ㅤㅤ my sweet child, my lion-hearted boy… you were never meant to survive this cruel fate. there is stubborn in your kindness and fierce on your loyalty. a heart that refuses to harden, no matter how many times the world tries to break it.
﹙ ⎯⎯ ⋆ 𝐓𝐇𝐄 𝐁𝐎𝐘 𝐖𝐇𝐎 𝐋𝐈𝐕𝐄𝐃⠀ ⠀⸺⠀ ⠀)⠀ ⠀aquele é harry james potter, de dezenove anos. ele é membro da casa grifinória em hogwarts e está cursando o nono ano. além disso, você pode encontrá-lo na armada de dumbledore, no clube do slugue ou no quadribol, em seu tempo livre.
﹙ ⎯⎯ ⋆ 𝑷𝑬𝑹𝑺𝑶𝑵𝑨𝑳𝑰𝑻𝒀⠀ ⠀⸺⠀ ⠀Determinando, impulsivo e profundamente leal, Harry possui uma personalidade marcada por coragem instintiva e um forte senso de justiça. Ele raramente consegue ignorar algo que considera errado e tende a agir muitas vezes antes mesmo de pensar nas consequências. Ainda assim, com o passar dos anos, tornou-se mais atento e observador, acostumando-se a analisar o que acontece ao seu redor e a confiar bastante na própria intuição.
Apesar da fama que o cerca desde muito novo, Harry não gosta da atenção excessiva. Prefere manter um perfil mais simples, valorizando relações sinceras e a companhia de quem confia. Com estranhos, pode parecer reservado ou cauteloso à primeira vista, mas com amigos demonstra um lado muito mais leve, um humor seco, comentários irônicos e uma certa provocação amigável.
Existe nele também uma tendência forte a assumir responsabilidades sozinho. Harry frequentemente se coloca na linha de frente quando acredita que alguém pode se machucar, por ser muito protetor, além de muito teimoso. Essa mesma teimosia aparece quando ele acredita estar certo sobre algo; dificilmente abandona uma suspeita ou ideia enquanto não encontra uma resposta.
No fundo, Harry é alguém guiado pelo instinto de proteger os outros e fazer o que considera correto, mesmo que isso o coloque em perigo.
﹙ ⎯⎯ ⋆ 𝑩𝑰𝑶𝑮𝑹𝑨𝑷𝑯𝒀⠀ ⠀⸺⠀ ⠀Ainda bebê, Harry ficou conhecido pela tragédia que marcou a sua vida e não apenas de maneira figurativa. Filho único de James e Lily Potter, ele também deveria ter morrido no ataque que ceifou a vida de seus pais. Milagrosamente, sobreviveu ao impossível, carregando consigo apenas a cicatriz em forma de raio que viria a se tornar emblemática.
Harry foi criado na casa de seus tios maternos, em um ambiente desprovido de qualquer afeto ou cuidado. Negligenciado e muitas vezes maltratado, aprendeu desde cedo o peso da solidão e da autossuficiência, convivendo constantemente com a sensação de não pertencer a lugar algum. Algo que sempre imaginou ser apenas consequência do fato de ser órfão.
No entanto, quando descobriu sua verdadeira identidade e passou a frequentar não apenas Hogwarts, mas também o mundo mágico, Harry finalmente encontrou a peça que faltava no quebra-cabeça de sua vida. Ainda que sua história o colocasse inevitavelmente sob os holofotes e também sob perigo constante, à sombra do legado do Lorde das Trevas, foi ali que ele aprendeu sobre pertencimento e o verdadeiro significado de ser amado.
Ao lado de seus amigos, construiu laços que rapidamente se tornaram sua verdadeira família. Foi com eles, e muitas vezes por eles, que conseguiu atravessar as inúmeras adversidades que marcaram seus anos em Hogwarts.
Com o passar do tempo, porém, as adversidades deram lugar a tragédias cada vez mais reais. Descobertas e perdas passaram a caminhar lado a lado, quase na mesma proporção. O peso de ser O Escolhido passou então a disputar espaço com algo muito mais humano: o fato de Harry ainda ser apenas um adolescente tentando sobreviver aos próprios conflitos e aos inevitáveis martírios dessa fase da vida.
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Amortentia: Torta de Melaço, Madeira de vassoura e o perfume de Ginny
Patrono: Cervo
Bicho-papão: Dementador
Qual foi o primeiro sinal de magia que você demonstrou quando criança? Uma vez, tia Petúnia lhe deu um corte de cabelo horrível, de propósito. Na manhã seguinte, porém, Harry acordou com os fios completamente crescidos de novo, como se nunca tivessem sido cortados.
Feitiço favorito: Expelliarmus
Poção favorita: Felix Felicis
Matéria favorita: Defesa Contra as Artes das Trevas
Matéria que menos gosta: Adivinhação
Professor favorito: Remus Lupin
Professor que evita: Severus Snape
Lugar favorito em Hogwarts: Campo de Quadribol
Lugar de Hogwarts onde raramente pisaria: Masmorras, a não ser quando é obrigado pelas aulas de Poções
Loja favorita do Beco Diagonal: Empório de Artigos de Quadribol
Criatura mágica favorita: Hipogrifo
Time de Quadribol para o qual torce: Chudley Cannons, por influência de Ron. Mas acompanha vários times
Celebridade bruxa favorita: Harry não acompanha celebridades
Figura histórica do mundo mágico que admira: Albus Dumbledore
Opinião sobre o Ministério da Magia: Harry não confia no Ministério como instituição. Acha bastante frágil e suscetível, altamente manipulável e injusta.
Opinião sobre sangue-puro, mestiços e nascidos-trouxas: Harry é extremamente contra supremacia de sangue. Não faz juízo de valor de ninguém por conta de status sanguíneo. Para ele, todos são iguais e devem ser tratados como tal.
Uma superstição mágica que segue: Nenhuma, Harry é bastante cético. Possivelmente influência de ter crescido longe do mundo bruxo, mas não acredita em superstições bruxas, nem trouxas.
Um objeto mágico que sempre quis possuir: Mesmo com tudo o que lhe disseram e o que aprendeu mexendo no tempo, gostaria de ter um Vira-Tempo a seu dispor.
Grace Dursley tinha uma mania — entre as milhares que possuía — que ela mesma, propriamente, nomeava como de idoso. Porque, geralmente quando a realizava a maioria de seus acompanhantes eram velhinhos animados e extremamente ritmados em sua caminhada; Sentindo o vento e o pouco sol do final de tarde, algo que a ruiva particularmente gostava para alinhar seus pensamentos — algo que precisava constantemente — e por Merlin, finalmente estava conseguindo fazer isso em Hogwarts como uma andarilha que ninguém — ou quase — encontrava no meio dos perambulo ou, mais uma vez, quase "Tio Harry" Exclama, virando seu corpo para a direção da voz "Eu sei!… Quer dizer, eu sei" Fala baixo, levando o olhar para o chão rapidamente "Passei horas comparando essas torres com aquelas torres… e aquelas torres" Aponta para os dois castelos a fora "E desenhando, mas não importa" Dá de ombros, colocando um meio sorriso no rosto "Alta como o ego da Grifinória… com todo respeito" Brinca.
"Ah, é verdade." Disse, soltando uma risada levemente sem jeito. Tinha esquecido que os castelos ao redor eram uma imagem viva do passado. Em algum lugar por trás daquela barreira mágica, havia uma versão sua da qual mal se lembrava, para falar a verdade. Lembrava-se das preocupações e dos deveres, mas os detalhes foram escapando com o passar dos anos. Mas a risada tornou-se mais genuína com o comentário de Grace. "Famas não surgem sem motivo, está tudo bem." Disse em tom leve. "O que mais anda desenhando?" Perguntou com curiosidade honesta. "Você diz que não importa, mas é claro que importa."
havia um sorriso no rosto de Lily Luna, um que por mais que ela tentasse esconder, continuava aparecendo no segundo em que ela se distraia. seus olhos estavam na poção a sua frente, mas a mente se encontrava distante demais, presa em memórias específicas da noite passada, ajudavam também a distraí-la da ressaca que sentia, talvez tivesse exagerado um pouco. seus dedos se fecharam em volta do recipiente, quando a voz do pai preencheu o ambiente, fazendo com que ela erguesse os olhos para ele, as mãos instintivamente indo para os fios ruivos e os puxando para frente, porque apesar do glamour, ainda queria ter uma certeza a mais de que não havia nenhuma marca aparentemente em seu pescoço. afinal, ter seu pai a encontrando de ressaca já era embaraçosos o suficiente, não precisava adicionar as possíveis evidências de uma noite mal dormida pelo melhor dos motivos. Lily fechou os olhos com o beijo em sua cabeça, sempre feliz em estar perto de Harry, abrindo os olhos devagar, usando sua melhor expressão de vítima incompreendida, mesmo que soubesse que ele via através daquela fachada. " hey dad " murmurou baixando os olhos para a taça de água colocada a sua frente. " eu poderia beber a poção com a água. " sorriu abertamente para ele, piscando os olhos na tentativa de convence-los de deixa-la seguir pelo caminho mais rápido, afinal, poções existiam para esses momentos, certo? " mas se eu passar o dia com sono, como vou poder ser a sua companhia favorita? " perguntou inclinando a cabeça para o lado sorrindo para ele. " mas ok, acho que eu sobrevivo as minhas escolhas da noite passada." suspirou dramaticamente, mas dando uma risadinha ao final, se perguntando se seu pai tinha chegado a vê-la com o vestido, aquela seria uma outra longa conversa.
Era incrível como Harry sempre sabia que viria aquela cara de cachorro que caiu da mudança toda vez que Lily Luna queria vencê-lo em alguma situação. E o pior era que funcionava sempre, mesmo que estivesse plenamente ciente que estava sendo manipulado por ter um fraco gigantesco por aquela garota. Semicerrou os olhos em um sinal de desaprovação. Mas era basicamente a mesma reação que tinha quando deveria fingir estar bravo com alguma coisa, mas não conseguia de verdade. Sem dizer nada, devolveu o frasco de poção, arrastando-o sobre o tampo da mesa de volta ao alcance da filha. "Não tem um pingo de vergonha na cara, não é?" Disse, rindo baixinho. "E, aparentemente, eu também não." Suspirou, totalmente rendido. "Mas, falando em escolhas da noite passada..." Mudou de assunto e dessa vez seu tom de voz subiu um pouco na escala de firmeza. "Sua mãe viu você colocando aquele vestido no malão?" Sabia que não podia dizer muita coisa, ela já era bem grandinha para usar o que bem entendesse. Mas, no pouco em que ainda conseguia dar pitaco, não perderia a oportunidade.
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Ele sabia que não tinha chance alguma de sair ileso daquela. O problema de ter Harry como padrinho era exatamente esse: ele o conhecia bem demais. Ainda assim, quando a voz dele cortou o silêncio com aquela acusação, Lorcan ainda considerou por alguns segundos se a tentativa valia o risco. A pausa que se seguiu pelos segundos em que ele olhou para as folhas de acônito em sua mão e depois para Harry, provavelmente já era uma confissão por si só. "Em minha defesa, eu pedi permissão." tentou primeiro, uma mentira devidamente descarada, entregue pela maneira como ele engoliu em seco alto demais. Lorcan ainda tentou sustentar o olhar de Harry por alguns segundos, mantendo a expressão mais inocente que conseguiu reunir. Não durou muito. Os olhos desviaram para o lado e ele passou a mão livre pela nuca, já sabendo que tinha perdido aquela batalha. "Tecnicamente." saiu mais baixo daquela vez, "Digo, eu tenho certeza que se eu tivesse pedido, provavelmente eles teriam deixado." o canto da boca curvou levemente, em mais uma tentativa de ganhar o padrinho na manha como fazia quando era criança, ainda que no fundo soubesse que não conseguiria muito. "Qual é, tio Harry," choramingou, erguendo levemente as folhas como se fossem uma prova de inocência. "eu que cultivei elas..."
Harry arqueou as sobrancelhas em evidente descrença com aquela resposta. Duvidava muito que Neville deixasse algum aluno cultivar plantas cujas folhas fossem tóxicas fora das estufas da escola. Então, semicerrou os olhos, dando ao afilhado a chance de consertar sua história. Dificilmente Harry perdia a paciência, até porque acabava se divertindo ao ver os jovens tentando inventar desculpas. E era por isso que, às vezes, achava que não era um adulto tão confiável assim. "Provavelmente não teriam, não." Devolveu, lutando contra a vontade de rir. Mas não podia se deixar vencer por aquela manha tão familiar. "Por que está cultivando acônito, Lorcan? Está preparando poção mata-cão ou o quê?" Questionou em um tom mais sério, que carregava muito mais preocupação do que propriamente uma bronca.
James entrou na sala já preparado para revisitar mentalmente tudo o que tinha feito nas últimas quarenta e oito horas tentando descobrir qual delas tinha motivado aquela convocação quase ministerial no corredor. Verdade seja dita, a lista de possibilidades era longa o suficiente para o deixar preocupado. Foi só quando viu o pai rir que toda a tensão acumulada desapareceu de uma vez. James levou uma das mãos ao peito num gesto teatral e soltou uma exclamação indignada antes mesmo de se jogar no sofá indicado. “Pai! Eu passei a tarde inteira tentando descobrir qual regra eu tinha quebrado. Em algum momento eu cheguei à conclusão de que você finalmente tinha descoberto alguma coisa que eu fiz no terceiro ano e resolveu esperar estrategicamente até agora pra me punir. Achei isso muito cruel da sua parte”, reclamou, mas já ria junto com ele, balançando a cabeça em derrota. A brincadeira, no entanto, foi cedendo espaço para um sorriso diferente quando Harry explicou o verdadeiro motivo. James desviou os olhos por um instante, quase sem graça, passando distraidamente uma mão pela nuca. Receber elogios do pai sobre Quadribol sempre foi diferente. Harry nunca tinha sido o tipo de pai que cobrava resultados ou projetava expectativas sobre os filhos, justamente por isso cada demonstração de orgulho parecia valer o dobro. “Obrigado, foi... um daqueles jogos em que tudo encaixa. Acho que fazia tempo que eu não me divertia tanto em campo”, a lembrança da partida trouxe automaticamente um sorriso de volta ao rosto. Tinha sido uma vitória importante para o time, principalmente depois de semanas em que Hogwarts parecia incapaz de viver um único dia de normalidade. Mas a menção à mãe fez James abaixar a cabeça por um instante, soltando uma pequena risada enquanto imaginava exatamente qual teria sido a reação de Ginny nas arquibancadas. “Ela ia gritar comigo por causa daquela jogada no segundo tempo em que eu resolvi atravessar dois batedores sozinho”, comentou, porque conhecia a mãe o suficiente para saber que primeiro viria a bronca e só depois os parabéns. O brilho divertido permaneceu nos olhos enquanto voltava a encarar Harry. “Valeu por ter ido assistir. Eu sei que você tava lá como professor e que meio que não tinha mais pra onde ir, devido ao que tá rolando... mas também sei que você tava lá como pai. E um elogio logo de você bate diferente.”
"Não comece a se entregar gratuitamente, pelo seu próprio bem e o meu." Alertou-o, mas em tom leve. Se ninguém tinha vindo reclamar diretamente sobre o comportamento do garoto, Harry achava uma boa ideia não ir atrás de problemas. McGonagall já tinha despejado tudo o que parecia entalado em sua garganta assim que chegou ao castelo. Obviamente, Harry não foi poupado das comparações e não havia muito o que fazer a respeito. A maçã nunca caía muito longe da árvore, afinal. E tinha aceitado seu destino ao nomeá-lo James Sirius, no fim das contas.
O sorriso crescia em seu rosto enquanto escutava o filho. Estava feliz por ele ter aproveitado o jogo e, acima de tudo, feliz porque a partida serviu para tirar pelo menos um pouco do peso de tudo o que andava acontecendo em relação aos três castelos. "E depois eu ia te passar maneiras mais eficientes de realizar esse tipo de jogada." Completou, rindo porque conseguia imaginar a cena claramente. "Não precisa agradecer, me diverti muito assistindo. E teria assistido a todos os jogos desde que entrou no time, mas seria ridículo eu aparecendo por aqui todo mês." Disse, bagunçando os cabelos do filho em um gesto de carinho.
Saber que era importante para James receber seus elogios fez o coração de Harry derreter de felicidade dentro do peito. "Quer dizer que ainda não é velho demais para ter vergonha do seu velho?" Perguntou em tom claramente animado. "Espere só até acertar uma resposta durante as minhas aulas." Emendou com um sorriso travesso. Mas é claro que não pretendia fazer nada que pudesse constrangê-lo na frente dos amigos. Aos poucos, o sorriso foi se tornando mais sutil, enquanto seu olhar demorava-se sobre o rapaz. Estava analisando-o. Harry fazia isso às vezes. Era como percebia que suas crianças não eram mais tão crianças assim, notando os traços que pareciam cada vez mais maduros. "Sei que é uma pergunta difícil de responder, mas... Você está bem? Está conseguindo dar conta de tudo?" Por mais que tivesse sido filho único, Harry entendia a pressão sobre James por ser o filho mais velho. Sabia que aquela não era uma posição fácil. Evitava ao máximo pressioná-lo, mas às vezes temia acabar fazendo isso sem perceber.
O silêncio permaneceu enquanto Harry falava e Teddy não procurava argumentos para rebater nada, apenas ouvia as palavras do padrinho, quase um pai para ele. Soltou o ar devagar quando o mais velho terminou de falar, passando a mão pela nuca antes de responder. " você está certo. " encarou o chão por alguns segundos, antes de continuar. " digo, na questão dele ainda não ser meu pai, acho que eu sou mais velho que ele neste momento e ele é só um garoto, que vai viver um monte de coisas, antes de me escolher, quer dizer... se eu fui uma escolha, não é? " Existia a possibilidade da gravidez de sua mãe ter sido acidental, tudo o que Teddy sabia era que eles eram um casal, mas eles escolheram engravidar? Os dedos dele brincaram distraidamente com um pequeno furo na manga do uniforme, antes de erguer os olhos para encarar o padrinho novamente. " talvez ele olhe para mim e veja só mais um aluno, não tem nada de errado nisso, mas dizem que somos tão parecidos... " Soltou uma risada sem humor, pensando na possibilidade de cruzar com o pai no corredor e ele sequer o reconhecer, seria uma sensação estranha. " e além disso, imagina como ele vai se sentir ao descobrir que no futuro teve um filho? vai ver no momento ele tem uma namorada, mas não é com ela que vai ter um filho e vai ser um choque. " a cabeça balançou devagar em imaginar o pai com outra pessoa que não fosse a própria mãe. " eu não quero colocar esse peso nas costas dele, ele merece continuar vivendo a vida dele sem alguém aparecer e entregar um futuro inteiro em suas mãos. "
O sorriso que tomou os lábios de Harry era discreto, mas compreensivo. Teddy tinha questionamentos que ele próprio já teve a respeito dos pais. Quando só se conhecia a família por histórias contadas por terceiros, nem todas as lacunas eram preenchidas e inevitavelmente aquele tipo de dúvida enchia a mente. "Mesmo que não tenha sido uma escolha, não significa que seja algo ruim." Deu de ombros. "James definitivamente não foi planejado. Mas foi a maior alegria do mundo para mim." Acrescentou, rindo baixinho. De fato, Ginny e ele ainda não tinham tido conversas significativas sobre filhos quando descobriram a gravidez do primeiro filho. " E... Lembro-me de quando seu pai contou sobre o seu nascimento. Teddy, nunca vi aquele homem sorrir tanto em todos os anos em que o conheci. Ele estava radiante." Contou, sorrindo com a lembrança.
Harry mordeu o interior da bochecha enquanto pensava no que dizer a seguir. Mexer com o tempo era algo preocupante. Se sentia apreensivo com a possibilidade de revelarem coisas demais para pessoas de cinquenta anos atrás. Mas parecia inevitável, considerando que alguém já tinha esbarrado com James Potter por aí e não se tratava de seu filho, mas de seu próprio pai. "Não é responsabilidade sua se for um choque para ele, filho." Respondeu em tom suave, carinhoso. "O que está pensando em fazer? Esconder quem você é? Sabe que não funcionaria. Além do mais, ele provavelmente vai descobrir coisas bem mais difíceis do futuro. Não acha que pode ser um alívio saber que teve um filho tão incrível quanto você?"
levantou os olhos pro pai enquanto a pergunta ficou pairando entre eles por alguns segundos... seu eu de 11 anos, com todas as suas crises existenciais e vontades de se distanciar de conceitos prévios definidos pra si talvez jamais imaginasse que se veria procurando justamente seu pai pra ajudá-lo em situações como a que se encontrava.
girou o chocolate entre os dedos uma, duas, três vezes enquanto fingia que estava muito interessado no embrulho. bela tentativa. porque se tinha uma pessoa no mundo capaz de perceber exatamente quando ele começava a fugir de um assunto era o pai. e talvez fosse profundamente injusto que harry potter continuasse tendo esse poder mesmo tantos anos depois. "já falei que odeio que você sempre saiba?" comentou, balançando levemente a cabeça. fez mais alguns segundos de silêncio. porque precisava organizar a própria cabeça primeiro. ou pelo menos fingir que precisava. "pai..." começou devagar "você já olhou pra alguém que tava na sua frente a vida inteira e aí... de repente... não sei. parece que alguma coisa muda. não nela. em você" franziu levemente a testa. "porque ela continua exatamente igual. fala igual. sorri igual. faz as mesmas piadas de antes..." deu uma risadinha curta "mas parece que seu cérebro resolve acordar atrasado e pensar 'nossa, essa pessoa existe, e eu sei o quão idiota isso soa porque ela sempre existiu. eu sempre soube que ela existia. mas agora..." a frase morreu sozinha. merlin. como é que explicava uma coisa que ele mesmo não entendia? "é diferente"
Harry soltou uma risada que carregava uma pontada de alívio. Sua relação com Albus nem sempre era fácil, sabia que não era a primeira opção do filho para conversar, provavelmente sobre a maioria dos assuntos. Tinha aprendido a dar espaço a ele, mesmo que às duras penas. Mas sempre que o garoto o procurava para conversar, era como se um peso deixasse os ombros de Harry e seu coração batesse um pouco mais leve. "Acho que já ouvi algo assim algumas vezes nos últimos anos." Respondeu em tom bem humorado.
Enquanto aguardava, girava a aliança no dedo de um jeito não tão distraído assim, sempre lidava com a saudade que sentia da esposa quando fazia aquilo. Mas sua atenção voltou totalmente para Albus assim que o filho o chamou. Conforme ouvia a explicação, lutava contra a vontade de sorrir porque aquela história era familiar demais. Assentiu vagarosamente aqui e ali para demonstrar que estava acompanhando o raciocínio. "E o mundo de repente parece de cabeça para baixo, porque você não sabe o que fazer com o que acabou de 'descobrir'?" Completou a frase por ele, com base em sua própria experiência. Por fim, o sorriso ocupou seus lábios. "Foi exatamente assim quando percebi que gostava da sua mãe." Concluiu, olhando brevemente para Albus para ver sua reação.
"Seus avós me tinham como um filho, seus tios eram como irmãos para mim. Naturalmente, Ginny deveria ser como uma irmã caçula." Ia gesticulando enquanto falava, por puro hábito. "Mas não era assim. Sua tia Hermione era como uma irmã para mim. Ginny era... a irmã do Ron." Harry riu suavemente. "Claro, só fui entender muito tempo depois por que não conseguia nutrir sentimentos fraternos por ela. Mas imagine o meu desespero quando ela deixou de ser apenas a irmã do Ron e virou a Ginny, a garota por quem eu estava apaixonado? Eu não queria que as coisas mudassem. Mas tem coisas das quais não dá para correr." Concluiu, dando de ombros. Seu olhar demorou-se sobre Albus dessa vez. Estava curioso para saber de quem o filho falava, mas esperaria que escolhesse o momento certo para compartilhar a informação. "Acha que essa pessoa pode sentir a mesma coisa por você? Acha que vocês podem ter tido essa realização depois de alguma situação em particular?"
o sorriso se alargou diante do comentário do amigo. ❝ — ora, desenvolvi a habilidade de uma certa legilimência nesses últimos anos. na verdade, observar tantas criaturas mágicas e, ao mesmo tempo, tantos adolescentes, me deixou um pouco clarividente. isso e o fato de te conhecer há quase trinta anos também pode ter ajudado...❞ — comentou, enquanto o observava bebericar o chá com certa satisfação, fazendo o mesmo com o seu. de qualquer forma, eram britânicos, e mesmo que não existisse motivo visível para tal, tomar um chá era sempre uma boa pedida. depois, diante do questionamento, ela ajeitou a postura. ❝ — sabe, umas semanas atrás tive uma conversa muito interessante com lysander. ele veio até mim me perguntando sobre como me apaixonei, sobre como foi a coisa toda... e depois, olha só que surpresa, a lily também veio até mim com o mesmo papo, me perguntando como foi que você e ginny começaram a sair, quais eram os limites de pessoas que eram amigas há tanto tempo e compartilhavam pessoas em comum. pode ser só coincidência, claro... mas achei curioso.❞ — na verdade, luna sabia um pouco mais que isso, mas ela não ia entregar completamente suas suspeitas e confirmações. ela precisava testar como harry ia reagir àquilo primeiro, e também não queria violar a confidência do filho e da afilhada. de qualquer forma, harry era um de seus melhores amigos há tantos anos que compartilhar aquelas coisas, especialmete se diziam respeito aos seus filhos, lhe parecia simplesmente natural.
"Shh! Não diga esse número em voz alta, está começando a soar assustador." Harry disse em um tom de incômodo que não passava de fingimento. Tinha muito orgulho de ter amizades tão boas e duradouras e jamais conseguiria colocar em palavras o quanto aquelas pessoas eram importantes em sua vida. Afinal, algumas situações uniam as pessoas de um jeito difícil de explicar. Ouvi-la falar sobre o filho fez Harry sustentar o sorriso. Era uma interação importante, considerando que adolescentes dificilmente procuravam os pais para falar sobre suas vidas amorosas. Mas então ouviu o nome da própria filha e a xícara parou a meio caminho de seus lábios. Harry não era tão ingênuo quanto gostaria de ser e sabia que Lily também não era. Mas ela ainda era a sua garotinha e o ímpeto de proteção falou mais alto, inevitavelmente. "Hum." Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Terminou o trajeto com a xícara e deu mais um gole no chá, usando o gesto para ganhar tempo e organizar os pensamentos. "Está sugerindo que possa ter alguma coisa aí ou você sabe de alguma coisa?" Perguntou com um sorriso de canto. Não teria nenhuma crise de ciúmes, nem faria cena. Confiava nas decisões de Lily e, além do mais, adorava os filhos de Luna. "Sabe como Lilu é, tem paixonites o tempo todo. Talvez seja só mais uma?"
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"Dumbledore me chamou para conversar." Harry comentou de repente. Estava pensando na conversa novamente, por conta de algumas questões que tinham aparecido em sua mente, depois que a leve chateação da bronca assentou. "Não foi com essas palavras, porque ele estava cheio de meias palavras - como sempre, mas..." Respirou fundo e mordiscou o lábio inferior por um instante antes de continuar. "Mas basicamente disse que estou ficando relapso." Na verdade, Dumbledore apenas queria lembrá-lo do que deveria estar fazendo, mas tinha entrado mais fundo na mente de Potter. "Quer dizer, a culpa é minha? Estamos presos aqui sem nenhuma explicação e sem sinal de que as coisas vão voltar ao normal. Tentar viver normalmente não significa que estou ignorando minhas responsabilidades, só que não sei o que fazer com elas agora!"
A respiração quente roçando em sua pele foi suficiente para fazê-la prender o ar por alguns segundos. Ginny sequer tentou impedir o sorriso que surgiu em seus lábios diante do sussurro dele. "Já estava pensando que você havia descartado essa alternativa," a voz saiu baixa, acompanhando o tom dele, enquanto se afastava apenas o bastante para que seus olhos encontrassem os dele. O sorriso enviesado apareceu junto à pequena mordida no lábio inferior, aquela expressão que Harry já deveria saber que significava problemas. "eu espero mesmo que esteja." ela acrescentou, os dedos apertando brevemente os dele, numa confirmação silenciosa que não estava brincando. O rosto inclinou-se levemente, aproximando-se da lateral do dele. O suficiente para que a frase seguinte pertencesse somente aos dois. "Acho que mereço um tempo sozinha com meu namorado, não acha?" o sorriso contra a pele dele denunciava a provocação antes mesmo que Ginny terminasse a frase. E, antes que Harry pudesse responder, ela já estava puxando sua mão, guiando-o para longe do Salão Principal.
O caminho até a torre da grifinória pareceu menor naquela noite. Talvez porque estar do lado de Harry falando sobre tudo, e até mesmo fofocando sobre coisas que haviam visto durante o baile, fazia tudo parecer muito mais simples. Alguns olhares vieram no caminho. Mas ela não se importava de fato, não havia o que esconder. Seus dedos se entrelaçaram aos dele um pouco mais forte, e sempre que se distraía com o caminho, acabava voltando aos olhos de Harry, rindo volta e meia de alguma bobagem que ele havia lhe dito.
Quando chegaram à comunal, a encontraram exatamente como esperavam: vazia e absurdamente silenciosa. A maioria dos alunos ainda estava no baile, deixando o salão entregue apenas ao crepitar suave da lareira. Ginny deixou os olhos percorrerem o ambiente por alguns segundos, antes de apoiar-se levemente contra o encosto de uma das poltronas, observando-o enquanto um sorriso ladino despontada no canto de sua boca. "Então..." cortou o silêncio, deixando a palavra se arrastar por alguns segundos. "posso saber qual é seu grande plano agora, Potter?" a cabeça inclinou de leve, o olhar percorrendo o rosto dele por um instante. "Me trazendo para a comunal vazia depois de uma declaração romântica no meio de uma pista de dança..." seus olhos se estreitaram, mas ainda era possível ver o brilho divertido percorrendo por eles, entregando que ela estava longe de reclamar, mas jamais desperdiçaria a oportunidade de provocá-lo um pouco.
Harry sentiu o ar sumir dos pulmões quando o olhar dela encontrou o seu novamente. Os pelos da nuca eriçando em resposta à voz de Ginny. Os olhos, de pupilas dilatadas desciam pelo rosto dela, demorando-se indevidamente nos lábios. Desejando que fosse a ele a mordê-lo como ela fazia. O aviso claro de perigo agindo como um ímã, puxando-o para frente sem que ele sequer percebesse que estava se movendo de novo. Harry não conseguia formar um pensamento coerente. Junto a isso, uma onda de calor subiu pelo seu pescoço, tingindo suas orelhas de vermelho. A respiração falhou, saindo em um suspiro curto e trêmulo. Tentou processar a pergunta, mas a única coisa que o cérebro registrava era a proximidade, o toque, a voz dela. Assentiu em um movimento quase imperceptível e totalmente involuntário de sua cabeça.
Sua boca se abriu levemente, mas nenhuma palavra saiu. Antes que pudesse sequer tentar recuperar a fala, sentiu o puxão firme o arrastando dolorosamente de volta para a realidade. Piscou algumas vezes e ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz tentando recuperar o controle. Mas não resistiu e a acompanhou para fora o salão sem nem mesmo olhar por cima do ombro. Não era difícil acabar completamente entretido e envolvido quando estava com Ginny.
Mas uma coisa era estar com ela quando todo mundo sempre estava por perto. Ou quando não eram nada oficial ainda e tudo pairava naquele ponto cheio de incertezas. Outra bem diferente era estar a sós com ela agora que estavam oficialmente namorando. O silêncio no Salão Comunal parecia deixar as batidas de seu coração duas vezes mais barulhentas. A ficha ainda estava caindo de que não era um sonho, o que trazia aquele frio na barriga meio elétrico e totalmente desconfortável. Mas não havia outro lugar no mundo onde preferia estar naquele momento.
Harry colocou as mãos nos bolsos da calça para disfarçar o leve nervosismo. Com uma risada suave e meio sem jeito, se aproximou até estar na frente de Ginny. De um jeito que fez seu próprio estômago dar voltas. "Não tenho um grande plano." Disse em tom bem humorado. "Para ser sincero, só pensei até a parte de tirar você do salão." Tirou as mãos dos bolsos e imitou aquele sorriso de lado, reunindo coragem para dar um passo para mais perto. Pensou em segurá-la pela cintura, mas acabou pousando as mãos sobre o encosto da poltrona, ao lado do corpo de Ginny, encurralando-a entre seus braços. Se inclinou devagar, roçando os lábios nos dela em um toque muito suave, apenas para sentir a textura da boca dela. Então, pressionou alguns beijos mais demorados, fazendo uma pausa maior entre um e outro apenas para se atentar à reação da namorada. "Mas sou muito bom improvisando, sabia?" Disse em um sussurro acompanhado de uma risada baixa, contra a boca dela. Por fim, aprofundou o beijo com certa voracidade, o tipo de intensidade reservada apenas para quando estavam a sós. Uma das mãos subiu pela nuca de Ginny, os dedos subindo para os cabelos ruivos, enquanto a outra se fincava em sua cintura, puxando-a contra seu corpo.
“Não, não, eu era batedora e muito orgulhosa! Gostava mesmo é de…” Fez um gesto como se estivesse com o bastão em mãos, desviando balaços de uma rota imaginária, antes de dar uma risada. Duas gerações após a sua, ainda não era tão comum que mulheres jogassem na posição de batedora. “Não posso responder essa pergunta por uma questão de ética docente, mas com certeza estarei assistindo. Continuo levando o Quadribol muito a sério! Me reservo o direito de aplaudir qualquer jogada inteligente, independente da cor do uniforme.” O sorriso permaneceu por mais um instante, mas logo deu lugar a uma expressão um pouco mais hesitante. Inclinou a cabeça antes de continuar a falar. “Poder assistir o treino foi uma ótima surpresa, mas tem outro motivo para eu ter vindo falar com você. Nada muito dramático, prometo. Eu só queria conversar um pouco, se você tiver alguns minutos.”
Harry tinha um sorriso que se recusava a deixar o rosto. Mais do que descobrir um gosto incomum com Lígia, achava interessante conhecer mais sobre a vida das pessoas. Especialmente pessoas que tinham uma vida muito diferente da sua. Era algo que vinha desde que era pequeno, quando a vida de todo mundo não era só diferente, mas possivelmente melhor também. "De derrubar pobres apanhadores das vassouras, como tentaram fazer comigo no último jogo." Completou com uma careta de desaprovação. Mas não durou muito, logo uma risada evidenciou que estava apenas brincando. Então, ergueu as mãos em rendição. "Esse é um argumento válido, não tenho objeções." Respondeu em tom leve, com uma risada suave acompanhando as palavras. Mas então o sorriso foi desaparecendo lentamente. Quase todas as vezes que um adulto o procurou para conversar, algo estava errado. O que consequentemente fazia Harry querer que as coisas ficassem certas. E quando dava por si, estava até o pescoço em alguma situação indevida. "Tenho, claro. Sobre o que seria?" Perguntou, tentando soar mais tranquilo do que estava. "Devemos ir para outro lugar?"
Um pequeno sorriso apareceu quando Harry mencionou os três alunos, talvez eles não quisessem encarar as consequências daquela bagunça e a fuga foi uma escolha sábia. " olhando por esse lado. " comentou enquanto guardava os últimos livros que ainda permaneciam espalhados pelo chão. A pergunta o fez olhar rapidamente para a capa do exemplar nas mãos de Harry antes de voltar a encará-lo. Era uma reação com a qual já estava acostumado, mas nem se comparava ao que Harry devia ter aguentado no começo de Hogwarts. " neto, Newt Scamander é meu avô. " A mão repousou distraidamente sobre a pilha de livros enquanto continuava. Então inclinou levemente a cabeça na direção do exemplar. " eu ainda acho um pouco estranho encontrar um livro escrito pelo meu avô na biblioteca e lembrar que, para a maioria das pessoas, ele é uma figura histórica, mas para mim, continua sendo a pessoa que me pegava no colo. " O canto da boca curvou de leve com a lembrança. " mas isso nem se compara com o que você passou no começo, não é? com toda aquela história do ' menino que sobreviveu. ' "
"Avô?" Harry arqueou as sobrancelhas em visível surpresa. "Isso é muito legal. Quer dizer, um livro do seu avô está na lista de materiais oficiais da escola há não sei quantos anos!" Por algum motivo, imaginou que se tratasse de algum parente distante. Descobrir que era muito mais próximo na linha genealógica o deixou impressionado. Talvez fosse influência da percepção que tinha da própria família, onde todos pareciam como parentes distantes, mesmo sendo próximos, já que não os conhecia além dos relatos de terceiros. "É... Mais ou menos. No caso, a figura histórica sou eu e tudo o que eu queria era ser só mais na multidão, sabe? Harry, só Harry. Não Harry Potter, o menino que sobreviveu. Mas depois de ter sobrevivido tantas vezes, acho que devo usar o título com orgulho." Respondeu em tom bem humorado. Jamais usaria sua tragédia para se vangloriar, de maneira nenhuma. Ainda era uma tragédia. Mas era sua. Tinha encontrado maneiras de usar a fama de maneiras apropriadas.
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Por mais que a noite tivesse sido incrível, as palavras de Cormac ainda ecoavam na sua cabeça. Não deveria agir daquela forma. Ron não havia falado nada que sequer sugerisse algo diferente do que gostar dela. Ela também havia amigos. Já havia dançado com Theo diversas vezes e não possuía sentimentos por ele, então por que estava tão insegura. Não queria mostrar essa insegurança para Phoebe e Parvati. Elas eram tão seguras de si e não queria ser o elo fraco do grupo. Então sempre fingia estar no controle, mas naquela noite não conseguia e por isso havia saído para tomar um ar. Era engraçado que sempre em noites como aquela acabava esbarrando em Harry. "Está tudo bem. Se eu continuar sozinha acho que vou surtar mais ainda." Confessou para ele enquanto ainda olhava o Lago Negro. "Eu não consigo vê-los. Acho que é um privilégio. Já li as descrições nos livros, mas acho que se você me contasse como eles são poderia ter uma imagem melhor. Quer descrevê-los para mim? Não poupe os detalhes."
Harry assentiu devagar. Entendia o sentimento, era por isso que gostava tanto de sair para caminhar. No entanto, apenas podia imaginar os motivos. De fato, acreditava que tinha algo a ver com a festa. Mas não seria ele a entrar em tais detalhes. Finalmente tinha acertado sua relação com Ginny, mas não era minimamente um bom conselheiro amoroso. "Eles são assustadores." Começou, com uma risada suave acompanhando as palavras. "Altos como cavalos, mas esqueléticos. Pele negra, bem fina por cima dos ossos, parece até que foi esticada, sabe? Não é muito agradável de ver os ossos mexendo quando eles andam." Fez uma careta com a lembrança do desconforto que causava. "Eles têm asas que lembram de morcego. Os olhos são brancos, sem pupilas. É bem estranho de ficar olhando por muito tempo." Confessou, pensando em como eles eram o que verdadeiramente conferiam a aparência fantasmagórica. "Mas são criaturas incríveis." Continuou, com bastante firmeza em suas palavras. "São muito inteligentes, muito gentis também. Acho injusto que sejam considerados mau agouro." Suspirou pesadamente, virando-se para Lavender. "Acho que entendo quando Hagrid chama alguma criatura de incompreendida."
Demorou alguns segundos para responder, não porque não tivesse gostado da ideia, mas porque estava tentando decidir se o lugar parecia adequado para a reunião. A luz da varinha alcançava apenas partes da masmorra, revelando arcos e paredes úmidas, um espaço maior do que ele esperava. “ bonito com certeza não é a palavra que eu usaria. ” admitiu, o entusiamos de Harry era dificil de ignorar, e pouco a pouco, Neville começou a enxergar o espaço menos como uma masmorra e mais como aquilo que poderia se tornar. “ dá pra afastar as mesas, colocar os alvos e talvez usar a parte mais ao fundo para treinos em dupla.” Apontou com a mão livre, acompanhando mentalmente a disposição das coisass. “ precisamos de uma iluminação melhor e alguma coisa para aquecer o ambiente.” Disse de modo pensativo, mas então virou-se para Harry e fez uma expressão séria. “ eu só preciso saber se nenhum fantasma vai entrar aqui no meio do treino e você sabe…” um arrepio percorreu seu corpo so de pensar nos fantasmas invadindo o espaço e atravessando os colegas.
Harry balançou a cabeça em concordância, animado com a reação de Neville. Não esteve esperando que ele fosse ficar igualmente empolgado. Mas ele estava sendo bastante positivo e isso era mais do que podia esperar depois de arrastar alguém para aquele lugar. "Exatamente!" Respondeu alto o bastante para que a voz ecoasse pelo espaço, lhe dando um susto de leve. "Tenho certeza que Hermione consegue pensar em algo para aquecer a sala, já que não tem um lareira, nem nada. Mas o resto é fácil de arrumar." Disse, voltando os olhos para o espaço mais uma vez, fazendo anotações mentais sobre o que podia ser feito. "A menos que esteja perto da festa de morte de algum deles, acho que vamos ficar em paz aqui." Disse, voltando o olhar para Neville. "Vamos enfeitiçar tudo. Não vai ser tão protegido quanto a Sala Precisa, mas podemos pelo menos manter os curiosos fora enquanto estivermos aqui. De todo jeito, também não precisamos mais nos esconder. Grupos de estudos não são proibidos agora."