𝐫𝐞𝐬𝐮𝐦𝐨 — Helenka ou Lenchka para amigos, ou ainda Lenie para a um círculo mais restritos frequentou o instituto preparatório para jovens damas da alta sociedade, além ter seus próprios instrutores, dedicada como sempre mostrou-se ser, tentara com afinco desempenhar bem seu papel como lady - futura esposa/mãe - mas para bordar, cozinhar ou recitar poesias faltava-lhe aptidão. Seus esforços rendiam no máximo um razoável de suas instrutoras, algo que sem dúvida não seria impressionante para conseguir um marido com um título superior ao de sua família - barões. Fora somente aos dezesseis anos que seu pai permitiu que a jovem adentrasse no meio acadêmico, ramo tão explorado pela ala masculina da família, descobrira ali a função de sua vida. Perto da graduação fora enviada - pela própria czarina - para o “voluntariado” no esforço de guerra.
Enquanto atendia as mais diversas situações desesperadoras em sua clínica, a filha do barão viu o que uma guerra podia fazer e se perguntou se aquilo valeria a pena. Uma vez de volta a Amur experimentou uma recepção calorosa, o recém amor do povo de sua província motivaram-na a abrir um ambulatório clandestino, onde atendia camponeses que não podem pagar em segredo, utilizando-se de subterfúgios como festas e eventos sociais para encobrir suas ações, temia que se descobertas suas ideias progressistas seriam vistas como Rebeldes.
𝐢𝐧𝐬𝐩𝐨 — Remy "Thirteen" Hadley (house), Ann Perkins (parks and recreation), Claire Browne (the good doctor), Starlight (the boys), Jack Shephard (lost), Alex Dunphy (modern family), Zayday Williams (scream queens), Eugenie Roe (band of brothres), Magdalena Medina (tempos de guerra), +
𝐩𝐫𝐨𝐯𝐢́𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐞 𝐜𝐚𝐬𝐚 — A casa Silayev viera ao longo de gerações desenvolvendo e aprimorando as mais variadas formas de medicina, tornando-se indispensáveis para a família do Czar, como médicos e cirurgiões exclusivos. Barão Viktor Silayev como neurocirurgião é o primeiro a ser chamado caso uma emergência na corte surja. A província é polo acadêmico para toda Moscóvia, alunos formados em Amur são valorosos indivíduos que dão suas vidas para levar conforto a soldados feridos no campo de batalha ou nas demais localidades. Ainda que tenham uma vida confortável essa não veio sem trabalho, barões não retém tanta influencia, mas o líder da casa Silayev é um grande lobista e puxa as cordas certas para tentar mudar essa realidade.
𝐩𝐞𝐫𝐬𝐨𝐧𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 — Seus bons sentimentos estão estampados em sua face, muito empática, sorri quando um sorriso lhe é oferecido - ri com facilidade, mas não se engane: seus sentimentos ruins estão lá, permanecendo num limbo, algo pouco saudável, pois, podem vir a tona como uma tsunami e destruir tudo que conseguir. Trata a todos com respeito uma vez que o juramento feito para se tornar médica implica não fazer o mal e proteger cada vida. Esconde bem suas inclinações ao questionamento do sentido da guerra, tendo herdado da mãe chinesa muito mais do que os traços e sim uma veia teatral incrível, comparece em eventos de apoio às tropas e nunca deixa que seus reais pensamento escapem por entre os lábios sempre muito bem tingidos, ainda que seja propensa a cometer gafes pontuais, acostumada a trabalhar não dedica muito de seu tempo na pratica da etiqueta ainda que possa se comportar como uma dama quando necessário é natural que tenha com desprezo algumas normas.
𝐚𝐩𝐚𝐫𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 — Há quem pense que a jovem por vezes sendo vista com roupas não tão usuais por mulheres da corte, não se preocupa com sua aparência, a realidade é que usar calças boa parte do tempo é justamente a forma de se destacar, a casa Silayev não costuma deixar o jogo seguir ao seu bel prazer, a imagem construída para Helenka é de mulher tão forte quanto a própria Moscóvia, mas ainda assim doce o suficiente para cuidar. Que precisara argumentar muito para que pudesse se mostrar como era, já que para a os barões de Amur a imagem da filha não seria bem vista pela corte. Os fios escuros deram lugar aos mais amendoado com tons dourados nas pontas moldam seu rosto delicado, munida de olhos de ônix penetrantes com os traços orientais e estatura média para alta, Lady Silayev adentrou ao favorato sentindo-se muito mais segura do que se tivesse dado ouvidos aos conselhos dos modistas de sua província.
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“—Dores diferentes, acredite, dores bem diferentes” respondeu de pronto a médica com uma expressão teatralmente desolada no rosto, negando com a cabeça para aumentar sua interpretação “—Ser cutucada, cortada, costurada, suturada, e todo o resto eu já estou acostumada, isso, no entanto” ela apontou com a cabeça para a comoção atrás de si “—É um nível diferente de tortura” terminou com um sorriso brincalhão, indicando seu tom de provocação “—Mas e você, precisando de um apoio?” perguntou olhando para o copo de bebida nas mãos da favorita “—Sem julgamentos aqui” levantou a sua taça minimamente, como se fizesse um brinde.
🟉 ¦ 「 —— Um apoio é sempre bem vindo! Erguera a própria taça em resposta, não iria recusar a desculpa perfeita para dar um longo gole na bebida sem que os demais dedicassem seus olhares recriminatórios. Fora o que fizera, o vinho fora sorvido e um sorriso largo apareceu nos lábios após o termino. —— Sinceramente eu acho terrível o o negocio deles sejam perguntas constrangedora, mas devo dizer que você lida muito bem com eles, o que é um dom, poucos fazem o que você faz e ainda tem destreza com os reportes, sabia? Se recordara da situação em que seus serviços foram requisitados pela mulher, não fora nada demais, mas agradecera a possibilidade de se tornar mais intima, ainda que para alguém como Helenka intimidade era algo natural. —— Admiro sua resistência a todo tipo de dor, não é algo inato para alguém na sua posição.
As sobrancelhas erguidas o denunciavam de imediato. Saia transparente e pronto, Hedeon estava entre aqueles que a olharam com julgamento nos olhos. O sentimento não sendo o recriminatório, mas o de que não precisava disso tudo para atrais o Czarevich. Tinha quase certeza de que vestimenta não entrava nos requisitos avaliativos de Gigori. —Pronto. Não tem mais o que temer. A senhorita está limpa e inocentada. — Diretamente falando. Ainda existia a possibilidade de tal crime ter cometido à mando de alguém da festa, algum convidado, e calculadamente projetado para não associar o mentor com o ato nefasto. Possibilidades que tiravam o sono do Capitão à noite. — Por que está me olhando como se não me conhecesse? — A expressão fechada tinha ganhando mais força quando não notou a familiaridade nos olhos alheios. — Não me diga que vai me abandonar à própria sorte na enfermaria só porque desconsiderei suas habilidades na espada?
🟉 ¦ 「 A expressão na face do outro indicava o que Helenka imaginava, a fantasia continua toda a história do povo chines, mas ainda assim a única coisa que prestavam atenção era no quanto era indecorosa, devia ter imaginado que a corte não era o local mais receptivo para coisas novas. Teria bufado se o questionamento não lhe tivesse chegado aos ouvidos, fora só então que a recordação preenchera sua mente, se lembrou de anos atrás quando o ajudou ainda que contra as ordens de seu superior, o reconhecimento era traduzido em sua face com as sobrancelhas erguidas e os lábios afastados. —— Eu não fazia ideia que você... Senhor Kim Hedeon? A interrogação era lançada mais para si mesma do que para o outro, haviam tantos nomes em sua cabeça, tantos rapazes foram costurados por ela, tantos não sobreviveram. O sentimento amargo que experimentara na guerra agora a seguia por todos os lugares, todavia a face masculina diante de seus olhos representava algo de bom, ele não apenas sobrevivera como estava a trabalhar em uma posição de destaque. —— Devo dizer que fora rude de sua parte menosprezar meus talentos. As palavras eram ditas com uma dose de humor típica da baronesa.
˙ ˖ ✶ Ao ouvir passos se aproximando de si, Min-Ah tratou de logo desviar seu olhar do relógio para observar Helenka se aproximando de si. “Bom, creio que isso e o fato de não ser eliminada, considerando que sete garotas foram mandadas para casa.” Se permitiu deixar um riso escapar com o próprio comentário e iluminar as feições que antes de encontravam mais sérias. “Não precisa se preocupar com isso, Elly. De verdade.” Esboçou um sorriso simpático, a fim de tentar suavizar qualquer tipo de preocupação e culpa que a outra teria para com não ter se preparado para a data. A asiática por si só achava que talvez não fosse ideal que seu aniversário causasse certa comoção considerando os eventos recentes e se via um tanto triste ao ver uma de suas maiores amigas partirem entre as eliminadas. “Creio que com tudo o que aconteceu nos últimos dias e hoje, a data em que eu nasci não deve ser motivo de tanto abalo.” A cabeça balançava me negação conforme o braço da mais nova se envolvia no da loira, fazendo com que ela acompanhasse seus passos conforme começasse a andar. “Mais do que isso, me importaria mais em saber como uma de minhas amigas mais queridas está.”
🟉 ¦ 「 Gostava da companhia da Kazak, a mulher tinha um tom divertido que para alguém como Helenka era muito apreciado, após uma eliminação tão grande os ânimos de todas as remanescentes se tornava imprevisível, podia haver alivio, mas certamente existia aquela pontada de medo, afinal o príncipe mandara um recado claro com aquilo - ainda que não fosse sua intenção. O enlace dos braços fora recebido com um sorriso nos lábios, dessa vezes o gesto não tinha qualquer nervosismos, diferente dos que a médica havia dado diante das câmeras. —— Não vou negar que eu não sou a maior fã de aniversários. Os passos eram guiados pelo ritmo e direção dos dados pela mais nova de ambas. —— Mas talvez um pouco de alegria seja o que a gente precise depois de tudo isso, vamos achar ao menos algo gostoso para comer e se você não quiser eu nem insisto em cantar parabéns. Assentiu como se as palavras tivessem um peso muito maior do que tinham, faria exatamente como a outra desejasse, ainda que uma desculpa para descontrair fosse muito bem vinda aquela altura. —— Ah... Eu estou bem, minhas pernas param de tremer, não sei porque fiquei tão receosa de ser eliminada, a disputa parecia tão boba quando me inscrevi, agora as coisas tem uma proporção tão grande... Mas e você, como estão sendo esses dias para você?
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"Não só o sorriso, não é, lady Silayev?" As sobrancelhas de Olesya balançavam comicamente, fazendo os risos na platéia aumentarem conforme a câmera alternava entre a favorita e o czarevich. "Tenho certeza que nosso príncipe conta com qualidades suficientes para conquistá-la, apesar de não ser Czar ainda." Cutucou, piscando um olho. "Mas o que me interessa são as qualidades da senhorita. O que acha que a fez ficar?"
𝒇𝒍𝒂𝒔𝒉𝒃𝒂𝒄𝒌「 O Corte
🟉 ¦ 「 A menção aquele trecho da entrevista fizera com que a mulher levasse ambas as mãos ao rosto entre risos teatralmente nervosos, se a intenção de Olesya era fazer com que todos se divertissem, Helenka também podia participar desse jogo. Um gemido escapou por trás das palmas antes da voz sair um pouco abafada. —— Não fora o que eu quis dizer naquela ocasião! Liberou o roso do bloqueio ainda com um sorriso bobo nos lábios. —— Tenho certeza que essa foi a coisa mais constrangedora que eu já disse na vida. Lançou um olhar para o local onde o Grigori estava, certa que as câmeras podia capturar sua expressão cômica de desculpas. Mordeu os lábios para tornar o sorriso menos largo enquanto se ajeitava em seu assento e voltava a encarar o apresentador e a plateia. O pensamento fora levado diretamente para o momento em que conhecera os aposentos pessoais do príncipe, havia prometido a si mesma que não dividiria aquele fato com ninguém. —— Eu sou bem direta quando precisa ser, a minha estadia no fronte me fez aprender o valor de não fazer rodeios ou florear as coisas, acredito que essa seja uma qualidade que nosso czarevich aprecia. Maneou a cabeça enquanto mantinha os orbes de ônix sobre o homem, em busca de alguma aprovação. —— Ao meu ver, formamos um casal que tem uma dinâmica boa, não protagonizamos nenhum desastre, pelo contrario... Nos entendemos muito bem. Um sorriso divertido dançou nos lábios bem pintados da baronesa, sua maior preocupação era não soar arrogante, mas não tinha qualquer problema em instigar a curiosidade dos demais.
‘ Bom, sim, costumamos vender essa ideia ’ acabou admitindo, comprimindo os lábios em seguida, envergonhado. Essa não era uma tradição dele para que pudesse mudar, mas pertencia a gerações de czares. Ademais, não podia mudar, porque o evento financiava muito da boa vida que tinham naquele momento, pelo patrocínio das famílias nobres que expectavam a escolha de uma de suas filhas. Não podia dizer a Helenka que não encontraria romance algum ali, porque isso ia diretamente de encontro ao que eles vinham propagando nos últimos meses. ‘ Uh, você gostaria de um piquenique? ’ perguntou, depois de um instante de vacilo, por ter sido surpreendido pela admissão. Franziu o cenho ao pensar que podia estar sendo negligente, vez que não tinha oferecido à favorita em questão um encontro digno. Aliás, julgava que tinha causado algum constrangimento no último. ‘ O vinho pode ser providenciado também ’ conteve o sorriso, achando graça do fato de ela exigir tão pouco – não que quisesse ser cobrado, mas era notória a falta de “ambição” de Helenka. Teria permanecido mais tranquilo, contudo, se ela não tivesse devolvido a pergunta, reajustando a postura no assento antes de responder. ‘ Esse não é o tipo de coisa que acontece naturalmente? ’ perguntou, meneando a cabeça. Responder perguntas com outras perguntas era um hábito que tinha adquirido há muito; um militar que trabalhava com assuntos sigilosos não podia ceder tão facilmente. ‘ Não é justo que eu tenha de responder a mesma pergunta ’
As palavras despertariam certa curiosidade se não fosse filha de quem era, Barão Silayev tratou de discursar por horas a fio sobre o quanto o favorato era uma disputa desleal e como Helenka devia dispensar sentimentos quando fosse tomar decisões, pois assim todos o fariam, depois de conhecer as garotas a mulher descobriu que nem todas pensavam assim, mas restava a peça principal daquele ‘jogo’ o czarevich via o favorato apenas como algo politico? Se assim talvez casar-se com uma baronesa não fosse a escolha mais inteligente, ainda que essa tivesse um bom histórico com a atual czarina e tivesse o apoio de sua província, por isso dona dos fios dourados precisava acreditar que tinha que haver algo mais pesando naquela balança para que ela pudesse ser favorável para si. —— Vou tomar isso como um: sim. Assentiu de modo divertido, antes de uma expressão neutra ser exibida na face da mulher. —— Imagino que não seja fácil se abrir assim e talvez nem seja recomendável, mas se você não estiver disposto, isso não vai funcionar com nenhuma de nós. Tocara o dorso da mão alheia de modo afável, sem tentar impor nada além de compreensão com o gesto. —— Está me convidando para um encontro? Os lábios se curvaram nitidamente se segurando para que o mesmo não se tornasse mais largo.
A afirmação da médica não deveria tê-la surpreendido tanto quanto fez. No entanto, foi impossível não deixar escapar um silvo de assombro com admiração em um desanimo descontente, conforme ela se jogava mais para trás na poltrona. — Agora você só está se exibindo! — Acusou, fazendo beicinho, mesmo que não estivesse realmente ofendida. Se ela soubesse machucar alguém com uma simples caneta, talvez ela também encontrasse conforto em dizer aquilo. — Bem, parece que estamos presas aqui por mais algum tempo. — Constatou ela, de forma resignada. — O que tem feito para passar o tempo? Sente falta de estar no fronte?
🟉 ¦ 「 Deixou que as costas encontrassem apoio no espaldar da poltrona de modo relaxado, diferente do modo como a etiquetava ordenava, sentia que estava se descuidando na presença da Zeklos, mas dedicava pouca importância a isso no momento, deixando-se envolver por ela. —— Não do fronte exatamente. Fitava o teto da sala reservadas paras as damas, mas não vi os detalhes do lugar, sua mente a levara de volta a batalha. —— Não importava o quanto eu fizesse, eles nunca paravam de chegar... Mas sinto falta de clinicar. Acha que me deixariam ajudar na enfermaria? Virou-se na direção da outra com os orbes de ônix exibindo um brilho que antes não havia ali. —— Eu poderia te mostrar algumas coisas básicas, se isso não te entediar.
Sorriu levemente ao ver a que a mais velha havia conseguido descontrair um pouco, gostando de pensar que sua companhia havia sido a razão para tal. ❝Mas é claro! Minhas mãos estavam tremendo e eu tenho certeza de que estava mais pálida que o normal… ❞ Suspirou agora um pouco mais aliviada, saber que a médica também havia ficado nervosa a ponto de tremer também era reconfortante, por que assim sabia que não era a única e que não era uma bobagem de sua parte. Acabou rindo junto de Helenka, era sempre mais fácil manter as conversas com ela e sentia que ter conversas assim eram o que estavam ajudando a Orlaith a melhorar sua desenvoltura com outrem, para que ficasse menos travada e nervosa. ❝Pois eu posso dizer o mesmo! E também acho que você seria uma ótima Czarina, tem muitas qualidades admiráveis.❞ Elogiou com sinceridade, gostava da relação que tinham mesmo que em uma competição, havia o apoio sincero uma a outra, não se desejavam mal e tão pouco procuravam sabotar uma outra como provavelmente era esperado por aqueles de fora. ❝Mas não sei se eu conseguiria ser tão incrível assim nesse papel, é um cargo bem difícil de se ocupar, ainda que muito prestigiado.❞
🟉 ¦ 「 Agradeceu com uma inclinação de cabeça, semelhante a uma referencia, concordava com o elogio apenas em partes, seria uma boa rainha para o povo, mas não agradaria aqueles que detém o poder, algo que a tornaria propensa a sofrer embargos. Dedicou alguns instantes para digerir as palavras alheias, para tal levou a taça de vinho aos lábios, de fato seria uma posição difícil, tendo todo um império para cuidar, Helenka com poucas pessoas em sua província já tinha dificuldades grandes demais para lidar. —— Acredito que uma czarina possa ser bem assessorada e com os apoios certos o cargo não seja um fardo e sim uma benção para os que precisam. Não acreditava em bênçãos divinas - fato esse que mantinha oculto de quase todos, temendo alguma retaliação em um país tão religioso. —— Para falar bem a verdade, as vezes esqueço que estamos aqui para disputar o cargo de czarina, ainda agora parece surreal. Confessou um tom mais baixo do que o burburinho de vozes ao redor de ambas.
Era divertido, e ele não iria negar. Os lábios dele se curvaram para cima, e ele até pensou em se sentar, tornar a conversa um pouco mais longa do que deveria, mas se restringiu no último minuto. Olhando para o chão e depois para ela, o sorriso teimoso ainda presente em seus lábios. “Um erro letal, eu diria.” Comentou, dando apenas mais um passo para mais próximo da mulher, um passo não seria nada de mais, seria? “Para alguém que estava preocupada em ser implicada em um assassinato há poucos minutos você parece bem disposta em cavar a própria cova. Como disse que era seu nome, senhorita…?”
🟉 ¦ 「 —— Eu não disse. Respondeu o questionamento sobre o nome de modo simplista, porém cercado com uma dose de mistério, algo completamente difícil para alguém que se encontrava no favorato, muitos na corte sabiam seu nome e parte de sua história, ainda que ela pouco soubesse dos demais, se divertira com o fato de poder permanecer ‘anônima’ por algum tempo que fosse. —— Eu posso ter percebido que você não me denunciaria ou ter imaginado que vos me tratou como idiota também. Os lábios da mulher se curvaram, os santos sabiam o quanto ela estava precisando de uma diversão por menor que fosse depois de toda a história do assassinato, porém a aproximação não passou despercebida, ainda que o rapaz não fosse detentor de uma reputação intacta, conquistar o apoio dele não seria ruim para a disputa. —— Sou Lady Silayev de Amur, mas pode me chamar apenas de Helenka, todos assim o fazem. Estendera a mão, algo fora da etiqueta, mas estava acostumada a se apresentar como médica e não havia necessidade de reverencia para seus pacientes.
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Grigori não tinha se dado conta de que tinha tornado aquele um momento íntimo até que os olhos da baronesa descessem para suas mãos juntas. Decerto o homem tinha ficado vulnerável assim que ouviu o elogio, mas não achava que aquela fosse uma artimanha de Helenka para facilitar a aproximação. Agora, contudo, estavam muito mais próximos do que deveriam estar num aposento fechado – precisamente o que ele tinha imaginado que não deveria acontecer se quisesse preservar a reputação da nobre depois que ela tinha ingressado em seu quarto. Sabia das repercussões de um contato mais íntimo, se fossem pegos, mas não era tão nobre ao ponto de oferecer casamento por conta de um beijo, nem mesmo por conta de algo a mais. A prova disso eram seus relacionamentos pretéritos. No entanto, pelo menos não podia ser acusado de seduzir e ludibriar as damas da corte como alguns dos homens presentes no Favorado, se aproveitando delas e depois as dispensando, desonradas. Grisha se retesou minimamente ao sentir o toque em seu rosto, por não estar esperando, mesmo que a aproximação indicasse. Não demorou, porém, para que se acostumasse – o toque suava era típico de quem curava, embora ele não duvidasse da firmeza daquela mesma mão, se preciso. Foi com certa ansiedade que o czarevich acompanhou os movimentos dos dígitos sobre a pele do pescoço e da nuca, sentindo-os no lugar de ver. Isso porque o olhar estava preso nos olhos âmbar da Silayev e, depois, nos lábios, mal distinguindo o gracejo, ou respondendo. Por instinto, levou uma das mãos ao osso da cintura feminina, trazendo-a devagar mais para perto quando tinha obrigação de afastar. Sabia para onde estavam indo, mas não se incomodou em interromper quando a representante de Amur tomou a iniciativa de cobrir a pequena distância que os separava, envolvendo a boca dela com o calor da sua. A mão livre correu até a lateral do rosto alheio, segurando-o ao mesmo tempo em que ele invertia as posições, para que ela estivesse apoiada na parede. A mistura de fôlegos dificultava a respiração, mas o Morozov apenas fez intensificar o conta ao se inclinar ainda mais para junto dela.
🟉 ¦ 「 Para uma profissional no campo da saúde impulsividade não podia figurar entre seus defeitos mais proeminentes, no entanto a Silayev sofria desse mal, ainda que fosse perfeitamente capaz de racionalizar com cuidado suas ações quando estas podiam colocar em risco outras vidas. Algo que não se aplicava quando a prejudicada fosse ela mesma: Lá estava ela dando um passo maior do que as próprias pernas, estavam no palácio a tão pouco tempo, nem ao menos podia dizer que tivera tempo o suficiente para conhecer aquele que era o motivo de sua estadia em meio a tanto luxos. Os dígitos da mão que antes se encontrava segura entre as pertencentes ao czarevich agora tinham o aprazível trabalho de percorrer a textura do tecido que mantinha a pele do peitoral alheio protegido, muito consciente de que um pequeno descuido guiaria sua mão direto para os botões da camisa, beija-lo já havia sido um grande pedido para colocar sua reputação em xeque, estava sempre propensa a cometer deslizes na presença do mais velho, antes esse fato era encarado com humor, mas agora que seu pai a pressionava para angariar uma posição mais elevada entre os títulos nobiliárquico gafes na frente do príncipe eram encaradas como um desastre.
Evidente era o fato de não ser seu primeiro beijo, não apenas pela falta de surpresa quando suas costas voltaram a encontrar apoio na parede enquanto os lábios tornavam os movimentos antes ternos e suaves em mais voluptuoso. Ninguém recriminaria sua confissão dos namoradinhos dos tempos de guerra, quando nem mesmo a vida lhe pertencia e esta ficava constantemente sob ameaça. Agora por outro lado a única coisa em perigo era sua reputação, mas dedicava sua torcida para que ninguém fosse indecoroso o suficiente para adentrar os aposentos imperiais sem bater. Não estava manipulando-o para que fosse escolhida com tão pouco tempo, apenas precisava constatar se formavam um par com química o bastante, seria insuportável permanecer em um disputa por alguém que não fosse compatível consigo, ao menos aos olhos da médica, Grigori se mostrava ser, assim o favorato continuava como uma disputa a qual ela queria participar. O oxigênio cada vez mais escasso fora o responsável pela quebra de continuidade do beijo, fazendo com que a mulher exibisse um sorriso de satisfação enquanto fitava a face bonita do rapaz tão de perto. —— Isso foi tão inapropriado de minha parte. Dissera com o riso presente em casa palavra para denunciar o gracejo, não demonstrando estar constrangida, não o suficiente para se conter, selara os lábios aos dele uma vez mais. —— Mas não posso dizer que me arrependo.
🟉 ¦ 「 A dona dos fios tingidos de dourado procurava não dedicar muito de seu tempo a pensar sobre sua província, havia deixado muito para trás, seu consultório clandestino e em segredo era o ponto que viera de imediato em sua mente, Olesya Mirokhin não havia conquistado seu lugar no estrelato atoa e percebeu que havia algo para cavar ali, se inclinou para frente como se a mulher estivesse prestes a confessar algo e disse em um tom baixo - porém no microfone, não apenas todos os presentes, mas todas as casas podiam ouvir. “É uma pergunta bastante emocional.” As palavras eram de apoio, mas soaram um tanto depreciativa aos ouvidos de Helenka, está que passara a crer que encarava todas as entrevistas numa posição defensiva. —— Oras, não tenho como negar que sinto falta da minha família e do povo de Amur. Desde que retornei da guerra todos me tratam com muito respeito e carinho, sinto falta disso. O homem sorrira compassivo assentindo com a cabeça para que ela se abrisse mais. —— Não que aqui em Nantis eu seja maltratada, todas as oportunidades que tive de saudar o povo todos foram incrivelmente gentis, mas em Amur eu tinha um contato mais impessoal, claro eu era apenas uma médica comum, não uma favorita e definitivamente eu não tinha tantos guardas ao meu redor. Pela coroa, porque diabos fora tocar no assunto dos guardas, não parecia ser uma informação que a corte desejava dividir com o país. “A segurança das favoritas é essencial para que o favorato aconteça.” Era a vez da Silayev assentir com um sorriso nos lábios. —— Sem dúvida, nunca me senti tão segura. Não era completamente verdade, mas considerando as zonas de guerra em que já estivera, o palácio era muito seguro, mesmo com um crime ocorrendo debaixo do nariz de todos. —— Ah sim, sinto falta das sobremesas que só tem em Amur. Se alguém puder me enviei algumas por favor. A suplica fora feita de modo teatral e cômico, a mulher chegara até a unir as palmas das mãos em prese.
— ❝ Oh, não! Nós nem somos assim tão próximas, relaxa.❞ Tranquiliza a pessoa que expressou tristeza com a eliminação de uma Osmini. A verdade é que Veronika dificilmente era verdadeiramente próxima de alguém, mas ela mantinha a fachada. — ❝ Nasci em Nantis, sabe? Meu pai construiu sua riqueza por aqui e Agnia permanece em Verkhoyansk, a província natal da nossa família. Mas, isso não é lá muito importante. Estão todas sujeitas a eliminação, não é mesmo? E você, como está se sentindo agora que o grande evento do corte passou? ❞
🟉 ¦ 「 Todas as vezes em que se encontrava com alguém que ostentava o mesmo titulo que ela, a baronesa de Amur sentia-se como que a vontade, fora o mesmo assim que colocara o par de orbes sobre Veronika, os lábios estavam curvados em um sorriso enquanto a escutava explicar sua relação com a eliminada para uma outra pessoa, mas não se conteve em se intrometer, ainda que não fosse de bom tom de acordo com as normas de etiqueta, quem iria recrimina-la depois de tudo aquilo? —— Perdoe-me a intromissão... Eu tenho uma visão muito diferente d’o corte. É desesperador, não estava preparada pra isso. Confessou baixo, porém entre risos.
˙ ˖ ✶ Apesar de estar mantendo uma expressão imparcial e um sorriso quando alguém, ou até mesmo si mesma, estivesse prestes a ser eliminada, aquele momento estava, de fato, conseguindo a deixar ansiosa, não importando o quanto estivesse confiante. Assim que a eliminação havia acabado, sentiu que finalmente podia respirar mais uma vez e se sentia feliz consigo, o suficiente para deixar os acontecimentos do baile de máscaras de lado. Aproveitou seu breve momento de descanso antes de ser entrevistada para deixar seu olhar percorrer aleatoriamente pelo local enquanto tentava acalmar seus nervos. Não demorou muito para seu olhar focar no breve vislumbre que pode ter do horário, marcando o badalar da meia noite. Só agora pode ter noção do tempo que havia passado e o seu aniversário chegado. “Parabéns para mim.” Comentou baixo em um riso, sem perceber que tinha sido escutada por alguém.
🟉 ¦ 「 Ao primeiro momentos as palavras que chegaram a sua audição foram interpretadas como uma congratulação por ter remanescido no favorato, afinal até mesmo a médica sentira-se extremamente nervosa diante daquele corte gigantesco, estava a meio passo de brindar por terem a ‘sobrevivência’ de ambas no jogo quando um comentário de Theodora lheinvadira a mente, a mais nova havia comentado sobre o aniversário da outra. Dera de ombros e caminhara de modo a ficar de fronte a dona dos fios claros. —— Acredito que exista inúmeros motivos para se comemorar hoje, mas desconfio que seja pelo seu completar de anos, estou correta? Inclinou a cabeça de modo a parecer mais amável do que deveria parecer. —— Me perdoe que estive tão atarefada que não tive qualquer tempo para preparar algo.
━━ ˟ ⊰ ✰ Era em momentos como aquele que Sofiya percebia o quanto não sentira falta da corte. Os eventos eram demasiado espalhafatosos, sem mencionar a importância associada a interações superficiais e de pouca utilidade. Deveriam estar recolhendo informações a respeito do assassinato recente - e não apenas ele, mas também a traição de Kazimir, meses antes. Ao invés de um debate estratégico, contudo, a guerreira era obrigada a lidar com damas escandalosas, cujas vozes pareciam um ou dois tons mais alto ao correr de um lado para o outro, à procura da perfeição. Kira revirou os olhos. Não tinha certeza de quanto tempo mais aguentaria no Palácio de Inverno. — Eu juro que se essa gritaria não parar nos próximos cinco minutos, eu não respondo por mim. Vi uma fita adesiva por aqui e não tenho problema em cobrir a boca de cada uma delas.
🟉 ¦ 「 O nervosismo tivera seu pico durante a cerimonia, mas ainda assim se estendia por todo o tempo, Helenka tentava manter a pose de controlada e segura que sempre exibia, mas não poderia negar que também fora autora de alguns gritinhos ao lado de suas amigas, mas desde que seus dígitos se apoderaram da taça de vinho a médica tinha uma face mais amena. —— As meninas precisam extravasar de alguma forma, fora tensão em demasia. Capturou outra taça para entregar a outra, mas parou no meio do caminho sem saber se a mulher estaria inclinada a aceitar. Tem interesse? Os lábios exibiam um sorriso convidativo. —— Talvez devêssemos oferecer as garotas? Me acalmou um pouco.
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Ainda estava impactada com o tanto de garotas que haviam saído com o corte, ainda mais duas delas sendo próximas de si, mas lhe fora um alívio não estar dentre as que saíram e também que Helenka não estivesse entre elas. Por que ainda que torcesse para Min-Ah, caso não fosse ela a ganhar, também parte de si torcia pela médica, então assim que pode foi até ela para pudessem conversar. Não pode deixar de notar que ela estava um pouco apreensiva, tanto por que a própria Agnia também havia ficado. ❝Helenka, como está?❞ Cumprimentou logo que se aproximou dela, pensou em elogiar o vestido alheio, mas sentiu que poderia soar falso demais mesmo que fosse verdadeiro de sua parte, por que ainda era apenas parte do decoro. ❝Eu estava bem nervosa com o corte, mas fico feliz em saber que ainda continuamos no Favorado, você acha que temos a chance de irmos a final juntas?❞
🟉 ¦ 「 A visão da mais nova preenchera o ambiente, quase como uma boia jogada ao naufrago, mas nesse caso Helenka seria o adulto que se afoga na piscina destinada as criança, uma vez que seu nervosismo se mostrara desnecessário. A taça segura na destra continuava com praticamente seu conteúdo intacto, não queria exagerar. Um suspiro escapara por entre seus lábios quando a voz alheia fora escutada, o alivio nítido na face feminina, esta que teve que rir logo em seguida, apenas a mérito de descontrair. —— Você também? Lançou um olhar de surpresa para a outra, não imaginava que ela tivesse motivos para tal, sendo doce como era, Grigori seria um tolo se abrisse mão de ter a jovem entre suas favoritas. —— Eu achei que nunca mais ia conseguir andar de tanto que minhas pernas tremeram. Novamente o riso se fizera presente, dessa vez havia muito mais naturalidade no ato. —— Ficaria honrada de chegar a final com você. As palavras carregadas de sinceridade, principalmente porque havia se conectado a outra de uma forma que não conseguia expressar com palavras. —— Você seria uma Czarina incrível.