ssorem
Normalmente era fácil sustentar as próprias gracinhas. Isso porque Sorem só se sentia confortável o bastante para fazê-las com um número bastante limitado de pessoas. No entanto, nenhuma dessas pessoas era um ex-namorado seu, salvo o rapaz à sua frente naquele momento, o que tornava tudo particularmente complicado para o coreano. A resposta podia facilmente ser positiva, por pelo menos uma dúzia de motivos, incluindo que lembrava-se perfeitamente da sensação de ter os lábios alheios nos seus, graças àquela vez que fora ao apartamento do outro depois de um dos jogos dele. Sorem ainda nutria a necessidade de manter as pessoas afastadas, pelo bem delas. Então, precisava ser cuidadoso com as situações em que se metia e não era tanto pelos sentimentos das outras pessoas, mas os seus. Não devia se apegar às pessoas. ━━ Que graça teria se eu te desse essa resposta de bandeja? ━━ Optou por dizer, naquele tom baixo e misterioso que assumia com frequência, onde virava o rosto para qualquer outro ponto minimamente interessante, tornando difícil de ler sua expressão.
━━ How rude. ━━ Comentou em resposta, por entre uma risada nasalada, que deixava claro que não se incomodara. Sorem tinha boa memória e era bastante observador. Tinha os olhos sobre a figura alheia, analisando a maneira como os dedos se moviam por sua pele, mas absteve-se de franzir o cenho em curiosidade. Era fácil dizer que o outro estava nervoso, nem precisava prestar tanta atenção naquilo em particular, mas o motivo daquilo tudo o pegara de surpresa, mais do que o pedido por sua opinião. ━━ “Sorte a nossa”? ━━ Respondeu prontamente, mas ligeiramente confuso. Antes que acrescentasse qualquer outra coisa, fechou os dedos longos no pulso do menor e puxou-o consigo para longe da porta porque estava começando a ficar bastante consciente do quão estranho deviam estar parecendo para os transeuntes. ━━ Olha só, ninguém tem que dizer nada sobre o que você faz ou não da vida. Mas, sendo sincero e não um babaca… ━━ Continuou por fim, rindo por entre as palavras retiradas da fala de Louis. ━━ Parece natural para mim que você queira trabalhar em uma loja dessas. Quer dizer, você é um dos melhores atletas, mas ainda tem contas a pagar como todos os outros meros mortais. E se não pode jogar, trabalhar com equipamentos de quadribol parece uma ótima maneira de continuar dentro do que você sabe e gosta de fazer. ━━ Explicou e, no fim, deu de ombros. ━━ Não se preocupe tanto com isso. ━━ Finalizou, apertando a ponta do nariz do outro em um hábito antigo. ━━ Quer tomar alguma coisa sem álcool antes de entrar lá? Acho que você vai acabar travando e gaguejando se for lá agora. ━━ Brincou com ele, mas sustentando uma expressão séria, preocupada até.
Do seu passado, existiam poucas pessoas que lhe causavam uma inquietação de sentimentos misturados que faziam com que Louis não soubesse como agir. Depois de uma visita rápida ao seu antigo apartamento, bem antes do acidente e, definitivamente, antes da relação que teve com um ex-jogador mais velho, Louis ainda nutria tais sentimentos por parte do outro homem. Sorem conseguia deixa-lo bem confuso, se essa era a palavra certa, apesar das brincadeirinhas frequentes, as reações eram sempre as mesmas, se devia ou não seguir em frente com isso. “Nunca tem graça nenhuma né, mas sei lá, ao menos aceleraria as coisas” Deu uma piscadela, com um sorrisinho nos lábios que não dizia muita coisa, mas por Merlin, como ele conseguia tão atraente? Em uma única pergunta com aquele tom de voz misterioso e Louis já podia sentir seu corpo se contorcer inteiro.
Mas também poderia ser o nervosismo do momento, não podia se confundir naquela ocasião, Louis ainda tinha essa dúvida que lhe incomodava demais. Sorte a nossa? Era uma frase positiva demais para quem sofreu um acidente gravíssimo que o afastou da única coisa que conseguia fazer. Sentiu o contato da mão dele com a sua, desviando o olhar para o mesmo quando foi direcionado para longe daquela porta, ficando em um lugar que não atrapalhasse a movimentação de ninguém, mesmo assim, o francês manteve seus olhos direcionados na mão dele e sorriu minimamente antes de voltar o olhar para ele, torcendo para que o rapaz não retirasse sua mão dali, era um contato gostoso. “Meros mortais” Comentou com uma risadinha, mas entendeu o que lhe era dito.
Ainda não conseguia não estar nervoso, mas pelo menos estava menos covarde, e toda a aproximação que tinha ali com o seu ex-namorado, o toque na ponta de seu nariz lhe pegou de uma forma que não conseguiu conter o sorriso, agora com seus olhos focados nos do mais velho. “Sem álcool? Certo, pode ajudar em não travar e gaguejar, mas não ajuda em conseguir sabe… te levar pra cama” Brincou, com uma piscadela, rindo logo em seguida e depois se dando conta do que falou, ele só pigarreou e desviou o olhar. “Brincadeira, eu aceito sim”














