braços cruzaram de maneira relaxada enquanto ele voltava os olhos para a água escura do lago. “ Todo mundo continua descrevendo os castelos como versões diferentes de Hogwarts, mas não parece só isso. ” Comentou. Então voltou a olhar para o desenho outra vez. “ Eu não acho que você esteja enlouquecendo, acho que você só percebe coisas que a maioria das pessoas tenta simplificar rápido demais pra não precisar pensar sobre elas. ” O vento passou outra vez pela margem do lago, fazendo algumas das folhas soltas perto dela se moverem levemente pela grama úmida. O olhar dele acompanhou as ondulações escuras na água por um instante antes de voltar para Luna. “ Embora eu admita que desenhar uma distorção temporal sentada perigosamente perto do Lago Negro talvez não seja exatamente um comportamento tranquilizador. ”
luna observou o ponto do desenho que rolf indicou e pareceu satisfeita. não tinha feito um desenho particularmente bom, mas ele tinha entendido o que ela estava tentando registrar, e isso era o suficiente. ❝ — é exatamente isso. é como quando você olha para uma criatura através da água. ela continua sendo a mesma criatura, mas a imagem chega até você distorcida. só que aqui eu não consigo decidir se os castelos são a imagem ou a água.❞ — admitiu de forma críptica. luna não se sentia realmente desesperada como o resto do castelo por respostas, mas gostava de compreender as coisas e aquela situação parecia escapar de qualquer tentativa de organização, mesmo a intuitiva. luna então fechou parcialmente o caderno sobre o colo e voltou a olhar para o lago. o vento voltou a mover algumas das folhas espalhadas pela grama, e ela precisou segurar uma delas antes que fosse parar na água. a observação sobre o lago negro lhe arrancou um sorriso. ❝ — isso é justo, mas, em minha defesa, eu estou sentada perto do lago negro desde o primeiro ano e, até agora, a maioria das consequências foi administrável.❞ — respondeu de bom humor, mas logo sua atenção retornou para o horizonte, para o reflexo fragmentado dos castelos sobre a superfície escura da água. por alguns segundos permaneceu em silêncio, observando as ondulações se desfazerem. ❝ — é engraçado pensar em como as coisas mudaram em tão pouco tempo.❞
Não seria exagero dizer que Oliver poderia ouvir Luna falar por horas sem sequer perceber o tempo passar. Ela parecia traduzir em palavras todo o caos que ele carregava no peito havia semanas e, pela primeira vez em muito tempo, Wood sentia que podia simplesmente parar de lutar contra os próprios pensamentos por alguns minutos. Era visível que a escutava com atenção genuína. O olhar permanecia fixo nela, mas sem a intensidade inquieta de antes do início da conversa; agora havia apenas uma concentração absoluta, assimilando cada palavra com o mesmo cuidado que Luna parecia demonstrar ao lidar com as preocupações dele. Wood estava verdadeiramente tocado. Sua gratidão era perceptível no olhar.
O sorriso que surgiu em resposta era pequeno, mas era sincero e desprovido das inúmeras defesas que erguia sempre que precisava mostrar-se um pouco mais vulnerável aos outros. "Você está certa. É estranho aprender a ouvir o resto das coisas depois de passar tanto tempo escutando uma coisa só." Wood estava genuinamente impressionado com a naturalidade que as palavras proferidas por Luna o balançaram. Ao relaxar as costas contra a cadeira, Oliver percebeu que parte da tensão em seus ombros havia simplesmente desaparecido durante a conversa. Os dedos antes inquietos tamborilavam devagar contra a madeira do banco em que estava sentado, num ritmo muito mais calmo do que antes. "Se quer saber a minha opinião, acho que você daria uma psicóloga excelente, Luna."
A mandíbula tensionou-se de leve antes dele revoltar a falar, agora num tom mais baixo e honesto. Os olhos recaíram brevemente sobre as próprias mãos. "Passei tanto tempo tentando parecer no controle que agora nem sei direito como admitir quando não estou. Ao que tudo indica, tenho algum trabalho para fazer em relação a isso." Oliver respirou fundo, estava finalmente aceitando dizer algo que normalmente engoliria em silêncio em outros momentos. "Acho que vou levar um tempo para aprender a depender mais dos outros, mas… obrigado por me dar esse empurrãozinho. Eu realmente não queria te aborrecer com meus parafusos a menos, me desculpa." O olhar voltou para Luna com uma suavidade rara. "Se algum dia precisar desabafar, sumir por algumas horas ou só de alguém para escutar você falar… eu estou aqui." Ele não era o melhor em agradecer, mas fizera questão de que ela soubesse que poderia contar com ele, caso precisasse.
o comentário sobre ela ser uma boa psicóloga arrancou uma risada tão espontânea que ela precisou baixar o olhar por um instante. existiam muitas coisas que já haviam lhe chamado ao longo dos anos — excêntrica, distraída, esquisita, até profética —, mas psicóloga era definitivamente uma novidade. ❝ — isso é porque você nunca me viu tentando aconselhar pessoas no campo amoroso. normalmente termina comigo falando sobre criaturas invisíveis e a outra pessoa ficando mais confusa do que estava no começo.❞ — admitiu com um sorriso divertido. ainda assim, percebeu que oliver parecia mais leve agora do que quando a conversa tinha começado. às vezes falar dos problemas já diminuía um pouco o peso. ❝ — eu não acho que você passou esse tempo todo tentando parecer no controle porque queria enganar alguém. acho que você simplesmente se acostumou a ser a pessoa que mantinha as coisas funcionando, é diferente, mas ninguém consegue fazer isso o tempo inteiro.❞ — o comentário foi feito com a mesma sinceridade com que ela comentaria sobre o clima ou sobre uma espécie rara de criatura mágica. quando oliver agradeceu, contudo, o sorriso dela suavizou um pouco mais. ❝ — você não me aborreceu. na verdade, foi uma conversa muito melhor do que uma entrevista sobre quadribol ou sobre teorias temporais. é, o jornal de hogwarts não anda tão criativo ultimamente...❞ — por fim, deixou os olhos voltarem por um instante para a janela, para o céu além do vidro e para tudo aquilo que estava muito longe dali, antes de sorrir novamente. ❝ — eu acho que você vai ficar bem, oliver. talvez não imediatamente e talvez não da forma que imaginou quando tinha onze anos. mas ainda assim.❞ — dessa vez não parecia uma previsão. apenas uma observação tranquila de alguém que acreditava nisso.
Finalmente não era só com ela. Havia passado dias e dias tentando tirar as cartas e somente as mesmas cartas apareciam. Até havia pedido para Parvati que a ajudassem, mas aparentemente, não eram só elas. Professora Sybill poderia explicar melhor, mas estava tão ocupada com a cabeça nas nuvens que nem ao menos havia conseguido ir até a professora favorita. Estava tão focada em ter finalmente conseguido avançar um pouco seu sonho de falar e até mesmo ter beijado Ron Weasley que até mesmo o caos do castelo foi acabar ficando em segundo lugar e havia se esquecido da questão das cartas.
A última vez que havia tentado, Pansy, havia aparecido e acabou fazendo mais uma leitura sobre ela do que sobre o que estava acontecendo que era sua maior preocupação. "Comigo aconteceu a mesma coisa. Só consigo tirar a Roda da Fortuna e de cabeça para baixo. O que não é nem um pouco um bom sinal." Confessou para ela, e mesmo tentando várias vezes, a carta continuava aparecer ali. "Qual é a sua que fica sempre aparecendo?"
os olhos de luna se ergueram imediatamente para lavender quando ouviu a confirmação, algo dentro deles se acendendo. por um instante, o alívio foi visível, significava que ela não estava enlouquecendo sozinha. ❝ — então não sou só eu!❞ — e voltou a olhar para as cartas espalhadas sobre a mesa, os dedos deslizando pela carta da roda da fortuna. aquilo já estava começando a parecer uma provocação pessoal. ❝ — a minha também. não sempre invertida, mas sempre presente. às vezes ela aparece no começo da leitura, às vezes no final. uma vez ela literalmente caiu do baralho antes de eu terminar de embaralhar. eu já tentei perguntar sobre os castelos, sobre a barreira, sobre as pessoas que apareceram aqui, sobre o futuro, sobre o passado... até perguntei se devia parar de fazer perguntas. a resposta continuou sendo a roda da fortuna.❞ — havia algo quase cômico naquilo quando colocado daquela forma, mas a verdade era que aquilo a incomodava mais do que gostaria, logo ela que aceitava os sinais do universo com mais facilidade do que os outros. ❝ — sabe o que eu acho estranho? a roda da fortuna normalmente fala sobre mudança, ciclos, movimento, destino... mas ela costuma vir acompanhada de outras coisas que ajudam a explicar para onde a roda está girando. agora parece que ela só fica repetindo a mesma coisa, como se estivesse dizendo que tudo está mudando sem conseguir explicar o que está mudando. ou como se nem as cartas conseguissem enxergar além disso.❞ — aquilo era uma das possibilidades que mais a preocupavam. então ergueu os olhos para lavender outra vez. ❝ — talvez a professora trelawney esteja certa e o universo realmente esteja tão confuso quanto nós. seria a primeira vez que vejo as cartas parecerem tão perdidas sobre o próprio destino.❞
Lucky já tinha enraizado em sua mente que Luna era sua responsabilidade. Era o mesmo senso de responsabilidade que sentia por sua irmã caçula. Aquela necessidade de zelar por ela, exatamente porque gostava muito de Lovegood. E por odiar com enorme veemência a maneira como uns e outros naquele castelo falavam dela. Assim, ele estava sempre por perto. Algumas vezes de maneira mais discreta do que naquela noite, apenas 'mantendo um olho' nela, mesmo à distância. Fawley tinha as mãos nos bolsos frontais da calça enquanto andava alguns passos atrás dela, curioso com o destino daquela noite, quando foi descoberto. "E deixou alguém te seguir por todo esse tempo sem falar nada?" Dramatizou a própria preocupação, erguendo as sobrancelhas em um falso choque. Acompanhou o olhar dela até a janela e suspirou, entendendo o plano. "Então acho que pode se beneficiar de uma visita guiada de um Monitor autorizado, não é?"
❝ — adoro ver um homem crescido correr atrás de mim!❞ — brincou com o amigo, piscando, mas soltando uma risada depois, para que ficasse claro que era uma piada. ❝ — na verdade, achei que você uma hora ou outra ia se revelar. parte minha fica até meio triste de ter aparecido, fico agora um pouco curiosa pra saber o que você ia fazer... outra parte quasse decidiu também fazer algo muito estranho e ver como você ia reagir, mas... mas não quis ser cruel com você, quando sei que você está só sendo você mesmo. obrigada, inclusive.❞ — sorriu agora com doçura. luna não tinha irmãos, nem primos e muito menos familiares muito próximos; durante a maior parte da sua vida, tinha vivido apenas com o pai. era natural que, por isso, tivesse uma personalidade um pouco solitária. foi só em hogwarts que ressignificou essa parte da vida e aprendeu a genuinamente se importar e deixar os outros se importarem com ela. era uma das suas coisas preferidas quando envolviam seres humanos. ❝ — eu não tenho apreço particular por monitores, lucky... mas adoraria ter a companhia do meu amigo querido. e se calha de ele ser autorizado a transitar por aí, é apenas um bônus. vem...❞ — disse, estendendo uma das mãos para ele e entrelaçando ambos os braços deles enquanto andavam. assim, virou-se para o amigo ainda em movimento. ❝ — você já foi lá? quer dizer, sei que draco foi quem encontrou a menina... seja lá quem fosse. mas deixaram vocês se aproximarem mais?❞ — perguntou, genuinamente curiosa sobre o protocolo que foi aplicado na situação.
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where: sala de aula de poções.
O retorno de Aaravi a Hogwarts tinha motivos específicos e nada relacionados com poções, sim, mas ela tinha que admitir que estar naquele cargo era muito satisfatório. Costumava se dedicar ao máximo para receber elogios do professor Slughorn, e hoje em dia era nada menos que sua colega de trabalho, alguém considerado tão eficiente quanto ele para lecionar. A coisa só se tornava ainda mais positiva quando parava para pensar que havia tomado o velho cargo de Snape... embora soubesse bem que Defesa Contra as Artes das Trevas sempre havia sido seu objetivo principal. “Muito bem. Abram seus livros na página vinte e oito.” direcionava-se à turma toda, acenando com a varinha para revelar as instruções na lousa. “Estudamos as propriedades da poção do encolhimento no final da aula passada, hoje vamos executá-la. Peço atenção máxima, por favor. Esse não é um ingrediente de fácil obtenção, então o tratem com dignidade e sem desperdício.” fez mais um floreio no ar e direcionou aos estudantes frascos com o ingrediente principal daquela preparação: penas de occamy. Na ausência de contato com o exterior, teve que extraí-las de si mesma em sua forma bestial quando viu que o estoque escolar estava quase no fim. Aquilo seria um problema, pensou, mas ao menos um problema dela e de Slughorn, e não dela sozinha. Por causa desse improviso, as penas distribuídas possuíam uma cor vermelho-sangue, e não azul-esverdeadas como os alunos estavam acostumados, mas aquilo podia ser explicado de forma sucinta aos alunos menos curiosos. Na realidade, ela duvidava que a maioria ali sequer notaria a diferença. “Aqui está o seu, senhorita Lovegood.” entregou o de Luna pessoalmente, já que ela se encontrava na bancada mais próxima de si, e lhe deu um sorriso encorajador.
luna já estava com o livro aberto na página indicada antes mesmo das instruções terminarem de aparecer na lousa. poções não era exatamente sua matéria favorita — dificilmente competiria com trato das criaturas mágicas, astronomia ou adivinhação —, mas gostava de observar ingredientes raros interagindo entre si, especialmente quando esses ingredientes vinham de criaturas mágicas. por isso seus olhos imediatamente se fixaram nas penas assim que elas começaram a ser distribuídas pela sala. ou melhor, na cor delas. luna aceitou o frasco das mãos da professora aaravi com um sorriso; não gostava muito do professor snape, que lecionou a matéria anteriormente, e slughorn não era tão melhor, na sua opinião, mas a professora manik tinha chamado sua atenção por sua quietude misteriosa, o tipo preferido de observar na opinião de luna. quando retornou o olhar para o objeto entregue, a pena vermelha girou lentamente dentro do vidro. então ergueu os olhos para a professora. ❝ — eu nunca tinha visto penas de occamy dessa cor antes. normalmente elas são mais azul esverdeadas, não são? elas parecem mais bonitas assim. um pouco mais temperamentais também.❞ — a curiosidade na voz dela era completamente genuína. não havia desconfiança nem tentativa de questionar a autoridade da professora, luna simplesmente gostava de criaturas mágicas demais para não notar uma diferença daquelas. ❝ — professora manik, a senhora por acaso já viu algum occamy na vida real? eu não, mas gostaria muito... eles são extremamente raros hoje em dia, aqui em hogwarts dizem que o professor kettleburn já os trouxe para uma aula experimental, mas isso foi nos anos 70... eu adoraria ter sido aluna dele!❞ — exclamou animada. sua pergunta não continha nem desafio, nem julgamento na fala, apenas pura fascinação de uma mulher que, apesar de ter amadurecido e crescido em muitos pontos, ainda possuía os mesmos amores.
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Os olhos azuis ficaram presos em algum ponto qualquer da sala enquanto o toque suave da mão da mais velha afastando a mecha do seu cabelo. Era estranho ouvir a mãe falar daquele jeito sobre heroísmo. Porque ele tinha passado a vida inteira acreditando justamente no contrário. Crescer rodeado por lendas de guerra, tendo os próprios pais e tios como exemplos intocáveis, sempre o fez querer ser alguém inquestionavelmente bom, mas havia momentos em que a raiva turvava tudo e pensamentos sombrios invadiam a sua cabeça, atitudes que definitivamente não combinavam com a cartilha de uma pessoa decente. Ele repudiava essa escuridão repentina e o jeito como ela se projetou tão fácil no Malfoy. Posso ainda não fazer a menor ideia de quem eu serei no futuro, mas eu tenho certeza absoluta de que não quero ser o cara cruel, ele pensou, sentindo um alívio imenso lavar o seu peito quando ela mencionou que a vida era muito menos organizada moralmente do que os livros faziam parecer. Era assustador e ao mesmo tempo reconfortante como a sua mãe sempre parecia ter um acesso direto e irrestrito aos seus medos mais íntimos, traduzindo o caos da cabeça dele para a vida real sem julgamentos. "Quando eu era mais novo, eu achava que ser uma pessoa boa significava simplesmente fazer a escolha certa." Os olhos baixaram novamente. "Mas aí eu fico com raiva e penso umas coisas que não gosto. Faço coisas que não gosto. E fico tentando entender se aquilo é só uma parte de mim ou se é quem eu sou de verdade." A confissão saiu mais fácil do que deveria, talvez porque fosse a mãe ou talvez porque ele estivesse cansado. Poderia muito bem ser pelas duas coisas também. A menção ao pai apertou alguma coisa dentro do peito dele. Porque, de repente, conseguiu lembrar de dezenas de tardes diferentes. O pai explicando comportamento de criaturas mágicas, falando sobre medo e agressividade. Sobre como quase nada era tão simples quanto parecia à primeira vista. Sobre observar antes de reagir e entender antes de julgar. "Queria que ele estivesse aqui, mesmo que isso significasse que vocês dois iriam se juntar para dar essa bronca em conjunto, tal qual o policial bom e o policial mal." O sorriso fraco do goleiro ganhou um contorno de melancolia genuína, apesar da tentativa de fazer graça. "Gostaria que pudéssemos resolver tudo isso juntos. Como família." Soltou um pequeno suspiro, não se referindo especificamente à situação dele, mas ao que todos estavam passando no castelo e que consequentemente também havia influenciado na briga. Quando o nome de Scorpius voltou para a conversa, ele assentiu devagar, o aperto carinhoso e firme no seu ombro o fazendo relaxar um pouco a postura. "Eu vou pedir desculpas." Não havia resistência naquela resposta, pois sabia que a mãe estava certa, assim como Albus, Lorcan, Frank e Lily também. Ele também sabia disso desde o momento em que a poeira da briga baixou. "Só não acho que consigo fazer isso agora." Passou a mão pela nuca. "Não porque eu não esteja arrependido. Eu só não sei se consigo ser sincero ainda." Os olhos voltaram para ela. "Pedir desculpas pela briga é fácil. O difícil é explicar por que eu fiz aquilo."
luna escutou lysander, os olhos presos no filho enquanto ele falava. havia algo quase doloroso em vê-lo tão parecido consigo mesma naquela idade. não na personalidade, porque os dois eram diferentes demais para isso, mas naquela necessidade de compreender tudo perfeitamente antes de se permitir seguir em frente. como se existisse uma resposta exata escondida em algum lugar e bastasse encontrá-la para que tudo finalmente fizesse sentido. ❝ — seu pai sempre teve muito orgulho de você. mesmo que ele não saiba o que está acontecendo aqui, ele estaria orgulhoso ao ver você admitir os seus erros.❞ — então voltou a atenção para a parte realmente importante do que lysander tinha dito. ❝ — eu não acho que você precise explicar tudo de uma vez. nem para o scorpius, nem para mim, nem para você mesmo... mas você vai descobrir. porque você é uma pessoa boa, lysander scamander, e tudo vai ficar bem se você continuar assim.❞ — não era um elogio vazio, era apenas um fato. por fim, ela levou uma das mãos até o braço dele e apertou-o de leve, permitindo que o silêncio ocupasse o espaço entre eles. ❝ — agora vai embora antes que eu me lembre que ainda estou brava com você.❞ — havia um traço evidente de afeto escondido na ameaça. o sorriso permaneceu no enquanto finalmente voltava para trás da mesa. a conversa não tinha consertado tudo, mas não precisava. às vezes bastava saber que as pessoas que amamos ainda estavam tentando fazer melhor do que fizeram ontem.
"Pisaria elegantemente na garganta de alguém enquanto continua perfeitamente alinhada" é, honestamente, a coisa mais específica e preocupantemente precisa que alguém já disse sobre mim." Daphne confessou, levando uma mão ao peito tão dramaticamente lisonjeada que por um instante parecia genuinamente abalada por ter sido lida com tamanha precisão. E pior: tinha gostado demais daquilo pra conseguir esconder. O mais engraçado de tudo é que ela simplesmente acreditava em tudo que ouvia, os olhos divagando entre os brincos que ainda chamavam sua atenção e a feição da Lovegood, com devido interesse. Ela precisava parar de olhar para aquela duas cenouras antes que o processo de fato acontecesse. Piscou os olhos algumas vezes, finalmente os desviando da figura da corvina pra focar no corredor ao seu redor e as pessoas que por ali passavam sem sequer imaginar a conversa estranha que vinha acontecendo bem ao lado deles. Mas então estreitou os olhos numa expressão desconfiada, apontando um dedo na direção das cenouras balançando. "Wait a second, o que quer dizer com comprar coisas porque elas tem alma?" virou-se tão abruptamente em direção da Lovegood que os fios loiros voaram na direção contrária. Ouvir aquilo em voz alta era diferente porque, bem, Daphne meio que já fazia isso. No começo daquele ano mesmo, antes de retornar ao castelo, ela simplesmente havia comprado uma pena nova caríssima simplesmente porque achou que ela estava triste sozinha naquela prateleira. E não vamos mencionar no fato de que suas roupas são escolhidas de acordo com seu humor, variando em tons de rosa quando quer demonstrar alegria, tristeza, mau humor. "Be honest with me… quanto tempo até eu acordar querendo usar laranja? Porque eu preciso me preparar emocionalmente."
luna observou o reconhecimento lentamente se instalar no rosto de daphne e precisou se conter para não rir. havia algo profundamente satisfatório em assistir alguém descobrir sozinho que talvez estivesse muito mais próximo da esquisitice do que gostaria de admitir, especialmente quando essa pessoa era daphne greengrass, que parecia viver numa batalha constante entre a elegância impecável e o o provável caos que existia dentro dela. ❝ — comprar coisas porque elas têm alma é exatamente o que parece. você olha para um objeto e sente que ele tem uma história, uma personalidade ou que ficaria triste se ninguém o levasse para casa. acontece mais do que as pessoas admitem.❞ — disse, mas havia um sorriso em seu rosto, que aumentou um pouco quando a outra perguntou sobre o laranja com aquele nível de preocupação genuína. ❝ — acho que você ainda tem algum tempo. o verdadeiro sinal de alerta é quando você para de se perguntar se algo combina e começa a se perguntar se aquilo está feliz. mas não se preocupe, se algum dia você acordar querendo usar laranja, falar com plantas ou comprar acessórios temáticos de vegetais, eu prometo apoiar sua jornada com dedicação e pouco julgamento.❞ — por fim, empurrou uma mecha clara para trás da orelha e começou a se afastar da janela, ainda claramente entretida com a conversa inteira. ❝ — não me olhe assim preocupada, eu acho que você sobreviveria ao laranja. talvez até com bastante elegância... só tenta não adotar nenhum objeto melancólico no caminho de volta para a masmorra...❞ — comentou com uma pequena risada antes de acenar levemente em despedida.
A forma como Luna parecia lê-la com tanta facilidade era quase assustadora, porque na maior parte do tempo, Astoria sabia bem com mascarar suas emoções, uma dama nunca é emocional demais, muito menos em público, e ninguém nunca deve saber o que damas pensam, tudo sempre era um grande ato. mas com Luna, não funcionava, e Astoria preferia que fosse assim, porque funcionava quase como uma desculpa para conseguir falar a respeito. " não inteiramente sobre o futuro. ' admitiu virando o rosto na direção dela e respirando profundamente, como se junto com o oxigênio juntasse coragem também. " mas toda essa história do futuro estar a apenas um castelo de distância me fez repensar algumas coisas, acho que acabei ficando reflexiva. " moveu os ombros. a coisa de falar com Luna era que Astoria sabia que ela não seria julgada independente do que falasse, provavelmente receberia ótimos conselhos e um outro ponto de vista sobre como encarar sua situação. " e ainda tem toda a situação com o Draco, mas acho que isso está sendo resolvido, tivemos uma conversa interessante no armário de vassouras no outro dia e acho que somos amigos de novo... não tenho certeza, mas espero que sim. "
luna deu um pequeno sorriso; não era legilimente, mas os anos que passou observando os colegas como se fossem criaturas soltas ao relento fez com que entendesse muito mais sobre os seres humanos do que era o normal. na verdade, o próprio interesse nas criaturas mágicas ajudava a observar essas outras criaturas humanas... no fundo, não eram tão complicadas quanto achavam ser. também sabia que sempre se acha que está conseguindo esconder algo, mas nem sempre é o caso. em geral, astoria era muito comedida, uma perfeita garota criada na aristocracia, mas a amizade dela abriu rachaduras para a lovegood, e gostava que ela confiava em si para isso. ❝ — repensar as coisas, mesmo? tipo o quê? eu não sei se o futuro me pegou tanto quanto o passado, sabe? pensei muito na minha mãe... e em como ela está por aí. o futuro não me assusta tanto quanto o passado, eu acho.❞ — foi sincera. aprendeu desde cedo que o futuro era algo que chegaria uma hora ou outra, não importava muito o que ela fizesse. mas e os fantasmas do passado? luna ansiava por ver a mãe, e justamente por isso sabia que podia acabar cometendo algum erro ou loucura. tudo isso foi rapidamente esquecido quando ela mencionou a parte sobre draco, fazendo luna arregalar os olhos em surpresa e soltar uma risada. ❝ — uma conversa num armário de vassouras? tem certeza que foi uma conversa? não sei, asty, isso me parece estranho, mas pode ser porque não fico presa em armários de vassouras com meus amigos com frequência... deve ser uma inexperiência minha, então.❞ — as pessoas subestimavam o quão irônica luna podia ser, só porque normalmente ela não fazia questão de esconder suas opiniões.
Marcus imediatamente largou o objeto de volta no chão. O movimento foi tão rápido que chegou perto de ser cômico. Ele deu um passo para trás antes de apontar acusadoramente para a esfera metálica. “Absolutely not. Você devia ter dito isso antes, qualquer uma das hipóteses é assustadora”, a expressão permaneceu desconfiada por mais alguns segundos, como se ele estivesse considerando a possibilidade de o objeto resolver explodir só por despeito. A menção às verdades inconvenientes arrancou uma careta de Marcus, mas o olhar desviou dos dela quase no mesmo instante. Marcus passou a mão pelos cabelos antes de voltar a apoiar o ombro na parede. “Mas se você tem algo que quer dizer, Lovegood, então diga de uma vez. Você normalmente fica com esses mistérios pra cima de mim, parece uma esfinge. Se eu quisesse resolver mistérios, eu ia lá pra porta da sua Comunal”, respondeu. Tinha consciência de que parecia defensivo demais para uma pessoa que teoricamente não deveria ter nada a esconder. E pior, tinha sido agressivo demais na resposta com alguém que nunca deu motivos pra isso, pelo contrário. Pra desviar do assunto, observou os pergaminhos espalhados pelo chão por alguns instantes enquanto ela explicava o que estava fazendo. A resposta era surpreendentemente comum, o que era raro vindo dela. “As pessoas te chamam de louca, mas olha só. Elas estão tratando a situação toda como um evento social, enquanto você tá fazendo algo absurdamente saudável, eu acho. Maybe you're saner than everyone else after all”, o elogio veio casualmente, mas era uma forma de compensar sua falta de tato para abordar qualquer questão que fosse.
absolutamente tudo em marcus flint era curioso para luna, especialmente o jeito tão oposto à ela e, ao mesmo tempo, absolutamente reativo que ele costumava ter em qualquer situação da vida. por isso o sorriso ao vê-lo largar a esfera como se fosse radioativa. ❝ — marcus, eu estava brincando... era só um peso de pergaminho, sabe? para impedir que eles voem ou se percam... mas não subestime o poder dele. nas situações e mãos erradas, pode virar uma arma branca.❞ — precisou de toda seriedade do mundo para não soltar uma gargalhada. ela sabia que marcus não reagia bem à pessoas rindo dele, e até que ela explicasse que não ria dele em si, mas da situação, seria muito tempo. e o questionamento barra acusação dele logo após só provavam o seu ponto. certo, ela podia ter querido deixar algo explícito, mas definitivamente não estava tentando encurralá-lo... talvez fazê-lo mencionar o assunto? talvez, mas nada que o obrigasse. ainda assim, dessa vez se permitiu rir de leve diante de como ele parafraseou a coisa toda. ❝ — você é o mistério aqui, marcus flint, não eu ou o que eu falo. desculpa se eu por acaso fui capciosa, talvez seja só minha curiosidade em relação à você escorrendo pelas bordas, mas você não é obrigado a falar nada... eu não te obrigaria.❞ — respondeu, sustentando o olhar alheio para entender o quão disposto ele estava para falar disso. afinal, ela sabia que ele sabia que ela sabia! que ele se deixasse enveredar em seus papos e indiretas provava para luna que uma parte dele, mesmo que bem lá no fundo, gostaria de falar sobre o assunto. o comentário final arrancou ao mesmo tempo uma careta e uma risada de luna. ❝ — uh, obrigada? não sei, não entendi se foi um elogio à minha sanidade ou um 'as pessoas falam mal de você pelas costas' implícito. ou talvez seja um 'você é louca, exceto às vezes'... o que você acha, flint?❞ — perguntou, dessa vez largando de vez as anotações nos pergaminhos.
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"𝐲𝐨𝐮'𝐝 𝐭𝐞𝐥𝐥 𝐦𝐞 𝐢𝐟 𝐬𝐨𝐦𝐞𝐭𝐡𝐢𝐧𝐠 𝐰𝐚𝐬 𝐰𝐫𝐨𝐧𝐠, 𝐫𝐢𝐠𝐡𝐭?" + @lovegcds Resposta imediata? Não, mas Viktor tinha que dar algum crédito para Luna. A garota possuía um jeito único de ver sob a máscara que ele cuidadosamente colocava todas as manhãs. Era quase como se pudesse sentir os dedos delicados dela afastando a máscara, tocando a pele por baixo, indo mais fundo, afundando na carne até tocar os ossos. Então, "Sim", foi a resposta entregue depois de alguns segundos em um silêncio contemplativo. Ele contaria a ela, mas o problema era que Viktor não sabia o que havia de errado. Sentia um desconforto inexprimível sob as costelas, e sequer poderia traçar sua origem até a ruptura no tecido temporal. Não conseguia se lembrar da última vez em que não se sentira assim. Talvez há muito tempo, antes dos quatorze; antes da seleção. "Confio em você, луна¹." Levou o indicador até a ponta do nariz da Lovegood, deixando que o sorriso fácil se acomodasse nos lábios. "Por que a pergunta? Pareço preocupado pra você? Pode ser só a ausência do quadribol. Passo mais tempo no ar do que na casa da minha família... Acaba criando um tipo de dependência. Ou também..." O sorriso se estendeu e ele se inclinou para mais perto da ravina, comprimindo o cenho para formar um vinco entre as sobrancelhas. "Pode ser só porque estou ficando velho." Apontou a ruga adquirida com o aperto.
luna não desgrudou os olhos de viktor enquanto ele respondia. tinha se tornado sua especialidade identificar quando as pessoas podiam estar falando coisas diferentes do que sentiam de verdade; parte sua observava tão atentamente os outros porque queria ser capaz de antecipar situações sociais. depois que começou a perder o medo de ser inadequada e criar amigos, o talento permaneceu, mas agora servia para outras coisas, como monitorar o bem-estar dos amigos. viktor krum era uma dessas pessoas, ainda que ele pudesse ser considerado por más línguas como um "estrangeiro" por não estar ali desde o primeiro ano como a maioria deles. para luna, ele já era parte daquele castelo como se sempre tivesse estado por lá. e krum tinha aquela característica silente torturada que fazia sempre com que luna prestasse mais atenção, e foi daí que surgiu o vínculo deles. parte sua adorava o fato de o viktor krum, o jogador famoso de quadribol que a maioria admirava e tietava (alguns secretamente, outros nem tanto) era... sensível. ele podia não admitir em voz alta, mas ela sabia, e era perceptível no cuidado com o qual ele a tratava. ❝ — ótimo. eu também confio em você pra me falar a verdade, v.❞ — sorriu, feliz ao vê-lo sorrir também. ainda assim, sabia que ele era do tipo que não falaria facilmente caso estivesse incomodado com algo... talvez depois de uma certa insistência admitisse, mas só então. ❝ — pra falar a verdade, sim, você parece sempre preocupado com alguma coisa, desde que eu te conheci, muito antes do quadribol sair de cena. e, ei, agora o castelo se abriu oficialmente, não? você não foi correndo treinar igual os outros viciados em quadribol?❞ — perguntou, e mesmo que contivesse um resquício do humor, o interesse era genuíno. parecia apenas natural que ele tivesse ido pegar a vassoura e correr para o campo, como muitos fizeram. pela parte de luna, ficava feliz pelos colegas terem de voltar o esporte, especialmente porque parecia ser muito importante para a regulação emocional de todos. ainda, adorava vê-los jogar, então era um ponto bônus. diante da aproximação de viktor, luna tocou de leve no vinco formada entre as sobrancelhas dele. ❝ — velho, com essa aparência? não, você está forçando! você é, no máximo, velho de alma... meu pai costumava dizer que pessoas velhas de alma são como âncoras, porque elas permanecem centradas em si mesmas mesmo quando o mundo insiste sempre em ser um oceano em revolta.❞ — disse espelhando o sorriso dele, sem saber se o que ela dizia fazia sentido ou sequer era útil, mas tinha uma política muito forte de dizer o que o próprio coração mandava dizer.