Eu fui tão cega pega ideia de você, que qualquer outra pessoa não tinha graça nenhuma. E isso só confirma a minha teoria (já confirmada há muito tempo) de que eu sou a pessoa mais cabeça dura do mundo, porque eu me recusei - esse tempo todo - a aceitar qualquer outra pessoa que não fosse você. Eu fui tão disponível pra você esse tempo todo, que só faltava eu pular com uma plaquinha neon na frente da sua casa. Durante muito tempo só existia você nas minhas opções, seu nome brilhava tão forte que ofuscava qualquer outro. No meio de tantas opções, parecia ridículo escolher qualquer coisa que não fosse você. Mas nunca foi com você. Sempre foi mais sobre mim, sobre as minhas fantasias e a minha imaginação. É que eu sempre me imaginei tão com você, que não ser você não fazia sentido nenhum. Mas eu lembro de abrir os olhos, com a vista borrada e pensar: “É isso?”. E acho que foi ali que eu soube que nunca foi você. Sempre foi o que eu inventei de você e o universo entrando na brincadeira. Nunca foi com você, sempre foi as situações que eu me encaixava pra ficar por perto. Eu nunca fui uma pessoa de felizes-para-sempre ou almas-gêmeas e por isso que eu digo que nunca foi você. Sempre foi uma projeção absurda de tudo que eu lia nos meus livros favoritos e assistia nos seriados americanos. Me desculpa por não conseguir mais olhar pra você, juro que não é com você. É que olhando pra você agora eu ainda vejo todas as projeções erradas que eu fiz. E eu ainda me martirizo por todas as escolhas certas que eu não fiz, porque estava muito ocupada vivendo a escolha mais errada que eu poderia ter feito. Juro que não é com você. E o problema é esse, é que nunca foi.


















