Polina tinha seus pontos positivos, sem dúvida, mas não podia se orgulhar de ter mantido sua índole totalmente intacta após o contato com aquele meio tão tóxico e problemático. Até havia sucedido em manter as diretrizes corretas de seu caráter durante a infância e juventude, onde mesmo com o esforço dos pais para se fazer presente na corte e perto das pessoas que a compunham, eles não de fato faziam parte dela. Após o casamento, no entanto, parecia inevitável abrir mão de alguns aspectos outrora exemplares em sua conduta - como a fidelidade. Pudera ela, afinal, manter-se fiel àquele que representava a pior parte de sua vida? E era mesmo difícil demais resistir aos olhos bonitos que a encaravam tão perto, propondo algo perigoso e inconsequente como se a chamasse para tomar um café. Ela olhou em volta pouco antes de responder, como que para ter certeza de que ninguém prestava atenção neles. “Eu acho que é possível.” Respondeu apenas, a mão que antes segurava a dele agora se aproximando apenas para que o indicador fizesse um caminho suave e discreto em seu braço; um movimento tão inocente que representava até demais. Revirou os olhos quando ele questionou, animado, sobre os defeitos. Não era difícil manter em mente todos os aspectos ruins do rapaz; só era difícil se convencer a se afastar. “Vejamos…” Tomou fôlego, os olhos azuis desviando para cima como se aquilo a ajudasse a pensar - mas não precisava de qualquer ajuda para descrevê-lo. Polina o conhecia bem; interior e exteriormente. “Prepotente, irresponsável, imprudente, impaciente, e você também faz aquela coisa quando algo te irrita” Comentou, referindo-se à mania dele que, muito embora não pudesse ser descrita como um defeito, já havia mencionado algum bom par de vezes que a incomodava. Escutou o motivo da presença alheia com um sorriso devidamente escondido pela máscara brilhante; não havia presença melhor naquele castelo para dividir com ela aquela semi liberdade. “Espero que o bebê nasça bem” Disse brevemente, a única contribuição para aquele assunto, antes de focar no que ele dizia em seguida. “Eu já estava ansiosa para me afastar” Contou, sem precisar mencionar o nome de Grigori para que ele soubesse se tratar de seu primo. “Agora, bem, parece que a diversão será ainda melhor” Concordou, os olhos claros brilhando em malícia. Apesar do que tinha com ele não passar de algo carnal, apreciava toda a sensação de estar com ele; a adrenalina do perigo e do errado. Além do mais, ele era mesmo divertido. “Quem sabe não visitemos alguns pontos secretos desse castelo gigantesco?” Foi a sugestão, a voz carregada pela malícia. “Tenho certeza que será um tour bastante… didático”
Os olhos azuis claros acompanharam o percurso feito pelos dedos da mulher como se assistisse uma peça formidável de teatro, o sorriso que despontava nos lábios com a concordância dela, no entanto, não era --- nem de longe --- tão casta e tinha em mente um tipo totalmente diferente de entretenimento. “Que bom que eu trouxe minha carteira.” Murmurou ainda mais baixo, se qualquer necessidade de falar mais alto que aquilo, visto que estavam realmente próximos um do outro agora. Quando ela olhava para cima, como que procurando por uma forma de se afastar para pensar, Danila se aproximou, a ponta do nariz dele roçando perigosamente perto da bochecha dela, os lábios quase tocando o contorno de mandíbula, deixando ecoar um ronronar em forma de risada a cada defeito ressaltado. "Que coisa?" Perguntou, a voz grave impulsionada pelo desejo agora era ecoada perto do lóbulo do ouvido esquerdo. Não que ele não soubesse, sabia exatamente o que fazia que a deixava irritada, bem, entre muitas coisas, o tique nervoso, que parecia um estalar de língua com uma careta toda vez que ele se frustrava, o que não era incomum perto da morena, mas bem, ela sabia como compensar. De repente, ele já não estava mais interessado em falar em bebês, e ele convenientemente, ignorou essa parte da conversa. “Bom, parece que suas preces foram atendidas.” Ele riu, talvez porque achasse graça mencionar a fé, quando ele não acreditava nesse tipo de coisa. Apenas na oportunidade e em quão bem ele podia se aproveitar delas. No caso, ele pretendia se aproveitar e muito do fato da esposa do primo estar sozinha ali e não iria ignorar tal sorte. “Nunca esteve no palácio?” Perguntou, com a sobrancelha loira arqueada. “Podemos começar o tour pela adega, ou pela piscina privativa, ou a galeria de arte... Muito embora, eu devo dizer, a maior peça de arte não esteja em nenhuma dessas salas...”